{"id":6700,"date":"2024-05-08T15:01:43","date_gmt":"2024-05-08T18:01:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=6700"},"modified":"2025-06-12T13:20:29","modified_gmt":"2025-06-12T16:20:29","slug":"inundacao-no-rs-a-emergencia-e-climatica-a-responsabilidade-e-politica-a-solidariedade-a-nossa-forca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=6700","title":{"rendered":"INUNDA\u00c7\u00c3O NO RS: A emerg\u00eancia \u00e9 clim\u00e1tica, a responsabilidade \u00e9 pol\u00edtica. A solidariedade, a nossa for\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Passados apenas oito meses do que se acreditava ter sido a maior trag\u00e9dia clim\u00e1tica do Rio Grande do Sul, no Sul do Brasil, voltamos a vivenciar uma situa\u00e7\u00e3o ainda pior. Chuvas intensas e de altos volumes, que chegaram a mais de 700 mm em algumas localidades, assolaram quase todos munic\u00edpios do estado a partir de 29 de abril, provocando uma cheia sem precedentes. A chuva acumulada entre 22 de abril e a segunda-feira (6) <\/span><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/meio-ambiente\/noticia\/2024\/05\/07\/chuva-em-pontos-do-rs-bate-a-media-prevista-para-cinco-meses-veja-lista-de-cidades-com-maior-acumulado.ghtml\"><span style=\"font-weight: 400;\">chegou a igualar toda a m\u00e9dia de precipita\u00e7\u00e3o prevista para cinco meses<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Arroios e rios alcan\u00e7aram n\u00edveis ainda mais altos do que os eventos de setembro de 2023, houveram deslizamentos de terra, destrui\u00e7\u00e3o de estradas e rodovias, alagamento de cidades, mortes e destrui\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.estado.rs.gov.br\/defesa-civil-atualiza-balanco-das-enchentes-no-rs-8-5-12h\"><span style=\"font-weight: 400;\">Levantamento da Defesa Civil (08\/05)<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> aponta <\/span><b>cem pessoas mortas<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">,<\/span><b>128 desaparecidas<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> e <\/span><b>372 feridas <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">em<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">417 dos 497 munic\u00edpios, <\/span><b>atingindo uma popula\u00e7\u00e3o de mais de 1,4 milh\u00e3o de pessoas<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> em todo o Rio Grande do Sul. Estes n\u00fameros ainda devem aumentar, j\u00e1 que h\u00e1 soterramentos em pontos isolados do interior a serem averiguados e cidades da regi\u00e3o metropolitana alagadas. Muitos animais dom\u00e9sticos e para subsist\u00eancia est\u00e3o mortos. O n\u00famero de refugiados clim\u00e1ticos divulgado hoje foi de mais de 230 mil pessoas, <\/span><b>66,7 <\/b><b>mil em abrigos<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> e <\/span><b>163,7 mil desalojados<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> (pessoas que est\u00e3o nas casas de familiares ou amigos). Ex\u00e9rcito, Bombeiros, Defesa Civil, pol\u00edcias militares e civis do RS e de v\u00e1rios outros estados do pa\u00eds, volunt\u00e1rios individuais e militantes de organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais, est\u00e3o h\u00e1 uma semana resgatando vidas por helic\u00f3ptero, barcos, jetskis e por terra, abrindo estradas mato a dentro. Os preju\u00edzos materiais s\u00e3o bilion\u00e1rios. A reconstru\u00e7\u00e3o das cidades, das economias e das vidas levar\u00e1 muito tempo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estradas que chegam na capital est\u00e3o fechadas. O aeroporto est\u00e1 desativado pelo menos at\u00e9 30 de maio. Mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o de 2 milh\u00f5es de habitantes de Porto Alegre est\u00e1 sem luz e sem \u00e1gua, com dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o e de abastecimento de itens b\u00e1sicos de sobreviv\u00eancia. A \u00e1gua pot\u00e1vel tem sido um dilema cotidiano para toda a popula\u00e7\u00e3o, e est\u00e1 em falta nas prateleiras de muitos supermercados. Regi\u00f5es e munic\u00edpios do interior ga\u00facho seguem isoladas, sem poder receber ajuda.\u00a0 Muitas fam\u00edlias n\u00e3o t\u00eam not\u00edcias uns dos outros.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6706\" aria-describedby=\"caption-attachment-6706\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6706 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-15-1024x682.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-15-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-15-300x200.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-15-768x512.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-15-500x333.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-15-800x533.jpg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-15-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-15-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-15.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6706\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Deriva Jornalismo e Fotografia<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As regi\u00f5es atingidas pelas cheias do ano passado, especialmente <\/span><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2023\/09\/07\/nota-de-solidariedade-e-de-urgencia-pelo-ambiente-e-nossas-vidas\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">os vales dos rios Jacu\u00ed, Taquari e Pardo e a Serra Ga\u00facha<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, sofreram um novo impacto, de maiores propor\u00e7\u00f5es. Cidades que nem haviam se reconstru\u00eddo, entre elas Mu\u00e7um, <\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/12\/03\/rs-missao-de-monitoramento-no-vale-do-taquari-expoe-violacoes-a-familias-atingidas-por-enchentes#:~:text=Na%20Miss%C3%A3o%20de%20Monitoramento%20de,de%20trabalho%20das%20pessoas%20afetadas.\"><span style=\"font-weight: 400;\">Roca Sales, Arroio do Meio, Lajeado<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, Santa Tereza e Estrela, acabaram sendo destru\u00eddas totalmente ou parcialmente, mais uma vez. Munic\u00edpios do litoral Norte, como <\/span><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2023\/07\/06\/emergencia-climatica-e-democracia-um-problema-estrutural\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Maquin\u00e9<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, e nos vales dos rios Paranhana, Ca\u00ed e Sinos, que foram o foco das inunda\u00e7\u00f5es em junho do 2023, voltaram a ter preju\u00edzos, especialmente as cidades da regi\u00e3o metropolitana, a 5\u00aa mais populosa do Brasil, abrigando cerca de 4,3 milh\u00f5es de habitantes. Santa Maria e a Regi\u00e3o Central tamb\u00e9m sofreram fortes impactos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Porto Alegre, vivencia a pior inunda\u00e7\u00e3o de sua hist\u00f3ria. At\u00e9 ent\u00e3o, figurava nos registros e nas lembran\u00e7as dos moradores mais velhos a enchente de 1941, quando o Rio Gua\u00edba atingiu 4,77m e alagou parte do centro e da orla do rio pela cidade. Desta vez, o rio Gua\u00edba, que recebe as \u00e1guas das regi\u00f5es norte e centro do Estado, chegou a 5,30m, retomando o que j\u00e1 foi seu leito e avan\u00e7ando em v\u00e1rios pontos da cidade. Porto Alegre segue sitiada. At\u00e9 mesmo a sede da Amigas da Terra Brasil foi atingida pelas \u00e1guas ap\u00f3s o desligamento de bombas pelo risco de eletrifica\u00e7\u00e3o, o que fez o rio avan\u00e7ar sobre os bairros da Cidade Baixa e da Azenha, onde est\u00e1 localizada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesta primeira semana, todos os esfor\u00e7os conjuntos seguem no sentido de salvar vidas. Presenciamos uma rede de solidariedade poucas vezes vista, envolvendo todo o pa\u00eds nos resgates, nas doa\u00e7\u00f5es de alimentos, roupas, materiais de higiene e de limpeza e dinheiro para ajudar os desabrigados e desalojados, instala\u00e7\u00e3o de abrigos, fornecimento de marmitas de comida. A Amigas da Terra Brasil esteve junto em solidariedade ativa, colaborando na cozinha comunit\u00e1ria do Morro da Cruz com a Marcha Mundial das Mulheres e Periferia Feminista, e na Cozinha Solid\u00e1ria do MTST da Azenha\u00a0 (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), que se uniu a outros movimentos como o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) e MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores), fornecendo at\u00e9 1.800 marmitas de comida por dia para as pessoas afetadas em Porto Alegre e regi\u00e3o metropolitana. Nesse momento de luto pelas vidas perdidas, em meio \u00e0 dor e ao sofrimento, oferecemos nossos cora\u00e7\u00f5es e bra\u00e7os para ajudar quem necessita do b\u00e1sico para se manter vivo.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6704\" aria-describedby=\"caption-attachment-6704\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-6704 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-17-1024x682.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-17-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-17-300x200.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-17-768x512.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-17-500x333.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-17-800x533.jpg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-17-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-17-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-17.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6704\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Deriva Jornalismo e Fotografia<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No impacto desta trag\u00e9dia, rememoramos aquilo que defendemos h\u00e1 tempo, que tamb\u00e9m s\u00e3o pautas hist\u00f3ricas de tantos territ\u00f3rios de vida em luta.<\/span><a href=\"https:\/\/apiboficial.org\/2023\/04\/26\/povos-indigenas-decretam-emergencia-climatica-no-atl-2023-em-brasilia\/#:~:text=O%20decreto%20de%20emerg%C3%AAncia%20clim%C3%A1tica,no%20combate%20%C3%A0%20crise%20clim%C3%A1tica.\"><span style=\"font-weight: 400;\"> Aquilo que os povos ind\u00edgenas do Brasil vem alertando constantemente, e que marcou presen\u00e7a no Acampamento Terra Livre (ATL) mais uma vez neste ano<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">: <\/span><b>precisamos enfrentar a crise clim\u00e1tica<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Essa \u00e9 uma emerg\u00eancia. E esse enfrentamento n\u00e3o vir\u00e1 com novas tecnologias de mercado, tampouco com a caridade de donos de transnacionais e suas campanhas de marketing sobre sustentabilidade, que maquiam pr\u00e1ticas que s\u00e3o a continuidade de um projeto colonial, racista, machista, lgbtqif\u00f3bico, destruidor da natureza e da coletividade. A emerg\u00eancia clim\u00e1tica \u00e9 uma realidade imposta sobre as desigualdades estruturais e sist\u00eamicas: as injusti\u00e7as ambientais recaem sobre os menos respons\u00e1veis historicamente pelo problema, que s\u00e3o os mais desamparados para lidar com as consequ\u00eancias. Esta emerg\u00eancia, t\u00e3o real, \u00e9 o contexto na qual vivemos. E por mais dura que possa ser, ainda h\u00e1 muita vida para lutarmos por. A\u00ed que habita o sentido de estarmos aqui. \u00c9 poss\u00edvel puxar o freio de m\u00e3o de l\u00f3gicas nefastas que avan\u00e7am sobre a terra, reduzir drasticamente os impactos e aumentar a capacidade de reconstru\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es como a que vivenciamos no momento. Isso passa pela pol\u00edtica.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6707\" aria-describedby=\"caption-attachment-6707\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-6707 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-24-1024x682.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-24-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-24-300x200.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-24-768x512.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-24-500x333.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-24-800x533.jpg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-24-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-24.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6707\" class=\"wp-caption-text\">Cozinha Solid\u00e1ria da Azenha, em Porto Alegre, produz at\u00e9 1800 marmitas por dia para afetados, em solidariedade com movimentos como Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Periferia Feminista e Amigas da Terra Brasil. Cr\u00e9dito: Deriva Jornalismo e Fotografia<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A come\u00e7ar por puxar o freio do agroneg\u00f3cio, especialmente quando no Brasil a altera\u00e7\u00e3o do uso do solo \u00e9 o principal fator emissor de di\u00f3xido de carbono na atmosfera, g\u00e1s que mais tem impacto no aquecimento global. E quando <\/span><a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/meio-ambiente\/2021\/12\/entidades-entregam-premio-amigo-dos-agrotoxicos-a-eduardo-leite\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">no RS pol\u00edticas do governo do estado incentivam a pr\u00e1tica e a libera\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, muitos n\u00e3o permitidos em seus pa\u00edses de origem, o que gera uma s\u00e9rie de viol\u00eancias e conflitos no campo, al\u00e9m de dificultar e at\u00e9 mesmo desincentivar a agricultura familiar e a agroecologia, que trazem respostas reais \u00e0s crises deste s\u00e9culo. Al\u00e9m disso, o agroneg\u00f3cio nos mant\u00e9m em uma rela\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social de depend\u00eancia dos pa\u00edses do norte-global, centro do capitalismo, o que gera ainda mais desigualdade e devasta\u00e7\u00e3o da natureza, tornando bairros, cidades inteiras, zonas de sacrif\u00edcio. Quando a boiada avan\u00e7a, precisamos reafirmar a que ela veio e que \u00e9 na luta por soberania popular e pelos territ\u00f3rios preservados que est\u00e1 a resposta para outros caminhos, socialmente justos, ecologicamente equilibrados.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A ofensiva da minera\u00e7\u00e3o no estado ga\u00facho \u00e9 outro fator que nos traz at\u00e9 o cen\u00e1rio que vivemos. A maior parte do carv\u00e3o dispon\u00edvel no pa\u00eds est\u00e1 concentrada no estado ga\u00facho, cerca de 90%, e sua extra\u00e7\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a frente \u00e0 crise clim\u00e1tica, podendo potencializ\u00e1-la. <\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/01\/10\/o-uso-do-carvao-e-um-obstaculo-para-a-transicao-energetica-brasileira\"><span style=\"font-weight: 400;\">O projeto Mina Gua\u00edba, por exemplo, previa a opera\u00e7\u00e3o da maior mina de extra\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o a c\u00e9u aberto do Brasil,<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> entre as cidades de Eldorado do Sul e Charqueadas (RS), a 16 km da capital Porto Alegre. O projeto, que atingiria territ\u00f3rio ind\u00edgena dos Mbya Guarani, n\u00e3o tendo realizado a consulta \u00e0s comunidades para obten\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a pr\u00e9via, estaria hoje debaixo d&#8217;\u00e1gua, gerando drenagem \u00e1cida e contaminando as \u00e1guas doces que temos. Felizmente, a mobiliza\u00e7\u00e3o popular e as den\u00fancias das falhas e omiss\u00f5es dos estudos da empresa COPELMI, acarretaram em seu arquivamento. A mina Gua\u00edba tamb\u00e9m afetaria assentamentos da reforma agr\u00e1ria, o Parque Estadual Delta do Jacu\u00ed e munic\u00edpios do entorno atingidos em cheio pelas cheias, al\u00e9m do bioma Pampa, que armazena uma das maiores reservas de \u00e1gua pot\u00e1vel do mundo, o Aqu\u00edfero Guarani.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Agora, <\/span><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2024-05\/rio-grande-do-sul-tem-seis-barragens-com-risco-iminente-de-ruptura#:~:text=O%20governo%20do%20Rio%20Grande,subiu%20para%20seis%20no%20estado.\"><span style=\"font-weight: 400;\">seis barragens conectadas a processos miner\u00e1rios correm o risco de se romperem e afetarem mais pessoas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Mais uma prova de como atua a minera\u00e7\u00e3o nos territ\u00f3rios, situa\u00e7\u00e3o escancarada nas enchentes. Al\u00e9m disso, como menciona em nota o Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), evidenciando o rompimento parcial da <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">barragem da Usina Hidrel\u00e9trica (UHE) 14 de Julho, localizada na bacia do Rio Taquari-Antas, em Cotipor\u00e3 (RS), <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/mab.org.br\/2024\/05\/03\/nota-crise-climatica-aumenta-os-casos-de-rompimento-de-barragens\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">a emerg\u00eancia clim\u00e1tica aumenta o risco de rompimento das barragens<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Assim como, em uma realidade de eventos extremos da crise clim\u00e1tica, <\/span><a href=\"https:\/\/mab.org.br\/2024\/05\/03\/hidreletrica-14-de-julho-se-rompe-no-rio-grande-do-sul\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">nenhuma barragem \u00e9 segura<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As pol\u00edticas adotadas nos \u00faltimos anos no RS flexibilizam licenciamentos e garantem o avan\u00e7o do extrativismo sobre as vidas, e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o carv\u00e3o. Cidades como S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte, pr\u00f3ximas \u00e0 <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/C6tiwXpLmmI\/?igsh=MTE1cWtza2U1dHllOA==\"><span style=\"font-weight: 400;\">Lagoa dos Patos, vivem neste instante estado de alerta devido \u00e0s \u00e1guas que correm de todo RS em sua dire\u00e7\u00e3o, para desembocarem no mar<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Comunidades tradicionais, que vivem da pesca e da agricultura familiar est\u00e3o sob evacua\u00e7\u00e3o. E j\u00e1 vivem, cotidianamente, na <\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/04\/23\/projeto-retiro-extracao-de-titanio-e-outros-minerais-ameaca-territorios-de-vida-em-sao-jose-do-norte-rs\"><span style=\"font-weight: 400;\">resist\u00eancia a um empreendimento miner\u00e1rio chamado Projeto Retiro, que prev\u00ea a extra\u00e7\u00e3o de tit\u00e2nio e outros minerais colocando em risco justamente as \u00e1guas, assim como os modos de vida de comunidades pesqueiras, tradicionais, da agricultura familiar e o Quilombo Vila Nova.\u00a0<\/span><\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_6705\" aria-describedby=\"caption-attachment-6705\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6705 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-14-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-14-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-14-300x200.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-14-768x512.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-14-500x333.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-14-800x533.jpg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-14-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-14-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-14.jpg 1554w\" sizes=\"(max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6705\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Deriva Jornalismo e Fotografia<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Defendemos que uma das grandes solu\u00e7\u00f5es para evitar cat\u00e1strofes sob emerg\u00eancia clim\u00e1tica <\/span><a href=\"https:\/\/bit.ly\/4aJ67jU\"><span style=\"font-weight: 400;\">s\u00e3o os povos nos territ\u00f3rios<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Essa solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 na demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas, na titula\u00e7\u00e3o de comunidades quilombolas. Est\u00e1 na reforma agr\u00e1ria, na reestrutura\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria nas cidades e na luta por moradia, contra a propriedade privada &#8211; \u00e9 premissa a cess\u00e3o de im\u00f3veis para que as gentes tenham onde habitar, especialmente quando h\u00e1 um n\u00famero desproporcional destes desocupados, sem uso social, e muita gente sem ter onde morar, situa\u00e7\u00e3o que se agrava com refugiados clim\u00e1ticos.\u00a0 A expropria\u00e7\u00e3o de terras e de propriedades que servem a l\u00f3gica da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria \u00e9 imperativo.\u00a0 A resposta tamb\u00e9m reside no investimento p\u00fablico permanente a partir de pol\u00edticas constru\u00eddas junto aos territ\u00f3rios, com participa\u00e7\u00e3o popular.\u00a0 Com o direito garantido aos povos e comunidades tradicionais de serem e existirem, preservando os seus modos de vida que, comprovadamente, s\u00e3o os que menos causam impactos socioambientais no planeta. Vir\u00e1 com o fim das pol\u00edticas de austeridade, com a revers\u00e3o do processo de aprofundamento neoliberal, que na pr\u00e1tica privatiza os bens comuns como \u00e1gua e energia para que o poder corporativo e grandes empres\u00e1rios ampliem suas margens de lucro. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 nessas privatiza\u00e7\u00f5es que vemos que quando o imperativo \u00e9 o lucro (e n\u00e3o o interesse p\u00fablico do servi\u00e7o prestado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o), esta \u00e9 deixada \u00e0 merc\u00ea da pr\u00f3pria sorte, podendo passar at\u00e9<\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/01\/22\/quase-uma-semana-apos-o-evento-meteorologico-ainda-ha-mais-de-20-mil-pontos-sem-luz-no-estado\"><span style=\"font-weight: 400;\"> uma semana sem luz, como ocorreu em Porto Alegre em janeiro deste ano<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Desta vez, 70% de sua popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 sem energia e sem \u00e1gua. E aqui, salientamos as<\/span><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/tag\/privatizacao-da-ceee\/\"><span style=\"font-weight: 400;\"> privatiza\u00e7\u00f5es da CEEE<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e <\/span><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=oAlTJMsRA1E\"><span style=\"font-weight: 400;\">da Corsan<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, o desmonte das fun\u00e7\u00f5es estatais de planejamento e <\/span><a href=\"https:\/\/youtu.be\/4LhS6GZbm_M?si=iM0FwsPwUqNCC6G7\"><span style=\"font-weight: 400;\">o sucateamento do DMAE<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, a n\u00edvel de gest\u00e3o municipal, como processos que nos trouxeram at\u00e9 o colapso vivenciado. No caso de cidades como Porto Alegre, havia um sistema de defesa contra enchentes que falhou por falta de manuten\u00e7\u00e3o, mantido por v\u00e1rias gest\u00f5es e detonado a partir da gest\u00e3o do ex-prefeito da capital, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Nelson <\/span><b>Marchezan<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> J\u00fanior (PSDB)<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> e pelo atual prefeito, Sebasti\u00e3o Melo (MDB).\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6708\" aria-describedby=\"caption-attachment-6708\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6708 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-5-1024x682.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-5-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-5-300x200.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-5-768x512.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-5-500x333.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-5-800x533.jpg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-5-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/alas-5.jpg 1445w\" sizes=\"(max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6708\" class=\"wp-caption-text\">Usina do Gas\u00f4metro, em Porto Alegre, virou ponto por onde chegam resgatados das ilhas da capital, que ficaram submersas, assim como de outras localidades do estado. Cr\u00e9dito: Deriva Jornalismo e Fotografia<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As constantes trag\u00e9dias que assolam o Rio Grande do Sul mostram que munic\u00edpios n\u00e3o est\u00e3o preparados para enfrentar os eventos extremos do clima. Prefeitos ainda demoraram para alertar a popula\u00e7\u00e3o sobre os impactos das fortes chuvas previstas pelos institutos de meteorologia e pela Defesa Civil. Parte dos sistemas de conten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, diques e barragens de \u00e1gua extravasaram, obrigando a popula\u00e7\u00e3o a ser evacuada. A maior parte dos alagamentos ocorreram em locais que j\u00e1 sofrem historicamente com problemas de drenagem que n\u00e3o s\u00e3o resolvidos. A grande maioria das pessoas afetadas s\u00e3o empobrecidas e trabalhadoras, que moram nas \u00e1reas de v\u00e1rzeas, beiras dos rios e c\u00f3rregos, ou em encostas de morros, desvalidas de pol\u00edticas concretas quanto a direitos b\u00e1sicos, como acesso a \u00e1gua, habita\u00e7\u00e3o popular para que efetivem a sa\u00edda das \u00e1reas consideradas de risco para uma vida mais digna.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo sendo a 4\u00aa e a pior trag\u00e9dia clim\u00e1tica de grandes propor\u00e7\u00f5es que o Rio Grande do Sul enfrenta em menos de dois anos, ainda h\u00e1 governos municipais e parlamentares negacionistas, que ignoram os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Tamb\u00e9m h\u00e1 regi\u00f5es afetadas que n\u00e3o se recuperaram de outras enchentes, como \u00e9 o caso do Vale do Taquari, que al\u00e9m de uma s\u00e9rie de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, contam com in\u00fameros relatos de moradores sobre verbas advindas do Governo Federal terem sido repassadas, sem a implementa\u00e7\u00e3o por parte das prefeituras.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pesquisas cient\u00edficas evidenciam que o desmatamento, inclusive na Amaz\u00f4nia, impacta diretamente na eleva\u00e7\u00e3o das temperaturas e, por consequ\u00eancia, no aumento da incid\u00eancia das chuvas e eventos extremos no Brasil e no planeta. No RS, a <\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/05\/04\/no-ritmo-em-que-esta-a-destruicao-o-pampa-vai-acabar-avisa-pesquisador#:~:text=Brasil%20de%20Fato%20RS%20%2D%20O,silvicultura%20est%C3%A1%20acontecendo%2C%20vai%20acabar\"><span style=\"font-weight: 400;\">devasta\u00e7\u00e3o do bioma Pampa <\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">e da Mata Atl\u00e2ntica para dar espa\u00e7o ao agroneg\u00f3cio e sua sede voraz por terra tamb\u00e9m desemboca nas fortes enchentes que vivenciamos, assim como nos prolongados per\u00edodos de estiagem.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6709\" aria-describedby=\"caption-attachment-6709\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6709 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/carol-c-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"700\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6709\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Carolina C. | Amigas da Terra Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O governo do RS e a prefeitura de Porto Alegre, embora digam estar preocupados com a emerg\u00eancia clim\u00e1tica, n\u00e3o o demonstram em a\u00e7\u00f5es concretas. E suas pr\u00e1ticas v\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o de uma intensifica\u00e7\u00e3o das cat\u00e1strofes. O or\u00e7amento estadual proposto para este ano pelo governador Eduardo Leite (PSDB) previa apenas R$ 115 milh\u00f5es para enfrentar os eventos clim\u00e1ticos em 2024 em todo o RS, incluindo investimentos na Defesa Civil estadual.\u00a0 Tanto a gest\u00e3o de Leite quanto a de Melo t\u00eam atuado no desmonte e na \u201cflexibiliza\u00e7\u00e3o\u201d da legisla\u00e7\u00e3o ambiental. Isto para beneficiar setores imobili\u00e1rios de alta classe, as grandes empresas, o agroneg\u00f3cio e atividades econ\u00f4micas destrutivas, como a minera\u00e7\u00e3o. O que provoca mais desmatamento, devasta\u00e7\u00e3o de biomas naturais, contamina\u00e7\u00e3o de recursos de \u00e1gua e ocupa\u00e7\u00e3o de \u00e1reas livres e \u00e0s margens de rios, como a do pr\u00f3prio Gua\u00edba. Em mar\u00e7o deste ano, a Assembleia ga\u00facha aprovou <\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/03\/14\/assembleia-gaucha-aprova-projeto-ilegal-que-libera-construcao-de-barragens-e-acudes-em-apps\"><span style=\"font-weight: 400;\">projeto de autoria do deputado Delegado Zucco (Republicanos), que altera o C\u00f3digo Estadual de Meio Ambiente e flexibiliza regras em \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APP)<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, liberando a constru\u00e7\u00e3o de barragens e a\u00e7udes nestas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No caso de Porto Alegre, a prefeitura lan\u00e7a alertas de evacua\u00e7\u00e3o sem orientar como ser\u00e1 feita. \u00c0s pressas, improvisa abrigos em \u00e1reas de risco de alagamento, fazendo com que refugiados clim\u00e1ticos que perderam as casas tenham que migrar outra vez sem seguran\u00e7a alguma de futuro. N\u00e3o h\u00e1, sequer, pol\u00edtica considerando os trabalhadores e sua locomo\u00e7\u00e3o pela cidade via transporte p\u00fablico, o que poderia ser garantido com passe livre e salvar vidas. Extremamente elitista, a recomenda\u00e7\u00e3o do prefeito e Melo \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o, ou parte dela a quem se dirige, pegue Uber, ou v\u00e1 para suas casas de praia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A n\u00edvel de governo de Estado, destacamos a responsabilidade de Leite ao <\/span><a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/meio-ambiente\/2024\/05\/tragedia-historica-expoe-o-quanto-governo-leite-ignora-alertas-e-atropela-politica-ambiental\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">desfigurar o C\u00f3digo Estadual do Meio Ambiente, ignorando alertas da sociedade civil ao Estado do RS e seu governo sobre as responsabilidades frente \u00e0 emerg\u00eancia clim\u00e1tica<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. E enquanto os ga\u00fachos sofrem com a maior trag\u00e9dia socioambiental da sua hist\u00f3ria, tramita no Senado um projeto de lei (<\/span><a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/materias\/2024\/04\/08\/ccj-pode-votar-projeto-que-reduz-reserva-legal-em-imoveis-rurais-da-amazonia\"><span style=\"font-weight: 400;\">PL 4.015\/2023<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">) que faz mais mudan\u00e7as no C\u00f3digo Florestal, permitindo que propriedades rurais em cidades da Amaz\u00f4nia Legal que tenham a maioria de seu territ\u00f3rio ocupada por unidades de conserva\u00e7\u00e3o ou terras ind\u00edgenas possam reduzir a reserva legal de 80% para 50%. A natureza n\u00e3o tem fronteiras, o que impacta um local, impacta todos.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6712\" aria-describedby=\"caption-attachment-6712\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6712 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/1715199328228-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"700\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6712\" class=\"wp-caption-text\">Bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, foi tomado pelas \u00e1guas no dia 05 de maio. Cr\u00e9dito: Carolina C. | ATBr<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_6711\" aria-describedby=\"caption-attachment-6711\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6711 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/1715199328178-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"700\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6711\" class=\"wp-caption-text\">Bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, foi tomado pelas \u00e1guas. Cr\u00e9dito: Carolina C. | ATBr<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pela 1\u00aa vez, vivenciamos refugiados clim\u00e1ticos em massa vagando em meio a \u00e1gua nas cidades do Rio Grande do Sul, vagando sem rumo por ruas e rodovias com os poucos pertences e animais que puderam carregar, esperando dias em cima de telhados por resgate, ficando amontoadas por dias em abrigos porque perderam suas casas, ou sem poder sair de suas casas para se abastecer de \u00e1gua e alimentos e com medo de saques e viol\u00eancias que aumentam diante do caos. O que gostar\u00edamos de evitar para a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o, vivenciamos hoje, aqui e agora.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A <\/span><b>solidariedade \u00e9 premissa. <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Uma solidariedade de classe. N\u00e3o a S.A, das corpora\u00e7\u00f5es no seu lavado de responsabilidade social corporativa. Quem mais est\u00e1 sofrendo nesse momento s\u00e3o as pessoas que est\u00e3o \u00e0 margem do sistema, que n\u00e3o conseguem garantir uma dignidade de vida no dia a dia. Que hoje, mais do que nunca, est\u00e3o mais precarizadas, sofrendo com um processo de empobrecimento, nega\u00e7\u00e3o de direitos e impossibilidade de sustenta\u00e7\u00e3o da vida<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">Se essas fam\u00edlias j\u00e1 eram consideradas empobrecidas, elas v\u00e3o ficar mais empobrecidas. Elas v\u00e3o perder pessoas da fam\u00edlia que garantem o cotidiano, em geral sobrecarregando mais ainda as mulheres, a popula\u00e7\u00e3o preta e perif\u00e9rica no trabalho n\u00e3o remunerado de cuidados. A capacidade dessas fam\u00edlias de se sustentar, de se organizar, vai ser reduzida. Primeiro por perderem pessoas, depois por perderem moradias, por perder trabalho, condi\u00e7\u00f5es de vida e pelos traumas, que s\u00e3o certos. Todo mundo que passa por uma situa\u00e7\u00e3o dessas se depara com um trauma imenso, isso \u00e9 inevit\u00e1vel.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diante dos desmontes do estado nos diversos n\u00edveis e da destrui\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e da capacidade de gest\u00e3o e planejamento no interesse p\u00fablico, <\/span><b>emerge a for\u00e7a da unidade<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Da diversidade de modos de fazer e se organizar dos movimentos populares do campo e da cidade, conectando os territ\u00f3rios de vida, muitas vezes aqueles tamb\u00e9m amea\u00e7ados e sacrificados pelo sistema que d\u00e1 origem \u00e0 emerg\u00eancia clim\u00e1tica. Essa solidariedade de classe, real e radical, seguir\u00e1 em marcha. Reconstruindo e mobilizando o poder popular para retomar o lugar do povo trabalhador na pol\u00edtica, enfrentar o clima (que j\u00e1 mudou), e mudar o sistema.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Amigas da Terra Brasil, 8 de maio de 2024.<\/b><\/p>\n<p>* Vers\u00e3o da nota em ESPANHOL: <a href=\"https:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2024\/05\/12\/llamamiento-internacional-a-la-solidaridad-ante-las-inundaciones-en-rio-grande-do-sul-rs-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em><strong>https:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2024\/05\/12\/llamamiento-internacional-a-la-solidaridad-ante-las-inundaciones-en-rio-grande-do-sul-rs-brasil\/<\/strong><\/em><\/a><\/p>\n<p>* Vers\u00e3o da nota em INGL\u00caS: <a href=\"https:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2024\/05\/12\/international-call-for-solidarity-in-the-face-of-flooding-in-rio-grande-do-sul-rs-brazil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em><strong>https:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2024\/05\/12\/international-call-for-solidarity-in-the-face-of-flooding-in-rio-grande-do-sul-rs-brazil\/<\/strong><\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passados apenas oito meses do que se acreditava ter sido a maior trag\u00e9dia clim\u00e1tica do Rio Grande do Sul, no Sul do Brasil, voltamos a vivenciar uma situa\u00e7\u00e3o ainda pior. Chuvas intensas e de altos volumes, que chegaram a mais de 700 mm em algumas localidades, assolaram quase todos munic\u00edpios do estado a partir de 29 de abril, provocando uma cheia sem precedentes. A chuva acumulada entre 22 de abril e a segunda-feira (6) chegou a igualar toda a m\u00e9dia de precipita\u00e7\u00e3o prevista para cinco meses. Arroios e rios alcan\u00e7aram n\u00edveis ainda mais altos do que os eventos de setembro de 2023, houveram deslizamentos de terra, destrui\u00e7\u00e3o de estradas e rodovias, alagamento de cidades, mortes e destrui\u00e7\u00e3o. Levantamento da Defesa Civil (08\/05) aponta cem pessoas mortas,128 desaparecidas e 372 feridas em 417 dos 497 munic\u00edpios, atingindo uma popula\u00e7\u00e3o de mais de 1,4 milh\u00e3o de pessoas em todo o Rio Grande do Sul. Estes n\u00fameros ainda devem aumentar, j\u00e1 que h\u00e1 soterramentos em pontos isolados do interior a serem averiguados e cidades da regi\u00e3o metropolitana alagadas. Muitos animais dom\u00e9sticos e para subsist\u00eancia est\u00e3o mortos. O n\u00famero de refugiados clim\u00e1ticos divulgado hoje foi de mais de 230 mil pessoas, 66,7 mil em abrigos e 163,7 mil desalojados (pessoas que est\u00e3o nas casas de familiares ou amigos). Ex\u00e9rcito, Bombeiros, Defesa Civil, pol\u00edcias militares e civis do RS e de v\u00e1rios outros estados do pa\u00eds, volunt\u00e1rios individuais e militantes de organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais, est\u00e3o h\u00e1 uma semana resgatando vidas por helic\u00f3ptero, barcos, jetskis e por terra, abrindo estradas mato a dentro. Os preju\u00edzos materiais s\u00e3o bilion\u00e1rios. A reconstru\u00e7\u00e3o das cidades, das economias e das vidas levar\u00e1 muito tempo. Estradas que chegam na capital est\u00e3o fechadas. O aeroporto est\u00e1 desativado pelo menos at\u00e9 30 de maio. Mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o de 2 milh\u00f5es de habitantes de Porto Alegre est\u00e1 sem luz e sem \u00e1gua, com dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o e de abastecimento de itens b\u00e1sicos de sobreviv\u00eancia. A \u00e1gua pot\u00e1vel tem sido um dilema cotidiano para toda a popula\u00e7\u00e3o, e est\u00e1 em falta nas prateleiras de muitos supermercados. Regi\u00f5es e munic\u00edpios do interior ga\u00facho seguem isoladas, sem poder receber ajuda.\u00a0 Muitas fam\u00edlias n\u00e3o t\u00eam not\u00edcias uns dos outros.\u00a0 As regi\u00f5es atingidas pelas cheias do ano passado, especialmente os vales dos rios Jacu\u00ed, Taquari e Pardo e a Serra Ga\u00facha, sofreram um novo impacto, de maiores propor\u00e7\u00f5es. Cidades que nem haviam se reconstru\u00eddo, entre elas Mu\u00e7um, Roca Sales, Arroio do Meio, Lajeado, Santa Tereza e Estrela, acabaram sendo destru\u00eddas totalmente ou parcialmente, mais uma vez. Munic\u00edpios do litoral Norte, como Maquin\u00e9, e nos vales dos rios Paranhana, Ca\u00ed e Sinos, que foram o foco das inunda\u00e7\u00f5es em junho do 2023, voltaram a ter preju\u00edzos, especialmente as cidades da regi\u00e3o metropolitana, a 5\u00aa mais populosa do Brasil, abrigando cerca de 4,3 milh\u00f5es de habitantes. Santa Maria e a Regi\u00e3o Central tamb\u00e9m sofreram fortes impactos.\u00a0 Porto Alegre, vivencia a pior inunda\u00e7\u00e3o de sua hist\u00f3ria. At\u00e9 ent\u00e3o, figurava nos registros e nas lembran\u00e7as dos moradores mais velhos a enchente de 1941, quando o Rio Gua\u00edba atingiu 4,77m e alagou parte do centro e da orla do rio pela cidade. Desta vez, o rio Gua\u00edba, que recebe as \u00e1guas das regi\u00f5es norte e centro do Estado, chegou a 5,30m, retomando o que j\u00e1 foi seu leito e avan\u00e7ando em v\u00e1rios pontos da cidade. Porto Alegre segue sitiada. At\u00e9 mesmo a sede da Amigas da Terra Brasil foi atingida pelas \u00e1guas ap\u00f3s o desligamento de bombas pelo risco de eletrifica\u00e7\u00e3o, o que fez o rio avan\u00e7ar sobre os bairros da Cidade Baixa e da Azenha, onde est\u00e1 localizada. Nesta primeira semana, todos os esfor\u00e7os conjuntos seguem no sentido de salvar vidas. Presenciamos uma rede de solidariedade poucas vezes vista, envolvendo todo o pa\u00eds nos resgates, nas doa\u00e7\u00f5es de alimentos, roupas, materiais de higiene e de limpeza e dinheiro para ajudar os desabrigados e desalojados, instala\u00e7\u00e3o de abrigos, fornecimento de marmitas de comida. A Amigas da Terra Brasil esteve junto em solidariedade ativa, colaborando na cozinha comunit\u00e1ria do Morro da Cruz com a Marcha Mundial das Mulheres e Periferia Feminista, e na Cozinha Solid\u00e1ria do MTST da Azenha\u00a0 (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), que se uniu a outros movimentos como o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) e MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores), fornecendo at\u00e9 1.800 marmitas de comida por dia para as pessoas afetadas em Porto Alegre e regi\u00e3o metropolitana. Nesse momento de luto pelas vidas perdidas, em meio \u00e0 dor e ao sofrimento, oferecemos nossos cora\u00e7\u00f5es e bra\u00e7os para ajudar quem necessita do b\u00e1sico para se manter vivo. No impacto desta trag\u00e9dia, rememoramos aquilo que defendemos h\u00e1 tempo, que tamb\u00e9m s\u00e3o pautas hist\u00f3ricas de tantos territ\u00f3rios de vida em luta. Aquilo que os povos ind\u00edgenas do Brasil vem alertando constantemente, e que marcou presen\u00e7a no Acampamento Terra Livre (ATL) mais uma vez neste ano: precisamos enfrentar a crise clim\u00e1tica. Essa \u00e9 uma emerg\u00eancia. E esse enfrentamento n\u00e3o vir\u00e1 com novas tecnologias de mercado, tampouco com a caridade de donos de transnacionais e suas campanhas de marketing sobre sustentabilidade, que maquiam pr\u00e1ticas que s\u00e3o a continuidade de um projeto colonial, racista, machista, lgbtqif\u00f3bico, destruidor da natureza e da coletividade. A emerg\u00eancia clim\u00e1tica \u00e9 uma realidade imposta sobre as desigualdades estruturais e sist\u00eamicas: as injusti\u00e7as ambientais recaem sobre os menos respons\u00e1veis historicamente pelo problema, que s\u00e3o os mais desamparados para lidar com as consequ\u00eancias. Esta emerg\u00eancia, t\u00e3o real, \u00e9 o contexto na qual vivemos. E por mais dura que possa ser, ainda h\u00e1 muita vida para lutarmos por. A\u00ed que habita o sentido de estarmos aqui. \u00c9 poss\u00edvel puxar o freio de m\u00e3o de l\u00f3gicas nefastas que avan\u00e7am sobre a terra, reduzir drasticamente os impactos e aumentar a capacidade de reconstru\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es como a que vivenciamos no momento. Isso passa pela pol\u00edtica.\u00a0 A come\u00e7ar por puxar o freio do agroneg\u00f3cio, especialmente quando no Brasil a altera\u00e7\u00e3o do uso do solo \u00e9 o principal fator emissor de di\u00f3xido de carbono na atmosfera, g\u00e1s que mais tem impacto no aquecimento global.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":6704,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,1,1843,1835,1840],"tags":[],"class_list":["post-6700","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-justica-climatica-e-energetica","category-enchente","category-notas-de-solidariedade","category-saeb","category-si"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6700","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6700"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6700\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9445,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6700\/revisions\/9445"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6704"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6700"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6700"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6700"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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