{"id":7409,"date":"2025-05-22T17:58:32","date_gmt":"2025-05-22T20:58:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=7409"},"modified":"2025-07-12T17:48:28","modified_gmt":"2025-07-12T20:48:28","slug":"coluna-de-maio-no-jornal-brasil-de-fato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=7409","title":{"rendered":"Coluna de maio no jornal Brasil de Fato"},"content":{"rendered":"\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/amigos-da-terra-brasil\/2025\/05\/22\/um-ano-da-enchente-no-rio-grande-do-sul-o-que-e-memoria-para-alguns-para-muitos-ainda-e-realidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00a0Um ano da enchente no Rio Grande do Sul: o que \u00e9 mem\u00f3ria para alguns, para muitos ainda \u00e9 realidade<\/a><\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>H\u00e1 um ano, a popula\u00e7\u00e3o do estado do Rio Grande do Sul, no Sul do Brasil, enfrentava um dos piores \u2013 se n\u00e3o o maior \u2013 desastres socioambientais da sua hist\u00f3ria. Nos \u00faltimos dias de abril e durante o m\u00eas de maio de 2024, os volumes de chuva registrados no estado foram muito altos na maioria das regi\u00f5es,\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/metsul.com\/chuva-que-levou-as-enchentes-no-rio-grande-do-sul-superou-1000-mm\/#\">situa\u00e7\u00e3o sem precedentes em mais de um s\u00e9culo de medi\u00e7\u00f5es em diferentes munic\u00edpios<\/a>, segundo noticiou a Metsul, instituto de Meteorologia. Localidades de bacias hidrogr\u00e1ficas importantes, dos quais diversos rios des\u00e1guam na regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre, tiveram facilmente m\u00e9dias de 400mm a 800mm de chuva acumulada no per\u00edodo, alcan\u00e7ando impressionantes 1.023mm na esta\u00e7\u00e3o meteorol\u00f3gica de Caxias do Sul, na Serra Ga\u00facha. Em menos de quinze dias choveu o equivalente ao que costuma chover durante cinco meses no estado.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Os resultados puderam ser acompanhados por todo o Brasil pela m\u00eddia, inclusive com transmiss\u00e3o ao vivo feita por \u00e2ncoras famosos dos canais de TV. As imagens do caos clim\u00e1tico correram o mundo. Cidades ficaram inundadas com as cheias dos rios e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/04\/29\/sistemas-de-protecao-contra-cheias-do-rs-ainda-nao-sairam-do-papel\/\">defici\u00eancia no sistema de prote\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0e de escoamento da \u00e1gua das chuvas, comunidades ilhadas devido a deslizamentos de terra e estradas destru\u00eddas, preju\u00edzo econ\u00f4mico e impacto ao meio ambiente. Aproximadamente 537 mil pessoas tiveram que deixar suas casas; 80 mil precisaram recorrer a abrigos p\u00fablicos;\u00a0<a href=\"https:\/\/www.estado.rs.gov.br\/defesa-civil-atualiza-balanco-das-enchentes-no-rs-24-4\">184 pessoas morreram e outras 25 ainda seguem desaparecidas.<\/a>\u00a0Cerca de um a cada cinco habitantes do RS foram afetados pelas enchentes.\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rs\/rio-grande-do-sul\/1-ano-de-enchente-rs\/noticia\/2025\/04\/29\/mais-de-180-mortos-25-desaparecidos-e-96percent-das-cidades-atingidas-o-raio-x-da-enchente-que-devastou-o-rs-um-ano-apos-tragedia.ghtml\">Das 497 cidades que existem no estado, 478 foram atingidas<\/a>.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Passado um ano, a hist\u00f3rica enchente ficou na\u00a0<a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/opiniao\/2025\/04\/a-ferida-que-a-agua-deixou-memoria-trauma-e-o-que-nao-se-esquece-sobre-as-enchentes-de-2024-por-marcio-pereira-cabral\/\">mem\u00f3ria<\/a>\u00a0para alguns mas, para muitos, ainda \u00e9 uma realidade vivenciada diariamente. A classe trabalhadora, a popula\u00e7\u00e3o empobrecida, pequenos comerciantes, territ\u00f3rios ind\u00edgenas e quilombolas, assentamentos da reforma agr\u00e1ria e camponeses seguem tentando recuperar suas perdas e reconstruir minimamente suas vidas. Para se ter uma ideia, no final de abril deste ano, quase\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiodopovo.com.br\/not%C3%ADcias\/cidades\/um-ano-ap%C3%B3s-a-enchente-quase-400-pessoas-permanecem-em-abrigos-p%C3%BAblicos-no-rs-1.1600661\">400 pessoas permaneciam em abrigos p\u00fablicos<\/a>\u00a0por n\u00e3o terem para onde ir, a grande maioria na regi\u00e3o metropolitana. O governo estadual quer esvazi\u00e1-los at\u00e9 o final de maio, mas utilizando solu\u00e7\u00f5es ainda mais prec\u00e1rias, como a estadia solid\u00e1ria e as casas tempor\u00e1rias, o que acaba por estender a agonia e uma inseguran\u00e7a que parece n\u00e3o ter fim. De recurso habitacional mais efetivo existe o programa do governo federal de compra de casa com verba p\u00fablica (chamado de compra assistida), por\u00e9m diversas fam\u00edlias reclamam que n\u00e3o conseguem acess\u00e1-lo devido \u00e0 exig\u00eancia de comprovar documenta\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de o processo levar meses.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Resistir para existir: enchente escancara luta dos territ\u00f3rios de vida<\/h4>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/amigasdaterrabr\/reel\/DHwev8IxCYP\/\">Aldeia Mby\u00e1 Guarani Pind\u00f3 Poty<\/a>\u00a0sofre, h\u00e1 anos, com alagamentos no bairro Lami, no Extremo Sul de Porto Alegre (RS). Os guaranis n\u00e3o contam mais quantas vezes reconstru\u00edram suas casas,\u00a0 perderam suas roupas e utens\u00edlios, plantios, animais dom\u00e9sticos e os que criavam para se alimentar. Na grande enchente de 2024, n\u00e3o foi diferente.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/amigasdaterrabr\/reel\/C7XyFj2xaHI\/\">A aldeia ficou debaixo d\u2019\u00e1gua com o transbordamento do Arroio Lami, que passa ao lado do local.<\/a>\u00a0Temporariamente, as fam\u00edlias foram abrigadas pelos parentes Kaingang da Aldeia Van-K\u00e1, no mesmo bairro da Capital ga\u00facha. Quando retornaram, contaram com uma rede de solidariedade e de doa\u00e7\u00f5es para reconstruir suas vidas novamente.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Um levantamento colaborativo, realizado de forma conjunta pelo CIMI Regional Sul, Comiss\u00e3o Yvyrupa Guarani (CGY), FLD\/Comin\/CAPA e CEPI\/RS, indicou que\u00a0<a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/2024\/05\/indigenascheiars\/\">mais de 80 comunidades e territ\u00f3rios ind\u00edgenas foram diretamente afetados<\/a>, alguns com extrema gravidade, nos meses de abril e maio passados. A CGY promoveu uma campanha de arrecada\u00e7\u00e3o financeira e de donativos na \u00e9poca, resultando na distribui\u00e7\u00e3o de 20 toneladas de alimentos para 37 aldeias, que tamb\u00e9m receberam \u00e1gua pot\u00e1vel e itens b\u00e1sicos, como cobertores e colch\u00f5es. Segundo relat\u00f3rio divulgado pela Comiss\u00e3o Guarani em junho de 2024, foram alcan\u00e7adas 674 fam\u00edlias, somando mais de 3.300 pessoas, em diversas regi\u00f5es do estado do Rio Grande do Sul.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A campanha da CGY contou com ampla colabora\u00e7\u00e3o da sociedade civil, entre parceiros, pessoas, coletivos e organiza\u00e7\u00f5es, muitas de fora do Brasil. Al\u00e9m dessa, a Amigas de Terra Brasil participou de outra frente, junto com a Rede Coop, pela qual entregamos cestas de alimentos da agricultura camponesa \u00e0s fam\u00edlias Guarani da Aldeia Yy Ryapu, em Palmares do Sul, no Sul do estado. Essas iniciativas resumem bem o que se viu em boa parte do per\u00edodo de emerg\u00eancia da enchente: uma rede solid\u00e1ria sustentada pela sociedade j\u00e1 organizada e por tantos indiv\u00edduos que, frente \u00e0 necessidade urgente, organizaram-se. \u201cNenhuma das Teko\u00e1 [aldeias] atingidas teve apoio das autoridades at\u00e9 agora. Nem com alimenta\u00e7\u00e3o, nem com nada. A\u00ed \u00e9 dif\u00edcil. Quando aconteceu essa trag\u00e9dia da enchente, conseguimos, atrav\u00e9s do apoio de parceiros indigenistas e de organiza\u00e7\u00f5es de fora do pa\u00eds, como da Alemanha\u201d, relatou Helio Wher\u00e1, da CGY.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A enchente escancara que os governos est\u00e3o cada vez mais afastados dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas. Seja em atender a principal demanda de muitos deles, que \u00e9 a demarca\u00e7\u00e3o da terra, quanto em fornecer a infraestrutura necess\u00e1ria e o acesso a servi\u00e7os humanos b\u00e1sicos, como de sa\u00fade e saneamento, para que vivam. Em n\u00edvel federal, vemos uma tentativa do Governo Lula tentar chegar nos locais, mas ocorre de forma muito lenta. A Aldeia Pekuruty resiste de forma prec\u00e1ria h\u00e1 16 anos \u00e0s margens da BR 290, em Eldorado do Sul (RS),\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DIlyt4xvaDN\/\">e na enchente de 2024 foi alagada<\/a>, junto com cerca de 80% da cidade. O pouco que sobrou de seus pertences foi retirado por funcion\u00e1rios do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), tendo que recome\u00e7ar praticamente do zero e contando apenas com a ajuda de parceiros.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Assim como a Pind\u00f3 Poty, a Pekuruty aguarda a demarca\u00e7\u00e3o para que possa se instalar em local seguro. \u201cO governo tem terra, ser\u00e1 que pra \u00edndio n\u00e3o quer dar, ou quer matar tudo? O branco pensa com dinheiro. A\u00ed compra animal, compra vaca, terra, planta tudo, colhe dinheiro. Vende \u00e1gua, vende peixe. De terra, tem 2 mil, 3 mil hectares. E aqui [na aldeia], tem 400 hectares, cavalos, vacas, tem terra. Ser\u00e1 que n\u00e3o d\u00e1 um pouquinho, para poder morar \u00edndio?\u201d, questionou o cacique Estev\u00e3o Kuaray.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Os efeitos da emerg\u00eancia clim\u00e1tica s\u00e3o mais um, entre tantos desafios que os povos ind\u00edgenas enfrentam diariamente para sobreviver. A Retomada Ind\u00edgena Tekoa Yjer\u00ea, na Ponta do Arado, margeada pelo rio Gua\u00edba na capital ga\u00facha, foi totalmente atingida pela enchente. Na ocasi\u00e3o, as fam\u00edlias, constantemente atacadas por um empreendimento imobili\u00e1rio que quer se instalar no local, perderam tudo, e o<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DFYTsKzRPZC\/\">\u00a0cacique Tim\u00f3teo Karay Mirim refletiu sobre a rela\u00e7\u00e3o dos povos com a natureza, que vem sendo destru\u00edda pela sociedade capitalista dos n\u00e3o ind\u00edgenas (juru\u00e1)<\/a>. Na mesma \u00e9poca, na Aldeia Teko\u00e1 Jatay\u00b4ti (Cantagalo), situada em Viam\u00e3o (RS), Jaime Vher\u00e1 Guyr\u00e1, que foi cacique do territ\u00f3rio,<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/C8NEDsNuhkc\/\">\u00a0evidenciou a import\u00e2ncia das terras para os ind\u00edgenas e a rela\u00e7\u00e3o das terras com a emerg\u00eancia clim\u00e1tica.\u00a0<\/a><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h4 class=\"wp-block-heading\">\u201cDesastre\u201d virou oportunidade de lucro para os capitalistas e as grandes empresas<\/h4>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Desde 2019 pelo menos, acompanhamos um pouco do drama enfrentado por fam\u00edlias do loteamento Gua\u00edba City, onde vivem em torno de 280 fam\u00edlias, entre as cidades de Charqueadas e Eldorado do Sul, pr\u00f3ximo ao Rio Jacu\u00ed. A comunidade e o Assentamento da Reforma Agr\u00e1ria Apol\u00f4nio de Carvalho, do MST (Movimento Sem Terra), corriam s\u00e9rios riscos com o projeto de instala\u00e7\u00e3o da mina de carv\u00e3o a c\u00e9u aberto da Copelmi, que seria a maior do Brasil. O alagamento severo da regi\u00e3o em 2024 foi a p\u00e1 de cal para a empresa desistir do empreendimento neste ano, o qual j\u00e1 enfrentava embargo judicial e forte resist\u00eancia popular.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00c9 uma vit\u00f3ria sem d\u00favida, mas Gua\u00edba City segue abandonada. A comunidade, que estava desassistida h\u00e1 anos pelo poder p\u00fablico, vivenciou outro n\u00edvel de desamparo durante a enchente, quando ficou ilhada. De acordo com os moradores, n\u00e3o houve aviso sobre a inunda\u00e7\u00e3o. Perderam seus pertences e animais dom\u00e9sticos, contabilizaram preju\u00edzos com o alagamento de suas casas e pequenos com\u00e9rcios.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DA_c8w3xqw5\/\">Ap\u00f3s o per\u00edodo da enchente, em visita \u00e0 regi\u00e3o, registramos<\/a>\u00a0animais mortos e muito lixo nas ruas, estradas estragadas e equipamentos p\u00fablicos, como posto de sa\u00fade, desativados. A comunidade ainda pedia a reconstru\u00e7\u00e3o de uma ponte para se deslocar. As respostas das prefeituras foram lentas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A cidade onde fica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2024\/10\/09\/familias-de-guaiba-city-lutam-pelo-direito-a-sobrevivencia-e-cobram-acao-das-autoridades-locais\/\">Gua\u00edba City e a Aldeia Guarani Pekuruty<\/a>\u00a0\u00e9 Eldorado do Sul que, proporcionalmente, foi o munic\u00edpio mais atingido pela enchente em todo o Rio Grande do Sul. Dos cerca de 42 mil habitantes, 34 mil foram atingidos. A estimativa \u00e9 que 80% das resid\u00eancias tenham sido danificadas, e toda a \u00e1rea urbana esteve alagada. Muitos moradores que sa\u00edram durante a enchente desistiram de retornar \u00e0 Eldorado por inseguran\u00e7a e falta de perspectiva. Nessa mesma cidade, a popula\u00e7\u00e3o que ficou tenta reconstruir suas vidas sem muito recurso e dependendo de retornos demorados dos governos,que talvez nem cheguem como prometido, enquanto\u00a0<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2025\/04\/cidade-data-centers-rs-energia\/\">o governo do RS anunciou a instala\u00e7\u00e3o do maior complexo de infraestrutura digital da Am\u00e9rica Latina pela empresa Scala, num dos poucos terrenos que n\u00e3o foram alagados.<\/a>\u00a0A previs\u00e3o \u00e9 de que essa \u201ccidade de datacenters\u201d esteja entre os maiores investimentos privados da hist\u00f3ria do estado e consuma mais energia que a gerada pela quarta maior hidrel\u00e9trica do Brasil.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Na cidade vizinha, Gua\u00edba, que tamb\u00e9m sofre com a enchente de 2024, a fabricante de celulose CMPC confirmou, no final do ano, que pretende seguir com o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.estado.rs.gov.br\/governo-e-cmpc-anunciam-investimento-de-r-24-bilhoes-no-estado\">projeto bilion\u00e1rio de construir um novo parque industrial na regi\u00e3o<\/a>\u00a0e ampliar as \u00e1reas de plantios de monocultivo de eucalipto. As monoculturas de \u00e1rvores geram perda da biodiversidade e aumento do d\u00e9ficit h\u00eddrico onde s\u00e3o implementadas,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2025\/03\/31\/queima-de-monocultivo-ameaca-comunidade-kilombola-morada-da-paz-em-triunfo-rs\/\">ilhando territ\u00f3rios de vida cercados por estes projetos de morte<\/a>. As f\u00e1bricas de celulose, altamente utilizadoras de \u00e1gua, tamb\u00e9m s\u00e3o grandes poluidoras,<a href=\"https:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2025\/03\/18\/eucalipto-nao-e-floresta-em-jornada-de-luta-mulheres-sem-terra-denunciam-expansao-do-monocultivo-no-rs\/\">\u00a0como denunciam as mulheres camponesas assentadas no seu entorno<\/a>. Al\u00e9m disso, monocultivos agravam extremos clim\u00e1ticos pela influ\u00eancia que tem no solo, nas \u00e1guas e na biodiversidade. Monocultivo \u00e9 emerg\u00eancia clim\u00e1tica. E, aqui no RS, esses foram facilitados pela\u00a0<a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/meio-ambiente\/2023\/09\/sob-critica-de-ambientalistas-consema-aprova-novo-zoneamento-ambiental-da-silvicultura\/\">altera\u00e7\u00e3o no Zoneamento Ambiental da Silvicultura (ZAS)<\/a>, que possibilita que as \u00e1reas de monocultivos passem dos atuais 1,2 milh\u00f5es de hectares para 4 milh\u00f5es de hectares,\u00a0<a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/meio-ambiente\/2024\/12\/cmpc-lanca-projeto-de-sustentabilidade-apos-patrocinar-regra-criticada-por-ambientalistas\/\">proposta que teve envolvimento da pr\u00f3pria CMPC,\u00a0<\/a>que se beneficia da medida.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Na capital, Porto Alegre, o setor imobili\u00e1rio desponta entre os mais beneficiados com a enchente. Regi\u00f5es da cidade que j\u00e1 recebiam projetos imobili\u00e1rios para alta renda e ficaram alagadas, dever\u00e3o ter volumosos investimentos do poder p\u00fablico para melhoria na infraestrutura. Outras \u00e1reas sucateadas, mas com potencial de explora\u00e7\u00e3o, possivelmente ser\u00e3o alvo da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. O prefeito Sebasti\u00e3o Melo busca avan\u00e7ar, neste ano, na privatiza\u00e7\u00e3o da parte mais rent\u00e1vel do DMAE, \u00f3rg\u00e3o municipal respons\u00e1vel pelo fornecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel e da gest\u00e3o da rede de esgoto da Capital, cujo sucateamento e precariza\u00e7\u00e3o esteve na raiz do agravamento do caos clim\u00e1tico vivido pelos seus 2 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Depois de meses inoperante,<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/amigos-da-terra-brasil\/2024\/08\/12\/reconstrucao-no-rio-grande-do-sul-manobras-da-fraport-resultam-na-continuidade-de-violacoes-dos-direitos-humanos\/\">\u00a0o \u00fanico aeroporto da capital ga\u00facha, operado pela transnacional alem\u00e3 Fraport<\/a>, s\u00f3 retomou a reconstru\u00e7\u00e3o ap\u00f3s resgate econ\u00f4mico pelo governo federal e, ainda, n\u00e3o retomou a plena capacidade. Em meio ao caos clim\u00e1tico, governo do Estado e prefeitura convocaram empresas privadas norte-americanas, como a\u00a0<a href=\"https:\/\/centrobrasilnoclima.org\/o-consorcio-centro-brasil-no-clima-e-waycarbon-firmou-um-acordo-com-o-estado-do-rio-grande-do-sul\/\">WayCarbon<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/05\/31\/alvarez-marsal-mckinsey-e-ey-capitalismo-de-desastre-toma-a-frente-na-reconstrucao-do-rs\/\">Alvarez &amp; Marsal, especializada no capitalismo de desastre<\/a>, que tamb\u00e9m fez a gest\u00e3o privada, privatista e racista do desastre clim\u00e1tico em Nova Orleans (Estados Unidos) ap\u00f3s o furac\u00e3o Katrina.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Alheios \u00e0s mudan\u00e7as do clima provocadas pela explora\u00e7\u00e3o e pela forma de produ\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria da sociedade em que vivemos, os governos de Leite e Melo optam por<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/amigos-da-terra-brasil\/2024\/06\/24\/o-capitalismo-de-desastre-e-o-caos-climatico-no-rio-grande-do-sul\/\">\u00a0falsas solu\u00e7\u00f5es\u00a0 que beneficiam grandes empresas e capitalistas<\/a>\u00a0e que, certamente, aprofundar\u00e3o ainda mais a situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia clim\u00e1tica. Se antes a luta era contra o negacionismo, agora o enfrentamento \u00e9 contra o oportunismo clim\u00e1tico, que tenta expandir seus projetos de morte por meio de pol\u00edticas neoliberais e solu\u00e7\u00f5es de mercado.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A resposta est\u00e1 na organiza\u00e7\u00e3o popular e no fortalecimento das solu\u00e7\u00f5es dos povos<\/h4>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a href=\"https:\/\/www.cartadebelem.org.br\/o-violento-avanco-do-capital-sob-os-territorios-de-vida-e-o-motor-da-emergencia-climatica-na-luta-dos-movimentos-sociais-e-na-organizacao-dos-povos-esta-o-freio-desta-tragedia-anunciada\/\">O avan\u00e7o do capital nos territ\u00f3rios de vida foi motor da enchente, trag\u00e9dia t\u00e3o anunciada<\/a>\u00a0por ambientalistas, movimentos sociais e populares que pautam a emerg\u00eancia clim\u00e1tica, produto do capitalismo. Grande parte dos impactos poderiam ter sido evitados, mas alertas foram ignorados em nome do lucro da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, do agroneg\u00f3cio e da minera\u00e7\u00e3o. Setores que, com seus empres\u00e1rios ou pol\u00edticos, navegam no caos clim\u00e1tico com projeto$ de morte, por vezes fantasiados em coletes salva-vidas anunciando falsas solu\u00e7\u00f5es de mercado.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Um ano ap\u00f3s a enchente, para a maior parte da popula\u00e7\u00e3o a precariedade n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 lembran\u00e7a. Medidas efetivas n\u00e3o foram tomadas pelo poder p\u00fablico, fato evidente em qualquer chuva, que faz alagamentos na maior parte das cidades, trazendo riscos, destrui\u00e7\u00e3o, doen\u00e7as, falta de luz, de acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e ao transporte. O pavor se repete. Enquanto Porto Alegre recebeu, recentemente, o South Summit Brazil, maior evento de tecnologia e inova\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, em que se falou em resili\u00eancia nos termos dos neg\u00f3cios privados, o estado segue sem constru\u00e7\u00e3o de sistemas de prote\u00e7\u00e3o contra cheias (8 projetos foram prometidos, nenhum est\u00e1 em execu\u00e7\u00e3o). A proposta dos governos \u00e9 de mais privatiza\u00e7\u00e3o e mais afastamento do povo nas pol\u00edticas. Pessoas fundamentais impactadas nos campos, cidades, aldeias e retomadas ind\u00edgenas, quilombos e periferias, que tornam poss\u00edvel o alimento, o cuidado, e coletividades dentro de seus territ\u00f3rios de vida, precisam participar dos espa\u00e7os de decis\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"lazy loaded\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXcHMiKYqQXTRapzVQWiTocga7iqeMDEWbQNB9Qi4LyJiwnHVHiv55U4JuTBhy48m9UeLYi-9JqB44rEYuyJ0n-3CAnjWgOBKBeYu_989CGUxHd1JCj3TcEpavZo2iNO6tXW4OSyvA?key=CmUBF895zWhMLFexnClXsy2a\" width=\"602\" height=\"401\" data-src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXcHMiKYqQXTRapzVQWiTocga7iqeMDEWbQNB9Qi4LyJiwnHVHiv55U4JuTBhy48m9UeLYi-9JqB44rEYuyJ0n-3CAnjWgOBKBeYu_989CGUxHd1JCj3TcEpavZo2iNO6tXW4OSyvA?key=CmUBF895zWhMLFexnClXsy2a\" data-pin-no-hover=\"true\" data-was-processed=\"true\" \/><br \/><em>Ocupa\u00e7\u00e3o Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares, do MTST, no centro da Capital. Cr\u00e9dito: Ma\u00ed Yandara\/ ATBR<\/em><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Assim como a resposta imediata \u00e0s enchentes quem deu foram os movimentos sociais organizados e os territ\u00f3rios de vida, fundados nos princ\u00edpios da solidariedade, essa tamb\u00e9m \u00e9 a nossa \u00fanica sa\u00edda a longo prazo. As retomadas ind\u00edgenas permanecem vivas e de suas ra\u00edzes v\u00eam respostas sobre como regenerar o planeta, reexistir e semear a vida. A ocupa\u00e7\u00e3o Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares, do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), em um pr\u00e9dio p\u00fablico desocupado h\u00e1 anos no centro da Capital, demonstra que a solu\u00e7\u00e3o poderia n\u00e3o ter sido as casas tempor\u00e1rias propostas pelo governo, mas que sim, tem mais casa sem gente do que gente sem casa, e que o direito \u00e0 moradia digna deve prevalecer \u00e0 gan\u00e2ncia do setor da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. Cozinhas de emerg\u00eancia seguem operando at\u00e9 os dias de hoje, em uma rede de solidariedade entre o campo e a cidade que se ampliou e ganhou novos espa\u00e7os.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es populares atuaram com f\u00f4lego durante a maior cat\u00e1strofe socioambiental do RS para garantir direitos e seguem se articulando para amparar a popula\u00e7\u00e3o e construir respostas reais \u00e0s crises sist\u00eamicas. Demandam que as devidas responsabilidades sejam assumidas pelo Estado e que as pol\u00edticas sejam orientadas a partir das necessidades dos territ\u00f3rios de vida, com participa\u00e7\u00e3o popular. Lembram, constantemente, que n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a clim\u00e1tica sem justi\u00e7a para os povos. E no seu horizonte, assim como no freio para a emerg\u00eancia clim\u00e1tica, est\u00e3o erguidas bandeiras pela soberania alimentar, fortalecimento da agroecologia, soberania fundi\u00e1ria, reforma urbana e rural popular, demarca\u00e7\u00e3o j\u00e1 de territ\u00f3rios ind\u00edgenas e titula\u00e7\u00e3o quilombola. Contra o fatalismo pregado pelo sistema capitalista, que lucra com desastres, est\u00e3o povos e comunidades em luta fazendo viva a mem\u00f3ria de que \u00e9 preciso transformar a realidade.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<div class=\"jeg_meta_post_footer\">\r\n<div class=\"jeg_meta_editors\">\r\n<p><em>Editado por: Nathallia Fonseca<\/em><\/p>\r\n<p><strong>Coluna publicada originalmente no jornal Brasil de Fato em<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/amigos-da-terra-brasil\/2025\/05\/22\/um-ano-da-enchente-no-rio-grande-do-sul-o-que-e-memoria-para-alguns-para-muitos-ainda-e-realidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/amigos-da-terra-brasil\/2025\/05\/22\/um-ano-da-enchente-no-rio-grande-do-sul-o-que-e-memoria-para-alguns-para-muitos-ainda-e-realidade\/<\/a><\/p>\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u00a0Um ano da enchente no Rio Grande do Sul: o que \u00e9 mem\u00f3ria para alguns, para muitos ainda \u00e9 realidade H\u00e1 um ano, a popula\u00e7\u00e3o do estado do Rio Grande do Sul, no Sul do Brasil, enfrentava um dos piores \u2013 se n\u00e3o o maior \u2013 desastres socioambientais da sua hist\u00f3ria. Nos \u00faltimos dias de abril e durante o m\u00eas de maio de 2024, os volumes de chuva registrados no estado foram muito altos na maioria das regi\u00f5es,\u00a0\u00a0situa\u00e7\u00e3o sem precedentes em mais de um s\u00e9culo de medi\u00e7\u00f5es em diferentes munic\u00edpios, segundo noticiou a Metsul, instituto de Meteorologia. Localidades de bacias hidrogr\u00e1ficas importantes, dos quais diversos rios des\u00e1guam na regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre, tiveram facilmente m\u00e9dias de 400mm a 800mm de chuva acumulada no per\u00edodo, alcan\u00e7ando impressionantes 1.023mm na esta\u00e7\u00e3o meteorol\u00f3gica de Caxias do Sul, na Serra Ga\u00facha. Em menos de quinze dias choveu o equivalente ao que costuma chover durante cinco meses no estado. Os resultados puderam ser acompanhados por todo o Brasil pela m\u00eddia, inclusive com transmiss\u00e3o ao vivo feita por \u00e2ncoras famosos dos canais de TV. As imagens do caos clim\u00e1tico correram o mundo. Cidades ficaram inundadas com as cheias dos rios e\u00a0defici\u00eancia no sistema de prote\u00e7\u00e3o\u00a0e de escoamento da \u00e1gua das chuvas, comunidades ilhadas devido a deslizamentos de terra e estradas destru\u00eddas, preju\u00edzo econ\u00f4mico e impacto ao meio ambiente. Aproximadamente 537 mil pessoas tiveram que deixar suas casas; 80 mil precisaram recorrer a abrigos p\u00fablicos;\u00a0184 pessoas morreram e outras 25 ainda seguem desaparecidas.\u00a0Cerca de um a cada cinco habitantes do RS foram afetados pelas enchentes.\u00a0Das 497 cidades que existem no estado, 478 foram atingidas. Passado um ano, a hist\u00f3rica enchente ficou na\u00a0mem\u00f3ria\u00a0para alguns mas, para muitos, ainda \u00e9 uma realidade vivenciada diariamente. A classe trabalhadora, a popula\u00e7\u00e3o empobrecida, pequenos comerciantes, territ\u00f3rios ind\u00edgenas e quilombolas, assentamentos da reforma agr\u00e1ria e camponeses seguem tentando recuperar suas perdas e reconstruir minimamente suas vidas. Para se ter uma ideia, no final de abril deste ano, quase\u00a0400 pessoas permaneciam em abrigos p\u00fablicos\u00a0por n\u00e3o terem para onde ir, a grande maioria na regi\u00e3o metropolitana. O governo estadual quer esvazi\u00e1-los at\u00e9 o final de maio, mas utilizando solu\u00e7\u00f5es ainda mais prec\u00e1rias, como a estadia solid\u00e1ria e as casas tempor\u00e1rias, o que acaba por estender a agonia e uma inseguran\u00e7a que parece n\u00e3o ter fim. De recurso habitacional mais efetivo existe o programa do governo federal de compra de casa com verba p\u00fablica (chamado de compra assistida), por\u00e9m diversas fam\u00edlias reclamam que n\u00e3o conseguem acess\u00e1-lo devido \u00e0 exig\u00eancia de comprovar documenta\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de o processo levar meses. Resistir para existir: enchente escancara luta dos territ\u00f3rios de vida A\u00a0Aldeia Mby\u00e1 Guarani Pind\u00f3 Poty\u00a0sofre, h\u00e1 anos, com alagamentos no bairro Lami, no Extremo Sul de Porto Alegre (RS). Os guaranis n\u00e3o contam mais quantas vezes reconstru\u00edram suas casas,\u00a0 perderam suas roupas e utens\u00edlios, plantios, animais dom\u00e9sticos e os que criavam para se alimentar. Na grande enchente de 2024, n\u00e3o foi diferente.\u00a0A aldeia ficou debaixo d\u2019\u00e1gua com o transbordamento do Arroio Lami, que passa ao lado do local.\u00a0Temporariamente, as fam\u00edlias foram abrigadas pelos parentes Kaingang da Aldeia Van-K\u00e1, no mesmo bairro da Capital ga\u00facha. Quando retornaram, contaram com uma rede de solidariedade e de doa\u00e7\u00f5es para reconstruir suas vidas novamente. Um levantamento colaborativo, realizado de forma conjunta pelo CIMI Regional Sul, Comiss\u00e3o Yvyrupa Guarani (CGY), FLD\/Comin\/CAPA e CEPI\/RS, indicou que\u00a0mais de 80 comunidades e territ\u00f3rios ind\u00edgenas foram diretamente afetados, alguns com extrema gravidade, nos meses de abril e maio passados. A CGY promoveu uma campanha de arrecada\u00e7\u00e3o financeira e de donativos na \u00e9poca, resultando na distribui\u00e7\u00e3o de 20 toneladas de alimentos para 37 aldeias, que tamb\u00e9m receberam \u00e1gua pot\u00e1vel e itens b\u00e1sicos, como cobertores e colch\u00f5es. Segundo relat\u00f3rio divulgado pela Comiss\u00e3o Guarani em junho de 2024, foram alcan\u00e7adas 674 fam\u00edlias, somando mais de 3.300 pessoas, em diversas regi\u00f5es do estado do Rio Grande do Sul. A campanha da CGY contou com ampla colabora\u00e7\u00e3o da sociedade civil, entre parceiros, pessoas, coletivos e organiza\u00e7\u00f5es, muitas de fora do Brasil. Al\u00e9m dessa, a Amigas de Terra Brasil participou de outra frente, junto com a Rede Coop, pela qual entregamos cestas de alimentos da agricultura camponesa \u00e0s fam\u00edlias Guarani da Aldeia Yy Ryapu, em Palmares do Sul, no Sul do estado. Essas iniciativas resumem bem o que se viu em boa parte do per\u00edodo de emerg\u00eancia da enchente: uma rede solid\u00e1ria sustentada pela sociedade j\u00e1 organizada e por tantos indiv\u00edduos que, frente \u00e0 necessidade urgente, organizaram-se. \u201cNenhuma das Teko\u00e1 [aldeias] atingidas teve apoio das autoridades at\u00e9 agora. Nem com alimenta\u00e7\u00e3o, nem com nada. A\u00ed \u00e9 dif\u00edcil. Quando aconteceu essa trag\u00e9dia da enchente, conseguimos, atrav\u00e9s do apoio de parceiros indigenistas e de organiza\u00e7\u00f5es de fora do pa\u00eds, como da Alemanha\u201d, relatou Helio Wher\u00e1, da CGY. A enchente escancara que os governos est\u00e3o cada vez mais afastados dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas. Seja em atender a principal demanda de muitos deles, que \u00e9 a demarca\u00e7\u00e3o da terra, quanto em fornecer a infraestrutura necess\u00e1ria e o acesso a servi\u00e7os humanos b\u00e1sicos, como de sa\u00fade e saneamento, para que vivam. Em n\u00edvel federal, vemos uma tentativa do Governo Lula tentar chegar nos locais, mas ocorre de forma muito lenta. A Aldeia Pekuruty resiste de forma prec\u00e1ria h\u00e1 16 anos \u00e0s margens da BR 290, em Eldorado do Sul (RS),\u00a0e na enchente de 2024 foi alagada, junto com cerca de 80% da cidade. O pouco que sobrou de seus pertences foi retirado por funcion\u00e1rios do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), tendo que recome\u00e7ar praticamente do zero e contando apenas com a ajuda de parceiros. Assim como a Pind\u00f3 Poty, a Pekuruty aguarda a demarca\u00e7\u00e3o para que possa se instalar em local seguro. \u201cO governo tem terra, ser\u00e1 que pra \u00edndio n\u00e3o quer dar, ou quer matar tudo? O branco pensa com dinheiro. A\u00ed compra animal, compra vaca, terra, planta tudo, colhe dinheiro. Vende \u00e1gua, vende peixe. De terra, tem 2 mil, 3 mil hectares. E aqui [na aldeia], tem 400 hectares, cavalos, vacas, tem terra. Ser\u00e1 que n\u00e3o d\u00e1 um pouquinho, para poder morar<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":10281,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[603],"tags":[426,1041,1108,473,1718,306,26,253,1687],"class_list":["post-7409","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-brasil-de-fato","tag-brasil-de-fato","tag-coluna","tag-cozinha-solidaria","tag-eucalipto","tag-guaiba-city-pede-socorro","tag-mineracao","tag-mtst","tag-povos-indigenas","tag-territorio-de-vida"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7409","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7409"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7409\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10282,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7409\/revisions\/10282"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10281"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7409"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7409"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7409"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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