Campanha Multiversidade dos Povos da Terra de Mãe Preta: Apoie a aquisição da kasa das Juventudes kilombola, periférica, indígena e LGBTQIAPN+ em Salvador (BA)

“Quantas juventudes precisam sair de seus territórios para estudar, trabalhar, lutar por direitos? Quantas, quantos de nós, nesses caminhos, têm seus corpos e seus sonhos enfraquecidos? Em Salvador, um grupo de jovens mulheres kilombolas está sonhando, junto às suas mais velhas, um espaço de acolhimento, desformação e cuidado ancestral para que possamos nos reencontrar, estarmos juntes, proteger a vida e esperançar futuros possíveis não apenas para nós, mas através de nós” – CoMPaz “Essa kasa é nossa, essa kasa é do povo, é akilombando que se faz um mundo novo” A Comunidade Kilombola Morada da Paz – Território de Mãe Preta (CoMPaz) convoca territórios de vida, aliades, parceires e povos em luta para se unirem em solidariedade real e radical para garantir um espaço de dignidade e reexistência às nossas juventudes. Estamos lançando a Campanha Multiversidade dos Povos da Terra de Mãe Preta para aquisição de um local físico para a Chopana Odomodê Odjango Filhas de Mãe Preta, em Salvador (BA). Este espaço será um lar, um akilombamento para juventudes kilombolas, periféricas, de terreira, indígenas, ribeirinhas, dissidentes e LGBTQIAPN+, tornando-se também um território de aprendizagem, cuidado e prática coletiva. De compartilhamento de saberes e cuidados ancestrais com e para essas juventudes, contando com incidências culturais, artísticas, políticas, de saúde e de educação pelo direito de ser e existir dos povos. Nessa caminhada, a casa auxiliará nas lutas individuais e coletivas, fazendo pulsar o sentido de defesa da vida. Chopana Odomodê Odjango: uma morada para a memória e para a vida A Chopana Odomodê Odjango Filhas de Mãe Preta é um coletivo de mulheres jovens kilombolas majoritariamente negras, que cruzaram léguas até Salvador para dar continuidade à memória e à preservação do seu Território. Tecendo sonhos onde as ganas das mais jovens se encontram com as sabenças das mais velhas, guiadas pela estratégia do akilombamento, elas criaram este espaço de resistência, resiliência e amor à vida no contexto urbano de Salvador. Espaço que neste momento busca se tornar também um local físico. “Nossas práticas e movimentos procuram salvaguardar a vida como forma de ressignificar a luta diária que nos move enquanto sociedade”, evidenciam. A juventude negra e quilombola no Brasil carrega em seus corpos a marca da violência estrutural. Segundo o Atlas da Violência (IPEA/FBSP, 2023), 77% das vítimas de homicídios no país são negras; jovens negros têm quase três vezes mais chances de serem assassinados do que brancos. As mulheres negras, kilombolas e afro-indígenas estão entre as mais afetadas: 61% das vítimas de feminicídio, ao mesmo tempo em que sustentam redes de cuidado, espiritualidade e resistência. Em Salvador, a cidade mais negra fora da África, a juventude enfrenta o peso do desemprego, da violência policial e do racismo que insiste em negar dignidade mesmo em território de maioria negra (Geledés, 2024). Nas periferias, juventudes são criminalizadas e encarceradas. Nos territórios tradicionais, enfrentam o racismo institucional que lhes nega direitos básicos e são ameaçadas por megaprojetos do agronegócio, da mineração, da especulação imobiliária, além da abertura de rodovias e ferrovias que atravessam territórios ancestrais, fragmentam comunidades e desestruturam modos de vida. Esses empreendimentos, impostos sem consulta livre, prévia e informada, resultam em expulsões, desterritorialização e rompimento dos vínculos com a terra, os rios e os encantados. A Comunidade Kilombola Morada da Paz – Território de Mãe Preta (CoMPaz) é exemplo vivo dessa realidade: cercada por pressões do agronegócio e projetos de expansão rodoviária, resiste com firmeza à lógica colonial que busca arrancá-la de seu lugar de vida e encantamento. É nesse contexto que a aquisição da Kasa das Juventudes, em Salvador, se coloca como levante e estratégia de resistência coletiva: gesto insurgente das juventudes, em aliança com suas mais velhas, para garantir dignidade, cuidado e proteção. A Choupana Odmodê Odjango Filhas de Mãe Preta não é apenas sonho, mas necessidade vital: será morada, CoMKola ancestral, espaço de luta e reexistência para juventudes kilombolas, indígenas, periféricas e LGBTQIAPN+. A juventude é força insubmissa e criativa. Em seus corpos pulsa a ancestralidade que não se dobra, que insiste em semear futuros possíveis. Apoiar esta campanha é romper com as lógicas coloniais que negam vida às juventudes negras e afirmar alianças entre povos para viver com respeito, justiça e esperança. Contribuir é investir na vida e na Multiversidade dos Povos da Terra de Mãe Preta. É tornar real uma kasa-kilombo-aldeia, onde as juventudes possam ser, existir e florescer. Multiversidade dos Povos da Terra de Mãe Preta: autonomia insurgente, alianças ancestrais e presentes possíveis Do Pampa à Amazônia, em sete anos o coletivo acolheu mais de cinco mil pessoas, alcançando territórios em 18 estados do Brasil, abarcando especialmente kilombos, aldeias e retomadas indígenas. Como expõe Bawoy, jovem da CoMPaz: “Somos a multiversidade que acontece entre comunidades tradicionais, periferias urbanas e nas brechas das universidades. Hoje somos mais de 50 comunidades entre Pampa e Amazônia, com forte presença no Pará, Rio Grande do Sul, Bahia e Minas Gerais. No Projeto da Multiversidade já produzimos mais de 60 encontros, vivências, desformações com mulheres, crianças, jovens e lideranças comunitárias”. No intuito de ampliar esse alcance e enraizar o fortalecimento da comu(m)unidade das lutas, nutrindo as juventudes, surge esta campanha. “Pedimos contribuição porque a autonomia não se sustenta sozinha. Apoiar a multiversidade é apoiar o vivedouro da esperança, para que juntos possamos realizar esse sonho de ter a sede para que com mais segurança a gente possa acolher juventudes periféricas e dissidentes, possibilitando a ampliação dos sarais, o primeiro festival da multiversidade, o Encontro dos Tambores da América Latina e a incidência política para a salvaguarda da Lagoa de Abaeté”, relata Bawoy. Rompendo com a violenta percepção colonialista de história única, a Multiversidade dos Povos da Terra de Mãe Preta, traz o valor da complementaridade e do coabitar. E assim se propõe também a futura morada baiana, numa trama insurgente protagonizada por mulheres guardiãs da memória, da espiritualidade e do esperançar. “Para os povos da terra, os saberes são múltiplos e diferentes, dizem sobre os diversos modos de ser e viver. Gostamos da diversidade e do encontro dos saberes,
Quarta Temática apresenta estudo “Política Nacional de Clima, Participação Social e Propostas dos Povos do Brasil para a Justiça Climática”

🍃 ✊🏽 Na quarta-feira (28), a Casanat, casa sede da ATBr, recebeu movimentos sociais, organizações populares, coletivos e juventudes para partilhar da Quarta Temática. Na ocasião, o estudo “Política Nacional de Clima, Participação Social e Propostas dos Povos do Brasil para a Justiça Climática” foi apresentado. Entrelaçando histórias de gentes e biomas, o momento correlacionou desafios, lutas e caminhos do Pampa à Amazônia na construção da justiça climática e dos povos. Foram debatidas políticas de clima, desmonte da legislação ambiental, o impacto do agronegócio na emergência climática (responsável por 75% das emissões no BR), falsas soluções de mercado com seus “créditos de carbono” e a ameaça de acordos de livre comércio. Contra projetos de morte do capital, suas lógicas ecocidas e violadoras de direitos, está o antídoto ancestral, a organização popular, sonhos rebeldes que plantam akilombamentos. Estão territórios que salvaguardam a vida com suas práticas, valores e sabenças – as ocupações, cozinhas solidárias, kilombos, aldeias e retomadas. Esteve em pauta o que representa a COP30 no Brasil e a relevância de espaços de convergência popular, como a Cúpula dos Povos, no reconstruir do internacionalismo solidário de classe. Frente a retrocessos como o avanço do PL da Devastação e a licença de instalação para o derrocamento do Pedral do Lourenço, no Rio Tocantins (PA), encontros como a Quarta Temática visam o fortalecimento mútuo e a construção de alternativas. Neste foram ressaltadas a reparação histórica e a Justiça Climática na perspectiva dos povos indígenas, tradicionais e das mulheres amazônidas, assim como as soluções dos povos. Bandeiras por reforma agrária popular, agroecologia, demarcação de territórios indígenas, titulação de quilombos, reforma fundiária e urbana, soberania territorial e alimentar foram erguidas. 📣 Aquecendo e ocupando a CasaNat, voltamos a realizar mensalmente a Quarta Temática, um espaço de encontro para a construção de outros mundos possíveis, com justiça climática, social e ambiental. Confira a cobertura fotográfica em:






