Solidariedade com o povo cubano e em defesa de sua soberania

Amigos da Terra América Latina e Caribe (ATALC) manifesta uma vez mais sua solidariedade com o povo cubano, em momentos de grandes dificuldades que se exacerbam diariamente após o brutal bloqueio imposto pelo governo dos Estados Unidos. Apesar desse tipo de política criminosa contra Cuba sempre ter tido consequências nefastas durante os anos de sua imposição, na atualidade, perante a pandemia de COVID-19, se constitui como una violação flagrante dos direitos dos povos e seus direitos humanos. Apesar de a grande maioria dos países do mundo que integram a Organização das Nações Unidas (ONU) terem votado pela finalização do bloqueio, o imperialismo mantém sua estratégia de desestabilização, asfixiando o povo cubano com as restrições que impedem que cheguem à ilha insumos básicos para a garantia da vida, incluindo os produtos sanitários fundamentais para enfrentar a pandemia de COVID-19 e seus efeitos mortais. É bem conhecida a estratégia que o neoliberalismo desenvolve contra Cuba, da qual fazem eco os governos ajoelhados frente ao mandato estadunidense, que hoje utiliza os meios massivos de comunicação e as redes sociais para disseminar com efeitos mais destrutivos a doutrina de ódio contra qualquer forma de pensamento e construção política contrária à acumulação de uns poucos e miséria das maiorias. Toda essa exibição de barbárie garante a concentração de poder das empresas transnacionais e as elites nacionais e internacionais sob o modelo neoliberal agonizante, e que os povos soberanos desnudaram através dos levantamentos sociais e das mudanças estruturais que dão alento e seguem acontecendo na América Latina e no Caribe, e em outras partes do mundo. Diante das convulsões sociais, da retomada do poder por parte de forças políticas que tentaram aniquilar com golpes de Estado as vitórias eleitorais de forças progressistas, das mudanças constitucionais que derrubam as ditaduras que impulsionaram a imposição neoliberal na região, da manutenção de modelos políticos soberanos, se desenvolve uma nova ofensiva do neoliberalismo para retomar controles geopolíticos – com uma marcada escalada no Caribe e na América Central – com ações simultâneas e orquestradas. Frente à grave ameaça que esta nova arremetida imperial representa, a ATALC convida os movimentos e organizações sociais a manifestar ativamente sua solidariedade internacionalista com o povo cubano e com todos os povos que são objeto da aplicação de doutrinas que nos recordam os episódios mais obscuros do pensamento e da ação dos totalitarismos na história da humanidade. Nós nos opomos veementemente às tentativas de desestabilização midiática e às narrativas intervencionistas que com discursos de “ajuda humanitária” disfarçam as pretensões de militarização e violação da soberania dos povos e sua autodeterminação. Nota de Solidariedade da Amigos da Terra América Latina e Caribe (ATALC) Julho de 2021
Solidariedade com o povo haitiano

A Amigos da Terra América Latina e Caribe (ATALC) se solidariza com o povo haitiano perante a violência, instabilidade e incerteza social ocorridas nas últimas décadas, além dos riscos de intervenção estrangeira gerados pelo assassinato do presidente Jovenel Moïse, que vinha se mantendo no poder de maneira violenta e ilegal, já que seu mandato constitucional terminou no dia 7 de fevereiro de 2021. Há meses o Haiti vive uma espiral de violência que tenta frear e reprimir as lutas populares que se mantiveram de forma permanente e pacífica durante os últimos 4 anos. Segundo organizações locais e organismos internacionais: # A organização de direitos humanos haitiana Défenseurs Plus afirma que se registraram mais de 1.000 sequestros durante o ano de 2020. #A Rede Nacional de Direitos Humanos do Haiti (RNDDH) denuncia 12 massacres. # Mais de 150 pessoas foram assassinadas e outras 200 sequestradas entre 1º e 30 de junho passado na zona metropolitana de Porto Príncipe, revelou um informe recente do Centro de Análise e Pesquisa em Direitos Humanos (CARDH). # Foram identificados mais de 76 grupos armados e 500.000 armas ilegais denunciadas pela CNDDR, Comissão Nacional de Desarmamento, Desmantelamento e Reintegração. # Cálculos da Unicef e do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA) estimam 10.000 pessoas deslocadas por enfrentamentos. Segundo a organização Noupapadomi, 214 crianças ficaram órfãs por massacres em bairros populares. A estes números se somaram recentemente 17 novos assassinatos no distrito de Delmas 32; entre as vítimas se incluem jornalistas e líderes sociais. Com a deterioração da situação sociopolítica, os grupos mais vulneráveis terão dificuldades para satisfazer suas necessidades básicas, com o risco de enfrentar uma crise maior que a gerada pelas sucessivas crises e a pandemia. Atualmente o Haiti é o único país da região onde não há programa de vacinação contra a COVID 19. Os setores progressistas e populares haitianos denunciam já há muito tempo o risco latente de uma nova ocupação militar avaliada por organismos internacionais. Além disso, pedem que se organize um período de transição de pelo menos dois anos que permita restaurar a legalidade constitucional, reorganizar o sistema eleitoral e responder à massificação da pobreza e à grave deterioração das condições de vida da população, sair do neoliberalismo e definir um novo pacto nacional de desenvolvimento que seja resultado de um amplo processo de reconstrução. A grave situação que vive o povo haitiano hoje exige uma mudança radical na política das agências internacionais em relação ao Haiti, que detenha o ataque aos direitos dos povos e seus direitos humanos. Nós nos opomos a qualquer tentativa de manipular a transição mediante ingerência, ocupação e medidas repressivas e violentas. Manifestamos nossa solidariedade internacionalista e nos mantemos em alerta frente ao devir dos acontecimentos no Haiti, e chamamos as organizações e movimentos sociais da América e outras partes do mundo a somar-se às demandas do povo haitiano, construindo solidariedade ativa ao redor da justiça e da soberania dos povos. Nota de solidariedade da Amigos da Terra América Latina e Caribe (ATALC)Julho de 2021








