CMPC: as artérias da exploração que ligam a oligarquia chilena ao sul do Brasil

Herdeira de uma histórica concentração fundiária no Chile, a companhia de celulose avança sobre novos territórios no Rio Grande do Sul.
Entidades e organizações da sociedade civil entregaram e divulgaram manifesto público em apoio ao Procurador da República Ricardo Gralha Massia e à Procuradora da República Flávia Rigo Nóbrega.

Foi entregue, na tarde de 12 de maio de 2026, um Manifesto Público em solidariedade aos procuradores da República Ricardo Gralha Massia e Flávia Rigo Nóbrega diante das perseguições e pressões sofridas em razão de suas atuações no caso do licenciamento ambiental da fábrica de celulose da empresa chilena CMPC, prevista para o município de Barra do Ribeiro, RS. Entidades e organizações da sociedade civil, entre elas a Amigas da Terra Brasil, entregaram e divulgaram o documento. O Procurador Ricardo e a Procuradora Flávia requereram, no exercício de suas atribuições constitucionais, apenas o cumprimento da Constituição Federal, da legislação ambiental brasileira e da Convenção 169 da OIT, especialmente no que se refere à realização da consulta livre, prévia e informada ao povo Mbya Guarani potencialmente atingido pelo empreendimento. A manifestação ressalta que exigir o respeito aos direitos dos povos indígenas e às normas socioambientais não constitui abuso ou militância, mas sim dever institucional do Ministério Público Federal na defesa da ordem jurídica, dos direitos constitucionais e do patrimônio socioambiental. Além das preocupações relacionadas aos direitos dos povos indígenas, as entidades signatárias alertam para os possíveis impactos ambientais decorrentes da instalação do empreendimento, especialmente sobre o sistema do Guaíba. Entre as preocupações apontadas estão o elevado consumo de água pela indústria de celulose, o lançamento de efluentes industriais, os riscos de contaminação das águas e os impactos sobre a biodiversidade, a pesca artesanal e o abastecimento hídrico na Região Metropolitana de Porto Alegre. As entidades afirmam, ainda, que qualquer tentativa de intimidação ou perseguição contra agentes públicos que atuam na proteção dos direitos coletivos representa grave ameaça à democracia, à autonomia funcional do Ministério Público e às garantias constitucionais dos povos originários e das comunidades tradicionais. O manifesto reúne movimentos sociais, organizações indígenas, entidades socioambientais, juristas, pesquisadoras e pesquisadores, defensoras e defensores dos direitos humanos comprometidos com a justiça socioambiental e com a defesa dos direitos constitucionais. Porto Alegre, 12 de maio de 2026. Roberto LibegottCimi Sul – Equipe Porto Alegre Confira o Manifesto na íntegra aqui:
Solidariedade com o povo venezuelano diante da agressão imperialista

A Amigos da Terra América Latina e Caribe (ATALC), da qual a Amigas da Terra Brasil faz parte, denuncia e repudia a agressão militar dos Estados Unidos, que viola a soberania e a autodeterminação do povo venezuelano. A intervenção político-militar ocorrida na madrugada de 3 de janeiro na Venezuela viola o Direito Internacional, no que diz respeito aos princípios consagrados na Organização das Nações Unidas (ONU), que proíbem explicitamente qualquer ameaça ou uso da força contra a independência política dos Estados e exigem a solução pacífica de qualquer conflito entre países. A ATALC manifesta sua solidariedade ao povo venezuelano diante da violação de sua soberania e convoca os governos democráticos de todo o mundo a se posicionarem e repudiarem a invasão, exigindo garantias para manter a soberania e a autodeterminação dos povos, e exige que os organismos multilaterais rejeitem a agressão e evitem uma escalada na região, considerando as ameaças que o imperialismo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, lançou contra diferentes países, e o avanço e controle militar que alcançou no Caribe como teatro de operações para suas estratégias invasoras. A defesa da América Latina como região de paz deve ser prioridade dos governos democráticos, compreendendo também que a intervenção militar e a agressão imperialista têm entre seus principais objetivos o controle estratégico dos bens naturais, como o petróleo e os minerais — bens essenciais para os povos e seus territórios. Não será possível manter a paz na região enquanto se permitirem e se consolidarem agressões imperialistas que colocam em risco a justiça social, ambiental, econômica e de gênero, e que podem se estender a outros países ameaçados e detentores dos bens naturais cobiçados pelos Estados Unidos. Não cessaremos a denúncia e o acompanhamento solidário ao povo venezuelano, nem a articulação de nossas organizações e movimentos em defesa da democracia e da paz na região. 3 de janeiro de 2026 Amigos da Terra América Latina e Caribe (ATALC)
Declaração da Cúpula dos Povos rumo à COP30

Nós, da Cúpula dos Povos, reunidos em Belém do Pará, na Amazônia brasileira, de 12 a 16 de novembro de 2025, declaramos aos povos do mundo o que acumulamos em lutas, debates, estudos, intercâmbios de experiências, atividades culturais e depoimentos, ao longo de vários meses de preparação e nestes dias aqui reunidos. Nosso processo reuniu mais de 70.000 pessoas que compõem movimentos locais, nacionais e internacionais de povos originários e tradicionais, camponeses/as, indígenas, quilombolas, pescadores/as, extrativistas, marisqueiras, trabalhadores/as da cidade, sindicalistas, população em situação de rua, quebradeiras de coco babaçu, povos de terreiro, mulheres, comunidade LGBTQIAPN+, jovens, afrodescendentes, pessoas idosas, dos povos da floresta, do campo, das periferias, dos mares, rios, lagos e mangues. Assumimos a tarefa de construir um mundo justo e democrático, com bem viver para todas e todos. Somos a unidade na diversidade. O avanço da extrema direita, do fascismo e das guerras ao redor do mundo exacerba a crise climática e a exploração da natureza e dos povos. Os países do norte global, as corporações transnacionais, e as classes dominantes são os maiores responsáveis por essas crises. Saudamos a resistência e nos solidarizamos com todos os povos que estão sendo cruelmente atacados e ameaçados pelas forças do império estadunidense, Israel e seus aliados da Europa. Há mais de 80 anos, o povo palestino tem sido vítima de genocídio praticado pelo Estado sionista de Israel, que bombardeou a faixa de Gaza, deslocou pela força milhões de pessoas e matou dezenas de milhares de inocentes, a maioria crianças, mulheres e idosos. Nosso repúdio total ao genocídio praticado contra a Palestina. Nosso apoio e abraço solidário ao povo que bravamente resiste, e ao movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS). Ao mesmo tempo, no mar do Caribe, os Estados Unidos intensificam sua presença imperial. Fazem-no expandindo operações conjuntas, acordos e bases militares, em conluio com a extrema direita, sob o pretexto de combate ao narcotráfico e ao terrorismo, como com a operação recém anunciada “Lança do Sul”. O imperialismo segue ameaçando a soberania dos povos, criminalizando movimentos sociais e legitimando intervenções que historicamente serviram aos interesses privados na região. Nos solidarizamos à resistência da Venezuela, Cuba, Haiti, Equador, Panamá, Colômbia, El Salvador, República Democrática do Congo, Moçambique, Nigéria, Sudão, e com os projetos de emancipação dos povos do Sahel, Nepal e de todo o mundo. Não há vida sem natureza. Não há vida sem a ética e o trabalho de cuidados. Por isso, o feminismo é parte central do nosso projeto político. Colocamos o trabalho de reprodução da vida no centro, é isso que nos diferencia radicalmente dos que querem preservar a lógica e a dinâmica de um sistema econômico que prioriza o lucro e a acumulação privada de riquezas. Nossa visão de mundo está orientada pelo internacionalismo popular, com intercâmbios de conhecimentos e saberes, que constroem laços de solidariedade, lutas e de cooperação entre nossos povos. As verdadeiras soluções são fortalecidas por esta troca de experiências, desenvolvidas em nossos territórios e por muitas mãos. Temos o compromisso de estimular, convocar e fortalecer essas construções. Por isso, saudamos o anúncio da construção do Movimento Internacional de Atingidas e Atingidos por barragens, pelos crimes socioambientais e pela crise climática. Iniciamos nossa Cúpula dos Povos navegando pelos rios da Amazônia que, com suas águas, nutrem todo o corpo. Como o sangue, sustentam a vida e alimentam um mar de encontros e esperanças. Reconhecemos também a presença dos encantados e de outros seres fundamentais na cosmovisão dos povos originários e tradicionais, cuja força espiritual orienta caminhos, protege territórios e inspira as lutas pela vida, pela memória e por um mundo de bem viver. Depois de mais de dois anos de construção coletiva e de realizar a Cúpula dos Povos, afirmamos: Frente a esses desafios, propomos: Por fim, consideramos que é tempo de unificar nossas forças e enfrentar o inimigo comum. Se a organização é forte, a luta é forte. Por esta razão, a nossa tarefa política principal é o trabalho de organização dos povos em todos os países e continentes. Vamos enraizar nosso internacionalismo em cada território e fazer de cada território uma trincheira da luta internacional. É tempo de avançar de modo mais organizado, independente e unificado, para aumentar nossa consciência, força e combatividade. Este é o caminho para resistir e vencer. “Povos do mundo: Uni-vos”
Amigas da Terra Brasil entrega estudo “Política Nacional de Clima, participação social e propostas dos povos do Brasil para a Justiça climática” durante encontro Vozes do Pampa

Na sexta-feira (12), a Amigas da Terra Brasil participou do encontro Vozes do Pampa. Junto a movimentos sociais, rurais e feministas, comunidades e lideranças indígenas e negras, estivemos reivindicando as pautas populares por justiça climática rumo à COP30. O encontro ocorreu na Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre (RS), onde estivemos na construção de diálogo a partir de grupo de trabalho. Aproveitando a ocasião, a presidenta da Amigas da Terra Brasil, Letícia Paranhos, entregou às autoridades presentes o estudo “Política Nacional de Clima, participação social e propostas dos povos do Brasil para a Justiça climática”. O evento integrou a iniciativa Vozes dos Biomas, um projeto conjunto das enviadas especiais da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), que tem como objetivo construir diagnósticos e propostas coletivas para enfrentar a crise climática com garantia de direitos humanos. Na ocasião estiveram presentes Denise Dora (enviada Especial para Direitos Humanos e Transição Justa), Janja Lula da Silva (Enviada Especial para Mulheres) e Jurema Werneck (Enviada Especial para Igualdade Racial e Periferias), que você confere recebendo o estudo da Amigas da Terra Brasil nas imagens. Após vivenciarmos extremos climáticos que vão de secas trágicas até inundações nunca antes vistas, é fundamental termos à disposição ferramentas que potencializam a luta dos povos e ressoam as suas demandas. O estudo, lançado em julho deste ano, é uma aposta nesse processo, e tem como objetivo fortalecer a participação da sociedade civil nas políticas para o clima e no monitoramento das metas nacionais determinadas para a redução das emissões dos gases de efeito estufa (NDCs). A ideia é que ele sirva como base na disputa e no enfrentamento da crise climática com justiça ambiental e, principalmente, na incidência da Amigas da Terra no processo de construção de convergência política e mobilização popular da Cúpula dos Povos rumo à COP30. Conforme o relato de Letícia, o diálogo com a sociedade civil e levar em consideração as construções da Cúpula dos Povos é imprescindível para qualquer processo democrático, e essa foi uma das pautas levantadas pela Amigas da Terra durante o encontro. “Um dos pontos fundamentais para este diálogo ocorrer de fato é focar nos eixos de luta da Cúpula dos Povos, que foram justamente pensados para dialogar com o que movimentos sociais e a sociedade civil pensam sobre as mudanças climáticas. Temos respostas para fazer enfrentamentos de forma coletiva, garantindo direitos dos povos, territórios e pessoas, e essas respostas estão nesses eixos, que tratam de feminismo popular, internacionalismo, combate às opressões e ao racismo ambiental, combate às falsas soluções de mercado frente à emergência climática”, salientou. Confira o estudo na íntegra. Ou baixe por aqui: Por dentro do estudo Rumo à Cúpula dos Povos na COP30: Da Amazônia para o mundo, com justiça climática, combate às desigualdades e ao racismo ambiental Construído a partir de saberes e perspectivas de pessoas envolvidas em sua autoria, o estudo “Política Nacional de Clima, participação social e propostas dos povos do Brasil para a Justiça climática” carrega a potência de territórios de vida, assim como trajetórias diversas na militância por justiça ambiental e para os povos, do Pampa à Amazônia. Organizado em quatro capítulos, ele começa trazendo um resgate histórico das Conferências do Clima da ONU (COPs) na América Latina, onde aborda as cooptações, colonialismos e contradições rumo à COP 30, que acontecerá em novembro, em Belém (PA), na Amazônia Brasileira. Na sequência, o segundo capítulo se debruça numa análise das NDCs brasileiras e as falsas soluções setoriais para a justiça climática, examinando a participação social na construção das metas do clima e as propostas populares em disputa. Na sequência, num grito por #demarcaçãojá e por direitos aos povos e territórios de vida, o terceiro capítulo faz um mergulho na temática dos Povos Originários e tradicionais do Brasil, abordando os territórios de vida na cultura do cuidado, do clima e da biodiversidade. O último capítulo, intitulado “Uma visão das mulheres amazônidas”, ressitua o debate dentro do marco da Cúpula dos Povos e da COP30, abordando as violações ao modo de ser e viver dos Povos da Terra no contexto das preparações para a COP30 no Estado do Pará.
Sanções ao Estado de Israel já: Medidas Diplomáticas e Comerciais pelo Brasil em relação à Palestina

No dia 28 de agosto, aconteceu na Câmara dos Deputados a Audiência Pública sobre “Medidas Diplomáticas e Comerciais pelo Brasil em relação à Palestina.” No vídeo você confere a fala de Andressa Soares, do Movimento BDS Brasil (Boicote, Desinvestimento e Sanções), que abordou pontos centrais do debate e quais são as responsabilidades e demandas reais para dar um basta no genocídio do povo palestino. Durante a Audiência Pública estiveram presentes representantes da comunidade palestina no Brasil, de movimentos sociais, do Parlamento, do Poder Judiciário e do Ministério de Relações Exteriores. As pessoas participantes formaram um quase uníssono em demandar do Estado brasileiro, nas esferas executivas e legislativas, a imposição de sanções legais e proporcionais ao estado de Israel. Isto com base nas obrigações de direito internacional advindas dos tratados ratificados pelo Brasil, e como foi feito com a África do Sul do apartheid via decreto presidencial em 1985. Essas sanções incluem: Embargo militar total e embargo energético. Denúncia do tratado de livre comércio e imposição de sanções nos fóruns internacionais. Acompanhe as páginas do BDS Brasil e saiba mais!
Marcha histórica do MAM ocupa as ruas da capital cearense fortalecendo a luta pela soberania popular na mineração no Brasil

Ato encerrou o II Encontro Nacional do movimento, que ditou as diretrizes para os próximos anos de luta com o lema: “Lutar pelo Território, Controlar o Subsolo” A única luta que se perde é aquela que se abandona. E nós nunca, nunca, nunca abandonamos a luta! As ruas da capital cearense foram ocupadas por um mar vermelho de bandeiras flamejantes na manhã de 28 de agosto de 2025. Em uma marcha histórica, cerca de 1.500 militantes do Movimento pela Soberania Popular na Mineração saíram da Estátua de Iracema Guardiã rumo ao Palácio da Abolição, sede do governo estadual, definindo um novo momento político para o movimento. A marcha reuniu a expressiva presença de 17 estados brasileiros que sofrem ou que vivem sob ameaças das contradições da mineração em seus territórios. São indígenas, quilombolas, povos das cidades e dos campos que representaram a luta de todo um país pela pauta da soberania popular na mineração. “O povo xikrin está 98% contaminado por metais pesados oriundos da mineração no Pará. Estamos aqui pra contribuir com a luta do povo do Ceará, pra contribuir com a luta contra a mineração, ela só traz morte, prejuízo pra nossa biodiversidade, pras nossas florestas”, disse Takak Xikrin, indígena que vive no sudeste paraense. O ato simbolizou o acúmulo de um legado de 13 anos de existência do movimento. “Viemos às ruas representar que esta luta é de toda sociedade brasileira. Estamos, desde abril de 2024, tentando dialogar com o governo cearense, de que este modelo de mineração não é aceitável. Entendemos o Nordeste como novo ponto focal neste processo, diante dos territórios que devem se apropriar do que temos em nosso subsolo e poder decidir onde e como se deve minerar”, afirmou o dirigente nacional do MAM do Ceará, Pedro D’Andrea. II Encontro Nacional do MAM Com o Lema “Lutar pelo Território, Controlar o Subsolo”, o movimento, que se firma, há mais de uma década, como o único a lutar, elaborar e formar militantes nos territórios afetados pela mineração, discutiu os dilemas impostos pelo modelo mineral brasileiro provocando distúrbios na economia, na natureza, no consumo e nas dinâmicas trabalhistas no Brasil e no mundo. Além dos debates sobre Territórios Livres de Mineração e democratização da renda mineral, a organização também realizou propostas frente aos modelos de transição energética que acentuam a espoliação mineral sem resolver as crises climáticas que assolam o mundo. Foto: Luísa Brasil Também como ponto fundamental do Encontro, foi realizada a I Feira Cultural da Agrobiodiversidade do MAM. Organizada pelo Coletivo de Produção do movimento, o espaço valorizou os potenciais dos territórios em suas várias expressões: agricultura familiar, arte e cultura popular, promovendo a troca de sementes de 15 territórios, shows que embalaram com muita alegria a militância que esteve presente e a venda de produtos agroecológicos dos territórios afetados pela mineração. Ao final do ato foi feita a leitura da carta síntese coletiva do MAM para os próximos anos de luta. Confira: CARTA DE FORTALEZALutar pelo território: controlar o subsolo! O controle monolítico do Estado por uma burguesia sem nexo moral com as classes subalternas, compromete irremediavelmente qualquer possibilidade de um projeto de desenvolvimento nacional. O antagonismo entre acumulação de capital, democracia e soberania torna o capitalismo brasileiro intrínseco e irreversivelmente antinacional e antissocial. Submetida à lógica especulativa e espoliativa do capital internacional, do agronegócio, do extrativismo mineral e da aristocracia financeira, a economia funciona como um moinho satânico que gira para maximizar a extração de mais-valia, gerar megassuperávits fiscais para sustentar a ciranda financeira lastreada em dívida pública e potencializar a transferência de recursos reais e financeiros ao exterior para alimentar a reprodução ampliada do capital internacional. As epígrafes acima descrevem o sentimento do II Encontro Nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração – MAM no Campus do Picí, na cidade de Fortaleza, capital do Estado do Ceará, nos dias 24 a 28 de agosto de 2025, quando nos reunimos em mais 1.200 pessoas de 18 estados brasileiros, camponeses, indígenas, quilombolas, trabalhadoras e trabalhadores de todas as regiões do país, e convidados internacionais, do Continente Africano e países do continente Latino Americano! Nos encontramos para analisar as consequências práticas do que chamamos de problema mineral brasileiro, cujas as características são, de ser organizado de fora do país para dentro, engendrado como espaço de decisões antidemocráticas, e que gera e retroalimenta o desenvolvimento do subdesenvolvimento a um custo elevado a economia nacional, a natureza e a sociedade. Nos encontramos para analisar, refletir, e se posicionar, sobre a emergência climática que presa a ideologia da descarbonização da economia global dos países ricos, exerce seu controle e se impõe como nova rodada de precificação da natureza expressas no desmantelamento das leis ambientais, na aceitação da proposta de adaptação e mitigação do plano clima. Nos encontramos para interpelar a mentira de que devemos transitar para o uso de energias limpas em forma de expansão energética de um sistema eletrointensivo – pois as novas tecnologias são intensivas no uso de natureza, bem como são expansivas às nossas subjetividades – a indústria bélica e os algoritmos são um projeto de poder e neles se expressam uma geopolítica de controle dos minerais raros, minerais críticos e minerais estratégicos. Diante disso convocamos a sociedade Brasileira a se intrometer – nos negócios da transição energética e da indústria extrativa da mineração como um todo do que se pretende governos e capitalistas do setor da mineração pois somente assim a expansão energética sucumbi a nossa soberania. Reafirmamos o nosso compromisso em lutar por territórios livres de mineração, assim como pela democratização da renda mineral e pelo controle social do modelo mineral nacional, de decidirmos juntos e juntas o que, como e onde minerar, e para isto, é preciso debater a função social do subsolo e suas consequências, que expressem uma reorganização na sua forma e nos seus resultados sob o controle popular! Fortaleza-Ceará, 27 de agosto de 2025 Por Coletivo Nacional de Comunicação do MAM Texto originalmente publicado no site do MAM, em: https://www.mamnacional.org.br/2025/08/29/marcha-historica-do-mam-ocupa-as-ruas-da-capital-cearense-fortalecendo-a-luta-pela-soberania-popular-na-mineracao-no-brasil/
Quarta Temática de junho traz as retomadas indígenas

Em junho, a nossa sede, a CasaNat, foi um espaço de escuta, troca e construção coletiva entre indígenas e não indígenas. Na Quarta Temática, que aconteceu no dia 25/06, recebemos caciques e lideranças dos povos Guarani e Kaingang. Também participaram representantes do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) e da AEPIM (Associação de Estudos e Projetos com Povos Indígenas e Minoritários), entre outras entidades. A partir das retomadas indígenas, luta que os povos vem travando para reocupar seus territórios, emergiram reflexões mais profundas sobre o sentido da territorialidade. Ficou evidente como as visões jurídicas e institucionais não indígenas ainda são limitadas para compreender o modo de ser indígena. As falas dos representantes Guarani e Kaingang deixaram isso claro: o território não é apenas um espaço físico, mas um elo vital com a espiritualidade, a memória, os saberes e o futuro dos povos originários. Os diálogos teceram reflexões sobre o peso e a potência das palavras, sobre como os encontros entre diferentes gerações e culturas constroem pontes — e também revelam feridas. Foram momentos que desafiaram o pensamento colonial e nos convidaram a repensar práticas cotidianas, reconhecendo a resistência viva que pulsa em cada retomada, em cada fala, em cada gesto de cuidado com a terra. Agradecemos a participação de todos, tanto presencial quanto online. Os povos indígenas precisam de todo o apoio para seguirem resistindo! Em 30 de julho, realizaremos mais uma Quarta Temática, trazendo agricultores familiares agroecológicos da CSAA Territórios de Vida. Saiba mais sobre essa iniciativa no Instagram em @csaa.territoriosdevida e faça parte você também desta rede! Galeria de fotos da Quarta Temática sobre as Retomadas Indígenas. Crédito: Maí Yandara/ ATBR Amigas da Terra Brasil
Marcha Global para Gaza cresce em todo o mundo após repressão das autoridades egípcias – Liderança anuncia novas ações

A Marcha Global para Gaza reuniu-se no Cairo com um objetivo comum: aproximar-se pacificamente do porto de Rafah e pedir o fim do cerco ilegal a Gaza, que só piorou nos últimos 90 dias. Estamos aqui para protestar contra o genocídio em curso e desafiar a ocupação contínua da Palestina. Enquanto isso, a ajuda essencial permanece retida na fronteira, com suprimentos vitais se deteriorando enquanto civis esperam em desespero. Após meses de coordenação, mobilização global e tentativas de diálogo com os canais governamentais apropriados, a resposta das autoridades egípcias deixou claro que a Marcha Global para Gaza não pode prosseguir com segurança como planejado neste momento, embora uma decisão oficial do governo ainda esteja pendente. Nos últimos dias, centenas de organizadores e participantes, incluindo membros do nosso comitê de coordenação internacional, enfrentaram detenções e deportações, muitas vezes sem permissão para se comunicar com equipes jurídicas ou entes queridos. Operamos inteiramente dentro dos limites da da lei egípcia, coordenando-nos estreitamente com as embaixadas e aderindo aos protocolos locais. Neste momento, nosso foco está em proteger a segurança e o bem-estar dos participantes que permanecem no Egito. Apesar deste revés, nossa determinação continua mais forte do que nunca. Chegamos ao Egito como uma coalizão pacífica de mais de 4.000 indivíduos de mais de 80 países, unidos no apelo pelo fim do genocídio em Gaza e pela abertura de um corredor humanitário sustentável através de Rafah. Após mais de 20 meses de bombardeios quase contínuos, a crise humanitária em Gaza atingiu níveis catastróficos. Desde 2 de março de 2025, apenas uma quantidade mínima de ajuda humanitária ou bens comerciais tem sido permitida em Gaza, exacerbando a fome e o sofrimento. “Todos os esforços para impedir este genocídio devem ser explorados, incluindo aqueles que podem parecer excepcionalmente desafiadores”, disse Saif Abukeshek, copresidente do comitê de coordenação. “Dado que o governo egípcio declarou que ações pacíficas podem ser permitidas, nós não vimos esta marcha como impossível, apenas difícil e, portanto, vale a pena tentar. Não queremos olhar para trás daqui a décadas e nos perguntar se realmente fizemos tudo o que podíamos pelo povo palestino.” A determinação e a solidariedade demonstradas têm sido simplesmente incríveis. Como Melanie Schweizer, coorganizadora e advogada alemã, enfatizou: “Estas são pessoas que se recusaram a ficar paradas enquanto o direito internacional é continuamente violado e um genocídio é cometido contra o povo palestino”, disse Schweizer. “Elas escolheram agir, pacificamente e dentro da lei, para defender os princípios que o mundo afirma defender.” “As ações tomadas tanto pelos organizadores da marcha quanto pelas autoridades egípcias colocaram as embaixadas globais diante do imperativo político e moral que seus cidadãos veem no fim do genocídio palestino.” [1] https://www.reuters.com/world/middle-east/israel-commits-extermination-gaza-by-killing-schools-un-experts-say-2025-06-10/?utm_ A reunião no Egito é uma parte da nossa história. A Marcha Global para Gaza desencadeou mais de 50 ações coordenadas em todo o mundo, do México ao Chipre, e mobilizou milhões de pessoas em todo o mundo em apoio à Palestina. Também continuamos profundamente inspirados pelos nossos parceiros da Freedom Flotilla e da Sumud Convoy, cujos esforços corajosos continuam a lembrar ao mundo que a nossa defesa é inabalável. Não estamos mais planejando novas ações no Egito, mas agora estamos organizando ativamente os próximos passos para a ação, tanto coletivamente quanto por meio de nossas delegações nacionais e regionais. Embora a marcha não tenha se desenrolado como inicialmente planejado, o espírito, a unidade e a determinação desta rede global nos inspiram a seguir em frente. Buscaremos incansavelmente todas as vias para acabar com as atrocidades na Palestina e promover a vida, a dignidade e a autodeterminação do povo palestino. A Marcha Global para Gaza não acabou. Ela apenas começou. Leia em: GMTG press stament Portugues
Cúpula dos Povos cobra ousadia dos tomadores de decisão na COP30

Evento acontece simultaneamente à conferência das Nações Unidas e critica a baixa eficácia das negociações climáticas A Cúpula dos Povos quer estabelecer protagonismo da sociedade civil em espaço autônomo em relação à COP30 (30ª conferência das Nações Unidas sobre mudança do clima). O evento acontece entre os dias 12 e 16 de novembro, na Universidade Federal do Pará, em Belém, e estima público de 15 mil pessoas. Para as organizações envolvidas na cúpula, as decisões tomadas nas conferências da ONU não geram soluções eficazes para o enfrentamento da crise climática. A carta política lançada pelo movimento declara que “países tomadores de decisão têm se omitido ou apresentado soluções absolutamente ineficientes colocando em risco a meta de 1,5ºC do Acordo de Paris. “As conferências se concentraram em objetivos ínfimos de redução de dióxido de carbono e em estratégias a serviço dos interesses das corporações responsáveis por desastres ambientais”, diz Iván González, coordenador político da Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas (CSA). Outras críticas da articulação pontuam a falta de transparência nos processos decisivos das COPs e a falta de participação da sociedade civil nos espaços de negociação. O objetivo da articulação, composta por mais de 700 entidades do Brasil e do mundo, é convergir demandas de grupos afetados pelas mudanças climáticas, mas excluídos de processos decisivos, como povos indígenas e quilombolas. Segundo González, sem a união das lutas por justiça ambiental e social, negociações sobre o clima ficam desconectadas dos problemas reais da sociedade. A cúpula valoriza conhecimentos e iniciativas populares. Políticas públicas bem-sucedidas e experiência de movimentos sociais inspiram a proposição dos guias de atuação. Os seis eixos orientadores são: territórios vivos, soberania popular e alimentar; reparação histórica, combate ao racismo ambiental e ao poder corporativo; transição justa, popular e inclusiva; contra as opressões, pela democracia e pelo internacionalismo dos povos; cidades justas e periferias urbanas vivas; feminismo popular e resistência das mulheres nos territórios. A escolha por eixos que aliam pautas diferentes é uma tentativa de fugir de caixas temáticas, explica Maureen Santos, coordenadora do Núcleo Políticas e alternativas da Ong FASE – Solidariedade e Educação e membro do comitê político da Cúpula dos Povos. Além de dar espaço para demandas diversas, o objetivo da articulação também é estabelecer ações concretas que serão tomadas após a COP30. Na agenda oficial da Cúpula, estão incluídos um ato político, denominado “Da Amazônia para o mundo: justiça climática já!”, e uma reunião para divulgar informações sobre a estruturação do evento. Ambos acontecem entre 30 de maio e 2 de junho. HISTÓRICO E ORGANIZAÇÃO A Cúpula dos Povos é uma construção popular convocada como resposta a eventos que reúnem líderes globais e chefes de grandes corporações para discutir questões ambientais.A primeira atuação da cúpula foi em 1992, no contexto da ECO-92—ou Rio-92— da ONU. Já paralelamente às COPs, ela aconteceu frente à COP20 em Lima, no Peru, em 2014, por exemplo. O evento que inspirou a estruturação da Cúpula do Povos rumo à COP30 foi a Cúpula dos Povos pela justiça social e ambiental, que aconteceu em meio à Rio+20 (conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável) em 2012, no Rio de Janeiro. A iniciativa de construir uma contraposição à COP30 partiu de movimentos sociais brasileiros na COP28, em Dubai. “Percebíamos que várias organizações estavam pensando no que fazer para a COP30 de forma própria. A cúpula foi a forma de juntarmos tudo para discutir a possibilidade de fazer uma construção unitária nesse momento”, afirma Santos. Entre as organizações que se juntaram à ação, estão Observatório do Clima, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Coalizão Negra por Direitos (CND) e Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM). Das 700 entidades, 84 são internacionais, como a Confederação Sindical dos Trabalhadores da América (CSA); México sem Ecocídio e Centro Para Mudança Social de Joanesburgo, na África do Sul. Para que essa união de muitos grupos funcione, a cúpula é organizada em um Comitê Político, que facilita e coordena o processo, e por grupos de trabalho, explica Santos. Os principais desafios enfrentados pela articulação estão relacionados à captação de recursos e alojamento para os 15 mil participantes do evento A questão dos alojamentos não é um problema exclusivo da cúpula, Belém já enfrenta problemas de falta de acomodações para o público da COP30. O evento está previsto para acontecer na Universidade Federal do Pará (UFPA). A meta é garantir acomodações nas imediações do local, o que evitaria a necessidade de deslocamentos à cidade, diz Santos. A escolha da UFPA como sede da Cúpula é um desafio por si só. “Passamos por quatro anos de desmonte das universidades federais. Recursos não chegavam para a infraestrutura e isso tem um impacto. Estamos lidando com essa questão e vendo a melhor maneira possível de aproveitar a Cúpula dos Povos como um legado também para a universidade”, afirma Santos. Segundo Iván González, para os movimentos internacionais, a dificuldade também está em garantir a participação presencial dos seus membros, devido aos custos de deslocamento. Ainda, o momento de crise política em diferentes países é aspecto que dificulta. Para além de lutar pela própria sobrevivência, comunidades tradicionais, povos originários e outros participantes da Cúpula precisam assegurar que suas demandas sejam consideradas nas discussões durante o evento, afirma González. Reportagem de Débora van Pütten, divulgada no jornal Folha de SP






