{"id":6652,"date":"2024-03-01T11:58:49","date_gmt":"2024-03-01T14:58:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=6652"},"modified":"2025-06-12T13:25:45","modified_gmt":"2025-06-12T16:25:45","slug":"integracao-dos-povos-para-enfrentar-crises-sistemicas-e-transformar-a-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=6652","title":{"rendered":"Integra\u00e7\u00e3o dos povos para enfrentar crises sist\u00eamicas e transformar a sociedade"},"content":{"rendered":"<h5>Karin Nansen, da REDES \u2013 Amigos da Terra Uruguai, denuncia as crises do capitalismo e compartilha estrat\u00e9gias de luta internacionalista<\/h5>\n<figure id=\"attachment_6653\" aria-describedby=\"caption-attachment-6653\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6653 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/at-el-salvador-1024x425.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"218\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6653\" class=\"wp-caption-text\">Friends of the Earth El Salvador, 2019<\/p>\n<p><\/figcaption><\/figure>\n<p>A gravidade das crises socioambientais sist\u00eamicas \u2013 as crises do clima, da biodiversidade, da \u00e1gua, da fome, das desigualdades, dos cuidados \u2013 exige de n\u00f3s uma articula\u00e7\u00e3o muito mais profunda de lutas, processos de resist\u00eancia e projetos pol\u00edticos que v\u00e3o sendo criados a partir dos movimentos populares do continente e do mundo.<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel enfrentar crises a partir das fronteiras nacionais, ou apenas a n\u00edvel territorial e local. Na origem das crises, identificamos um sistema de acumula\u00e7\u00e3o capitalista, patriarcal, racista, colonialista e imperialista, que foi historicamente constru\u00eddo com base na escravid\u00e3o, no genoc\u00eddio, na destrui\u00e7\u00e3o de continentes e na subjuga\u00e7\u00e3o dos nossos povos. \u00c9 um sistema de acumula\u00e7\u00e3o que se expande continuamente a n\u00edvel local, incorporando novos territ\u00f3rios, mas tamb\u00e9m novas esferas de vida em sociedade. Enfrentar esse sistema exige um olhar que vai al\u00e9m do local ou nacional e que tenha uma perspectiva regional e internacionalista.<\/p>\n<p>As empresas transnacionais s\u00e3o atores centrais nesse processo de acumula\u00e7\u00e3o e precariza\u00e7\u00e3o da vida e do trabalho. Elas s\u00e3o protagonistas do processo de destrui\u00e7\u00e3o e desapropria\u00e7\u00e3o de terras, florestas e \u00e1guas. Sua atua\u00e7\u00e3o vai muito al\u00e9m das fronteiras nacionais. Elas t\u00eam muito mais poder que os Estados nacionais e imp\u00f5em constantemente os seus projetos, normas e l\u00f3gicas, sobretudo em um continente como o nosso, que historicamente teve uma inser\u00e7\u00e3o altamente dependente no sistema capitalista e na economia globalizada neoliberal.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, o processo de acumula\u00e7\u00e3o liderado pelas poderosas empresas transnacionais e grupos econ\u00f4micos nacionais se baseia na extra\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas e na explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra. E essa explora\u00e7\u00e3o se estende aos nossos territ\u00f3rios, nossos povos, corpos e ao trabalho das mulheres, sobretudo das mulheres racializadas. O poder e a impunidade das transnacionais s\u00e3o fortalecidos com novas normas, presentes em acordos de livre com\u00e9rcio e tratados bilaterais de investimentos, entre outros instrumentos neoliberais. Inclusive, as transnacionais t\u00eam o poder de entrar com a\u00e7\u00f5es judiciais contra Estados quando consideram que uma pol\u00edtica p\u00fablica n\u00e3o as favorece. Se considerarem que uma pol\u00edtica p\u00fablica que favorece o bem comum \u00e9 prejudicial aos seus lucros, apresentam uma a\u00e7\u00e3o perante tribunais internacionais de arbitragem, como o Centro Internacional para a Arbitragem de Disputas sobre Investimentos (ICSID), que funciona sob a \u00e9gide do Banco Mundial. Em geral, os tribunais de arbitragem decidem a favor das transnacionais, atacando a capacidade soberana dos Estados para decidir sobre as pol\u00edticas p\u00fablicas mais adequadas.<\/p>\n<p><em><strong>&#8220;Essa constante viola\u00e7\u00e3o de direitos, esse constante ataque \u00e0 vida que continua impune n\u00e3o pode ser enfrentado apenas localmente.&#8221;<br \/>\n<\/strong><\/em><br \/>\nNo feminismo popular, aprendemos com as lutas de resist\u00eancia do nosso continente e compreendemos a necessidade urgente da integra\u00e7\u00e3o dos povos, construindo a unidade na diversidade para desmantelar a impunidade corporativa, a destrui\u00e7\u00e3o territorial e os ataques cont\u00ednuos aos nossos direitos e para consolidar os nossos projetos pol\u00edticos emancipat\u00f3rios. S\u00e3o as mulheres ind\u00edgenas, camponesas, quilombolas, trabalhadoras, das classes populares as mais afetadas por esses processos de destrui\u00e7\u00e3o e ataques cont\u00ednuos. S\u00e3o, ainda, aquelas que realmente lideram as lutas e tamb\u00e9m resistem a essa ofensiva. As mulheres populares desempenham um papel central como sujeitos pol\u00edticos na defesa territorial e na defesa de projetos pol\u00edticos coletivos. S\u00e3o elas que, repetidamente, se organizam e se mobilizam para enfrentar o projeto de acumula\u00e7\u00e3o das empresas.<\/p>\n<p>Aprendemos com as companheiras da Marcha Mundial das Mulheres a necessidade de apostarmos na constru\u00e7\u00e3o de projetos pol\u00edticos populares regionais e de nos fortalecermos coletivamente como sujeitos pol\u00edticos populares. Em um contexto de profundas crises sist\u00eamicas que amea\u00e7am os sistemas ecol\u00f3gicos que tornam a vida poss\u00edvel, e da ofensiva brutal que a direita e o capital est\u00e3o lan\u00e7ando em muitos pa\u00edses do nosso continente, temos a responsabilidade e o dever de avan\u00e7ar nessa constru\u00e7\u00e3o de unidade em torno a projetos pol\u00edticos emancipat\u00f3rios que nos permitam desmantelar os sistemas de domina\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o dos nossos povos e da natureza.<\/p>\n<p>Historicamente, os nossos povos organizados constru\u00edram esses processos e projetos pol\u00edticos emancipat\u00f3rios, como a soberania alimentar. Esses projetos nos permitem disputar imagin\u00e1rios e sentidos, bem como assentar as bases e princ\u00edpios que nos permitem dar uma resposta integral e estrutural \u00e0s crises sist\u00e9micas, e que devem organizar as nossas sociedades.<\/p>\n<p>Constru\u00edmos a integra\u00e7\u00e3o em torno da resist\u00eancia e da luta contra a concentra\u00e7\u00e3o de poder e riqueza, as desigualdades, a espolia\u00e7\u00e3o, o acaparamento, a polui\u00e7\u00e3o e a destrui\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios, como consequ\u00eancia do avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio, da minera\u00e7\u00e3o, das barragens, combust\u00edveis f\u00f3sseis. Diante disso, a unidade e a constru\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o implicam aprofundar e consolidar as propostas de transforma\u00e7\u00e3o do sistema alimentar, do sistema energ\u00e9tico, do sistema econ\u00f4mico, rompendo com as dicotomias que nos foram impostas entre sociedade e natureza, trabalho produtivo e reprodutivo, e a divis\u00e3o sexual do trabalho.<\/p>\n<p>Hoje, tamb\u00e9m \u00e9 fundamental no nosso continente nos organizarmos para disputar a pol\u00edtica e as pol\u00edticas p\u00fablicas, porque precisamos recuperar o controle sobre as decis\u00f5es que t\u00eam a ver com a organiza\u00e7\u00e3o das nossas sociedades e a nossa rela\u00e7\u00e3o com a natureza. Disputar a pol\u00edtica, como nos ensinou Nalu Faria, significa tamb\u00e9m disputar e descolonizar o Estado, redefinir o seu papel em torno da sustentabilidade da vida, da defesa da natureza e dos direitos dos povos. \u00c9 uma disputa profunda, que redefine o que \u00e9 o Estado e como constru\u00edmos institucionalidade pol\u00edtica a n\u00edvel regional, num momento em que se instala a deslegitima\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica e se imp\u00f5em seres nefastos, como Javier Milei na Argentina.<\/p>\n<p>Temos que disputar a esfera econ\u00f4mica. Gra\u00e7as \u00e0 Marcha Mundial das Mulheres, temos contribui\u00e7\u00f5es fundamentais para todos os nossos movimentos em torno da economia feminista. A economia feminista nos oferece os princ\u00edpios e diretrizes necess\u00e1rios para organizar a produ\u00e7\u00e3o e a reprodu\u00e7\u00e3o da vida e garantir a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades do nosso povo. Princ\u00edpios comuns aos da soberania alimentar, que visam a transforma\u00e7\u00e3o radical da produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e consumo de tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e0 vida. A economia feminista numa chave regional aponta para a organiza\u00e7\u00e3o em todos os n\u00edveis, destacando a import\u00e2ncia do v\u00ednculo entre as classes populares do campo e da cidade. E as mulheres organizadas desempenham um papel essencial na constru\u00e7\u00e3o da soberania alimentar no nosso continente. Nesse \u00e2mbito, nos opomos firmemente \u00e0 economia verde que est\u00e1 transformando a natureza numa mercadoria e \u00e0s tentativas de imp\u00f4-la \u00e0 nossa regi\u00e3o. E continuamos lutando, como temos feito historicamente, contra o neoliberalismo, que privatiza cada vez mais esferas da vida na sociedade e na natureza. Tal como foi demonstrado na pandemia, o neoliberalismo n\u00e3o garante a sustentabilidade da vida, mas amea\u00e7a a vida.<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o regional deve partir do reconhecimento do trabalho de cuidado como princ\u00edpio organizador dos processos econ\u00f4micos e da necessidade de p\u00f4r fim \u00e0 divis\u00e3o sexual do trabalho, bem como \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do corpo e do trabalho das mulheres. Para isso, devemos garantir a autonomia coletiva das mulheres nos processos de repensar e reformular as nossas economias em chave regional.<\/p>\n<p>Uma disputa por territ\u00f3rio avan\u00e7a em todo o continente. Por um lado, est\u00e3o os povos que sentem e vivem o territ\u00f3rio como espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o da vida, como espa\u00e7o de luta, de constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e cultural, de mem\u00f3ria. Por outro lado, empresas que veem os territ\u00f3rios como plataforma de acumula\u00e7\u00e3o de capital, como fonte inesgot\u00e1vel de recursos. \u00c9 fundamental nessa disputa fortalecer o poder e o controle dos nossos povos sobre os territ\u00f3rios, tanto rurais como urbanos, al\u00e9m das fronteiras, resistindo ao reducionismo que converte a natureza em unidades que podem ser compradas e vendidas no mercado, e \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es da natureza em servi\u00e7os.<\/p>\n<p><em><strong>&#8220;Devemos recuperar o controle sobre o conhecimento e a tecnologia, destacando o seu car\u00e1ter p\u00fablico. Na medida em que a tecnologia \u00e9 privatizada, concentrada nas m\u00e3os de poucas empresas, ela se torna um instrumento de maior explora\u00e7\u00e3o das classes populares e da natureza.&#8221;<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A nossa perspectiva sobre a integra\u00e7\u00e3o deve apostar no internacionalismo, como base da unidade e da solidariedade dos povos e de um novo multilateralismo. Uma integra\u00e7\u00e3o que impe\u00e7a a\u00e7\u00f5es criminosas, como as que s\u00e3o levadas a cabo hoje pelo governo de Israel contra o povo palestino. Esses processos de integra\u00e7\u00e3o regional foram constru\u00eddos historicamente e continuam sendo. Para fortalecer os sujeitos pol\u00edticos numa perspectiva emancipat\u00f3ria regional, \u00e9 fundamental conhecer a nossa hist\u00f3ria, manter viva a mem\u00f3ria e, sobretudo, resistir \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o de novos imagin\u00e1rios perversos pelas m\u00e3os da direita.<\/p>\n<p><em>Karin Nansen integra a REDES \u2013 Amigos da Terra Uruguai, e da Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo. Este texto \u00e9 uma edi\u00e7\u00e3o de sua exposi\u00e7\u00e3o no webin\u00e1rio \u201cFeminismo e integra\u00e7\u00e3o regional\u201d, realizado pela MMM Am\u00e9ricas em 30 de novembro de 2023.<\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/capiremov.org\/analises\/integracao-dos-povos-para-enfrentar-crises-sistemicas-e-transformar-a-sociedade\/?fbclid=PAAabBslpiOHMkLCGDzz-Lfo6ZfMgg8hELQOgGWk4AA8X1JXni_b_IGea8CZo\">Texto originalmente publicado em CapiveMov<\/a>\u00a0<\/em><br \/>\n<em>Traduzido do espanhol por Aline Lopes Murillo com revis\u00e3o de Helena Zelic<\/em><br \/>\n<em>Edi\u00e7\u00e3o de Bianca Pessoa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karin Nansen, da REDES \u2013 Amigos da Terra Uruguai, denuncia as crises do capitalismo e compartilha estrat\u00e9gias de luta internacionalista A gravidade das crises socioambientais sist\u00eamicas \u2013 as crises do clima, da biodiversidade, da \u00e1gua, da fome, das desigualdades, dos cuidados \u2013 exige de n\u00f3s uma articula\u00e7\u00e3o muito mais profunda de lutas, processos de resist\u00eancia e projetos pol\u00edticos que v\u00e3o sendo criados a partir dos movimentos populares do continente e do mundo. \u00c9 imposs\u00edvel enfrentar crises a partir das fronteiras nacionais, ou apenas a n\u00edvel territorial e local. 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Em um contexto de profundas crises sist\u00eamicas que amea\u00e7am os sistemas ecol\u00f3gicos que tornam a vida poss\u00edvel, e da ofensiva brutal que a direita e o capital est\u00e3o lan\u00e7ando em muitos pa\u00edses do nosso continente, temos a responsabilidade e o dever de avan\u00e7ar nessa constru\u00e7\u00e3o de unidade em torno a projetos pol\u00edticos emancipat\u00f3rios que nos permitam desmantelar os sistemas de domina\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o dos nossos povos e da natureza. Historicamente, os nossos povos organizados constru\u00edram esses processos e projetos pol\u00edticos emancipat\u00f3rios, como a soberania alimentar. Esses projetos nos permitem disputar imagin\u00e1rios e sentidos, bem como assentar as bases e princ\u00edpios que nos permitem dar uma resposta integral e estrutural \u00e0s crises sist\u00e9micas, e que devem organizar as nossas sociedades. Constru\u00edmos a integra\u00e7\u00e3o em torno da resist\u00eancia e da luta contra a concentra\u00e7\u00e3o de poder e riqueza, as desigualdades, a espolia\u00e7\u00e3o, o acaparamento, a polui\u00e7\u00e3o e a destrui\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios, como consequ\u00eancia do avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio, da minera\u00e7\u00e3o, das barragens, combust\u00edveis f\u00f3sseis. Diante disso, a unidade e a constru\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o implicam aprofundar e consolidar as propostas de transforma\u00e7\u00e3o do sistema alimentar, do sistema energ\u00e9tico, do sistema econ\u00f4mico, rompendo com as dicotomias que nos foram impostas entre sociedade e natureza, trabalho produtivo e reprodutivo, e a divis\u00e3o sexual do trabalho. 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