Solidariedade aos defensores do território Reitoca em Honduras

Repudiamos a criminalização dos defensores do Rio Grande de Reitoca Em janeiro de 2018, os habitantes de Reitoca, município do departamento de Francisco Morazán, Honduras, instalaram um acampamento para impedir a construção de uma barragem hidroelétrica no rio Petacón. Em abril de 2019 foram fortemente reprimidos pela empresa PROGELSA (Promotora de geração de energia limpa S.A — na sigla em espanhol), uma empresa denunciada internacionalmente por violações dos direitos humanos, que insiste na implementação do projeto e tem levado à Justiça as pessoas que resistem à sua implementação. Na quinta-feira, 5 de agosto de 2021, durante a madrugada em Honduras, a polícia entrou violentamente na comunidade indígena de Reitoca, reprimindo-os mais uma vez, disparando gás lacrimogêneo, espancando e ameaçando os moradores e prendendo José Orlando Rodas, Andrés Abelino Gutierrez, Jorge Montes Isidro, Renán Zelaya Vázquez e Jairo Oliva Reyes. Os cinco estão entre os 15 defensores dos territórios que vêm sendo processados atualmente, em um claro ato de criminalização e repressão dos afetados pelo projeto hidrelétrico. Os presos foram liberados, mas ainda terão de enfrentar o processo legal a partir desta segunda-feira, 16 de agosto. As e os moradores da comunidade exigem o cancelamento do projeto hidrelétrico, a reafirmação da Declaração Municipal de Reitoca livre de projetos extrativistas e o fim da perseguição e criminalização política das instituições contra os defensores do rio Petacón. Como comunidade internacional, condenamos o uso repressivo das forças estatais para defender um projeto extrativista e exigimos que o governo pare a perseguição judicial dos líderes sociais na tentativa de intimidar a luta popular contra as barragens e em defesa de seus rios e o cancelamento deste mega-projeto que destrói territórios. A defesa da água e dos rios não é crime.  Mais uma vez pedimos às organizações sociais e ambientais que denunciem este ato e apoiem em solidariedade com o povo hondurenho que resiste à violência neoliberal em seus territórios. Amigos da Terra da América Latina e do Caribe, ATALC Agosto 2021

Debate: “Nunca mais a velha normalidade – por um tratado vinculante na ONU sobre empresas transnacionais e direitos humanos”

Amigos da Terra participa de debate em 20 de Agosto, às 16h, pela plataforma Zoom, com a campanha global para recuperar a soberania dos povos, desmantelar o poder das corporações transnacionais e colocar um fim à sua impunidade. Organizações e movimentos sociais buscam apoio para estabelecer um instrumento jurídico internacional vinculativo na órbita da ONU (o Tratado Vinculante sobre Empresas Transnacionais e Direitos Humanos), um primeiro passo para acabar com a impunidade das empresas transnacionais e mudar a correlação de forças – de direitos e obrigações – entre os povos do mundo, os Estados e as empresas transnacionais. Campanha Regional para um Tratado Vinculante sobre Empresas Transnacionais e Direitos Humanos na ONU As empresas transnacionais são uma engrenagem fundamental no sistema mundial capitalista contemporâneo organizado em torno de cadeias de produção globais que elas controlam para maximizar seus lucros em detrimento do meio ambiente e da exploração da força de trabalho e dos corpos de mulheres e homens em todo o planeta. De pouco ou nada nos serve sonhar com utopias (que serão sempre a estrela do sul guiando nosso caminho) de um mundo sem explorados e exploradores, sem opressão, e com redes de solidariedade e poder popular e democracia direta para a satisfação das necessidades de todos, em vez de cadeias globais controladas por corporações transnacionais em benefício das elites e oligarquias do mundo inteiro, se não começarmos AGORA a acabar com seus privilégios e lucros excessivos, e para começar, com sua impunidade. Isto é mais urgente do que nunca, pois lutamos para superar a crise sanitária da COVID-19, que se soma e exacerba as outras crises que logo ameaçam a vida humana no planeta – de fome, desigualdade, mudança climática, biodiversidade, cuidado e exclusão, e queremos fazê-lo sem voltar à normalidade pré-pandêmica e sem permitir que a normalidade do mundo durante a pandemia se torne a nova normalidade capitalista distópica, com gigantes tecnológicos como Amazon, Google e Microsoft subindo ao topo da pirâmide de acumulação de capital e cadeias de produção e destruição – e controle político – explorando não apenas a natureza e nosso poder de trabalho e nossos corpos, mas também os dados e informações que geramos em todas as nossas interações sociais mediadas pelas tecnologias digitais. Para esta luta urgente e necessária, nós, as organizações que convocam esta discussão, o convidamos a somarem-se à Jornada Continental pela Democracia e Contra o Neoliberalismo e à Campanha Global para Recuperar a Soberania dos Povos, Desmantelar o Poder das Corporações Transnacionais e Colocar um Fim à sua Impunidade, e à urgente tarefa de estabelecer um instrumento jurídico internacional vinculativo na órbita da ONU (o Tratado Vinculante sobre Empresas Transnacionais e Direitos Humanos) como um dos primeiros passos para acabar com a impunidade das empresas transnacionais e mudar a correlação de forças – de direitos e obrigações – entre os povos do mundo, os Estados e as empresas transnacionais. A discussão será uma instância informativa e formativa sobre as normas essenciais (mas, certamente, insuficiente se elas não forem acompanhadas por pressão social e mobilização popular, e Estados fortes para fazê-las valer contra o poder das empresas transnacionais) que devem ser incluídas no Tratado Vinculante sobre Empresas Transnacionais e Direitos Humanos (cuja 7ª sessão de negociação na ONU ocorrerá em outubro deste ano), explicado com base nas experiências de luta de movimentos sociais e advogados populares de destaque na região. Agradecemos sua participação e a divulgação desta atividade entre seus membros e aliados. Além do Amigos da Terra América Latina e Caribe (ATALC), participarão da atividade o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), do Brasil; Trama al Sur, TNI (Transnational Institute), UDAPT (Unión de Afectados y Afectadas por las Operaciones Petroleras de Texaco), Jornada Continental por la Democracia e contra el Neoliberalismo, HOMA (Centro de Direitos Humanos e Empresas) e CSA-Tuca (Confederación Sindical de Trabajadores y Trabajadoras de las Americas). DEBATE: Nunca mais a velha normalidade – por um tratado vinculante na ONU sobre empresas transnacionais e direitos humanos 20 de Agosto (6ª feira) – Às 16h Pela Plataforma Zoom (pelo link https://us02web.zoom.us/j/84236491023 ID de reunião: 842 3649 1023)

JUSTIÇA para Daiane Griá Sales e toda nação Kaingang

Na tarde de quarta-feira, dia 04 de agosto de 2021, no Setor Estiva, da Terra Indígena do Guarita, no município de Redentora, a jovem de apenas 14 anos de idade, Daiane Griá Sales, indígena Kaingáng e moradora do Setor Bananeiras da Terra Indígena do Guarita sofreu um crime bárbaro cometido contra seu próprio corpo. A Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA) e o Conselho Indigenista Missionário – Regional Sul (Cimi Sul), publicaram no dia 05 de agosto manifestos de repúdio à barbárie e a Amigos da Terra Brasil não poderia deixar de apresentar seus mais sinceros sentimentos e apoio à família, a aldeia e toda toda nação  Kaigang. O assassinato de indígenas, independente de idade, gênero ou localização geográfica continua sendo presente na realidade dos povos indigenas. O caso do assassinato de Daiane foi um crime não só a um povo, mas também mais uma demonstração da desumanização dos corpos femininos. “Entendemos que os conjuntos de violência cometida a nós, mulheres indígenas, desde a invasão do Brasil é uma fria tentativa de nos exterminar, com crimes hediondos que sangram nossa alma. A desumanidade exposta em corpos femininos indígenas, precisa parar!”, explica a ANMIGA em seu manifesto. Desde a invasão do Brasil por parte dos europeus, o povo autóctone sofre contínua desvalorização e uma tentativa de apropriação física e cultural que ultrapassa todo e qualquer limite. Não é a toa que nosso povo miscigenado tem origem da exorbitante quantidade de estupros promulgados por aqueles vindos da Europa, informação que é até hoje ignorada por muitos e que tem também como consequência a banalização e a naturalização das violências praticadas por um certo setor da sociedade: “Quem comete uma atrocidade desta com mulheres filhas da terra, mata igualmente a si mesmo, mata também o Brasil.”  Hoje, o Brasil é povoado por 448 mil mulheres indígenas, portadoras da voz de um povo e de uma ancestralidade dilacerada e agredida diariamente pela violência. Ontem, hoje e amanhã elas se mantêm valentes e fortes, motivadas pelo desespero de se manter de pé, de não deixar seu povo morrer e suas bocas serem caladas. As lágrimas são agora derramadas pelo sangue de Daiane Griá Sales, uma vida que era essencial para sua família, para seu povo e para as mulheres, indígenas ou não, que clamam por justiça e que estão cansadas de fugir, de precisar correr da morte. Já é passada a hora de ser necessário sangrar pela vida.  Nós da Amigos da Terra Brasil somos todes Daiane Griá Kaingang. Ontem, hoje, amanhã e sempre. Lutamos por justiça e medidas de proteção aos territórios e aos direitos dos povos indígenas. Gritemos pelo fim da impunidade frente ao genocído e feminicídio!  Acesse aqui o Manifesto das Mulheres Indígenas do Brasil Leia a nota do CIMI Sul em decorrência do cruel assassinato da jovem kaingang Daiane Griá Sales

Em primeira plenária do Observatório Rio Doce, atingidos fazem denúncias e aprovam propostas para repactuação

Estas propostas serão levadas à Força Tarefa Rio Doce do Ministério Público Federal (MFP), ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), à Assembleia Legislativa do Espírito Santo (ALES),aos governos estaduais de MG e ES, à Câmara Federal e ao Senado da República por meio de entregas simbólicas, reuniões e audiências. Aconteceu na última terça, 27 de julho, às 18h30, a primeira Plenária Geral do Observatório Rio Doce. O evento foi realizado de forma online e tinha como objetivo discutir a “repactuação justa com participação e respeito aos acordos já assinados” em um diálogo com organizações de diferentes campos de atuação na defesa dos direitos humanos. A atividade, coordenada por Thiago Alves, integrante da direção do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), começou com um vídeo de apresentação das entidades que compõem o Observatório Rio Doce explicando o histórico, as atividades e propostas da organização em relação ao desastre no Rio Doce, seguido de algumas falas iniciais de motivação.  A primeira fala foi de Dulce Maria Pereira, professora da Universidade Federal Ouro Preto (UFOP) que destacou que, desde antes da ruptura do território, que sempre foi objetivo de interesse de mineradoras, já ocorria o sequestro de direitos das pessoas da região.  Ela também reiterou que é preciso lutar contra essa fragmentação e retirada de direitos, que ocorre todos os dias. De acordo com a professora, esse é um momento importante da história e que o Observatório quer mudar a relação das empresas com os atingidos, os territórios e a vida em geral. “É preciso que saibamos que não será uma luta fácil, mas é uma luta para ser vencida, não estamos aqui para perder esse processo.” — Dulce Maria O evento seguiu com a apresentação das professoras Tatiana Ribeiro e Karine (GEPSA/UFOP) representando a Rede de Pesquisa Rio Doce e contextualizando a linha do tempo dos processos que envolvem a Bacia do Rio Doce de maneira geral, reforçando a complexidade pós-rompimento. Parte da Linha do Tempo com os acontecimentos e processos judiciais envolvendo a Bacia do Rio Doce apresentada por Karine e Tatiana. Para Tatiana, o rompimento é o colapso do desastre, que se inicia muito antes do rompimento da barragem – mais especificamente, quando começam os processos que resultam na decisão sobre a localização de onde seria construída a barragem. Ela também destacou que o “Acordão” TTAC (Termo de Transação e Ajuste de Conduta) foi feito sem a participação dos atingidos, do Ministério Público ou das Defensorias dos Estados, tendo sido celebrado por outros atores envolvidos: as empresas, representantes da União, do estado de Minas e Espírito Santo. Depois da apresentação da Rede, quem teve a palavra foi Raphaela Lopes, integrante do Justiça Global, que falou sobre as iniciativas de internacionalização do caso do Rio Doce. O objetivo dessa estratégia transversal é conseguir a reparação e justiça partindo da pressão internacional. Para isso, foram feitas denúncias diante da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e diante dos Estados de forma a demonstrar as violações perpetradas da maneira mais explícita possível. Outra estratégia usada com esse objetivo foi levar o caso dos grandes rompimentos para o âmbito da ONU. Entre as denúncias, são citadas violações de direito à vida, violação do direito à integridade dos atingidos, repressão e perseguição de direitos humanos; perseguição ao direito de igualdade (racismo ambiental) e muitos outros. Raphaela também citou a importância do Tratado Internacional de Direitos Humanos e Empresas nesse contexto. O próximo a apresentar foi Eduardo Armond Cortes Araújo, assessor da SITICOP/MG. Ele explicou quais são os pontos defensivos do processo (que se dá por impedir o retrocesso de direitos já conquistados) e linhas para se avançar na proposta de Repactuação. Nas linhas de avanço, Eduardo citou instrumentos de participação popular que permitam o real envolvimento dos atingidos, descentralizando os espaços de decisão, atualmente concentrados na Justiça Federal, e dando um maior protagonismo aos atingidos. Entre os outros pontos citados, é possível destacar também o pedido pela assessoria técnica com autonomia e capacidade para direcionar demandas, que garantiria a participação informada das famílias, e a criação de Fundos para o desenvolvimento regional com investimentos para garantir condições de trabalho em diversas atividades, como agropecuária e pesca. Em seguida, a palavra foi João Paulo Izoton, integrante da coordenação do MAB Espírito Santo, falando sobre a luta em busca de justiça pelos atingidos. Ele denunciou que não há simples aprovação do Estado nas injustiças, mas sim uma participação do mesmo junto ao sistema de violação de direitos.  O integrante do MAB acredita que o novo acordo só foi possível pelas vitórias no crime de Brumadinho, que possibilitou o reconhecimento do lugar problemático da Fundação Renova como centralizadora dos processos. “O que falta no caso do Rio Doce é democracia de verdade”. — João Paulo, integrante do MAB Espírito Santo. A voz dos atingidos e atingidas: fundamento da ação do Observatório Rio Doce  A Plenária seguiu com o depoimento de pessoas atingidas de comunidades nos dois estados. A primeira fala de Maria Marcia Almeida, atingida em Colatina (ES), também integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens. Ela falou sobre a atuação das entidades envolvidas no desastre da Bacia do Rio Doce e questionou as ações efetivas do Poder Judiciário dos Estados envolvidos (Minas Gerais e Espírito Santo).  Márcia relatou, ainda, que a organização do desastre a partir dos direitos violados dos atingidos foram feitas por Organizações Não-Governamentais como as que integram o Observatório, o que destaca a falta de amparo dos atingidos pela Justiça e a importância dos movimentos populares.  Lelis Barreiros, atingido em Conselheiro Pena (MG), contou que não tem reconhecimento em nenhuma das suas falas nas câmaras técnicas sobre o rompimento. Ele também criticou o descaso com o futuro dos atingidos daqui a 10 anos, diante da enxurrada de rejeitos de minério que prejudicaram o território e a principal fonte de água da região. Para ele, as firmas contratadas pela Renova, fundação criada pela Vale, são símbolos de lavagem de dinheiro. A próxima a ter a palavra foi Lanla

Arado Velho: DMAE esclarece que estação de tratamento de água NÃO depende de viabilização do condomínio fechado

Em seu vídeo promocional sobre a urbanização da área da antiga Fazenda do Arado Velho, no Extremo Sul de Porto Alegre (RS), a empresa Arado Empreendimentos tem destacado a construção da Estação de Tratamento de Água (ETA) do DMAE (Departamento Municipal de Água e Esgotos) como um dos principais benefícios do empreendimento à comunidade. A propaganda é tanta que leva os moradores a acreditarem que se o empreendimento não sair, perderão a ETA e, consequentemente, a oportunidade para solucionar a recorrente falta de água que atinge o bairro Belém Novo e localidades ao redor. A Amigos da Terra Brasil (ATBr), junto com organizações do movimento ambiental e de moradores que integram os coletivos Preserva Arado e Preserva Belém Novo, alertam que a ETA da Ponta do Arado não depende da implementação do projeto de condomínio fechado no Arado Velho. E recentemente, o próprio DMAE veio a público esclarecer esta questão. Em resposta a uma matéria veiculada pelo portal Sul 21, o órgão municipal informou “que a construção da estação está prevista desde 2014 e que será realizada independente do empreendimento urbanístico na Fazenda do Arado sair do papel” (clique aqui para ver a nota do DMAE enviada ao Sul 21). Isso se deve porque a estação foi demandada pela comunidade no Orçamento Participativo, num tempo em que os moradores da cidade participavam do planejamento de Porto Alegre (RS). O terreno de 9,4 hectares em que será construída a estação de tratamento de água do DMAE fica na antiga área da Fazenda do Arado Velho, que desde 2010 pertence à Arado Empreendimentos. No ano de 2014, a prefeitura municipal emitiu decreto declarando o terreno como de utilidade pública a fim de implementar a ETA da Ponta do Arado. Este decreto foi renovado agora em 2021, portanto a área continua garantida. “A estação de tratamento tem o local já gravado, independente da vontade do empreendedor. Não é uma caridade ou boa vontade por parte da empresa, mas sim uma exigência da cidade, que desapropriou a área para um fim público, cumprindo a função social da terra para o bem comum”, comenta Fernando Costa, da Amigos da Terra Brasil. Como resultado da negociação entre a empreendedora e a prefeitura municipal, a área da ETA consta como uma contrapartida da empresa à comunidade pelo condomínio fechado para média e alta renda. Caso o projeto seja realmente efetivado, o terreno será repassado pela Arado Empreendimentos para a prefeitura instalar a estação de tratamento de água. Se não sair do papel, o DMAE terá que indenizar  a empresa pela área que será utilizada, o que não é um problema, pois a prefeitura já tem o valor para “comprar” o terreno da empreendedora. Assim, vemos o escrúpulo do empreendedor tentando fazer propaganda com o que já é da prefeitura e do povo de Porto Alegre. Na realidade, o que está em jogo é a alteração do regime urbanístico e do plano diretor da região para que a Arado Empreendimentos possa implementar 1 mil unidades construídas a mais do que já é permitido pela legislação de Porto Alegre (RS). A empreendedora tem no Governo Melo um grande aliado para alterar a lei e construir o condomínio fechado. Não está claro o motivo deste apoio da prefeitura, mas certamente não é pelo terreno que seria “doado” como contrapartida para construção da ETA, cujo valor representa menos de 1% do custo total do empreendimento no Arado Velho. O fato é que este projeto de urbanização renderá milhões à empreendedora.  Se a prefeitura alterar o plano diretor para a Arado Empreendimentos instalar mais 1 mil unidades, a empresa irá ganhar tanto dinheiro que até abre mão do valor a ser pago à prefeitura na “doação” da área para a ETA. Um projeto que tem por objetivo o lucro em detrimento da preservação de banhados importantes que ajudam a evitar alagamentos da região e da manutenção de indígenas Guarani em suas terras ancestrais, e sem levar em consideração os impactos reais do aumento da população em 70% na região sem fazer investimentos de peso nos serviços públicos acessados pela comunidade. #PreservaArado

5ª Assembleia dos Povos: “Acabou o amor, isso aqui vai virar Palmares!”

De 30 de Julho a 1º de Agosto ocorreu, na terra Kaingang Comunidade Van Ká, no bairro Lami, em Porto Alegre (RS), a V Assembleia dos Povos. A atividade contou com a participação de indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua, coletivos, organizações sociais e populares, lutadores e lutadoras pelo bem viver. A Amigos da Terra Brasil apoia encontros como este, potencializado pela diversidade de povos em resistência. Consideramos muito importante o encontro, a troca, o fortalecimento dos povos que acreditamos que devem ser cuidados e defendidos! Divulgamos, abaixo, a carta lançada no final do encontro. Acesse este link para ver algumas fotos da atividade. Carta da V Assembleia dos Povos “Acabou o amor isso aqui vai virar Palmares!” De 30 de julho a 01 de agosto de 2021 ocorreu, na terra Kaingang, comunidade Van Ká, bairro Lami, em Porto Alegre, a V Assembleia dos Povos que contou com a participação de indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua, coletivos, organizações sociais e populares, lutadores e lutadoras pelo bem viver. Ao final da Assembleia, depois de momentos de profunda espiritualidade, reflexões, discussões e debates sobre a realidade de nossos povos, os participantes divulgaram uma manifestação coletiva, inspirada na memória dos ancestrais e nas espiritualidades dos povos e comunidades. Os Povos Indígenas, Quilombolas e as demais comunidades originárias e tradicionais são inspiradores e impulsionadores da esperança na construção e consolidação de um mundo onde caibam outros mundos, ou seja, onde os modos de ser e viver dos outros sejam respeitados e valorizados. Duas dimensões do viver dos povos e comunidades originárias podem nos inspirar: a memória e a espiritualidade. A memória vincula passado, presente e futuro. Dá direção aos passos e ao caminhar contínuo. Enlaça o ser à coletividade, porque a memória é força e produção coletiva. Ela coloca em relevo as lutas e seus significados mais profundos, honra aqueles que passaram e os mantém como força inspiradora para os que estão cumprindo a vida e para os que virão. Ensina sobre como tornar concreto o compromisso, o amor e a resistência. Mostra o saber que não se apaga, não se anula e muito menos se esquece. A memória guia os projetos de vida daqueles que sonham e constroem a justiça, demarca o lugar da Terra como mãe, gestora e acolhedora da vida. Além de tudo isso, ela torna os seres irmãos e irmãs nas diferenças e diversidades. A Espiritualidade, por sua vez, dá sentido à existência dos povos, conecta os mundos e os saberes às ancestralidades, divindades e as cosmovisões. Agrega as lutas físicas, políticas e as retomadas, dando sentido para além da materialidade. Fortalece as articulações nas lutas por cidadania e dignidade humana, entrelaçando os modos de ser e saber no cotidiano, ritualizando o caminhar e os movimentos dos povos, comunidades, coletivos, periferias em suas culturas. Memória e espiritualidade apontam os caminhos do bem viver a ser construído. Memória e espiritualidade compõem a oposição aos projetos de morte dos genocidas e suas crenças na acumulação de bens, no ódio, violência e destruição. Juntas, a memória e a espiritualidade exigem reparação e condenação pelos crimes da colonização escravocrata, genocida, etnocida e a todas as formas de dominação que violentaram os povos. Elas alicerçam a libertação dos povos e a defesa incondicional da Mãe Terra. Terra Indígena Kaingang, comunidade Van Ká Porto Alegre (RS), 1º de Agosto de 2021

Mulheres Guarani de SC acreditam no diálogo para acabar com a cultura patriarcal nas aldeias

Textos e fotos por Luiza Dorneles em cobertura do primeiro encontro de mulheres Guarani articulado pela Comissão Guarani Yvyrupa. Diálogo. Entre tantas palavras em Guarani proferidas em falas na Opy no segundo dia do I Encontro das Kunhangue de Santa Catarina, essa em português resume a necessidade apontada pelas mulheres Guarani do Estado. Muitas ainda sofrem violências verbais, simbólicas, físicas, sexuais, morais dentro das Tekoas (aldeias) de seus próprios parentes homens. O que elas querem? É simples. Diálogo. Trocar com os homens em pé de igualdade. Vítima de um relacionamento abusivo, ameaçada de morte pelo próprio companheiro, Jera – Elisiane Antunes – hoje se ergueu. De microfone na mão e sorriso no rosto, ela inspira Kunhangue de Santa Catarina a seguir em frente. Nenhuma de nós está só.  Kerexu – Eunice Antunes –, irmã de Jera, comenta que o olhar das mulheres é ativo e atencioso dentro das Tekoas: estão sempre de olho no comportamento de cada um e de cada uma das Kunhangue (mulheres Guarani, dos Awakue (homens Guarani) e das crianças. Esse olhar também se traduz em palavras – as Kunhangue compartilham as informações que percebem para que assim o cuidado seja dividido entre todos e todas. Muitas vezes são consideradas fofoqueiras em função desse compartilhamento de informações entre suas familiares quando, na realidade, só gostariam de dividir as responsabilidades de cuidado que, na maioria das famílias, ainda estão nos ombros e no colo das mulheres. “Nós não queremos ir contra os homens, mas estar lado a lado. Estamos juntos. Se alguém tombar, se alguém morrer na luta, todos nós iremos sentir porque somos uma família – é um parente nosso”, desabafa Kerexu.  Como a gestão da política externa de muitas aldeias ainda está nas mãos do Cacique – por exemplo, demandas a serem levadas para órgãos responsáveis por implementar políticas públicas nos territórios –, muitas pautas percebidas por esse olhar atento das Kunhangue no dia a dia das Tekoas acabam não sendo consideradas relevantes e acabam circulando somente na articulação da gestão interna territorial. As mulheres são chefes das famílias, priorizam os filhos e os companheiros em relação a si próprias, e mesmo com toda sua dedicação e amor colocadas em gestos, palavras e ações, não têm suas necessidades consideradas – às vezes por falta de iniciativa de uma escuta atenta dos homens, outras por dificuldade delas mesmas em expor suas visões e sentimentos. Elas são atravessadas pelo medo de serem ridicularizadas e muitas estão traumatizadas por terem sido vítimas de agressões enraizadas na cultura patriarcal. Deise, professora na Aldeia de Tavai, município de Canelinha, se dirige às Kunhangue – “Nós somos fortes, corajosas! Desde a barriga de nossa mãe a gente vem sofrendo. Em casa temos nossos filhos, a gente se preocupa mais com o filho do que o pai. Precisamos perder o medo de falar.”. Após essa fala da Deise, uma companheira agredida se encorajou e contou, pela primeira vez em público, a história de uma agressão que sofreu. Maya (nome fictício) chegou em frente ao fogo para falar de cabeça baixa e ombros curvados para dentro. Olhando o tempo inteiro para baixo, proferiu sua fala. Era casada, tinha seis filhos, todos do mesmo pai. Até que um dia apareceu um homem, também casado, e começou a persegui-la. Ela sentiu, mas não fez nada – preferiu seguir sua vida na normalidade, como muitas mulheres vítimas de perseguição ainda fazem, silenciam. Esse homem, no entanto, não voltou para sua “vida normal”. Maya estava caminhando tranquilamente pela estrada, voltando para casa cansada após um dia de trabalho, um pouco distraída, quando de repente o homem salta do meio do mato e a agarra. “E homem é forte, né?”, ela comenta. O resto da história você deve imaginar… Já aconteceu com uma, duas, três, quantas mais? Quantas de nós precisarão ser levadas para o mato, estupradas, para que consigamos dar um basta nessa cultura de violência contra as mulheres? Maya hoje não consegue se relacionar com homens. Foi considerada culpada por sua própria família e teve a sorte, a benção, de encontrar uma irmã de espírito que a acolheu e, através de seu amor, deu forças para que ela conseguisse seguir em frente. Mesmo com a cabeça baixa diante de todas, quando sentou ao meu lado para conversar, Maya erguia o rosto e sorria nos momentos em que contava sobre Maria (nome fictício), essa amiga, companheira, que ela considera mesmo a irmã que não teve. Quando uma mulher tomba, outra mulher a acolhe, outra mulher a levanta. Assim somos. Cooperativas, cuidadosas, amorosas e corajosas. Se precisamos lembrar de alguma história para nos fortalecermos, que possamos lembrar das inúmeras, incontáveis vezes em que fomos apoio umas para as outras. Em que acolhemos lágrimas, tristezas, decepções. Em que fomos ombro, colo, abraço. Com amor nos fazemos, com amor nos fortalecemos, com amor nos transformamos, com amor seguimos. Com amor e tempo, todas nós seguiremos de cabeça erguida. Se uma cair, a outra segura.  Veja mais fotos:

Liberdade para Paulo Galo e Géssica já!

Em mais um ato insólito da Justiça brasileira, o militante pelos direitos dos trabalhadores de entrega precarizados, Paulo Galo, e sua companheira, Géssica, foram presos arbitrariamente ao comparecer de forma voluntária à 11ª Delegacia de Polícia de Santo Amaro (SP) para depor sobre o ato contra a estátua em homenagem ao escravagista Borba Gato em São Paulo.  Galo e Danilo da Silva Oliveira, o Biu (que foi liberado no mesmo dia), compareceram para contribuir com as investigações. As prisões não possuem nenhuma justificativa, ainda menos no caso de Géssica, que apenas foi em apoio a seu companheiro. Duas crianças estão sem seus responsáveis por uma decisão política da Justiça. “Em nenhum momento aquele ato foi feito para machucar alguém ou causar pânico na sociedade. Aquele ato foi feito para poder abrir um debate, e o debate foi aberto. As pessoas agora podem decidir se elas querem uma estátua de 13m de altura que homenageia um genocida e um abusador de mulheres”, disse Galo ao chegar à delegacia na última quarta-feira (28/07). O Estado brasileiro está a cada dia mais a serviço da perseguição política de militantes populares de opositores ao governo de Jair Bolsonaro. O militante Rodrigo Pilha, que recentemente teve progressão da pena para o regime aberto, ficou preso mais de 4 meses após participar de um ato contra o presidente Jair Bolsonaro e seu papel durante a pandemia. Ainda neste mês, uma mulher foi presa pela Brigada Militar por bater panela em protesto durante o passeio de moto de Bolsonaro na cidade de Porto Alegre (RS). “Passeio” que inclusive deveria ser julgado pela Justiça pelo que é: uma campanha eleitoral antecipada.  O Bolsonarismo, cada vez mais acuado pela queda de popularidade, parte pra cima dos militantes populares. Não podemos permitir o aparelhamento do poder judiciário para fins políticos! Expressamos nosso repúdio a mais estas prisões arbitrárias! Liberdade para Galo e Gessica já! Amigos da Terra Brasil (ATBr)Julho de 2021

Primeiro encontro de mulheres Guarani de Santa Catarina discute formas de preservar a saúde do povo no estado

Texto e fotos por Luiza Dorneles em cobertura do primeiro encontro de mulheres Guarani articulado pela Comissão Guarani Yvyrupa. O I Encontro Estadual das Kunhangue de Santa Catarina acontece entre os dias 27 e 31 de julho na Tekoa Pira Rupa, no Maciambu, em Palhoça. Mulheres Guarani de diferentes cidades do Estado se reúnem para compartilhar suas vivências nas aldeias e pensar, juntas, formas de preservar seu modo de vida – o “nhande reko”. Acontece nesse momento, entre os dias 27 e 31 de julho, o primeiro Encontro Estadual das Kunhangue de Santa Catarina – Kunhangue quer dizer mulher em Guarani – na Tekoa Pira Rupa. Mulheres Guarani de diferentes partes do Estado relataram, no primeiro dia de encontro, violências sofridas nas aldeias como chefes de família e lideranças comunitárias. A maior preocupação das mães Guarani muito se assemelha às mães de culturas não-indígenas: como iremos deixar a Terra para nossos filhos? Como estamos preparando nossos filhos para cuidar melhor de nossos territórios e aldeias? Kerexu Yxapyry – Eunice Antunes – comenta que hoje a luta das mulheres Guarani é por reconhecimento da importância de suas presenças dentro dos territórios como corpos e espíritos que cuidam das crianças, das plantações, da gestão dos espaços. Kunhangues de diferentes Estados reúnem-se para pensar e construir soluções de preservação e continuidade ao “nhande reko” – o modo de vida Guarani – em um momento histórico no qual muitos povos já se alimentam mais de industrializados, muitas vezes ultraprocessados, do que daqueles de sua cultura original como a mandioca, o milho, a jaboticaba. Minha Yvoty – Cristiana Samaniego – relata o aumento de casos de diabetes e de problemas renais dentro das aldeias. Ela considera as mudanças nos hábitos alimentares como o principal fator causador das doenças e ressalta a importância de uma alimentação saudável e livre de agrotóxicos – “Tentei plantar milho aqui na aldeia, mas tem um arrozal aqui do lado onde jogam agrotóxico e o veneno mata tudo que tentamos plantar”, desabafa.  “Minha vó ia comer fruta no mato, plantava milho, plantava batata doce, ia pescar… Meus filhos não conhecem esse tipo de comida e, se eu trouxer hoje, talvez nem comam. Comecei a pensar sobre isso… O que eu tô fazendo aqui? Como vou trazer esse sustento pra minha família pra que amanhã eles sejam saudáveis, pra que amanhã eles sejam felizes? Vocês vão aprender a plantar sua comida. Foi aí que começamos a mudar nossa realidade. Buscar conhecimento e tentar praticar, trazer pra dentro de casa, não só falar”. (Kerexu Yxapyry – Eunice Antunes – no I Encontro Estadual das Kunhangue de Santa Catarina) Minha Yvoty – Cristiana Samaniego – tem uma filha com paralisia cerebral. Hoje com 17 anos, sua filha já está no primeiro ano do Ensino Médio. Quando compartilhou a luta que foi criar uma filha com deficiência de uma forma saudável, com todos os cuidados e atenção especiais dos quais ela precisa, algumas lágrimas saíram junto. Cristiana é reconhecida dentro da aldeia Tekoa Pira Rupa, onde acontece o encontro, como uma excelente liderança. Sua força, seu amor, sua autonomia e independência inspiram Kunhangue de toda Santa Catarina. Hoje, ela conta com o apoio de seu marido como um parceiro com o qual divide uma vida de responsabilidades e cuidados.   Delegações de norte e sul do Estado chegaram para participar do encontro.  Aldeias do norte – Piraí, Yvapurú, Jaboticabeira, Morro Alto, Tarumã Mirim, Tarumã, Pindoty. Aldeias do sul – Imaruí, Biguaçú Tekoa Porã, Amaral, Canelinha, Tekoa Vy´A (Major Gercino), Morro da Palha, Território Indígena Morro dos Cavalos. As falas acontecem dentro da Opy (lê-se Opã), a casa de rezo, bioconstruída com barro, madeira e palha. Do lado de fora, crianças brincam, cachorros circulam, homens cozinham as refeições.

Solidariedade com o povo cubano e em defesa de sua soberania

Amigos da Terra América Latina e Caribe (ATALC) manifesta uma vez mais sua solidariedade com o povo cubano, em momentos de grandes dificuldades que se exacerbam diariamente após o brutal bloqueio imposto pelo governo dos Estados Unidos. Apesar desse tipo de política criminosa contra Cuba sempre ter tido consequências nefastas durante os anos de sua imposição, na atualidade, perante a pandemia de COVID-19, se constitui como una violação flagrante dos direitos dos povos e seus direitos humanos. Apesar de a grande maioria dos países do mundo que integram a Organização das Nações Unidas (ONU) terem votado pela finalização do bloqueio, o imperialismo mantém sua estratégia de desestabilização, asfixiando o povo cubano com as restrições que impedem que cheguem à ilha insumos básicos para a garantia da vida, incluindo os produtos sanitários fundamentais para enfrentar a pandemia de COVID-19 e seus efeitos mortais. É bem conhecida a estratégia que o neoliberalismo desenvolve contra Cuba, da qual fazem eco os governos ajoelhados frente ao mandato estadunidense, que hoje utiliza os meios massivos de comunicação e as redes sociais para disseminar com efeitos mais destrutivos a doutrina de ódio contra qualquer forma de pensamento e construção política contrária à acumulação de uns poucos e miséria das maiorias. Toda essa exibição de barbárie garante a concentração de poder das empresas transnacionais e as elites nacionais e internacionais sob o modelo neoliberal agonizante, e que os povos soberanos desnudaram através dos levantamentos sociais e das mudanças estruturais que dão alento e seguem acontecendo na América Latina e no Caribe, e em outras partes do mundo. Diante das convulsões sociais, da retomada do poder por parte de forças políticas que tentaram aniquilar com golpes de Estado as vitórias eleitorais de forças progressistas, das mudanças constitucionais que derrubam as ditaduras que impulsionaram a imposição neoliberal na região, da manutenção de modelos políticos soberanos, se desenvolve uma nova ofensiva do neoliberalismo para retomar controles geopolíticos – com uma marcada escalada no Caribe e na América Central – com ações simultâneas e orquestradas. Frente à grave ameaça que esta nova arremetida imperial representa, a ATALC convida os movimentos e organizações sociais a manifestar ativamente sua solidariedade internacionalista com o povo cubano e com todos os povos que são objeto da aplicação de doutrinas que nos recordam os episódios mais obscuros do pensamento e da ação dos totalitarismos na história da humanidade. Nós nos opomos veementemente às tentativas de desestabilização midiática e às narrativas intervencionistas que com discursos de “ajuda humanitária” disfarçam as pretensões de militarização e violação da soberania dos povos e sua autodeterminação. Nota de Solidariedade da Amigos da Terra América Latina e Caribe (ATALC) Julho de 2021

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