{"id":8216,"date":"2024-08-13T19:59:35","date_gmt":"2024-08-13T22:59:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=6917"},"modified":"2025-06-12T13:11:57","modified_gmt":"2025-06-12T16:11:57","slug":"ameacas-e-cerceamento-aos-direitos-de-ir-e-vir-dos-mbya-guarani-da-tekoa-yjere-ponta-do-arado-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=8216","title":{"rendered":"Amea\u00e7as e cerceamento aos direitos de ir e vir dos Mbya Guarani da Tekoa Yjer\u00ea, Ponta do Arado (RS)"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na segunda-feira (12\/08), comunicamos ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) e \u00e0 Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o (DPU), junto ao Conselho Indigenista Mission\u00e1rio do Rio Grande do Sul (Cimi Sul RS), denuncia realizada desde o \u00faltimo s\u00e1bado (10\/08) pela comunidade Mbya Guarani da Ponta do Arado. A comunidade, localizada no bairro Bel\u00e9m Novo, em Porto Alegre (RS), sofre amea\u00e7as e importuna\u00e7\u00f5es dos seguran\u00e7as da Fazenda Arado Velho.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">As den\u00fancias revelam que os agentes de seguran\u00e7a da fazenda n\u00e3o permitem o livre tr\u00e2nsito dos Mbya Guarani pela estrada que cruza a fazenda.<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em relato, o Cacique Tim\u00f3teo Karai Mirim exp\u00f5e que sem o acesso \u00e0 estrada, n\u00e3o t\u00eam como se deslocarem para a cidade, j\u00e1 que as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas impedem a navega\u00e7\u00e3o pelo rio. Ou seja, est\u00e3o sendo impedidos por seguran\u00e7as privados de irem ao Bairro Bel\u00e9m Novo, onde realizam\u00a0 atividades de com\u00e9rcio, assist\u00eancia m\u00e9dica, aquisi\u00e7\u00e3o de alimentos e medicamentos. Al\u00e9m disso, o acesso da comunidade Mbya Guarani a \u00e1gua pot\u00e1vel fica comprometido com o impedimento de sua circula\u00e7\u00e3o at\u00e9 o bairro, onde a buscam para abastecer suas fam\u00edlias. Um item b\u00e1sico para a sobreviv\u00eancia, inacess\u00edvel devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o dos seguran\u00e7as, que os impedem de passagem em nome de uma empresa e da iniciativa privada.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Houve, pelo menos, duas abordagens feitas aos ind\u00edgenas por seguran\u00e7as a cavalo. De acordo com os informes, os homens foram bastante agressivos ao abordarem os Mbya Guarani, que se deslocavam a p\u00e9 pela estrada. Nestas abordagens, os seguran\u00e7as da fazenda amea\u00e7aram acionar a pol\u00edcia, caso os vejam andando pela estrada no interior da fazenda, que est\u00e1 com o procedimento de demarca\u00e7\u00e3o em andamento desde o m\u00eas de novembro de 2023.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 de se destacar que<em> a decis\u00e3o judicial, tanto no primeiro grau, como no Tribunal Regional Federal da Quarta Regi\u00e3o, assegura aos direitos de ir e vir pelas estradas que d\u00e3o acesso ao bairro<\/em>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essas abordagens, embora, aparentemente, sem viol\u00eancia f\u00edsica, s\u00e3o amea\u00e7adoras e cerceiam os direitos ind\u00edgenas de locomo\u00e7\u00e3o e de acessarem os \u00f3rg\u00e3os de assist\u00eancia.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1, novamente, de parte da DPU e do MPF, a necessidade de uma manifesta\u00e7\u00e3o no processo de reintegra\u00e7\u00e3o de posse, que tramita na Justi\u00e7a Federal, requerendo o cumprimento da decis\u00e3o, sob pena de responsabiliza\u00e7\u00e3o criminal pelo descumprimento \u00e0 expressa determina\u00e7\u00e3o judicial, al\u00e9m de amea\u00e7as v\u00e1rias contra as pessoas da comunidade Mbya Guarani.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6919\" aria-describedby=\"caption-attachment-6919\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6919 size-large\" src=\"https:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/ponta-do-arado-mai-2-1-1024x676.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"347\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/ponta-do-arado-mai-2-1-1024x676.jpg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/ponta-do-arado-mai-2-1-300x198.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/ponta-do-arado-mai-2-1-768x507.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/ponta-do-arado-mai-2-1-500x330.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/ponta-do-arado-mai-2-1-800x528.jpg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/ponta-do-arado-mai-2-1.jpg 1048w\" sizes=\"(max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6919\" class=\"wp-caption-text\">Cacique Tim\u00f3teo Karai Mirim, na Tekoa Yjer\u00ea Ponta do Arado (Porto Alegre, RS) | Cr\u00e9dito: Ma\u00ed Yandara<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_6920\" aria-describedby=\"caption-attachment-6920\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-6920 size-large\" src=\"https:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/pontaaradomai-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/pontaaradomai-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/pontaaradomai-300x200.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/pontaaradomai-768x512.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/pontaaradomai-500x333.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/pontaaradomai-800x533.jpg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/pontaaradomai-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/pontaaradomai.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6920\" class=\"wp-caption-text\">Tekoa Yjer\u00ea Ponta do Arado (Porto Alegre, RS) | Cr\u00e9dito: Ma\u00ed Yandara<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Carmen Guardiola, da Amigas da Terra Brasil, acompanha a hist\u00f3ria da retomada e recorrentemente visita o territ\u00f3rio Mbya Guarani Teko\u00e1 Yjer\u00ea. Participou no contato com Tim\u00f3teo e o CIMI SuI, realizando den\u00fancia na Defensoria P\u00fablica do Estado quanto ao ocorrido. Como organiza\u00e7\u00e3o por justi\u00e7a socioambiental, defendemos os povos nos territ\u00f3rios e pautamos a preserva\u00e7\u00e3o de sua exist\u00eancia, coabitares, saberes e modos de vida. Exigimos o fim da viol\u00eancia colonial que at\u00e9 hoje sangra suas aldeias e retomadas, em nome do lucro de poucos e da amplia\u00e7\u00e3o de um sistema racista e desigual. Por demarca\u00e7\u00e3o j\u00e1, pelo fim do marco temporal e pela constru\u00e7\u00e3o de alian\u00e7as com os povos origin\u00e1rios, seguimos na luta em defesa de futuros ancestrais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Esta publica\u00e7\u00e3o tem como base o texto produzido por Roberto Liebgott, do Cimi Sul, que foi originalmente publicado em\u00a0 Porto Alegre (RS), no 12 de agosto de 2024. <\/b><a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/2024\/08\/ameacas-ponta-arado\/#:~:text=A%20comunidade%20Mbya%20Guarani%20da,%2C%20Porto%20Alegre%20(RS).\"><b>Acesse aqui<\/b><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na segunda-feira (12\/08), comunicamos ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) e \u00e0 Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o (DPU), junto ao Conselho Indigenista Mission\u00e1rio do Rio Grande do Sul (Cimi Sul RS), denuncia realizada desde o \u00faltimo s\u00e1bado (10\/08) pela comunidade Mbya Guarani da Ponta do Arado. A comunidade, localizada no bairro Bel\u00e9m Novo, em Porto Alegre (RS), sofre amea\u00e7as e importuna\u00e7\u00f5es dos seguran\u00e7as da Fazenda Arado Velho.\u00a0 As den\u00fancias revelam que os agentes de seguran\u00e7a da fazenda n\u00e3o permitem o livre tr\u00e2nsito dos Mbya Guarani pela estrada que cruza a fazenda. Em relato, o Cacique Tim\u00f3teo Karai Mirim exp\u00f5e que sem o acesso \u00e0 estrada, n\u00e3o t\u00eam como se deslocarem para a cidade, j\u00e1 que as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas impedem a navega\u00e7\u00e3o pelo rio. Ou seja, est\u00e3o sendo impedidos por seguran\u00e7as privados de irem ao Bairro Bel\u00e9m Novo, onde realizam\u00a0 atividades de com\u00e9rcio, assist\u00eancia m\u00e9dica, aquisi\u00e7\u00e3o de alimentos e medicamentos. Al\u00e9m disso, o acesso da comunidade Mbya Guarani a \u00e1gua pot\u00e1vel fica comprometido com o impedimento de sua circula\u00e7\u00e3o at\u00e9 o bairro, onde a buscam para abastecer suas fam\u00edlias. Um item b\u00e1sico para a sobreviv\u00eancia, inacess\u00edvel devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o dos seguran\u00e7as, que os impedem de passagem em nome de uma empresa e da iniciativa privada.\u00a0 Houve, pelo menos, duas abordagens feitas aos ind\u00edgenas por seguran\u00e7as a cavalo. De acordo com os informes, os homens foram bastante agressivos ao abordarem os Mbya Guarani, que se deslocavam a p\u00e9 pela estrada. Nestas abordagens, os seguran\u00e7as da fazenda amea\u00e7aram acionar a pol\u00edcia, caso os vejam andando pela estrada no interior da fazenda, que est\u00e1 com o procedimento de demarca\u00e7\u00e3o em andamento desde o m\u00eas de novembro de 2023. H\u00e1 de se destacar que a decis\u00e3o judicial, tanto no primeiro grau, como no Tribunal Regional Federal da Quarta Regi\u00e3o, assegura aos direitos de ir e vir pelas estradas que d\u00e3o acesso ao bairro. Essas abordagens, embora, aparentemente, sem viol\u00eancia f\u00edsica, s\u00e3o amea\u00e7adoras e cerceiam os direitos ind\u00edgenas de locomo\u00e7\u00e3o e de acessarem os \u00f3rg\u00e3os de assist\u00eancia.\u00a0\u00a0 H\u00e1, novamente, de parte da DPU e do MPF, a necessidade de uma manifesta\u00e7\u00e3o no processo de reintegra\u00e7\u00e3o de posse, que tramita na Justi\u00e7a Federal, requerendo o cumprimento da decis\u00e3o, sob pena de responsabiliza\u00e7\u00e3o criminal pelo descumprimento \u00e0 expressa determina\u00e7\u00e3o judicial, al\u00e9m de amea\u00e7as v\u00e1rias contra as pessoas da comunidade Mbya Guarani. Carmen Guardiola, da Amigas da Terra Brasil, acompanha a hist\u00f3ria da retomada e recorrentemente visita o territ\u00f3rio Mbya Guarani Teko\u00e1 Yjer\u00ea. Participou no contato com Tim\u00f3teo e o CIMI SuI, realizando den\u00fancia na Defensoria P\u00fablica do Estado quanto ao ocorrido. Como organiza\u00e7\u00e3o por justi\u00e7a socioambiental, defendemos os povos nos territ\u00f3rios e pautamos a preserva\u00e7\u00e3o de sua exist\u00eancia, coabitares, saberes e modos de vida. Exigimos o fim da viol\u00eancia colonial que at\u00e9 hoje sangra suas aldeias e retomadas, em nome do lucro de poucos e da amplia\u00e7\u00e3o de um sistema racista e desigual. 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