Entidades e organizações da sociedade civil entregaram e divulgaram manifesto público em apoio ao Procurador da República Ricardo Gralha Massia e à Procuradora da República Flávia Rigo Nóbrega.

Foi entregue, na tarde de 12 de maio de 2026, um Manifesto Público em solidariedade aos procuradores da República Ricardo Gralha Massia e Flávia Rigo Nóbrega diante das perseguições e pressões sofridas em razão de suas atuações no caso do licenciamento ambiental da fábrica de celulose da empresa chilena CMPC, prevista para o município de Barra do Ribeiro, RS. Entidades e organizações da sociedade civil, entre elas a Amigas da Terra Brasil, entregaram e divulgaram o documento. O Procurador Ricardo e a Procuradora Flávia requereram, no exercício de suas atribuições constitucionais, apenas o cumprimento da Constituição Federal, da legislação ambiental brasileira e da Convenção 169 da OIT, especialmente no que se refere à realização da consulta livre, prévia e informada ao povo Mbya Guarani potencialmente atingido pelo empreendimento. A manifestação ressalta que exigir o respeito aos direitos dos povos indígenas e às normas socioambientais não constitui abuso ou militância, mas sim dever institucional do Ministério Público Federal na defesa da ordem jurídica, dos direitos constitucionais e do patrimônio socioambiental. Além das preocupações relacionadas aos direitos dos povos indígenas, as entidades signatárias alertam para os possíveis impactos ambientais decorrentes da instalação do empreendimento, especialmente sobre o sistema do Guaíba. Entre as preocupações apontadas estão o elevado consumo de água pela indústria de celulose, o lançamento de efluentes industriais, os riscos de contaminação das águas e os impactos sobre a biodiversidade, a pesca artesanal e o abastecimento hídrico na Região Metropolitana de Porto Alegre. As entidades afirmam, ainda, que qualquer tentativa de intimidação ou perseguição contra agentes públicos que atuam na proteção dos direitos coletivos representa grave ameaça à democracia, à autonomia funcional do Ministério Público e às garantias constitucionais dos povos originários e das comunidades tradicionais. O manifesto reúne movimentos sociais, organizações indígenas, entidades socioambientais, juristas, pesquisadoras e pesquisadores, defensoras e defensores dos direitos humanos comprometidos com a justiça socioambiental e com a defesa dos direitos constitucionais. Porto Alegre, 12 de maio de 2026. Roberto LibegottCimi Sul – Equipe Porto Alegre Confira o Manifesto na íntegra aqui:

CMPC: Nova fábrica, velhos impactos?

Por Eduardo Raguse* Por volta das 13:40, do dia 05 de maio de 2026, ocorreu a despressurização de emergência da caldeira da fábrica de celulose da empresa CMPC, no município de Guaíba. O evento causou grande susto e apreensão entre os moradores do entorno da indústria devido ao ruído fortíssimo, odor e grande quantidade de emissões atmosféricas (com chuvisqueiro nas casas dos moradores). Há relatos de pessoas com dor nos ouvidos, dor de cabeça e mal-estar, e de animais domésticos assustados. Apesar da empresa informar em comunicado aos morados de que a situação se normalizaria em aproximadamente 20 minutos, a duração foi de cerca de uma hora. A despressurização é uma ação emergencial para evitar acidentes maiores como rompimentos, vazamentos ou explosão, e segundo informações extraoficiais, teria sido realizada por ter sido encontrada uma “rachadura” em alguma das estruturas do equipamento. Em resposta aos diversos moradores que acionaram o número de Emergência Ambiental da FEPAM, o órgão ambiental respondeu: “A CMPC informou que tiveram que realizar esse procedimento de forma emergencial visto suspeita de vazamento da caldeira.” Não é a primeira vez que ocorrem episódios de emergência na empresa, principalmente após a quadruplicação de sua capacidade produtiva, ocorrida em 2015, autorizada através de um licenciamento ambiental que se mostrou, se não completamente equivocado tecnicamente, com muitos limites que deveriam ser revistos, já que claramente o ambiente local demonstra não ter capacidade de suporte para os riscos e impactos causados, que foram objeto de muito enfrentamento de moradores locais, e até processo judicial por crime ambiental, situação que foi “acomodada” através de um Termo de Ajustamento de Conduta firmado pela CMPC com o Ministério Público, e por uma compra estratégica de casas de parte destes moradores, pela empresa. Segue um pequeno histórico:Em maio de 2015, cinco trabalhadores da empresa foram hospitalizados e a empresa fechada pela FEPAM após vazamento de dióxido de cloro. Em maio de 2016, dez funcionários foram levados a atendimento médico após vazamento do mesmo gás. Em fevereiro de 2017 houve um acidente grave nesta mesma caldeira, inaugurada há menos de dois anos, levando à paralização total da fábrica nova até novembro de 2017. O caso foi parar em uma disputa judicial entre a empresa e a seguradora Mapfre, que teve que pagar R$ 1,1 bi de indenização. Em fevereiro de 2019 um trabalhador morreu após ser prensado por equipamento na fábrica. Em setembro de 2022 houve incêndio na caldeira da fábrica antiga, que segue em operação. Em fevereiro de 2025 houve, novamente, um grave vazamento de cloro, desta vez ultrapassando os limites do pátio da empresa, levando moradores ao pânico, com sensação de sufocamento, forte ardência e queimação nos olhos e nariz, náusea, salivação e dor de cabeça. Atingiu também trabalhadores e levou alguns ao desmaio. Parte da empresa foi evacuada e a operação paralisada. Já ocorreu despressurização emergencial da caldeira inclusive durante a noite, em abril de 2025, onde apesar de ter sido noticiado ser uma operação de rotina a empresa, depois de pressionada, admitiu aos moradores que foi mais uma ação emergencial. Em junho de 2025 ocorreu a morte de um trabalhador terceirizado na fábrica, sem detalhes públicos sobre o ocorrido. Fora a constante geração de ruído (somente legalizada por uma outra “acomodação”, desta vez no Plano Diretor de Guaíba) e de odor de compostos reduzidos de enxofre, que ultrapassa os muros da empresa, atingindo diferentes pontos de Guaíba, a depender da direção dos ventos, desrespeitando de maneira continua a Licença de Operação. Estes episódios recorrentes, e outros que possivelmente não venham a público, acendem um alerta quanto à qualidade e aos níveis de controle da operação e de segurança do trabalho desta indústria de alto risco, que está instalada há poucos metros de centenas de residências da zona sul de Guaíba. Fica explicito também a falta de um Plano de Emergência, ou mesmo qualquer tipo de orientação aos moradores do entorno em casos de acidentes na empresa, os moradores literalmente não sabem para onde correr caso precisem se proteger de algum vazamento de gás tóxico, incêndio ou explosão na fábrica. É evidente, há anos, a necessidade de se garantir melhores condições de segurança aos trabalhadores da CMPC e de qualidade de vida para os moradores do entorno, fatos que, mesmo sendo de alta gravidade, não tem medidas eficazes tomadas pelas autoridades responsáveis à nível municipal ou estadual, além disto estes fatos não são sequer discutidos pela sociedade, construindo uma aparência de que as operações industriais e os monocultivos de eucaliptos no Bioma Pampa não causam nenhum impacto, o que é reforçado pelas ações de mídia da CMPC, a patrocinadora do Campeonato Gaúcho de Futebol, que até tem um time fictício chamado Defensores da Natureza! Mas, para além do que ocorre onde a CMPC já opera, é preciso alertar que a empresa está em processo de licenciamento ambiental para a instalação de uma fábrica ainda maior que a de Guaíba, no município vizinho de Barra do Ribeiro. Utilizando o mesmo sistema de branqueamento, que não é Totalmente Livre de Cloro, o que seria a melhor tecnologia disponível. Aqui questionamos também, ainda é necessário seguir branqueando papel? Já foram identificadas, por um grupo multidisciplinar de técnicos e pesquisadores, uma série de omissões, lacunas e problemas no Estudo de Impacto Ambiental do chamado “Projeto Natureza”, que faria uso massivo de água do Guaíba e consequentemente despejaria uma nova carga de poluição também massiva em nosso querido e tão maltratado manancial (242 milhões de litros por dia, que somados aos 154 milhões de litros já despejados por dia pela fábrica de Guaíba equivalem à um volume superior ao que Porto Alegre gera de esgoto diariamente), seus poluentes incluem o despejo potencial de dioxinas e furanos – altamente tóxicos, e elementos como nitrogênio e fósforo que podem agravar os episódios de floração de cianobactérias, que levam àquela conhecida coloração esverdeada e às alterações de gosto e odor da nossa água e que também podem gerar substâncias tóxicas. Mais de mil pescadores podem ser impactados, segundo estimativas desta comunidade

Estudo ‘Expansão dos desertos verdes em um Pampa em Extinção” aborda resistência popular e impactos dos monocultivos de árvores

A história de violações de direitos, exploração e opressões causada por corporações aos territórios de vida é antiga. Assim como os processos de luta na construção de horizontes de emancipação e soberania popular. Hoje, projetos de morte do setor da celulose ganham força com a flexibilização da legislação ambiental. Novas fábricas estão sendo anunciadas e construídas em diversas partes do Brasil. Um exemplo é a nova fábrica proposta pela empresa chilena CMPC em Barra do Ribeiro (RS), em fase de licenciamento ambiental e hipocritamente chamada de “Projeto Natureza”. Caso seja instalada, ela demandará uma nova expansão das monoculturas de eucalipto, o que afeta mais uma vez o Bioma Pampa e os seus povos. O estudo “Expansão dos desertos verdes em um Pampa em Extinção”, escrito pelo engenheiro ambiental Eduardo Raguse, da Amigas da Terra Brasil, Comitê de Combate à Megamineração do Rio Grande do Sul e também da coordenação nacional do Movimento por Soberania Popular na Mineração (MAM), faz um mergulho na temática. Com o enfoque em apontar como a nova expansão das monoculturas de eucalipto para produção de celulose ameaçam o bioma e sua diversidade de vidas, o material também expõe o cenário nacional e aborda processos de resistência popular frente ao avanço dos desertos verdes*. Embasado numa série de dados das ciências naturais, políticas, econômicas e sociais, o estudo traz mapas, infográficos, dados e faz um apanhado histórico. Neste, apresenta uma linha do tempo das corporações de celulose atuantes no Rio Grande do Sul, evidenciando a relação do setor com desmontes na legislação ambiental e com ditaduras militares no Brasil e no Chile. Chegando ao atual momento, traz o caso da CMPC e sua atuação no RS, destacando os impactos da quadruplicação da fábrica da celulose em Guaíba e do “Projeto Natureza”, além da lavagem verde. Marcado pelo contexto da emergência climática global, o estudo também analisa a relação dos monocultivos de eucalipto com a enchente histórica no RS e as falsas soluções de mercado propostas pelo setor da celulose, como é o caso dos créditos de carbono sujos, que escancaram contradições entre o discurso e a prática empresarial. Baixe o PDF do estudo na íntegra aqui: Frente a essa nova ofensiva do capital, quando mais uma vez corporações destroem territórios de vida para avançarem com seus projetos poluidores e destruidores da natureza, tudo em nome do lucro, manifestamos que “quem vê árvore, não vê floresta”. Denunciamos a expansão das monoculturas, sua cadeia logística industrial e seus impactos ambientais e sociais. Em defesa das matas, águas, gentes e do clima, seguimos exigindo que as soluções sejam as dos povos, com demarcação de territórios indígenas, titulação quilombola, reforma agrária popular e agroecologia para a produção de alimentos. Seguimos em luta! Acesse também a nossa cartilha popular sobre o tema: *Os desertos verdes são assim chamados pois consistem no plantio de árvores de uma única espécie (monocultura) com finalidade comercial. Diferentemente de áreas naturais de florestas ou campos nativos, que possuem alta biodiversidade, os desertos verdes são formados por extensas áreas com uma única espécie.

Resistimos ao poder corporativo! Solidariedade Feminista Internacional contra o poder das corporações transnacionais

Frente às múltiplas crises do nosso tempo histórico, à emergência climática e ao avanço dos projetos de morte do capital, todos orquestrados por grandes corporações, mulheres erguem suas vozes. Denunciam falsas promessas dos discursos corporativos, a impunidade e o poder das empresas transnacionais, que em nome do lucro deixam um rastro de violência e destruição, sangrando corpos e territórios de vida.  Em defesa das águas, florestas, sementes, do conhecimento e do cuidado, mulheres resistem e constroem economias alternativas, criam soberanias feministas e se organizam para proteger a vida e os bens comuns. Por todos os lados, marcham por uma transformação radical da sociedade, contra  a mercantilização. Em 24 de abril, durante a Semana de Solidariedade Feminista Internacional contra as Corporações Transnacionais, te convocamos a: agir, denunciar a violência corporativa e ampliar alternativas feministas.   Organizadas em amplas cadeias globais de produção, as empresas transnacionais prosperam graças ao roubo, à exploração do trabalho e à devastação dos bens comuns. Por onde passam, expropriam territórios e os transformam em suas propriedades. Atacam bens comuns para impor megaprojetos de mineração e da especulação imobiliária. Derrubam florestas para dar espaço ao agronegócio, principal causador da emissão de gases de efeito estufa (que nos levam à emergência climática) aqui no Brasil. Além disso, fazem armas e guerras, privatizam a água, a saúde e a educação. Vendem falsas soluções para os problemas que elas mesmas criaram.  O desenvolvimento que tanto pregam tem base na exploração, exclusão e no colapso ecológico. Na sua sanha sem fim por lucro, extraem tudo que podem de um planeta finito, o levando a um profundo desequilíbrio, o  que se reflete em enchentes de um lado, secas extremas e ondas de calor nunca antes vivenciadas do outro.     As corporações detêm um poder que controla a economia, a política, a cultura e as formas de produção da vida. É contra esse poder que nascem as lutas ao redor do dia 24 de abril. A data relembra as mais de mil vítimas do desabamento do prédio Rana Plaza, em Bangladesh, em 2013. Memora as afetadas do Desastre de Bhopal, quando o vazamento de gás da fábrica de pesticidas Union Carbide India Limited matou quase 4 mil pessoas na Índia. Ou ainda, as 272 pessoas mortas em Brumadinho e as 19 mortas em Mariana, nos rompimentos de barragens de mineração em Minas Gerais. As vítimas fatais e afetadas da enchente de maio de 2024 no Rio Grande do Sul. A lista de graves violações aos direitos humanos por empresas é longa. E quase sempre, na linha de frente, estão mulheres. Em geral, as que mais sentem os danos sociais e ambientais, especialmente se empobrecidas, negras, indígenas e lgbtqiap+.   Nos levantamos por direitos para os povos, para desmantelar o poder corporativo e para que a vida esteja acima do lucro! Seguimos em marcha por uma economia feminista e popular. Nossos corpos, territórios e bens comuns não estão à venda. #tbt Nas imagens, registros do dia 13/03/25, quando Mulheres Sem Terra realizaram ato em frente a fábrica de produção de celulose da CMPC, em Guaíba (RS), denunciando a flexibilização ambiental, o avanço dos monocultivos no bioma Pampa e a responsabilidade de grandes empresas por crimes ambientais. O ato expôs que o agronegócio e os megaprojetos causam envenenamento da natureza e das pessoas, e que os créditos de carbono dos monocultivos (como o de eucalipto, caso da CMPC) são sujos – falsa solução para a crise climática. Outra denúncia foi do anúncio da CMPC sobre nova fábrica em Barra do Ribeiro, maior que a de Guaíba, ainda mais poluidora. Além disso, o momento foi de solidariedade às pessoas trabalhadoras e moradoras do entorno, que no dia 23 de fevereiro foram afetadas por vazamento de dióxido de cloro da fábrica. https://www.instagram.com/p/DHZQIeIR3a2/ Leia a  Declaração Internacional da MMM: Resistência feminista contra o poder corporativo: a vida acima do lucro, a paz acima da guerra Leia a nossa coluna no Jornal Brasil de Fato: Os impactos das empresas transnacionais na vida das mulheres

“Eucalipto não é floresta”: Em jornada de luta mulheres sem terra denunciam expansão do monocultivo no RS

Na quinta-feira (13/03), Mulheres Sem Terra realizaram ato em frente a fábrica de produção de celulose da CMPC, em Guaíba (RS). A Amigas da Terra Brasil e o Levante Popular da Juventude somaram ao momento, protagonizado por mulheres e pessoas LGBTQIAP+. Entoando que “Eucalipto não é floresta” e que “os mesmos que destroem a natureza são aqueles que destroem a vida das mulheres”, presentes denunciavam  o avanço dos monocultivos no bioma Pampa, a responsabilidade das grandes empresas por crimes ambientais e a necessidade da luta por dignidade, terra, território e em defesa de direitos e da natureza. Com falas, cartazes e cantos, expuseram que o agronegócio e os megaprojetos causam o envenenamento da natureza e das pessoas, e que os créditos de carbono dos monocultivos (como o de eucalipto, caso da CMPC) são sujos – uma falsa solução para a crise climática. Outra denúncia foi quanto ao anúncio da CMPC sobre nova fábrica em Barra do Ribeiro, ainda maior que a de Guaíba, ressaltando os impactos socioambientais de atividades do ramo. O momento também foi de solidariedade às pessoas trabalhadoras e moradoras do entorno, que no dia 23 de fevereiro deste ano foram afetadas por vazamento de dióxido de cloro da fábrica. Neste encontro entre MST, juventudes e mulheres organizadas, a expansão dos monocultivos de árvores (desertos verdes) da CMPC foi abordado como crime ambiental e projeto de morte do capital.  Durante a ação em frente à fábrica de celulose da CMPC, mulheres e aliades entoavam: “Eucalipto não é floresta, CMPC devolve o pampa já. As mulheres da reforma agrária querem terra para trabalhar”. Quem não pode com as mulheres, não atice o formigueiro “Estamos aqui para denunciar essa empresa criminosa que acaba com a vida das mulheres. Nós, mulheres sem terra, mulheres da cidade, mulheres acampadas, seguiremos denunciando o capital e a destruição que o agronegócio provoca nos nossos corpos e nos nossos territórios. Nós lutamos pela vida, pela biodiversidade e pela defesa da produção de alimentos saudáveis. Nós ainda estamos aqui, e faremos a luta contra todas as formas de violência”.  Fala coletiva durante ato em frente à CMPC.  Na data, foram realizadas ações em diversos pontos do Rio Grande do Sul para denunciar o avanço da silvicultura, em especial do eucalipto, e o risco que traz para a vegetação nativa e vida da população, sobretudo para o Bioma Pampa, ameaçado de extinção.  A ação também ocorreu em  Porto Alegre, Pelotas, Santana do Livramento e Tupanciretã, com marchas, intervenções culturais, debates, entrega e plantio de mudas. Sob o lema “Agronegócio é violência e crime ambiental, a luta das mulheres é contra o capital!”, a ação faz parte da mobilização do Movimento Sem Terra (MST) para marcar o 8 de março, por meio da Jornada Nacional de Lutas de 2025. Entre 11 e 14 de março, o MST realizou encontros, formações, plantios, marchas e protestos por todo o Brasil para denunciar as violências do agronegócio, das corporações e dos monocultivos – que expropriam corpos e territórios, envenenam povos e terras, mercantilizam alimentos e a natureza, secam rios, aprofundam desigualdades e agravam a crise ambiental. Confira o vídeo de cobertura do ato e relatos das mulheres organizadas: INSERIR AQUI “Nós, mulheres do movimento, nos sentimos nesse compromisso com a sociedade brasileira e principalmente com o nosso bioma Pampa. Queremos alertar que um avanço desses do agronegócio e ainda hoje liberado por lei sem um zoneamento ambiental, ele pode ser uma catástrofe, ainda mais no Rio Grande do Sul que sofre drasticamente com as mudanças climáticas”, diz Lara Rodrigues, dirigente nacional do MST no RS. Lara também destacou que o avanço da soja, e a substituição por eucalipto, além de trazer impactos ambientais, tem impactos no modo de vida da população, das mulheres e na paisagem do bioma Pampa. O principal alvo da mobilização é a empresa CMPC, que está dominando a silvicultura no estado. “Ela tem um milhão de hectares plantados de eucalipto e a previsão de avanço de quatro milhões, principalmente no bioma Pampa. Estamos denunciando que essa empresa e esse avanço da silvicultura no Rio Grande do Sul não vão passar limpo”, afirmou Lara. O Bioma Pampa equivale a cerca de 64% do território do RS, mas mais de 30% de áreas nativas foram perdidas entre 1995 e 2023. A denúncia do MST é de que o principal motivo para a devastação é a silvicultura, por meio da produção industrial de árvores exóticas como eucalipto, pinus e acácia. Durante o ato frente à CMPC, Letícia Paranhos, presidenta da Amigas da Terra Brasil, falou sobre a impunidade corporativa, a relação da CMPC com a ditadura chilena e a importância da mobilização popular e das mulheres em defesa da terra: “Essa empresa vazou cloro, afetou mais uma vez a vida das pessoas e das mulheres. Todas essas casas foram cobertas, não houve alerta, não houve cuidado, não vai haver fiscalização e muito provavelmente vai seguir impune. A CMPC é criminosa desde sempre, no Chile estava junto com a ditadura e aqui segue violando os nossos direitos”. Ao contextualizar sobre a nova fábrica da empresa, questionou se a mulherada deixaria barato. A resposta, em uníssono, foi que não, que quem mexe com as mulheres se coloca para correr. “A ampliação da fábrica só serve para o lucro deles. Para a gente fica o custo das nossas vidas, da nossa saúde, da nossa terra”, expôs Letícia.   Após o ato, uma moradora da comunidade que presenciou a ação abordou manifestantes. Em relato, solicitando não ser identificada, contou que quando houve vazamento de dióxido de cloro na empresa ela, que mora perto, foi acometida com mal estar, enjoo e vômito. A moradora comentou que tentou contatar a CMPC algumas vezes e acabou indo ao hospital, onde atestaram contaminação. Também comunicou que ao sair de casa viu fumaça por todo entorno, e após o contato começou a passar mal, o que reforça relato de outros moradores e até mesmo materiais em vídeo que comprovam que a fumaça saiu dos muros da CMPC, situação

Vazamento de cloro líquido em fábrica de celulose em Guaíba (RS) coloca população em alerta

No último domingo (23), por volta das 11h, houve um grave vazamento de cloro líquido na fábrica de celulose da empresa CMPC, em Guaíba (RS). Moradores do entorno da fábrica relatam que viveram momentos de pânico devido ao forte odor e nuvem branca e densa que atingiu suas casas, causando sensação de sufocamento, forte ardência e queimação nos olhos e nariz, náusea, salivação e dor de cabeça. Ao tentar contato com o canal de atendimento da empresa, moradores não tiveram retorno ágil, tendo que recorrer ao 192 para buscar informações médicas de emergência. Há relatos de que o vazamento atingiu também trabalhadores, levando alguns ao desmaio. Parte da empresa foi evacuada e a operação paralisada. Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e Corpo de Bombeiros foram  acionados. A empresa se limitou a informar à mídia de que houve um vazamento (sem especificar de que substância) e de que a situação estaria sob controle, sem dar quaisquer orientações para as comunidades do entorno, sobre o tipo de vazamento, sua gravidade, extensão ou como agir nesta situação. No passado, já ocorreram outros episódios de vazamento de cloro, incêndios e inclusive a implosão de uma das caldeiras de força. O nível de risco para as comunidades do entorno da empresa é alto, porém não há qualquer tipo de Plano de Ação de Emergência, ou sequer sistema de sirenes e avisos que possam ser acionados em casos como este, para evitar impactos à saúde destas comunidades. O cloro tem uma taxa de expansão elevada, um litro de cloro líquido vazado gera 457 litros de cloro gasoso na atmosfera. O contato direto da pele com o cloro líquido (altamente corrosivo) pode causar ulcerações e queimaduras graves. Já o gás cloro causa grave irritação ocular e sistema respiratório porque, ao reagir com a umidade do corpo, forma ácidos, a inalação pode causar bronquite crônica, e edema pulmonar e morte por asfixia. Cabe ressaltar que a fábrica se localiza em zona urbana residencial do município de Guaíba, com residências a poucos metros da unidade industrial que foi quadruplicada em 2015 agravando ainda mais os impactos socioambientais no entorno, tendo sido objeto de processo judicial por crime ambiental e Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público Estadual, que obrigou a empresa a realizar investimentos como o aumento do muro de parte do pátio e enclausuramento de equipamentos, bem como a revitalização da Praia da Alegria como forma de compensação ambiental. As melhorias que a empresa realizou por obrigação, e que seu marketing verde batizou de “BioCMPC”, não foram suficientes para conter seus diversos impactos, ainda seguem problemas como forte odor de Compostos Reduzidos de Enxofre (que tem cheiro de ovo podre), ruído e forte trepidação, que em determinados locais ocorrem 24h por dia, causando rachaduras em residências e levando pessoas a transtornos de sono, stress e ansiedade. A CMPC, do chileno Grupo Matte, anunciou recentemente um investimento bilionário na construção de uma nova fábrica de celulose, no município de Barra do Ribeiro, hipocritamente chamado pela empresa de “Projeto Natureza”. A empresa investe muito em propaganda buscando construir uma imagem de sustentável, patrocina até mesmo o Campeonato Gaúcho e chegou ao cúmulo de criar um time fictício chamado “Defensores da Natureza”. Seu novo projeto, assim como a fábrica existente, irá despejar seus efluentes industriais no já tão poluído Guaíba, e impactar ainda mais o bioma Pampa com a expansão de seus monocultivos de eucaliptos transgênicos, gerando créditos de carbono sujos com mais desertos verdes num Pampa em extinção. Conteúdo originalmente publicado no Jornal Brasil de Fato, em: https://www.brasildefato.com.br/2025/02/24/vazamento-de-cloro-liquido-em-fabrica-de-celulose-em-guaiba-rs-coloca-populacao-em-alerta/   Confira também o conteúdo em vídeo:  

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