{"id":7451,"date":"2025-06-19T14:05:55","date_gmt":"2025-06-19T17:05:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=7451"},"modified":"2025-07-15T13:52:12","modified_gmt":"2025-07-15T16:52:12","slug":"coluna-de-junho-no-jornal-brasil-de-fato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=7451","title":{"rendered":"Por um ambientalismo popular que enfrente o poder corporativo e o imperialismo"},"content":{"rendered":"<p>Para n\u00f3s da\u00a0<em>Amigas da Terra Brasil<\/em>, o 5 de junho,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/vicente-rauber\/2025\/06\/05\/dia-mundial-do-meio-ambiente-a-casa-comum-esta-em-risco\/\">Dia Mundial do Meio Ambiente<\/a>, vai al\u00e9m de uma data para conscientiza\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o da natureza, o que, infelizmente, muitas vezes, fica no papel ou se restringe \u00e0s propagandas. \u00c9 um dia de luta pela vida!<\/p>\n<p>Presenciamos um retrocesso na luta ambiental no Brasil e em todo o mundo. \u00c0s v\u00e9speras da COP30, encontro internacional realizado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para debater os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que neste ano \u00e9 sediado no Brasil, o Senado aprovou um projeto de lei que flexibiliza as normas de licenciamento ambiental em todo o pa\u00eds. O PL 2159, apelidado de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/05\/28\/pl-da-devastacao-licenca-para-destruir-e-desinformar-sobre-os-territorios-tradicionais\/\">PL da Devasta\u00e7\u00e3o<\/a>, simplifica as regras de licenciamento para obras de infraestrutura, hidrel\u00e9tricas e barragens, e as dispensa para obras de melhoria, agricultura tradicional e pecu\u00e1ria de pequeno porte. A necessidade de consulta pr\u00e9via ser\u00e1 restrita apenas a povos ind\u00edgenas em terras j\u00e1 demarcadas e comunidades quilombolas tituladas.<\/p>\n<p>O PL tamb\u00e9m transfere para os governos estaduais e municipais o poder de determinar o n\u00edvel dos poss\u00edveis impactos de uma determinada obra e amplia para empreendimentos de m\u00e9dio impacto a possibilidade de Licen\u00e7a Ambiental por Ades\u00e3o e Compromisso (LAC), uma modalidade de licenciamento ambiental simplificado, antes possibilitada apenas para empreendimentos de baixo impacto. Esse formato permite ao Estado licenciar empreendimentos a partir de uma autodeclara\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio empreendedor, apenas comprometendo-se a cumprir os crit\u00e9rios estabelecidos pela autoridade licenciadora.<\/p>\n<p>Como houve modifica\u00e7\u00f5es no m\u00e9rito do projeto de lei, voltar\u00e1 a ser analisado pela C\u00e2mara dos Deputados, onde j\u00e1 tinha sido aprovado em 2021 e dificilmente ser\u00e1 barrado. A demanda da\u00a0<em>Amigas da Terra Brasil\u00a0<\/em>e de demais organiza\u00e7\u00f5es \u00e9 que o presidente Lula vete o PL. O maior retrocesso ambiental em 40 anos \u00e9 do interesse de setores corporativos, entre eles o agroneg\u00f3cio e a minera\u00e7\u00e3o, que t\u00eam feito um lobby muito poderoso frente \u00e0s institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e ao Estado brasileiro para ampliar a apropria\u00e7\u00e3o dos bens naturais comuns e dos territ\u00f3rios para terem cada vez mais lucro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria, que destr\u00f3i a natureza e, muitas vezes, prejudica comunidades que vivem dela e com ela, essas empresas nacionais e internacionais t\u00eam uma perspectiva colonialista do Brasil, priorizando a produ\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, sem nenhum interesse em agregar valor ou desenvolver o pa\u00eds. Para n\u00f3s, sobra o lixo, os res\u00edduos e as contamina\u00e7\u00f5es, gerando a impossibilidade de outras formas de produ\u00e7\u00e3o e de pensar a forma de melhor utilizar os recursos que a gente tem. \u201cO poder corporativo vem, cada vez mais, ampliando seus tent\u00e1culos na sociedade. Hoje, praticamente, toma o controle do Estado brasileiro e exerce muita press\u00e3o, muitas vezes fazendo com que o Estado n\u00e3o consiga contrapor por conta da depend\u00eancia econ\u00f4mica\u201d, diz Fernando Campos Costa, da\u00a0<em>Amigas da Terra Brasil<\/em>.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio e da minera\u00e7\u00e3o \u00e9 retrocesso para os territ\u00f3rios de vida<\/h4>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" class=\"lazy loaded\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXfmLni7ijl6yKW4VSfVaN0NejEKRY-3xLIsVvFLn4uSGC4V92whtqvM9w3b_Gl_qlwYjdRMAXlTsKZrdjrvdV8Py4o4O3eSMxf-aZQOhgkfvTYqa34nW9XFtuzSoqem9wCivkD6?key=izZQ2Z6ahjtzmx5iUEiwVA\" alt=\"\" data-src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXfmLni7ijl6yKW4VSfVaN0NejEKRY-3xLIsVvFLn4uSGC4V92whtqvM9w3b_Gl_qlwYjdRMAXlTsKZrdjrvdV8Py4o4O3eSMxf-aZQOhgkfvTYqa34nW9XFtuzSoqem9wCivkD6?key=izZQ2Z6ahjtzmx5iUEiwVA\" data-pin-no-hover=\"true\" data-was-processed=\"true\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Retomada Mby\u00e1 Guarani Karanda\u2019ty, em Cachoeirinha (RS), \u00e9 um territ\u00f3rio de vida \u2013\u00a0<em>Nat\u00e1lia Bristot Migon\/ATBR<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>O PL da Devasta\u00e7\u00e3o traz \u00e0 tona v\u00e1rias iniciativas fragmentadas que vinham acontecendo, inclusive nos munic\u00edpios e nos estados, num pacot\u00e3o para ser aprovado junto e que passe a ter validade em todo o Brasil. \u201cTem o papel de pressionar para que avancem um pouquinho. E tudo o que avan\u00e7ar, ser\u00e1 uma derrota para os territ\u00f3rios e as comunidades, para toda a sociedade, porque todas precisamos de um ambiente saud\u00e1vel\u201d, afirma Fernando Campos Costa, da\u00a0<em>Amigas da Terra Brasil<\/em>. Embora governos e setores econ\u00f4micos neguem uma rela\u00e7\u00e3o entre a flexibiliza\u00e7\u00e3o das licen\u00e7as e da legisla\u00e7\u00e3o ambiental com os impactos dos extremos clim\u00e1ticos, confirmamos isso no nosso cotidiano e em nossas vidas.<\/p>\n<p>No Rio Grande do Sul (RS), que em 2024 enfrentou a maior trag\u00e9dia socioambiental da sua hist\u00f3ria, vivemos uma enorme mudan\u00e7a no uso do solo, principalmente nas regi\u00f5es mais sens\u00edveis, que t\u00eam caracter\u00edsticas espec\u00edficas, como o Pampa. As monoculturas de soja e de \u00e1rvores se expandem pelo RS, causando impacto ambiental no territ\u00f3rio e agravando o \u00eaxodo rural, pelo qual as pessoas se veem expulsas do campo por falta de perspectiva econ\u00f4mica devido aos impactos gerados por esses cultivos ou por n\u00e3o conseguirem se manter na sua propriedade. A situa\u00e7\u00e3o da enchente evidenciou a falta de prote\u00e7\u00e3o dos rios e cursos d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p>Quatro anos antes, o governador Eduardo Leite havia sancionado o novo C\u00f3digo Ambiental ga\u00facho, que entre tantas modifica\u00e7\u00f5es, ampliou o autolicenciamento ambiental para atividades de m\u00e9dio e alto potencial poluidor, reduzindo a prote\u00e7\u00e3o ambiental. A partir de uma a\u00e7\u00e3o judicial, e provavelmente impactado pelo que os ga\u00fachos tinham sofrido, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou essa medida em dezembro passado.<\/p>\n<p>Em Porto Alegre (RS), cidade atingida gravemente pelas inunda\u00e7\u00f5es de 2024, a flexibiliza\u00e7\u00e3o das licen\u00e7as e da legisla\u00e7\u00e3o atende aos interesses, especialmente, do setor imobili\u00e1rio, que avan\u00e7a para \u00e1reas verdes e banhados com seus pr\u00e9dios e loteamentos de alto valor.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.matinaljornalismo.com.br\/matinal\/reportagem-matinal\/estimulo-a-torres-altas-em-porto-alegre-ignora-demanda-por-moradia\/#:~:text=Dados%20da%20Funda%C3%A7%C3%A3o%20Jo%C3%A3o%20Pinheiro,habitantes%20com%20a%20subida%20das\">Enquanto isso, mais de 95 mil pessoas sonham com moradia decente na capital e regi\u00e3o metropolitana, segundo dados de 2022<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cA gente quer mais prote\u00e7\u00e3o. A prote\u00e7\u00e3o que temos hoje n\u00e3o garante. As audi\u00eancias p\u00fablicas s\u00e3o cada vez mais pr\u00f3-forma. A gente assiste um estudo que muitas vezes \u00e9 falho, tem informa\u00e7\u00f5es falsificadas. H\u00e1 interesse de quem paga pela licen\u00e7a, ent\u00e3o h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o direta entre a produ\u00e7\u00e3o dos estudos e quem est\u00e1 com o objetivo de reduzir os impactos, negando esp\u00e9cies e situa\u00e7\u00f5es de fauna e de flora e principalmente cultural, na quest\u00e3o dos povos origin\u00e1rios e tradicionais, que \u00e9 o que tem barrado as licen\u00e7as atualmente\u201d comenta Fernando Campos Costa, da\u00a0<em>Amigas da Terra Brasil<\/em>.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe processo produtivo que n\u00e3o gere desgaste ambiental, portanto n\u00e3o dever\u00edamos abrir m\u00e3o dos estudos de impacto. Nem mesmo para a produ\u00e7\u00e3o da chamada energia limpa. \u201cAbrem m\u00e3o do licenciamento ambiental para fazer a instala\u00e7\u00e3o dos parques e\u00f3licos [movidos \u00e0 for\u00e7a do vento] porque seria algo limpo por natureza. Mas a forma com que foram executados os parques foi errado, n\u00e3o fizeram estudo do caminho, onde implantar, o impacto nas comunidades. Tirou-se o licenciamento do plantio de \u00e1rvore, como se isso fosse positivo, e n\u00e3o \u00e9. N\u00e3o se tem ideia de quanto as monoculturas de \u00e1rvores secam o solo, banhados, nascentes de rio\u201d, diz Fernando.<\/p>\n<p>Se no plano nacional, a\u00a0<em>Amigas da Terra Brasil<\/em>\u00a0se posiciona contra o PL da Devasta\u00e7\u00e3o, no \u00e2mbito internacional a luta contra o poder corporativo tamb\u00e9m \u00e9 priorit\u00e1ria.\u201cNesse dia do meio ambiente, reafirmamos nosso compromisso com um ambientalismo popular que enfrente todas as formas de opress\u00e3o. A luta por justi\u00e7a ambiental \u00e9 anti-imperialista, pois nao haver\u00e1 justi\u00e7a ambiental sem a liberta\u00e7\u00e3o do povo palestino\u201d, diz Let\u00edcia Paranhos, presidenta da\u00a0<em>Amigas da Terra Brasil<\/em>.<\/p>\n<p>O genoc\u00eddio praticado pelo Estado sionista de Israel, com apoio dos Estados Unidos e de pot\u00eancias europeias, contra os palestinos em Gaza alimenta financeiramente grandes empresas de armamento, tecnologia e \u00e1gua. Destr\u00f3i vidas e polui a natureza.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2025\/may\/30\/carbon-footprint-of-israels-war-on-gaza-exceeds-that-of-many-entire-countries\">Estudo compartilhado exclusivamente com o\u00a0<\/a><em><a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2025\/may\/30\/carbon-footprint-of-israels-war-on-gaza-exceeds-that-of-many-entire-countries\">The Guardian<\/a>\u00a0<\/em>e divulgado pelo jornal em 30 de maio revelou que o custo clim\u00e1tico de longo prazo da destrui\u00e7\u00e3o, limpeza e reconstru\u00e7\u00e3o de Gaza pode chegar a 31 milh\u00f5es de toneladas de di\u00f3xido de carbono equivalente (tCO2e).<\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es do \u00faltimo posicionamento da\u00a0<em>Stop the Wall<\/em>\u00a0(\u201cParem o muro\u201d, pela sua sigla em ingl\u00eas, uma campanha de movimentos de base palestinos pelo fim do\u00a0<em>apartheid<\/em>, do qual a\u00a0<em>Pengon \u2013 Amigos da Terra Palestina<\/em>\u00a0faz parte) d\u00e3o conta de que mais de 100 mil toneladas de bombas foram lan\u00e7adas sobre Gaza, uma quantidade maior do que a utilizada na Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m calculam que a\u00a0<a href=\"https:\/\/stopthewall.org\/2025\/06\/12\/no-climate-justice-without-palestinian-liberation\/\">pegada de carbono dos primeiros 15 meses da guerra de Israel contra Gaza ser\u00e1 maior do que as emiss\u00f5es anuais de gases de efeito estufa de cem pa\u00edses individualmente<\/a>. No entanto, essas emiss\u00f5es militares n\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddas nos relat\u00f3rios da UNFCCC (Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a do Clima).<\/p>\n<p>At\u00e9 janeiro deste ano, as toneladas de explosivos lan\u00e7ados por Israel sobre Gaza j\u00e1 geraram a emiss\u00e3o de quase 1,89 milh\u00e3o de toneladas de g\u00e1s carb\u00f4nico (CO2), um dos principais respons\u00e1veis pelo aquecimento global e, consequentemente, pelo aumento das temperaturas. Israel ainda destruiu entre 38% e 48% das \u00e1rvores e fazendas do territ\u00f3rio, contaminando o solo e a \u00e1gua pot\u00e1vel. No geral, a pesquisa divulgada pelo\u00a0<em>The Guardian<\/em>\u00a0estimam que o custo clim\u00e1tico de longo prazo da destrui\u00e7\u00e3o militar de Israel em Gaza \u2013 e das recentes trocas militares com o I\u00eamen, o Ir\u00e3 e o L\u00edbano \u2013 \u00e9 equivalente a carregar 2,6 bilh\u00f5es de smartphones ou operar 84 usinas de energia a g\u00e1s por um ano.<\/p>\n<p>Por sua vez, em sua declara\u00e7\u00e3o, a\u00a0<em>Stop The Wall\u00a0<\/em>traz v\u00e1rias demandas rumo \u00e0 COP30, convocando todos pelo Embargo Global de Energia para a Palestina. Uma dessas demandas \u00e9 de extrema import\u00e2ncia para o Brasil:, que \u00e9 a de \u201cexigir que o governo anfitri\u00e3o da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/06\/05\/em-tempos-de-cop30-o-rio-de-janeiro-precisa-ser-mais-ativo-na-questao-socioambiental\/\">COP30<\/a>, o Brasil, encerre todas as exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo bruto e produtos refinados para Israel, demonstrando sua seriedade em rela\u00e7\u00e3o ao combate ao genoc\u00eddio e \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNo dia do meio ambiente, n\u00f3s da\u00a0<em>Amigas da Terra Brasil<\/em>\u00a0nos unimos ao chamado do\u00a0<em>Stop The Wall<\/em>, nos mobilizando na resist\u00eancia pelo fim ao genoc\u00eddio, ao\u00a0<em>apartheid\u00a0<\/em>e ao ecoc\u00eddio cometidos. Pelo fim da crise humanit\u00e1ria, \u00e0 qual \u00e9 submetido o povo palestino. Nos comprometemos a fortalecer o movimento por boicote, desinvestimento e san\u00e7\u00f5es ao Estado sionista de Israel at\u00e9 que a Palestina seja livre do rio ao mar\u201d, disse Let\u00edcia Paranhos.<\/p>\n<p>Nossa luta contra os projetos de morte, baseados na explora\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o e viol\u00eancia classista, racista, patriarcal, heteronormativa, colonialista, imperialista passa por desmantelar o poder corporativo e as pol\u00edticas neoliberais, defender a democracia, a participa\u00e7\u00e3o e o controle social e construir a soberania popular.<\/p>\n<p>O Dia do Meio Ambiente deve ser para celebrar a defesa dos territ\u00f3rios de vida, que sustentam as solu\u00e7\u00f5es dos povos, t\u00e3o necess\u00e1rias para enfrentar, de forma articulada com movimentos sociais populares, as crises do sistema capitalista. Seguiremos na constru\u00e7\u00e3o do poder e da soberania popular por meio da organiza\u00e7\u00e3o, mobiliza\u00e7\u00e3o e fortalecimento de alian\u00e7as estrat\u00e9gicas baseadas na solidariedade internacionalista!<\/p>\n<p><em><strong>*Artigo publicado originalmente no site do jornal Brasil em Fato em 18\/06\/25 em <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/amigos-da-terra-brasil\/2025\/06\/18\/por-um-ambientalismo-popular-que-enfrente-o-poder-corporativo-e-o-imperialismo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/amigos-da-terra-brasil\/2025\/06\/18\/por-um-ambientalismo-popular-que-enfrente-o-poder-corporativo-e-o-imperialismo\/<\/a><\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para n\u00f3s da\u00a0Amigas da Terra Brasil, o 5 de junho,\u00a0Dia Mundial do Meio Ambiente, vai al\u00e9m de uma data para conscientiza\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o da natureza, o que, infelizmente, muitas vezes, fica no papel ou se restringe \u00e0s propagandas. \u00c9 um dia de luta pela vida! Presenciamos um retrocesso na luta ambiental no Brasil e em todo o mundo. \u00c0s v\u00e9speras da COP30, encontro internacional realizado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para debater os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que neste ano \u00e9 sediado no Brasil, o Senado aprovou um projeto de lei que flexibiliza as normas de licenciamento ambiental em todo o pa\u00eds. O PL 2159, apelidado de\u00a0PL da Devasta\u00e7\u00e3o, simplifica as regras de licenciamento para obras de infraestrutura, hidrel\u00e9tricas e barragens, e as dispensa para obras de melhoria, agricultura tradicional e pecu\u00e1ria de pequeno porte. A necessidade de consulta pr\u00e9via ser\u00e1 restrita apenas a povos ind\u00edgenas em terras j\u00e1 demarcadas e comunidades quilombolas tituladas. O PL tamb\u00e9m transfere para os governos estaduais e municipais o poder de determinar o n\u00edvel dos poss\u00edveis impactos de uma determinada obra e amplia para empreendimentos de m\u00e9dio impacto a possibilidade de Licen\u00e7a Ambiental por Ades\u00e3o e Compromisso (LAC), uma modalidade de licenciamento ambiental simplificado, antes possibilitada apenas para empreendimentos de baixo impacto. Esse formato permite ao Estado licenciar empreendimentos a partir de uma autodeclara\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio empreendedor, apenas comprometendo-se a cumprir os crit\u00e9rios estabelecidos pela autoridade licenciadora. Como houve modifica\u00e7\u00f5es no m\u00e9rito do projeto de lei, voltar\u00e1 a ser analisado pela C\u00e2mara dos Deputados, onde j\u00e1 tinha sido aprovado em 2021 e dificilmente ser\u00e1 barrado. A demanda da\u00a0Amigas da Terra Brasil\u00a0e de demais organiza\u00e7\u00f5es \u00e9 que o presidente Lula vete o PL. O maior retrocesso ambiental em 40 anos \u00e9 do interesse de setores corporativos, entre eles o agroneg\u00f3cio e a minera\u00e7\u00e3o, que t\u00eam feito um lobby muito poderoso frente \u00e0s institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e ao Estado brasileiro para ampliar a apropria\u00e7\u00e3o dos bens naturais comuns e dos territ\u00f3rios para terem cada vez mais lucro. Al\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria, que destr\u00f3i a natureza e, muitas vezes, prejudica comunidades que vivem dela e com ela, essas empresas nacionais e internacionais t\u00eam uma perspectiva colonialista do Brasil, priorizando a produ\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, sem nenhum interesse em agregar valor ou desenvolver o pa\u00eds. Para n\u00f3s, sobra o lixo, os res\u00edduos e as contamina\u00e7\u00f5es, gerando a impossibilidade de outras formas de produ\u00e7\u00e3o e de pensar a forma de melhor utilizar os recursos que a gente tem. \u201cO poder corporativo vem, cada vez mais, ampliando seus tent\u00e1culos na sociedade. Hoje, praticamente, toma o controle do Estado brasileiro e exerce muita press\u00e3o, muitas vezes fazendo com que o Estado n\u00e3o consiga contrapor por conta da depend\u00eancia econ\u00f4mica\u201d, diz Fernando Campos Costa, da\u00a0Amigas da Terra Brasil. Avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio e da minera\u00e7\u00e3o \u00e9 retrocesso para os territ\u00f3rios de vida Retomada Mby\u00e1 Guarani Karanda\u2019ty, em Cachoeirinha (RS), \u00e9 um territ\u00f3rio de vida \u2013\u00a0Nat\u00e1lia Bristot Migon\/ATBR O PL da Devasta\u00e7\u00e3o traz \u00e0 tona v\u00e1rias iniciativas fragmentadas que vinham acontecendo, inclusive nos munic\u00edpios e nos estados, num pacot\u00e3o para ser aprovado junto e que passe a ter validade em todo o Brasil. \u201cTem o papel de pressionar para que avancem um pouquinho. E tudo o que avan\u00e7ar, ser\u00e1 uma derrota para os territ\u00f3rios e as comunidades, para toda a sociedade, porque todas precisamos de um ambiente saud\u00e1vel\u201d, afirma Fernando Campos Costa, da\u00a0Amigas da Terra Brasil. Embora governos e setores econ\u00f4micos neguem uma rela\u00e7\u00e3o entre a flexibiliza\u00e7\u00e3o das licen\u00e7as e da legisla\u00e7\u00e3o ambiental com os impactos dos extremos clim\u00e1ticos, confirmamos isso no nosso cotidiano e em nossas vidas. No Rio Grande do Sul (RS), que em 2024 enfrentou a maior trag\u00e9dia socioambiental da sua hist\u00f3ria, vivemos uma enorme mudan\u00e7a no uso do solo, principalmente nas regi\u00f5es mais sens\u00edveis, que t\u00eam caracter\u00edsticas espec\u00edficas, como o Pampa. As monoculturas de soja e de \u00e1rvores se expandem pelo RS, causando impacto ambiental no territ\u00f3rio e agravando o \u00eaxodo rural, pelo qual as pessoas se veem expulsas do campo por falta de perspectiva econ\u00f4mica devido aos impactos gerados por esses cultivos ou por n\u00e3o conseguirem se manter na sua propriedade. A situa\u00e7\u00e3o da enchente evidenciou a falta de prote\u00e7\u00e3o dos rios e cursos d\u2019\u00e1gua. Quatro anos antes, o governador Eduardo Leite havia sancionado o novo C\u00f3digo Ambiental ga\u00facho, que entre tantas modifica\u00e7\u00f5es, ampliou o autolicenciamento ambiental para atividades de m\u00e9dio e alto potencial poluidor, reduzindo a prote\u00e7\u00e3o ambiental. A partir de uma a\u00e7\u00e3o judicial, e provavelmente impactado pelo que os ga\u00fachos tinham sofrido, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou essa medida em dezembro passado. Em Porto Alegre (RS), cidade atingida gravemente pelas inunda\u00e7\u00f5es de 2024, a flexibiliza\u00e7\u00e3o das licen\u00e7as e da legisla\u00e7\u00e3o atende aos interesses, especialmente, do setor imobili\u00e1rio, que avan\u00e7a para \u00e1reas verdes e banhados com seus pr\u00e9dios e loteamentos de alto valor.\u00a0Enquanto isso, mais de 95 mil pessoas sonham com moradia decente na capital e regi\u00e3o metropolitana, segundo dados de 2022. \u201cA gente quer mais prote\u00e7\u00e3o. A prote\u00e7\u00e3o que temos hoje n\u00e3o garante. As audi\u00eancias p\u00fablicas s\u00e3o cada vez mais pr\u00f3-forma. A gente assiste um estudo que muitas vezes \u00e9 falho, tem informa\u00e7\u00f5es falsificadas. H\u00e1 interesse de quem paga pela licen\u00e7a, ent\u00e3o h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o direta entre a produ\u00e7\u00e3o dos estudos e quem est\u00e1 com o objetivo de reduzir os impactos, negando esp\u00e9cies e situa\u00e7\u00f5es de fauna e de flora e principalmente cultural, na quest\u00e3o dos povos origin\u00e1rios e tradicionais, que \u00e9 o que tem barrado as licen\u00e7as atualmente\u201d comenta Fernando Campos Costa, da\u00a0Amigas da Terra Brasil. N\u00e3o existe processo produtivo que n\u00e3o gere desgaste ambiental, portanto n\u00e3o dever\u00edamos abrir m\u00e3o dos estudos de impacto. Nem mesmo para a produ\u00e7\u00e3o da chamada energia limpa. \u201cAbrem m\u00e3o do licenciamento ambiental para fazer a instala\u00e7\u00e3o dos parques e\u00f3licos [movidos \u00e0 for\u00e7a do vento] porque seria algo limpo por natureza. Mas a forma com que foram executados os parques foi errado, n\u00e3o fizeram estudo do caminho, onde implantar, o impacto nas comunidades. Tirou-se o licenciamento do plantio de \u00e1rvore, como se isso fosse positivo, e n\u00e3o \u00e9. 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