Lítio Verde com mineração a céu aberto?

Greentech da mineração? A cava é aberta. A cova pode ser de rios, biomas, culturas e gentes O lítio, tão presente no Vale do Jequitinhonha (MG), é abordado por mineradoras e corporações como um mineral para a transição energética, capaz de produzir energia limpa, desenvolvimento e de amortecer a emergência climática. Mas será que a venda de lítio no exterior é capaz de diminuir emissões globais se o extrativismo fóssil segue? Dentro do sistema desigual de produção e consumo do capitalismo, o lítio extraído por uma empresa pode frear o aquecimento planetário?  ⚠️ O que a propaganda não diz é que quando vem de empresas, a transição é sobre descarbonizar o consumo no Norte global, promovendo a destruição ampliada dos ecossistemas no Sul. Mineração verde, sustentável e de zero impacto são palavras usadas por mineradoras que dizem agir por uma “transição energética”. Mas essa transição energética que defendem é uma falácia do capitalismo em crise. O que ocorre é uma expansão energética, pois é a fase em que o capitalismo amplia sua exploração, In natura, para toda tabela periódica. 📍 Em julho percorremos comunidades e municípios do Vale do Jequitinhonha impactados pela mineração de Lítio.  Marcelo Barbosa, do Movimento por Soberania Popular na Mineração (MAM), mostra a cava da Sigma Lithium e os impactos da empresa, que visa crescer e se refere a região como “Lithium Valley”. Expõe, ainda, a fragilidade a que territórios de vida são submetidos em nome do lucro do setor minerário. 📢 “O que tem de mais arcaico e atrasado, a mineração a céu aberto, é o que tem sido colocado em Araçuaí pela Sigma na mineração do lítio, dizendo que é mineração verde. O que nos preocupa, além dos impactos causados, da falsa narrativa de sustentabilidade, é a velocidade com que o povo de Araçuaí, do Vale do Jequitinhonha, têm sido roubado nesse processo do lítio, que é um bem comum do povo brasileiro”, afirmou. Confira o vídeo e saiba mais: Precisamos falar de transição energética. Mas quando esse papo vem de empresas transnacionais que visam acumular infinitamente lucro, num mundo finito e ecologicamente em colapso, a conta não fecha. Quem paga o preço, com as próprias vidas, é o povo.  A conversa das corporações não é de fato sobre sustentabilidade ou uma transição real,  é sobre novos produtos para o acúmulo de riquezas.  Seguimos na luta contra o saque de nossos minérios, por uma transição energética soberana, popular, com justiça social, econômica, racial e de gênero! Contexto mineiro: De olho na Operação Rejeito e nas contradições do setor minerário Atualmente, Minas Gerais é palco da Operação Rejeito, uma ação conjunta entre a PF, Controladoria Geral da União (CGU), Ministério Público Federal (MPF) e Receita Federal, para investigar conglomerado de mais de 40 empresas da área minerária.  A operação revelou um esquema bilionário de corrupção e danos ambientais em atividades de mineração em Minas Gerais, e identificou fraudes em licenças ambientais, exploração ilegal em áreas protegidas e um esquema que envolvia empresários, políticos e servidores públicos. Fato que traz a tona muitas das contradições do setor, já apresentadas por pesquisadores, movimentos sociais, organizações de base, ambientalistas e comunidades afetadas pelas atividades de mineradoras. A operação aponta, ainda, práticas sistemáticas do setor minerário, que atua com uma série de violações de direitos. É o modus operandi de muitas mineradoras trabalharem fora da legalidade, comprando licenças ambientais e escamoteando dados. Fato que já causou, inclusive, rompimento de barragem de rejeito com vítimas humanas e rastro de destruição. De acordo com Marcelo Barbosa, apesar da importância da operação, caso não se altere profundamente o modelo de mineração brasileira, sobretudo, nesse caso específico, a forma como tem acontecido os processos de licenciamento e de controle por parte do estado, da atividade mineradora, veremos outros episódios como esse. “Se não conduzirmos urgentemente o processo para uma legislação mais rígida, do ponto de vista do controle social e popular da atividade mineradora e não revertermos esse quadro de enfraquecimento das instituições fiscais do Estado veremos novos episódios desses acontecendo”, avalia o integrante do MAM.

Amigas da Terra Brasil participa do II VSPEA e pauta demandas da Cúpula dos Povos e responsabilidade do agronegócio nas emissões brasileiras 

Nos dias 16 e 17 de setembro ocorreu o II Seminário de Vigilância em Saúde das Populações Expostas à Agrotóxicos (VSPEA), em Porto Alegre (RS). O encontro reuniu profissionais da saúde, estudantes, gestores, militantes e representantes da sociedade civil. Foi um espaço de debate e construção coletiva, com foco na formulação de políticas públicas que visam a saúde e a segurança das populações expostas a agrotóxicos.  Promovido pela Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, por meio do Comitê Estadual do VSPEA, o Seminário contou com dois dias de atividades, e teve como objetivo aprofundar conhecimentos e fortalecer ações de vigilância frente aos impactos dos agrotóxicos na saúde humana. Eduardo Raguse, representando a Amigas da Terra Brasil, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida e também a Cúpula dos Povos rumo à COP30, esteve presente em um dos painéis de debate, e fez fala abordando a emergência climática e o papel do agronegócio no contexto brasileiro. Eduardo iniciou a sua exposição apresentando o atual contexto da emergência climática. “São efeitos principalmente da revolução industrial e da queima dos combustíveis fósseis. Mas, no Brasil, o principal fator de emissão está ligado ao modelo do agronegócio, principalmente em relação ao desmatamento e às queimadas para expansão da fronteira agrícola, além das emissões do próprio setor agropecuário. Esta soma evidencia que o agronegócio é responsável 75% das emissões brasileiras”, expôs.  Também está na conta deste setor a responsabilidade de o Brasil ser um dos países recordistas no uso de agrotóxicos no mundo.  Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em 2022, o Brasil consumiu mais de 800 mil toneladas de agrotóxicos, o equivalente a quase um terço de todo o consumo mundial. “Chegamos a 800 mil toneladas de agrotóxicos em 2022 e hoje seguimos em torno dessa faixa. Além disso, o agronegócio é responsável por uma série de conflitos no campo. De acordo com o último relatório da CPT de conflitos no campo, em 2024 se registrou o segundo maior índice de conflitos no campo desde 1985. Foram 2.185 casos, ficou atrás apenas do ano de 2023, quando ocorreram 2.250 casos de conflitos no campo”, evidenciou Eduardo.  A utilização dos agrotóxicos como arma química também foi um dos pontos que Eduardo colocou em evidência. “Em 2024 foram 276 casos registrados de contaminação por agrotóxicos, atingindo mais de 17 mil famílias, sendo que sabemos que esse número é bastante subestimado e que quase 90% dos casos foi devido à pulverização aérea. E está crescendo no Brasil, de maneira muito assustadora, o uso de drones para pulverização aérea. Temos cerca de 2.500 aeronaves para pulverização aérea registradas na ANAC e já temos mais de 8.500 drones para esse mesmo uso sendo que se estima que sejam mais de 12 mil em operação, ou seja, sequer estão registrados boa parte desses drones“, afirmou.  A luta contra o agronegócio também é uma luta climática Eduardo ressaltou a importância da construção de ferramentas de vigilância popular como estratégias coletivas contra os impactos da emergência climática, assim como para a defesa dos territórios de vida frente às políticas de morte do agronegócio. “Eu trouxe esses elementos todos para dizer que a luta contra os agrotóxicos, contra o agronegócio, também é uma luta climática. A gente frear e mudar esse modelo do agronegócio brasileiro vai trazer efeitos, também, como contribuição do Brasil para a redução das emissões de gases de efeito estufa, para além de todos outros fatores socioambientais envolvidos”, destacou.  Aterrissando o debate num dos grandes eventos para negociações do clima a nível global, a COP 30, que será sediada em Belém (PA) em novembro deste ano, Eduardo encerrou a sua fala apresentando as principais pautas da Cúpula dos Povos rumo à COP30. A Cúpula dos Povos é um evento paralelo ao oficial, que emerge das raízes das lutas como contraponto e processo político de incidência nas Conferências do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), assim como em outros espaços. Nela, movimentos e organizações sociais, inclusive a Amigas da Terra Brasil, se fortalecem e agem para pressionar as negociações, construindo e apresentando soluções alternativas às das grandes corporações e dos governos que as defendem. “Defendemos, principalmente, o direito à terra e ao território de populações tradicionais, por meio de demarcação de terras indígenas, titulação de quilombos e também com a reforma agrária e urbana e o desmatamento zero. E pautamos, principalmente, uma mudança radical e profunda nesse modelo de agronegócio brasileiro. Além, é claro, da nossa pauta de fundo, que é lutar por uma mudança do modelo global de produção e consumo”, especificou Eduardo.  Leia também: Amigas da Terra na Cúpula dos Povos Rumo à COP30, a solução são os povos nos territórios

Seminário reafirma a importância da defesa dos territórios de vida frente às ameaças do capitalismo

Nos dias 20 e 21 de setembro, a Amigas da Terra Brasil promoveu o “Seminário Regional Territórios de Vida x Projetos de Morte Monocultivos e Mineração”, no CPERS Sindicato, em Porto Alegre (RS). O encontro reuniu comunidades, povos indígenas, quilombolas, assentades, juventudes, organizações e movimentos sociais de todo o estado para refletir, fortalecer e articular estratégias em defesa dos biomas, povos e territórios de vida.  Com base em repertório histórico e trazendo uma série de dados, o seminário se debruçou na disputa entre dois projetos de futuro: os territórios de vida, que florescem na diversidade cultural, na agroecologia, na luta por soberania alimentar e justiça social, e os projetos de morte, que avançam com monocultivos, mineração e agrotóxicos, impondo destruição, racismo ambiental e agravando a crise climática. O momento foi composto por atividades culturais, participação em ato, oficina de batucadas e três painéis de debate. Foram dois dias de diálogos potentes sobre histórias de luta, denúncias dos impactos socioambientais e experiências de resistência que mostram que outro caminho é possível – um caminho construído pelos povos, na defesa da terra, da água, da saúde, da cultura e da vida.  Emergiram questões relacionadas à luta por terra e território, marcadas pela urgência de reforma agrária popular, da agroecologia, da reforma urbana, da demarcação de territórios indígenas e da titulação quilombola. Outro tema foi a necessidade de pôr fim à violência colonial. Para isso, é fundamental a solidariedade internacionalista, assim como a construção de alternativas reais, que alterem a correlação de forças do capitalismo e mudem as lógicas de produção e consumo . Soluções que tenham como eixo a soberania dos povos, especialmente alimentar e energética, uma transição justa e feminista, e que se ergam a partir das raízes com justiça climática, trazendo reparação histórica,  garantia de direitos e a salvaguarda das formas de vida ancestrais.  O seminário salientou que frente às múltiplas crises que borbulham na emergência climática, as soluções reais residem nas soluções dos povos, na organização coletiva e no poder popular. Experiências como a luta das mulheres assentadas, cozinhas solidárias, hortas comunitárias, retomadas indígenas, aquilombamentos, organização das juventudes, frentes em defesa dos biomas e construções que demandam políticas públicas para projetos de vida foram destacadas.  O momento denunciou projetos de morte da especulação imobiliária, indústria bélica, da celulose, mineração e agronegócio, assim como seus impactos e os retrocessos legais que os fortalecem. Mergulhando na resistência em solo gaúcho, foram realizadas apresentações sobre as lutas contra agrotóxicos, monocultivos e o latifúndio. Foi evidenciado o protagonismo das mulheres, assim como as mobilizações políticas e sociais realizadas em defesa do meio ambiente.  Estavam presentes jovens rumo à Cúpula dos Povos, povos Guarani e Kaingang, o Comitê dos Povos e Comunidades Tradicionais do Pampa, a UPP Camaquã/AGrUPa, o Assentamento Santa Rita de Cássia II/Nova Santa Rita, o Movimento Sem Terra (MST), o Movimento por Soberania Popular na Mineração (MAM), o coletivo Periferia Feminista, a Marcha Mundial das Mulheres (MMM), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a CSAA Territórios de Vida (Comunidade que Sustenta a Agricultura Agroecológica), a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), a Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (RENAP) e a Universidade Federal do Rio Grande do SUl (UFRGS).  O Seminário encerrou com mística  e mobilização para o “Ato Sem Anistia para Golpistas, contra a PEC da Blindagem ou PEC da Bandidagem”, uma manobra que dificulta investigações contra parlamentares e presidentes de partidos suspeitos de cometer crimes, reafirmando que seguimos juntes na construção de territórios livres da exploração corporativa e abertos à esperança de um futuro justo e sustentável. Direitos para os povos, regras para empresas: é preciso desmantelar o poder corporativo “A gente fala que por trás de uma grande fortuna há sempre um crime. E por trás desses crimes estão as transnacionais”, afirmou Letícia Paranhos, presidenta da Amigas da Terra Brasil.  Durante uma apresentação, Letícia abordou a arquitetura da impunidade das grandes corporações, expondo como estas atuam em cadeias globais para se isentarem de seus crimes e ampliarem lucros às custas dos territórios de vida, especialmente no Sul Global.  Letícia apresentou, ainda, proposições no combate à impunidade corporativa, intrínseca nos projetos de morte do capital. “Falamos muito da arquitetura da impunidade, companheiros citaram aqui em vários momentos. Quando falamos de projeto de morte, nós falamos que eles podem existir graças a essa arquitetura”, expressou.   A nível global, Letícia ressaltou a “Campanha Global para Desmantelar o Poder Corporativo, Reivindicar a soberania dos povos e Acabar com a impunidade”, que demanda internacionalmente um Tratado Juridicamente Vinculante que responsabilize empresas transnacionais (ETNs) por seus crimes. Destacou, ainda, iniciativas a nível nacional que também pautam a primazia dos direitos humanos acima do lucro, e que surgem como ferramenta de luta para que crimes como Mariana e Brumadinho nunca mais se repitam. Exemplo disso, no Brasil, é o PL 572/22, construído junto a movimentos sociais. “A nossa perspectiva é a questão de direitos para os povos e regras para empresas, que é justamente o contrário do que temos hoje”,  explicou Letícia.   Baixe a cartilha popular do PL 572/22 e saiba mais: O seminário também denunciou falsas soluções do mercado, construídas com apelo de marketing verde, discursos de responsabilidade social corporativa, sustentabilidade e até mesmo de transição energética. Discursos corporativos que na prática replicam velhos problemas criados por corporações, explorando ainda mais a natureza e as pessoas em nome do lucro, na lógica de que estes são meros recursos infinitos à sua disposição. Uma dinâmica entrelaçada no capitalismo financeiro e especulativo, tão encontrado no mercado de carbono, mas que pouco se conecta com a realidade material de um planeta finito que está em colapso. Pampa na mira:  desertos verdes ameaçam extinguir bioma menos protegido do Brasil  Como evidencia a Rede Alerta Contra os Desertos Verdes,  iniciativa nacional em defesa dos biomas, da biodiversidade e dos povos: “Quem vê árvore, não vê floresta”. Memorando essa reflexão no marco do dia 21 de setembro, data internacional de combate aos desertos verdes, o Seminário expôs a fragilidade do Pampa frente ao avanço destes. Trazendo a força

Amigas da Terra Brasil entrega estudo “Política Nacional de Clima, participação social e propostas dos povos do Brasil para a Justiça climática” durante encontro Vozes do Pampa  

Na sexta-feira (12), a Amigas da Terra Brasil participou do encontro Vozes do Pampa. Junto a movimentos sociais, rurais e feministas, comunidades e lideranças indígenas e negras, estivemos reivindicando as pautas populares por justiça climática rumo à COP30. O encontro ocorreu na Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre (RS), onde estivemos na construção de diálogo a partir de grupo de trabalho. Aproveitando a ocasião, a presidenta da Amigas da Terra Brasil, Letícia Paranhos, entregou às autoridades presentes o estudo “Política Nacional de Clima, participação social e propostas dos povos do Brasil para a Justiça climática”.    O evento integrou a iniciativa Vozes dos Biomas, um projeto conjunto das enviadas especiais da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), que tem como objetivo construir diagnósticos e propostas coletivas para enfrentar a crise climática com garantia de direitos humanos. Na ocasião estiveram presentes Denise Dora (enviada Especial para Direitos Humanos e Transição Justa), Janja Lula da Silva (Enviada Especial para Mulheres) e Jurema Werneck (Enviada Especial para Igualdade Racial e Periferias), que você confere recebendo o estudo da Amigas da Terra Brasil nas imagens.  Após vivenciarmos extremos climáticos que vão de secas trágicas até inundações nunca antes vistas, é fundamental termos à disposição ferramentas que potencializam a luta dos povos e ressoam as suas demandas. O estudo, lançado em julho deste ano, é uma aposta nesse processo, e tem como objetivo fortalecer a participação da sociedade civil nas políticas para o clima e no monitoramento das metas nacionais determinadas para a redução das emissões dos gases de efeito estufa (NDCs).  A ideia é que ele sirva como base na disputa e no enfrentamento da crise climática com justiça ambiental e, principalmente, na incidência da Amigas da Terra no processo de construção de convergência política e mobilização popular da Cúpula dos Povos rumo à COP30. Conforme o relato de Letícia, o diálogo com a sociedade civil e  levar em consideração as construções da Cúpula dos Povos é imprescindível para qualquer processo democrático, e essa foi uma das pautas levantadas pela Amigas da Terra durante o encontro. “Um dos pontos fundamentais para este diálogo ocorrer de fato é focar nos eixos de luta da Cúpula dos Povos, que foram justamente pensados para dialogar com o que movimentos sociais e a sociedade civil pensam sobre as mudanças climáticas. Temos respostas para fazer enfrentamentos de forma coletiva, garantindo direitos dos povos, territórios e pessoas, e essas respostas estão nesses eixos, que tratam de feminismo popular, internacionalismo, combate às opressões e ao racismo ambiental, combate às falsas soluções de mercado frente à emergência climática”, salientou.   Confira o estudo na íntegra. Ou baixe por aqui: Por dentro do estudo Rumo à Cúpula dos Povos na COP30: Da Amazônia para o mundo, com justiça climática, combate às desigualdades e ao racismo ambiental Construído a partir de saberes e perspectivas de pessoas envolvidas em sua autoria,  o estudo “Política Nacional de Clima, participação social e propostas dos povos do Brasil para a Justiça climática” carrega a potência  de territórios de vida, assim como trajetórias diversas na militância por justiça ambiental e para os povos, do Pampa à Amazônia.  Organizado em quatro capítulos, ele começa trazendo um resgate histórico das Conferências do Clima da ONU (COPs) na América Latina, onde aborda as cooptações, colonialismos e contradições rumo à COP 30, que acontecerá em novembro, em Belém (PA), na Amazônia Brasileira.  Na sequência, o segundo capítulo se debruça numa análise das NDCs brasileiras e as falsas soluções setoriais para a justiça climática, examinando a participação social na construção das metas do clima e as propostas populares em disputa.  Na sequência, num grito por #demarcaçãojá e por direitos aos povos e territórios de vida, o terceiro capítulo faz um mergulho na temática dos Povos Originários e tradicionais do Brasil, abordando os territórios de vida na cultura do cuidado, do clima e da biodiversidade.  O último capítulo, intitulado “Uma visão das mulheres amazônidas”, ressitua o debate dentro do marco da Cúpula dos Povos e da COP30, abordando as violações ao modo de ser e viver dos Povos da Terra no contexto das preparações para a COP30 no Estado do Pará. 

Estudo ‘Expansão dos desertos verdes em um Pampa em Extinção” aborda resistência popular e impactos dos monocultivos de árvores

A história de violações de direitos, exploração e opressões causada por corporações aos territórios de vida é antiga. Assim como os processos de luta na construção de horizontes de emancipação e soberania popular. Hoje, projetos de morte do setor da celulose ganham força com a flexibilização da legislação ambiental. Novas fábricas estão sendo anunciadas e construídas em diversas partes do Brasil. Um exemplo é a nova fábrica proposta pela empresa chilena CMPC em Barra do Ribeiro (RS), em fase de licenciamento ambiental e hipocritamente chamada de “Projeto Natureza”. Caso seja instalada, ela demandará uma nova expansão das monoculturas de eucalipto, o que afeta mais uma vez o Bioma Pampa e os seus povos. O estudo “Expansão dos desertos verdes em um Pampa em Extinção”, escrito pelo engenheiro ambiental Eduardo Raguse, da Amigas da Terra Brasil, Comitê de Combate à Megamineração do Rio Grande do Sul e também da coordenação nacional do Movimento por Soberania Popular na Mineração (MAM), faz um mergulho na temática. Com o enfoque em apontar como a nova expansão das monoculturas de eucalipto para produção de celulose ameaçam o bioma e sua diversidade de vidas, o material também expõe o cenário nacional e aborda processos de resistência popular frente ao avanço dos desertos verdes*. Embasado numa série de dados das ciências naturais, políticas, econômicas e sociais, o estudo traz mapas, infográficos, dados e faz um apanhado histórico. Neste, apresenta uma linha do tempo das corporações de celulose atuantes no Rio Grande do Sul, evidenciando a relação do setor com desmontes na legislação ambiental e com ditaduras militares no Brasil e no Chile. Chegando ao atual momento, traz o caso da CMPC e sua atuação no RS, destacando os impactos da quadruplicação da fábrica da celulose em Guaíba e do “Projeto Natureza”, além da lavagem verde. Marcado pelo contexto da emergência climática global, o estudo também analisa a relação dos monocultivos de eucalipto com a enchente histórica no RS e as falsas soluções de mercado propostas pelo setor da celulose, como é o caso dos créditos de carbono sujos, que escancaram contradições entre o discurso e a prática empresarial. Baixe o PDF do estudo na íntegra aqui: Frente a essa nova ofensiva do capital, quando mais uma vez corporações destroem territórios de vida para avançarem com seus projetos poluidores e destruidores da natureza, tudo em nome do lucro, manifestamos que “quem vê árvore, não vê floresta”. Denunciamos a expansão das monoculturas, sua cadeia logística industrial e seus impactos ambientais e sociais. Em defesa das matas, águas, gentes e do clima, seguimos exigindo que as soluções sejam as dos povos, com demarcação de territórios indígenas, titulação quilombola, reforma agrária popular e agroecologia para a produção de alimentos. Seguimos em luta! Acesse também a nossa cartilha popular sobre o tema: *Os desertos verdes são assim chamados pois consistem no plantio de árvores de uma única espécie (monocultura) com finalidade comercial. Diferentemente de áreas naturais de florestas ou campos nativos, que possuem alta biodiversidade, os desertos verdes são formados por extensas áreas com uma única espécie.

Assine o abaixo-assinado e apoie a construção de unidades de ensino no assentamento Santa Rita de Cássia, do MST

Famílias do Assentamento Santa Rita de Cassia II promovem mutirão e assembleia popular, em Nova Santa Rita (RS) No dia 30 de agosto, as famílias assentadas e moradores do Assentamento Santa Rita de Cassia II, localizado no município de Nova Santa Rita (RS), estiveram reunidos no espaço comunitário localizado na Rua das Caturritas, ao lado da USB Marisa Lourenço da Silva, para realizar um mutirão de limpeza, construir e promover melhorias no local. Em assembleia extraordinária no mesmo local, também deliberaram por apoiar a construção da creche (Escola Municipal de Educação Infantil) e do Centro Comunitário, por parte da administração municipal de Nova Santa Rita. Ambas beneficiarão a comunidade do assentamento e a população que mora nos arredores. Assine o abaixo-assinado feito pela comunidade e apoie você também a construção das unidades de ensino. CLIQUE AQUI para assinar. A experiência de luta do Movimento Sem Terra (MST) revela que sem mobilização e organização não há conquista e que as conquistas da classe trabalhadora são realmente conquistas quando são incorporadas como construções coletivas e democráticas. “Entendemos que democracia é mais que uma eleição, é exercer nossos direitos, conhecer nossa história, aprender com nossos erros, sobretudo para construir possibilidades de um futuro melhor. Nossa tarefa é valorizar os espaços comunitários, que organizem a vida coletiva e busquem fortalecer a educação, o lazer e o cuidado com o meio ambiente. Em um mundo cada vez mais em disputa, não há nada mais importante que valorizar a vida!”, afirma um integrante do MST.

Seminário em Porto Alegre (RS) traz a resistência dos territórios de vida frente aos projetos de morte dos monocultivos e da mineração

Será nos dias 20 e 21 de setembro, das 9h às 18h, no CPERS Sindicato, Centro Histórico da Capital. Inscreva-se para participar em https://bit.ly/insc_seminarioregional Os territórios da América Latina, e em especial do Rio Grande do Sul, vivem hoje uma disputa intensa entre dois projetos de futuro: de um lado, os territórios de vida, construídos a partir da soberania dos povos do campo e da cidade, do respeito à natureza, da agropecuária familiar, da agroecologia, das comunidades originárias e tradicionais, da diversidade cultural.  De outro, os projetos de morte, expressos na expansão dos monocultivos, no uso de agrotóxicos e na mineração predatória, que provocam graves impactos socioambientais, ameaçam as águas, o solo, a saúde das populações, além de aprofundar desigualdades, racismo ambiental, destruição dos modos de vida tradicionais e agravando a emergência climática em curso.  Este Seminário Regional se propõe a ser um espaço de encontro, reflexão e articulação para comunidades, movimentos sociais, pesquisadoras/es e organizações que resistem a essas formas de exploração, reafirmando a defesa dos territórios e da vida. Serão três paineis de debate, sendo dois no sábado e um no domingo, resgatando a história de luta contra os monocultivos, denunciando os projetos de morte e falando da resistência dos territórios de vida e de seus povos. O CPERS/Sindicato fica na avenida Alberto Bins, 480, no Centro Histórico, na Capital.  Esperamos vocês! SEMINÁRIO TERRITÓRIOS DE VIDA X PROJETOS DE MORTE Programação PRÉVIA 20/09 – Sábado 08:30 – Abertura e Apresentação – Territórios de Vida x Projetos de Morte 09:00 – “Histórias de Luta contra os monocultivos” 14:00 – “Projetos de Morte: monocultivos, agrotóxicos, mineração e a engrenagem da impunidade corporativa” 21/09 – Domingo 09:00 – “Territórios de Vida – resistência, produção, cultura e juventude” Amigas da Terra Brasil

Marcha histórica do MAM ocupa as ruas da capital cearense fortalecendo a luta pela soberania popular na mineração no Brasil

Ato encerrou o II Encontro Nacional do movimento, que ditou as diretrizes para os próximos anos de luta com o lema: “Lutar pelo Território, Controlar o Subsolo” A única luta que se perde é aquela que se abandona. E nós nunca, nunca, nunca abandonamos a luta! As ruas da capital cearense foram ocupadas por um mar vermelho de bandeiras flamejantes na manhã de 28 de agosto de 2025. Em uma marcha histórica, cerca de 1.500 militantes do Movimento pela Soberania Popular na Mineração saíram da Estátua de Iracema Guardiã rumo ao Palácio da Abolição, sede do governo estadual, definindo um novo momento político para o movimento. A marcha reuniu a expressiva presença de 17 estados brasileiros que sofrem ou que vivem sob ameaças das contradições da mineração em seus territórios. São indígenas, quilombolas, povos das cidades e dos campos que representaram a luta de todo um país pela pauta da soberania popular na mineração. “O povo xikrin está 98% contaminado por metais pesados oriundos da mineração no Pará. Estamos aqui pra contribuir com a luta do povo do Ceará, pra contribuir com a luta contra a mineração, ela só traz morte, prejuízo pra nossa biodiversidade, pras nossas florestas”, disse Takak Xikrin, indígena que vive no sudeste paraense. O ato simbolizou o acúmulo de um legado de 13 anos de existência do movimento. “Viemos às ruas representar que esta luta é de toda sociedade brasileira. Estamos, desde abril de 2024, tentando dialogar com o governo cearense, de que este modelo de mineração não é aceitável. Entendemos o Nordeste como novo ponto focal neste processo, diante dos territórios que devem se apropriar do que temos em nosso subsolo e poder decidir onde e como se deve minerar”, afirmou o dirigente nacional do MAM do Ceará, Pedro D’Andrea. II Encontro Nacional do MAM Com o Lema “Lutar pelo Território, Controlar o Subsolo”, o movimento, que se firma, há mais de uma década, como o único a lutar, elaborar e formar militantes nos territórios afetados pela mineração, discutiu os dilemas impostos pelo modelo mineral brasileiro provocando distúrbios na economia, na natureza, no consumo e nas dinâmicas trabalhistas no Brasil e no mundo. Além dos debates sobre Territórios Livres de Mineração e democratização da renda mineral, a organização também realizou propostas frente aos modelos de transição energética que acentuam a espoliação mineral sem resolver as crises climáticas que assolam o mundo. Foto: Luísa Brasil Também como ponto fundamental do Encontro, foi realizada a I Feira Cultural da Agrobiodiversidade do MAM. Organizada pelo Coletivo de Produção do movimento, o espaço valorizou os potenciais dos territórios em suas várias expressões: agricultura familiar, arte e cultura popular, promovendo a troca de sementes de 15 territórios, shows que embalaram com muita alegria a militância que esteve presente e a venda de produtos agroecológicos dos territórios afetados pela mineração. Ao final do ato foi feita a leitura da carta síntese coletiva do MAM para os próximos anos de luta. Confira: CARTA DE FORTALEZALutar pelo território: controlar o subsolo! O controle monolítico do Estado por uma burguesia sem nexo moral com as classes subalternas, compromete irremediavelmente qualquer possibilidade de um projeto de desenvolvimento nacional. O antagonismo entre acumulação de capital, democracia e soberania torna o capitalismo brasileiro intrínseco e irreversivelmente antinacional e antissocial. Submetida à lógica especulativa e espoliativa do capital internacional, do agronegócio, do extrativismo mineral e da aristocracia financeira, a economia funciona como um moinho satânico que gira para maximizar a extração de mais-valia, gerar megassuperávits fiscais para sustentar a ciranda financeira lastreada em dívida pública e potencializar a transferência de recursos reais e financeiros ao exterior para alimentar a reprodução ampliada do capital internacional. As epígrafes acima descrevem o sentimento do II Encontro Nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração – MAM no Campus do Picí, na cidade de Fortaleza, capital do Estado do Ceará, nos dias 24 a 28 de agosto de 2025, quando nos reunimos em mais 1.200 pessoas de 18 estados brasileiros, camponeses, indígenas, quilombolas, trabalhadoras e trabalhadores de todas as regiões do país, e convidados internacionais, do Continente Africano e países do continente Latino Americano! Nos encontramos para analisar as consequências práticas do que chamamos de problema mineral brasileiro, cujas as características são, de ser organizado de fora do país para dentro, engendrado como espaço de decisões antidemocráticas, e que gera e retroalimenta o desenvolvimento do subdesenvolvimento a um custo elevado a economia nacional, a natureza e a sociedade. Nos encontramos para analisar, refletir, e se posicionar, sobre a emergência climática que presa a ideologia da descarbonização da economia global dos países ricos, exerce seu controle e se impõe como nova rodada de precificação da natureza expressas no desmantelamento das leis ambientais, na aceitação da proposta de adaptação e mitigação do plano clima. Nos encontramos para interpelar a mentira de que devemos transitar para o uso de energias limpas em forma de expansão energética de um sistema eletrointensivo – pois as novas tecnologias são intensivas no uso de natureza, bem como são expansivas às nossas subjetividades – a indústria bélica e os algoritmos são um projeto de poder e neles se expressam uma geopolítica de controle dos minerais raros, minerais críticos e minerais estratégicos. Diante disso convocamos a sociedade Brasileira a se intrometer – nos negócios da transição energética e da indústria extrativa da mineração como um todo do que se pretende governos e capitalistas do setor da mineração pois somente assim a expansão energética sucumbi a nossa soberania. Reafirmamos o nosso compromisso em lutar por territórios livres de mineração, assim como pela democratização da renda mineral e pelo controle social do modelo mineral nacional, de decidirmos juntos e juntas o que, como e onde minerar, e para isto, é preciso debater a função social do subsolo e suas consequências, que expressem uma reorganização na sua forma e nos seus resultados sob o controle popular! Fortaleza-Ceará, 27 de agosto de 2025 Por Coletivo Nacional de Comunicação do MAM Texto originalmente publicado no site do MAM, em: https://www.mamnacional.org.br/2025/08/29/marcha-historica-do-mam-ocupa-as-ruas-da-capital-cearense-fortalecendo-a-luta-pela-soberania-popular-na-mineracao-no-brasil/

Por um país soberano e sério, contra o saque de nossos minérios! Amigas da Terra Brasil no II Encontro Nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração

De 24 a 28 de agosto ocorreu o segundo Encontro Nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), em Fortaleza, Ceará. Entre as principais demandas foi pautado um outro modelo mineral brasileiro – justo, popular e soberano ✊🏽 Direto do ato que fechou a jornada, Eduardo Raguse, da Amigas da Terra Brasil, do MAM e do Comitê de Combate à Megamineração deu um relato sobre o Encontro, abordando transição energética e a questão mineral em distintas regiões do Brasil. 📽️ Confira no vídeo! Os eventos climáticos extremos que o Rio Grande do Sul vem enfrentando são exemplos concretos da emergência climática, e nos dão a certeza de que é urgente uma transição, não só energética, mas de nossos modelos de produção e consumo (do agronegócio à energia, passando pelas mais distintas áreas). Porém, o estado do Rio Grande do Sul insiste em queimar carvão. Precisamos atentar para as verdadeiras soluções. Estas vem a partir dos povos e de seus territórios, não de falsas soluções – como uma transição energética que não diminui o uso dos combustíveis fósseis (cujos setores se esforçam para manter indeterminadamente) e que não leva em conta os territórios ao extrair os minerais críticos para a transição ou as usinas de geração de energia renováveis, e os torna zonas de sacrifício. Lutar pelo território, controlar o subsolo! Seguimos em luta 🚩 Saiba mais: bit.ly/3JXANWv

Povo Guarani e Kaingang na luta contra o PL 280/2025

Pela manhã e tarde desta terça-feira (12/08), indígenas Guarani e Kaingang ocuparam a Praça da Matriz, em Porto Alegre (RS), para dizer NÃO ao Projeto de Lei 280/2025, que ameaça a Retomada Guarani Nhe’Engatu, em Viamão. O PL, enviado pelo governo Eduardo Leite (PSD) sem diálogo com os povos indígenas, prevê a doação de 88,80 hectares (de um total de 148,80) ao município, para a instalação de um Centro Logístico, Empresarial e Tecnológico. A área pertence à extinta Fepagro e é hoje território de vivência e resistência indígena. Mas existe uma questão fundamental: a terra está em disputa judicial. Se caracterizada como indígena, torna-se patrimônio da União – e o Estado não pode transferir o que não lhe pertence. A partir das 14h, lideranças foram até o Piratini entregar ofício a representantes do governo solicitando agenda com Eduardo Leite (PSD). Já às 18h, participaram de audiência na Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. A atividade contou com a presença do deputado Adão Pretto (PT) e das deputadas Luciana Genro (PSOL) e Stela Farias (PT). O debate também foi reforçado pela presença do Procurador da República Dr. Ricardo Gralha, que se posicionou fortemente contra o PL e pretende acionar a Justiça Federal para tentar suspender sua tramitação. Seguiremos na luta em defesa dos territórios de vida e dos direitos dos povos originários! Crédito: Maí Yandara/ ATBr Amigas da Terra Brasil

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