Estudo ‘Expansão dos desertos verdes em um Pampa em Extinção” aborda resistência popular e impactos dos monocultivos de árvores

A história de violações de direitos, exploração e opressões causada por corporações aos territórios de vida é antiga. Assim como os processos de luta na construção de horizontes de emancipação e soberania popular. Hoje, projetos de morte do setor da celulose ganham força com a flexibilização da legislação ambiental. Novas fábricas estão sendo anunciadas e construídas em diversas partes do Brasil. Um exemplo é a nova fábrica proposta pela empresa chilena CMPC em Barra do Ribeiro (RS), em fase de licenciamento ambiental e hipocritamente chamada de “Projeto Natureza”. Caso seja instalada, ela demandará uma nova expansão das monoculturas de eucalipto, o que afeta mais uma vez o Bioma Pampa e os seus povos. O estudo “Expansão dos desertos verdes em um Pampa em Extinção”, escrito pelo engenheiro ambiental Eduardo Raguse, da Amigas da Terra Brasil, Comitê de Combate à Megamineração do Rio Grande do Sul e também da coordenação nacional do Movimento por Soberania Popular na Mineração (MAM), faz um mergulho na temática. Com o enfoque em apontar como a nova expansão das monoculturas de eucalipto para produção de celulose ameaçam o bioma e sua diversidade de vidas, o material também expõe o cenário nacional e aborda processos de resistência popular frente ao avanço dos desertos verdes*. Embasado numa série de dados das ciências naturais, políticas, econômicas e sociais, o estudo traz mapas, infográficos, dados e faz um apanhado histórico. Neste, apresenta uma linha do tempo das corporações de celulose atuantes no Rio Grande do Sul, evidenciando a relação do setor com desmontes na legislação ambiental e com ditaduras militares no Brasil e no Chile. Chegando ao atual momento, traz o caso da CMPC e sua atuação no RS, destacando os impactos da quadruplicação da fábrica da celulose em Guaíba e do “Projeto Natureza”, além da lavagem verde. Marcado pelo contexto da emergência climática global, o estudo também analisa a relação dos monocultivos de eucalipto com a enchente histórica no RS e as falsas soluções de mercado propostas pelo setor da celulose, como é o caso dos créditos de carbono sujos, que escancaram contradições entre o discurso e a prática empresarial. Baixe o PDF do estudo na íntegra aqui: Frente a essa nova ofensiva do capital, quando mais uma vez corporações destroem territórios de vida para avançarem com seus projetos poluidores e destruidores da natureza, tudo em nome do lucro, manifestamos que “quem vê árvore, não vê floresta”. Denunciamos a expansão das monoculturas, sua cadeia logística industrial e seus impactos ambientais e sociais. Em defesa das matas, águas, gentes e do clima, seguimos exigindo que as soluções sejam as dos povos, com demarcação de territórios indígenas, titulação quilombola, reforma agrária popular e agroecologia para a produção de alimentos. Seguimos em luta! Acesse também a nossa cartilha popular sobre o tema: *Os desertos verdes são assim chamados pois consistem no plantio de árvores de uma única espécie (monocultura) com finalidade comercial. Diferentemente de áreas naturais de florestas ou campos nativos, que possuem alta biodiversidade, os desertos verdes são formados por extensas áreas com uma única espécie.

Bioma Pampa na Cúpula dos Povos

Uma plenária na noite dessa 2ª feira (7/07), no Sindbancários, em Porto Alegre (RS), inicia um novo ciclo de reuniões periódicas realizadas com o objetivo de mobilizar populações, entidades e movimentos sociais em defesa do Bioma Pampa rumo à Cúpula dos Povos. Fotos no final deste texto Até agora, ocorreram 5 encontros desde abril, com o objetivo de articular territórios e organizações para construir um discurso unitário. “Nosso objetivo é unificar as pautas dos povos do Pampa rumo à Cúpula dos Povos no Pará, no final do ano, para chegar lá em unidade com as demandas”, explica Felipe Amaral, da Amigas da Terra Brasil, que participa desde o início da iniciativa. Essa articulação na Capital gaúcha resultou na Frente de Mobilização Bioma Pampa, que levará a discussão para a região metropolitana e o interior do Rio Grande do Sul. A próxima atividade de Plenária Livre acontece em 11 de agosto, às 19h, na Câmara Municipal de São Leopoldo, no Vale do Sinos; até lá, outras atividades de mobilização acontecem quinzenalmente. A reunião de agosto, organizada pela Associação Roessler, referência na luta ambiental na região e no estado, terá como tema a gestão das bacias hidrográficas no enfrentamento à crise climática e o tratado de educação ambiental frente à crise climática. Outros eventos estão sendo programados, ainda sem data definida, nas cidades de Pelotas e Rio Grande, no Sul gaúcho, e em Bagé, na Campanha. Há possibilidade, ainda, de acontecer um evento internacional no segundo semestre. A metodologia empregada pela Frente de Mobilização Bioma Pampa é similar à praticada pela Cúpula dos Povos: perguntas sobre como o poder corporativo das grandes empresas e a urgência climática afetam os territórios e quais as alternativas que as populações e os movimentos sociais propõem ao modelo vigente, orientam o debate e as contribuições dos participantes. O Pampa, com campos e banhados ricos em biodiversidade, é o bioma mais ameaçado do Brasil devido a projetos de mineração e à expansão do agronegócio com o monocultivo de eucalipto. E corre sério risco de extinção frente às sucessivas flexibilizações da legislação ambiental. Siga as nossas redes sociais:INSTAGRAM: amigasdaterrabrFACEBOOK: amigasdaterrabrasilX/ TWITTER: amigasdaterrabr Amigas da Terra Brasil

Série “Por dentro do Pampa: conservação, desafios e políticas ambientais” debate a relevância da defesa do bioma e de seus povos

Série lançada pela Amigas da Terra Brasil em parceria com a especialista Luiza Chomenko traz a tona reflexões cruciais sobre o Pampa. Além de contextualizar as atuais ameaças, aponta caminhos para assegurar a defesa dos direitos humanos e dos povos, assim como do bioma Os desmontes em proteção ambiental e em políticas que incluem a natureza, assim como o avanço de novo ciclo de monocultivos no Rio Grande do Sul (RS), se entrelaçam com antigas violências que incidem nos territórios de vida gaúchos. As nascentes e águas que correm, os banhados e os campos nativos, assim como a cultura dos povos tradicionais, quilombolas e indígenas e todo o bioma Pampa estão ameaçados. Mas a luta continua, e a defesa dos biomas e dos povos é crucial para frear a emergência climática e garantir direitos. A pesquisadora e doutora em Biologia, Luiza Chomenko, se dedica há mais de três décadas à questão socioambiental e à defesa do Pampa, que significa, também, a defesa de nossas vidas. Na série “Por dentro do Pampa: conservação, desafios e políticas ambientais” trazemos esse debate à tona na voz de Luiza, salientando as riquezas do bioma, que estão especialmente nas suas gentes e histórias. Além disso, a especialista compartilha seus conhecimentos e reflexões sobre o atual contexto do Pampa, que está sob ameaça com uma série de projetos que, em nome do lucro, ignoram os ciclos de vida. Confira mais sobre o Pampa no livro “Nosso Pampa desconhecido”, organizado por Luiza Chomenko e Glayson Ariel Bencke A série conta com quatro vídeos, em que Luiza aborda a relevância da cultura do Pampa e de suas gentes, que se conectam e coabitam com os ciclos de vida do bioma. A pesquisadora destaca a diversidade de fauna e flora entre banhados, zonas úmidas e áreas campestres, apresentando também reflexões sobre crédito de carbono e os impactos dos monocultivos – que de plantios industriais de árvores à expansão da soja no RS, causam o descampamento do Pampa, a remoção de comunidades tradicionais e o risco de eliminação de espécies. O que é o Pampa e a sua importância No primeiro vídeo, Luiza expõe qual é a atual situação do bioma, destacando a importância de sua preservação. Aborda, ainda, as dificuldades em relação a políticas efetivas que valorizem na prática a sociobiodiversidade. Ponto que, quando não é considerado, coloca em risco a sobrevivência do Pampa. A riqueza do Pampa está na sua gente e na sua cultura No segundo vídeo da série, a pesquisadora e doutora em biologia se debruça na importância inestimável do bioma, que abriga milhares de espécies e uma diversidade singular. Também expõe a relevância dos povos e da cultura que nele coabitam, indicando que uma das maiores riquezas deste está na sua gente e na sua cultura, intimamente conectada à natureza. Neste episódio abordamos como os modelos inadequados de uso de solo, nas áreas rurais e urbanas, se relacionam às ameaças ao Pampa, colocando em risco a própria sobrevivência de comunidades tradicionais – forçando sua remoção e causando impactos ambientais, culturais, psicológicos e emocionais. Luiza fala das consequências do descampamento, fenômeno de devastação do campo, que também elimina espécies de relevância global e espécies endêmicas, quando o RS possui extensas listas sobre fauna e flora ameaçadas de extinção. Pontos ignorados, mas que são fundamentais na formulação de ações e políticas em defesa do Pampa. Quem vê árvore não vê campo O terceiro vídeo da série traz à tona o que há tempo ressaltamos: quem vê árvore, não vê floresta. E mais, não vê o campo, tão presente na cultura, história e na vida dos povos do bioma Pampa. Existe uma diferença gritante entre o cultivo de árvores nativas e os plantios maciços de árvores industriais, também conhecidos como monocultivos de árvores. Luiza Chomenko,dedica a vida à defesa do Pampa e de suas gentes, e questiona o que significa na prática o monocultivo, seja de árvores, seja de soja, que avança no Pampa colocando em risco suas possibilidades de existência. Aponta, ainda, a falácia da geração de emprego dos projetos de celulose no estado (relacionados ao monocultivo de eucaliptos). No vídeo, a especialista também expõe como o avanço da expansão do cultivo de soja no Rio Grande do Sul e do monocultivo de árvores se atrela ao Descampamento, que é a devastação dos campos nativos. Este avanço, em nome da concentração de lucro de poucos e de grandes empresas, visa um horizonte imediatista, que ameaça sobretudo a pecuária extensiva dos povos tradicionais do Pampa, trazendo um impacto socioecológico e cultural ao bioma. “Precisamos fazer um uso adequado dos terrenos. Se continuarmos com esses planos de lucro imediato, colocamos em risco a sobrevivência do bioma e, mais ainda, a cultura, a população e a economia regional e nacional”, evidencia.  A verdadeira sustentabilidade considera os ciclos de vida Finalizando a série, Luiza Chomenko fala sobre os ciclos de vida do bioma. Não há sustentabilidade real, tampouco justiça socioambiental, quando os ciclos de vida do Pampa, assim como de outros biomas, são ignorados. Quando isto ocorre, o que parece à primeira vista uma solução ou ecologicamente viável, se mostra a longo prazo um fator que aprofunda crises como a da biodiversidade e climática, ameaçando povos, culturas e ecossistemas inteiros. Tendo isto em vista, a especialista reafirma a relevância de políticas e ações considerarem os ciclos de vida do Pampa e traz uma série de questionamentos, que englobam o debate de certificações, do crédito de carbono e dos monocultivos, mas também questionando o modelo de desenvolvimento baseado em produção de comodities, sejam elas oriundas de árvores ou de grãos. “Será que estamos apenas pensando no ganho financeiro com estes plantios? Eu quero entender mais: como foi esse plantio? Onde ele ocorreu? Qual foi o impacto desse plantio no ambiente? Será que houve a remoção de comunidades tradicionais que viviam nesse local? Precisamos considerar tudo isso antes de celebrar os benefícios financeiros”, expõe. Além do avanço do agronegócio e das ameaças do novo ciclo de monocultivos no Rio Grande do Sul,

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