{"id":6626,"date":"2024-03-13T20:40:47","date_gmt":"2024-03-13T23:40:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=6626"},"modified":"2025-06-12T13:24:44","modified_gmt":"2025-06-12T16:24:44","slug":"seguimos-na-luta-feminista-frente-aos-ataques-contra-a-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=6626","title":{"rendered":"Seguimos na luta feminista frente aos ataques contra a democracia"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">A luta feminista \u00e9 fundamental para alcan\u00e7ar a justi\u00e7a ambiental. A resist\u00eancia e o desmantelamento do patriarcado formam parte integral da Soberania Alimentar, da gest\u00e3o das florestas e da democracia, assim como da luta contra os sistemas econ\u00f4micos e as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas opressivas. Abaixo, apresentamos tr\u00eas entrevistas com pessoas que est\u00e3o liderando lutas pela mudan\u00e7a de sistema e por um mundo mais feminista, centrado na justi\u00e7a de g\u00eanero.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b><i>Florestas e Biodiversidade \u2013 Rita Uwaka, Amigos da Terra Nig\u00e9ria<br \/>\n<\/i><\/b><i style=\"font-size: 1.125rem;\">Como \u00e9 que o patriarcado e outras opress\u00f5es se tornam obst\u00e1culos na luta pela democracia, pelas florestas e pela biodiversidade?<\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Existe uma forte liga\u00e7\u00e3o entre o patriarcado e a gest\u00e3o florestal, porque o sistema patriarcal domina a governan\u00e7a das florestas e da biodiversidade e \u00e9 um agente chave da apropria\u00e7\u00e3o das florestas. As rela\u00e7\u00f5es de poder desiguais que o patriarcado refor\u00e7a promovem falsas solu\u00e7\u00f5es e modelos agr\u00edcolas destrutivos, que transformam as florestas em commodities do agroneg\u00f3cio, por exemplo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O patriarcado afeta todas as pessoas. O patriarcado influencia os processos de tomada de decis\u00f5es relacionadas com a gest\u00e3o florestal em detrimento das mulheres que dependem destas florestas, que s\u00e3o exclu\u00eddas dos espa\u00e7os de decis\u00e3o e cujas vozes e preocupa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o tidas em conta nas pol\u00edticas e pr\u00e1ticas que afetam as florestas e a biodiversidade. Contudo, as mulheres s\u00e3o as principais cuidadoras e guardi\u00e3s das florestas, bem como aquelas que possuem conhecimentos tradicionais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A falta de controle na tomada de decis\u00f5es se traduz em um desequil\u00edbrio de poder que marginaliza as mulheres, as comunidades locais e outros grupos j\u00e1 exclu\u00eddos.\u00a0 Quando as partes interessadas n\u00e3o incorporam adequadamente as considera\u00e7\u00f5es destes grupos e quando os espa\u00e7os de tomada de decis\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o suficientemente inclusivos e representativos, n\u00e3o se pode avan\u00e7ar e nem progredir.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, ao enfrentar o poder e defender ao lado das mulheres o seu direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o, bem como o seu direito de dizer sim e de dizer n\u00e3o, fazemos com que as coisas mudem. Atrav\u00e9s do empoderamento das mulheres e da resist\u00eancia contra as estruturas patriarcais, estamos formando l\u00edderes comunit\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 essencial que as pessoas compreendam o valor ecol\u00f3gico, social e cultural das florestas, bem como o que as florestas contribuem para as suas vidas e comunidades. Al\u00e9m disso, devemos permanecer alertas \u00e0 amea\u00e7a constante do poder corporativo e \u00e0s t\u00e1cticas que as empresas utilizam &#8211; tais como subornar comunidades com subven\u00e7\u00f5es e empr\u00e9stimos &#8211; apenas para assumir o controle das suas terras e impedir o seu acesso \u00e0s florestas. Ser capaz de tomar decis\u00f5es informadas \u00e9 fundamental para a nossa luta pela democracia, pelas florestas e pela biodiversidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desmantelar a influ\u00eancia que o patriarcado tem nos processos de tomada de decis\u00e3o relacionados com a gest\u00e3o florestal e a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade exige resistir, mobilizar e transformar as atuais rela\u00e7\u00f5es e estruturas de poder. Assim como criar processos de tomada de decis\u00e3o inclusivos e participativos, que valorizem as contribui\u00e7\u00f5es das mulheres.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Lembremos que n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a ambiental sem justi\u00e7a de g\u00eanero. N\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a de g\u00eanero sem mulheres!<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b><i>Soberania Alimentar \u2013 Joolia Demigillo, <\/i><\/b><a href=\"https:\/\/www.lrcksk.org\/\"><b><i>Amigos da Terra Filipinas<\/i><\/b><\/a><br \/>\n<i style=\"font-size: 1.125rem;\">Como o feminismo contribui na constru\u00e7\u00e3o da Soberania Alimentar e como a democracia \u00e9 defendida nessa perspectiva?<\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Soberania Alimentar \u00e9 uma aspira\u00e7\u00e3o a uma alternativa ao sistema atual, incapaz de alimentar a popula\u00e7\u00e3o com alimentos nutritivos, diversos e ecol\u00f3gicos. Baseia-se na considera\u00e7\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o como uma quest\u00e3o pol\u00edtica que n\u00e3o deve ser separada dos contextos sociais, culturais e econ\u00f4micos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As mulheres em todo o mundo desempenham um papel muito importante na produ\u00e7\u00e3o de alimentos, bem como na garantia de que estes estejam sempre dispon\u00edveis nas suas casas e comunidades. No entanto, a maioria, sen\u00e3o todas estas tarefas, n\u00e3o s\u00e3o reconhecidas, n\u00e3o s\u00e3o remuneradas ou s\u00e3o consideradas responsabilidades exclusivas das mulheres. Isto torna ainda mais dif\u00edcil para as mulheres obterem oportunidades de participar em assuntos pol\u00edticos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 uma luta di\u00e1ria para as mulheres enfrentarem rela\u00e7\u00f5es assim\u00e9tricas de poder e a opress\u00e3o de g\u00eanero \u2013 a n\u00edvel pessoal e estrutural. As mulheres escolhem estar na linha da frente de muitas lutas pela democracia. Em todo o lado vemos a ascens\u00e3o de governos autorit\u00e1rios que minam a democracia e impedem a realiza\u00e7\u00e3o do direito humano \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada. A luta pela Soberania Alimentar \u00e9 uma luta pela democracia e contra a opress\u00e3o. Atrav\u00e9s da Soberania Alimentar, mulheres e pessoas de todos os g\u00eaneros podem expressar os seus direitos, a sua dignidade e aspira\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Podemos viver o sonho da Soberania Alimentar quando este \u00e9 deixado nas m\u00e3os dos povos, mulheres e jovens, para determinar que alimentos, como e onde s\u00e3o produzidos, distribu\u00eddos e consumidos. Portanto, isto requer uma mudan\u00e7a radical nos sistemas e estruturas da nossa sociedade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O apelo \u00e0 Soberania Alimentar \u00e9 feminista porque quer transformar o sistema. \u00c9 quando as mulheres e outras express\u00f5es de g\u00eanero s\u00e3o libertadas que podemos dizer que emancipamos a nossa sociedade da discrimina\u00e7\u00e3o, da injusti\u00e7a e da opress\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b><i>Economia Feminista \u2013 Karina Morais, Marcha Mundial das Mulheres Brasil<br \/>\n<\/i><\/b><i style=\"font-size: 1.125rem;\">Quais s\u00e3o as principais contribui\u00e7\u00f5es da economia feminista para as lutas em defesa da democracia?<\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Economia Feminista \u00e9 a nossa resposta objetiva ao sistema capitalista, neoliberal, racista e patriarcal, baseado na mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida. O modelo econ\u00f4mico hegem\u00f4nico baseia-se na separa\u00e7\u00e3o entre trabalho produtivo e trabalho reprodutivo, o que historicamente criou a ideia de que o primeiro est\u00e1 ligado \u00e0 esfera p\u00fablica e o segundo \u00e0 esfera privada. Trabalho produtivo \u00e9 entendido como aquele que pode ser precificado e, portanto, gerar lucro. J\u00e1 o trabalho reprodutivo envolve o trabalho dom\u00e9stico e de cuidado, nas suas diversas dimens\u00f5es. Isto inclui tarefas dom\u00e9sticas, cuidados com crian\u00e7as, doentes e idosos, bem como apoio emocional aos familiares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essas atividades, por sua vez, s\u00e3o realizadas majoritariamente por mulheres, a partir da naturaliza\u00e7\u00e3o de uma constru\u00e7\u00e3o social patriarcal. O que \u00e9 visto como algo \u201cnatural\u201d no universo feminino, at\u00e9 mesmo como express\u00e3o de \u201camor\u201d, \u00e9 na verdade um trabalho invis\u00edvel, n\u00e3o remunerado, e que n\u00e3o \u00e9 entendido como um componente da economia. Em outras palavras, explora\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 o que chamamos de dia duplo e triplo das mulheres. Afinal, realizam atividades produtivas, mesmo que estejam em desvantagem no mercado de trabalho, e tamb\u00e9m realizam atividades de sustentabilidade da vida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esta transforma\u00e7\u00e3o proposta pela Economia Feminista implica tamb\u00e9m a defesa da democracia, porque a l\u00f3gica do modelo econ\u00f3mico hegem\u00f3nico \u00e9 imposta atrav\u00e9s da viol\u00eancia e da desapropria\u00e7\u00e3o (expropria\u00e7\u00e3o), e \u00e9 combinada com a opress\u00e3o patriarcal e racista. A express\u00e3o do mercado livre que hoje domina a economia \u00e9 profundamente antidemocr\u00e1tica. Mudar a economia para mudar a vida das mulheres \u00e9 tamb\u00e9m um ato radical de defesa da democracia e da liberdade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Neste sentido, desde a funda\u00e7\u00e3o da Marcha Mundial das Mulheres defendemos que n\u00e3o basta incluir as mulheres neste modelo econ\u00f4mico, em que o lucro est\u00e1 acima da vida e as vidas existem para gerar esse lucro. Precisamos romper com esse paradigma e propor um projeto pol\u00edtico em que a sustentabilidade da vida esteja no centro da economia. Esta compreens\u00e3o \u00e9 central para as nossas formula\u00e7\u00f5es da Economia Feminista. \u00c9 conceitual, mas faz parte da realidade pr\u00e1tica da vida, principalmente quando observamos o conjunto de experi\u00eancias alternativas que as mulheres constru\u00edram que v\u00e3o na contram\u00e3o ao modelo hegem\u00f4nico, no campo e na cidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Amigas da Terra Internacional manifesta solidariedade com o povo palestino e apoia a sua luta para acabar com a ocupa\u00e7\u00e3o de Israel. Ao abordar a quest\u00e3o da democracia, \u00e9 imposs\u00edvel celebrar o 8 de Mar\u00e7o e o Dia Internacional dos Direitos da Mulher sem prestar homenagem \u00e0 resist\u00eancia passada, presente e cont\u00ednua do povo palestino, especialmente das mulheres, que s\u00e3o os seus pilares. \u00c9 imperativo reconhecer que a abordagem dos problemas ambientais n\u00e3o pode ser separada do reconhecimento do direito dos povos \u00e0 soberania nacional na sua pr\u00f3pria terra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c<\/span><a href=\"https:\/\/www.foei.org\/es\/palestina-es-una-causa-de-derechos-humanos-y-justicia-climatica\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">A Palestina \u00e9 uma causa de direitos humanos e de justi\u00e7a clim\u00e1tica<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, disseram Rasha Abu Dayyeh e Abeer Butmeh, membros do <\/span><a href=\"https:\/\/www.pengon.org\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">PENGON \u2013 Amigos da Terra Palestina<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, nesta entrevista publicada em dezembro de 2023.<\/span><\/p>\n<p><b><i>Texto originalmente publicado no site da Amigas da Terra Internacional, em: <\/i><\/b><a href=\"https:\/\/www.foei.org\/es\/la-lucha-feminista-para-la-democracia\/\"><b><i>https:\/\/www.foei.org\/es\/la-lucha-feminista-para-la-democracia<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">\/<\/span><\/i><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A luta feminista \u00e9 fundamental para alcan\u00e7ar a justi\u00e7a ambiental. A resist\u00eancia e o desmantelamento do patriarcado formam parte integral da Soberania Alimentar, da gest\u00e3o das florestas e da democracia, assim como da luta contra os sistemas econ\u00f4micos e as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas opressivas. Abaixo, apresentamos tr\u00eas entrevistas com pessoas que est\u00e3o liderando lutas pela mudan\u00e7a de sistema e por um mundo mais feminista, centrado na justi\u00e7a de g\u00eanero.\u00a0 Florestas e Biodiversidade \u2013 Rita Uwaka, Amigos da Terra Nig\u00e9ria Como \u00e9 que o patriarcado e outras opress\u00f5es se tornam obst\u00e1culos na luta pela democracia, pelas florestas e pela biodiversidade? Existe uma forte liga\u00e7\u00e3o entre o patriarcado e a gest\u00e3o florestal, porque o sistema patriarcal domina a governan\u00e7a das florestas e da biodiversidade e \u00e9 um agente chave da apropria\u00e7\u00e3o das florestas. As rela\u00e7\u00f5es de poder desiguais que o patriarcado refor\u00e7a promovem falsas solu\u00e7\u00f5es e modelos agr\u00edcolas destrutivos, que transformam as florestas em commodities do agroneg\u00f3cio, por exemplo. O patriarcado afeta todas as pessoas. O patriarcado influencia os processos de tomada de decis\u00f5es relacionadas com a gest\u00e3o florestal em detrimento das mulheres que dependem destas florestas, que s\u00e3o exclu\u00eddas dos espa\u00e7os de decis\u00e3o e cujas vozes e preocupa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o tidas em conta nas pol\u00edticas e pr\u00e1ticas que afetam as florestas e a biodiversidade. Contudo, as mulheres s\u00e3o as principais cuidadoras e guardi\u00e3s das florestas, bem como aquelas que possuem conhecimentos tradicionais.\u00a0 A falta de controle na tomada de decis\u00f5es se traduz em um desequil\u00edbrio de poder que marginaliza as mulheres, as comunidades locais e outros grupos j\u00e1 exclu\u00eddos.\u00a0 Quando as partes interessadas n\u00e3o incorporam adequadamente as considera\u00e7\u00f5es destes grupos e quando os espa\u00e7os de tomada de decis\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o suficientemente inclusivos e representativos, n\u00e3o se pode avan\u00e7ar e nem progredir.\u00a0 No entanto, ao enfrentar o poder e defender ao lado das mulheres o seu direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o, bem como o seu direito de dizer sim e de dizer n\u00e3o, fazemos com que as coisas mudem. Atrav\u00e9s do empoderamento das mulheres e da resist\u00eancia contra as estruturas patriarcais, estamos formando l\u00edderes comunit\u00e1rias. \u00c9 essencial que as pessoas compreendam o valor ecol\u00f3gico, social e cultural das florestas, bem como o que as florestas contribuem para as suas vidas e comunidades. Al\u00e9m disso, devemos permanecer alertas \u00e0 amea\u00e7a constante do poder corporativo e \u00e0s t\u00e1cticas que as empresas utilizam &#8211; tais como subornar comunidades com subven\u00e7\u00f5es e empr\u00e9stimos &#8211; apenas para assumir o controle das suas terras e impedir o seu acesso \u00e0s florestas. Ser capaz de tomar decis\u00f5es informadas \u00e9 fundamental para a nossa luta pela democracia, pelas florestas e pela biodiversidade. Desmantelar a influ\u00eancia que o patriarcado tem nos processos de tomada de decis\u00e3o relacionados com a gest\u00e3o florestal e a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade exige resistir, mobilizar e transformar as atuais rela\u00e7\u00f5es e estruturas de poder. Assim como criar processos de tomada de decis\u00e3o inclusivos e participativos, que valorizem as contribui\u00e7\u00f5es das mulheres. Lembremos que n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a ambiental sem justi\u00e7a de g\u00eanero. N\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a de g\u00eanero sem mulheres! &nbsp; Soberania Alimentar \u2013 Joolia Demigillo, Amigos da Terra Filipinas Como o feminismo contribui na constru\u00e7\u00e3o da Soberania Alimentar e como a democracia \u00e9 defendida nessa perspectiva? A Soberania Alimentar \u00e9 uma aspira\u00e7\u00e3o a uma alternativa ao sistema atual, incapaz de alimentar a popula\u00e7\u00e3o com alimentos nutritivos, diversos e ecol\u00f3gicos. Baseia-se na considera\u00e7\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o como uma quest\u00e3o pol\u00edtica que n\u00e3o deve ser separada dos contextos sociais, culturais e econ\u00f4micos. As mulheres em todo o mundo desempenham um papel muito importante na produ\u00e7\u00e3o de alimentos, bem como na garantia de que estes estejam sempre dispon\u00edveis nas suas casas e comunidades. No entanto, a maioria, sen\u00e3o todas estas tarefas, n\u00e3o s\u00e3o reconhecidas, n\u00e3o s\u00e3o remuneradas ou s\u00e3o consideradas responsabilidades exclusivas das mulheres. Isto torna ainda mais dif\u00edcil para as mulheres obterem oportunidades de participar em assuntos pol\u00edticos. \u00c9 uma luta di\u00e1ria para as mulheres enfrentarem rela\u00e7\u00f5es assim\u00e9tricas de poder e a opress\u00e3o de g\u00eanero \u2013 a n\u00edvel pessoal e estrutural. As mulheres escolhem estar na linha da frente de muitas lutas pela democracia. Em todo o lado vemos a ascens\u00e3o de governos autorit\u00e1rios que minam a democracia e impedem a realiza\u00e7\u00e3o do direito humano \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada. A luta pela Soberania Alimentar \u00e9 uma luta pela democracia e contra a opress\u00e3o. Atrav\u00e9s da Soberania Alimentar, mulheres e pessoas de todos os g\u00eaneros podem expressar os seus direitos, a sua dignidade e aspira\u00e7\u00f5es. Podemos viver o sonho da Soberania Alimentar quando este \u00e9 deixado nas m\u00e3os dos povos, mulheres e jovens, para determinar que alimentos, como e onde s\u00e3o produzidos, distribu\u00eddos e consumidos. Portanto, isto requer uma mudan\u00e7a radical nos sistemas e estruturas da nossa sociedade. O apelo \u00e0 Soberania Alimentar \u00e9 feminista porque quer transformar o sistema. \u00c9 quando as mulheres e outras express\u00f5es de g\u00eanero s\u00e3o libertadas que podemos dizer que emancipamos a nossa sociedade da discrimina\u00e7\u00e3o, da injusti\u00e7a e da opress\u00e3o. &nbsp; Economia Feminista \u2013 Karina Morais, Marcha Mundial das Mulheres Brasil Quais s\u00e3o as principais contribui\u00e7\u00f5es da economia feminista para as lutas em defesa da democracia? A Economia Feminista \u00e9 a nossa resposta objetiva ao sistema capitalista, neoliberal, racista e patriarcal, baseado na mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida. O modelo econ\u00f4mico hegem\u00f4nico baseia-se na separa\u00e7\u00e3o entre trabalho produtivo e trabalho reprodutivo, o que historicamente criou a ideia de que o primeiro est\u00e1 ligado \u00e0 esfera p\u00fablica e o segundo \u00e0 esfera privada. Trabalho produtivo \u00e9 entendido como aquele que pode ser precificado e, portanto, gerar lucro. J\u00e1 o trabalho reprodutivo envolve o trabalho dom\u00e9stico e de cuidado, nas suas diversas dimens\u00f5es. Isto inclui tarefas dom\u00e9sticas, cuidados com crian\u00e7as, doentes e idosos, bem como apoio emocional aos familiares. Essas atividades, por sua vez, s\u00e3o realizadas majoritariamente por mulheres, a partir da naturaliza\u00e7\u00e3o de uma constru\u00e7\u00e3o social patriarcal. O que \u00e9 visto como algo \u201cnatural\u201d no universo feminino, at\u00e9 mesmo como express\u00e3o de \u201camor\u201d, \u00e9 na verdade um trabalho invis\u00edvel, n\u00e3o remunerado, e que n\u00e3o \u00e9 entendido como um componente da economia. Em outras palavras, explora\u00e7\u00e3o. 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