Resumo da Cúpula dos Povos da ATI

A Cúpula dos Povos foi um processo histórico de convergência que reuniu mais de 600 movimentos sociais e organizações durante dois anos e culminou em uma Cúpula presencial realizada de 12 a 16 de novembro, onde se reuniram mais de 25 mil pessoas para articular uma visão de mudança sistêmica, independente da COP 30.

A declaração final articula uma análise comum e um compromisso com a luta internacionalista contra o genocídio, a extrema direita e o imperialismo, e reconhece os sistemas capitalistas, patriarcais e coloniais de opressão como as causas fundamentais das crises climáticas e ambientais. Apresenta propostas dos povos, como enfrentar as falsas soluções, implementar a soberania alimentar, as economias feministas e as transições, que ressoam fortemente com a agenda da FoEI para a mudança do sistema.

A Amigos da Terra Internacional liderou e participou ativamente no processo da Cúpula dos Povos, com representação no Comitê Político da Cúpula (Lucia Ortiz pelo Brasil, Lise/Kirtana pela FoEI) e com uma delegação diversificada de 70 pessoas em Belém. Um cumprimento especial à FoE Brasil/Amigas da Terra Brasil e à região ATALC, que forneceram apoio logístico e político durante todo o processo e nos receberam no Brasil com carinho e atenção.

Juntas, a nossa delegação diversificada marchou, cantou, debateu, fez contribuições importantes para o eixo temático e as convergências da Cúpula dos Povos e trouxe análises políticas de outros movimentos para a FoEI. A delegação da JMA em Belém incluiu grupos da Tierra Nativa (Amigos da Terra Argentina), Amigos da Terra Brasil, BELA (Amigos da Terra Bangladesh), Coecoceiba (Amigos da Terra Costa Rica), CENSAT (Amigos da Terra Colômbia), REDES (Amigos da Terra Uruguai), Cesta (Amigos da Terra El Salvador), FoE Espanha, FoE Gana, FoE Japão, CEJ (FoE Sri Lanka), FoE EUA, FoE África, LRC-KSK (FoE Filipinas), Milieudefensie (FoE Países Baixos), PENGON (FoE Palestina), UDAPT (FoE Equador), WALHI (FoE Indonésia), Otros Mundos (Amigos da Terra México), Amigos da Terra Índia, Amigos da Terra Granada, JA! (Amigos da Terra Moçambique), groundWork (Amigos da Terra África do Sul), bem como a representação dos programas FS, FB e EJRN, outras estruturas da Amigos da Terra Internacional e a equipe da Rádio Mundo Real.

Estas são algumas das principais atividades em que a FoEI participou: 

12 de novembro Barqueata / Marcha de barcos

Mais de 200 barcos, com 500 pessoas de mais de 60 países, participaram nesta atividade de lançamento da Cúpula dos Povos. A delegação da FoEI se dividiu entre o barco Solidariedade com a Palestina, onde Jamal, da PENGON, proferiu um discurso poderoso, e o barco Internacionalista, onde nos reunimos com os nossos aliados La Vía Campesina, a Marcha Mundial das Mulheres, a Aliança Global pela Justiça de Base e outrxs.

A delegação da Amigos da Terra Brasil, composta por 20 pessoas, desde o Pampa até a Amazônia, entre as quais jovens, mulheres das periferias urbanas, líderes quilombolas da AMAY -CoMPaz e o cacique Jaime Vhraguyra, liderança dos povos indígenas guarani, juntou-se a Kirtana, que falou em nome da Amigos da Terra Internacional em uma conferência ao lado do cacique Raoni e outros líderes do movimento social amazônico no barco “Caravana da Resposta”, uma mobilização que percorreu mais de 3 mil quilômetros desde Sinop (Mato Grosso) até Belém (Pará) com mais de 300 líderes indígenas, ribeirinhos, quilombolas e camponeses denunciando os impactos dos produtos agro-minerais e dos desenvolvimentos de infraestrutura voltados para a exportação na região, como a ferrovia Ferrogrão e a hidrovia Tapajós. 

13 de novembro: Plenárias temáticas

O centro da Cúpula dos Povos foram os debates sobre os seis eixos temáticos, que ocorreram online antes da Cúpula e culminaram em plenárias populares com entre mil e 3 mil pessoas na própria Cúpula. Lise e Letícia, da FoEI, cofacilitaram o Eixo II: Reparações Históricas, Luta contra o Racismo Ambiental, Falsas Soluções e Poder Corporativo. Na sessão plenária, Pablo, da UDAPT – Amigos da Terra Equador, juntamente com Leti e MAB (Movimentos de Povos Afetados por Barragens do Brasil), representaram a Campanha Global para Desmantelar o Poder Corporativo, exigindo um Tratado Vinculante sobre Empresas Transnacionais em matéria de Direitos Humanos, enquanto Jamal, da PENGON, fez contribuições sobre o papel das empresas no apartheid e no genocídio na Palestina. Nos web seminários anteriores, Lyda, da CENSAT, fez contribuições importantes sobre as falsas soluções. 

Mercedes, da Amigos da Terra Argentina, e Yegeshni e Nerisha, da groundWork, participaram dos web seminários do Eixo III – Transição Justa, Popular e Inclusiva, e vários delegados da Amigos da Terra Internacional participaram das plenárias online. Mercedes e Natalia, da Tierra Nativa, também montaram um estande com materiais da FoEI fora da sessão plenária, que foi muito bem recebido. Eduardo, da Amigos da Terra Brasil, também se juntou à sessão plenária III e levou ao microfone Chico, da comunidade afetada pela Sigma Lithium em Minas Gerais, em articulação com o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM).

14 de novembro: Plenárias temáticas e assembleia dos movimentos sociais

Lucia Ortiz, da Amigos da Terra Brasil, e Danilo, do CENSAT/facilitador regional, cofacilitaram a Eixo IV: Contra as Opressões, pela Democracia e pelo Internacionalismo Popular. Esta foi a maior de todas as plenárias, com canções de protesto, cânticos e discursos, entre eles o de Sarath (Amigos da Terra Índia) e Bertita, filha de Berta Cáceres. Lucia facilitou a plenária e Danilo apoiou na preparação da síntese política. Jamal, da PENGON Amigos da Terra Palestina, Ricardo, da CESTA Amigos da Terra El Salvador, e Scarlet, da UDAPT- Amigos da Terra Equador, também se juntaram aos web seminários anteriores sobre a construção das denúncias do Eixo IV e os anúncios sobre as lutas de solidariedade internacionalista.

A FoEI, juntamente com os nossos aliados estratégicos La Vía Campesina e a Marcha Mundial das Mulheres (MMM), e com muitos aliados de movimentos sociais da região (ALBA Movimentos, MAB, MST, MTST, APIB e outros), organizou a Assembleia de Movimentos Sociais, uma poderosa sessão plenária política centrada nos movimentos sociais de base que se reuniram para apresentar as suas agendas de mudança e futuro, e se comprometeram a construir a convergência dentro da Cúpula dos Povos e em eventos futuros. Kirtana falou sobre a análise do contexto da FoEI e a nossa agenda de mudança do sistema.

O dia terminou com uma celebração das conquistas da Cúpula dos Povos, ao mesmo tempo que se agradeceu a dedicação, a persistência e a vontade política das 43 organizações que estiveram representadas no Comitê Político da Cúpula.


15 de novembro, Dia Mundial de Ação: Da Amazônia ao mundo, vamos acabar com a desigualdade e o racismo ambiental já!

O Dia Mundial de Ação foi um sucesso, um momento para a FoEI se unir, onde marchamos, cantamos e entoamos slogans no bloco internacionalista junto a outras 70 mil pessoas e sob as consignas de acabar com o genocídio, solidariedade com a Palestina e poder para os povos. Mai, da FoE Filipinas/FoEI Excom, e Gideon, da FoE Gana/CJE SG, representaram a FoEI no bloco da Cúpula dos Povos que liderou a marcha. Jamal falou no comício final ao término da Marcha, que trouxe esperança e solidariedade e demonstrou o poder dos movimentos contra a direita e a falta de ação para acabar com a injustiça e o genocídio por parte dos governos reunidos em Belém.

15 de novembro: Lançamento da Declaração de Nyéléni

A FoEI coorganizou uma atividade para apresentar a declaração de Nyéléni, outro processo fundamental de convergência de movimentos liderado pelo programa Soberania Alimentar. Lise e Martin apresentaram o processo e a Declaração de Nyéléni e sua ligação com a Cúpula dos Povos e além, para uma sala lotada. Como FoEI, consideramos que Nyéléni e a Cúpula dos Povos são momentos fundamentais em um processo de longo prazo de construção de uma ampla frente de movimentos para a mudança do sistema. Nesse sentido, essa atividade foi fundamental para estabelecer essas ligações.

Outras atividades e eventos:

A FoEI participou e organizou outras atividades durante a Cúpula dos Povos, incluindo a organização de um “Encontro de movimentos sociais pela solidariedade internacionalista e a construção de uma agenda comum para o futuro: de Nyéléni à Cúpula dos Povos, ICCARD e Fórum Social Mundial” e uma sessão sobre “A Palestina é uma questão de justiça climática: construindo uma solidariedade concreta”.

Realizamos um belo ativismo artístico: colamos cartazes por toda Belém sobre os criminosos corporativos e a Chevron, cantamos canções de protesto para as místicas nas plenárias e nos eventos e atividades da FoEI, e pintamos em conjunto um mural em Belém em colaboração com a Rede Artivista.

16 de novembro: Sessão Plenária de encerramento da Cúpula dos Povos

A cerimônia de encerramento da Cúpula dos Povos foi um farol de esperança e uma expressão de poder. A presidência da COP30 e as ministras do Brasil, Marina Silva, do Meio Ambiente e Clima, Sonia Guajajara, dos Povos Indígenas, e Guilherme Boulos, secretário-geral da Presidência da República, receberam a Declaração da Cúpula dos Povos. No evento de encerramento, eles se comprometeram a demarcar os territórios dos povos indígenas e compartilharam a mensagem do presidente Lula sobre o poder da participação social para impulsionar a justiça nas negociações sobre o clima. A declaração em si foi uma criação coletiva de todas as plenárias dos eixos, com a orientação da Comissão Política e de um Comitê de Redação, no qual Danilo, do CENSAT, representou a FoEI e o Eixo 4. Joseph, de Granada, representou a FoEI para entregar a Declaração à presidência brasileira da COP30 e aos ministérios.

Cozinha Solidária

A Cozinha Solidária da Cúpula dos Povos preparou 21 mil refeições por dia, adquirindo 86 toneladas de alimentos agroecológicos para a Cúpula e processando-os através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), um plano de aquisição pública criado especialmente para a Cúpula dos Povos. O programa reuniu povos e comunidades tradicionais, agricultores familiares e camponeses de 11 associações e cooperativas. As 18 toneladas de alimentos restantes foram doadas a nove cozinhas solidárias em todo o Pará. A economia solidária, viva e em crescimento no Brasil, foi reforçada pela Cúpula dos Povos e tornou-se a base para exigir o sistema de aquisição pública de alimentos agroecológicos no Pará.

Fernando, da Amigas da Terra Brasil e do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), apoiou e trabalhou incansavelmente pela Cozinha Solidária, juntamente com milhares de voluntários de todos os movimentos, como Lili, a chefe de cozinha que veio de Porto Alegre para a cozinha de emergência de Azenha com todo o amor, resiliência e experiência de solidariedade acumulada após a catástrofe climática de 2024 no estado do Rio Grande do Sul. 

Comunicação

Ao longo da Cúpula dos Povos em Belém, a FoEi trabalhou com uma poderosa equipe de comunicação composta por Ghislaine, Olivia e José, da FoEi, bem como por José, Valentina e Edgardo, da Rádio Mundo Real, e muitos comunicadores de grupos regionais e membros. Graças a eles, pudemos divulgar e ampliar o trabalho da nossa delegação de forma magnífica e contundente em Belém.

Compartilhe:

Mais Matérias

Solidariedade com o povo venezuelano diante da agressão imperialista

A Amigos da Terra América Latina e Caribe (ATALC), da qual a Amigas da Terra Brasil faz parte, denuncia e repudia a agressão militar dos Estados Unidos, que viola a soberania e a autodeterminação do povo venezuelano. A intervenção político-militar ocorrida na madrugada de 3 de janeiro na Venezuela viola

Declaração da Cúpula dos Povos rumo à COP30

 Nós, da Cúpula dos Povos, reunidos em Belém do Pará, na Amazônia brasileira, de 12 a 16 de novembro de 2025, declaramos aos povos do mundo o que acumulamos em lutas, debates, estudos, intercâmbios de experiências, atividades culturais e depoimentos, ao longo de vários meses de preparação e nestes dias

Lítio Verde com mineração a céu aberto?

Greentech da mineração? A cava é aberta. A cova pode ser de rios, biomas, culturas e gentes O lítio, tão presente no Vale do Jequitinhonha (MG), é abordado por mineradoras e corporações como um mineral para a transição energética, capaz de produzir energia limpa, desenvolvimento e de amortecer a emergência

Todos os olhos em Gaza e na Flotilha Sumud

A Amigos da Terra América Latina e Caribe, da qual a Amigas da Terra Brasil faz parte, reitera a sua solidariedade com a luta do povo palestino, denuncia e condena o ataque à Fotilha Global Sumud. Na noite de 1º de outubro, as Forças de Defesa de Israel atacaram a

Vem fortalecer a luta na Oficina de Batucada Feminista

ERRATA: EVENTO ANTECIPADO. Novo horário: 13h, com concentração para saída até ato na Redenção Errata: Encontro acontecerá a partir das 13h, com concentração rumo ao ato na Redenção No próximo domingo (21/09), faremos o patriarcado tremer a partir do centro histórico de Porto Alegre, onde acontecerá a Oficina de Batucada

Inscrever-se
Notificar de
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
plugins premium WordPress
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x