Amigas da Terra Brasil na Plenária das Mulheres e Juventudes do Bioma Pampa

Na quarta-feira (10), a Amigas da Terra Brasil marcou presença na Plenária das Mulheres e Juventudes do Bioma Pampa, que ocorreu no Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários). A iniciativa reuniu mulheres, jovens, representantes de movimentos sociais, gestores públicos e pesquisadores para discutir estratégias voltadas à justiça climática, à igualdade de gênero e à participação social nos territórios. A atividade integra a série nacional “Plenárias das Mulheres e Juventudes nos Biomas Pós-COP30”, promovida nos seis biomas brasileiros pelo Ministério das Mulheres em parceria com a Secretaria-Geral da Presidência da República, por meio da Secretaria Nacional de Juventude. Junto a companheiras de luta, Letícia Paranhos, presidenta da ATBr, participou da mesa “Território, justiça climática e desigualdades”, onde criticou o avanço de projetos de morte da monocultura, mineração e expansão da indústria da celulose no Rio Grande do Sul. Empreendimentos que aprofundam a degradação ambiental e ampliam conflitos territoriais, especialmente em áreas ocupadas por povos indígenas, quilombolas e agricultores familiares. Reivindicamos uma transição ecológica baseada na agroecologia, na reforma agrária popular, na demarcação de terras indígenas e quilombolas e no fortalecimento das iniciativas comunitárias e solidárias que emergiram durante as enchentes de 2024. Como mencionou Letícia: “A luta pela justiça climática não é uma luta isolada. Trata-se de reconhecer a dívida ecológica histórica, compreender que muitas das soluções de mercado apresentadas hoje reproduzem formas de colonialismo verde e garantir que os povos permaneçam nos territórios, participando das decisões sobre o presente e o futuro.” O debate na mesa sobre Território, Justiça Climática e Desigualdades escancarou que o colapso ambiental não afeta a todos da mesma forma. Ficou evidente que o enfrentamento à crise climática passa, obrigatoriamente, por ouvir a sabedoria acumulada pelas periferias, juventudes e pelas mulheres que estão na linha de frente dos territórios. Diante da ameaça do racismo ambiental e do “colonialismo verde”, as vozes da plenária reforçaram que as propostas populares precisam urgentemente ser transformadas em políticas públicas reais. O acúmulo desses debates fundamentais fará parte de uma nova publicação sobre juventudes e mudanças climáticas que será lançada nas próximas semanas. Arraste para o lado para conferir os registros desse momento de articulação e luta! ✊🏽🌍🌿 👉🏽 Confira a matéria do Jornal Brasil de Fato e saiba mais👉🏽 Confira cobertura fotográfica aqui | 📷 Maí Yandara
Aqui é o Vale do Jequitinhonha! Lítio zero impacto se viola o direito à água?

Moradores da comunidade Piauí Poço Dantas, em Araçuaí, Vale do Jequitinhonha (MG), revelam como a vida mudou com a chegada da mineradora Sigma Lithium. Expondo impactos nas formas de ser e viver da população local, a comunidade denuncia o rastro de destruição que a empresa provoca. No novo vídeo da série, você confere falas de afetados e o processo de luta, que teve recente vitória popular com a Justiça impondo medidas à Sigma (já violadas). Dá o play e vem mobilizar tua revolta! A mineradora de capital canadense apela à propagandas para passar a imagem de sustentável e responsável socialmente. Por trás do discurso, permeado de colonialismo, violações de direitos humanos, dos povos e dos territórios escancaram a verdadeira preocupação da Sigma: transformar territórios de vida em zonas de sacrifício do capital, em nome do seu lucro, e com base na falsa narrativa de “lítio zero impacto” com a desculpa da transição energética. Zero impacto se a população adoece e tem o acesso à água, direito universal, violado? De que adianta uma caixa de água, com o logo da empresa, quando a água do rio que ainda tem que ser usada foi contaminada? Nas caixas de água o slogan diz “água para todos”. Todos quem, se são só mil litros de água por família? Se as cisternas que antes abasteciam as moradias, tecnologia social sustentável frente a crise hídrica, racham com as explosões da mineradora e são contaminadas por resíduos tóxicos? Para uma empresa se vender para gringo ver, está a insônia devido ao ruido incessante da mineradora, separação de famílias e a expulsão forçada de moradores. Mas, resistindo à mineração, ali está um povo que coabita com o rio, e que sonha em ter de volta a tranquilidade onde crianças brincavam, e pessoas se reuniam vindas de outras cidades para se banhar no Rio Piauí. Seguimos na luta! Aqui não é Lithium Valley, aqui é o Vale do Jequitinhonha! Confira os outros vídeos dessa série, que ainda vai contar mais a fundo a história da região e a importância da luta pelos direitos dos povos e territórios que pulsam vida: Vale do Lítio? Aqui é o Vale do Jequitinhonha: Transição energética para quê e para quem? Vale do Lítio? Aqui é o Vale do Jequitinhonha: Lítio Verde com mineração a céu aberto?
Uso de drones para pulverização de agrotóxicos no Brasil

Por meio de articulação com a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, onde Eduardo Raguse representa a Amigas da Terra Brasil (ATBr), foi desenvolvido um trabalho de peso e extrema relevância. Junto ao professor, pesquisador e advogado popular Emiliano Maldonado, que se aprofunda e milita junto ao MST, foi produzida uma uma pesquisa que resultou em publicação sobre o uso de drones para pulverização de agrotóxicos no Brasil. O material já foi apresentado em vários espaços importantes, e segue reverberando. Nos últimos anos, os drones agrícolas têm sido apresentados pelo setor do agronegócio como uma alternativa moderna e “mais segura” para a pulverização aérea de agrotóxicos, em comparação ao uso de aeronaves tripuladas. Esta tipologia de uso de drones tem crescido de maneira significativa, sem uma regulação efetiva, e sem que a capacidade fiscalizatória da aplicação desta nova tecnologia esteja desenvolvida, o que pode estar ampliando, silenciosamente, a utilização de agrotóxicos no território nacional. Leia na íntegra em:
‘Um grande encontro de saberes’: 3º SIBSA reúne mais de 600 participantes e reafirma compromisso com a justiça socioambiental

O 3º Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente (SIBSA) chegou ao fim nesta sexta-feira (29), em Cuiabá (MT), após quatro dias de debates, intercâmbio de saberes e mobilização em defesa da justiça socioambiental e do Bem Viver. Realizado na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o evento reuniu 619 participantes de todas as regiões do Brasil, com forte presença de movimentos sociais, que representaram 36% do público presente. Ao todo, a programação contou com 52 atividades, entre duas reuniões de pré-simpósio, seis Grandes Rodas, 15 Rodas de Saberes e 29 Rodas Temáticas. Para a presidente do 3º SIBSA, Karen Friedrich, o evento foi um espaço de troca de saberes e articulação de resistência. “Foi muito bonito ver as pessoas resistindo e fortalecendo sua capacidade de enfrentar esse modelo de exploração e destruição dos recursos naturais. Acho que o Brasil é um dos países que podem dar exemplo para o planeta de como a gente pode superar esse colapso ambiental. E apresentar outras formas de produzir alimentos, de conviver com a natureza, de conviver em harmonia nas cidades”, enunciou. A diversidade de perspectivas e experiências também marcou a produção científica e técnica apresentada durante o simpósio. Foram compartilhados 176 trabalhos, distribuídos entre 98 relatos de pesquisa, 62 relatos de experiência, 14 produções técnicas e duas produções artísticas. As apresentações abordaram temas relacionados aos impactos da crise climática, saúde dos territórios, povos e comunidades tradicionais, agrotóxicos, racismo ambiental, participação social, ciência comprometida com a transformação social e estratégias de resistência diante dos desafios contemporâneos. O pesquisador Guilherme Franco Netto, que também presidiu o 3º SIBSA, entende que o evento entregou para a sociedade uma agenda e caminhos para enfrentar o atual contexto, marcado pelas emergências climáticas. “O simpósio culmina em uma proposição coletiva. Queremos entregar para a sociedade uma agenda da saúde coletiva capaz de contribuir para o enfrentamento do colapso ecológico e climático. Essa é uma das nossas principais expectativas”, sistematizou. O presidente da Abrasco, Rômulo Paes de Sousa, considera que o Simpósio contribuiu para que a Abrasco amplie seu escopo de atuação e abra diálogo com outros públicos. “Um momento de celebração, de celebração da diversidade, de celebração da inclusão, de celebração da democracia. Na história da Abrasco, nós fomos mudando, nós fomos ampliando as nossas fronteiras. Este evento é um encontro que nos deixa engrandecidos, que nos deixa maravilhados, onde a tradição encontra a ciência, onde a luta política encontra a academia. Este é o melhor resultado”, comemorou. O último dia de atividades foi marcado pela conferência do climatologista Carlos Nobre, referência internacional nos estudos sobre mudanças climáticas, além da cerimônia de premiação dos trabalhos de destaque apresentados no evento. A programação de encerramento também contou com a leitura da Carta Política do 3º SIBSA, documento construído coletivamente que reúne análises, reivindicações e compromissos em defesa da saúde, da democracia, dos territórios e da vida frente ao agravamento das crises socioambientais. Durante o encerramento do Simpósio, a reitora da UFMT, Marluce Aparecida Souza e Silva, celebrou a diversidade do encontro e o comprometimento dos participantes e organizadores na construção de uma ciência socialmente engajada, que contribua com a defesa do meio ambiente, da educação e da saúde. “Estou encantada e quero agradecer, pois eventos como esse são o que mais precisamos na Universidade Federal de Mato Grosso”, afirmou. Ainda nos agradecimentos finais, a integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra de Mato Grosso (MST-MT), Itelvina Masioli, também celebrou a realização de um evento que valoriza uma ciência em defesa da vida e do povo brasileiro. “É preciso reconhecer a importância desse Simpósio, que poderia chamar de um grande encontro de saberes. Dos saberes sistematizados, pesquisados, mas também dos saberes dos nossos povos, que lutam e resistem no nosso território”, registrou. O momento solene ainda contou com a premiação de trabalhos apresentados por simposistas nas Rodas de Saberes, durante o evento. Ao todo, foram 14 produções premiadas, abordando desde a reorganização da Atenção Primária à Saúde diante das emergências climáticas até os impactos do uso de agrotóxicos e seus desdobramentos para a saúde reprodutiva. Confira os trabalhos premiados! Além dos trabalhos, também houve um momento para premiar os filmes que participaram da mostra audiovisual do evento em homenagem a Silvio Tendler. Foram 30 produções inscritas. Os trabalhos premiados foram: “Entre Orações e Montanhas” (2025), de Danilo Candombe; “Terra Nova” (2023), de Ziel Karapotó; e “Equilíbrio” (2020), de Olinda Tupinambá. A organização também aproveitou o momento para homenagear pessoas e coletivos que contribuíram com a área de Saúde e Ambiente, no campo da Saúde Coletiva, e na luta em defesa da saúde, especialmente de populações vulnerabilizadas. Os pesquisadores e abrasquianos Lia Giraldo e Wanderlei Pignati foram agraciados, assim como a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. Também houve uma homenagem póstuma ao cineasta e documentarista Silvio Tendler. +++ Saiba mais – 3º SIBSA: ‘Antes de ser cinema, o meu trabalho é escuta’; homenagens a Silvio Tendler inspiram debates sobre arte e território Por uma agenda socioambiental da Saúde Coletiva frente ao colapso ecológico e climático O pesquisador Carlos Nobre ministrou, por vídeo, a última conferência do 3º SIBSA. O cientista falou sobre “Por uma agenda socioambiental da Saúde Coletiva frente ao colapso ecológico e climático”. Nobre trouxe diversos dados sobre os impactos das emergências climáticas na saúde, com ênfase na poluição do ar provocada pelo uso de combustíveis fósseis e pelas queimadas. De acordo com o membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), já há estudos que indicam 150 mil casos de doenças relacionadas às queimadas em municípios da região Amazônica. Algumas pesquisas apontam, inclusive, queda na expectativa de vida da população em virtude da má qualidade do ar. Carlos Nobre também fez um alerta sobre as ondas de calor. O aumento da temperatura média mundial em 1,5°C traz sérios impactos para a saúde das populações. “Essas ondas de calor, hoje, já estão levando a mais de 500 mil mortes por ano, especialmente de pessoas idosas, bebês e pessoas com alguma doença. No Brasil, entre 10 e 14 mil
CMPC: as artérias da exploração que ligam a oligarquia chilena ao sul do Brasil

Herdeira de uma histórica concentração fundiária no Chile, a companhia de celulose avança sobre novos territórios no Rio Grande do Sul.
Audiência Pública sobre nova fábrica da CMPC Celulose é marcada por pressão popular e defesa do Pampa, Guaíba e dos povos

Nesta quarta-feira (20) estivemos com coletivos, movimentos sociais, técnicos de diferentes áreas, comunidades pesqueiras e indígenas na Audiência Pública sobre a nova fábrica da CMPC Celulose, prevista para Barra do Ribeiro (RS), em território tradicional do povo Mbyá Guarani. Conforme relatos, comunidades da pesca tradicional não foram consultadas e as comunidades Guaraní não tiveram seu protocolo de consulta respeitado e têm sido assediadas. Caracterizando grave violação à Resolução OIT 169, que prevê a Consulta Livre, Prévia e Informada às populações atingidas por empreendimentos. Falas contrapuseram o marketing verde da CMPC. Foram revelados os impactos da fábrica de Guaíba (RS) na qualidade de vida de moradores. Foram apresentados dados técnicos que questionam relatórios produzidos pela empresa, e apontam para omissões e problemas metodológicos A CMPC segue afirmando que é sustentável. O projeto para Barra do Ribeiro, o “Projeto Natureza”, terá impacto profundo na água de Porto Alegre e região. A carga poluidora prevista é de 240 milhões de litros de efluentes despejados, por dia, no Guaíba. A silvicultura é outra ameaça. O cultivo de plantas industriais de árvores (os desertos verdes dos monocultivos) no Bioma Pampa não está sendo levado em consideração neste licenciamento ambiental. Resultado é deterioração do solo, perda da diversidade que mantém o ecossistema, aumento de desequilíbrios que intensificam o colapso ambiental via estiagens prolongadas ou enchentes históricas. Quem vê árvore, não vê floresta. Quem planta monocultivo, colhe emergência climática. Esse desenvolvimento que queremos? Confira a cobertura fotográfica completa aqui Ao repetir o quanto o projeto importa em cifras bilionárias, tão distantes da realidade da população, apoiadores das políticas de morte esquecem que não há vida sem ar, água e terra vivas. Só 40 pessoas puderam entrar na Audiência, muitas ficaram fora da discussão. Questionamentos da população seguem sem respostas. Urgem mais espaços de debate e audiências sobre o tema. Nossa vida e nosso futuro estão em jogo, é preciso levar essa pauta à toda sociedade gaúcha. No vídeo abaixo, Letícia Paranhos, presidenta da Amigas da Terra Brasil, expõe junto a companheiras da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) como foi a Audiência Pública e o que está em debate com expansão das atividades da CMPC: https://www.instagram.com/p/DYmeEzhgBGZ/ Seguimos em luta ✊🏽 Produzimos uma série de materiais que relatam o descaso da CMPC com o povo e que denunciam o capitalismo verde da empresa, assim como seus impactos e das atividades do ramo da celulose. Confira: >>>Artigo “CMPC: Nova fábrica, velhos impactos?” >>>Estudo Expansão dos desertos verdes em um Pampa em Extinção >>>Cartilha Popular: Nova expansão das monoculturas de eucalipto para a celulose ameaça bioma Pampa
Seguimos em luta para barrar o “Projeto Natureza” da CMPC Celulose

Projeto Natureza? É assim que a empresa CMPC Celulose chama sua expansão e acúmulo de capital. Sabemos que eucalipto em expansão = pampa em extinção e fazemos defesa à vida! Na quarta-feira (20), às 10h30, estaremos na Audiência Pública na Assembleia Legislativa de Porto Alegre (RS), para debater a implementação de uma nova fábrica de celulose da CMPC, em Barra do Ribeiro. Vem junto? Por trás de muita maquiagem verde, o chamado “Projeto Natureza” esconde riscos alarmantes. A realidade é de contaminação, adoecimento, violações de direitos, ameaça às comunidades e destruição do bioma. Os lucros desse modelo de desenvolvimento ficam na mão de poucos, mas os prejuízos ambientais e a crise climática são compartilhados de forma cada vez mais intensa e desigual. Não podemos pagar essa conta com o nosso futuro. A fábrica de celulose da CMPC, em Guaíba (RS), despeja em média 150 milhões de litros de poluentes no rio Guaíba, por dia. Com a nova fábrica, a poluição diária produzida pela empresa será superior ao volume diário de esgoto sanitário lançado por Porto Alegre inteira. É possível chamar de “natureza” um projeto que planeja despejar cerca de 240 milhões de litros de poluentes por dia no Guaíba, rio que abastece a capital gaúcha e inúmeros municípios? Natureza morta, só se for. Altamente poluidor, o projeto pode impactar mais de mil pescadores, que sequer estão sendo consultados sobre o empreendimento. Que projeto natureza é esse que quer se instalar em território originário Mbyá-Guarani e que, ao invés de estar indenizando este povo por ter destruído e impedido a ocupação do território, o assedia e desrespeita o seu direito a uma consulta verdadeiramente Livre, Prévia e Informada? Violação da OIT 169 e racismo ambiental, que chama? O projeto da CMPC é a cara da proposta de desenvolvimento (de tragédias anunciadas) que nos trouxe até as crises ambiental e climática que vivemos. Urge pautarmos a defesa das nossas águas, das comunidades tradicionais e do Pampa. No vídeo, Eduardo Raguse, da Amigas da Terra Brasil, reporta sobre: https://www.instagram.com/reel/DYh3s-HR76X/?igsh=NXFsZHFiczI3Nzky Marque amizades, compartilhe o post, e o mais importante, compareça. Não podemos nos calar. É preciso barrar esse retrocesso. Saiba mais sobre aqui Confira também a nossa cartilha popular sobre o tema, você pode baixar o material neste link
CMPC: Nova fábrica, velhos impactos?

Por Eduardo Raguse* Por volta das 13:40, do dia 05 de maio de 2026, ocorreu a despressurização de emergência da caldeira da fábrica de celulose da empresa CMPC, no município de Guaíba. O evento causou grande susto e apreensão entre os moradores do entorno da indústria devido ao ruído fortíssimo, odor e grande quantidade de emissões atmosféricas (com chuvisqueiro nas casas dos moradores). Há relatos de pessoas com dor nos ouvidos, dor de cabeça e mal-estar, e de animais domésticos assustados. Apesar da empresa informar em comunicado aos morados de que a situação se normalizaria em aproximadamente 20 minutos, a duração foi de cerca de uma hora. A despressurização é uma ação emergencial para evitar acidentes maiores como rompimentos, vazamentos ou explosão, e segundo informações extraoficiais, teria sido realizada por ter sido encontrada uma “rachadura” em alguma das estruturas do equipamento. Em resposta aos diversos moradores que acionaram o número de Emergência Ambiental da FEPAM, o órgão ambiental respondeu: “A CMPC informou que tiveram que realizar esse procedimento de forma emergencial visto suspeita de vazamento da caldeira.” Não é a primeira vez que ocorrem episódios de emergência na empresa, principalmente após a quadruplicação de sua capacidade produtiva, ocorrida em 2015, autorizada através de um licenciamento ambiental que se mostrou, se não completamente equivocado tecnicamente, com muitos limites que deveriam ser revistos, já que claramente o ambiente local demonstra não ter capacidade de suporte para os riscos e impactos causados, que foram objeto de muito enfrentamento de moradores locais, e até processo judicial por crime ambiental, situação que foi “acomodada” através de um Termo de Ajustamento de Conduta firmado pela CMPC com o Ministério Público, e por uma compra estratégica de casas de parte destes moradores, pela empresa. Segue um pequeno histórico:Em maio de 2015, cinco trabalhadores da empresa foram hospitalizados e a empresa fechada pela FEPAM após vazamento de dióxido de cloro. Em maio de 2016, dez funcionários foram levados a atendimento médico após vazamento do mesmo gás. Em fevereiro de 2017 houve um acidente grave nesta mesma caldeira, inaugurada há menos de dois anos, levando à paralização total da fábrica nova até novembro de 2017. O caso foi parar em uma disputa judicial entre a empresa e a seguradora Mapfre, que teve que pagar R$ 1,1 bi de indenização. Em fevereiro de 2019 um trabalhador morreu após ser prensado por equipamento na fábrica. Em setembro de 2022 houve incêndio na caldeira da fábrica antiga, que segue em operação. Em fevereiro de 2025 houve, novamente, um grave vazamento de cloro, desta vez ultrapassando os limites do pátio da empresa, levando moradores ao pânico, com sensação de sufocamento, forte ardência e queimação nos olhos e nariz, náusea, salivação e dor de cabeça. Atingiu também trabalhadores e levou alguns ao desmaio. Parte da empresa foi evacuada e a operação paralisada. Já ocorreu despressurização emergencial da caldeira inclusive durante a noite, em abril de 2025, onde apesar de ter sido noticiado ser uma operação de rotina a empresa, depois de pressionada, admitiu aos moradores que foi mais uma ação emergencial. Em junho de 2025 ocorreu a morte de um trabalhador terceirizado na fábrica, sem detalhes públicos sobre o ocorrido. Fora a constante geração de ruído (somente legalizada por uma outra “acomodação”, desta vez no Plano Diretor de Guaíba) e de odor de compostos reduzidos de enxofre, que ultrapassa os muros da empresa, atingindo diferentes pontos de Guaíba, a depender da direção dos ventos, desrespeitando de maneira continua a Licença de Operação. Estes episódios recorrentes, e outros que possivelmente não venham a público, acendem um alerta quanto à qualidade e aos níveis de controle da operação e de segurança do trabalho desta indústria de alto risco, que está instalada há poucos metros de centenas de residências da zona sul de Guaíba. Fica explicito também a falta de um Plano de Emergência, ou mesmo qualquer tipo de orientação aos moradores do entorno em casos de acidentes na empresa, os moradores literalmente não sabem para onde correr caso precisem se proteger de algum vazamento de gás tóxico, incêndio ou explosão na fábrica. É evidente, há anos, a necessidade de se garantir melhores condições de segurança aos trabalhadores da CMPC e de qualidade de vida para os moradores do entorno, fatos que, mesmo sendo de alta gravidade, não tem medidas eficazes tomadas pelas autoridades responsáveis à nível municipal ou estadual, além disto estes fatos não são sequer discutidos pela sociedade, construindo uma aparência de que as operações industriais e os monocultivos de eucaliptos no Bioma Pampa não causam nenhum impacto, o que é reforçado pelas ações de mídia da CMPC, a patrocinadora do Campeonato Gaúcho de Futebol, que até tem um time fictício chamado Defensores da Natureza! Mas, para além do que ocorre onde a CMPC já opera, é preciso alertar que a empresa está em processo de licenciamento ambiental para a instalação de uma fábrica ainda maior que a de Guaíba, no município vizinho de Barra do Ribeiro. Utilizando o mesmo sistema de branqueamento, que não é Totalmente Livre de Cloro, o que seria a melhor tecnologia disponível. Aqui questionamos também, ainda é necessário seguir branqueando papel? Já foram identificadas, por um grupo multidisciplinar de técnicos e pesquisadores, uma série de omissões, lacunas e problemas no Estudo de Impacto Ambiental do chamado “Projeto Natureza”, que faria uso massivo de água do Guaíba e consequentemente despejaria uma nova carga de poluição também massiva em nosso querido e tão maltratado manancial (242 milhões de litros por dia, que somados aos 154 milhões de litros já despejados por dia pela fábrica de Guaíba equivalem à um volume superior ao que Porto Alegre gera de esgoto diariamente), seus poluentes incluem o despejo potencial de dioxinas e furanos – altamente tóxicos, e elementos como nitrogênio e fósforo que podem agravar os episódios de floração de cianobactérias, que levam àquela conhecida coloração esverdeada e às alterações de gosto e odor da nossa água e que também podem gerar substâncias tóxicas. Mais de mil pescadores podem ser impactados, segundo estimativas desta comunidade
Resumo da Cúpula dos Povos da ATI

A Cúpula dos Povos foi um processo histórico de convergência que reuniu mais de 600 movimentos sociais e organizações durante dois anos e culminou em uma Cúpula presencial realizada de 12 a 16 de novembro, onde se reuniram mais de 25 mil pessoas para articular uma visão de mudança sistêmica, independente da COP 30. A declaração final articula uma análise comum e um compromisso com a luta internacionalista contra o genocídio, a extrema direita e o imperialismo, e reconhece os sistemas capitalistas, patriarcais e coloniais de opressão como as causas fundamentais das crises climáticas e ambientais. Apresenta propostas dos povos, como enfrentar as falsas soluções, implementar a soberania alimentar, as economias feministas e as transições, que ressoam fortemente com a agenda da FoEI para a mudança do sistema. A Amigos da Terra Internacional liderou e participou ativamente no processo da Cúpula dos Povos, com representação no Comitê Político da Cúpula (Lucia Ortiz pelo Brasil, Lise/Kirtana pela FoEI) e com uma delegação diversificada de 70 pessoas em Belém. Um cumprimento especial à FoE Brasil/Amigas da Terra Brasil e à região ATALC, que forneceram apoio logístico e político durante todo o processo e nos receberam no Brasil com carinho e atenção. Juntas, a nossa delegação diversificada marchou, cantou, debateu, fez contribuições importantes para o eixo temático e as convergências da Cúpula dos Povos e trouxe análises políticas de outros movimentos para a FoEI. A delegação da JMA em Belém incluiu grupos da Tierra Nativa (Amigos da Terra Argentina), Amigos da Terra Brasil, BELA (Amigos da Terra Bangladesh), Coecoceiba (Amigos da Terra Costa Rica), CENSAT (Amigos da Terra Colômbia), REDES (Amigos da Terra Uruguai), Cesta (Amigos da Terra El Salvador), FoE Espanha, FoE Gana, FoE Japão, CEJ (FoE Sri Lanka), FoE EUA, FoE África, LRC-KSK (FoE Filipinas), Milieudefensie (FoE Países Baixos), PENGON (FoE Palestina), UDAPT (FoE Equador), WALHI (FoE Indonésia), Otros Mundos (Amigos da Terra México), Amigos da Terra Índia, Amigos da Terra Granada, JA! (Amigos da Terra Moçambique), groundWork (Amigos da Terra África do Sul), bem como a representação dos programas FS, FB e EJRN, outras estruturas da Amigos da Terra Internacional e a equipe da Rádio Mundo Real. Estas são algumas das principais atividades em que a FoEI participou: 12 de novembro Barqueata / Marcha de barcos Mais de 200 barcos, com 500 pessoas de mais de 60 países, participaram nesta atividade de lançamento da Cúpula dos Povos. A delegação da FoEI se dividiu entre o barco Solidariedade com a Palestina, onde Jamal, da PENGON, proferiu um discurso poderoso, e o barco Internacionalista, onde nos reunimos com os nossos aliados La Vía Campesina, a Marcha Mundial das Mulheres, a Aliança Global pela Justiça de Base e outrxs. A delegação da Amigos da Terra Brasil, composta por 20 pessoas, desde o Pampa até a Amazônia, entre as quais jovens, mulheres das periferias urbanas, líderes quilombolas da AMAY -CoMPaz e o cacique Jaime Vhraguyra, liderança dos povos indígenas guarani, juntou-se a Kirtana, que falou em nome da Amigos da Terra Internacional em uma conferência ao lado do cacique Raoni e outros líderes do movimento social amazônico no barco “Caravana da Resposta”, uma mobilização que percorreu mais de 3 mil quilômetros desde Sinop (Mato Grosso) até Belém (Pará) com mais de 300 líderes indígenas, ribeirinhos, quilombolas e camponeses denunciando os impactos dos produtos agro-minerais e dos desenvolvimentos de infraestrutura voltados para a exportação na região, como a ferrovia Ferrogrão e a hidrovia Tapajós. 13 de novembro: Plenárias temáticas O centro da Cúpula dos Povos foram os debates sobre os seis eixos temáticos, que ocorreram online antes da Cúpula e culminaram em plenárias populares com entre mil e 3 mil pessoas na própria Cúpula. Lise e Letícia, da FoEI, cofacilitaram o Eixo II: Reparações Históricas, Luta contra o Racismo Ambiental, Falsas Soluções e Poder Corporativo. Na sessão plenária, Pablo, da UDAPT – Amigos da Terra Equador, juntamente com Leti e MAB (Movimentos de Povos Afetados por Barragens do Brasil), representaram a Campanha Global para Desmantelar o Poder Corporativo, exigindo um Tratado Vinculante sobre Empresas Transnacionais em matéria de Direitos Humanos, enquanto Jamal, da PENGON, fez contribuições sobre o papel das empresas no apartheid e no genocídio na Palestina. Nos web seminários anteriores, Lyda, da CENSAT, fez contribuições importantes sobre as falsas soluções. Mercedes, da Amigos da Terra Argentina, e Yegeshni e Nerisha, da groundWork, participaram dos web seminários do Eixo III – Transição Justa, Popular e Inclusiva, e vários delegados da Amigos da Terra Internacional participaram das plenárias online. Mercedes e Natalia, da Tierra Nativa, também montaram um estande com materiais da FoEI fora da sessão plenária, que foi muito bem recebido. Eduardo, da Amigos da Terra Brasil, também se juntou à sessão plenária III e levou ao microfone Chico, da comunidade afetada pela Sigma Lithium em Minas Gerais, em articulação com o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM). 14 de novembro: Plenárias temáticas e assembleia dos movimentos sociais Lucia Ortiz, da Amigos da Terra Brasil, e Danilo, do CENSAT/facilitador regional, cofacilitaram a Eixo IV: Contra as Opressões, pela Democracia e pelo Internacionalismo Popular. Esta foi a maior de todas as plenárias, com canções de protesto, cânticos e discursos, entre eles o de Sarath (Amigos da Terra Índia) e Bertita, filha de Berta Cáceres. Lucia facilitou a plenária e Danilo apoiou na preparação da síntese política. Jamal, da PENGON Amigos da Terra Palestina, Ricardo, da CESTA Amigos da Terra El Salvador, e Scarlet, da UDAPT- Amigos da Terra Equador, também se juntaram aos web seminários anteriores sobre a construção das denúncias do Eixo IV e os anúncios sobre as lutas de solidariedade internacionalista. A FoEI, juntamente com os nossos aliados estratégicos La Vía Campesina e a Marcha Mundial das Mulheres (MMM), e com muitos aliados de movimentos sociais da região (ALBA Movimentos, MAB, MST, MTST, APIB e outros), organizou a Assembleia de Movimentos Sociais, uma poderosa sessão plenária política centrada nos movimentos sociais de base que se reuniram para apresentar as suas agendas de mudança e futuro, e se comprometeram a construir a
Declaração da Cúpula dos Povos rumo à COP30

Nós, da Cúpula dos Povos, reunidos em Belém do Pará, na Amazônia brasileira, de 12 a 16 de novembro de 2025, declaramos aos povos do mundo o que acumulamos em lutas, debates, estudos, intercâmbios de experiências, atividades culturais e depoimentos, ao longo de vários meses de preparação e nestes dias aqui reunidos. Nosso processo reuniu mais de 70.000 pessoas que compõem movimentos locais, nacionais e internacionais de povos originários e tradicionais, camponeses/as, indígenas, quilombolas, pescadores/as, extrativistas, marisqueiras, trabalhadores/as da cidade, sindicalistas, população em situação de rua, quebradeiras de coco babaçu, povos de terreiro, mulheres, comunidade LGBTQIAPN+, jovens, afrodescendentes, pessoas idosas, dos povos da floresta, do campo, das periferias, dos mares, rios, lagos e mangues. Assumimos a tarefa de construir um mundo justo e democrático, com bem viver para todas e todos. Somos a unidade na diversidade. O avanço da extrema direita, do fascismo e das guerras ao redor do mundo exacerba a crise climática e a exploração da natureza e dos povos. Os países do norte global, as corporações transnacionais, e as classes dominantes são os maiores responsáveis por essas crises. Saudamos a resistência e nos solidarizamos com todos os povos que estão sendo cruelmente atacados e ameaçados pelas forças do império estadunidense, Israel e seus aliados da Europa. Há mais de 80 anos, o povo palestino tem sido vítima de genocídio praticado pelo Estado sionista de Israel, que bombardeou a faixa de Gaza, deslocou pela força milhões de pessoas e matou dezenas de milhares de inocentes, a maioria crianças, mulheres e idosos. Nosso repúdio total ao genocídio praticado contra a Palestina. Nosso apoio e abraço solidário ao povo que bravamente resiste, e ao movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS). Ao mesmo tempo, no mar do Caribe, os Estados Unidos intensificam sua presença imperial. Fazem-no expandindo operações conjuntas, acordos e bases militares, em conluio com a extrema direita, sob o pretexto de combate ao narcotráfico e ao terrorismo, como com a operação recém anunciada “Lança do Sul”. O imperialismo segue ameaçando a soberania dos povos, criminalizando movimentos sociais e legitimando intervenções que historicamente serviram aos interesses privados na região. Nos solidarizamos à resistência da Venezuela, Cuba, Haiti, Equador, Panamá, Colômbia, El Salvador, República Democrática do Congo, Moçambique, Nigéria, Sudão, e com os projetos de emancipação dos povos do Sahel, Nepal e de todo o mundo. Não há vida sem natureza. Não há vida sem a ética e o trabalho de cuidados. Por isso, o feminismo é parte central do nosso projeto político. Colocamos o trabalho de reprodução da vida no centro, é isso que nos diferencia radicalmente dos que querem preservar a lógica e a dinâmica de um sistema econômico que prioriza o lucro e a acumulação privada de riquezas. Nossa visão de mundo está orientada pelo internacionalismo popular, com intercâmbios de conhecimentos e saberes, que constroem laços de solidariedade, lutas e de cooperação entre nossos povos. As verdadeiras soluções são fortalecidas por esta troca de experiências, desenvolvidas em nossos territórios e por muitas mãos. Temos o compromisso de estimular, convocar e fortalecer essas construções. Por isso, saudamos o anúncio da construção do Movimento Internacional de Atingidas e Atingidos por barragens, pelos crimes socioambientais e pela crise climática. Iniciamos nossa Cúpula dos Povos navegando pelos rios da Amazônia que, com suas águas, nutrem todo o corpo. Como o sangue, sustentam a vida e alimentam um mar de encontros e esperanças. Reconhecemos também a presença dos encantados e de outros seres fundamentais na cosmovisão dos povos originários e tradicionais, cuja força espiritual orienta caminhos, protege territórios e inspira as lutas pela vida, pela memória e por um mundo de bem viver. Depois de mais de dois anos de construção coletiva e de realizar a Cúpula dos Povos, afirmamos: Frente a esses desafios, propomos: Por fim, consideramos que é tempo de unificar nossas forças e enfrentar o inimigo comum. Se a organização é forte, a luta é forte. Por esta razão, a nossa tarefa política principal é o trabalho de organização dos povos em todos os países e continentes. Vamos enraizar nosso internacionalismo em cada território e fazer de cada território uma trincheira da luta internacional. É tempo de avançar de modo mais organizado, independente e unificado, para aumentar nossa consciência, força e combatividade. Este é o caminho para resistir e vencer. “Povos do mundo: Uni-vos”






