{"id":7359,"date":"2025-04-17T17:23:51","date_gmt":"2025-04-17T20:23:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=7359"},"modified":"2025-07-12T17:53:35","modified_gmt":"2025-07-12T20:53:35","slug":"clima-complicado-como-navegar-com-unidade-popular-no-mar-das-contradicoes-rumo-a-cop-30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=7359","title":{"rendered":"Clima complicado: como navegar com unidade popular no mar das contradi\u00e7\u00f5es rumo \u00e0 COP 30?"},"content":{"rendered":"<p>A\u00a0<a href=\"https:\/\/cupuladospovoscop30.org\/\">C\u00fapula dos Povos rumo \u00e0 COP 30<\/a>\u00a0(30\u00aa Confer\u00eancia das Partes das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima), construindo converg\u00eancia popular entre mais de 500 movimentos, redes e organiza\u00e7\u00f5es sociais de todo o mundo, espera reunir mais de 15 mil pessoas em Bel\u00e9m (PA), em novembro deste ano. O objetivo \u00e9 fazer o debate democr\u00e1tico, a partir da Amaz\u00f4nia para o mundo, de um projeto popular para a justi\u00e7a clim\u00e1tica e que seja capaz de combater as desigualdades e o racismo ambiental.<\/p>\n<p>A C\u00fapula est\u00e1 sendo organizada em eixos de converg\u00eancia de propostas, a partir da diversidade das pr\u00e1ticas, saberes, culturas, mem\u00f3ria e hist\u00f3ria compartilhada entre os povos do Brasil, da Am\u00e9rica Latina e do Caribe. S\u00e3o eles:<\/p>\n<p>I. A soberania dos povos sobre as \u00e1guas, terras, territ\u00f3rios e a soberania alimentar, tendo o direito \u00e0 terra e territ\u00f3rios, \u00e0 reforma agr\u00e1ria e \u00e0 diversidade de saberes agroecol\u00f3gicos dos povos como solu\u00e7\u00f5es reais \u00e0 crise clim\u00e1tica;<\/p>\n<p>II. A necessidade de Repara\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e cancelamento das d\u00edvidas ileg\u00edtimas, constru\u00eddas sobre as viola\u00e7\u00f5es de direitos dos povos origin\u00e1rios, afrodescendentes, das mulheres e diversidades que, na resist\u00eancia secular ao colonialismo, imperialismo, neoliberalismo e aos projetos de morte das empresas transnacionais, constru\u00edram as teias de prote\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios e das rela\u00e7\u00f5es sociais solid\u00e1rias;<\/p>\n<p>III. A constru\u00e7\u00e3o de uma transi\u00e7\u00e3o justa, popular e inclusiva com trabalho decente, a partir da organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e da reorganiza\u00e7\u00e3o de uma economia centrada na sustentabilidade da vida, e n\u00e3o na continuidade do extrativismo neocolonial para o sustento de grandes fortunas e de empresas privadas de tecnologia e do consumo energ\u00e9tico f\u00f3ssil, que tamb\u00e9m sustenta guerras, genoc\u00eddios e a morte artificial das ideias e ideais humanos;<\/p>\n<p>IV. Contra as opress\u00f5es, pela democracia e pelo internacionalismo dos povos e a solidariedade, real e radical, como possibilidade de recriar o cuidado e o compromisso pol\u00edticos e democr\u00e1tico entre as pessoas, territ\u00f3rios, povos e na\u00e7\u00f5es, no combate ao fascismo e \u00e0s guerras que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.foei.org\/es\/the-failure-of-the-current-multilateral-system\/\">o multilateralismo, em crise e capturado pelos interesses corporativos<\/a>, j\u00e1 n\u00e3o consegue conter;<\/p>\n<p>V. Cidades justas e periferias urbanas vivas, com direitos, moradia, mobilidade, alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, com conviv\u00eancia e adaptadas \u00e0 crise clim\u00e1tica, sem racismo e segrega\u00e7\u00e3o social; e finalmente,<\/p>\n<p>VI. Feminismo popular e resist\u00eancias das mulheres nos territ\u00f3rios porque as mulheres est\u00e3o na linha de frente das lutas por justi\u00e7a ambiental, desmantelando as estruturas patriarcais nas origens do processo de acumula\u00e7\u00e3o do sistema capitalista, que precisam ser radicalmente transformadas para mudarmos o mundo.<\/p>\n<p>A Amaz\u00f4nia, assim como os demais biomas brasileiros, importam. E, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o da Caatinga, s\u00e3o riquezas em sociobiodiversidade e culturas que compartilhamos com pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul. Tamb\u00e9m a\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciagov.ebc.com.br\/noticias\/202503\/apos-atuacao-do-ministerio-das-relacoes-exteriores-e-da-marinha-onu-reconhece-expansao-do-territorio-maritimo-brasileiro\">Amaz\u00f4nia Azu<\/a>l, nos limites mar adentro da Plataforma Continental, constituindo um\u00a0<em>maret\u00f3rio<\/em>\u00a0de 360 mil km\u00b2 na Margem Equatorial do Brasil, aproxima e nos conecta com o Caribe e pa\u00edses vizinhos na costa Atl\u00e2ntica at\u00e9 a regi\u00e3o mesoamericana. Tendo como base\u00a0<a href=\"https:\/\/atalc.org\/2024\/03\/01\/propuestas-para-avanzar-la-integracion-regional\/\">o ac\u00famulo das lutas latino-americanas e caribenhas na defesa da democracia<\/a>\u00a0contra o colonialismo, o neoliberalismo, o imperialismo, o fascismo e a ultradireita, a unidade entre os povos em defesa da democracia, e sem anistia aos golpistas, constr\u00f3i o poder popular necess\u00e1rio para enfrentar a crise clim\u00e1tica com justi\u00e7a ambiental, desmantelando o poder das grandes empresas transnacionais e os acordos de livre com\u00e9rcio que as beneficiam. Isso acontece a partir do conceito e do projeto politico da Soberania Alimentar, das proposi\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora para a Transi\u00e7\u00e3o Justa com integra\u00e7\u00e3o regional, das pr\u00e1ticas da economia feminista com trabalho decente para todos e todas em tempos de mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas aceleradas e da luta por direitos de Livre Circula\u00e7\u00e3o das pessoas migrantes, n\u00e3o de mercadorias. S\u00e3o agendas pol\u00edticas dos povos com quem compartilhamos hist\u00f3rias de luta e solidariedade historicamente, hoje,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/04\/14\/revolucao-cidada-e-organizacoes-populares-denunciam-fraude-em-eleicoes-no-equador\/\">frente aos resultados fraudados nas elei\u00e7\u00f5es do Equador<\/a>, e sempre.<\/p>\n<p>Como traduzir essas propostas pol\u00edticas e pr\u00e1ticas dos territ\u00f3rios e dos povos, que na regi\u00e3o constroem as verdadeiras solu\u00e7\u00f5es para a justi\u00e7a clim\u00e1tica, para al\u00e9m dos espa\u00e7os capturados pelos interesses corporativos nas Na\u00e7\u00f5es Unidas? A C\u00fapula dos Povos \u00e9 um espa\u00e7o de converg\u00eancia entre movimentos para compartilhar uma an\u00e1lise de longo prazo e construir uma agenda pol\u00edtica comum al\u00e9m da COP30. Ela j\u00e1 est\u00e1 em movimento, da Amaz\u00f4nia ao Pampa, da Am\u00e9rica Latina para o mundo. E \u00e9 preciso navegar num mar de contradi\u00e7\u00f5es de um mundo onde\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DISEki-p8TB\/?igsh=MTVlaHZnemc0cjl2Mw==\">os poderes imperiais est\u00e3o em decl\u00ednio e em guerra<\/a>, assim, a dist\u00e2ncia das vis\u00f5es e propostas populares daquelas das negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas da ONU \u00e9 abismal. Por\u00e9m, frente \u00e0 crise do capitalismo, \u00e9 onde as solu\u00e7\u00f5es dos povos devem ser reconhecidas e potencializadas, trazendo ensinamentos da Amaz\u00f4nia para o mundo.<\/p>\n<p>Em 30 anos, as COPs do clima n\u00e3o chegaram a uma decis\u00e3o sobre financiamento clim\u00e1tico \u2013 para al\u00e9m de que seja operado por institui\u00e7\u00f5es financeiras como o Banco Mundial e com empr\u00e9stimos geradores de d\u00edvidas e fundos provenientes de investimentos privados e mercados de carbono. Os povos e a sociedade civil disputam com empresas, cada vez mais especializadas em lucrar com os desastres clim\u00e1ticos, o acesso e a gest\u00e3o local de recursos para o fortalecimento de seus territ\u00f3rios e projetos sociais, de forma leg\u00edtima por\u00e9m desigual, no contexto limitado de participa\u00e7\u00e3o social nas negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>J\u00e1 os movimentos sociais e populares da regi\u00e3o, frente \u00e0 escalada da fome e da viol\u00eancia no Haiti, e da invas\u00e3o militar de tropas no Qu\u00eania financiadas pelos Estados Unidos, demandam a devolu\u00e7\u00e3o de uma d\u00edvida imoral e ileg\u00edtima cobrada pela Fran\u00e7a\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/ultimas-noticias\/afp\/2025\/01\/30\/macron-falou-da-restituicao-da-indenizacao-de-independencia-do-haiti-diz-presidente-haitiano.htm\">h\u00e1 exatos 200 anos neste 17 de abril de 2025<\/a>, por ter o povo negro escravizado nessa ilha do Caribe, nomeada em homenagem \u00e0 sua popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena dizimada, ousado ter sido a primeira col\u00f4nia europeia a liberar-se e independizar-se, em 1804. Demandam n\u00e3o apenas repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica aos povos negros e quilombolas, como tamb\u00e9m a efetiva\u00e7\u00e3o do reconhecimento de sua cultura ancestral e a perman\u00eancia nos territ\u00f3rios como tema central no cuidado da biodiversidade e do clima, j\u00e1 tendo consquistado\u00a0<a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/noticias-socioambientais\/entenda-conquista-historica-obtida-por-afrodescendentes-na-cop16\">importante vit\u00f3ria na 16\u00aa Confer\u00eancia da Biodiversidade em Cali, na Col\u00f4mbia, no ano passado<\/a>.<\/p>\n<p>A COP 30 em Bel\u00e9m deve revisar as tais NDCs, que s\u00e3o as\u00a0<em>Contribui\u00e7\u00f5es Nacionais Determinadas<\/em>\u00a0por cada pa\u00eds para a mitiga\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es dos gases de efeito estufa a fim de que o aquecimento global n\u00e3o ultrapasse limite de 1,5<sup>o<\/sup>C estipulado pelo Acordo de Paris. No entanto, ainda n\u00e3o se determinou uma meta para o fim da polui\u00e7\u00e3o e nem um tratado para a responsabiliza\u00e7\u00e3o das grandes empresas da ind\u00fastria dos combust\u00edveis f\u00f3sseis por suas viola\u00e7\u00f5es de direitos e por sua responsabilidade clim\u00e1tica, hist\u00f3rica e atual (70% das emiss\u00f5es globais que aquecem o planeta e destroem territ\u00f3rios,\u00a0<em>maret\u00f3rios\u00a0<\/em>e a vida dos ecossistemas e comunidades locais s\u00e3o oriundos de combust\u00edveis f\u00f3sseis). J\u00e1 os povos ind\u00edgenas do Brasil demonstram por que fazem parte da solu\u00e7\u00e3o, defendendo n\u00e3o apenas seus ambientes, mas todos os biomas e a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o e do planeta, bem como\u00a0<a href=\"https:\/\/apiboficial.org\/2025\/04\/09\/apib-protocola-acao-no-stf-para-proibir-pulverizacao-aerea-de-agrotoxicos-e-proteger-a-saude-publica-e-o-meio-ambiente-em-todo-territorio-nacional-brasilia-09-de-abril-2025-a-articulacao-d\/\">apontando os culpados pelos ataques aos territ\u00f3rios e modos de vida e unindo aos movimentos do campo atingidos pelo agroneg\u00f3cio<\/a>, que desmata e contamina.<\/p>\n<p>O Brasil, apesar de n\u00e3o ter responsabilidade hist\u00f3rica, comparativamente aos pa\u00edses que desenvolveram e se beneficiaram da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, hoje \u00e9 o s\u00e9timo maior emissor de Gases de Efeito Estufa (com 3% das emiss\u00f5es globais). Cerca de 75% das emiss\u00f5es brasileiras se d\u00e3o na Amaz\u00f4nia, e 14% no Cerrado. 48% das emiss\u00f5es brasileiras s\u00e3o provenientes de desmatamento, e 27% da agropecu\u00e1ria (20% agricultura e 80% da pecu\u00e1ria). Considerando que o principal respons\u00e1vel pelo desmatamento no Brasil \u00e9 o setor agropecu\u00e1rio, podemos dizer que mais de 75% da polui\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica brasileira \u00e9 de responsabilidade direta do agroneg\u00f3cio. Sem contar todas as emiss\u00f5es envolvidas pela produ\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos e fertilizantes, dos maquin\u00e1rios e do transporte intercontinental de commodities. Al\u00e9m de aquecer o planeta, destroi a biodiversidade; contamina corpos e territ\u00f3rios com agrot\u00f3xicos; expulsa e assassina ind\u00edgenas, quilombolas, campesinos, ambientalistas; concentra terras e poder; e tudo isso n\u00e3o para produzir alimentos, mas para exportar commodities, de forma altamente subsidiada e isenta de impostos.<\/p>\n<p>A conjun\u00e7\u00e3o empresarial do agroneg\u00f3cio, dependente da minera\u00e7\u00e3o e do petr\u00f3leo, prepara sua\u00a0<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2025\/01\/com-convite-a-trump-politicos-e-ruralistas-preparam-cop-do-agro-no-para\/\">COP do Agro na cidade de Marab\u00e1 (PA), em outubro deste ano<\/a>. Por sua vez, os ultraconservadores\u00a0<em>trumpistas<\/em>\u00a0e\u00a0<em>bolsonaristas<\/em>\u00a0convocam a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.poder360.com.br\/partidos-politicos\/cpac-de-2025-sera-em-manaus-antes-da-cop30-em-belem\/\">CPAC (Conservative Political Action Conference) 2025<\/a>\u00a0para contrapor a COP 30 em Manaus no mesmo per\u00edodo. A esperan\u00e7a e o compromisso no cuidado com a vida est\u00e1 na organiza\u00e7\u00e3o popular, na defesa da democracia e na mobiliza\u00e7\u00e3o dos povos na C\u00fapula dos Povos rumo \u00e0 Bel\u00e9m, para onde todas as \u00e1guas confluem. A presid\u00eancia do Brasil desta COP hist\u00f3rica deve ver esse movimento como aliado para o sucesso da confer\u00eancia, tanto quanto essencial para a participa\u00e7\u00e3o popular aut\u00f4noma e auto-organizada em defesa da democracia e da integra\u00e7\u00e3o entre os povos, ao inv\u00e9s de promover\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciagov.ebc.com.br\/noticias\/202504\/lula-nomeia-empresario-dan-ioschpe-para-ser-o-campeao-de-alto-nivel-da-cop-30\">campe\u00f5es clim\u00e1ticos do empresariado<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/revistapegn.globo.com\/um-so-planeta\/noticia\/2025\/04\/mombak-conquista-mais-r-100-milhoes-do-bndes-para-remocao-de-carbono.ghtml\">recursos p\u00fablicos para as falsas solu\u00e7\u00f5es<\/a>\u00a0de financeiriza\u00e7\u00e3o do clima e da natureza com\u00a0<a href=\"https:\/\/www.baguete.com.br\/noticias\/natura-mapeia-amazonia-com-drones\">controle territorial empresarial<\/a>.<\/p>\n<p>Esta caminhada, para os povos e movimentos sociais brasileiros e latino-americanos, vem de longe e se soma \u00e0 solidariedade e \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.foei.org\/es\/no-hay-justicia-climatica-sin-la-liberacion-de-palestina\/\">mobiliza\u00e7\u00e3o mundial pela justi\u00e7a clim\u00e1tica, em alian\u00e7a contra o fascismo, o genoc\u00eddio na Palestina e as desigualdades sociais<\/a>. Para combater as emiss\u00f5es globais, come\u00e7ando pela responsabiliza\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses e empresas transnacionais com maiores contribui\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, queremos mostrar, desde a nossa regi\u00e3o, do Brasil, da Amaz\u00f4nia e para o mundo, como lutamos em unidade contra a degrada\u00e7\u00e3o de nossos biomas, de nossa sa\u00fade e modos de vida, seja nas florestas, nos mares, nos campos e nas cidades.<\/p>\n<p>Que nossa voz, em un\u00edssono, ecoe para alertar a urg\u00eancia de enfrentar e transformar o atual modelo global petroleiro e agro, hidro e minero exportador, fomentado por acordos de livre com\u00e9rcio, das ex-col\u00f4nias do Sul Global para as pot\u00eancias imperiais que, em crise, seguem alimentando guerras e genoc\u00eddios e aquecendo o planeta. Nossa luta por uma transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, com justi\u00e7a ambiental e feminismo popular, passa por proteger territ\u00f3rios de vida, reconstruir os sistemas alimentares, energ\u00e9ticos, de gest\u00e3o das \u00e1guas e dos espa\u00e7os urbanos, dos servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, saneamento, com repara\u00e7\u00e3o aos povos origin\u00e1rios e tradicionais, povo negro, mulheres e diversidades e o respeito \u00e0s culturas dos povos dessa terra que tem sabedoria, for\u00e7a e disposi\u00e7\u00e3o de luta para seguir essa caminhada. Que esse encontro cres\u00e7a como as \u00e1guas quando se juntam, confluindo com for\u00e7a e unidade dos povos do mundo na diversidade dos saberes da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<ul>\n<li>Coluna publicada no jornal Brasil de Fato originalmente em <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/amigos-da-terra-brasil\/2025\/04\/16\/clima-complicado-como-navegar-com-unidade-popular-no-mar-das-contradicoes-rumo-a-cop-30\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em><strong>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/colunista\/amigos-da-terra-brasil\/2025\/04\/16\/clima-complicado-como-navegar-com-unidade-popular-no-mar-das-contradicoes-rumo-a-cop-30\/<\/strong><\/em><\/a><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00a0C\u00fapula dos Povos rumo \u00e0 COP 30\u00a0(30\u00aa Confer\u00eancia das Partes das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima), construindo converg\u00eancia popular entre mais de 500 movimentos, redes e organiza\u00e7\u00f5es sociais de todo o mundo, espera reunir mais de 15 mil pessoas em Bel\u00e9m (PA), em novembro deste ano. O objetivo \u00e9 fazer o debate democr\u00e1tico, a partir da Amaz\u00f4nia para o mundo, de um projeto popular para a justi\u00e7a clim\u00e1tica e que seja capaz de combater as desigualdades e o racismo ambiental. A C\u00fapula est\u00e1 sendo organizada em eixos de converg\u00eancia de propostas, a partir da diversidade das pr\u00e1ticas, saberes, culturas, mem\u00f3ria e hist\u00f3ria compartilhada entre os povos do Brasil, da Am\u00e9rica Latina e do Caribe. S\u00e3o eles: I. A soberania dos povos sobre as \u00e1guas, terras, territ\u00f3rios e a soberania alimentar, tendo o direito \u00e0 terra e territ\u00f3rios, \u00e0 reforma agr\u00e1ria e \u00e0 diversidade de saberes agroecol\u00f3gicos dos povos como solu\u00e7\u00f5es reais \u00e0 crise clim\u00e1tica; II. A necessidade de Repara\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e cancelamento das d\u00edvidas ileg\u00edtimas, constru\u00eddas sobre as viola\u00e7\u00f5es de direitos dos povos origin\u00e1rios, afrodescendentes, das mulheres e diversidades que, na resist\u00eancia secular ao colonialismo, imperialismo, neoliberalismo e aos projetos de morte das empresas transnacionais, constru\u00edram as teias de prote\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios e das rela\u00e7\u00f5es sociais solid\u00e1rias; III. A constru\u00e7\u00e3o de uma transi\u00e7\u00e3o justa, popular e inclusiva com trabalho decente, a partir da organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e da reorganiza\u00e7\u00e3o de uma economia centrada na sustentabilidade da vida, e n\u00e3o na continuidade do extrativismo neocolonial para o sustento de grandes fortunas e de empresas privadas de tecnologia e do consumo energ\u00e9tico f\u00f3ssil, que tamb\u00e9m sustenta guerras, genoc\u00eddios e a morte artificial das ideias e ideais humanos; IV. Contra as opress\u00f5es, pela democracia e pelo internacionalismo dos povos e a solidariedade, real e radical, como possibilidade de recriar o cuidado e o compromisso pol\u00edticos e democr\u00e1tico entre as pessoas, territ\u00f3rios, povos e na\u00e7\u00f5es, no combate ao fascismo e \u00e0s guerras que\u00a0o multilateralismo, em crise e capturado pelos interesses corporativos, j\u00e1 n\u00e3o consegue conter; V. Cidades justas e periferias urbanas vivas, com direitos, moradia, mobilidade, alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, com conviv\u00eancia e adaptadas \u00e0 crise clim\u00e1tica, sem racismo e segrega\u00e7\u00e3o social; e finalmente, VI. Feminismo popular e resist\u00eancias das mulheres nos territ\u00f3rios porque as mulheres est\u00e3o na linha de frente das lutas por justi\u00e7a ambiental, desmantelando as estruturas patriarcais nas origens do processo de acumula\u00e7\u00e3o do sistema capitalista, que precisam ser radicalmente transformadas para mudarmos o mundo. A Amaz\u00f4nia, assim como os demais biomas brasileiros, importam. E, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o da Caatinga, s\u00e3o riquezas em sociobiodiversidade e culturas que compartilhamos com pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul. Tamb\u00e9m a\u00a0Amaz\u00f4nia Azul, nos limites mar adentro da Plataforma Continental, constituindo um\u00a0maret\u00f3rio\u00a0de 360 mil km\u00b2 na Margem Equatorial do Brasil, aproxima e nos conecta com o Caribe e pa\u00edses vizinhos na costa Atl\u00e2ntica at\u00e9 a regi\u00e3o mesoamericana. Tendo como base\u00a0o ac\u00famulo das lutas latino-americanas e caribenhas na defesa da democracia\u00a0contra o colonialismo, o neoliberalismo, o imperialismo, o fascismo e a ultradireita, a unidade entre os povos em defesa da democracia, e sem anistia aos golpistas, constr\u00f3i o poder popular necess\u00e1rio para enfrentar a crise clim\u00e1tica com justi\u00e7a ambiental, desmantelando o poder das grandes empresas transnacionais e os acordos de livre com\u00e9rcio que as beneficiam. Isso acontece a partir do conceito e do projeto politico da Soberania Alimentar, das proposi\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora para a Transi\u00e7\u00e3o Justa com integra\u00e7\u00e3o regional, das pr\u00e1ticas da economia feminista com trabalho decente para todos e todas em tempos de mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas aceleradas e da luta por direitos de Livre Circula\u00e7\u00e3o das pessoas migrantes, n\u00e3o de mercadorias. S\u00e3o agendas pol\u00edticas dos povos com quem compartilhamos hist\u00f3rias de luta e solidariedade historicamente, hoje,\u00a0frente aos resultados fraudados nas elei\u00e7\u00f5es do Equador, e sempre. Como traduzir essas propostas pol\u00edticas e pr\u00e1ticas dos territ\u00f3rios e dos povos, que na regi\u00e3o constroem as verdadeiras solu\u00e7\u00f5es para a justi\u00e7a clim\u00e1tica, para al\u00e9m dos espa\u00e7os capturados pelos interesses corporativos nas Na\u00e7\u00f5es Unidas? A C\u00fapula dos Povos \u00e9 um espa\u00e7o de converg\u00eancia entre movimentos para compartilhar uma an\u00e1lise de longo prazo e construir uma agenda pol\u00edtica comum al\u00e9m da COP30. Ela j\u00e1 est\u00e1 em movimento, da Amaz\u00f4nia ao Pampa, da Am\u00e9rica Latina para o mundo. E \u00e9 preciso navegar num mar de contradi\u00e7\u00f5es de um mundo onde\u00a0os poderes imperiais est\u00e3o em decl\u00ednio e em guerra, assim, a dist\u00e2ncia das vis\u00f5es e propostas populares daquelas das negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas da ONU \u00e9 abismal. Por\u00e9m, frente \u00e0 crise do capitalismo, \u00e9 onde as solu\u00e7\u00f5es dos povos devem ser reconhecidas e potencializadas, trazendo ensinamentos da Amaz\u00f4nia para o mundo. Em 30 anos, as COPs do clima n\u00e3o chegaram a uma decis\u00e3o sobre financiamento clim\u00e1tico \u2013 para al\u00e9m de que seja operado por institui\u00e7\u00f5es financeiras como o Banco Mundial e com empr\u00e9stimos geradores de d\u00edvidas e fundos provenientes de investimentos privados e mercados de carbono. Os povos e a sociedade civil disputam com empresas, cada vez mais especializadas em lucrar com os desastres clim\u00e1ticos, o acesso e a gest\u00e3o local de recursos para o fortalecimento de seus territ\u00f3rios e projetos sociais, de forma leg\u00edtima por\u00e9m desigual, no contexto limitado de participa\u00e7\u00e3o social nas negocia\u00e7\u00f5es. J\u00e1 os movimentos sociais e populares da regi\u00e3o, frente \u00e0 escalada da fome e da viol\u00eancia no Haiti, e da invas\u00e3o militar de tropas no Qu\u00eania financiadas pelos Estados Unidos, demandam a devolu\u00e7\u00e3o de uma d\u00edvida imoral e ileg\u00edtima cobrada pela Fran\u00e7a\u00a0h\u00e1 exatos 200 anos neste 17 de abril de 2025, por ter o povo negro escravizado nessa ilha do Caribe, nomeada em homenagem \u00e0 sua popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena dizimada, ousado ter sido a primeira col\u00f4nia europeia a liberar-se e independizar-se, em 1804. Demandam n\u00e3o apenas repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica aos povos negros e quilombolas, como tamb\u00e9m a efetiva\u00e7\u00e3o do reconhecimento de sua cultura ancestral e a perman\u00eancia nos territ\u00f3rios como tema central no cuidado da biodiversidade e do clima, j\u00e1 tendo consquistado\u00a0importante vit\u00f3ria na 16\u00aa Confer\u00eancia da Biodiversidade em Cali, na Col\u00f4mbia, no ano passado. A COP 30 em Bel\u00e9m deve revisar as tais NDCs, que s\u00e3o as\u00a0Contribui\u00e7\u00f5es Nacionais Determinadas\u00a0por<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":10303,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[603],"tags":[972,112,1145,1644],"class_list":["post-7359","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-brasil-de-fato","tag-america-latina-e-caribe","tag-amazonia","tag-cop30","tag-cupula-dos-povos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7359","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7359"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7359\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10304,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7359\/revisions\/10304"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10303"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7359"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7359"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7359"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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