Audiência Pública sobre nova fábrica da CMPC Celulose é marcada por pressão popular e defesa do Pampa, Guaíba e dos povos

Nesta quarta-feira (20) estivemos com coletivos, movimentos sociais, técnicos de diferentes áreas, comunidades pesqueiras e indígenas na Audiência Pública sobre a nova fábrica da CMPC Celulose, prevista para Barra do Ribeiro (RS), em território tradicional do povo Mbyá Guarani. Conforme relatos, comunidades da pesca tradicional não foram consultadas e as comunidades Guaraní não tiveram seu protocolo de consulta respeitado e têm sido assediadas. Caracterizando grave violação à Resolução OIT 169, que prevê a Consulta Livre, Prévia e Informada às populações atingidas por empreendimentos. Falas contrapuseram o marketing verde da CMPC. Foram revelados os impactos da fábrica de Guaíba (RS) na qualidade de vida de moradores. Foram apresentados dados técnicos que questionam relatórios produzidos pela empresa, e apontam para omissões e problemas metodológicos A CMPC segue afirmando que é sustentável. O projeto para Barra do Ribeiro, o “Projeto Natureza”, terá impacto profundo na água de Porto Alegre e região. A carga poluidora prevista é de 240 milhões de litros de efluentes despejados, por dia, no Guaíba. A silvicultura é outra ameaça. O cultivo de plantas industriais de árvores (os desertos verdes dos monocultivos) no Bioma Pampa não está sendo levado em consideração neste licenciamento ambiental. Resultado é deterioração do solo, perda da diversidade que mantém o ecossistema, aumento de desequilíbrios que intensificam o colapso ambiental via estiagens prolongadas ou enchentes históricas. Quem vê árvore, não vê floresta. Quem planta monocultivo, colhe emergência climática. Esse desenvolvimento que queremos? Confira a cobertura fotográfica completa aqui Ao repetir o quanto o projeto importa em cifras bilionárias, tão distantes da realidade da população, apoiadores das políticas de morte esquecem que não há vida sem ar, água e terra vivas. Só 40 pessoas puderam entrar na Audiência, muitas ficaram fora da discussão. Questionamentos da população seguem sem respostas. Urgem mais espaços de debate e audiências sobre o tema. Nossa vida e nosso futuro estão em jogo, é preciso levar essa pauta à toda sociedade gaúcha. No vídeo abaixo, Letícia Paranhos, presidenta da Amigas da Terra Brasil, expõe junto a companheiras da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) como foi a Audiência Pública e o que está em debate com expansão das atividades da CMPC: https://www.instagram.com/p/DYmeEzhgBGZ/ Seguimos em luta ✊🏽 Produzimos uma série de materiais que relatam o descaso da CMPC com o povo e que denunciam o capitalismo verde da empresa, assim como seus impactos e das atividades do ramo da celulose. Confira: >>>Artigo “CMPC: Nova fábrica, velhos impactos?” >>>Estudo Expansão dos desertos verdes em um Pampa em Extinção >>>Cartilha Popular: Nova expansão das monoculturas de eucalipto para a celulose ameaça bioma Pampa

Seguimos em luta para barrar o “Projeto Natureza” da CMPC Celulose

Projeto Natureza? É assim que a empresa CMPC Celulose chama sua expansão e acúmulo de capital. Sabemos que eucalipto em expansão = pampa em extinção e fazemos defesa à vida! Na quarta-feira (20), às 10h30, estaremos na Audiência Pública na Assembleia Legislativa de Porto Alegre (RS), para debater a implementação de uma nova fábrica de celulose da CMPC, em Barra do Ribeiro. Vem junto? Por trás de muita maquiagem verde, o chamado “Projeto Natureza” esconde riscos alarmantes. A realidade é de contaminação, adoecimento, violações de direitos, ameaça às comunidades e destruição do bioma. Os lucros desse modelo de desenvolvimento ficam na mão de poucos, mas os prejuízos ambientais e a crise climática são compartilhados de forma cada vez mais intensa e desigual. Não podemos pagar essa conta com o nosso futuro. A fábrica de celulose da CMPC, em Guaíba (RS), despeja em média 150 milhões de litros de poluentes no rio Guaíba, por dia. Com a nova fábrica, a poluição diária produzida pela empresa será superior ao volume diário de esgoto sanitário lançado por Porto Alegre inteira. É possível chamar de “natureza” um projeto que planeja despejar cerca de 240 milhões de litros de poluentes por dia no Guaíba, rio que abastece a capital gaúcha e inúmeros municípios? Natureza morta, só se for. Altamente poluidor, o projeto pode impactar mais de mil pescadores, que sequer estão sendo consultados sobre o empreendimento. Que projeto natureza é esse que quer se instalar em território originário Mbyá-Guarani e que, ao invés de estar indenizando este povo por ter destruído e impedido a ocupação do território, o assedia e desrespeita o seu direito a uma consulta verdadeiramente Livre, Prévia e Informada? Violação da OIT 169 e racismo ambiental, que chama? O projeto da CMPC é a cara da proposta de desenvolvimento (de tragédias anunciadas) que nos trouxe até as crises ambiental e climática que vivemos. Urge pautarmos a defesa das nossas águas, das comunidades tradicionais e do Pampa. No vídeo, Eduardo Raguse, da Amigas da Terra Brasil, reporta sobre: https://www.instagram.com/reel/DYh3s-HR76X/?igsh=NXFsZHFiczI3Nzky Marque amizades, compartilhe o post, e o mais importante, compareça. Não podemos nos calar. É preciso barrar esse retrocesso. Saiba mais sobre aqui Confira também a nossa cartilha popular sobre o tema, você pode baixar o material neste link

Estudo ‘Expansão dos desertos verdes em um Pampa em Extinção” aborda resistência popular e impactos dos monocultivos de árvores

A história de violações de direitos, exploração e opressões causada por corporações aos territórios de vida é antiga. Assim como os processos de luta na construção de horizontes de emancipação e soberania popular. Hoje, projetos de morte do setor da celulose ganham força com a flexibilização da legislação ambiental. Novas fábricas estão sendo anunciadas e construídas em diversas partes do Brasil. Um exemplo é a nova fábrica proposta pela empresa chilena CMPC em Barra do Ribeiro (RS), em fase de licenciamento ambiental e hipocritamente chamada de “Projeto Natureza”. Caso seja instalada, ela demandará uma nova expansão das monoculturas de eucalipto, o que afeta mais uma vez o Bioma Pampa e os seus povos. O estudo “Expansão dos desertos verdes em um Pampa em Extinção”, escrito pelo engenheiro ambiental Eduardo Raguse, da Amigas da Terra Brasil, Comitê de Combate à Megamineração do Rio Grande do Sul e também da coordenação nacional do Movimento por Soberania Popular na Mineração (MAM), faz um mergulho na temática. Com o enfoque em apontar como a nova expansão das monoculturas de eucalipto para produção de celulose ameaçam o bioma e sua diversidade de vidas, o material também expõe o cenário nacional e aborda processos de resistência popular frente ao avanço dos desertos verdes*. Embasado numa série de dados das ciências naturais, políticas, econômicas e sociais, o estudo traz mapas, infográficos, dados e faz um apanhado histórico. Neste, apresenta uma linha do tempo das corporações de celulose atuantes no Rio Grande do Sul, evidenciando a relação do setor com desmontes na legislação ambiental e com ditaduras militares no Brasil e no Chile. Chegando ao atual momento, traz o caso da CMPC e sua atuação no RS, destacando os impactos da quadruplicação da fábrica da celulose em Guaíba e do “Projeto Natureza”, além da lavagem verde. Marcado pelo contexto da emergência climática global, o estudo também analisa a relação dos monocultivos de eucalipto com a enchente histórica no RS e as falsas soluções de mercado propostas pelo setor da celulose, como é o caso dos créditos de carbono sujos, que escancaram contradições entre o discurso e a prática empresarial. Baixe o PDF do estudo na íntegra aqui: Frente a essa nova ofensiva do capital, quando mais uma vez corporações destroem territórios de vida para avançarem com seus projetos poluidores e destruidores da natureza, tudo em nome do lucro, manifestamos que “quem vê árvore, não vê floresta”. Denunciamos a expansão das monoculturas, sua cadeia logística industrial e seus impactos ambientais e sociais. Em defesa das matas, águas, gentes e do clima, seguimos exigindo que as soluções sejam as dos povos, com demarcação de territórios indígenas, titulação quilombola, reforma agrária popular e agroecologia para a produção de alimentos. Seguimos em luta! Acesse também a nossa cartilha popular sobre o tema: *Os desertos verdes são assim chamados pois consistem no plantio de árvores de uma única espécie (monocultura) com finalidade comercial. Diferentemente de áreas naturais de florestas ou campos nativos, que possuem alta biodiversidade, os desertos verdes são formados por extensas áreas com uma única espécie.

Povo Mbyá Guarani vai à Assembleia Legislativa contra o PL 280/2025, que ameaça território retomado em Viamão (RS)

Na manhã de terça-feira (15/07), indígenas do povo Mbyá Guarani da Tekoá Nhe’engatu, da cidade de Viamão, realizaram uma mobilização em frente à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS), em Porto Alegre, em protesto contra o Projeto de Lei (PL) 280/2025. A proposta, enviada pelo governador Eduardo Leite (PSD) sem qualquer debate com a comunidade indígena, visa transferir ao município de Viamão parte de uma área atualmente ocupada por um centro de pesquisa da extinta Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), que também corresponde ao território da retomada Mbyá Guarani. O Projeto prevê a doação de 88,8 hectares, de um total de 148,8 hectares, para a instalação de um Centro Logístico, Empresarial e Tecnológico. A proposta está inserida no pacote de 12 projetos encaminhados pelo Executivo em regime de urgência, o que obriga a Assembleia a votá-lo em até 30 dias após a retomada do recesso parlamentar, previsto para terminar no dia 27 de agosto. Caso contrário, a pauta da Casa fica trancada, impedindo a votação de outros temas até que esse e os demais projetos sejam apreciados. Durante reunião com o presidente da Assembleia Legislativa, Pepe Vargas (PT), lideranças Mbyá Guarani denunciaram a ausência de Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI), como determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), e reforçaram a importância do território retomado para a preservação de sua cultura, espiritualidade e modo de vida. Além disso, existe uma câmara de conciliação judicial em andamento para tratar do processo de reintegração de posse – que teve liminar indeferida e segue tramitando na Justiça Federal. Outro ponto destacado é o descumprimento de um Acordo de Cooperação Técnica firmado em setembro de 2024 entre o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e o governo gaúcho. Esse acordo previa regularizar imóveis estaduais ocupados por indígenas, incluindo a Tekoa Nhe’engatu como prioridade para federalização. Pela tarde, representantes da Tekoá Nhe’engatu entregaram um ofício encaminhado ao secretário-chefe da Casa Civil, Artur Lemos, solicitando audiência com o governador Eduardo Leite (PSD), em busca de diálogo e da retirada do projeto de pauta (foto ao lado). Enquanto isso, cresce a pressão sobre os deputados estaduais para que rejeitem a proposta. Durante a reunião de líderes, algumas bancadas já defenderam a retirada do regime de urgência do PL 280/2025, a fim de ampliar o tempo de debate e garantir a participação das comunidades afetadas. Apenas o governador Eduardo Leite (PSD) pode retirar o Projeto de pauta. Aos deputados, resta votar contra a proposta para impedir sua aprovação. O Ministério Público Federal, representado pelo procurador da República, Ricardo Gralha Massia, já solicitou informações detalhadas sobre o PL 280/2025, o que pode reforçar questionamentos jurídicos em torno da medida. A mobilização dos Mbyá Guarani promete continuar nas próximas semanas, com articulações junto às bancadas parlamentares e a sociedade civil, em defesa do direito à terra e contra o avanço de projetos que invisibilizam e ameaçam os povos indígenas. Abaixo, galeria de fotos. Crédito: Maí Yandara/ ATBR Siga as nossas redes sociais:INSTAGRAM: amigasdaterrabrFACEBOOK: amigasdaterrabrasilX/ TWITTER: amigasdaterrabr Amigas da Terra Brasil

Bioma Pampa na Cúpula dos Povos

Uma plenária na noite dessa 2ª feira (7/07), no Sindbancários, em Porto Alegre (RS), inicia um novo ciclo de reuniões periódicas realizadas com o objetivo de mobilizar populações, entidades e movimentos sociais em defesa do Bioma Pampa rumo à Cúpula dos Povos. Fotos no final deste texto Até agora, ocorreram 5 encontros desde abril, com o objetivo de articular territórios e organizações para construir um discurso unitário. “Nosso objetivo é unificar as pautas dos povos do Pampa rumo à Cúpula dos Povos no Pará, no final do ano, para chegar lá em unidade com as demandas”, explica Felipe Amaral, da Amigas da Terra Brasil, que participa desde o início da iniciativa. Essa articulação na Capital gaúcha resultou na Frente de Mobilização Bioma Pampa, que levará a discussão para a região metropolitana e o interior do Rio Grande do Sul. A próxima atividade de Plenária Livre acontece em 11 de agosto, às 19h, na Câmara Municipal de São Leopoldo, no Vale do Sinos; até lá, outras atividades de mobilização acontecem quinzenalmente. A reunião de agosto, organizada pela Associação Roessler, referência na luta ambiental na região e no estado, terá como tema a gestão das bacias hidrográficas no enfrentamento à crise climática e o tratado de educação ambiental frente à crise climática. Outros eventos estão sendo programados, ainda sem data definida, nas cidades de Pelotas e Rio Grande, no Sul gaúcho, e em Bagé, na Campanha. Há possibilidade, ainda, de acontecer um evento internacional no segundo semestre. A metodologia empregada pela Frente de Mobilização Bioma Pampa é similar à praticada pela Cúpula dos Povos: perguntas sobre como o poder corporativo das grandes empresas e a urgência climática afetam os territórios e quais as alternativas que as populações e os movimentos sociais propõem ao modelo vigente, orientam o debate e as contribuições dos participantes. O Pampa, com campos e banhados ricos em biodiversidade, é o bioma mais ameaçado do Brasil devido a projetos de mineração e à expansão do agronegócio com o monocultivo de eucalipto. E corre sério risco de extinção frente às sucessivas flexibilizações da legislação ambiental. Siga as nossas redes sociais:INSTAGRAM: amigasdaterrabrFACEBOOK: amigasdaterrabrasilX/ TWITTER: amigasdaterrabr Amigas da Terra Brasil

Amigas da Terra Brasil na mídia francesa sobre extração de petróleo no Amazonas e COP30

  No Brasil, grande venda de concessões de petróleo e gás e objetivos duvidosos Jornal l’Humanité – 17/06/2025 Cinco meses antes da COP30, o país está vendendo 146.000 quilômetros quadrados de concessões de hidrocarbonetos onshore e offshore nesta terça-feira, para deleite dos principais players do setor. Essa política reflete as contradições do presidente Lula em relação às questões climáticas. Esta é uma falácia da qual o Brasil poderia ter prescindido: o petróleo aceleraria o desenvolvimento econômico do país e, assim, financiaria sua transição energética. Essa doutrina, defendida até pelo presidente Lula, ganha corpo nesta terça-feira no Rio de Janeiro. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) está realizando leilões para obter concessões de 172 blocos de exploração de hidrocarbonetos, representando 146.000 quilômetros quadrados, localizados em terra e no mar, incluindo 47 blocos somente na foz do Rio Amazonas, na costa dos estados do Amapá e do Pará. Shell, ExxonMobil, Total e a estatal brasileira Petrobras… cerca de trinta empresas responderam ao leilão. Com a aproximação da COP 30 em Belém (Amapá), ambientalistas acreditam que a credibilidade do Brasil em questões climáticas está seriamente comprometida. “Lula aposta na expansão do petróleo e do gás para estimular o crescimento econômico “, analisa Joachim Roth, membro da World Benchmarking Alliance . “Essa aposta não pode dar certo em um mundo perigosamente superaquecido.” O discurso duplo do quarto maior exportador de petróleo do mundo Segundo o Instituto ClimaInfo , o potencial de exploração desses 172 blocos – 24 bilhões de barris no total – é tal que geraria mais de 11 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera. Isso é mais do que o agronegócio brasileiro emitiu nos últimos seis anos. “O Brasil está perdendo uma oportunidade histórica de protagonizar a descarbonização e a proteção do planeta “, afirma Suely Araujo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima. ”  Em meio a uma crise climática, ele está criando fissuras irreparáveis.” A ambivalência do presidente Lula em relação ao clima está em questão e reflete contradições mais amplas que permeiam a esquerda brasileira. “As florestas tropicais estão sendo levadas a um ponto sem retorno. O oceano está febril. (…) A ciência prova que a causa desta doença é o aquecimento global e o uso de combustíveis fósseis “, ele insistiu em Nice, na preparação para a terceira Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano, em 9 de junho. O ex-sindicalista argumenta, com razão, que cabe aos países ricos, como principais culpados pela crise climática, saldar sua dívida financiando a transição energética global, em particular, embora o Brasil esteja imerso na exploração de petróleo há setenta anos. Cabe destacar que, por meio da nacionalização do setor petrolífero, essa política ajudou a tirar milhões de brasileiros da pobreza. Hoje, a venda dessas novas concessões é suficiente para fazer alguém empalidecer em comparação, especialmente desde que o país entrou para a OPEP em fevereiro; é o maior produtor de petróleo da América Latina e até mesmo o quarto maior exportador do mundo. “O uso do petróleo é um dilema que o mundo inteiro enfrenta, mas é injusto culpar apenas os países do Sul quando os países ocidentais se beneficiam dele há quase duzentos anos ” , respondeu a ministra da Ciência e secretária-geral do Partido Comunista (PCdoB), Luciana Santos , ao L’Humanité . Sobre os 47 blocos previstos para a margem equatorial brasileira, Lucia Ortiz, integrante da Amigos da Terra Brasil, afirmou que o Ministério Público Federal entrou com uma ação judicial para impedir sua venda, por estar sendo realizada “sem estudos prévios adequados  “ e causar ”  grave violação aos direitos fundamentais, aos compromissos internacionais e à legislação brasileira ” . Acima de tudo, ela descarta o argumento da oportunidade econômica que o país se beneficiaria: “a infraestrutura de mineração ou petróleo para exportação e o livre comércio de matérias-primas beneficiam grandes empresas, mas não a população da região  “ . Já vítimas do desmatamento, os povos indígenas da Amazônia correm o risco de serem sacrificados no altar do lucro. Matéria publicada originalmente em francês em https://www.humanite.fr/environnement/amazonie/cinq-mois-avant-la-cop30-le-bresil-met-aux-encheres-des-concessions-petrolieres-et-gazieres Traduzida para português com uso de tradutor online Crédito da foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil Amigas da Terra Brasil

Amigas da Terra marcou presença na 10ª edição da Festa da Biodiversidade

Nesta quinta-feira (22), Dia Internacional da Biodiversidade, a Amigas da Terra marcou presença na 10ª edição da Festa da Biodiversidade, realizada no Largo Glênio Peres, no Centro Histórico de Porto Alegre. O evento, que segue até o dia 25 de maio, reúne coletivos, organizações socioambientais, comunidades tradicionais, artistas e a população em geral em uma celebração da diversidade biológica e cultural. A programação conta com palestras, rodas de conversa, apresentações artísticas, além de feiras com produtos recicláveis. A festa também conta com a participação de expositores de várias regiões do Rio Grande do Sul, incluindo povos indígenas e quilombolas. A Amigas da Terra Brasil participou com uma banca informativa, convidando a sociedade e famílias a se tornarem coagricultoras dentro da Comunidade que Sustenta a Agricultura Agroecológica (CSAA) Territórios de Vida, que integra o programa de Soberania Alimentar da entidade. A proposta promove a produção e o consumo responsável de alimentos, fortalecendo práticas sustentáveis e redes de solidariedade urbana e rural. Fazem parte da CSAA Territórios de Vida: CaSAnAT (Porto Alegre), Família Almeida do Assentamento Santa Rita de Cássia II (Nova Santa Rita), Assentamento Nova Estrela (Vacaria), Paneiro Kilombola – da Figueira Negra à Samaumeira / do Pampa à Amazônia, Sítio Casa de Barro (Caraá), Sítio Libélula (Rolante) e Verde Esperança (Maquiné). A Festa da Biodiversidade foi organizada por diversas entidades: Amigas da Terra Brasil, Ser Ação, Utopia e Luta, INGA, Coletivo Catarse, Coletivo de Capoeira Angola Gira Ginga, GVC, DAIB/UFRGS, Fora da Asa, GEA Mamangava, Quilombo Lemos, KsaroSa, AGAPAN, Projeto Macacos Urbanos, Coletivo Mato do Julio, Movimento em Defesa do Litoral Norte, MTST / Cozinha da Azenha, Comitê de Combate à Megamineração, Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta Favela, Ângela Xavier, Ana dos Santos, Coletivo Dandô POA, Biguá, Comuna do Arvoredo, Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Anima Sonhos, Retomada Gãh Ré, Coletivo Mães da Periferia, Flor da Terra – Bioarte, Mandingas e Poções, Vive Praça Mafalda Veríssimo, Coop Circo, APAPOA, POIESIS.MADRE TIERRA, Maracatu Truvão, SIMCA e LP Pereira da Vila. A abertura do evento ocorreu no dia 17 de maio com uma trilha ecológica no Parque da Redenção. A celebração deste 22 de maio reforça o alerta sobre a urgência em preservar a biodiversidade e o clima em todos os ecossistemas do planeta, promovendo, ao mesmo tempo, formas alternativas de vida baseadas na solidariedade, consumo consciente e respeito à natureza. Em ano de COP 30, na Amazônia, estamos todos interligados! Confira a cobertura fotográfica em:  

2º Fórum das Retomadas do Povo Guarani no Rio Grande do Sul

No final de março aconteceu o Ayvu’ Porã: 2º Fórum das Retomadas do Povo Guarani no Rio Grande do Sul, na Retomada Mbya-Guarani da Tekoa Karanda-ty, no Mato do Júlio, em Cachoeirinha (RS), na região metropolitana. Os caciques se encontraram novamente com a intenção de potencializar as retomadas territoriais indígenas mbya em busca de seu bem viver. Representando seus territórios de vida, os mbya discutiram temas que envolvem suas comunidades, dignidade e direitos, que precisam ser assegurados urgentemente. Foram explicitadas questões que os levam a esses movimentos de organização política e suas dificuldades perante à sociedade não indígena, tanto junto às instituições dos governos quanto na sociedade civil. Realizar este encontro na retomada indígena que ocupa parte do Mato do Júlio também foi bastante simbólico, pois essa área de mata na cidade, que ajudou na contenção das fortes chuvas e inundações que alagaram a região em maio passado, é alvo da sanha da especulação imobiliária por lucro. A presença dos mbya é força e resistência na defesa da natureza e da VIDA indígena e dos não-indígenas, dos animais, plantas e toda diversidade que habita o local. Os caciques encaminharam a data do 3º Fórum das Retomadas, que será aberto à sociedade em geral e contará com a presença de instituições convidadas. Será no dia 14 de abril, na Retomada Nhe’engatu, na cidade de Viamão (RS). Esses encontros fazem parte de uma articulação da Amigas da Terra Brasil com esses territórios pelo seu direito de ser e existir. Álbum de fotos no Flickr da ATBR: 📸 2º Fórum das Retomadas do Povo Guarani no RS, realizado em 21/03/25, em Cachoeirinha. Retomadas presentes: Yyjere (Porto Alegre), Nhe’engatu (Viamão), Karanda’ty (Cachoeirinha), Yyrupa (Terra de Areia), Ka’aguy porã (Maquiné), Jakupé (São Gabriel), Pekuri’ty (Canela) e Pará rokê (Rio Grande)/ Crédito: Carolina C. | ATBR  

Matéria no jornal O Globo: Cúpula dos Povos vai levar agenda paralela a Belém

Evento inspirado na Rio+20 e com pauta independente à da COP 30 deve reunir até 30 mil na capital paraense durante o encontro. Espaço terá debates e reivindicações com críticas às ações de governos, do mercado e de grandes corporações. DANIELA CHIARETTI* brasil@oglobo.com.br SÃO PAULO Em paralelo à COP 30, enquanto representantes de mais de 190 governos se reunirem em Belém, em novembro, entre 20 mil e 30 mil pessoas devem se reunir durante 15 dias na Cúpula dos Povos, um espaço de debates e reivindicações independente. São as agendas críticas às ações de governos nacionais, subnacionais,o mercado financeiro e grandes corporações. Mais de 400 movimentos sociais e ambientalistas, nacionais e internacionais, de lideranças de coletivos de mulheres, indígenas, quilombolas, camponeses, antirracistas, juventude, pela diversidade sexual e de defesa dos direitos humanos vêm se organizando em torno dos eixos de debate da cúpula. Embora cada uma dessas organizações tenha a sua própria pauta, buscam convergência na pauta climática. — A janela para atingirmos a meta de limitar o aquecimento da temperatura em 1,5 grau está se fechando, e embora muitos dos grandes países poluidores falem sobre isso, o que vemos é a queima de combustíveis fósseis crescendo — diz Keerthana Chandrasekaran, da Friends of the Earth International, organização global que tem milhões de apoiadores no mundo. —Temos cada vez mais extração e soluções falsas, e há poucos países que estão realmente tomando as medidas necessárias para a crise climática. Estamos nos unindo porque sabemos que precisamos de uma mudança de agenda transformadora. Keerthana diz que para alcançar justiça climática é preciso garantir direitos à terra e manter as pessoas nos territórios: — Sabemos que quase 54% das áreas de alta biodiversidade no mundo são cuidadas por povos indígenas e comunidades locais. E também sabemos que o desmatamento ocorre por empresas madeireiras, extração de minérios, combustíveis fósseis e o agronegócio.   FALSAS SOLUÇÕES Nas demandas da Cúpula dos Povos está solicitar à Convenção do Clima, a UNFCCC e à presidência brasileira da COP 30 que os lobistas dos combustíveis fósseis fiquem fora da conferência. — Precisamos que eles não tenham voz nas negociações — continua a ativista. — Também queremos um fim para as falsas soluções: os mercados de carbono, a geoengenharia, o sequestro e armazenamento de carbono. São fantasias que não irão nos ajudar. A Cúpula dos Povos Rumo à COP 30 inspira-se na Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental que aconteceu no Rio, durante a Rio+20, em 2012. A mobilização de movimentos sociais nacionais e internacionais reuniu cerca de 20 mil pessoas no Aterro do Flamengo. Os ativistas procuraram fazer contraponto às discussões dos governos nacionais. O esforço foi reeditado durante o processo da presidência brasileira do G20. — A questão ambiental é um tema de todos, e é necessária a participação popular — cobra Pablo Neri, do Movimento Sem Terra e da comissão de política internacional da Cúpula dos Povos. — Buscamos a mensagem de um novo multilateralismo, o internacionalismo, feito pelos povos e buscando abordar a questão essencial que é a crise climática. Nas discussões que vêm ocorrendo pelos movimentos na preparação da Cúpula foram estabelecidos seis eixos temáticos de articulação. O primeiro, dos territórios vivos e da soberania popular e alimentar, busca, entre outras frentes, viabilizar o direito aos territórios, águas, rios, mares, mangues e florestas, promover a reforma agrária e construir territórios agroecológicos. — Queremos promover a dieta dos alimentos da própria região e clima — explica Neri. O segundo eixo, da “reparação histórica e combate ao racismo ambiental e ao poder corporativo”, é o que entende “o crédito de carbono e a bioeconomia como financeirização da natureza. É mais do mesmo. Mais daquilo que leva a humanidade ao colapso climático”, segue Neri. O terceiro eixo é o da transição justa, popular e inclusiva. Aqui o foco é reconhecer o valor dos conhecimentos tradicionais e, entre outros temas, promover a transição energética de forma “justa e popular com diversificação de fontes, descentralização e distribuição equitativa”, diz a nota. — Precisamos de uma transição que não abandone o trabalho e se apegue só à tecnologia — sugere Neri. O quarto vetor é pela democracia e contra as opressões — com itens como combater a extrema direita no mundo e “todos os acordos de livre comércio que reforcem o domínio do Norte sobre o Sul Global”, segundo o texto. As cidades justas e as periferias urbanas são o foco do quinto vetor e aí há desde a demanda por políticas públicas com moradias adequadas aos diversos climas e modais de transporte à democratização e acesso ao saneamento, água potável e energia. O sexto eixo é o que busca defender os direitos “das mulheres e meninas e seu protagonismo nas lutas socioambientais”, com políticas de cuidados às mulheres, participação social na formulação de políticas públicas, combate à violência e outros tópicos. — As alternativas que o povo propõe não são alternativas que vamos inaugurar em Belém — diz o líder do MST. — São lutas históricas, direitos inegociáveis. Estamos construindo a cúpula da rua. Assumimos a construção do que fica fora da COP. Caetano Scannavino, coordenador do Projeto Saúde e Alegria e que representa o Observatório do Clima (maior rede de organizações com foco em clima do Brasil) na Cúpula dos Povos, diz que os movimentos sabem que têm limite para incidir na agenda global da COP. — Estamos buscando como a sociedade civil pode aproveitar a janela de oportunidade de o Brasil sediar o G20, a reunião dos Brics e a COP 30 para colocar as demandas. Sabemos que são agendas globais e que temos um limite para incidir, mas como chegar a esse limite?, coloca Scannavino. — Para sair da inação e da letargia, é interessante ter uma COP no coração da Amazônia. FOCO NA NEGOCIAÇÃO Scannavino critica o foco da discussão da COP 30 estar muito centrado nos desafios logísticos e de hospedagem que Belém tem. — Mas o sucesso de uma COP depende do que podemos avançar em termos de acordo

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