MANIFESTO POLÍTICO: CIDADES VERDES, PERIFERIAS VIVAS!

Pelo direito à terra, à agroecologia e à justiça climática a partir das periferias e territórios populares

Nós, trabalhadoras do campo e da cidade, reunidas em jornada de lutas neste 21 de setembro, Dia da Árvore, erguemos nossas vozes e nossas ferramentas para afirmar: a cidade é para morar, plantar e viver, não para a especulação imobiliária!

Celebrando a memória histórica dos 25 anos do Estatuto da Cidade, denunciamos que o modelo colonial, racista e patriarcal que rege o desenvolvimento das nossas cidades é uma engrenagem violenta de produção de desigualdades. O racismo ambiental não é uma abstração. Ele se materializa no asfalto quente das periferias desprovidas de cobertura verde, no sumiço dos rios urbanos e no deslocamento sistemático do povo negro e periférico, empurrado de “nova periferia” em “nova periferia” pelas forças da especulação e pelo descaso do Estado.

Diante do calor extremo e das enchentes que assolam nossos territórios, o negacionismo climático se revela como o que de fato é: uma fábrica de sem-tetos e de exclusão. No entanto, não esperamos passivamente pelas respostas de cima. A resistência popular historicamente construída nos territórios nos ensina que a resposta à crise global se dá pela organização coletiva nos territórios.

Aprendemos com a agricultura camponesa e com os povos tradicionais que a agroecologia é o caminho real para a resiliência climática. Diante das tragédias climáticas, como as enchentes, os solos manejados sob a lógica agroecológica demonstraram uma capacidade de recuperação imensamente superior. Queremos transpor essa sabedoria para as nossas cidades, construindo uma verdadeira Periferia Esponja a partir do plantio coletivo, do aumento da permeabilidade do solo e da reconstrução dos nossos microecossistemas urbanos.

Nossa luta urbana caminha lado a lado com a luta camponesa. Através do Plano Nacional Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) já provou a viabilidade da massificação agroecológica, tendo plantado mais de 45 milhões de árvores em todo o país. Este plano desfaz a falsa separação entre produzir alimentos e proteger os bens comuns da natureza.

Da mesma forma, unimo-nos na Missão Josué de Castro, articulando movimentos populares do campo e da periferia urbana (como o MTST, a CMP, o MPA e a ASA), para construir uma força social robusta pelo abastecimento popular de alimentos saudáveis. 

Afirmamos que a transição ecológica e a justiça climática só serão reais se passarem pelo direito à moradia digna, pela reforma agrária popular, pela demarcação dos territórios indígenas e quilombolas, e pela garantia de comida de verdade na mesa das massas populares urbanas.

Rejeitamos frontalmente as falsas soluções do capitalismo verde. Não aceitamos que a proteção da nossa biodiversidade e as metas de descarbonização sejam transformadas em balcões de negócios para o mercado de carbono, privatizando os bens comuns e perpetuando a exploração dos nossos territórios. Denunciamos instrumentos como o mercado regulado de carbono que protegem os interesses do agronegócio poluente e excluem a participação real dos trabalhadores e comunidades tradicionais.

A nossa jornada de 21 de setembro é um fruto vivo das mobilizações populares da COP 30 de Belém. Exigimos uma transição justa, que coloque a soberania alimentar, a soberania energética e o trabalho decente no centro do debate sobre o futuro do planeta.

Mãos à terra, mudas no solo! Eles cortam, nós plantamos. Pela soberania dos nossos territórios, campo e cidade unidos. 

CIDADES VERDES, PERIFERIAS VIVAS! VIVA A AGROECOLOGIA POPULAR!

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