{"id":873,"date":"2018-05-24T21:45:28","date_gmt":"2018-05-25T00:45:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=873"},"modified":"2025-06-17T16:10:36","modified_gmt":"2025-06-17T19:10:36","slug":"em-audiencia-publica-lotada-vila-nazare-mostra-a-forca-de-sua-uniao-frente-as-ameacas-de-remocao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=873","title":{"rendered":"Em audi\u00eancia p\u00fablica lotada, Vila Nazar\u00e9 mostra a for\u00e7a de sua uni\u00e3o frente \u00e0s amea\u00e7as de remo\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Fraport, empresa respons\u00e1vel pela obra do aeroporto Salgado Filho, recusou-se a sentar \u00e0 mesa de debate e n\u00e3o respondeu a nenhum questionamento das fam\u00edlias da Vila Nazar\u00e9<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As respostas n\u00e3o vieram, \u00e9 verdade &#8211; elas raramente v\u00eam. Contudo, a noite de ontem (23\/5) serviu para mostrar a for\u00e7a que a mobiliza\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias da Vila Nazar\u00e9 possui: o sal\u00e3o da Escola Ana Nery esteve completamente lotado durante a audi\u00eancia p\u00fablica que debateu a remo\u00e7\u00e3o da comunidade devido \u00e0s obras do aeroporto Salgado Filho. A prefeitura de Porto Alegre, representada pelo diretor-geral do Demhab (Departamento Municipal de Habita\u00e7\u00e3o), M\u00e1rio Marchezan, viu-se obrigada a ouvir os questionamentos de moradoras e moradores que, em um processo sem nenhuma transpar\u00eancia e recheado de amea\u00e7as e medo, s\u00e3o empurrados para fora do territ\u00f3rio onde h\u00e1 mais de 60 anos enraizaram suas vidas. A Fraport, empresa alem\u00e3 operadora do aeroporto e respons\u00e1vel pela obra, esteve presente na audi\u00eancia, mas se negou a dialogar: n\u00e3o sentou \u00e0 mesa e nem respondeu a qualquer d\u00favida das fam\u00edlias. Sa\u00edram mais cedo do encontro, talvez assustados com a mobiliza\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-862 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/falando.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/falando.jpg 640w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/falando-300x200.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/falando-500x334.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<figure id=\"attachment_863\" aria-describedby=\"caption-attachment-863\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-863 size-full\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/bra\u00e7os-cruzados.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"463\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-863\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Douglas Freitas<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as autoridades, falaram tamb\u00e9m representantes do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, da Defensoria P\u00fablica do Rio Grande do Sul e da Caixa Econ\u00f4mica Federal. Todos defenderam o di\u00e1logo, em cr\u00edtica \u00e0 atitude da Fraport e da prefeitura de Porto Alegre, que n\u00e3o cumpriu promessas feitas em negocia\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias que ocorreram no \u00e2mbito do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual, em especial no que diz respeito ao cadastramento de moradores da Nazar\u00e9. O processo est\u00e1 sendo feito por outra empresa privada contratada pela Fraport, a Itazi (que, em seu site, orgulha-se da &#8220;agilidade e t\u00e9cnica que consegue impor ao processo expropriat\u00f3rio&#8221;). Em meio a diversos constrangimentos, fotos, medi\u00e7\u00f5es, perguntas descabidas e estigmatizadoras, como em rela\u00e7\u00e3o a antecedentes criminais e outros questionamentos socioecon\u00f4micos, as fam\u00edlias ainda foram convocadas pelo Demhab a outro cadastro, no qual deveriam assinar termos dos quais sequer recebiam recibo e com pouqu\u00edssimas informa\u00e7\u00f5es sobre a finalidade dos documentos. Na audi\u00eancia, M\u00e1rio Marchezan avisou que este &#8220;dossi\u00ea&#8221; montado pela prefeitura era voltado apenas a quem seria realocado no loteamento Nosso Senhor do Bom Fim, um dos locais pretendidos pela prefeitura para levar os moradores. Sobre o outro destino, mais ao norte, o loteamento Irm\u00e3os Marista-Timba\u00fava, a comunidade deu o seu recado: n\u00e3o vai para l\u00e1 de jeito nenhum. Afastado e perigoso, o local tem p\u00e9ssima estrutura de atendimento b\u00e1sico, como escolas, hospitais e transporte p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A promessa repetida \u00e9 que ningu\u00e9m ser\u00e1 removido para um local que n\u00e3o deseja ir. Timba\u00fava n\u00e3o!, exigiu claramente a comunidade. Contudo, novas alternativas n\u00e3o foram dadas e segue a principal e mais grave d\u00favida: se n\u00e3o no Timba\u00fava, onde vamos morar? A Fraport insiste para que as remo\u00e7\u00f5es ocorram at\u00e9 dezembro de 2018, quando quer passar o trator por cima da Vila Nazar\u00e9, pressionando uma situa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 longe de se resolver, ainda mais se dependermos da iniciativa da prefeitura de Nelson Marchezan Jr., do PSDB, que outra vez esteve ausente do debate. Os moradores relatam que a \u00faltima vez que o prefeito de Porto Alegre foi visto pr\u00f3ximo \u00e0 Vila Nazar\u00e9 foi em meados de 2016, quando soltava promessas ao vento em uma hollywoodiana campanha eleitoral.<\/p>\n<blockquote><p>O rastro de destrui\u00e7\u00e3o da Fraport se espalha e, na mesma medida, ou em medida ainda maior, cresce a luta, a resist\u00eancia e a constru\u00e7\u00e3o de alternativas populares de desenvolvimento para a regi\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1, no entanto, alternativas ao projeto da Fraport, e elas vieram \u00e0 tona ao longo da audi\u00eancia p\u00fablica. O MPF se responsabilizou por fazer um levantamento sobre a propriedade das \u00e1reas circunvizinhas; Fernanda Melchiona, vereadora do PSOL, verbalizou a ideia: urbanizar a regi\u00e3o pr\u00f3xima e construir casas ali mesmo, evitando que a comunidade seja dividida e perca suas ra\u00edzes. Terrenos no entorno n\u00e3o faltariam para isso &#8211; o que faz questionar a pr\u00f3pria obra da maneira como est\u00e1 pensada atualmente, perguntas que repercutem ainda mais com a falta de transpar\u00eancia por parte da Fraport: a empresa protocolou um projeto nos \u00f3rg\u00e3os espec\u00edficos para liberar a obra e trouxe outro \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual. Qual projeto vale? A pista de pouso precisa mesmo se direcionar \u00e0 vila? At\u00e9 onde ela vai? Que casas seriam afetadas de fato? Pontos que deveriam estar extremamente vis\u00edveis e l\u00edmpidos em uma proposta que pretende desabrigar 2.100 fam\u00edlias, mas que, frente \u00e0 intransig\u00eancia da Fraport e da prefeitura de Porto Alegre, seguem em aberto, poucos meses antes do suposto prazo para que as obras comecem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o longe dali, a ocupa\u00e7\u00e3o Povo Sem Medo Porto Alegre, do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), \u00e9 prova do espa\u00e7o \u00fatil que h\u00e1 na regi\u00e3o. Tamb\u00e9m vizinho e amassado pela Fraport, de um lado, e pelo Wallmart, de outro, est\u00e1 o Quilombo dos Machado, que resiste ao frequente ataque das corpora\u00e7\u00f5es e defende seu territ\u00f3rio tradicional. O rastro de destrui\u00e7\u00e3o da Fraport se espalha e, na mesma medida, ou em medida ainda maior, cresce a luta, a resist\u00eancia e a constru\u00e7\u00e3o de alternativas populares de desenvolvimento para a regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma noite hist\u00f3rica em que a Vila Nazar\u00e9 se ergueu unida em defesa de seus direitos, espera-se que enfim as autoridades, p\u00fablicas ou privadas, tenham entendido a dimens\u00e3o de seus atos: expor as pessoas em um processo de cadastramento estigmatizador que as trata como n\u00fameros; tirar as fam\u00edlias de seus lares; dividi-las em diferentes pontos da cidade, sempre mais distantes e esquecidas; n\u00e3o dar respostas satisfat\u00f3rias sobre suas inten\u00e7\u00f5es, promovendo o medo e a ansiedade dentro da comunidade; nada disso jamais poder\u00e1 ser feito sem que se ou\u00e7a aquelas e aqueles diretamente atingidos: a voz que importa mais \u00e9 a da comunidade da Vila Nazar\u00e9, que ontem, unida, ressoou alto e s\u00f3 n\u00e3o ouviu quem n\u00e3o quis (ou se retirou mais cedo da audi\u00eancia, como os representantes da Fraport).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o microfone aberto, outra grave den\u00fancia feita foi sobre a atua\u00e7\u00e3o policial: escoltando funcion\u00e1rios da Itazi, a presen\u00e7a policial \u00e9 intimidadora e violenta, o que torna o cadastramento um processo ainda mais question\u00e1vel. Relatos de amea\u00e7as s\u00e3o frequentes: a viol\u00eancia \u00e9 f\u00edsica e simb\u00f3lica. Como que para comprovar suas opera\u00e7\u00f5es intimidat\u00f3rias, durante a audi\u00eancia um dos soldados presentes filmava e fotografava aquelas e aqueles que se manifestavam em defesa de seu territ\u00f3rio. Ao ser descoberto, foi questionado por Pedro Ruas, deputado estadual do PSOL que presidiu a sess\u00e3o, e a resposta, no que s\u00f3 podemos tomar como ironia e piada de mau gosto, foi que o soldado era parte da equipe de Comunica\u00e7\u00e3o Social da corpora\u00e7\u00e3o, e por isso fotografava o rosto de quem criticava o projeto da Fraport.<\/p>\n<figure id=\"attachment_864\" aria-describedby=\"caption-attachment-864\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-864 size-full\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/policia.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/policia.jpg 640w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/policia-300x200.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/policia-500x334.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-864\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Douglas Freitas<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Horas mais tarde, a lua alta no c\u00e9u fazendo jus a uma noite de bonita mobiliza\u00e7\u00e3o popular, a audi\u00eancia foi encerrada, ainda sem que se tenha respostas concretas; a luta, por isso, n\u00e3o para: nesta sexta-feira (25) uma nova reuni\u00e3o se dar\u00e1 no Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual. Estar\u00e3o presentes a Amovin (Associa\u00e7\u00e3o dos Moradores da Vila Nazar\u00e9); o MTST; a Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do RS; e a prefeitura de Porto Alegre. A Fraport e a sua subcontratada, a Itazi, est\u00e3o convidadas, mas, frente \u00e0 falta de vontade ao di\u00e1logo demonstrada ontem, n\u00e3o t\u00eam presen\u00e7a garantida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no dia 28\/5, \u00e0s 13h30min, ser\u00e1 feito o <a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2018\/05\/24\/lancamento-do-livro-empresas-alemas-no-brasil-o-7x1-na-economia-resistencias-a-fraport-em-porto-alegre\/\">lan\u00e7amento do livro &#8220;Empresas alem\u00e3s no Brasil: o 7&#215;1 na economia&#8221;<\/a>, organizado pela Funda\u00e7\u00e3o Rosa Luxemburgo. O encontro \u00e9 promovido pela Amigos da Terra Brasil e pretende aprofundar o debate sobre a atua\u00e7\u00e3o das transnacionais no Brasil, as viola\u00e7\u00f5es de direitos que cometem e, claro, maneiras de enfrent\u00e1-las, seja pela via jur\u00eddica, com a constru\u00e7\u00e3o de um tribunal internacional dos povos, seja pela via da resili\u00eancia e da resist\u00eancia, com o caso concreto das viola\u00e7\u00f5es cometidas pela Fraport em Porto Alegre: participar\u00e3o do encontro,\u00a0que ser\u00e1 no audit\u00f3rio da Faculdade de Ci\u00eancia Econ\u00f4micas da UFRGS, a Amovin, o MTST e a Frente Quilombola, al\u00e9m de Rosa Luxemburgo e Amigos da Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 ainda uma articula\u00e7\u00e3o tra\u00e7ada entre Amigos da Terra Brasil e Amigos da Terra Alemanha (<a href=\"https:\/\/www.bund.net\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bund<\/a>), que envolve outras organiza\u00e7\u00f5es alem\u00e3s como a KoBra (<a href=\"https:\/\/www.kooperation-brasilien.org\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Kooperation Brasilien<\/a>), que pressiona a Fraport internacionalmente, inclusive em territ\u00f3rio alem\u00e3o. Uma contra-mo\u00e7\u00e3o da Nazar\u00e9 j\u00e1 teve que ser publicada no site da Fraport (em alem\u00e3o). Na semana passada, em encontro entre autoridades e funda\u00e7\u00f5es alem\u00e3s no Brasil, o tema foi levantado e constrangeu parlamentares e o ministro da Justi\u00e7a da Alemanha, <a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2018\/05\/22\/desinformacao-sobre-violacoes-da-fraport-tambem-atinge-autoridades-alemas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que n\u00e3o tinham informa\u00e7\u00f5es sobre o caso<\/a>. A embaixada alem\u00e3 em Bras\u00edlia ir\u00e1 consultar o consulado em Porto Alegre em busca de esclarecimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o cerco internacional, restar\u00e1 \u00e0 Fraport aprender os bons modos, sentar-se \u00e0 mesa, ouvir e dialogar. Caso contr\u00e1rio, ter\u00e3o que se acostumar com o j\u00e1 corriqueiro grito: <strong>n\u00e3o passar\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_865\" aria-describedby=\"caption-attachment-865\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-865 size-full\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/marccha.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/marccha.jpg 640w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/marccha-300x200.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/marccha-500x334.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-865\" class=\"wp-caption-text\">Ida \u00e0 audi\u00eancia p\u00fablica. Foto: Douglas Freitas<\/figcaption><\/figure>\n<p><a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/154989916@N03\/sets\/72157669366252828\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Confira mais fotos no nosso Flickr<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fraport, empresa respons\u00e1vel pela obra do aeroporto Salgado Filho, recusou-se a sentar \u00e0 mesa de debate e n\u00e3o respondeu a nenhum questionamento das fam\u00edlias da Vila Nazar\u00e9 &nbsp; As respostas n\u00e3o vieram, \u00e9 verdade &#8211; elas raramente v\u00eam. Contudo, a noite de ontem (23\/5) serviu para mostrar a for\u00e7a que a mobiliza\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias da Vila Nazar\u00e9 possui: o sal\u00e3o da Escola Ana Nery esteve completamente lotado durante a audi\u00eancia p\u00fablica que debateu a remo\u00e7\u00e3o da comunidade devido \u00e0s obras do aeroporto Salgado Filho. A prefeitura de Porto Alegre, representada pelo diretor-geral do Demhab (Departamento Municipal de Habita\u00e7\u00e3o), M\u00e1rio Marchezan, viu-se obrigada a ouvir os questionamentos de moradoras e moradores que, em um processo sem nenhuma transpar\u00eancia e recheado de amea\u00e7as e medo, s\u00e3o empurrados para fora do territ\u00f3rio onde h\u00e1 mais de 60 anos enraizaram suas vidas. A Fraport, empresa alem\u00e3 operadora do aeroporto e respons\u00e1vel pela obra, esteve presente na audi\u00eancia, mas se negou a dialogar: n\u00e3o sentou \u00e0 mesa e nem respondeu a qualquer d\u00favida das fam\u00edlias. Sa\u00edram mais cedo do encontro, talvez assustados com a mobiliza\u00e7\u00e3o popular. Entre as autoridades, falaram tamb\u00e9m representantes do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, da Defensoria P\u00fablica do Rio Grande do Sul e da Caixa Econ\u00f4mica Federal. Todos defenderam o di\u00e1logo, em cr\u00edtica \u00e0 atitude da Fraport e da prefeitura de Porto Alegre, que n\u00e3o cumpriu promessas feitas em negocia\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias que ocorreram no \u00e2mbito do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual, em especial no que diz respeito ao cadastramento de moradores da Nazar\u00e9. O processo est\u00e1 sendo feito por outra empresa privada contratada pela Fraport, a Itazi (que, em seu site, orgulha-se da &#8220;agilidade e t\u00e9cnica que consegue impor ao processo expropriat\u00f3rio&#8221;). Em meio a diversos constrangimentos, fotos, medi\u00e7\u00f5es, perguntas descabidas e estigmatizadoras, como em rela\u00e7\u00e3o a antecedentes criminais e outros questionamentos socioecon\u00f4micos, as fam\u00edlias ainda foram convocadas pelo Demhab a outro cadastro, no qual deveriam assinar termos dos quais sequer recebiam recibo e com pouqu\u00edssimas informa\u00e7\u00f5es sobre a finalidade dos documentos. Na audi\u00eancia, M\u00e1rio Marchezan avisou que este &#8220;dossi\u00ea&#8221; montado pela prefeitura era voltado apenas a quem seria realocado no loteamento Nosso Senhor do Bom Fim, um dos locais pretendidos pela prefeitura para levar os moradores. Sobre o outro destino, mais ao norte, o loteamento Irm\u00e3os Marista-Timba\u00fava, a comunidade deu o seu recado: n\u00e3o vai para l\u00e1 de jeito nenhum. Afastado e perigoso, o local tem p\u00e9ssima estrutura de atendimento b\u00e1sico, como escolas, hospitais e transporte p\u00fablico. A promessa repetida \u00e9 que ningu\u00e9m ser\u00e1 removido para um local que n\u00e3o deseja ir. Timba\u00fava n\u00e3o!, exigiu claramente a comunidade. Contudo, novas alternativas n\u00e3o foram dadas e segue a principal e mais grave d\u00favida: se n\u00e3o no Timba\u00fava, onde vamos morar? A Fraport insiste para que as remo\u00e7\u00f5es ocorram at\u00e9 dezembro de 2018, quando quer passar o trator por cima da Vila Nazar\u00e9, pressionando uma situa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 longe de se resolver, ainda mais se dependermos da iniciativa da prefeitura de Nelson Marchezan Jr., do PSDB, que outra vez esteve ausente do debate. Os moradores relatam que a \u00faltima vez que o prefeito de Porto Alegre foi visto pr\u00f3ximo \u00e0 Vila Nazar\u00e9 foi em meados de 2016, quando soltava promessas ao vento em uma hollywoodiana campanha eleitoral. O rastro de destrui\u00e7\u00e3o da Fraport se espalha e, na mesma medida, ou em medida ainda maior, cresce a luta, a resist\u00eancia e a constru\u00e7\u00e3o de alternativas populares de desenvolvimento para a regi\u00e3o. H\u00e1, no entanto, alternativas ao projeto da Fraport, e elas vieram \u00e0 tona ao longo da audi\u00eancia p\u00fablica. O MPF se responsabilizou por fazer um levantamento sobre a propriedade das \u00e1reas circunvizinhas; Fernanda Melchiona, vereadora do PSOL, verbalizou a ideia: urbanizar a regi\u00e3o pr\u00f3xima e construir casas ali mesmo, evitando que a comunidade seja dividida e perca suas ra\u00edzes. Terrenos no entorno n\u00e3o faltariam para isso &#8211; o que faz questionar a pr\u00f3pria obra da maneira como est\u00e1 pensada atualmente, perguntas que repercutem ainda mais com a falta de transpar\u00eancia por parte da Fraport: a empresa protocolou um projeto nos \u00f3rg\u00e3os espec\u00edficos para liberar a obra e trouxe outro \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual. Qual projeto vale? A pista de pouso precisa mesmo se direcionar \u00e0 vila? At\u00e9 onde ela vai? Que casas seriam afetadas de fato? Pontos que deveriam estar extremamente vis\u00edveis e l\u00edmpidos em uma proposta que pretende desabrigar 2.100 fam\u00edlias, mas que, frente \u00e0 intransig\u00eancia da Fraport e da prefeitura de Porto Alegre, seguem em aberto, poucos meses antes do suposto prazo para que as obras comecem. N\u00e3o longe dali, a ocupa\u00e7\u00e3o Povo Sem Medo Porto Alegre, do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), \u00e9 prova do espa\u00e7o \u00fatil que h\u00e1 na regi\u00e3o. Tamb\u00e9m vizinho e amassado pela Fraport, de um lado, e pelo Wallmart, de outro, est\u00e1 o Quilombo dos Machado, que resiste ao frequente ataque das corpora\u00e7\u00f5es e defende seu territ\u00f3rio tradicional. O rastro de destrui\u00e7\u00e3o da Fraport se espalha e, na mesma medida, ou em medida ainda maior, cresce a luta, a resist\u00eancia e a constru\u00e7\u00e3o de alternativas populares de desenvolvimento para a regi\u00e3o. Em uma noite hist\u00f3rica em que a Vila Nazar\u00e9 se ergueu unida em defesa de seus direitos, espera-se que enfim as autoridades, p\u00fablicas ou privadas, tenham entendido a dimens\u00e3o de seus atos: expor as pessoas em um processo de cadastramento estigmatizador que as trata como n\u00fameros; tirar as fam\u00edlias de seus lares; dividi-las em diferentes pontos da cidade, sempre mais distantes e esquecidas; n\u00e3o dar respostas satisfat\u00f3rias sobre suas inten\u00e7\u00f5es, promovendo o medo e a ansiedade dentro da comunidade; nada disso jamais poder\u00e1 ser feito sem que se ou\u00e7a aquelas e aqueles diretamente atingidos: a voz que importa mais \u00e9 a da comunidade da Vila Nazar\u00e9, que ontem, unida, ressoou alto e s\u00f3 n\u00e3o ouviu quem n\u00e3o quis (ou se retirou mais cedo da audi\u00eancia, como os representantes da Fraport). Com o microfone aberto, outra grave den\u00fancia feita foi sobre a atua\u00e7\u00e3o policial: escoltando funcion\u00e1rios da Itazi, a presen\u00e7a policial \u00e9 intimidadora e violenta, o que torna o cadastramento um processo ainda<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":861,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[600,602,7,1834,1837],"tags":[],"class_list":["post-873","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-antirracismo","category-justica-ambiental-nas-cidades","category-justica-economica","category-pl572-22","category-retomadas-e-direito-a-cidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/873","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=873"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/873\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9954,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/873\/revisions\/9954"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/861"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=873"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=873"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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