Audiência Pública sobre nova fábrica da CMPC Celulose é marcada por pressão popular e defesa do Pampa, Guaíba e dos povos

Nesta quarta-feira (20) estivemos com coletivos, movimentos sociais, técnicos de diferentes áreas, comunidades pesqueiras e indígenas na Audiência Pública sobre a nova fábrica da CMPC Celulose, prevista para Barra do Ribeiro (RS), em território tradicional do povo Mbyá Guarani. Conforme relatos, comunidades da pesca tradicional não foram consultadas e as comunidades Guaraní não tiveram seu protocolo de consulta respeitado e têm sido assediadas. Caracterizando grave violação à Resolução OIT 169, que prevê a Consulta Livre, Prévia e Informada às populações atingidas por empreendimentos.

Ação ocorria ao lado de foa da Assembleia Legislativa, questionando o “Projeto Natureza” da CMPC Celulose | Crédito das imagens: Maí Yandara

Falas contrapuseram o marketing verde da CMPC. Foram revelados os impactos da fábrica de Guaíba (RS) na qualidade de vida de moradores. Foram apresentados dados técnicos que questionam relatórios produzidos pela empresa, e apontam para omissões e problemas metodológicos

A CMPC segue afirmando que é sustentável. O projeto para Barra do Ribeiro, o “Projeto Natureza”, terá impacto profundo na água de Porto Alegre e região. A carga poluidora prevista é de 240 milhões de litros de efluentes despejados, por dia, no Guaíba. A silvicultura é outra ameaça. O cultivo de plantas industriais de árvores (os desertos verdes dos monocultivos) no Bioma Pampa não está sendo levado em consideração neste licenciamento ambiental. Resultado é deterioração do solo, perda da diversidade que mantém o ecossistema, aumento de desequilíbrios que intensificam o colapso ambiental via estiagens prolongadas ou enchentes históricas. Quem vê árvore, não vê floresta. Quem planta monocultivo, colhe emergência climática. Esse desenvolvimento que queremos?

Confira a cobertura fotográfica completa aqui

Ao repetir o quanto o projeto importa em cifras bilionárias, tão distantes da realidade da população, apoiadores das políticas de morte esquecem que não há vida sem ar, água e terra vivas.

Só 40 pessoas puderam entrar na Audiência, muitas ficaram fora da discussão. Questionamentos da população seguem sem respostas. Urgem mais espaços de debate e audiências sobre o tema. Nossa vida e nosso futuro estão em jogo, é preciso levar essa pauta à toda sociedade gaúcha.

No vídeo abaixo, Letícia Paranhos, presidenta da Amigas da Terra Brasil, expõe junto a companheiras da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) como foi a Audiência Pública e o que está em debate com expansão das atividades da CMPC:

https://www.instagram.com/p/DYmeEzhgBGZ/

Seguimos em luta ✊🏽


Produzimos uma série de materiais que relatam o descaso da CMPC com o povo e que denunciam o capitalismo verde da empresa, assim como seus impactos e das atividades do ramo da celulose. Confira:

>>>Artigo “CMPC: Nova fábrica, velhos impactos?”

>>>Estudo Expansão dos desertos verdes em um Pampa em Extinção

>>>Cartilha Popular: Nova expansão das monoculturas de eucalipto para a celulose ameaça bioma Pampa

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