Movimentos sociais e territórios de vida denunciam a CMPC Celulose e apresentam demandas populares Secretaria-geral da Presidência

ingang da retomada Gãh Ré e à sua cacica, Gãh Téh, à companheiras da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e da Periferia Feminista, confluindo forças, junto a movimentos sociais, coletivos e territórios de vida. Na sexta-feira (20), participamos da Feira da Cidadania em Porto Alegre, ação da Secretaria-Geral da Presidência da República. Além de estarmos na feira, que contou com sabenças e artesanias Kaingang, em muita prosa sobre a defesa da vida, marcamos presença em encontro com o Secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos. Na ocasião, alçamos nossa voz em defesa do Pampa, dos povos e dos direitos, e entregamos uma carta com reivindicações populares para a justiça climática. As propostas-eixo foram construídas a partir dos territórios, denunciando os impactos do “Projeto Natureza”, da empresa chilena CMPC, no RS. Reivindicações de companheiras do MTST, MST, MAB, MNLM, UBM e CONEM também foram apresentadas. Na ocasião, a liderança indígena Gãh Té denunciou: “O que eles chamam de progresso destrói a nossa vida, polui o nosso Guaíba e ataca o nosso povo. Nós viemos aqui entregar essa carta porque o governo precisa ouvir quem está no território sofrendo a pressão dessas grandes empresas.” Any Moraes também reforçou que a justiça climática exige enfrentar as desigualdades de gênero, raça e classe, colocando a vida no centro das políticas públicas. As recentes cheias no RS não foram apenas chuvas extremas, mas resultado de anos de negligência e desmonte de políticas públicas. Esse cenário atinge diretamente mulheres negras, periféricas, indígenas, camponesas, jovens e mães. Com o avanço dos monocultivos de árvores industriais, os desertos verdes avançam, assim como as violações de direitos, os desequilíbrios ecológicos e os extremos climáticos. Exigimos o respeito à Consulta Prévia, Livre e Informada (Convenção 169 da OIT) e aos protocolos próprios dos povos Mbyá Guarani, Kaingang, Quilombola de Vila Nova e das comunidades pesqueiras da Lagoa dos Patos. Não haverá justiça climática sem escuta e participação dos povos organizados. As soluções estão nos territórios de vida! 👉🏽Leia a carta:

MMM participa da Feira da Cidadania em Porto Alegre e denuncia a destruição ambiental, a mercantilização da natureza e o desmonte das políticas públicas!

No dia 19 de Junho aconteceu em Porto Alegre a Feira da Cidadania, organizada pela Secretaria Geral da Presidência da República, órgão central nas articulações do governo com movimentos e organizações populares. Abaixo está a fala que a nossa companheira Any Moraes, da MMM RS e Coletivo Periferia Feminista, compartilhou: Falo em nome da Marcha Mundial das Mulheres e das mulheres que sustentam a vida nos territórios populares do Rio Grande do Sul. Para nós, as mudanças climáticas não pode ser separada das desigualdades produzidas por um modelo econômico que concentra riqueza e transfere para as mulheres a responsabilidade pelo cuidado e pela sobrevivência. Justiça climática exige enfrentar as desigualdades de gênero, raça e classe e colocar a sustentabilidade da vida no centro das políticas públicas. O que vivemos no Rio Grande do Sul não foi apenas resultado das chuvas extremas. Foi também consequência de anos de negligência, fragilização das políticas públicas, da falta de planejamento e da ausência de participação das comunidades na construção das respostas.  Denunciamos há muitos anos que a destruição ambiental, a mercantilização da natureza e o desmonte das políticas públicas atingem de forma mais dura as mulheres, especialmente as mulheres negras, periféricas, indígenas, camponesas e chefes de família. E quando a crise climática encontra a desigualdade social, os impactos são muito mais profundos. Por isso, o principal desafio que temos hoje não é apenas reconstruir o que foi destruído. É preparar os territórios para os eventos extremos que continuarão acontecendo. Para isso, a adaptação climática e a gestão de riscos precisam ser construídas com participação popular. Os planos de contingência, os sistemas de alerta, as estratégias de prevenção e os investimentos públicos devem dialogar com quem vive nos territórios e conhece sua realidade. As soluções estão no território!  É fundamental reconhecer as organizações comunitárias como parte estruturante da gestão de riscos e da adaptação climática! Essas experiências precisam deixar de ser vistas apenas como ações emergenciais e passar a ser reconhecidas como parte permanente das políticas públicas.  Defendemos a criação de mecanismos permanentes de formação, participação e articulação dessas lideranças na governança da adaptação climática e da gestão de riscos. Falar em prevenção também significa enfrentar as causas da crise climática. Não podemos discutir adaptação sem discutir a emissão de gases de efeito estufa e os impactos de grandes empreendimentos sobre os territórios.  Aqui no RS temos o caso da CMPC, com ausência de consulta adequada às comunidades indígenas e pelos impactos desconsiderados, e isso reforça a necessidade de alinhar desenvolvimento econômico, justiça ambiental e proteção dos bens comuns.  O Brasil precisa construir uma cultura permanente de prevenção, preparação e resposta organizada às emergências climáticas. Não podemos continuar atuando apenas depois que a tragédia acontece. É preciso fortalecer a capacidade dos territórios, das comunidades e do poder público para agir antes, durante e depois dos desastres.  Experiências internacionais, como a das nossas companheiras cubanas na preparação comunitária para desastres, demonstram que comunidades organizadas salvam vidas, reduzem perdas e fortalecem a capacidade de resposta diante das emergências. A solidariedade e o trabalho voluntário salvaram vidas no Rio Grande do Sul, mas solidariedade não substitui política pública. É preciso de orçamento!  Não haverá adaptação climática sem justiça social. E não haverá justiça climática sem a participação dos povos organizados na construção das soluções. Seguiremos em marcha, até que todas sejamos livres!

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