SEMINÁRIO DEBATE PARTICIPAÇÃO DA JUVENTUDE NA LUTA POR JUSTIÇA CLIMÁTICA

Nos dias 30 e 31 de março, a Amigas da Terra Brasil, em parceria com o Instituto Terre des Hommes Alemanha (TdH), realizará o encontro Juventude e Meio Ambiente: Vozes Jovens pela Justiça Climática, em Porto Alegre (RS). O seminário acontece das 19h às 22h nos dois dias, no Auditório do CPERS Sindicato, no centro da cidade. No dia 31/03, durante o dia, alguns jovens  visitarão uma aldeia indígena Mbyá Guarani. As mesas de debate serão integradas por jovens de organizações e movimentos sociais, indígenas, quilombolas, periferia urbana e também estão convidadas parlamentares sensíveis às pautas da juventude por justiça ambiental.  Além disso, estarão presentes jovens que estiveram no seminário realizado no final do ano passado, que abordou a monocultura de eucalipto e mudanças climáticas visando o debate de justiça climática na Cúpula dos Povos, que ocorreu no Pará, em 2025. O evento é gratuito e aberto ao público. Busca promover articulação entre jovens, organizações e movimentos sociais, com foco na realidade urbana e territorial do Rio Grande do Sul, a fim de fortalecer o protagonismo das juventudes na luta por justiça climática. Durante o evento será lançado um poster sobre a participação da Amigas da Terra Brasil na Cúpula dos Povos.  Mundo afora as juventudes têm atuado em lutas e processos de conscientização quanto à emergência climática, causada e agravada pelo capitalismo neoliberal e por corporações que colocam o lucro acima da vida. Queremos construir uma agenda ambiental, climática e de direitos dos povos com as juventudes. PROGRAMAÇÃO DO SEMINÁRIO JUVENTUDE E MEIO AMBIENTE: VOZES PELA JUSTIÇA CLIMÁTICA 🌿 Dia 30 de março (19h às 22h) 📍 Auditório do CPERS Sindicato – Porto Alegre (RS) * Acolhida e acordos com ATBrasil * Cúpula dos Povos em Belém do Pará (2025) sob a perspectiva da juventude * Coletivo de Mídia Guaraní Mbyá RS * Fuá, o Sonho – Curta Metragem e conversa sobre a produção do filme com família Kaingang * Experiências de jovens Kilombolas * Juventude, trabalho decente e justiça climática: por vida além do trabalho e mais direitos * Avisos e combinados logísticos para o dia seguinte 🌿 Dia 31 de março (19h às 22h) 📍 Auditório do CPERS Sindicato – Porto Alegre (RS) * Acolhida e acordos com ATBrasil * No batuque do tambor: juventude em movimento com a Marcha Mundial das Mulheres * Coletivo de Juventude do Movimento pela Soberania Popular na Mineração – Ravel Marques: Lutar pelo território! Controlar o subsolo! * Juventude e as violações de direitos cometidas pelas empresas transnacionais * Experiencias da Periferia Feminista do Morro da Cruz * Encerramento com ATBrasil e colação de lambes

Resumo da Cúpula dos Povos da ATI

A Cúpula dos Povos foi um processo histórico de convergência que reuniu mais de 600 movimentos sociais e organizações durante dois anos e culminou em uma Cúpula presencial realizada de 12 a 16 de novembro, onde se reuniram mais de 25 mil pessoas para articular uma visão de mudança sistêmica, independente da COP 30. A declaração final articula uma análise comum e um compromisso com a luta internacionalista contra o genocídio, a extrema direita e o imperialismo, e reconhece os sistemas capitalistas, patriarcais e coloniais de opressão como as causas fundamentais das crises climáticas e ambientais. Apresenta propostas dos povos, como enfrentar as falsas soluções, implementar a soberania alimentar, as economias feministas e as transições, que ressoam fortemente com a agenda da FoEI para a mudança do sistema. A Amigos da Terra Internacional liderou e participou ativamente no processo da Cúpula dos Povos, com representação no Comitê Político da Cúpula (Lucia Ortiz pelo Brasil, Lise/Kirtana pela FoEI) e com uma delegação diversificada de 70 pessoas em Belém. Um cumprimento especial à FoE Brasil/Amigas da Terra Brasil e à região ATALC, que forneceram apoio logístico e político durante todo o processo e nos receberam no Brasil com carinho e atenção. Juntas, a nossa delegação diversificada marchou, cantou, debateu, fez contribuições importantes para o eixo temático e as convergências da Cúpula dos Povos e trouxe análises políticas de outros movimentos para a FoEI. A delegação da JMA em Belém incluiu grupos da Tierra Nativa (Amigos da Terra Argentina), Amigos da Terra Brasil, BELA (Amigos da Terra Bangladesh), Coecoceiba (Amigos da Terra Costa Rica), CENSAT (Amigos da Terra Colômbia), REDES (Amigos da Terra Uruguai), Cesta (Amigos da Terra El Salvador), FoE Espanha, FoE Gana, FoE Japão, CEJ (FoE Sri Lanka), FoE EUA, FoE África, LRC-KSK (FoE Filipinas), Milieudefensie (FoE Países Baixos), PENGON (FoE Palestina), UDAPT (FoE Equador), WALHI (FoE Indonésia), Otros Mundos (Amigos da Terra México), Amigos da Terra Índia, Amigos da Terra Granada, JA! (Amigos da Terra Moçambique), groundWork (Amigos da Terra África do Sul), bem como a representação dos programas FS, FB e EJRN, outras estruturas da Amigos da Terra Internacional e a equipe da Rádio Mundo Real. Estas são algumas das principais atividades em que a FoEI participou:  12 de novembro Barqueata / Marcha de barcos Mais de 200 barcos, com 500 pessoas de mais de 60 países, participaram nesta atividade de lançamento da Cúpula dos Povos. A delegação da FoEI se dividiu entre o barco Solidariedade com a Palestina, onde Jamal, da PENGON, proferiu um discurso poderoso, e o barco Internacionalista, onde nos reunimos com os nossos aliados La Vía Campesina, a Marcha Mundial das Mulheres, a Aliança Global pela Justiça de Base e outrxs. A delegação da Amigos da Terra Brasil, composta por 20 pessoas, desde o Pampa até a Amazônia, entre as quais jovens, mulheres das periferias urbanas, líderes quilombolas da AMAY -CoMPaz e o cacique Jaime Vhraguyra, liderança dos povos indígenas guarani, juntou-se a Kirtana, que falou em nome da Amigos da Terra Internacional em uma conferência ao lado do cacique Raoni e outros líderes do movimento social amazônico no barco “Caravana da Resposta”, uma mobilização que percorreu mais de 3 mil quilômetros desde Sinop (Mato Grosso) até Belém (Pará) com mais de 300 líderes indígenas, ribeirinhos, quilombolas e camponeses denunciando os impactos dos produtos agro-minerais e dos desenvolvimentos de infraestrutura voltados para a exportação na região, como a ferrovia Ferrogrão e a hidrovia Tapajós.  13 de novembro: Plenárias temáticas O centro da Cúpula dos Povos foram os debates sobre os seis eixos temáticos, que ocorreram online antes da Cúpula e culminaram em plenárias populares com entre mil e 3 mil pessoas na própria Cúpula. Lise e Letícia, da FoEI, cofacilitaram o Eixo II: Reparações Históricas, Luta contra o Racismo Ambiental, Falsas Soluções e Poder Corporativo. Na sessão plenária, Pablo, da UDAPT – Amigos da Terra Equador, juntamente com Leti e MAB (Movimentos de Povos Afetados por Barragens do Brasil), representaram a Campanha Global para Desmantelar o Poder Corporativo, exigindo um Tratado Vinculante sobre Empresas Transnacionais em matéria de Direitos Humanos, enquanto Jamal, da PENGON, fez contribuições sobre o papel das empresas no apartheid e no genocídio na Palestina. Nos web seminários anteriores, Lyda, da CENSAT, fez contribuições importantes sobre as falsas soluções.  Mercedes, da Amigos da Terra Argentina, e Yegeshni e Nerisha, da groundWork, participaram dos web seminários do Eixo III – Transição Justa, Popular e Inclusiva, e vários delegados da Amigos da Terra Internacional participaram das plenárias online. Mercedes e Natalia, da Tierra Nativa, também montaram um estande com materiais da FoEI fora da sessão plenária, que foi muito bem recebido. Eduardo, da Amigos da Terra Brasil, também se juntou à sessão plenária III e levou ao microfone Chico, da comunidade afetada pela Sigma Lithium em Minas Gerais, em articulação com o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM). 14 de novembro: Plenárias temáticas e assembleia dos movimentos sociais Lucia Ortiz, da Amigos da Terra Brasil, e Danilo, do CENSAT/facilitador regional, cofacilitaram a Eixo IV: Contra as Opressões, pela Democracia e pelo Internacionalismo Popular. Esta foi a maior de todas as plenárias, com canções de protesto, cânticos e discursos, entre eles o de Sarath (Amigos da Terra Índia) e Bertita, filha de Berta Cáceres. Lucia facilitou a plenária e Danilo apoiou na preparação da síntese política. Jamal, da PENGON Amigos da Terra Palestina, Ricardo, da CESTA Amigos da Terra El Salvador, e Scarlet, da UDAPT- Amigos da Terra Equador, também se juntaram aos web seminários anteriores sobre a construção das denúncias do Eixo IV e os anúncios sobre as lutas de solidariedade internacionalista. A FoEI, juntamente com os nossos aliados estratégicos La Vía Campesina e a Marcha Mundial das Mulheres (MMM), e com muitos aliados de movimentos sociais da região (ALBA Movimentos, MAB, MST, MTST, APIB e outros), organizou a Assembleia de Movimentos Sociais, uma poderosa sessão plenária política centrada nos movimentos sociais de base que se reuniram para apresentar as suas agendas de mudança e futuro, e se comprometeram a construir a

Declaração da Cúpula dos Povos rumo à COP30

 Nós, da Cúpula dos Povos, reunidos em Belém do Pará, na Amazônia brasileira, de 12 a 16 de novembro de 2025, declaramos aos povos do mundo o que acumulamos em lutas, debates, estudos, intercâmbios de experiências, atividades culturais e depoimentos, ao longo de vários meses de preparação e nestes dias aqui reunidos.       Nosso processo reuniu mais de 70.000 pessoas que compõem movimentos locais, nacionais e internacionais de povos originários e tradicionais, camponeses/as, indígenas, quilombolas, pescadores/as, extrativistas, marisqueiras, trabalhadores/as da cidade, sindicalistas, população em situação de rua, quebradeiras de coco babaçu, povos de terreiro, mulheres, comunidade LGBTQIAPN+, jovens, afrodescendentes, pessoas idosas, dos povos da floresta, do campo, das periferias, dos mares, rios, lagos e mangues. Assumimos a tarefa de construir um mundo justo e democrático, com bem viver para todas e todos. Somos a unidade na diversidade.       O avanço da extrema direita, do fascismo e das guerras ao redor do mundo exacerba a crise climática e a exploração da natureza e dos povos. Os países do norte global, as corporações transnacionais, e as classes dominantes são os maiores responsáveis por essas crises. Saudamos a resistência e nos solidarizamos com todos os povos que estão sendo cruelmente atacados e ameaçados pelas forças do império estadunidense, Israel e seus aliados da Europa. Há mais de 80 anos, o povo palestino tem sido vítima de genocídio praticado pelo Estado sionista de Israel, que bombardeou a faixa de Gaza, deslocou pela força milhões de pessoas e matou dezenas de milhares de inocentes, a maioria crianças, mulheres e idosos. Nosso repúdio total ao genocídio praticado contra a Palestina. Nosso apoio e abraço solidário ao povo que bravamente resiste, e ao movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS).       Ao mesmo tempo, no mar do Caribe, os Estados Unidos intensificam sua presença imperial. Fazem-no expandindo operações conjuntas, acordos e bases militares, em conluio com a extrema direita, sob o pretexto de combate ao narcotráfico e ao terrorismo, como com a operação recém anunciada “Lança do Sul”. O imperialismo segue ameaçando a soberania dos povos, criminalizando movimentos sociais e legitimando intervenções que historicamente serviram aos interesses privados na região. Nos solidarizamos à resistência da Venezuela, Cuba, Haiti, Equador, Panamá, Colômbia, El Salvador, República Democrática do Congo, Moçambique, Nigéria, Sudão, e com os projetos de emancipação dos povos do Sahel, Nepal e de todo o mundo.       Não há vida sem natureza. Não há vida sem a ética e o trabalho de cuidados. Por isso, o feminismo é parte central do nosso projeto político. Colocamos o trabalho de reprodução da vida no centro, é isso que nos diferencia radicalmente dos que querem preservar a lógica e a dinâmica de um sistema econômico que prioriza o lucro e a acumulação privada de riquezas.       Nossa visão de mundo está orientada pelo internacionalismo popular, com intercâmbios de conhecimentos e saberes, que constroem laços de solidariedade, lutas e de cooperação entre nossos povos. As verdadeiras soluções são fortalecidas por esta troca de experiências, desenvolvidas em nossos territórios e por muitas mãos. Temos o compromisso de estimular, convocar e fortalecer essas construções. Por isso, saudamos o anúncio da construção do Movimento Internacional de Atingidas e Atingidos por barragens, pelos crimes socioambientais e pela crise climática.       Iniciamos nossa Cúpula dos Povos navegando pelos rios da Amazônia que, com suas águas, nutrem todo o corpo. Como o sangue, sustentam a vida e alimentam um mar de encontros e esperanças. Reconhecemos também a presença dos encantados e de outros seres fundamentais na cosmovisão dos povos originários e tradicionais, cuja força espiritual orienta caminhos, protege territórios e inspira as lutas pela vida, pela memória e por um mundo de bem viver.       Depois de mais de dois anos de construção coletiva e de realizar a Cúpula dos Povos, afirmamos:       Frente a esses desafios, propomos: Por fim, consideramos que é tempo de unificar nossas forças e enfrentar o inimigo comum. Se a organização é forte, a luta é forte. Por esta razão, a nossa tarefa política principal é o trabalho de organização dos povos em todos os países e continentes. Vamos enraizar nosso internacionalismo em cada território e fazer de cada território uma trincheira da luta internacional. É tempo de avançar de modo mais organizado, independente e unificado, para aumentar nossa consciência, força e combatividade. Este é o caminho para resistir e vencer. “Povos do mundo: Uni-vos”

Amigas da Terra Brasil participa do II VSPEA e pauta demandas da Cúpula dos Povos e responsabilidade do agronegócio nas emissões brasileiras 

Nos dias 16 e 17 de setembro ocorreu o II Seminário de Vigilância em Saúde das Populações Expostas à Agrotóxicos (VSPEA), em Porto Alegre (RS). O encontro reuniu profissionais da saúde, estudantes, gestores, militantes e representantes da sociedade civil. Foi um espaço de debate e construção coletiva, com foco na formulação de políticas públicas que visam a saúde e a segurança das populações expostas a agrotóxicos.  Promovido pela Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, por meio do Comitê Estadual do VSPEA, o Seminário contou com dois dias de atividades, e teve como objetivo aprofundar conhecimentos e fortalecer ações de vigilância frente aos impactos dos agrotóxicos na saúde humana. Eduardo Raguse, representando a Amigas da Terra Brasil, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida e também a Cúpula dos Povos rumo à COP30, esteve presente em um dos painéis de debate, e fez fala abordando a emergência climática e o papel do agronegócio no contexto brasileiro. Eduardo iniciou a sua exposição apresentando o atual contexto da emergência climática. “São efeitos principalmente da revolução industrial e da queima dos combustíveis fósseis. Mas, no Brasil, o principal fator de emissão está ligado ao modelo do agronegócio, principalmente em relação ao desmatamento e às queimadas para expansão da fronteira agrícola, além das emissões do próprio setor agropecuário. Esta soma evidencia que o agronegócio é responsável 75% das emissões brasileiras”, expôs.  Também está na conta deste setor a responsabilidade de o Brasil ser um dos países recordistas no uso de agrotóxicos no mundo.  Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em 2022, o Brasil consumiu mais de 800 mil toneladas de agrotóxicos, o equivalente a quase um terço de todo o consumo mundial. “Chegamos a 800 mil toneladas de agrotóxicos em 2022 e hoje seguimos em torno dessa faixa. Além disso, o agronegócio é responsável por uma série de conflitos no campo. De acordo com o último relatório da CPT de conflitos no campo, em 2024 se registrou o segundo maior índice de conflitos no campo desde 1985. Foram 2.185 casos, ficou atrás apenas do ano de 2023, quando ocorreram 2.250 casos de conflitos no campo”, evidenciou Eduardo.  A utilização dos agrotóxicos como arma química também foi um dos pontos que Eduardo colocou em evidência. “Em 2024 foram 276 casos registrados de contaminação por agrotóxicos, atingindo mais de 17 mil famílias, sendo que sabemos que esse número é bastante subestimado e que quase 90% dos casos foi devido à pulverização aérea. E está crescendo no Brasil, de maneira muito assustadora, o uso de drones para pulverização aérea. Temos cerca de 2.500 aeronaves para pulverização aérea registradas na ANAC e já temos mais de 8.500 drones para esse mesmo uso sendo que se estima que sejam mais de 12 mil em operação, ou seja, sequer estão registrados boa parte desses drones“, afirmou.  A luta contra o agronegócio também é uma luta climática Eduardo ressaltou a importância da construção de ferramentas de vigilância popular como estratégias coletivas contra os impactos da emergência climática, assim como para a defesa dos territórios de vida frente às políticas de morte do agronegócio. “Eu trouxe esses elementos todos para dizer que a luta contra os agrotóxicos, contra o agronegócio, também é uma luta climática. A gente frear e mudar esse modelo do agronegócio brasileiro vai trazer efeitos, também, como contribuição do Brasil para a redução das emissões de gases de efeito estufa, para além de todos outros fatores socioambientais envolvidos”, destacou.  Aterrissando o debate num dos grandes eventos para negociações do clima a nível global, a COP 30, que será sediada em Belém (PA) em novembro deste ano, Eduardo encerrou a sua fala apresentando as principais pautas da Cúpula dos Povos rumo à COP30. A Cúpula dos Povos é um evento paralelo ao oficial, que emerge das raízes das lutas como contraponto e processo político de incidência nas Conferências do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), assim como em outros espaços. Nela, movimentos e organizações sociais, inclusive a Amigas da Terra Brasil, se fortalecem e agem para pressionar as negociações, construindo e apresentando soluções alternativas às das grandes corporações e dos governos que as defendem. “Defendemos, principalmente, o direito à terra e ao território de populações tradicionais, por meio de demarcação de terras indígenas, titulação de quilombos e também com a reforma agrária e urbana e o desmatamento zero. E pautamos, principalmente, uma mudança radical e profunda nesse modelo de agronegócio brasileiro. Além, é claro, da nossa pauta de fundo, que é lutar por uma mudança do modelo global de produção e consumo”, especificou Eduardo.  Leia também: Amigas da Terra na Cúpula dos Povos Rumo à COP30, a solução são os povos nos territórios

“Parem o Comércio Tóxico!” – Mais de 50 organizações pela justiça comercial, sindicatos e movimentos sociais lançam campanha contra os acordos comerciais tóxicos entre a UE e a América Latina

Hoje, mais de 50 organizações e movimentos sociais de 17 países da América Latina e da União Europeia se unem para lançar uma campanha que exige o fim dos acordos de livre comércio (ALCs) entre as duas regiões. A campanha busca expor a destruição ambiental, a injustiça social, os riscos à saúde e o aprofundamento das desigualdades perpetuados por esses acordos e enviar uma mensagem clara aos tomadores de decisão: Chega de ALCs! Parem o Comércio Tóxico! O lançamento responde diretamente ao recente anúncio da Comissão Europeia de avançar com a conclusão de dois grandes acordos comerciais: o acordo ampliado UE-México e o acordo UE-Mercosul. Este ano marca o 25º aniversário do primeiro acordo comercial UE-América Latina (com o México). As organizações que apoiam esta campanha denunciam que, após mais de duas décadas, as promessas de prosperidade e desenvolvimento mútuo não se concretizaram. Pelo contrário, esses acordos aprofundaram as assimetrias entre a Europa e a América Latina. Promoveram modelos econômicos insustentáveis baseados no extrativismo, na degradação ambiental e na priorização dos lucros corporativos em detrimento dos direitos humanos, da biodiversidade e dos meios de subsistência locais. Basta. A campanha será realizada em pelo menos 17 países e em 6 idiomas em múltiplas plataformas digitais, com o objetivo de demonstrar o que esses acordos significaram para o setor agrícola, a indústria, as condições de trabalho, o meio ambiente, a saúde e o acesso a serviços básicos. Destacará as experiências vividas e as pesquisas das comunidades diretamente afetadas por esses tratados. Desde o desmatamento na Amazônia e a poluição causada pela mineração, até a perda da agricultura de pequena escala e a erosão dos direitos trabalhistas – a campanha amplifica vozes que há muito tempo são ignoradas pelos negociadores comerciais. Assista ao vídeo e saiba mais: Os objetivos da campanha são: Após 25 anos de promessas fracassadas e crescente controle corporativo, nossa mensagem é clara: Esses acordos são tóxicos. São injustos. São insustentáveis. De ambos os lados do Atlântico, dizemos: Parem o Comércio Tóxico! Mais informações aqui: https://europeantradejustice.org/stop-toxic-trade-deals-campaign/

Por um país soberano e sério, contra o saque de nossos minérios! Amigas da Terra Brasil no II Encontro Nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração

De 24 a 28 de agosto ocorreu o segundo Encontro Nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), em Fortaleza, Ceará. Entre as principais demandas foi pautado um outro modelo mineral brasileiro – justo, popular e soberano ✊🏽 Direto do ato que fechou a jornada, Eduardo Raguse, da Amigas da Terra Brasil, do MAM e do Comitê de Combate à Megamineração deu um relato sobre o Encontro, abordando transição energética e a questão mineral em distintas regiões do Brasil. 📽️ Confira no vídeo! Os eventos climáticos extremos que o Rio Grande do Sul vem enfrentando são exemplos concretos da emergência climática, e nos dão a certeza de que é urgente uma transição, não só energética, mas de nossos modelos de produção e consumo (do agronegócio à energia, passando pelas mais distintas áreas). Porém, o estado do Rio Grande do Sul insiste em queimar carvão. Precisamos atentar para as verdadeiras soluções. Estas vem a partir dos povos e de seus territórios, não de falsas soluções – como uma transição energética que não diminui o uso dos combustíveis fósseis (cujos setores se esforçam para manter indeterminadamente) e que não leva em conta os territórios ao extrair os minerais críticos para a transição ou as usinas de geração de energia renováveis, e os torna zonas de sacrifício. Lutar pelo território, controlar o subsolo! Seguimos em luta 🚩 Saiba mais: bit.ly/3JXANWv

Toda vida nos importa: enfrentando a crise climática com justiça ambiental no Brasil

Neste mês de julho, com muita alegria e fé na luta dos povos organizados, lançamos o estudo Política Nacional de Clima, participação social e propostas dos povos do Brasil para a Justiça climática, resultado de uma parceria com a nossa correligionária Amigos da Terra na Alemanha (BUND) e apoio do Ministério do Meio Ambiente da Alemanha (IKI). 📲 Acesse o estudo na íntegra em https://bit.ly/estudoclima_site O objetivo é fortalecer a participação da sociedade civil nas políticas para o clima e no monitoramento das metas nacionais determinadas para a redução das emissões dos gases de efeito estufa (NDCs), especialmente neste ano em que acontece a COP30, que irá tratar desses temas, no Brasil.  Quando concluímos o estudo em dezembro de 2024, o Brasil registrou o ano mais quente de sua história, o qual será lembrado pelas consequências de um período sem precedentes de extremos climáticos: as enchentes no Rio Grande do Sul e seus refugiados climáticos, as queimadas no Pantanal e a seca nas regiões Centro e Norte, afetando a vida nos biomas do Cerrado e da Amazônia. Frente a isso, governos, empresas e investidores têm engendrado uma estratégia de aprofundamento das privatizações de serviços, espaços, territórios, políticas, tecnologias e bens comuns. Nesse contexto, com momentos de pânico, cortes de energia, perdas e danos materiais e escassez hídrica, segue avançando o modelo neoliberal, suas desigualdades sociais, abismos econômicos e o racismo ambiental e estrutural. Mesmo tendo sido retomada a democracia no Brasil após o golpe de 2016, seguido de quatro anos do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro e da pandemia da COVID, a maioria do Congresso Nacional, dos 27 governos estaduais e das mais de 5 mil gestões municipais eleitas em outubro de 2024 pautam-se pelo retrocesso e pelo desrespeito aos direitos conquistados. Esse cenário nos coloca rumo ao ultra conservadorismo neoliberal, que prega o Estado mínimo, que deve se fortalecer apenas no controle de corpos, territórios, espaços e costumes. Enquanto isso, parte da sociedade civil brasileira, organizações do movimento por justiça ambiental, como a Amigas da Terra Brasil, em aliança com movimentos populares de luta pela terra e por território, moradia, trabalho, direitos das mulheres e diversidades, povos indígenas e quilombolas, povos das florestas, dos campos, das águas e das cidades, presencia cada vez mais as desigualdades e assume os desafios de responder às urgências e violências dos desastres climáticos. Ao mesmo tempo, assiste-se às disputas políticas e aos projetos de morte do grande capital transnacional, frente aos quais a Organização das Nações Unidas (ONU) e o multilateralismo se provaram incapazes em minimamente deter os genocídios — como ocorre na Palestina pelo Estado de Israel —, de agir no sentido do cuidado da vida no planeta e salvaguardar a democracia frente ao avanço do fascismo. Desde o controle territorial à governança global, a digitalização e o poder das big techs na vigilância dos corpos, mentes, sonhos, biomas e urbes aprofundam uma distópica noção de democracia e liberdade. Os processos eleitorais e a capacidade de participação e controle social das políticas públicas, inclusive de mitigação, adaptação, perdas e danos e da própria gestão, dos pré aos pós-desastres climáticos, distanciam-se cada vez mais de um ideal de sociedades sustentáveis, organizadas, codependentes e ecodependentes, vivendo em harmonia com a natureza, onde a democracia, a participação e os direitos humanos e dos povos sejam uma realidade, e a economia seja centrada no sustento da vida.  Este estudo é a nossa principal contribuição neste ano de COP30, encontro mundial organizado pela ONU para tratar sobre as mudanças climáticas. O governo brasileiro espera reunir mais de 30 mil pessoas no evento, que acontecerá na capital do estado amazônico do Pará, em Belém, em novembro de 2025. Nele, agregamos saberes e perspectivas das pessoas envolvidas na autoria, a partir de suas trajetórias na militância pela justiça ambiental e da presença nos Territórios de Vida, do Pampa à Amazônia. Sobretudo diante das realidades locais que nos demandam ação de resposta solidária cotidiana em tempos de caos climático, este estudo tornou-se importante instrumento de reflexão e construção coletiva de conhecimentos e estratégias de incidência nas políticas locais, regionais e nacional. A ideia é que a gente consiga disputar e enfrentar a crise climática com justiça ambiental e, principalmente na nossa incidência como Amigas da Terra no processo de construção de convergência política e mobilização popular da Cúpula dos Povos rumo à Cop30. No primeiro capítulo, fazemos um breve resgate das COPs na América Latina, no âmbito da UNFCCC: coptações, colonialismos e contradições rumo à COP30 na Amazônia brasileira, resgatando memórias e experiências da presença da Amigas da Terra nas COPs. Frente a disputas de narrativas e de resultados entre o que acontece dentro das negociações oficiais, em sua maioria realizadas na Europa, nesses mais de 30 anos e a potência das convergências dos movimentos populares internacionalistas no encontro dos povos, trazendo saberes dos seus territórios, vamos nos apropriando, protagonizando, ensinando e aprendendo sobre as causas estruturais, as falsas e as reais soluções pela justiça climática numa perspectiva popular e solidária.  O segundo capítulo, Dialética das NDCs brasileiras e as falsas 12 soluções setoriais para a justiça climática: uma análise da participação social na construção das metas de clima e as propostas populares em disputa, apresenta os processos, as tendências e os interesses na construção das políticas de clima no Brasil. Tratamos das movimentações em torno desse debate até o período de discussão pública na plataforma do Plano Clima Participativo, liderada pelo governo federal, que antecedeu a apresentação da nova NDC Brasileira na COP 29, em Baku. Defendemos as propostas elaboradas no âmbito do Grupo Carta de Belém, coletivo nacional de organizações e movimentos populares fundado na capital do Pará, em 2009, frente às falsas soluções da financeirização da natureza, de que não existem metas ou soluções reais para deter o caos climático que não passem pela garantia do direito à terra e ao território e a sabedoria resiliente dos povos há séculos em resistência deste lado do planeta. No terceiro capítulo, Povos originários e tradicionais no Brasil: territórios de vida na cultura do cuidado do clima e da biodiversidade, buscamos costurar diálogos, ainda que

Amigas da Terra Brasil na mídia francesa sobre extração de petróleo no Amazonas e COP30

  No Brasil, grande venda de concessões de petróleo e gás e objetivos duvidosos Jornal l’Humanité – 17/06/2025 Cinco meses antes da COP30, o país está vendendo 146.000 quilômetros quadrados de concessões de hidrocarbonetos onshore e offshore nesta terça-feira, para deleite dos principais players do setor. Essa política reflete as contradições do presidente Lula em relação às questões climáticas. Esta é uma falácia da qual o Brasil poderia ter prescindido: o petróleo aceleraria o desenvolvimento econômico do país e, assim, financiaria sua transição energética. Essa doutrina, defendida até pelo presidente Lula, ganha corpo nesta terça-feira no Rio de Janeiro. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) está realizando leilões para obter concessões de 172 blocos de exploração de hidrocarbonetos, representando 146.000 quilômetros quadrados, localizados em terra e no mar, incluindo 47 blocos somente na foz do Rio Amazonas, na costa dos estados do Amapá e do Pará. Shell, ExxonMobil, Total e a estatal brasileira Petrobras… cerca de trinta empresas responderam ao leilão. Com a aproximação da COP 30 em Belém (Amapá), ambientalistas acreditam que a credibilidade do Brasil em questões climáticas está seriamente comprometida. “Lula aposta na expansão do petróleo e do gás para estimular o crescimento econômico “, analisa Joachim Roth, membro da World Benchmarking Alliance . “Essa aposta não pode dar certo em um mundo perigosamente superaquecido.” O discurso duplo do quarto maior exportador de petróleo do mundo Segundo o Instituto ClimaInfo , o potencial de exploração desses 172 blocos – 24 bilhões de barris no total – é tal que geraria mais de 11 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera. Isso é mais do que o agronegócio brasileiro emitiu nos últimos seis anos. “O Brasil está perdendo uma oportunidade histórica de protagonizar a descarbonização e a proteção do planeta “, afirma Suely Araujo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima. ”  Em meio a uma crise climática, ele está criando fissuras irreparáveis.” A ambivalência do presidente Lula em relação ao clima está em questão e reflete contradições mais amplas que permeiam a esquerda brasileira. “As florestas tropicais estão sendo levadas a um ponto sem retorno. O oceano está febril. (…) A ciência prova que a causa desta doença é o aquecimento global e o uso de combustíveis fósseis “, ele insistiu em Nice, na preparação para a terceira Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano, em 9 de junho. O ex-sindicalista argumenta, com razão, que cabe aos países ricos, como principais culpados pela crise climática, saldar sua dívida financiando a transição energética global, em particular, embora o Brasil esteja imerso na exploração de petróleo há setenta anos. Cabe destacar que, por meio da nacionalização do setor petrolífero, essa política ajudou a tirar milhões de brasileiros da pobreza. Hoje, a venda dessas novas concessões é suficiente para fazer alguém empalidecer em comparação, especialmente desde que o país entrou para a OPEP em fevereiro; é o maior produtor de petróleo da América Latina e até mesmo o quarto maior exportador do mundo. “O uso do petróleo é um dilema que o mundo inteiro enfrenta, mas é injusto culpar apenas os países do Sul quando os países ocidentais se beneficiam dele há quase duzentos anos ” , respondeu a ministra da Ciência e secretária-geral do Partido Comunista (PCdoB), Luciana Santos , ao L’Humanité . Sobre os 47 blocos previstos para a margem equatorial brasileira, Lucia Ortiz, integrante da Amigos da Terra Brasil, afirmou que o Ministério Público Federal entrou com uma ação judicial para impedir sua venda, por estar sendo realizada “sem estudos prévios adequados  “ e causar ”  grave violação aos direitos fundamentais, aos compromissos internacionais e à legislação brasileira ” . Acima de tudo, ela descarta o argumento da oportunidade econômica que o país se beneficiaria: “a infraestrutura de mineração ou petróleo para exportação e o livre comércio de matérias-primas beneficiam grandes empresas, mas não a população da região  “ . Já vítimas do desmatamento, os povos indígenas da Amazônia correm o risco de serem sacrificados no altar do lucro. Matéria publicada originalmente em francês em https://www.humanite.fr/environnement/amazonie/cinq-mois-avant-la-cop30-le-bresil-met-aux-encheres-des-concessions-petrolieres-et-gazieres Traduzida para português com uso de tradutor online Crédito da foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil Amigas da Terra Brasil

Cúpula dos Povos cobra ousadia dos tomadores de decisão na COP30

Evento acontece simultaneamente à conferência das Nações Unidas e critica a baixa eficácia das negociações climáticas A Cúpula dos Povos quer estabelecer protagonismo da sociedade civil em espaço autônomo em relação à COP30 (30ª conferência das Nações Unidas sobre mudança do clima). O evento acontece entre os dias 12 e 16 de novembro, na Universidade Federal do Pará, em Belém, e estima público de 15 mil pessoas. Para as organizações envolvidas na cúpula, as decisões tomadas nas conferências da ONU não geram soluções eficazes para o enfrentamento da crise climática. A carta política lançada pelo movimento declara que “países tomadores de decisão têm se omitido ou apresentado soluções absolutamente ineficientes colocando em risco a meta de 1,5ºC do Acordo de Paris. “As conferências se concentraram em objetivos ínfimos de redução de dióxido de carbono e em estratégias a serviço dos interesses das corporações responsáveis por desastres ambientais”, diz Iván González, coordenador político da Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas (CSA). Outras críticas da articulação pontuam a falta de transparência nos processos decisivos das COPs e a falta de participação da sociedade civil nos espaços de negociação. O objetivo da articulação, composta por mais de 700 entidades do Brasil e do mundo, é convergir demandas de grupos afetados pelas mudanças climáticas, mas excluídos de processos decisivos, como povos indígenas e quilombolas.  Segundo González, sem a união das lutas por justiça ambiental e social, negociações sobre o clima ficam desconectadas dos problemas reais da sociedade. A cúpula valoriza conhecimentos e iniciativas populares. Políticas públicas bem-sucedidas e experiência de movimentos sociais inspiram a proposição dos guias de atuação. Os seis eixos orientadores são: territórios vivos, soberania popular e alimentar; reparação histórica, combate ao racismo ambiental e ao poder corporativo; transição justa, popular e inclusiva; contra as opressões, pela democracia e pelo internacionalismo dos povos; cidades justas e periferias urbanas vivas; feminismo popular e resistência das mulheres nos territórios. A escolha por eixos que aliam pautas diferentes é uma tentativa de fugir de caixas temáticas, explica Maureen Santos, coordenadora do Núcleo Políticas e alternativas da Ong FASE – Solidariedade e Educação e membro do comitê político da Cúpula dos Povos. Além de dar espaço para demandas diversas, o objetivo da articulação também é estabelecer ações concretas que serão tomadas após a COP30. Na agenda oficial da Cúpula, estão incluídos um ato político, denominado “Da Amazônia para o mundo: justiça climática já!”, e uma reunião para divulgar informações sobre a estruturação do evento. Ambos acontecem entre 30 de maio e 2 de junho. HISTÓRICO E ORGANIZAÇÃO A Cúpula dos Povos é uma construção popular convocada  como resposta a eventos que reúnem líderes globais e chefes de grandes corporações para discutir questões ambientais.A primeira atuação da cúpula foi em 1992, no contexto da ECO-92—ou Rio-92— da ONU. Já paralelamente às COPs, ela aconteceu frente à COP20 em Lima, no Peru, em 2014, por exemplo.  O evento que inspirou a estruturação da Cúpula do Povos rumo à COP30 foi a Cúpula dos Povos pela justiça social e  ambiental, que aconteceu em meio à Rio+20 (conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável) em 2012, no Rio de Janeiro. A iniciativa de construir uma contraposição à COP30 partiu de  movimentos sociais brasileiros na COP28, em Dubai. “Percebíamos que várias organizações estavam pensando no que fazer para a COP30 de forma própria. A cúpula foi a forma de juntarmos tudo para discutir a possibilidade de fazer uma construção unitária nesse momento”, afirma Santos. Entre as organizações que se juntaram à ação, estão Observatório do Clima, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Coalizão Negra por Direitos (CND) e Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM). Das 700 entidades, 84 são internacionais, como a Confederação Sindical dos Trabalhadores da América (CSA);  México sem Ecocídio e Centro Para Mudança Social de Joanesburgo, na África do Sul.  Para que essa união de muitos grupos funcione, a cúpula é organizada em um Comitê Político, que facilita e coordena o processo, e por grupos de trabalho, explica Santos. Os principais desafios enfrentados pela articulação estão relacionados à captação de recursos e alojamento para os 15 mil participantes do evento A questão dos alojamentos não é um problema exclusivo da cúpula, Belém já enfrenta problemas de falta de acomodações para o público da COP30. O evento está previsto para acontecer na Universidade Federal do Pará (UFPA). A meta é garantir acomodações nas imediações do local, o que  evitaria a necessidade de deslocamentos à cidade, diz Santos. A escolha da UFPA como sede da Cúpula é um desafio por si só. “Passamos por quatro anos de desmonte das universidades federais. Recursos não  chegavam para a infraestrutura e isso tem um impacto.  Estamos lidando com essa questão e vendo a melhor maneira  possível de aproveitar a Cúpula dos Povos como um legado também para a universidade”, afirma Santos. Segundo Iván González, para os movimentos internacionais, a  dificuldade também está em garantir a participação presencial dos seus membros, devido aos custos de deslocamento.  Ainda, o momento de crise política em diferentes países é  aspecto que dificulta. Para além de lutar pela própria  sobrevivência, comunidades tradicionais, povos originários e  outros participantes da Cúpula precisam assegurar que suas  demandas sejam consideradas nas discussões durante o evento, afirma González. Reportagem de Débora van Pütten, divulgada no jornal Folha de SP

O Pampa vai estar na Cúpula dos Povos e na COP30

Na 2ª feira (26 de maio), aconteceu a 3ª reunião, de uma série de encontros que estão sendo desenvolvidos no Rio Grande do Sul com foco na Cúpula dos Povos rumo à COP 30 (30ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudança do Clima). Foi realizada presencialmente no Sindbancários, em Porto Alegre (RS), com a participação de movimentos sociais, entidades ambientalistas, populares e de comunidades tradicionais, sindicatos e outras organizações. “Queremos fazer uma articulação regional dos povos do Pampa para que a gente possa ter uma estratégia de incidência em Belém, no Pará, no final do ano, e apresentar uma pauta que seja ampla e coletiva. Para que a nossa voz possa repercutir de forma unificada”, afirma Felipe Amaral, que participa deste fórum pela Amigas da Terra Brasil. A expectativa é de que a Cúpula dos Povos mobilize entre 30 mil e 40 mil pessoas. Aqui no RS, essa articulação composta por cerca de 30 entidades está focada nas questões do Pampa. Até o final do ano, a intenção é levar o debate para cidades do interior do estado integradas pelo bioma, como Pelotas, Rio Grande e Bagé, no Sul e na Campanha gaúcha, e também na região metropolitana, buscando mobilizar mais organizações e comunidades a fim de fortalecer a participação em Belém. “Queremos fazer um trabalho de construção coletiva, de acompanhamento e de presença em Belém, no Pará, mas acima de tudo, algo que seja para adiante. A questão ambiental não surge em função da COP e não se encerra nela também. Nossa expectativa é que essa construção seja algo maior do que o evento, que seja uma oportunidade de criar uma unidade em torno dos povos do Pampa”, diz Amaral. O processo segue em construção, sendo pautado pela justiça ambiental e pelo protagonismo das mulheres na luta ambiental. Convidamos todas as organizações e comunidades interessadas a participarem desse movimento. A próxima reunião desta articulação do Pampa na #cúpuladosopovos e na #COP30 ocorre em 9 de junho, às 18h, no Sindbancários, em Porto Alegre. Para mais informações, entre em contato com Felipe pelo e-mail secretarianatbr@gmail.com ou telefone (51) 99709-4736 .

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