Resumo da Cúpula dos Povos da ATI

A Cúpula dos Povos foi um processo histórico de convergência que reuniu mais de 600 movimentos sociais e organizações durante dois anos e culminou em uma Cúpula presencial realizada de 12 a 16 de novembro, onde se reuniram mais de 25 mil pessoas para articular uma visão de mudança sistêmica, independente da COP 30. A declaração final articula uma análise comum e um compromisso com a luta internacionalista contra o genocídio, a extrema direita e o imperialismo, e reconhece os sistemas capitalistas, patriarcais e coloniais de opressão como as causas fundamentais das crises climáticas e ambientais. Apresenta propostas dos povos, como enfrentar as falsas soluções, implementar a soberania alimentar, as economias feministas e as transições, que ressoam fortemente com a agenda da FoEI para a mudança do sistema. A Amigos da Terra Internacional liderou e participou ativamente no processo da Cúpula dos Povos, com representação no Comitê Político da Cúpula (Lucia Ortiz pelo Brasil, Lise/Kirtana pela FoEI) e com uma delegação diversificada de 70 pessoas em Belém. Um cumprimento especial à FoE Brasil/Amigas da Terra Brasil e à região ATALC, que forneceram apoio logístico e político durante todo o processo e nos receberam no Brasil com carinho e atenção. Juntas, a nossa delegação diversificada marchou, cantou, debateu, fez contribuições importantes para o eixo temático e as convergências da Cúpula dos Povos e trouxe análises políticas de outros movimentos para a FoEI. A delegação da JMA em Belém incluiu grupos da Tierra Nativa (Amigos da Terra Argentina), Amigos da Terra Brasil, BELA (Amigos da Terra Bangladesh), Coecoceiba (Amigos da Terra Costa Rica), CENSAT (Amigos da Terra Colômbia), REDES (Amigos da Terra Uruguai), Cesta (Amigos da Terra El Salvador), FoE Espanha, FoE Gana, FoE Japão, CEJ (FoE Sri Lanka), FoE EUA, FoE África, LRC-KSK (FoE Filipinas), Milieudefensie (FoE Países Baixos), PENGON (FoE Palestina), UDAPT (FoE Equador), WALHI (FoE Indonésia), Otros Mundos (Amigos da Terra México), Amigos da Terra Índia, Amigos da Terra Granada, JA! (Amigos da Terra Moçambique), groundWork (Amigos da Terra África do Sul), bem como a representação dos programas FS, FB e EJRN, outras estruturas da Amigos da Terra Internacional e a equipe da Rádio Mundo Real. Estas são algumas das principais atividades em que a FoEI participou: 12 de novembro Barqueata / Marcha de barcos Mais de 200 barcos, com 500 pessoas de mais de 60 países, participaram nesta atividade de lançamento da Cúpula dos Povos. A delegação da FoEI se dividiu entre o barco Solidariedade com a Palestina, onde Jamal, da PENGON, proferiu um discurso poderoso, e o barco Internacionalista, onde nos reunimos com os nossos aliados La Vía Campesina, a Marcha Mundial das Mulheres, a Aliança Global pela Justiça de Base e outrxs. A delegação da Amigos da Terra Brasil, composta por 20 pessoas, desde o Pampa até a Amazônia, entre as quais jovens, mulheres das periferias urbanas, líderes quilombolas da AMAY -CoMPaz e o cacique Jaime Vhraguyra, liderança dos povos indígenas guarani, juntou-se a Kirtana, que falou em nome da Amigos da Terra Internacional em uma conferência ao lado do cacique Raoni e outros líderes do movimento social amazônico no barco “Caravana da Resposta”, uma mobilização que percorreu mais de 3 mil quilômetros desde Sinop (Mato Grosso) até Belém (Pará) com mais de 300 líderes indígenas, ribeirinhos, quilombolas e camponeses denunciando os impactos dos produtos agro-minerais e dos desenvolvimentos de infraestrutura voltados para a exportação na região, como a ferrovia Ferrogrão e a hidrovia Tapajós. 13 de novembro: Plenárias temáticas O centro da Cúpula dos Povos foram os debates sobre os seis eixos temáticos, que ocorreram online antes da Cúpula e culminaram em plenárias populares com entre mil e 3 mil pessoas na própria Cúpula. Lise e Letícia, da FoEI, cofacilitaram o Eixo II: Reparações Históricas, Luta contra o Racismo Ambiental, Falsas Soluções e Poder Corporativo. Na sessão plenária, Pablo, da UDAPT – Amigos da Terra Equador, juntamente com Leti e MAB (Movimentos de Povos Afetados por Barragens do Brasil), representaram a Campanha Global para Desmantelar o Poder Corporativo, exigindo um Tratado Vinculante sobre Empresas Transnacionais em matéria de Direitos Humanos, enquanto Jamal, da PENGON, fez contribuições sobre o papel das empresas no apartheid e no genocídio na Palestina. Nos web seminários anteriores, Lyda, da CENSAT, fez contribuições importantes sobre as falsas soluções. Mercedes, da Amigos da Terra Argentina, e Yegeshni e Nerisha, da groundWork, participaram dos web seminários do Eixo III – Transição Justa, Popular e Inclusiva, e vários delegados da Amigos da Terra Internacional participaram das plenárias online. Mercedes e Natalia, da Tierra Nativa, também montaram um estande com materiais da FoEI fora da sessão plenária, que foi muito bem recebido. Eduardo, da Amigos da Terra Brasil, também se juntou à sessão plenária III e levou ao microfone Chico, da comunidade afetada pela Sigma Lithium em Minas Gerais, em articulação com o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM). 14 de novembro: Plenárias temáticas e assembleia dos movimentos sociais Lucia Ortiz, da Amigos da Terra Brasil, e Danilo, do CENSAT/facilitador regional, cofacilitaram a Eixo IV: Contra as Opressões, pela Democracia e pelo Internacionalismo Popular. Esta foi a maior de todas as plenárias, com canções de protesto, cânticos e discursos, entre eles o de Sarath (Amigos da Terra Índia) e Bertita, filha de Berta Cáceres. Lucia facilitou a plenária e Danilo apoiou na preparação da síntese política. Jamal, da PENGON Amigos da Terra Palestina, Ricardo, da CESTA Amigos da Terra El Salvador, e Scarlet, da UDAPT- Amigos da Terra Equador, também se juntaram aos web seminários anteriores sobre a construção das denúncias do Eixo IV e os anúncios sobre as lutas de solidariedade internacionalista. A FoEI, juntamente com os nossos aliados estratégicos La Vía Campesina e a Marcha Mundial das Mulheres (MMM), e com muitos aliados de movimentos sociais da região (ALBA Movimentos, MAB, MST, MTST, APIB e outros), organizou a Assembleia de Movimentos Sociais, uma poderosa sessão plenária política centrada nos movimentos sociais de base que se reuniram para apresentar as suas agendas de mudança e futuro, e se comprometeram a construir a
Cúpula dos Povos cobra ousadia dos tomadores de decisão na COP30

Evento acontece simultaneamente à conferência das Nações Unidas e critica a baixa eficácia das negociações climáticas A Cúpula dos Povos quer estabelecer protagonismo da sociedade civil em espaço autônomo em relação à COP30 (30ª conferência das Nações Unidas sobre mudança do clima). O evento acontece entre os dias 12 e 16 de novembro, na Universidade Federal do Pará, em Belém, e estima público de 15 mil pessoas. Para as organizações envolvidas na cúpula, as decisões tomadas nas conferências da ONU não geram soluções eficazes para o enfrentamento da crise climática. A carta política lançada pelo movimento declara que “países tomadores de decisão têm se omitido ou apresentado soluções absolutamente ineficientes colocando em risco a meta de 1,5ºC do Acordo de Paris. “As conferências se concentraram em objetivos ínfimos de redução de dióxido de carbono e em estratégias a serviço dos interesses das corporações responsáveis por desastres ambientais”, diz Iván González, coordenador político da Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas (CSA). Outras críticas da articulação pontuam a falta de transparência nos processos decisivos das COPs e a falta de participação da sociedade civil nos espaços de negociação. O objetivo da articulação, composta por mais de 700 entidades do Brasil e do mundo, é convergir demandas de grupos afetados pelas mudanças climáticas, mas excluídos de processos decisivos, como povos indígenas e quilombolas. Segundo González, sem a união das lutas por justiça ambiental e social, negociações sobre o clima ficam desconectadas dos problemas reais da sociedade. A cúpula valoriza conhecimentos e iniciativas populares. Políticas públicas bem-sucedidas e experiência de movimentos sociais inspiram a proposição dos guias de atuação. Os seis eixos orientadores são: territórios vivos, soberania popular e alimentar; reparação histórica, combate ao racismo ambiental e ao poder corporativo; transição justa, popular e inclusiva; contra as opressões, pela democracia e pelo internacionalismo dos povos; cidades justas e periferias urbanas vivas; feminismo popular e resistência das mulheres nos territórios. A escolha por eixos que aliam pautas diferentes é uma tentativa de fugir de caixas temáticas, explica Maureen Santos, coordenadora do Núcleo Políticas e alternativas da Ong FASE – Solidariedade e Educação e membro do comitê político da Cúpula dos Povos. Além de dar espaço para demandas diversas, o objetivo da articulação também é estabelecer ações concretas que serão tomadas após a COP30. Na agenda oficial da Cúpula, estão incluídos um ato político, denominado “Da Amazônia para o mundo: justiça climática já!”, e uma reunião para divulgar informações sobre a estruturação do evento. Ambos acontecem entre 30 de maio e 2 de junho. HISTÓRICO E ORGANIZAÇÃO A Cúpula dos Povos é uma construção popular convocada como resposta a eventos que reúnem líderes globais e chefes de grandes corporações para discutir questões ambientais.A primeira atuação da cúpula foi em 1992, no contexto da ECO-92—ou Rio-92— da ONU. Já paralelamente às COPs, ela aconteceu frente à COP20 em Lima, no Peru, em 2014, por exemplo. O evento que inspirou a estruturação da Cúpula do Povos rumo à COP30 foi a Cúpula dos Povos pela justiça social e ambiental, que aconteceu em meio à Rio+20 (conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável) em 2012, no Rio de Janeiro. A iniciativa de construir uma contraposição à COP30 partiu de movimentos sociais brasileiros na COP28, em Dubai. “Percebíamos que várias organizações estavam pensando no que fazer para a COP30 de forma própria. A cúpula foi a forma de juntarmos tudo para discutir a possibilidade de fazer uma construção unitária nesse momento”, afirma Santos. Entre as organizações que se juntaram à ação, estão Observatório do Clima, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Coalizão Negra por Direitos (CND) e Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM). Das 700 entidades, 84 são internacionais, como a Confederação Sindical dos Trabalhadores da América (CSA); México sem Ecocídio e Centro Para Mudança Social de Joanesburgo, na África do Sul. Para que essa união de muitos grupos funcione, a cúpula é organizada em um Comitê Político, que facilita e coordena o processo, e por grupos de trabalho, explica Santos. Os principais desafios enfrentados pela articulação estão relacionados à captação de recursos e alojamento para os 15 mil participantes do evento A questão dos alojamentos não é um problema exclusivo da cúpula, Belém já enfrenta problemas de falta de acomodações para o público da COP30. O evento está previsto para acontecer na Universidade Federal do Pará (UFPA). A meta é garantir acomodações nas imediações do local, o que evitaria a necessidade de deslocamentos à cidade, diz Santos. A escolha da UFPA como sede da Cúpula é um desafio por si só. “Passamos por quatro anos de desmonte das universidades federais. Recursos não chegavam para a infraestrutura e isso tem um impacto. Estamos lidando com essa questão e vendo a melhor maneira possível de aproveitar a Cúpula dos Povos como um legado também para a universidade”, afirma Santos. Segundo Iván González, para os movimentos internacionais, a dificuldade também está em garantir a participação presencial dos seus membros, devido aos custos de deslocamento. Ainda, o momento de crise política em diferentes países é aspecto que dificulta. Para além de lutar pela própria sobrevivência, comunidades tradicionais, povos originários e outros participantes da Cúpula precisam assegurar que suas demandas sejam consideradas nas discussões durante o evento, afirma González. Reportagem de Débora van Pütten, divulgada no jornal Folha de SP
O Pampa vai estar na Cúpula dos Povos e na COP30

Na 2ª feira (26 de maio), aconteceu a 3ª reunião, de uma série de encontros que estão sendo desenvolvidos no Rio Grande do Sul com foco na Cúpula dos Povos rumo à COP 30 (30ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudança do Clima). Foi realizada presencialmente no Sindbancários, em Porto Alegre (RS), com a participação de movimentos sociais, entidades ambientalistas, populares e de comunidades tradicionais, sindicatos e outras organizações. “Queremos fazer uma articulação regional dos povos do Pampa para que a gente possa ter uma estratégia de incidência em Belém, no Pará, no final do ano, e apresentar uma pauta que seja ampla e coletiva. Para que a nossa voz possa repercutir de forma unificada”, afirma Felipe Amaral, que participa deste fórum pela Amigas da Terra Brasil. A expectativa é de que a Cúpula dos Povos mobilize entre 30 mil e 40 mil pessoas. Aqui no RS, essa articulação composta por cerca de 30 entidades está focada nas questões do Pampa. Até o final do ano, a intenção é levar o debate para cidades do interior do estado integradas pelo bioma, como Pelotas, Rio Grande e Bagé, no Sul e na Campanha gaúcha, e também na região metropolitana, buscando mobilizar mais organizações e comunidades a fim de fortalecer a participação em Belém. “Queremos fazer um trabalho de construção coletiva, de acompanhamento e de presença em Belém, no Pará, mas acima de tudo, algo que seja para adiante. A questão ambiental não surge em função da COP e não se encerra nela também. Nossa expectativa é que essa construção seja algo maior do que o evento, que seja uma oportunidade de criar uma unidade em torno dos povos do Pampa”, diz Amaral. O processo segue em construção, sendo pautado pela justiça ambiental e pelo protagonismo das mulheres na luta ambiental. Convidamos todas as organizações e comunidades interessadas a participarem desse movimento. A próxima reunião desta articulação do Pampa na #cúpuladosopovos e na #COP30 ocorre em 9 de junho, às 18h, no Sindbancários, em Porto Alegre. Para mais informações, entre em contato com Felipe pelo e-mail secretarianatbr@gmail.com ou telefone (51) 99709-4736 .
Povos tradicionais do Brasil e exterior cobram protagonismo na COP30 e na luta contra mudanças climáticas

Mais de 70 organizações se reúnem em Belém para reafirmar protagonismos dos povos da Amazônia Na sexta-feira (30), representantes de mais de 70 movimentos populares, organizações e povos tradicionais de 13 países se reuniram em ato político realizado em Belém, onde foi anunciado oficialmente que a Universidade Federal do Pará será o palco central das discussões da Cúpula dos Povos durante a COP30. O evento reforça a exigência de que os povos da Amazônia sejam os verdadeiros protagonistas da luta climática, a partir da escuta, do diálogo e proposição de políticas públicas, considerando a vivência e os saberes tradicionais. Sob o tema “Da Amazônia para o Mundo: Justiça Climática Já!”, os povos da América Latina, África, Ásia e Europa proclamam: não há solução para a crise climática que não parta e envolva os povos originários e tradicionais. Representando os povos indígenas do Brasil, Auricélia Arapiun, liderança indígena do Baixo Tapajós (PA) que compõe a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) participou do ato. “A resposta somos nós, que estamos há muito tempo dizendo que temos a solução. Se eles tivessem a solução, nós não estaríamos a caminho do fim do mundo, como estamos hoje. Muito pelo contrário, a cada COP a situação só piora porque nós não estamos lá dentro, não somos ouvidos e nem seremos”, destaca Auricélia. Durante sua fala, Auricélia pontuou fortemente atos de retrocesso por parte do Congresso Nacional, a exemplo da aprovação do Projeto de Lei 2159/2021, popularmente conhecido como PL da Devastação, que estabelece um novo marco para o licenciamento ambiental no Brasil em detrimento dos direitos dos povos tradicionais. “Que COP30 queremos para o Brasil se o Congresso Nacional está atacando nossos territórios, está atacando o meio ambiente, se tem o PL da devastação, da destruição dos nossos territórios? Se aprovaram o PL de retrocesso demarcação das terras indígenas? Não é possível que estamos caminhando para esse ponto, ao mesmo tempo em que o Brasil e o governo do Pará se colocam como líderes de enfrentamento à crise climática”, denuncia Auricélia. O lançamento do território da Cúpula dos Povos demarca o espaço público UFPA para reafirmar as práticas ancestrais, comunitárias e populares como caminhos concretos e viáveis para enfrentar a crise climática com justiça social. “Essa Cúpula tem o papel fundamental de popularizar, de envolver o povo, de colocar o povo no centro dos debates, se apropriando do debate do clima e propondo, a partir da sua prática concreta e real, a transformação desse mundo que pertence a todos. E nós estamos dizendo que é necessária a participação popular que a COP, a Cúpula e o governo brasileiro demonstrem, de fato, um compromisso pela mudança”, explica Pablo Neri, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Cúpula dos Povos vai além da COP30 O ato compõe uma agenda de quatro dias que marcam a consolidação de estratégias coletivas para o evento principal em novembro, quando a Cúpula espera reunir cerca de 15 mil pessoas em Belém para uma ampla programação, que prevê a participação de mais de 700 organizações e redes sociais. No entanto, as organizações reforçam que a COP30 não encerra a construção coletiva da Cúpula dos Povos, que vai além de calendários pré-determinados e tende a ser um espaço para a garantia do diálogo e luta permanente e internacionalista em defesa da Amazônia, dos povos e territórios. Compondo a comitiva internacionalista do encontro, Sophie Ogutu, queniana de Nairóbi e integrante do Comitê Internacional da Marcha Mundial das Mulheres reforça a importância desse espaço destinado aos povos. “As soluções para o mundo nunca virão em uma canetada. Nós estamos aqui e nós temos as soluções. E estou muito grata por estar aqui na Universidade do Pará, nesse espaço que deram para a gente. E olha, lá no Quênia, todos falam que de todas as COPs, gostariam de estar nessa do Brasil, porque aqui temos voz, aqui vocês abrem espaço para todos”, garantiu Sophie. Do Peru, a ativista e feminista Denisse Chavez, do grupo Mujeres y Cambio Climáctico (GIMCC), reafirma ainda que a luta por justiça climática integra a luta por justiça em suas diversas esferas. “Nós continuamos essa luta e vamos seguir para deixar para nossas filhas e nossas netas um mundo melhor. E nós só vamos conseguir isso exigindo justiça climática, justiça de gênero, justiça ambiental para todos os homens, mulheres e diversidades”, reforça Cúpula dos Povos Desde 1992, a Cúpula dos Povos é um grito de resistência e justiça por meio de um espaço autônomo onde as comunidades mais atingidas pela crise climática como os povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e moradores das periferias urbanas, somam forças para ecoar suas vozes e demandas. Em novembro de 2025, o Brasil receberá a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), nesse contexto, mais de 700 organizações, redes, coletivos se juntaram para construir um amplo processo de mobilização para que a COP no Brasil seja um ponto de virada nas discussões sobre a crise climática. Texto originalmente publicado no Jornal Brasil de Fato, em: https://www.brasildefato.com.br/2025/05/31/povos-tradicionais-do-brasil-e-exterior-cobram-protagonismo-na-cop30-e-na-luta-contra-mudancas-climaticas/
Quarta Temática apresenta estudo “Política Nacional de Clima, Participação Social e Propostas dos Povos do Brasil para a Justiça Climática”

🍃 ✊🏽 Na quarta-feira (28), a Casanat, casa sede da ATBr, recebeu movimentos sociais, organizações populares, coletivos e juventudes para partilhar da Quarta Temática. Na ocasião, o estudo “Política Nacional de Clima, Participação Social e Propostas dos Povos do Brasil para a Justiça Climática” foi apresentado. Entrelaçando histórias de gentes e biomas, o momento correlacionou desafios, lutas e caminhos do Pampa à Amazônia na construção da justiça climática e dos povos. Foram debatidas políticas de clima, desmonte da legislação ambiental, o impacto do agronegócio na emergência climática (responsável por 75% das emissões no BR), falsas soluções de mercado com seus “créditos de carbono” e a ameaça de acordos de livre comércio. Contra projetos de morte do capital, suas lógicas ecocidas e violadoras de direitos, está o antídoto ancestral, a organização popular, sonhos rebeldes que plantam akilombamentos. Estão territórios que salvaguardam a vida com suas práticas, valores e sabenças – as ocupações, cozinhas solidárias, kilombos, aldeias e retomadas. Esteve em pauta o que representa a COP30 no Brasil e a relevância de espaços de convergência popular, como a Cúpula dos Povos, no reconstruir do internacionalismo solidário de classe. Frente a retrocessos como o avanço do PL da Devastação e a licença de instalação para o derrocamento do Pedral do Lourenço, no Rio Tocantins (PA), encontros como a Quarta Temática visam o fortalecimento mútuo e a construção de alternativas. Neste foram ressaltadas a reparação histórica e a Justiça Climática na perspectiva dos povos indígenas, tradicionais e das mulheres amazônidas, assim como as soluções dos povos. Bandeiras por reforma agrária popular, agroecologia, demarcação de territórios indígenas, titulação de quilombos, reforma fundiária e urbana, soberania territorial e alimentar foram erguidas. 📣 Aquecendo e ocupando a CasaNat, voltamos a realizar mensalmente a Quarta Temática, um espaço de encontro para a construção de outros mundos possíveis, com justiça climática, social e ambiental. Confira a cobertura fotográfica em:
Mbyá Guaranis reafirmam “não ao Lixão de Viamão” e denunciam violação direito à consulta prévia

“Ouvimos o choro da terra, escutamos a mensagem do vento, sabemos quando a nuvem nos diz que irá mudar o tempo. O rio lava a alma e o pensamento. O cheiro das matas nos lembra onde há substância. Aprendemos com a natureza. Decoramos sua estada. Da mãe terra um dia viemos e com ela iremos embora. Só queríamos que os não indígenas entendessem o nosso conceito, somos parte da natureza e não podemos ser de outro jeito. Somos Mbyá Guarani, somos raízes de nossa gente, apenas queremos ser felizes”, declamou uma criança mbyá da Tekoa Jatai’Ty (Aldeia Cantagalo), de Viamão (RS), durante um encontro realizado no território de vida. Somadas à ela, mais de 150 pessoas estiveram presentes para reafirmar posição contrária à instalação de um lixão no município. “A gente não quer o lixão. O lixão não traz nada, nem vida. Somos raízes, crescemos com a natureza, com quatro nascentes que vem debaixo da terra que a gente bebe água e se fortalece. Essa é uma posição que a gente sempre tem. Por que o nosso conhecimento não é respeitado?”, expôs o cacique do território, Claudio Verá Mirim. Na ocasião, a empresa EFFICAZ Assessoria LTDA, acompanhada do empreendedor EBMA (a frente do projeto do Lixão) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) de Brasília, tentou apresentar um “plano de trabalho para estudo do componente indígena”. Em total oposição ao projeto, os guaranis e o Movimento Não ao Lixão questionaram o processo, manifestaram repúdio e abordaram os comprovados impactos negativos em âmbitos sociais, ambientais e culturais. Também denunciaram o desrespeito ao direito de consulta livre, prévia e informada, garantido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário e que se faz vigente desde o Decreto nº 5.051/2004. Esta aponta que, frente a qualquer empreendimento, a população deve ser consultada. Diante do Movimento Não ao Lixão e de representantes da sociedade civil, da Assembleia Legislativa do RS, do Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH/RS), do Conselho Estadual dos Povos Indígenas (CEPI) e do Cimi Sul, comunidades e coletividades presentes denunciaram a ausência de diálogo no processo de licenciamento conduzido pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), que não esteve presente, e pela FUNAI. Enquanto corriam crianças pelo território, cartazes em muitas cores traziam mensagens como “Viamão é terra viva, terra indígena, resistência – Não ao lixão”. Refutado pela comunidade organizada, o lixão ameaça a biodiversidade, o ar, as nascentes e águas de rios e subsolo, a terra onde é feito cultivo de alimentos e a saúde da população. Coloca em risco, ainda, as formas de vida e organização social de comunidades mbyá guarani, que sequer foram consultadas a respeito – ponto que fere a OIT 169. O encontro contou com debate, exposições, troca de saberes e falas de lideranças indígenas sobre as ameaças que o lixão pode trazer. Somada à sua voz, movimentos sociais, organizações socioambientais, profissionais da saúde, da educação e do campesinato, assim como pesquisadores, argumentaram solidamente contra o projeto, referenciando estudos técnicos feitos por mais de uma universidade e que comprovam que a instalação do que a empresa chama de aterro sanitário é insustentável. A resistência também se fez em canto e poesia guarani. A tentativa da empresa se deu após ajuizamento de uma Ação Civil Pública pelo Conselho de Articulação do Povo Guarani (CAPGRS) e Ministério Público Federal (MPF), que questiona o empreendimento justamente pelo fato de ter negado o direito à consulta prévia dos indígenas. Além de apontar a ilegalidade da falta de consulta, a ação do MPF alerta para o risco de contaminação da água por chorume, que pode atingir o Rio Gravataí, o Guaíba e comprometer o abastecimento de milhares de pessoas em Gravataí, Alvorada e Viamão. Levando tudo isso em consideração e trazendo à tona mais aspectos insustentáveis do projeto, lideranças das comunidades Mbyá Guarani do entorno, tanto da Tekoá Jatai’Ty quanto da Tekoá Takua Hovy, rejeitam o projeto de forma enfática há anos. Se instalado, o lixão prejudicaria comunidades Guarani, Kaingang e Charrua. Sua instalação é prevista para localidade que fica a menos de 2km da terra indígena Tekoa Jatai’Ty. Também estaria próximo da recente retomada Tekoa Ka’aguy Mirim, da Tekoa Takua Hovy e a poucos quilômetros da Pindó Poty, da Tekoa Pindó Mirim de Itapuã, da Tekoa Nhe’engatu e da do território Kaingang Van Ka. Com protagonismo Mbyá Guarani, territórios de vida resistem ao Lixão Diego Jeiko, jovem mbyá da Tekoa Jatai’Ty e estudante da Universidade Federal de Santa Maria, evidenciou: “Ficou muito claro que não queremos aterro sanitário perto da nossa aldeia. Essa luta que nós levamos, de preservar natureza, não devia ser luta só dos indígenas”. Mencionou, também, o aquecimento global e o valor de preservar a natureza em favor da vida diversa. “A gente quer preservar a natureza porque isso é vida, não só para nós, mas para vocês. A gente respira o mesmo ar. Temos que apoiar mais projetos que envolvem nossas aldeias, que querem preservar com sementes, plantações. A menina guarani falou, o futuro da nossa aldeia falou o que quer. O mais velho também está aqui, sempre esteve. A gente vai continuar sempre aqui, dizendo não ao lixão”. Jaime Vherá Guyrá, que já foi cacique do território, denunciou a inoperância de órgãos do estado na escuta e em defesa dos direitos indígenas. Ao abordar que muitos morrem sem acessar terra demarcada, questionou até quando precisarão falar sobre o tema. “Quando precisamos de informação sobre a terra, onde há sofrimento de nossas populações que estão na beira das estradas, quando a gente chama a FUNAI, não aparece. A gente sabe que a terra não é papel para ser destruído, não é papel para ser queimado, a terra é para a gente viver nela. Venho trazer esse apelo enquanto a FUNAI está aqui, que o que é mais importante e deveria acontecer nunca acontece. Que a gente precisa é a regularização das terras indígenas”. A liderança abordou ainda o tema da produção de alimentos de Viamão, que
Quarta Temática da Amigas da Terra Brasil debaterá Política Nacional de Clima, Participação Social e Propostas dos Povos do Brasil para a Justiça Climática:

A Amigas da Terra Brasil volta a realizar a Quarta Temática, um espaço de encontro mensal de debate e trocas de experiências, no dia 28 de maio, às 19h, na CasaNat (Rua Olavo Bilac, 192), nossa sede em Porto Alegre (RS). Teremos transmissão ao vivo para todo o país! Nesta Quarta Temática, lançaremos para debate público o estudo . Realizado por autoras e autores do Pampa à Amazônia, foi fruto de um processo coletivo de resgate de saberes e formação, visando a articulação, educação popular e incidência junto a movimentos e organizações aliadas no processo da Cúpula dos Povos rumo à COP30 (Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU), que acontecerá em Belém do Pará, em novembro de 2025. O estudo faz um breve resgate das COPs na América Latina, abordando de forma crítica a participação social na construção das metas nacionais e das política de clima em disputa. Convergindo com as propostas populares em curso, traz também à discussão a Justiça Climática na perspectiva dos povos indígenas, tradicionais e das mulheres amazônidas. Convidamos todas as pessoas interessadas, amigas e companheiras de luta a debaterem com a gente na CaSAnAT! Para quem não puder estar presencialmente, poderá acompanhar ao vivo por este link: https://bit.ly/quarta_tematicaclima (também no QRCode da imagem).
Fortalecimento da agroecologia e da vigilância popular nos territórios de vida

A quarta-feira (30/04) foi marcada por um passo importante no fortalecimento da agroecologia e da vigilância popular. A ATBr, junto a pessoas assentadas da reforma agrária, iniciou a instalação de uma estação climatológica no Assentamento Santa Rita de Cássia, área de produção do Movimento Sem Terra (MST), em Nova Santa Rita (RS). O objetivo é fortalecer o território e sua autonomia. A partir da estação serão coletadas informações que podem beneficiar a produção de alimentos, assim como a defesa dos assentamentos e das famílias em casos de violação de direitos. A região sofreu fortes impactos na enchente e é afetada há anos por derivas das pulverizações aéreas de agrotóxicos. Venenos aplicados em granjas próximas contaminam o ambiente, a produção de alimentos e a saúde, prejudicando o campesinato e suas formas de vida. A estação climatológica qualifica as informações das comunidades em defesa de seus territórios. É um instrumento para monitoramento do local e de ameaças, e permite que dados quanto às condições climáticas (medição da temperatura, do vento, de sua velocidade e direção) sejam registrados. “A estação vai dar uma força muito importante para a agroecologia e produção de alimentos”, expôs o assentado Arnaldo Soares Borges. O produtor contou sobre limitações que dificultam o trabalho, como eventos climáticos extremos da emergência climática e conflitos com o agronegócio. “A estação tem dois objetivos: a gente se apropriar do clima para desenvolver melhor a produção e fortalecer a resistência na produção agroecológica. Tivemos períodos de conflito com a deriva de agrotóxicos na região e essa ferramenta é uma fortificante para a resistência, com objetivo de combater as derivas”, explicou. “O assentamento vai ter autonomia de ter seus dados, gerados e colhidos pela própria comunidade. Caso ocorra nova pulverização área e uma deriva seja percebida, a gente vai saber instantaneamente e poder correlacionar com dados da estação. O projeto é uma forma de segurança. A própria estação é símbolo de vigilância comunitária”, apontou Eduardo Raguse (ATBr). Também está prevista a instalação de estações meteorológicas em assentamentos de Eldorado do Sul e Tapes. Seguimos ✊🏼 Confira nas redes e compartilhe: 📍 Instagram 📍 X 📍 Facebook 📍 Flickr
Um ano após a enchente no RS

Há cerca de um ano, o RS viveu a maior enchente de sua história. Das 497 cidades do estado, 478 foram atingidas por alagamentos, inundações e deslizamentos. Mais de 2,3 milhões de pessoas foram afetadas, 184 perderam suas vidas e 25 estão desaparecidas. A maior parte da população segue na luta para se reerguer dos escombros, especialmente a empobrecida, indígena, negra e periférica. O avanço do capital nos territórios de vida foi motor dessa tragédia, tão anunciada por ambientalistas, movimentos sociais e populares que pautam a emergência climática, produto do capitalismo. Grande parte dos impactos poderiam ter sido evitados, mas alertas foram ignorados em nome do lucro da especulação imobiliária, agronegócio e mineração, que no caos climático navegam com seus projeto$ de morte, por vezes fantasiados em coletes salva-vidas. Hoje, notícias da economia se recuperando não refletem a realidade dos programas habitacionais que não saíram do papel. Tampouco das multidões que seguem em áreas de risco, ou das 400 pessoas que ainda vivem em abrigos. Medidas efetivas não foram tomadas, fato evidente em qualquer chuva, que faz alagamentos na maior parte das cidades, trazendo riscos, destruição, falta de luz, de acesso à água potável e ao transporte. Enquanto Porto Alegre recebeu a South Summit, em que se falou em resiliência nos termos dos negócios privados, o estado segue sem construção de sistemas de proteção contra cheias (8 projetos foram prometidos, nenhum está em execução). A proposta dos governos é de mais privatização. De data centers em cidades que ficaram submersas, às consultorias de empresas estrangeiras, corporações seguem concentrando poder e aquecendo o planeta. Organizações populares e movimentos sociais atuaram com fôlego durante a enchente para garantir direitos, e seguem se articulando para amparar a população e construir respostas reais, como as cozinhas solidárias. Os que antes negavam as mudanças climáticas hoje se aproveitam da pauta para vender ainda mais nossas cidades. O negacionismo virou oportunismo, mas seguiremos firmes com a certeza de que é na convergência dos movimentos sociais e na solidariedade que enfrentaremos as crises sistêmicas. Confira nas redes e compartilhe: 📍 Instagram 📍 X 📍 Facebook
A Cúpula dos Povos se soma ao combate ao poder corporativo: um dos principais desafios da agenda climática global

Mais de 250 organizações cobram transparência na COP30 e o fim da interferência das indústrias poluidoras! 🌎🔥 Carta entregue à presidência do Brasil e à Secretaria da COP propõe quatro medidas para por fim ao conflito de interesses entre a pauta climática estabelecida no Acordo de Paris e a atuação invisível dos lobistas que atrasam tanto a redução das emissões quanto a proteção das comunidades impactadas. Governo é cobrado a liderar processo. Confira posicionamento, trechos e propostas da carta, assinada pela Amigas da Terra Internacional, da qual a Amigas da Terra Brasil faz parte, em: https://www.instagram.com/p/DHbLxDxuXRh/?img_index=1 A Cúpula dos Povos se soma ao combate ao poder corporativo, um dos nossos eixos e um dos principais desafios da agenda climática global. Nossa luta é contra os grandes projetos do agronegócio, hidronegócio, mineração e logística que destroem territórios e biodiversidade. Em 2024, o planeta ultrapassou o limite de 1,5°C de aquecimento global, com incêndios, enchentes e secas devastadoras. Enquanto isso, lobistas das indústrias poluidoras seguem atrasando a transição climática justa. 📜 Carta entregue à Presidência do Brasil e à Secretaria da COP cobra: ✅ Política de conflito de interesses para barrar lobistas poluidores. ✅ Padrões de transparência para delegações e participantes da COP. ✅ Reformas nos critérios de escolha da presidência da COP. ✅ Acordos do País Anfitrião (HCAs) e parcerias que garantam compromissos climáticos reais. ✅ Responsabilização de empresas e governos por crimes ambientais e impactos da crise climática. ⏳ A crise climática exige ação urgente! Precisamos enfrentar a captura corporativa e responsabilizar aqueles que lucram com a destruição. 📎 Acesse mais informações: 🔗 Leia o release e a carta no site da Transparência Internacional: https://transparenciainternacional.org.br/posts/mais-de-260-organizacoes-e-especialistas-cobram-mais-transparencia-e-fim-do-conflito-de-interesses-na-cop-30/ 🔗 Confira o mapa de medidas recomendadas no site da Kick Big Polluters Out: https://kickbigpollutersout.org/demands






