Não ao REDD, tamboreiras e agroecologia na 10ª edição da Frutos da Resistência

No sábado, dia 8 de julho, aconteceu a décima edição da Feira Agroecológica Frutos da Resistência. Com o tema Justiça Climática: as questões climáticas na conjuntura política brasileira e o impacto sobre os territórios, a feira contou com uma exposição de desenhos sobre o tema, além da presença do povo guarani da Aldeia do Cantagalo, do Sabão da Terra do Quilombo do Sopapo, do Coletivo Somos Soma, da Hortaria do Vale de Maquiné, da banca da Frente Quilombola.

 

 

A rádio-poste teve na sua programação uma entrevista com a pesquisadora Fabrina Furtado, autora do livro REDD+, O Mercado de Carbono e a Cooperação Califórnia-Acre-Chiapas: legalizando os mecanismos de despossessão.

Fabrina contou sobre a motivação da pesquisa prévia no Acre: a criação do governo estadual do que se chama hoje de “Sistema de incentivos a serviços ambientais”. Falou o como isso representa o mercado do carbono, promovido como um dos principais instrumentos para enfrentar a mudança climática. Segundo Fabrina, não passa de um mecanismo de flexibilização, uma falsa solução que não resolve a alteração do clima, pois não age sobre a produção, o transporte, o consumo, etc, mas sim institue o direito ou não de emitir carbono. Direito adquirido através de negociações em bolsas de valores. No caso do Brasil, política impulsionada pelo Artigo 41 do Novo Código Florestal — que completou 5 anos de aprovação e é alvo de 4 ações de incostitucionalidade no Supremo Tribunal Federal. Fabrina ainda falou sobre a importância da articulação entre os territórios para resistir a esse processo. “Da mesma forma que se articulam para avançar através de espaços totalmente por fora do que podemos chamar de minimamente democrático, é crucial que nos articulemos também. No caso de Acre-Chiapas-Califórnia, é justamente a articulação entre esses três povos que tem sustentado o fato do governo da Califórnia ainda não ter aprovado a compra de créditos de carbono em Chiapas e no Acre”.

Ouça a entrevista na íntegra:

Leia o livro REDD+ AQUI.

A feira contou com a participação cultural, com um ensaio aberto, das tamboreiras do grupo Iyalodê Idunn.

Do iorubá, Iyalodê Idunn significa “Senhora felicidade”. O grupo se reúne no ponto de cultura Quilombo do Sopapo — saiba mais sobre o espaço AQUI. Uma das canções tocadas foi Emôrio. Veja:

A Feira Agroecológica Frutos da Resistência acontece todo o segundo sábado de cada mês.

Especialmente em Agosto, será no primeiro, dia 5. Veja mais fotos da décima edição: 

 

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