{"id":6540,"date":"2024-02-01T17:46:29","date_gmt":"2024-02-01T20:46:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=6540"},"modified":"2025-06-12T13:28:43","modified_gmt":"2025-06-12T16:28:43","slug":"povos-da-terra-marcham-contra-a-ameaca-a-territorio-kilombola-com-a-ampliacao-da-br-386","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=6540","title":{"rendered":"Povos da Terra marcham contra amea\u00e7a a territ\u00f3rio kilombola com a amplia\u00e7\u00e3o da BR-386"},"content":{"rendered":"<h4><span style=\"font-weight: 400;\">Comunidade Kilombola Morada da Paz &#8211; Territ\u00f3rio de M\u00e3e Preta (CoMPaz) realizou o ato &#8216;Parada da L\u00e9gua&#8217;, em Triunfo (RS). Por uma Solidariedade Real e Radical, Povos da Terra marcharam em unidade pelo direito de ser e existir<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><b><i><br \/>\n<\/i><\/b><b><i>\u201cAqui n\u00f3s estamos mais um dia lutando pelo nosso direito de ser e existir. Ou\u00e7am o nosso grito. O nosso grito, ele n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 hoje, ele \u00e9 todo dia. E quero dizer que a gente \u00e9 pessoas, como voc\u00eas. A gente luta pelo que a gente ama, a gente vive o cotidiano. Mas n\u00f3s estamos sendo atacados. Isso sim \u00e9 uma den\u00fancia. Quando a gente \u00e9 atacado naquilo que a gente ama no nosso \u00edntimo, a gente sente e a gente sofre tamb\u00e9m. Mas a gente escolheu lutar com alegria, cantar e chorar ao mesmo tempo. Porque \u00e9 assim que \u00e9 a vida no Kilombo de M\u00e3e Preta. Eu queria que voc\u00eas ouvissem, realmente: que o aqui e o agora \u00e9 que a gente preserva o amanh\u00e3\u201d. <\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">Fala de Nishtha, Ekedi Khan da Na\u00e7\u00e3o Muzungu\u00ea, da Comunidade Kilombola Morada da Paz, durante a Parada da L\u00e9gua 2024<\/span><\/i><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No s\u00e1bado (20), o t\u00edpico som do tr\u00e2nsito que corre desproporcionalmente veloz pela BR 386 foi abafado. Marac\u00e1s, tambores e m\u00faltiplas vozes irromperam o asfalto num ato que trazia uma mensagem de coletividade e de vida. Povos do campo, das \u00e1guas, das florestas, das ocupa\u00e7\u00f5es urbanas, das periferias, dos assentamentos da reforma agr\u00e1ria, das retomadas ind\u00edgenas, da comunidade LGBTQIAP+, de quilombos do Pampa \u00e0 Amaz\u00f4nia, refugiados e imigrantes de outros pa\u00edses e movimentos sociais faziam coro. No mesmo ritmo de um batimento card\u00edaco, anunciavam: <\/span><b>avan\u00e7aremos<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6568\" aria-describedby=\"caption-attachment-6568\" style=\"width: 1296px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6568 size-full\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/1.jpg\" alt=\"\" width=\"1296\" height=\"864\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6568\" class=\"wp-caption-text\">\u201cN\u00e3o se render. Ousar lutar, ousar vencer\u201d, grito pronunciado durante Parada da L\u00e9gua 2024 | Foto: Fabiana Reinholz<\/figcaption><\/figure>\n<p><i><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">Em defesa da autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos e de seu direito radical de ser e existir, a Comunidade Kilombola Morada da Paz realizou o\u00a0 ato \u201cParada da L\u00e9gua\u201d, denunciando a amplia\u00e7\u00e3o da BR-386, a menos de 500 metros da comunidade. Um projeto que j\u00e1 perturba o sonho das crian\u00e7as e amea\u00e7a o territ\u00f3rio, intimidando gentes, bichos, \u00e1rvores anci\u00e3s, o tempo e a terra que ali coabitam. Conforme relato de <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Yashodhan Abya Yala, Yalas\u00e9 da Na\u00e7\u00e3o Muzungu\u00ea, Sangoma da Casa da S\u00e9tima Ordem, zeladora e protetora da Comunidade Kilombola Morada da Paz<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, a amplia\u00e7\u00e3o da BR \u00e9 mais uma amea\u00e7a dos mega empreendimentos. \u201cAt\u00e9 hoje nunca vimos o projeto, n\u00e3o fomos consultados\u201d, relatou. Ponto que fere a Conven\u00e7\u00e3o n.169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT),\u00a0 que prev\u00ea a Consulta Pr\u00e9via, Livre, Informada e de Boa F\u00e9 \u00e0s comunidades tradicionais que s\u00e3o impactadas por projetos, pol\u00edticas ou empreendimentos.\u00a0<\/span><i><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com o lema \u201c<\/span><b>Por uma Solidariedade Real e Radical em Territ\u00f3rio de M\u00e3e Preta CoMPaz: povos tradicionais marcham em unidade pelo direito de ser e existir<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, a comunidade articulou a manifesta\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, alertando a vizinhan\u00e7a e autoridades sobre os impactos do empreendimento no local. Assim como comunicando a sua luta para barrar a l\u00e9gua, uma rodovia tamb\u00e9m conhecida como o concreto dum processo extrativo que dilacera a sociobiodiversidade. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Durante a marcha po\u00e9tica-cultural, pol\u00edtica-espiritual, a l\u00e9gua parou, abrindo espa\u00e7o para o movimento dos p\u00e9s no asfalto. E o di\u00e1logo se deu com quem estava parado no tr\u00e2nsito e moradores das beiras da BR,\u00a0 contando tamb\u00e9m com a distribui\u00e7\u00e3o de materiais informativos.\u00a0<\/span><i><\/i><\/p>\n<figure id=\"attachment_6570\" aria-describedby=\"caption-attachment-6570\" style=\"width: 1296px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-6570 size-full\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/3-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1296\" height=\"864\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6570\" class=\"wp-caption-text\">Marcha Parada da L\u00e9gua contou com a participa\u00e7\u00e3o de mais de 100 pessoas | Foto: Fabiana Reinholz<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para al\u00e9m da den\u00fancia, o ato trouxe a vivacidade da mem\u00f3ria e do tempo. Entre falas, batucadas, espadas de S\u00e3o Jorge ao alto, som da concha e do berrante, no caminho se narrava a hist\u00f3ria do Kilombo Morada da Paz, que existe em Triunfo h\u00e1 21 anos. Uma comunidade de remanescentes, aqueles que lembram e mant\u00eam viva a mem\u00f3ria do seu povo. Uma hist\u00f3ria que tamb\u00e9m \u00e9 de luta, e que se conecta \u00e0 realidade de tantos outros territ\u00f3rios que resistem. Que em meio a um Estado racista e colonial, ao poder das corpora\u00e7\u00f5es e as decorrentes pol\u00edticas de morte ditadas por um projeto pol\u00edtico que entende o valor no lucro, at\u00e9 podem sentir medo, mas n\u00e3o ousam vestir. E insistem, com ganas de transformar a realidade, em anunciar a sua exist\u00eancia.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6548\" aria-describedby=\"caption-attachment-6548\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-6548 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/10-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"700\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6548\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Digam ao povo que avance. Avan\u00e7aremos&#8221;, grito pronunciado durante Parada da L\u00e9gua 2024 | Foto: Carolina Colorio<\/figcaption><\/figure>\n<h3><b>Viemos de nossas terras fazer barulho na terra inteira<\/b><\/h3>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Tempo \u00e9 mem\u00f3ria. A solidariedade entre territ\u00f3rios que lutam para preservar a exist\u00eancia e o amanh\u00e3<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na concentra\u00e7\u00e3o, na r\u00f3tula h\u00e1 1,6 km da Comunidade em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Porto Alegre, um arco-\u00edris abriu os trabalhos. Na marcha, que ocupou por mais de uma hora as duas pistas da BR no sentido da regi\u00e3o metropolitana ao interior do estado, a lua imensa, quase cheia, refletia do c\u00e9u no rosto de uma multid\u00e3o. Carros parados ao longo da rodovia indicavam algum tipo de sil\u00eancio, como uma espera por uma mensagem que quebrasse o som de motores. Ao longo de quil\u00f4metros de caminhada, marchavam em defesa do Kilombo povos articulados em luta, munidos com a mem\u00f3ria de seus territ\u00f3rios e um amor transbordante. Foram mais de cem pessoas presentes, com a for\u00e7a de uma caminhada daqueles que vem de muito antes, e que seguir\u00e1 nas gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6546\" aria-describedby=\"caption-attachment-6546\" style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6546\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/3-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"522\" height=\"696\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6546\" class=\"wp-caption-text\">Na concentra\u00e7\u00e3o, na r\u00f3tula h\u00e1 1,6 km da Comunidade em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Porto Alegre, um arco-\u00edris abriu os trabalhos | Foto: Carolina Colorio<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entre pontos para Ogum, Ians\u00e3, Es\u00f9 e Xang\u00f4, ecoavam do come\u00e7o ao fim da Parada da L\u00e9gua frases como: \u201cEssa luta \u00e9 nossa, essa luta \u00e9 do povo, \u00e9 akilombando que se faz um Brasil novo\u201d e \u201cPelo direito de ser e existir: solidariedade real e radical\u201d. A radicalidade dos cantos contava sobre o amor das exist\u00eancias diversas, multi\u00e9tnicas. Sobre aqueles que tombaram, mas fazem presen\u00e7a a cada passo dado. Sobre a conflu\u00eancia do encontro de norte a sul do Brasil, de retomada a retomada ind\u00edgena, de quilombo em quilombo, das ocupa\u00e7\u00f5es de luta por moradia e por reforma agr\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6551\" aria-describedby=\"caption-attachment-6551\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6551 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/19-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"700\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6551\" class=\"wp-caption-text\">\u201cA nossa luta \u00e9 a luta deles tamb\u00e9m&#8221;, fala da cacica Iracema G\u00e3h T\u00e9 Nascimento, da Retomada Multi\u00e9tnica G\u00e3h R\u00e9, localizada no Morro Santana, em Porto Alegre (RS) | Foto: Carolina Colorio<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA nossa luta \u00e9 a luta deles tamb\u00e9m. Em busca de moradia, em busca de espa\u00e7o, para a continua\u00e7\u00e3o de sua resist\u00eancia. \u00c9 importante para nossos parentes kilombolas. Eles est\u00e3o colocando lix\u00e3o aqui, as empresas querendo tirar eles para colocar lix\u00e3o, que tem qu\u00edmicas que prejudicam a vida. \u00c9 muito importante fazer a nossa parte apoiando. T\u00e3o querendo ampliar a BR tamb\u00e9m, tomando o espa\u00e7o dos moradores daqui. Principalmente dos parentes quilombolas, que tamb\u00e9m defendem a terra, assim como n\u00f3s, ind\u00edgenas, origin\u00e1rios da terra\u201d, manifestou em apoio a cacica Iracema G\u00e3h T\u00e9 Nascimento, da <\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/12\/22\/contra-reintegracao-de-posse-cacica-kaingang-faz-greve-de-fome-so-saio-daqui-no-caixao\"><span style=\"font-weight: 400;\">Retomada Multi\u00e9tnica G\u00e3h R\u00e9<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, localizada no Morro Santana, em Porto Alegre (RS). G\u00e3h Te <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">mencionou ainda a import\u00e2ncia de valorizar as mulheres na luta, e que sua alian\u00e7a com a Morada da Paz j\u00e1 percorreu Brumadinho (MG) e Bras\u00edlia (DF), numa solidariedade que vem de outros trilhares.\u00a0\u00a0<\/span><i><\/i><\/p>\n<figure id=\"attachment_6552\" aria-describedby=\"caption-attachment-6552\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6552 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/21-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"700\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6552\" class=\"wp-caption-text\">Povos da Terra marcham contra a amea\u00e7a a territ\u00f3rio kilombola com a amplia\u00e7\u00e3o da BR-386 | Foto: Carolina Colorio<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Claudia Dutra, do Movimento Negro Unificado, participar da Parada da L\u00e9gua foi gratificante. \u201cNos sentimos agradecidos com o convite e em apoiar a luta aqui da comunidade frente a amplia\u00e7\u00e3o da BR, tamb\u00e9m frente a pauta territorial. O nosso envolvimento enquanto militantes e ativistas versa profundamente sobre a quest\u00e3o de ra\u00e7a e territ\u00f3rio, ent\u00e3o os encaminhamentos \u00e0s autoridades competentes para as pautas demandadas aqui ser\u00e3o devidamente encaminhadas\u201d, comentou. Claudia mencionou que est\u00e3o construindo junto \u00e0s comunidades quilombolas do RS a articula\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e tamb\u00e9m de apoio, inclusive pautando a 734785, que \u00e9 a a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, e o fundo de repara\u00e7\u00f5es da comunidade negra do Rio Grande do Sul e nacional. \u201cEstamos no apoio nos direitos reparat\u00f3rios, da mem\u00f3ria, da verdade e da justi\u00e7a dos nossos povos negros, comunidades quilombolas e comunidades tradicionais de matriz africana\u201d, explicou.\u00a0<\/span><i><\/i><\/p>\n<figure id=\"attachment_6547\" aria-describedby=\"caption-attachment-6547\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6547 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/7-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"700\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6547\" class=\"wp-caption-text\">Concentra\u00e7\u00e3o para a Parada da L\u00e9gua 2024 | Foto: Carolina Colorio<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No ato tamb\u00e9m estava presente o <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">cacique Maur\u00edcio Ven Tainh Salvador, da retomada Kaingang na Floresta Nacional de Canela (Flona), que relatou a import\u00e2ncia da uni\u00e3o dos povos, de suas culturas e sabedorias. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA Parada da L\u00e9gua \u00e9 uma retomada, num aspecto de dizer, para quem quer ouvir e quem quer saber, que a gente existe. Que a gente t\u00e1 aqui e que a gente resiste para existir. \u00c9 muito importante esse movimento que a gente t\u00e1 fazendo hoje. A nossa vida \u00e9 isso, \u00e9 viver na retomada, lutando por espa\u00e7os. Vi<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">emos nos apoiar e unir para buscar o reconhecimento de nossos territ\u00f3rios e de nossas hist\u00f3rias\u201d, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0evidenciou.\u00a0<\/span><i><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O cacique tamb\u00e9m mencionou que um legado est\u00e1 sendo deixado para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. E que mesmo com vit\u00f3rias, tamb\u00e9m existem as m\u00e1goas e as dores de quem vivencia na pele a viol\u00eancia da explora\u00e7\u00e3o e da opress\u00e3o. Mas relembra como uma guian\u00e7a: \u201cQuando a gente v\u00ea a comunidade sorrindo, a comunidade tendo um espa\u00e7o, os momentos de tristeza e dor v\u00e3o embora e o que prevalece \u00e9 a felicidade e a prosperidade de nossas fam\u00edlias e de nosso povo\u201d.\u00a0<\/span><i><\/i><\/p>\n<figure id=\"attachment_6550\" aria-describedby=\"caption-attachment-6550\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6550 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/18-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"700\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6550\" class=\"wp-caption-text\">\u201cA Parada da L\u00e9gua \u00e9 uma retomada, num aspecto de dizer, para quem quer ouvir e quem quer saber, que a gente existe&#8221;, fala do cacique Maur\u00edcio Ven Tainh Salvador, da retomada Kaingang na Floresta Nacional de Canela (Flona) | Foto: Carolina Colorio<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Remontando a fala das lideran\u00e7as kaingang e mbya-guarani, moradores do assentamento da reforma agr\u00e1ria Sep\u00e9 Tiaraju, de Viam\u00e3o (RS), ressaltaram : \u201cN<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00e3o \u00e9 a luta da Morada da Paz, \u00e9 a luta de um povo todo\u201d. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Antes da Parada da L\u00e9gua, quem estava em marcha foi adentrado pela Morada da Paz, Territ\u00f3rio de M\u00e3e Preta, e neste encontro, no Kilombo, se preparou para a caminhada. Agradecido pela acolhida de M\u00e3e Preta, cacique Maur\u00edcio afirmou a import\u00e2ncia da comunidade. Citou que a conflu\u00eancia de povos e os di\u00e1logos s\u00e3o fortalecimento para todas as lutas. \u201cA gente vem atrav\u00e9s desses encontros perceber que tem bastante comunidades em luta, assim como n\u00f3s. Que precisam de fortalecimento espiritual, mental, de experi\u00eancias. Eu venho aqui aprender com pessoas que j\u00e1 vem h\u00e1 bastante tempo na luta, mas tamb\u00e9m para contribuir. \u00c9 muito importante esse encontro para que a gente possa se unir, ajudar, contar das nossas experi\u00eancias de luta e fortalecer a quest\u00e3o da coragem, de saber que a gente n\u00e3o t\u00e1 sozinho. Essas vit\u00f3rias que a gente vem buscando vir\u00e3o\u201d, contou.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6557\" aria-describedby=\"caption-attachment-6557\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6557 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/27-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"700\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6557\" class=\"wp-caption-text\">Moradores do assentamento da reforma agr\u00e1ria Sep\u00e9 Tiaraju, de Viam\u00e3o (RS), ressaltaram : \u201cN\u00e3o \u00e9 a luta da Morada da Paz, \u00e9 a luta de um povo todo&#8221; | Foto: Carolina Colorio<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEssa marcha \u00e9 um chamamento feito por esse territ\u00f3rio kilombola, mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 nossa. \u00c9 uma marcha das retomadas, das ocupa\u00e7\u00f5es, das mulheres, da comunidade LGBTQIAP+. Uma marcha pelo direito de ser e existir, pela solidariedade real e radical dos povos ind\u00edgenas, tradicionais. \u00c9 uma marcha do sonho, da for\u00e7a. Para que a vida se sustente e se mantenha, mas n\u00e3o do modo como ele est\u00e1. Ela se mantenha e se sustente com dignidade para todos, radical e real \u201d, clamou Yashodhan.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6569\" aria-describedby=\"caption-attachment-6569\" style=\"width: 1296px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6569 size-full\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2.jpg\" alt=\"\" width=\"1296\" height=\"864\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6569\" class=\"wp-caption-text\">Por uma Solidariedade Real e Radical em Territ\u00f3rio de M\u00e3e Preta CoMPaz, povos tradicionais marcham em unidade pelo direito de ser e existir | Foto: Fabiana Reinholz<\/figcaption><\/figure>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/C2m8oucubjC\/\">https:\/\/www.instagram.com\/p\/C2m8oucubjC\/<\/a><\/p>\n<p><b>Cultura viva\u00a0<\/b><i><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em um mundo com cicatrizes abertas da coloniza\u00e7\u00e3o, que tenta impor uma forma \u00fanica de vivenciar a realidade, salvaguardar e celebrar a diversidade de vida, de viv\u00eancias, de culturas, assim como se expressar, \u00e9 uma arma poderosa. Para al\u00e9m do fato de que o direito a ser e existir \u00e9 fundamental, \u00e9 na defesa dos modos de vida tradicionais, ind\u00edgenas e kilombolas que se protege tamb\u00e9m a possibilidade de mundos futuros,<\/span><a href=\"https:\/\/conaq.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/BI-4-%E2%80%93-A-IMPORTANCIA-DOS-QUILOMBOS-PARA-A-PRESERVACAO-DO-MEIO-AMBIENTE.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\"> tendo em vista que os seus territ\u00f3rios s\u00e3o onde mais se preserva a sociobiodiversidade.<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> Nas suas formas de vivenciar a vida, numa coletividade que vai al\u00e9m do humano, est\u00e3o muitas das respostas para a atual crise civilizat\u00f3ria, especialmente frente \u00e0 emerg\u00eancia clim\u00e1tica.\u00a0<\/span><i><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u201cA nossa cultura \u00e9 o nosso jeito de ser e viver. Se h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o, ela fere com o nosso jeito de ser e viver. Que \u00e9 um jeito de ser e viver amparado na Na\u00e7\u00e3o Muzungu\u00ea, que \u00e9 uma espiritualidade que se manifesta com um sop\u00e9 das matrizes africanas de origem yorubanta, das matrizes ind\u00edgenas, em especial a guarani e tamb\u00e9m ela \u00e9 b\u00fadica, sagrada. Ela reinventa, revive e chama para si o exerc\u00edcio do sagrado ao seu cotidiano\u201d, exp\u00f4s Yashodhan.\u00a0 Da retomada <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Mby\u00e1 Guarani <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">T<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">eko\u00e1 Ka&#8217;ag\u00fcy Por\u00e3 (Mata Verdadeira)<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, de Maquin\u00e9 (RS), o cacique <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Andr\u00e9 Benites salientou: \u201ceu me orgulho e tenho de escudo a minha cultura e a minha express\u00e3o\u201d.\u00a0<\/span><i><\/i><\/p>\n<figure id=\"attachment_6565\" aria-describedby=\"caption-attachment-6565\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6565 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/13-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"700\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6565\" class=\"wp-caption-text\">Parada da L\u00e9gua 2024 | Foto: Carolina Colorio<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao ser questionada sobre o que esperava da Parada da L\u00e9gua, Yashodhan expressou que o que esperava da mobiliza\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava acontecendo, naquele instante. \u201cH<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">oje, aqui, temos mais de 100 pessoas reunidas, de ocupa\u00e7\u00f5es, retomadas, quilombolas, ind\u00edgenas, pessoas que s\u00e3o aliadas dessa luta. Eu tamb\u00e9m tenho o desejo de dar visibilidade para essa luta e dizer: n\u00f3s existimos, n\u00f3s sempre existimos. E enquanto essa vida pulsa a gente vai lutar\u201d.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/coletivocatarse\/?utm_source=ig_embed&amp;ig_rid=a93e1575-8bc4-4865-88b9-8eab564548d4\">https:\/\/www.instagram.com\/coletivocatarse\/?utm_source=ig_embed&amp;ig_rid=a93e1575-8bc4-4865-88b9-8eab564548d4<\/a><\/p>\n<h3><b>O pulso ainda pulsa\u00a0<\/b><\/h3>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cOs nossos passos v\u00eam de longe. E tem muita gente que tombou na luta para que a gente pudesse estar aqui hoje\u201d<\/span><\/i><i><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Parada da L\u00e9gua 2024 contou com diversos momentos marcantes, que remontam a realidade de cada territ\u00f3rio em luta que em solidariedade compunha o ato em defesa do Kilombo. Entre eles, ocorreu a performance \u201cO Pulso Ainda Pulsa\u201d, com a <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/kocjiboia\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Kasa Okupa Contracultural Jib\u00f3ia<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, de Porto Alegre (RS) &#8211; um espa\u00e7o de moradia e cultura focado na popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAP+ e em mulheres cis, que tem como intuito o acolhimento, gera\u00e7\u00e3o de qualidade de vida, troca de experi\u00eancias e o crescimento de novas redes de apoio comunit\u00e1rio, que fortalecem tamb\u00e9m a conex\u00e3o com a terra e o territ\u00f3rio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Omar Flores, morador da Okupa Jib\u00f3ia, participou da Parada da L\u00e9gua pela primeira vez, assim como sua ida \u00e0 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">CoMPaz<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. \u201cEstar no territ\u00f3rio, fazer a trilha, me encontrar e poder sentir essa proximidade com entidades e com toda a energia dali foi muito transformador como indiv\u00edduo, espiritualmente\u201d, comentou, compartilhando que se sente fortalecido ap\u00f3s Parada da L\u00e9gua.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6563\" aria-describedby=\"caption-attachment-6563\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6563 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/JIB-1-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"700\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6563\" class=\"wp-caption-text\">O pulso ainda pulsa: Okupa Jib\u00f3ia, em conjunto com outros coletivos, como a Okupa Kali\u00e7a, apresentaram performances de luta durante a Parada da L\u00e9gua 2024 | Foto: Carolina Colorio<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O morador da ocupa\u00e7\u00e3o relembrou momentos de tens\u00e3o vividos pela Jib\u00f3ia no \u00faltimo ano, quando em <\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2023\/10\/20\/ocupacao-que-abriga-mulheres-e-pessoas-lgbtqiap-e-alvo-de-acao-do-batalhao-de-choque-da-brigada-militar\"><span style=\"font-weight: 400;\">a\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria e ilegal, comandada pela Pol\u00edcia Militar<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e tropa de choque, derrubaram parte da ocupa\u00e7\u00e3o. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Naquela data, que marcava 19 de outubro, ap\u00f3s viol\u00eancia desproporcional da pol\u00edcia e do Estado contra a Okupa Jib\u00f3ia, esta recebeu a visita da Morada da Paz, em ato de solidariedade. No momento, Yashodhan se referiu a uma \u00e1rvore da okupa como parte do povo de p\u00e9. \u201cO pessoal do Kilombo Morada da Paz esteve aqui no dia 19, e escutar esse termo do povo de p\u00e9, e ouvir nas falas das pessoas no Kilombo, de muitos outros povos, dos povos encantados, do povo do fundo, que as \u00e1rvores s\u00e3o os povos de p\u00e9, \u00e9 marcante. No momento em que se falou do povo de p\u00e9 eu olhei para essa \u00e1rvore (paineira presente na Jib\u00f3ia) de um jeito diferente. E voltando do Kilombo eu tamb\u00e9m sinto essa \u00e1rvore de uma forma diferente. Ent\u00e3o meio que me sinto mais conectado ainda com esse territ\u00f3rio, entendendo que ele est\u00e1 conectado com todos esses outros. Que a nossa luta est\u00e1 conectada com todas essas outras lutas\u201d, contou.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6556\" aria-describedby=\"caption-attachment-6556\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6556 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/24-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"700\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6556\" class=\"wp-caption-text\">Parada da L\u00e9gua 2024 | Foto: Carolina Colorio<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entre outras performances apresentadas pela Okupa Jib\u00f3ia, em conjunto com outros coletivos, como a<\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/okupakalissa\/\"><span style=\"font-weight: 400;\"> Okupa Kali\u00e7a,<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> \u201cO Pulso ainda Pulsa\u201d trouxe como central o deslocamento flu\u00eddo por entre todos os blocos do ato, que tamb\u00e9m representa a forma como foi constru\u00edda a Parada da L\u00e9gua e a unidade das lutas ali presentes. \u201cFizemos a performance caminhando entre as pessoas, olhando elas nos olhos e segurando o pr\u00f3prio pulso enquanto fal\u00e1vamos: o pulso ainda pulsa. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Quando a gente se desloca entre pessoas que est\u00e3o em movimento, a gente precisa conectar uma percep\u00e7\u00e3o espacial e corporal diferente, porque o corpo todo da coletividade \u00e9 o corpo que dan\u00e7a quando tu te desloca. Se tu n\u00e3o tem essa consci\u00eancia, tu se choca com o outro.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> E fazendo esse deslocamento, esse movimento coletivo, tocando o pr\u00f3prio pulso, sentindo o pr\u00f3prio pulsar e rememorando e trazendo de volta o que \u00e9 vivo na gente das pessoas que j\u00e1 se foram, \u00e9 muito forte, \u00e9 muito intenso\u201d, mencionou Omar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ele contou que integrantes da Okupa perderam pessoas muito pr\u00f3ximas no \u00faltimo ano, e que antes da performance, houve um momento em que todes debateram como seria a apresenta\u00e7\u00e3o. Neste, muitos relatos de luto e perda estavam presentes, e foram sentidos coletivamente. O intuito da performance foi evocar os nomes de todos que tombaram na luta, rememorando que ainda sentimos os seus batimentos. Como disseram no ato: \u201cest\u00e1 presente, pois a gente at\u00e9 sente o pulsar de seu cora\u00e7\u00e3o\u201d. Entre as men\u00e7\u00f5es estavam M\u00e3e Bernadete, Zumbi dos Palmares, Nego Bispo, Marielle Franco, irm\u00e3 Dorothy, Sep\u00e9 Tiaraju, Isabel Cristina, Chico Mendes, Julieta Hernand\u00e9z. \u201c\u00c9 como se a gente tivesse colocando esse amor no som, colocando esse amor no ar ali. Enchendo o ato, tamb\u00e9m, disso. Foi muito curativo, \u00e9 muito curativo pra n\u00f3s\u201d, exp\u00f4s.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6558\" aria-describedby=\"caption-attachment-6558\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6558 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/30-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"700\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6558\" class=\"wp-caption-text\">Okupa tudo: \u201cNem gente sem casa, nem casa sem gente&#8221; | Foto: Carolina Colorio<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dividida em quatro partes, a performance realizada por integrantes da Okupa Jib\u00f3ia e da Okupa Kali\u00e7a tamb\u00e9m fez refer\u00eancia a suas pr\u00f3prias lutas, a partir da releitura de uma can\u00e7\u00e3o sobre a caminhada que fizeram at\u00e9 o tribunal, se posicionando contra a demoli\u00e7\u00e3o da Okupa\u00e7\u00e3o Jib\u00f3ia. \u201cAo mesmo<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> tempo trouxemos o vogue, que fala da cultura ballroom, que \u00e9 muito parte da nossa comunidade e tamb\u00e9m faz parte dessa luta por espa\u00e7o, reconhecimento, resist\u00eancia. Essa luta da comunidade LGBTQIAP+\u201d . Direto da Okupa Kali\u00e7a foi declamada uma poesia sobre a quest\u00e3o da branquitude e da luta antirracista, e feito convite para que presentes participassem do grupo de estudos sobre branquitude, que ocorre na Okupa. Por fim, a performance realizada pelas ocupa\u00e7\u00f5es urbanas trouxe uma manifesta\u00e7\u00e3o sobre a quest\u00e3o da moradia, expondo dados quanto ao d\u00e9ficit habitacional de Porto Alegre e defendendo o direito \u00e0 moradia, um direito b\u00e1sico t\u00e3o violado.\u00a0 \u201cNem gente sem casa, nem casa sem gente &#8211; um refr\u00e3o que fala bastante da nossa hist\u00f3ria\u201d, evidenciou Omar.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<h3><b>\u00c9 preciso parar a l\u00e9gua: a amplia\u00e7\u00e3o de uma rodovia e a viola\u00e7\u00e3o de direitos de uma comunidade\u00a0<\/b><i><\/i><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nascida das entranhas das mulheres pretas, que retomam a luta de seus ancestrais quando foram expulsos de seus territ\u00f3rios, a Comunidade Kilombola Morada da Paz vem h\u00e1 uma d\u00e9cada lutando contra a amplia\u00e7\u00e3o da rodovia federal.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As obras de amplia\u00e7\u00e3o da BR-386 foram iniciadas em 2010 pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT). O empreendimento faz parte do programa de Concess\u00e3o Federal no Rio Grande do Sul e \u00e9 regulado pela Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conforme a Comunidade, a amplia\u00e7\u00e3o no trecho 405-415km afeta diretamente o territ\u00f3rio, envolvendo, entre outros danos, a supress\u00e3o de 300m2 da vegeta\u00e7\u00e3o local e a aproxima\u00e7\u00e3o perigosa de uma rodovia com alto fluxo de ve\u00edculos pesados perto de suas porteiras, colocando em risco todas as vidas que comp\u00f5em o territ\u00f3rio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cN\u00e3o fomos informados absolutamente de nada at\u00e9 hoje, faz quatro anos que estamos nessa luta ent\u00e3o ela n\u00e3o \u00e9 de boa f\u00e9. N\u00e3o nos procuraram at\u00e9 hoje\u201d, afirma Yashodhan Abya Yala.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6554\" aria-describedby=\"caption-attachment-6554\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6554 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/6-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"700\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6554\" class=\"wp-caption-text\">Vidas Negras Importam. Concentra\u00e7\u00e3o para a Parada da L\u00e9gua 2024 | Foto: Carolina Colorio<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No final de 2021 a comunidade ajuizou a A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica (N, 5063160-33.2022.4.047100\/RS) em que pedia a suspens\u00e3o\u00a0 do andamento da obra no trecho at\u00e9 que fosse realizada a Consulta Pr\u00e9via, Livre, Informada e de Boa F\u00e9 \u00e0 comunidade, respeitando a Conven\u00e7\u00e3o n.169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT). \u00a0 Mesmo ap\u00f3s in\u00fameros recursos dos r\u00e9us do processo &#8211; as empresas concession\u00e1rias e o Estado brasileiro, a partir dos \u00f3rg\u00e3os Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (INCRA), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (IBAMA) &#8211; a Comunidade ganhou a causa sustentando a decis\u00e3o liminar.\u00a0<\/span><i><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Contudo, esta foi derrubada ao final de 2023, quando a ju\u00edza designada para avaliar o m\u00e9rito do processo decidiu extinguir a a\u00e7\u00e3o. O argumento utilizado foi o de que, ainda que tenha legitimidade em reivindicar esse direito, a comunidade estaria se adiantando em seu pedido, j\u00e1 que o cronograma da concession\u00e1ria teria previsto para 2034 a execu\u00e7\u00e3o das obras no trecho 358-444 KM, entre os munic\u00edpios de Taba\u00ed e Canoas, o que tiraria seu car\u00e1ter de urg\u00eancia.<\/span><i><\/i><\/p>\n<figure id=\"attachment_6566\" aria-describedby=\"caption-attachment-6566\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6566 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/22-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"700\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6566\" class=\"wp-caption-text\">Povos do campo, das \u00e1guas, das florestas, das ocupa\u00e7\u00f5es urbanas, das periferias, dos assentamentos da reforma agr\u00e1ria, das retomadas ind\u00edgenas, da comunidade LGBTQIAP+, de quilombos do Pampa \u00e0 Amaz\u00f4nia, refugiados e imigrantes de outros pa\u00edses e movimentos sociais faziam coro. No mesmo ritmo de um batimento card\u00edaco, anunciavam: avan\u00e7aremos.\u00a0| Foto: Carolina Colorio<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como relata Yashodhan, a duplica\u00e7\u00e3o da rodovia federal amea\u00e7a a comunidade quando ela fere o protocolo de consulta pr\u00e9via, livre, informada e de boa f\u00e9. \u201c\u00c9 importante que se diga que a consulta \u00e9 uma obrigatoriedade do estado brasileiro que \u00e9 signat\u00e1rio da conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT). A consulta pr\u00e9via pressup\u00f5e um processo que respeite os povos que ser\u00e3o impactados. Aqui no territ\u00f3rio n\u00f3s n\u00e3o somos ou isso ou aquilo. \u00c9 e, e \u00e9 n\u00f3s e o nosso povo em p\u00e9, as nossas Yanjis, nossas \u00e1rvores. Somos n\u00f3s e o ar que respiramos, onde reina a Ians\u00e3, Ofurucu. \u00c9 E. N\u00f3s e toda vida de seres sencientes que habitam conosco esse espa\u00e7o. Ent\u00e3o esse espa\u00e7o todo est\u00e1 sendo amea\u00e7ado\u201d.<br \/>\n<\/span><i><\/i><\/p>\n<figure id=\"attachment_6560\" aria-describedby=\"caption-attachment-6560\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6560 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/34-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"700\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6560\" class=\"wp-caption-text\">Encontro de culturas: Canto Mby\u00e1-Guarani durante Parada da L\u00e9gua 2024 | Foto: Carolina Colorio<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cUma ju\u00edza sentenciou de modo que ela tenta derrubar a nossa a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica. Ent\u00e3o essa marcha, ela tamb\u00e9m serve para avisar essa ju\u00edza de que a sua senten\u00e7a \u00e9 uma escrita de cicatrizes de viola\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o. E n\u00f3s n\u00e3o fizemos da borda, da periferia ou da margem, um espa\u00e7o de exclus\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, n\u00f3s fizemos da periferia, da margem, da borda que tentam nos colocar um espa\u00e7o de liberta\u00e7\u00e3o. Queremos mais do que sobreviver, queremos dignidade. Que essa ju\u00edza entenda o recado que sua senten\u00e7a n\u00e3o vai borrar a nossa coragem\u201d, afirmou Yashodhan.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6562\" aria-describedby=\"caption-attachment-6562\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6562 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/36-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"700\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6562\" class=\"wp-caption-text\">\u201cPermita que eu fale, n\u00e3o as minhas cicatrizes&#8221; | Foto: Carolina Colorio<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-size: 1rem;\"><br \/>\n<strong>\u201cN\u00e3o se render. Ousar lutar, ousar vencer\u201d<br \/>\n<\/strong><\/span><\/span><strong><span style=\"font-size: 1rem;\">Grito pronunciado durante Parada da L\u00e9gua 2024<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conhe\u00e7a mais sobre a hist\u00f3ria de luta do Kilombo Morada da Paz em <\/span><a style=\"font-size: 1.125rem;\" href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/tag\/dossie-quilombola\/\">\u201cA \u00e1gua sempre encontra um caminho: A caminhada da CoMPaz pelo respeito ao seu Direito de Ser e Existir\u201d\u00a0<\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_6573\" aria-describedby=\"caption-attachment-6573\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6573 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/1-1-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"700\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6573\" class=\"wp-caption-text\">Solidariedade das lutas na concentra\u00e7\u00e3o para a Parada da L\u00e9gua, na Comunidade Kilombola Morada da Paz \u2013 Territ\u00f3rio de M\u00e3e Preta (CoMPaz) | Foto: Carolina Colorio<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunidade Kilombola Morada da Paz &#8211; Territ\u00f3rio de M\u00e3e Preta (CoMPaz) realizou o ato &#8216;Parada da L\u00e9gua&#8217;, em Triunfo (RS). Por uma Solidariedade Real e Radical, Povos da Terra marcharam em unidade pelo direito de ser e existir. \u201cAqui n\u00f3s estamos mais um dia lutando pelo nosso direito de ser e existir. Ou\u00e7am o nosso grito. O nosso grito, ele n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 hoje, ele \u00e9 todo dia. E quero dizer que a gente \u00e9 pessoas, como voc\u00eas. A gente luta pelo que a gente ama, a gente vive o cotidiano. Mas n\u00f3s estamos sendo atacados. Isso sim \u00e9 uma den\u00fancia. Quando a gente \u00e9 atacado naquilo que a gente ama no nosso \u00edntimo, a gente sente e a gente sofre tamb\u00e9m. Mas a gente escolheu lutar com alegria, cantar e chorar ao mesmo tempo. Porque \u00e9 assim que \u00e9 a vida no Kilombo de M\u00e3e Preta. Eu queria que voc\u00eas ouvissem, realmente: que o aqui e o agora \u00e9 que a gente preserva o amanh\u00e3\u201d. Fala de Nishtha, Ekedi Khan da Na\u00e7\u00e3o Muzungu\u00ea, da Comunidade Kilombola Morada da Paz, durante a Parada da L\u00e9gua 2024 No s\u00e1bado (20), o t\u00edpico som do tr\u00e2nsito que corre desproporcionalmente veloz pela BR 386 foi abafado. Marac\u00e1s, tambores e m\u00faltiplas vozes irromperam o asfalto num ato que trazia uma mensagem de coletividade e de vida. Povos do campo, das \u00e1guas, das florestas, das ocupa\u00e7\u00f5es urbanas, das periferias, dos assentamentos da reforma agr\u00e1ria, das retomadas ind\u00edgenas, da comunidade LGBTQIAP+, de quilombos do Pampa \u00e0 Amaz\u00f4nia, refugiados e imigrantes de outros pa\u00edses e movimentos sociais faziam coro. No mesmo ritmo de um batimento card\u00edaco, anunciavam: avan\u00e7aremos.\u00a0 Em defesa da autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos e de seu direito radical de ser e existir, a Comunidade Kilombola Morada da Paz realizou o\u00a0 ato \u201cParada da L\u00e9gua\u201d, denunciando a amplia\u00e7\u00e3o da BR-386, a menos de 500 metros da comunidade. Um projeto que j\u00e1 perturba o sonho das crian\u00e7as e amea\u00e7a o territ\u00f3rio, intimidando gentes, bichos, \u00e1rvores anci\u00e3s, o tempo e a terra que ali coabitam. Conforme relato de Yashodhan Abya Yala, Yalas\u00e9 da Na\u00e7\u00e3o Muzungu\u00ea, Sangoma da Casa da S\u00e9tima Ordem, zeladora e protetora da Comunidade Kilombola Morada da Paz, a amplia\u00e7\u00e3o da BR \u00e9 mais uma amea\u00e7a dos mega empreendimentos. \u201cAt\u00e9 hoje nunca vimos o projeto, n\u00e3o fomos consultados\u201d, relatou. Ponto que fere a Conven\u00e7\u00e3o n.169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT),\u00a0 que prev\u00ea a Consulta Pr\u00e9via, Livre, Informada e de Boa F\u00e9 \u00e0s comunidades tradicionais que s\u00e3o impactadas por projetos, pol\u00edticas ou empreendimentos.\u00a0 Com o lema \u201cPor uma Solidariedade Real e Radical em Territ\u00f3rio de M\u00e3e Preta CoMPaz: povos tradicionais marcham em unidade pelo direito de ser e existir\u201d, a comunidade articulou a manifesta\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, alertando a vizinhan\u00e7a e autoridades sobre os impactos do empreendimento no local. Assim como comunicando a sua luta para barrar a l\u00e9gua, uma rodovia tamb\u00e9m conhecida como o concreto dum processo extrativo que dilacera a sociobiodiversidade. Durante a marcha po\u00e9tica-cultural, pol\u00edtica-espiritual, a l\u00e9gua parou, abrindo espa\u00e7o para o movimento dos p\u00e9s no asfalto. E o di\u00e1logo se deu com quem estava parado no tr\u00e2nsito e moradores das beiras da BR,\u00a0 contando tamb\u00e9m com a distribui\u00e7\u00e3o de materiais informativos.\u00a0 Para al\u00e9m da den\u00fancia, o ato trouxe a vivacidade da mem\u00f3ria e do tempo. Entre falas, batucadas, espadas de S\u00e3o Jorge ao alto, som da concha e do berrante, no caminho se narrava a hist\u00f3ria do Kilombo Morada da Paz, que existe em Triunfo h\u00e1 21 anos. Uma comunidade de remanescentes, aqueles que lembram e mant\u00eam viva a mem\u00f3ria do seu povo. Uma hist\u00f3ria que tamb\u00e9m \u00e9 de luta, e que se conecta \u00e0 realidade de tantos outros territ\u00f3rios que resistem. Que em meio a um Estado racista e colonial, ao poder das corpora\u00e7\u00f5es e as decorrentes pol\u00edticas de morte ditadas por um projeto pol\u00edtico que entende o valor no lucro, at\u00e9 podem sentir medo, mas n\u00e3o ousam vestir. E insistem, com ganas de transformar a realidade, em anunciar a sua exist\u00eancia. Viemos de nossas terras fazer barulho na terra inteira Tempo \u00e9 mem\u00f3ria. A solidariedade entre territ\u00f3rios que lutam para preservar a exist\u00eancia e o amanh\u00e3 Na concentra\u00e7\u00e3o, na r\u00f3tula h\u00e1 1,6 km da Comunidade em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Porto Alegre, um arco-\u00edris abriu os trabalhos. Na marcha, que ocupou por mais de uma hora as duas pistas da BR no sentido da regi\u00e3o metropolitana ao interior do estado, a lua imensa, quase cheia, refletia do c\u00e9u no rosto de uma multid\u00e3o. Carros parados ao longo da rodovia indicavam algum tipo de sil\u00eancio, como uma espera por uma mensagem que quebrasse o som de motores. Ao longo de quil\u00f4metros de caminhada, marchavam em defesa do Kilombo povos articulados em luta, munidos com a mem\u00f3ria de seus territ\u00f3rios e um amor transbordante. Foram mais de cem pessoas presentes, com a for\u00e7a de uma caminhada daqueles que vem de muito antes, e que seguir\u00e1 nas gera\u00e7\u00f5es futuras. Entre pontos para Ogum, Ians\u00e3, Es\u00f9 e Xang\u00f4, ecoavam do come\u00e7o ao fim da Parada da L\u00e9gua frases como: \u201cEssa luta \u00e9 nossa, essa luta \u00e9 do povo, \u00e9 akilombando que se faz um Brasil novo\u201d e \u201cPelo direito de ser e existir: solidariedade real e radical\u201d. A radicalidade dos cantos contava sobre o amor das exist\u00eancias diversas, multi\u00e9tnicas. Sobre aqueles que tombaram, mas fazem presen\u00e7a a cada passo dado. Sobre a conflu\u00eancia do encontro de norte a sul do Brasil, de retomada a retomada ind\u00edgena, de quilombo em quilombo, das ocupa\u00e7\u00f5es de luta por moradia e por reforma agr\u00e1ria. \u201cA nossa luta \u00e9 a luta deles tamb\u00e9m. Em busca de moradia, em busca de espa\u00e7o, para a continua\u00e7\u00e3o de sua resist\u00eancia. \u00c9 importante para nossos parentes kilombolas. Eles est\u00e3o colocando lix\u00e3o aqui, as empresas querendo tirar eles para colocar lix\u00e3o, que tem qu\u00edmicas que prejudicam a vida. \u00c9 muito importante fazer a nossa parte apoiando. T\u00e3o querendo ampliar a BR tamb\u00e9m, tomando o espa\u00e7o dos moradores daqui. Principalmente dos parentes quilombolas, que tamb\u00e9m defendem a terra, assim como n\u00f3s, ind\u00edgenas, origin\u00e1rios da terra\u201d, manifestou em apoio a<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":8328,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[600,602,5,1835],"tags":[],"class_list":["post-6540","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-antirracismo","category-justica-ambiental-nas-cidades","category-soberania-alimentar","category-saeb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6540","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6540"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6540\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8332,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6540\/revisions\/8332"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8328"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6540"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6540"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6540"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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