Basta de feminicídio, pelo fim da escala 6×1, basta de guerras! Palestina Livre!

💪 NOSSO 8 DE MARÇO É NAS RUAS PELA VIDA DAS MULHERES! 💪 Neste domingo, 8 de março, acontecerão manifestações em todo o Brasil e no mundo no dia de luta das mulheres. A Amigas da Terra Brasil participa do ato público unificado em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com concentração marcada às 9h30min na Praça dos Açorianos, e convida todas e todos a apoiarem. Em pesquisa divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nesta semana, o RS é o estado com mais feminicídios na Região Sul desde 2021. Somente em 2025, houve 80 feminicídios consumados, além de 264 tentativas. Um cenário que permanece, pois neste ano já foram contados 20 feminicídios no estado. Uma triste realidade que atinge as mulheres violentadas e assassinadas, seus filhos, famílias, colegas de trabalho e pessoas queridas. A violência contra as mulheres também se manifesta na jornada de trabalho cansativa, nas más condições de trabalho, no assédio moral e sexual; ao ter uma dupla jornada, que inicia no local de trabalho externo e se estende dentro de casa, com as tarefas domésticas. Na falta de equipamentos públicos como creches e escolas para seus filhos, atendimento à saúde, acolhimento nas situações de violência… Vamos às ruas exigir o fim das guerras, que massacram os povos, incluindo as mulheres, em troca do enriquecimento de grandes corporações e megaempresas. É preciso defender a existência da Palestina Livre e do fim dos embargos, que fazem sofrer os povos cubano e venezuelano! A sobrevivência das mulheres, de seus filhos e da humanidade depende de mudanças urgentes na sociedade em que vivemos. A cada dia que passa, fica claro que o sistema atual está levando à nossa própria destruição ao consumar com a natureza, com a saúde das pessoas que ingerem comida com veneno; ao não combater o racismo, a homofobia, a violência contra as mulheres e outros povos, como os indígenas e quilombolas. Voltamos às ruas para mostrar que existimos e que vamos mudar o sistema para poder viver! ✊ ATO 8 DE MARÇO EM PORTO ALEGRE (RS) ✊🕗 Horário: 9h30min📍 Concentração: Praça dos Açorianos Amigas da Terra Brasil

Resumo da Cúpula dos Povos da ATI

A Cúpula dos Povos foi um processo histórico de convergência que reuniu mais de 600 movimentos sociais e organizações durante dois anos e culminou em uma Cúpula presencial realizada de 12 a 16 de novembro, onde se reuniram mais de 25 mil pessoas para articular uma visão de mudança sistêmica, independente da COP 30. A declaração final articula uma análise comum e um compromisso com a luta internacionalista contra o genocídio, a extrema direita e o imperialismo, e reconhece os sistemas capitalistas, patriarcais e coloniais de opressão como as causas fundamentais das crises climáticas e ambientais. Apresenta propostas dos povos, como enfrentar as falsas soluções, implementar a soberania alimentar, as economias feministas e as transições, que ressoam fortemente com a agenda da FoEI para a mudança do sistema. A Amigos da Terra Internacional liderou e participou ativamente no processo da Cúpula dos Povos, com representação no Comitê Político da Cúpula (Lucia Ortiz pelo Brasil, Lise/Kirtana pela FoEI) e com uma delegação diversificada de 70 pessoas em Belém. Um cumprimento especial à FoE Brasil/Amigas da Terra Brasil e à região ATALC, que forneceram apoio logístico e político durante todo o processo e nos receberam no Brasil com carinho e atenção. Juntas, a nossa delegação diversificada marchou, cantou, debateu, fez contribuições importantes para o eixo temático e as convergências da Cúpula dos Povos e trouxe análises políticas de outros movimentos para a FoEI. A delegação da JMA em Belém incluiu grupos da Tierra Nativa (Amigos da Terra Argentina), Amigos da Terra Brasil, BELA (Amigos da Terra Bangladesh), Coecoceiba (Amigos da Terra Costa Rica), CENSAT (Amigos da Terra Colômbia), REDES (Amigos da Terra Uruguai), Cesta (Amigos da Terra El Salvador), FoE Espanha, FoE Gana, FoE Japão, CEJ (FoE Sri Lanka), FoE EUA, FoE África, LRC-KSK (FoE Filipinas), Milieudefensie (FoE Países Baixos), PENGON (FoE Palestina), UDAPT (FoE Equador), WALHI (FoE Indonésia), Otros Mundos (Amigos da Terra México), Amigos da Terra Índia, Amigos da Terra Granada, JA! (Amigos da Terra Moçambique), groundWork (Amigos da Terra África do Sul), bem como a representação dos programas FS, FB e EJRN, outras estruturas da Amigos da Terra Internacional e a equipe da Rádio Mundo Real. Estas são algumas das principais atividades em que a FoEI participou:  12 de novembro Barqueata / Marcha de barcos Mais de 200 barcos, com 500 pessoas de mais de 60 países, participaram nesta atividade de lançamento da Cúpula dos Povos. A delegação da FoEI se dividiu entre o barco Solidariedade com a Palestina, onde Jamal, da PENGON, proferiu um discurso poderoso, e o barco Internacionalista, onde nos reunimos com os nossos aliados La Vía Campesina, a Marcha Mundial das Mulheres, a Aliança Global pela Justiça de Base e outrxs. A delegação da Amigos da Terra Brasil, composta por 20 pessoas, desde o Pampa até a Amazônia, entre as quais jovens, mulheres das periferias urbanas, líderes quilombolas da AMAY -CoMPaz e o cacique Jaime Vhraguyra, liderança dos povos indígenas guarani, juntou-se a Kirtana, que falou em nome da Amigos da Terra Internacional em uma conferência ao lado do cacique Raoni e outros líderes do movimento social amazônico no barco “Caravana da Resposta”, uma mobilização que percorreu mais de 3 mil quilômetros desde Sinop (Mato Grosso) até Belém (Pará) com mais de 300 líderes indígenas, ribeirinhos, quilombolas e camponeses denunciando os impactos dos produtos agro-minerais e dos desenvolvimentos de infraestrutura voltados para a exportação na região, como a ferrovia Ferrogrão e a hidrovia Tapajós.  13 de novembro: Plenárias temáticas O centro da Cúpula dos Povos foram os debates sobre os seis eixos temáticos, que ocorreram online antes da Cúpula e culminaram em plenárias populares com entre mil e 3 mil pessoas na própria Cúpula. Lise e Letícia, da FoEI, cofacilitaram o Eixo II: Reparações Históricas, Luta contra o Racismo Ambiental, Falsas Soluções e Poder Corporativo. Na sessão plenária, Pablo, da UDAPT – Amigos da Terra Equador, juntamente com Leti e MAB (Movimentos de Povos Afetados por Barragens do Brasil), representaram a Campanha Global para Desmantelar o Poder Corporativo, exigindo um Tratado Vinculante sobre Empresas Transnacionais em matéria de Direitos Humanos, enquanto Jamal, da PENGON, fez contribuições sobre o papel das empresas no apartheid e no genocídio na Palestina. Nos web seminários anteriores, Lyda, da CENSAT, fez contribuições importantes sobre as falsas soluções.  Mercedes, da Amigos da Terra Argentina, e Yegeshni e Nerisha, da groundWork, participaram dos web seminários do Eixo III – Transição Justa, Popular e Inclusiva, e vários delegados da Amigos da Terra Internacional participaram das plenárias online. Mercedes e Natalia, da Tierra Nativa, também montaram um estande com materiais da FoEI fora da sessão plenária, que foi muito bem recebido. Eduardo, da Amigos da Terra Brasil, também se juntou à sessão plenária III e levou ao microfone Chico, da comunidade afetada pela Sigma Lithium em Minas Gerais, em articulação com o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM). 14 de novembro: Plenárias temáticas e assembleia dos movimentos sociais Lucia Ortiz, da Amigos da Terra Brasil, e Danilo, do CENSAT/facilitador regional, cofacilitaram a Eixo IV: Contra as Opressões, pela Democracia e pelo Internacionalismo Popular. Esta foi a maior de todas as plenárias, com canções de protesto, cânticos e discursos, entre eles o de Sarath (Amigos da Terra Índia) e Bertita, filha de Berta Cáceres. Lucia facilitou a plenária e Danilo apoiou na preparação da síntese política. Jamal, da PENGON Amigos da Terra Palestina, Ricardo, da CESTA Amigos da Terra El Salvador, e Scarlet, da UDAPT- Amigos da Terra Equador, também se juntaram aos web seminários anteriores sobre a construção das denúncias do Eixo IV e os anúncios sobre as lutas de solidariedade internacionalista. A FoEI, juntamente com os nossos aliados estratégicos La Vía Campesina e a Marcha Mundial das Mulheres (MMM), e com muitos aliados de movimentos sociais da região (ALBA Movimentos, MAB, MST, MTST, APIB e outros), organizou a Assembleia de Movimentos Sociais, uma poderosa sessão plenária política centrada nos movimentos sociais de base que se reuniram para apresentar as suas agendas de mudança e futuro, e se comprometeram a construir a

Campanha Multiversidade dos Povos da Terra de Mãe Preta: Apoie a aquisição da kasa das Juventudes kilombola, periférica, indígena e LGBTQIAPN+ em Salvador (BA)

“Quantas juventudes precisam sair de seus territórios para estudar, trabalhar, lutar por direitos? Quantas, quantos de nós, nesses caminhos, têm seus corpos e seus sonhos enfraquecidos? Em Salvador, um grupo de jovens mulheres kilombolas está sonhando, junto às suas mais velhas, um espaço de acolhimento, desformação e cuidado ancestral para que possamos nos reencontrar, estarmos juntes, proteger a vida e esperançar futuros possíveis não apenas para nós, mas através de nós” – CoMPaz “Essa kasa é nossa, essa kasa é do povo, é akilombando que se faz um mundo novo” A Comunidade Kilombola Morada da Paz – Território de Mãe Preta (CoMPaz) convoca territórios de vida, aliades, parceires e povos em luta para se unirem em solidariedade real e radical  para garantir um espaço de dignidade e reexistência às nossas juventudes. Estamos lançando a Campanha Multiversidade dos Povos da Terra de Mãe Preta para aquisição de um local físico para a Chopana Odomodê Odjango Filhas de Mãe Preta, em Salvador (BA). Este espaço será um lar, um akilombamento para juventudes kilombolas, periféricas, de terreira, indígenas, ribeirinhas, dissidentes e LGBTQIAPN+, tornando-se também um território de aprendizagem, cuidado e prática coletiva. De compartilhamento de saberes e cuidados ancestrais com e para essas juventudes, contando com incidências culturais, artísticas, políticas, de saúde e de educação pelo direito de ser e existir dos povos. Nessa caminhada, a casa auxiliará nas lutas individuais e coletivas, fazendo pulsar o sentido de defesa da vida. Chopana Odomodê Odjango: uma morada para a memória e para a vida A Chopana Odomodê Odjango Filhas de Mãe Preta é um coletivo de mulheres jovens kilombolas majoritariamente negras, que cruzaram léguas até Salvador para dar continuidade à memória e à preservação do seu Território. Tecendo sonhos onde as ganas das mais jovens se encontram com as sabenças das mais velhas, guiadas pela estratégia do akilombamento, elas criaram este espaço de resistência, resiliência e amor à vida no contexto urbano de Salvador. Espaço que neste momento busca se tornar também um local físico. “Nossas práticas e movimentos procuram salvaguardar a vida como forma de ressignificar a luta diária que nos move enquanto sociedade”, evidenciam.  A juventude negra e quilombola no Brasil carrega em seus corpos a marca da violência estrutural. Segundo o Atlas da Violência (IPEA/FBSP, 2023), 77% das vítimas de homicídios no país são negras; jovens negros têm quase três vezes mais chances de serem assassinados do que brancos. As mulheres negras, kilombolas e afro-indígenas estão entre as mais afetadas: 61% das vítimas de feminicídio, ao mesmo tempo em que sustentam redes de cuidado, espiritualidade e resistência. Em Salvador, a cidade mais negra fora da África, a juventude enfrenta o peso do desemprego, da violência policial e do racismo que insiste em negar dignidade mesmo em território de maioria negra (Geledés, 2024). Nas periferias, juventudes são criminalizadas e encarceradas. Nos territórios tradicionais, enfrentam o racismo institucional que lhes nega direitos básicos e são ameaçadas por megaprojetos do agronegócio, da mineração, da especulação imobiliária, além da abertura de rodovias e ferrovias que atravessam territórios ancestrais, fragmentam comunidades e desestruturam modos de vida. Esses empreendimentos, impostos sem consulta livre, prévia e informada, resultam em expulsões, desterritorialização e rompimento dos vínculos com a terra, os rios e os encantados. A Comunidade Kilombola Morada da Paz – Território de Mãe Preta (CoMPaz) é exemplo vivo dessa realidade: cercada por pressões do agronegócio e projetos de expansão rodoviária, resiste com firmeza à lógica colonial que busca arrancá-la de seu lugar de vida e encantamento. É nesse contexto que a aquisição da Kasa das Juventudes, em Salvador, se coloca como levante e estratégia de resistência coletiva: gesto insurgente das juventudes, em aliança com suas mais velhas, para garantir dignidade, cuidado e proteção. A Choupana Odmodê Odjango Filhas de Mãe Preta não é apenas sonho, mas necessidade vital: será morada, CoMKola ancestral, espaço de luta e reexistência para juventudes kilombolas, indígenas, periféricas e LGBTQIAPN+. A juventude é força insubmissa e criativa. Em seus corpos pulsa a ancestralidade que não se dobra, que insiste em semear futuros possíveis. Apoiar esta campanha é romper com as lógicas coloniais que negam vida às juventudes negras e afirmar alianças entre povos para viver com respeito, justiça e esperança. Contribuir é investir na vida e na Multiversidade dos Povos da Terra de Mãe Preta. É tornar real uma kasa-kilombo-aldeia, onde as juventudes possam ser, existir e florescer.  Multiversidade dos Povos da Terra de Mãe Preta: autonomia insurgente, alianças ancestrais e presentes possíveis Do Pampa à Amazônia, em sete anos o coletivo acolheu mais de cinco mil pessoas, alcançando territórios em 18 estados do Brasil, abarcando especialmente kilombos, aldeias e retomadas indígenas. Como expõe Bawoy, jovem da CoMPaz: “Somos a multiversidade que acontece entre comunidades tradicionais, periferias urbanas e nas brechas das universidades. Hoje somos mais de 50 comunidades entre Pampa e Amazônia, com forte presença no Pará, Rio Grande do Sul, Bahia e Minas Gerais. No Projeto da Multiversidade já produzimos mais de 60 encontros, vivências, desformações com mulheres, crianças, jovens e lideranças comunitárias”.  No intuito de ampliar esse alcance e enraizar o fortalecimento da comu(m)unidade das lutas, nutrindo as juventudes, surge esta campanha. “Pedimos contribuição porque a autonomia não se sustenta sozinha. Apoiar a multiversidade é apoiar o vivedouro da esperança, para que juntos possamos  realizar esse sonho de ter a sede para que com mais segurança a gente possa acolher juventudes periféricas e dissidentes, possibilitando a ampliação dos sarais, o primeiro festival da multiversidade, o Encontro dos Tambores da América Latina e a incidência política para a  salvaguarda da Lagoa de Abaeté”, relata Bawoy. Rompendo com a violenta percepção colonialista de história única, a Multiversidade dos Povos da Terra de Mãe Preta,  traz o valor da complementaridade e do coabitar. E assim se propõe também a futura morada baiana, numa trama insurgente protagonizada por mulheres guardiãs da memória, da espiritualidade e do esperançar. “Para os povos da terra, os saberes são múltiplos e diferentes, dizem sobre os diversos modos de ser e viver. Gostamos da diversidade e do encontro dos saberes,

Amigas Margaridas da Terra

Na Marcha das Margaridas, as mulheres estavam animadas, com seus chapéus coloridos, motivadas a reconstruir o país “Olha Brasília está florida, estão chegando as decididas. Olha Brasília está florida, é o querer, o querer das Margaridas” Canto das Margaridas – Loucas de Pedra Lilás   Em agosto de 2019, centenas de mulheres, entre as presentes na sexta edição da Marcha das Margaridas e I Marcha das Mulheres Indígenas, tiveram a ousadia de se contrapor ao ódio do Governo Bolsonaro. Seguindo o legado de Margarida Alves, que dizia “E vocês fiquem certos de que não fugimos da luta. É mais fácil saber que tombamos do que dizer que nós corremos”; “É melhor morrer na luta do que morrer de fome”, as margaridas marcharam em protesto. Não houve um governo para recebê-las. Sem políticas públicas que anunciar para a categoria. Mas neste ano, a história mudou. As cerca de 100 mil mulheres presentes na 7ª edição da Marcha das Margaridas contaram com a presença do presidente Lula na abertura. Vários ministros compuseram as mesas de debate. As ministras Cida Gonçalves e Anielle Franco, deputadas, a primeira-dama, todas marcharam com as margaridas. :: Reforma agrária, autonomia econômica, prevenção ao feminicídio: governo anuncia medidas em resposta a pautas da Marcha das Margaridas :: O clima era outro. As mulheres estavam animadas, com seus chapéus coloridos, motivadas a reconstruir o país. Dos seus roçados, cochichos, foram definindo suas prioridades, demandas. Algumas em Brasília há algum tempo, articulando as demandas. A marcha era uma festa, de um Brasil que voltou a enxergar e reconhecer as suas Margaridas. Até no Congresso Nacional, as Margaridas receberam uma homenagem pela sua história. E que história! É importante lembrar que a luta das Margaridas assegura muitas conquistas à população do campo brasileiro. Em 2011, a 4ª Marcha das Margaridas reivindicou uma maior importância ao desenvolvimento de um plano nacional de ação no campo da agroecologia, inspiradas na construção de diversas organizações. No documento base da 4ª Marcha, apresentava-se: “Demanda/Proposta 1811: criar grupo permanente de estudos e pesquisas, com a participação de representantes da sociedade civil, para discutir o modelo agrícola na perspectiva de promover a mudança da matriz de alto insumo energético (fertilizantes, agrotóxicos) e de simplificação ecológica, para a matriz de baixo insumo energético e de diversidade ecológica, bem como apoiar fontes alternativas de energia, como energia solar e eólica”. E com essa luta, agregadas à Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e às várias resistências da agroecologia, nasceu a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. :: No primeiro dia de Marcha, Senado aprova nome de Margarida Alves para Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria :: Na edição deste ano, não foi diferente. O número de anúncio de conquistas das Margaridas ocupa mais de uma página: decreto Quintais Produtivos para as mulheres rurais, com a previsão de instalação de 90 mil quintais produtivos; decreto Seleção de Famílias para Reforma Agrária, estabelecendo pontuação diferenciada para famílias chefiadas por mulheres; decreto que institui a Comissão Nacional de Enfrentamento à violência no campo; Decreto que institui GT Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural; decreto que institui Programa Nacional de Cidadania e Bem Viver da Mulher Rural (Novo PNDTR); decreto institui Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio; decreto retoma Política Nacional ao Trabalhador Rural Empregado; decreto retoma Bolsa Verde; Programa Emergencial de Reforma Agrária, com previsão de atender: 5.700 famílias e 40 mil famílias regularizadas; R$ 300 milhões de crédito instalação; Assistência Técnica e Extensão Rural nos Assentamentos; R$ 100 milhões em leite a ser comprado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). As Margaridas levaram para suas casas a esperança de um país em reconstrução. Diferente de 2019, tiveram a atenção do Estado, que firmou com elas uma série de compromissos. Não menos importante, as Margaridas agregaram a sua demanda o “bem-viver”. A história de resistência das mulheres camponesas lhes ensinou a importância do acesso e permanência na terra e no território. As mulheres afirmam sua relevância na preservação da biodiversidade e na conservação dos biomas, identificando-se como guardiãs dos saberes populares. Por um feminismo que valoriza a vida, a defesa da agroecologia, dos territórios e dos bens comuns. :: Por que Margarida Alves não foge da luta? Legado histórico segue em Marcha há 40 anos :: A Marcha das Margaridas inspirou e estimulou a organização popular para a reconstrução do país. Os anúncios de políticas públicas trazem esperança para aqueles que lutam em defesa de outro modelo de produção agrícola. O comprometimento do governo com as reformas e o reconhecimento das mulheres do campo sinalizam para avanços progressistas em meio a um governo de frente ampla. Abrindo alas no primeiro ano de governo, as Margaridas semearam as políticas para o crescimento da agroecologia, do acesso e permanência nas terras e nos territórios. Trazendo condições concretas à vida das mulheres no campo, inspiram o semear de outros valores de um projeto político de nação. Cabe mencionar ainda, neste artigo, a perda da Mãe Bernadete Pacífico, líder da Comunidade Remanescente de Quilombo Pitanga de Palmares, integrante da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). A defensora foi assassinada no dia 17 de agosto, um dia depois da Marcha das Margaridas. Mãe Bernadete é semente, e se somou à Margarida Alves, na memória das nossas heroínas. Confira alguns dos registros da Amigas da Terra Brasil durante a Marcha das Margaridas 2023: Esta coluna foi originalmente divulgada no Jornal Brasil de Fato, em: https://www.brasildefato.com.br/2023/08/30/amigas-margaridas-da-terra   

Escola Internacional Berta Cáceres: mulheres indígenas, negras, camponesas e trabalhadoras das Américas construindo o Feminismo Popular

O início de agosto foi marcado por muita articulação e luta na Escola Internacional da Organização Feminista Berta Cáceres. Realizado por organizações que compõem a Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo, o encontro reuniu, entre os dias 7 e 11, em Honduras, mais de 100 mulheres em diversidades de gênero, indígenas, negras, camponesas e trabalhadoras das Américas, com o intuito de fortalecer o Feminismo Popular.  Berta não morreu, multiplicou. A Escola Popular retoma o seu legado, e a Amigas da Terra Brasil somou nessa construção. Foram dias de partilha de ideias, saberes e experiências, de caminharmos juntas na construção de um projeto político que coloque a vida no centro. Em entrevista ao podcast Fúria Feminista, Letícia Paranhos, da Amigas da Terra Brasil e coordenadora internacional do Programa de Justiça Econômica e Resistência ao Neoliberalismo da Federação Amigos da Terra Internacional, membra da Campanha Global para Reivindicar a Soberania dos Povos, Desmontar o Poder Corporativo e Por Fim à Impunidade, comentou sobre o papel da economia feminista, uma das bases do feminismo popular, na mudança da sociedade. “A economia feminista é um caminho para a transformação porque desafia o sistema de opressão, o capitalismo, racismo e o patriarcado, que se entrelaçam desafiando os direitos e apropriando, explorando; e sabemos que são as classes dominantes, que são as elites, que se beneficiam dessa exploração. Para mudar esse sistema é preciso romper com essa lógica de dominação e, daí, vem a perspectiva feminista, que coloca a vida no centro enquanto esse sistema tem como objetivo o lucro, concentrado nas mãos de poucas empresas transnacionais, em sua maior parte baseadas no Norte global, que geram miséria para os povos e mulheres em todo o Sul global. É mais que um conceito, é uma ferramenta política. É teórica sim, mas é ação, e já está em marcha em comunidades da periferia”, argumentou Letícia. A articulação internacionalista na construção do feminismo popular é fundamental. Assim como a relação com a justiça ambiental. “O ambientalismo popular vem da Justiça Ambiental e, portanto, busca também o fim dessa lógica opressora e acumuladora de capital, desvela que as injustiças afetam, sobretudo, a classe trabalhadora, os povos, as mulheres. Essas opressões são exacerbadas nos corpos e territórios negros, quilombolas, dos indígenas e povos originários, povo camponês. E se nutre e se sustenta na soberania popular, que engloba a alimentar, tecnológica e energética, abraçando o feminismo e retroalimentando a economia feminista”, disse Paranhos. O encontro trouxe como um dos lemas principais “Mulheres, água e energia não são mercadorias”, uma bandeira do feminismo popular que clama por soberania nos  territórios do Sul Global. A Rádio Mundo Real (RMR) , a Capire  e a Rádio Rebelde de Cuba  estiveram em Honduras, juntas por uma comunicação feminista e popular. Acesse AQUI a matéria feita pela Capire sobre o encontro. A Escola Feminista Berta Cárceres é organizada pela Grassroots Global Justice Aliance  e pela  Jornada Continental .  Assista ao vídeo e saiba mais sobre o projeto:  Confira também as animações sobre Economia Feminista e os princípios de sua construção na agenda de movimentos sociais. Um conteúdo em dois vídeos produzido pela Capire, Marcha Mundial das Mulheres e Amigos da Terra Internacional: 📽️ Confira aqui o vídeo “O que é Economia Feminista 01”: 📽️ Confira aqui o vídeo “O que é Economia Feminista 02”:

Nota de pesar da Amigas da Terra pelo assassinato de Bernadete Pacífico

Acordamos, na manhã dessa 6ª feira (18/08), com o assassinato de mais uma defensora de direitos humanos, Bernadete Pacífico, liderança quilombola da comunidade de Pitanga dos Palmares, na cidade de Simões Filho, região metropolitana de Salvador (BA). Bernadete, de 72 anos, foi assassinada por dois homens na noite anterior, 17 de agosto de 2023, no terreiro que frequentava. Bernadete é liderança quilombola nacional, foi coordenadora da CONAQ (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas) e estava em luta pelos direitos territoriais de sua comunidade. A liderança vinha denunciando as violências e ameaças ao seu território, que ceifaram, inclusive, a vida de seu filho, Flavio Gabriel dos Santos, em 2017, com 14 tiros, por homens armados que invadiram o território. Lamentavelmente, seguimos matando nossas defensoras e nossos defensores de direitos humanos, o povo negro, em nosso país. A Amigas da Terra Brasil manifesta sua solidariedade a toda a família pela perda, à luta do Quilombo Pitanga dos Palmares, e exige que as autoridades brasileiras tomem providência para investigar e punir os responsáveis. Quem matou Bernadete? Quem mandou matar Bernadete? Justiça por Bernadete! Já! Amigas da Terra Brasil  

Conheça as propostas apoiadas pela Amigos da Terra para o Plano Plurianual (PPA)

Até esta sexta-feira (14), está aberta votação para que a população  decida quais políticas serão prioridade do governo federal. Cada pessoa pode votar em 3 programas de entidades da sociedade civil, além de 3 propostas apresentadas pelo próprio governo para o Plano Plurianual (PPA). A votação é para incidir no principal instrumento de planejamento orçamentário de médio prazo do Governo Federal, o Plano Plurianual (PPA).Ele define as diretrizes, os objetivos e as metas da administração pública federal, contemplando as despesas de capital (como, por exemplo, os investimentos) e outras delas decorrentes, além daquelas relativas aos programas de duração continuada. O PPA é estabelecido por lei, com vigência de quatro anos. Ele se inicia no segundo ano de mandato de um presidente e se prolonga até o final do primeiro ano do mandato de seu sucessor. Conheça e vote nas propostas da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e do Movimento dos Atingidos por Barragens  (MAB), apoiadas pela Amigas da Terra Brasil:  Programa Periferia Viva (MTST): https://abrir.link/5cUx4 Criação da Política Nacional de Cuidados (MMM): http://abrir.link/nhdit Criação do Fundo Nacional para as populações atingidas por barragens (MAB): http://abrir.link/XHcU7 Essa é a última semana de votação nas propostas para o Plano Plurianual.  É possível votar até sexta-feira, 14 de julho. Para votar acesse aqui Caravana do Plano Plurianual (PPA) Participativo realizou plenária no Rio Grande do Sul Em Porto Alegre (RS), a caravana do Plano Plurianual (PPA) Participativo realizou no sábado (08/07) a plenária do Rio Grande do Sul. Propostas de políticas públicas de representantes de diversos segmentos da sociedade civil, como trabalhadores, estudantes, defensores da saúde pública, mulheres e indígenas, foram apresentados aos ministros do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, e da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macedo. Maria do Carmo Bittencourt, representante do Fórum Estadual de Mulheres do Rio Grande do Sul, defendeu diversas propostas, entre elas o fortalecimento do combate à violência de gênero e um programa de crédito subsidiado que beneficie as mulheres camponesas. “Também queremos defender que a Política Nacional de Cuidados entre no PPA. A gente sabe que o governo já lançou a Política Nacional de Cuidados, mas precisamos que ela entre no orçamento com muita força”, cobrou. Em maio, o governo anunciou a instalação de um grupo de trabalho para elaborar um projeto que vise a garantia de direitos para pessoas que exercem função de cuidador, que são majoritariamente mulheres, sejam membros da família ou trabalhadores remunerados. Por meio da caravana, que está percorrendo todos os estados, o governo busca elaborar um PPA de forma participativa, a partir de um processo de consulta popular. Com a realização da plenária no Rio Grande do Sul, restam pendentes apenas os estados do Sudeste. Conforme o cronograma divulgado no site da Secretaria-Geral da Presidência da República, a caravana realiza a etapa de Minas Gerais na quarta-feira (12). Já na quinta-feira (13), estão previstas atividades pela manhã no Rio de Janeiro e no final do dia no Espírito Santo. A última plenária deve ocorrer na sexta-feira (14) em São Paulo. Ao fim do processo de consulta popular, a Secretaria-Geral da Presidência da República irá sistematizar as contribuições da população e encaminhá-las ao Ministério do Planejamento, que submeterá à análise das equipes técnicas para eventual incorporação ao texto final do PPA. O plano deve ser entregue ao Congresso Nacional até 31 de agosto, acompanhando a LOA, para debate e votação dos parlamentares. A relatoria já está designada para o deputado federal Elvino Bohn Gass (PT-RS). Fonte: Jornal Sul 21

Apoio à Any Moraes e à Rossana Prux contra a violência política de gênero!

  Nós, da Aliança Feminismo Popular (AFP), nascemos na pandemia. Desde aquele duro período para a vida das mulheres, estivemos ao lado das companheiras, propondo ações de enfrentamento à fome e a todas as formas de violência. Mas essas ações não acontecem num estalar de dedos. É preciso muito trabalho das mulheres. Muita luta. E são as lideranças as que ajudam a tornar as ações possíveis. Mas sermos lideranças mulheres sempre incomoda e desacomoda o patriarcado. Recentemente, no dia 15 de março, as companheiras Any Moraes e Rossana Prux, duas jovens militantes feministas e lideranças, sofreram violência política de gênero, por parte do vereador Marcelo Sgarbossa, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre (RS). As duas companheiras são dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT), sendo a Any, também, integrante da executiva da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e da Aliança Feminismo Popular (AFP).  A violência não começou no dia 15/03, nem parou por aqui, pois seguiu  pelas redes sociais e mensagens via WhatsApp. São insultos, difamações, inverdades e até a criação de um comitê alegando que o vereador está sendo injustiçado, utilizando de narrativa que tenta convencer que o assediador é a vítima e não o agressor. Sabemos que a violência contra as mulheres não ocorre apenas dentro das casas, mas também pode acontecer em outros os lugares da sociedade onde há homens e mulheres, seja nas ruas, no transporte, no trabalho ou nas redes sociais. E atinge as mulheres de todas as idades, raças e classes sociais.  A violência política de gênero ocorre quando há constrangimento, humilhações, ameaças e ações que dificultam ou maculam a participação política de mulheres na vida pública. E é exatamente o que o vereador Marcelo Sgarbossa tem feito, muito antes do ocorrido e após tentar transformar as vítimas em vilãs. Tudo isso causa muita dor, sequelas para a vida toda, pois muitas vezes essa violência envolve ameaça à integridade da família também. Além disso, muitas mulheres desistem da vida pública por ficarem se sentindo sem apoio e sem energia para fazer os enfrentamentos, que são cotidianos. A dominação patriarcal tem a ver com o controle dos nossos comportamentos, dos espaços que frequentamos, do trabalho que fazemos, e nós temos que denunciar sempre. Não vamos nos calar diante das violências de que somos vítimas.  Queremos aqui trazer todo nosso apoio e solidariedade às  companheiras Any Moraes e Rossana Prux, que sofreram essa agressão machista, e não vamos tolerar que as mulheres sigam sendo tratadas com menosprezo ou discriminação, por suas posições na política, por discordarem ou manterem suas posições de acordo com sua ética e sua trajetória. Nota retirada do blog da Aliança Feminismo Popular (AFP)

#8M em Porto Alegre: Na luta pela vida e pelos direitos das mulheres

Chamamos a todas companheiras, companheires e companheiros para tomarmos às ruas na quarta-feira, 8 de março, fazendo ecoar nossas reivindicações políticas e a centralidade das mulheres nas lutas. Marchamos em não ao sistema capitalista, patriarcal e racista, que se sustenta via o ódio e a violência sistemática contra as mulheres. Em Porto Alegre (RS), uma série de atividades marcarão a data. Entre elas, das 7h às 9h haverá denúncia de ameaça de rompimento da Barragem na Lomba do Sabão e Ato Ecumênico de denúncia do feminicídio de Débora Moraes, militante do Movimento Atingidos e Atingidas Por Barragens (MAB). Às 10h, a violência contra as mulheres e os desmontes das políticas públicas serão debatidos em Audiência Pública, no Plenarinho. E a partir das 17h começa concentração na Esquina Democrática para encerrar a data em ato unificado do #8M 2023, que começa às 18h. Após quatro anos de Governo de Jair Bolsonaro, finalmente é possível respirar. O ódio do ex-presidente contra as mulheres e pessoas oprimidas, em especial aquelas que pertencem à classe trabalhadora, resultou em aumento do desemprego, da fome, do endividamento, da miséria, da violência física e psicológica, do extermínio de indígenas, do culto às armas, de chacinas nas comunidades negras e da perseguição às mulheres e crianças vítimas de estupro, além do desprezo pela vida das vítimas da COVID. Apesar de tudo, sobrevivemos! Não é possível permitir que aqueles que defendem a ditadura militar e a tortura, e que organizaram e financiaram a invasão dos três poderes em Brasília saiam impunes. A ação livre do Bolsonarismo ameaça a todas, e a prisão de Bolsonaro é urgente! Nesse #8M reivindicamos: #SemAnistia! Desde o #EleNão, as mulheres foram incisivas na oposição e derrota de Bolsonaro, na defesa das liberdades democráticas e dos direitos e na vitória eleitoral de Lula. Mas a luta continua e é a hora de destruir todo o legado do golpe de 2016. Precisamos pôr fim à misoginia, racismo e à LGBTIA+fobia entranhados no Estado capitalista que destrói as políticas sociais tão necessárias às nossas vidas. É hora de ir além, de construir a transformação social que o Brasil tanto precisa. Nossa luta é pelo fim do feminicídio, em defesa das liberdades democráticas, por nenhum direito a menos, pela revogação da lei de alienação parental, pelo combate à fome, por empregos, salários iguais entre gêneros, acesso à saúde, educação, moradia, alimento, água e energia a todas. Pelo perdão das dívidas de famílias empobrecidas. Pela revogação da reforma trabalhista, da previdência e do ensino médio, que nos impõe tantos retrocessos.  Pela descriminalização e legalização do aborto e seu debate dentro da saúde pública. Em defesa do SUS e do SUAS. Pela educação sexual nas escolas para combater a violência de gênero. Por um programa nacional de habitação voltado a moradoras de áreas de risco e mulheres vítimas de violência doméstica e pela construção de casas abrigo para mulheres vítimas de violência. Basta de violência! Pelo fim do feminicídio  No primeiro semestre de 2022, a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos registrou 31.398 denúncias e 169.676 violações envolvendo a violência doméstica contra as mulheres. No Rio Grande do Sul uma mulher é agredida a cada 22 minutos, de acordo com dados de janeiro de 2023. Passados oito anos da promulgação da Lei 13.104, de 9 de março de 2015, conhecida como Lei do Feminicídio, o assassinato de mulheres em situação de violência doméstica e familiar ou em razão do menosprezo ou discriminação à sua condição aumentaram no país. O Brasil bateu recorde de feminicídios, registrando 699 casos no primeiro semestre de 2022. Somos, há 14 anos, o país que mais mata pessoas trans; foram 131 em 2022. Prevenir e combater, sistematicamente, as diferentes formas de violência de gênero é dever do Estado, criando políticas públicas que dêem conta de erradicar a violência e acabar com o feminicídio. Queremos que o Estado tenha tolerância ZERO com os casos de violência doméstica e feminicídio e que criem ações para além do enfrentamento a violência, com políticas públicas no viés da transversalidade e que dêem conta das especificidades das mulheres. Combate ao racismo Ainda que todas nós mulheres estejamos expostas a essas violências, fica escancarado o racismo: as mulheres negras são 67% das vítimas de feminicídios e 89% das vítimas de violência sexual. As mulheres negras são as maiores vítimas também da violência urbana direta e indiretamente. A construção de uma sociedade feminista e antirracista é o caminho para que consigamos alcançar um país com justiça social e igualdade para todas, todes e todos.  Urgente a revogação da Lei de Alienação Parental (LAP) Desde a aprovação da LAP (2010) ocupamos o 5º lugar em feminicídios, há 13 anos em média quatro mulheres são assassinadas por dia e 80% das tentativas de feminicídios foram contra mães. Revogar essa lei misógina e punitivista para as mulheres/mães, que foi criada a partir de um conceito sem validade científica, é URGENTE. Precisamos banir e abolir este conceito que desqualifica e banaliza os testemunhos das vítimas mulheres/mães, obrigando a convivência com seus agressores. A violência é real: estuprador não é pai, agressor não é pai e violência não é vínculo. Combate à fome, por empregos, salários iguais entre os gêneros e educação infantil Existe uma diferença gritante entre homens e mulheres na questão da insegurança alimentar que se alastrou com a política assassina de Bolsonaro, em especial durante a Pandemia, fato este que colocou o Brasil de volta ao mapa da fome mundial. É necessário apoio à economia solidária, que tem papel central para uma nova economia, justa e livre da opressão capitalista. Sendo nós mulheres a principal fonte de renda da maioria das famílias trabalhadoras desse país, seguir existindo a diferença salarial entre homens e mulheres, e a diferença brutal se compararmos o salário entre homens brancos e mulheres negras, é contribuir para seguirmos vendo a desigualdade e a miséria aumentando. Além disso, é necessário que o Estado crie condições para que mães e pais possam trabalhar e isso passa por garantir vagas na Educação. Inclusão e

Estão nos matando, mas ainda assim semeamos a esperança

Nós, mulheres, somos 51,8% da população brasileira, e mesmo assim não chegamos a ser metade das cadeiras do Congresso Nacional (17,7%) ou do Judiciário (38,8%). Tampouco temos a representatividade devida nas Assembleias Estaduais, Câmaras Municipais ou na direção do Executivo. A única mulher eleita Presidenta, Dilma Rousseff, sofreu um golpe misógino em 2016. Será impossível pensar em igualdade de gênero quando sequer somos capazes de construir uma equidade de representação política. O cenário se agrava quando olhamos os quatro últimos anos de Governo Bolsonaro. Quando as políticas públicas se destinaram a retificar papéis históricos de gênero que reforçam a divisão sexual do trabalho. A mensagem política transmitida pelo governo e representações políticas era sintetizada em expressões como: “bela, recatada e do lar”; “meninas vestem rosa e meninos azul”. Neste universo conservador, agregava-se o fundamentalismo religioso propagado pelas posições fascistas que confrontavam diretamente os direitos historicamente conquistados das mulheres, especialmente os sexuais e reprodutivos. As estatísticas comprovam os retrocessos. Segundo o relatório de transição, houve uma desidratação das políticas públicas destinadas às mulheres; apenas no primeiro semestre de 2022, o país bateu recordes de feminicídio. Em 2021, 66 mil brasileiras foram vítimas de estupro e 230 mil sofreram agressões físicas por violência doméstica. Se olharmos esses dados sob o recorte racial, ainda encontraremos que 67% das vítimas de feminicídio e 89% das vítimas de violência sexual são mulheres negras. A partir de 2016, a Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres sofreu um corte de 90% de seu orçamento. A crise sanitária atingiu de forma distinta as mulheres, refletindo a urgência de um debate público sobre a economia de cuidados. Isso porque as mulheres ocuparam as linhas de frente de combate ao coronavírus sendo as enfermeiras dos hospitais, as cuidadoras dos doentes nas casas e as que sustentaram o isolamento doméstico. As trabalhadoras domésticas foram as primeiras a serem infectadas pela pandemia e as mais impactadas pelos efeitos do covid-19. O retorno do país ao mapa da fome afeta sobremaneira as mulheres: 1 em cada cinco lares chefiados por mulheres não tem o que comer no dia a dia. A sobrecarga de trabalho doméstico, já excessiva, aumentou ainda mais no desmantelamento de políticas sociais como escola e creches, agravando uma conjuntura marcada pelo desemprego generalizado. Nossas mulheres estão cansadas, doentes. Em realidade, as disparidades de gênero cresceram em todo o mundo com a pandemia, estima-se que para atingir a igualdade de gênero levaríamos 135,6 anos. O Brasil ocupa a 93ª posição no mundo, de 153 países, sendo o penúltimo na lista latino-americana. O que nos torna um gigante de desigualdade. O Informe Global de Gênero, do Fórum Econômico Mundial, propõe que para superar as lacunas são necessários investimentos no setor de assistência social, construção de políticas para igualdade no mundo do trabalho e capacitação das mulheres. A retórica da organização financeira é bastante peculiar, já que se de um lado propõe essas diretrizes, de outro promovem políticas de austeridade e desregulamentação nos países para facilitar a privatização de serviços e a entrada e permanência de empresas transnacionais. Como podemos observar, as políticas públicas para as mulheres se resumem a uma sujeição à sociedade capitalista e patriarcal, e para outra grande parcela delas, a morte. Assim estão nos matando; eliminam nossos corpos, nossas mentes, nossa libertação. No entanto, somos feitas da terra e da resistência, e neste 8 de março queremos semear nosso projeto político alternativo: a economia feminista. A economia feminista nos liberta O sistema capitalista, desde sua origem, estruturou-se fazendo o uso do patriarcado como instrumento de dominação e exploração das mulheres, e rebaixando ainda mais sua posição como grupo social. Assim, organizou uma divisão sexual do trabalho, separando o trabalho produtivo, assalariado, do trabalho reprodutivo, este último legado às mulheres. Todas as tarefas de cuidado que são necessárias para a manutenção das condições de vida estão designadas às mulheres e não são remuneradas. Se assim o fosse, seria impossível sustentar os baixos salários e o avanço da mercantilização e privatização à medida que exigiria que a sociedade não estivesse orientada para o individualismo e, sim, para a coletividade. Ocorre que a crise de cuidado é permanente em nossa sociedade; não à toa, vivemos uma profunda crise do capital versus vida. A orientação da produção mundial para a produção constante de lucro, concentrado numa cada vez menor parcela de indivíduos acionistas de grandes corporações que controlam cadeias globais de produção, é insustentável. A crise ambiental instalada desde a separação do homem da Natureza na modernidade tem produzido cada vez mais a nossa insustentabilidade como espécie humana neste planeta. “A ruptura entre as nossas sociedades e a natureza não é de responsabilidade de toda a população, pois foi projetada e é perpetuada por esses sistemas de poder em nível global”, expressa Karin Nansen, ex-presidenta da Federação de Amigas da Terra Internacional. Precisamos, urgentemente, superar nossa separação com a Natureza, suas gentes e suas culturas, e incorporar valores de ecodependência. Frente aos desafios da crise múltipla da acumulação do capital, feministas de todo mundo têm construído a economia feminista e popular como projeto político alternativo. A economia feminista é uma aposta política para transformar a sociedade, as relações entre as pessoas, e entre elas e a natureza. Reconhecer o trabalho de cuidado invisibilizado e propor sua reorganização é um primeiro passo. Determinar uma nova lógica de produção mundial na qual a economia esteja centrada na vida, dando especial atenção aqueles que trabalham para sustentá-la. Todas e todos, ao longo de nossas vidas, precisamos de cuidados; não há condição de vida sem relações de reciprocidade. É por isso que precisamos subverter a lógica da ganância das empresas transnacionais que dirigem o mundo, e tomar consciência da centralidade da vida humana e sua reprodução. Ter esses sujeitos e sujeitas no centro do pensar nossa política, como propõe Karin: “Precisamos de respostas que coloquem no centro as classes populares, a classe trabalhadora, as mulheres, os povos indígenas, as comunidades quilombolas, as comunidades camponesas e todas aquelas comunidades que sofrem diretamente os impactos desse sistema e desse modelo de

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