5ª Assembleia dos Povos: “Acabou o amor, isso aqui vai virar Palmares!”

De 30 de Julho a 1º de Agosto ocorreu, na terra Kaingang Comunidade Van Ká, no bairro Lami, em Porto Alegre (RS), a V Assembleia dos Povos. A atividade contou com a participação de indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua, coletivos, organizações sociais e populares, lutadores e lutadoras pelo bem viver.

A Amigos da Terra Brasil apoia encontros como este, potencializado pela diversidade de povos em resistência. Consideramos muito importante o encontro, a troca, o fortalecimento dos povos que acreditamos que devem ser cuidados e defendidos!

Divulgamos, abaixo, a carta lançada no final do encontro. Acesse este link para ver algumas fotos da atividade.


Carta da V Assembleia dos Povos
“Acabou o amor isso aqui vai virar Palmares!”

De 30 de julho a 01 de agosto de 2021 ocorreu, na terra Kaingang, comunidade Van Ká, bairro Lami, em Porto Alegre, a V Assembleia dos Povos que contou com a participação de indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua, coletivos, organizações sociais e populares, lutadores e lutadoras pelo bem viver.

Ao final da Assembleia, depois de momentos de profunda espiritualidade, reflexões, discussões e debates sobre a realidade de nossos povos, os participantes divulgaram uma manifestação coletiva, inspirada na memória dos ancestrais e nas espiritualidades dos povos e comunidades.

Os Povos Indígenas, Quilombolas e as demais comunidades originárias e tradicionais são inspiradores e impulsionadores da esperança na construção e consolidação de um mundo onde caibam outros mundos, ou seja, onde os modos de ser e viver dos outros sejam respeitados e valorizados.

Duas dimensões do viver dos povos e comunidades originárias podem nos inspirar: a memória e a espiritualidade.

A memória vincula passado, presente e futuro. Dá direção aos passos e ao caminhar contínuo. Enlaça o ser à coletividade, porque a memória é força e produção coletiva. Ela coloca em relevo as lutas e seus significados mais profundos, honra aqueles que passaram e os mantém como força inspiradora para os que estão cumprindo a vida e para os que virão.

Ensina sobre como tornar concreto o compromisso, o amor e a resistência. Mostra o saber que não se apaga, não se anula e muito menos se esquece.

A memória guia os projetos de vida daqueles que sonham e constroem a justiça, demarca o lugar da Terra como mãe, gestora e acolhedora da vida.

Além de tudo isso, ela torna os seres irmãos e irmãs nas diferenças e diversidades.

A Espiritualidade, por sua vez, dá sentido à existência dos povos, conecta os mundos e os saberes às ancestralidades, divindades e as cosmovisões.

Agrega as lutas físicas, políticas e as retomadas, dando sentido para além da materialidade. Fortalece as articulações nas lutas por cidadania e dignidade humana, entrelaçando os modos de ser e saber no cotidiano, ritualizando o caminhar e os movimentos dos povos, comunidades, coletivos, periferias em suas culturas.

Memória e espiritualidade apontam os caminhos do bem viver a ser construído.

Memória e espiritualidade compõem a oposição aos projetos de morte dos genocidas e suas crenças na acumulação de bens, no ódio, violência e destruição.

Juntas, a memória e a espiritualidade exigem reparação e condenação pelos crimes da colonização escravocrata, genocida, etnocida e a todas as formas de dominação que violentaram os povos.

Elas alicerçam a libertação dos povos e a defesa incondicional da Mãe Terra.

Terra Indígena Kaingang, comunidade Van Ká

Porto Alegre (RS), 1º de Agosto de 2021

Compartilhe:

Mais Matérias

Seguimos em luta para barrar o “Projeto Natureza” da CMPC Celulose

Projeto Natureza? É assim que a empresa CMPC Celulose chama sua expansão e acúmulo de capital. Sabemos que eucalipto em expansão = pampa em extinção e fazemos defesa à vida! Na quarta-feira (20), às 10h30, estaremos na Audiência Pública na Assembleia Legislativa de Porto Alegre (RS), para debater a implementação

Entidades e organizações da sociedade civil entregaram e divulgaram manifesto público em apoio ao Procurador da República Ricardo Gralha Massia e à Procuradora da República Flávia Rigo Nóbrega.

Foi entregue, na tarde de 12 de maio de 2026, um Manifesto Público em solidariedade aos procuradores da República Ricardo Gralha Massia e Flávia Rigo Nóbrega diante das perseguições e pressões sofridas em razão de suas atuações no caso do licenciamento ambiental da fábrica de celulose da empresa chilena CMPC,

CMPC: Nova fábrica, velhos impactos?

Por Eduardo Raguse* Por volta das 13:40, do dia 05 de maio de 2026, ocorreu a despressurização de emergência da caldeira da fábrica de celulose da empresa CMPC, no município de Guaíba. O evento causou grande susto e apreensão entre os moradores do entorno da indústria devido ao ruído fortíssimo,

Nota de pesar: Daniel Gaio, presente, hoje e sempre!

A Amigos da Terra América Latina e Caribe (ATALC) e a Amigas da Terra Brasil (ATBr) lamentam profundamente a partida do camarada Daniel Gaio. Expressamos a nossa solidariedade para com a sua família e os seus companheiros e companheiras de luta e de construção política. Juntamente com o Daniel, trabalhamos

Inscrever-se
Notificar de
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
plugins premium WordPress
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x