Feira como ponto de articulação e de trocas

A Feira Frutos da Resistência existe como um mecanismo de encontros, de troca de informações dos enfrentamentos e resistências que se dão em Herval, no sul do Estado; Maquiné, no litoral; no Cinturão Verde, na Zona Sul de Porto Alegre e através das ações do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto. Nas duas últimas edições esse intercâmbio foi potencializado pela presença da rádio-poste do Amigos da Terra, onde foi possível ouvir, por exemplo, sobre como foi a Ocupação do Demhab, quais as dificuldades que o agronegócio impõe em Herval para o fomento da agroecologia, como a especulação imobiliária quer acabar com mais de 400 hectares na beira da Orla do Guaíba, como se dá a economia solidária no Quilombo do Sopapo. Conversas sobre lutas cotidianas, que mostram um pouco do que está acontecendo nos territórios e quem são aquelas e aqueles que constroem a Feira Frutos da Resistência. A proposta é difundir a agroecologia, a economia solidária, através dos produtos, mas também que a feira sirva para informar a quem passa (por falar nisso, os informativos que distribuímos podem ser lidos online por AQUI). Se você quer entender quem compõe a Feira Frutos da Resistência, que acontece todo o primeiro sábado do mês, como é construída e quem faz parte disso, acompanhe os textos abaixo, que tem como base as entrevistas feitas na rádio-poste. Todos os áudios gravados na 4ªedição, dia 15 de outubro (especialmente nesta data neste mês. Em novembro volta a ser no primeiro sábado, dia 5 de novembro) estão disponíveis AQUI. Também através da rádio-poste, prestamos uma homenagem à Magda Renner, uma das fundadoras do Amigos DaTerra Brasil, que nos deixou, semana passada, aos 90 anos. Mulher de luta, que militou e lutou para que possamos estar onde estamos hoje. A feira também é um fruto de Magda. Acompanhe nossa homenagem: Para quem quiser compartilhar este texto sobre a Magda Renner no Facebook, clique AQUI. As ações e a organização do MTST em Porto Alegre Em mais uma feira, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto esteve presente com sua campanha pelo autossutento, vendendo assados no forno de barro, camisetas e trocando publicações. Eduardo Osório e Karoline Bitello foram os porta-vozes do MTST na rádio, onde contaram como se dá a luta do movimento na cidade e relembraram as ações que já aconteceram nesses quase um ano de organização. “O MTST é uma organização formada e organizada por trabalhadores, de distintos lugares da cidade. Preferencialmente das regiões periféricas. Sempre parte dali, mas nunca esquecendo a cidade como um todo. Partindo daí, para conquistar a moradia digna, o que a gente entede por moradia digna. A moradia não é só o teto, é também saneamento básico, calçamento, infraestrutura, é transporte público que tu possa chegar no trabalho de maneira menos onerosa, direito à cidade. Com uma ocupação, não estamos lutando somente para que seja construído em cima do terreno. Estamos lutando por uma cidade mais igual”, explicou Eduardo. “Após a ocupação de um ano atrás [no Morro Santana. Saiba como foi essa ação na reportagem “Assim o MTST chegou a Porto Alegre”, do ANÚ — Laboratório de Jornalismo Social, no site Outras Palavras]”, criamos vínculos com comunidades da Zona Norte. Mantemos trabalho comunitário e cooperativo associado à comunidade Progresso, a alguns grupos do Morro Santana e à Vila Dique”, explicou Karoline. Karoline destaca que o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto é nacional, está presente em 11 estados. “Atualmente temos feito bastante articulação para se opor e resistir às iniciativas desse governo golpista que está aí e que tem se posicionado de uma forma a cercear direitos e oprimir cada vez mais a população pobre, aos trabalhadores, aos trabalhadores terceirizados, aos prestadores de serviço”. Eduardo lembrou da Ocupação do Departamento Municipal de Habitação de Porto Alegre, em que o MTST, o Movimento Nacional da População de Rua (MNPR) e o Movimento de Lutas dos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) por 28 dias revindicaram que a Prefeitura implantasse de fato uma política de habitação na cidade. Nas primeiras instâncias, a Justiça legitimou a ação dos que ocupavam, exigindo da Prefeitura que apresentasse uma agenda de diálogo para tratar das pautas de reivindicação. Essa agenda nunca veio. A Prefeitura recorreu sempre na Justiça, sem estabelecer contato direto com quem lutava para expor os motivos que os levavam até ali. A ocupar aquele prédio frio, com a presença de crianças e idosos, por quase um mês. Ocupavam principalmente porque a Prefeitura estava com o pagamento dos alugueis sociais atrasados, mandando, por descaso, centenas de pessoas de volta para a vida na rua. Ocupavam para explicar que são insuficientes as vagas e indignas as situações dos albergues em Porto Alegre. Se a Prefeitura quisesse ouvir, teria explicações, por exemplo, de por que o Viaduto Otávio Rocha, o Viaduto da Borges, estar lotado de pessoas e famílias em situação de rua. Estavam ali para chamar a atenção para o déficit habitacional que vive esta cidade há anos, que especula imóveis vazios no centro, cria condomínios de luxo em áreas privilegiadas e expulsa quem pode do caminho. Quando estas pessoas removidas ocupam, lutando pelo que é direito, tem novamente seus direitos violados, dessa vez pela ação da Justiça e da Polícia Militar, que passam a patrola, literalmente, em qualquer perspectiva. Quem ocupou o Demhab queria mostrar isso e outros pontos que oprimem a vida diária na cidade para o prefeito e saber o que ele tem a dizer, a apresentar. “Tentaram nos matar no cansaço, se fizeram de surdos, até que a Prefeitura conseguiu o mandato para nos despejar. Foi bem truncado, a Brigada Militar chegou sem mandato. Estávamos entre 15 ocupantes na hora do despejo, entre mulheres, crianças e idosos e um efetivo da polícia muito grande”, relatou Eduardo. E destacou: “Justamente a gestão que nos tratou assim, coloca nessas eleições o ex-vice-prefeito Sebastião Melo como o candidato do diálogo. Com a gente não foi bem assim”. A linha do tempo feita pelo IndexPoa mostra o cronograma de reivindicações do Movimento Nacional da População de Rua. Que, depois de tentar de muitas formas ser

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