{"id":6447,"date":"2023-12-26T17:51:01","date_gmt":"2023-12-26T20:51:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=6447"},"modified":"2025-06-12T13:31:14","modified_gmt":"2025-06-12T16:31:14","slug":"encontro-de-atingidos-por-agrotoxicos-debate-vitorias-conquistadas-e-proximos-passos-em-defesa-dos-territorios-e-da-agroecologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=6447","title":{"rendered":"Encontro de atingidos por agrot\u00f3xicos debate vit\u00f3rias conquistadas e pr\u00f3ximos passos em defesa dos territ\u00f3rios e da agroecologia"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Meio a invas\u00e3o da fronteira agr\u00edcola e a mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida, que dilacera o bioma Pampa e traz uma s\u00e9rie de viola\u00e7\u00f5es de direitos, povos e territ\u00f3rios resistem. Organizado por produtores agroecol\u00f3gicos e assentados do Movimento Sem Terra (MST RS) atingidos pela pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos, com a solidariedade de parceiros urbanos, encontro em Nova Santa Rita (RS) pauta estrat\u00e9gias e alian\u00e7as da luta por agroecologia, direitos humanos e soberania alimentar<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O domingo do dia 17 de dezembro foi marcado por confraterniza\u00e7\u00e3o entre fam\u00edlias ga\u00fachas atingidas pela deriva de agrot\u00f3xicos d<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">e Nova Santa Rita, Eldorado do Sul e Tapes, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">e apoiadores. Com o intuito de revisitar o hist\u00f3rico de luta das pessoas atingidas pelo crime de deriva (pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos), a atividade contou com roda de conversa, relatos diversos e levantamento tanto de viola\u00e7\u00f5es de direitos como das vit\u00f3rias dos atingidos. Tamb\u00e9m foram debatidos os caminhos tra\u00e7ados pela resist\u00eancia ao modelo do agroneg\u00f3cio (<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">de coexist\u00eancia imposs\u00edvel<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">) al\u00e9m de estrat\u00e9gias e t\u00e1ticas contra a pulveriza\u00e7\u00e3o de veneno, que incide violentamente no cotidiano de ind\u00edgenas, quilombolas, comunidades perif\u00e9ricas, pessoas assentadas, pequenas produtoras de alimentos e se estende para al\u00e9m do rural, afetando todos ecossistemas e quem vive no meio urbano. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Seja no corpo, na \u00e1gua, no ar ou nos alimentos contaminados por agrot\u00f3xicos, venenos, pesticidas, fungicidas e defensivos. Nomes tantos que descrevem verdadeiras armas qu\u00edmicas. Nomes que impactam, mas que importam menos do que o seu efeito na realidade: matam uma morte lenta, silenciosa e perversa, que conta com a impunidade corporativa e com a captura do estado, que \u00e9 conivente com este modelo de aniquila\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para al\u00e9m das articula\u00e7\u00f5es da luta, o momento foi importante por ser uma confraterniza\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias que sofrem tantas viol\u00eancias por parte do agroneg\u00f3cio. Um modelo que avan\u00e7a nas vidas carregando uma forma de a\u00e7\u00e3o criminosa, que gera impactos para al\u00e9m do envenenamento. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO agroneg\u00f3cio faz todo o contr\u00e1rio do que a reforma agr\u00e1ria faz, e n\u00e3o deixa acontecer o trabalho na terra. Tira e expulsa as pessoas do campo\u201d, salientou Graciela de Almeida<\/span><b>, <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">assentada do MST RS,\u00a0 que produz sem agrot\u00f3xicos e de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">forma agroecol\u00f3gica\u00b9<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. A assentada contou que por anos as fam\u00edlias da regi\u00e3o v\u00eam sendo afetadas por verdadeiras chuvas de veneno, utilizado pelo agroneg\u00f3cio. Destacou, ainda, a import\u00e2ncia de parceiros urbanos e de organiza\u00e7\u00f5es socioambientais, que tamb\u00e9m tornam poss\u00edvel que o trabalho de quem vive o rural, assim como as suas lutas, sejam exemplo em outros lugares.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cPrecisamos continuar nessa luta. Resistir para existir, como o povo da Palestina. N\u00e3o posso deixar de dizer que viva o povo da Palestina\u201d, comentou em solidariedade, trazendo a conex\u00e3o das lutas para al\u00e9m de fronteiras impostas pelo capital. Graciela defendeu que \u00e9 preciso disputar espa\u00e7os e incidir na esfera internacional, como foi realizado em novembro de 2022, quando <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">uma <\/span><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2022\/11\/07\/delegacao-brasileira-vai-a-europa-denunciar-impactos-socioambientais-do-acordo-mercosul-ue\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">delega\u00e7\u00e3o brasileira <\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">e a Frente Contra o Acordo Mercosul Uni\u00e3o Europeia levaram den\u00fancias a cinco pa\u00edses do continente Europeu. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cFomos\u00a0 para denunciar precisamente a quest\u00e3o dos agrot\u00f3xicos no Brasil e como isso impacta nas comunidades, barrando um desenvolvimento realmente sustent\u00e1vel\u201d, explicou.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_5105\" aria-describedby=\"caption-attachment-5105\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5105 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/WhatsApp_Image_2022-11-15_at_12.33.27-1024x768.jpeg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"394\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5105\" class=\"wp-caption-text\">Jornada na Europa, em 2022.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na ocasi\u00e3o, a delega\u00e7\u00e3o brasileira, composta por representantes da Amigos da Terra Brasil, da APIB (Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil), da RENAP (Rede Nacional de Advogados Populares) e do MST realizou uma <\/span><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2022\/11\/07\/delegacao-brasileira-faz-jornada-na-europa-para-denunciar-os-impactos-do-acordo-mercosul-uniao-europeia\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Jornada pela Europa<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Al\u00e9m de den\u00fancias, foram feitas reivindica\u00e7\u00f5es em debates que ocorreram com parlamentares, jornalistas, acad\u00eamicos e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil. O foco foi apresentar os impactos do Acordo Mercosul &#8211; Uni\u00e3o Europeia sob os povos ind\u00edgenas, comunidades camponesas e produtoras agroecol\u00f3gicas, ecossistemas e popula\u00e7\u00f5es atingidas pela minera\u00e7\u00e3o e pelos agrot\u00f3xicos no Brasil. Colonial e violento, o acordo comercial daria lastro ao avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio, ampliando a libera\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos (proibidos em seus pa\u00edses de origem) na Am\u00e9rica Latina. Aprofundaria, ainda, a rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia econ\u00f4mica do sul global em rela\u00e7\u00e3o ao norte, intensificando a superexplora\u00e7\u00e3o da natureza, dos povos e dos territ\u00f3rios na periferia do sistema, onde estamos situados.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/youtube.com\/playlist?list=PLVXsmiBfg65YZt86U0wNBw6R4Go5U3N6D\"><span style=\"font-weight: 400;\">Acesse todos os depoimentos da Campanha Parem o Acordo UE-Mercosul na nossa playlist no Youtube: embedar link<\/span><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2022\/11\/09\/posicionamento-da-frente-brasileira-contra-acordo-mercosul-ue-e-apresentado-no-parlamento-europeu\/\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Confira o Posicionamento da Frente Brasileira Contra Acordo Mercosul-UE, que foi apresentado no Parlamento Europeu<\/span><\/i><\/a><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00b9 A produ\u00e7\u00e3o de alimentos de forma agroecol\u00f3gica vai al\u00e9m de um m\u00e9todo de produ\u00e7\u00e3o de alimentos, e se conecta ao todo. \u00c9 muito mais do que produzir sem veneno, embora englobe este quesito. \u00c9 uma forma de produ\u00e7\u00e3o alimentar, mas \u00e9 uma forma de ser e agir no mundo, que constr\u00f3i outros horizontes de mundos, com base em valores \u00e9ticos centrados na vida, e n\u00e3o na l\u00f3gica de lucro, dos neg\u00f3cios, do mercado ou da mercantiliza\u00e7\u00e3o de tudo. \u00c9 uma luta permanente, e uma constru\u00e7\u00e3o permanente que est\u00e1 enraizada na luta pela terra, na consci\u00eancia e luta de classes, na luta contra o patriarcado, anticolonialista, anti-imperialista, anticapitalista e contra qualquer forma de explora\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o. <\/span><\/i><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/2FoYTWzxPxWV6eK3bMkSdB?si=u7DA0wn3RYW-XPlvPvQ0hg&amp;nd=1&amp;dlsi=47ad2f0ec6c7420f\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Saiba mais aqui\u00a0<\/span><\/i><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>A luta por alimentos, pessoas e ambientes saud\u00e1veis pulsa da semeadura \u00e0 colheita nos assentamentos do MST, que resistem ao envenenamento da vida<\/b><\/p>\n<figure id=\"attachment_6460\" aria-describedby=\"caption-attachment-6460\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-6460 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/fernando-4-1024x461.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"236\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6460\" class=\"wp-caption-text\">Confraterniza\u00e7\u00e3o em Nova Santa Rita (RS), em dezembro de 2023 | CNDH<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A regi\u00e3o de Santa Rita \u00e9 reconhecida pelos assentamentos da reforma agr\u00e1ria que produzem alimentos sem veneno, onde se concentram algumas das \u00e1reas de maior produ\u00e7\u00e3o de arroz agroecol\u00f3gico da Am\u00e9rica Latina. Tamb\u00e9m \u00e9 marcada por um conflito que compromete as formas de vida e de produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de in\u00fameras fam\u00edlias da agricultura agroecol\u00f3gica &#8211; a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos em fazendas das proximidades.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O veneno, aliado ao monocultivo e a uma forma \u00fanica de compreender a rela\u00e7\u00e3o com a terra &#8211; a da mercantiliza\u00e7\u00e3o, contamina solos, \u00e1guas, ar, gentes, e bichos, e causa impactos irrevers\u00edveis na sa\u00fade ecossist\u00eamica. Quem trabalha na terra de uma forma justa e harm\u00f4nica, garantindo alimentos saud\u00e1veis de verdade, que abastecem diversas cidades, acaba sofrendo na pele os efeitos das pulveriza\u00e7\u00f5es. Queimaduras, feridas, alergias, enjoos, mal s\u00fabito, c\u00e2ncer, depress\u00e3o e sufocamento s\u00e3o alguns dos sintomas da exposi\u00e7\u00e3o aos agrot\u00f3xicos. Sintomas, tamb\u00e9m, de um sistema nefasto que entende que mais importante que alimentar o pa\u00eds, \u00e9 produzir commodities para o capital estrangeiro. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O lucro do agroneg\u00f3cio significa\u00a0 contamina\u00e7\u00e3o. \u00c9 o empobrecimento das fam\u00edlias, o empobrecimento geral.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fernando Campos, da Amigas da Terra Brasil, exp\u00f4s:<\/span><b> \u201c<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Para n\u00f3s \u00e9 muito importante essa virada de ano com uma perspectiva de alguma forma positiva. O que acontece aqui acontece, de alguma forma, em v\u00e1rios lugares. A grande diferen\u00e7a \u00e9 a gente reunir for\u00e7as para conseguir enfrentar esse grande setor que \u00e9 o agroneg\u00f3cio, que tem por tr\u00e1s de si empresas, corpora\u00e7\u00f5es que est\u00e3o no mundo inteiro tomando territ\u00f3rios. Expulsando pessoas do campo e levando para a cidade, empobrecendo o nosso povo. Seja com as doen\u00e7as, seja com a a\u00e7\u00e3o permanente de uso dos agrot\u00f3xicos como arma qu\u00edmica na expans\u00e3o do territ\u00f3rio,\u00a0 impossibilitando quem est\u00e1 na sua volta e que tem outra rela\u00e7\u00e3o com a agricultura (sem veneno, sem transg\u00eanico) de sobreviver.\u00a0 A decis\u00e3o do uso destas tecnologias de morte n\u00e3o param na cerca, elas v\u00e3o para o mundo\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6455\" aria-describedby=\"caption-attachment-6455\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-6455 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/1-1024x633.png\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"325\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6455\" class=\"wp-caption-text\">Confraterniza\u00e7\u00e3o em Nova Santa Rita (RS), em dezembro de 2023 | CNDH<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tendo isso tudo em vista, os presentes no encontro debateram quais foram os desafios e conquistas de 2023, se posicionando contra o modelo de produ\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio e tra\u00e7ando um horizonte de constru\u00e7\u00e3o para a soberania alimentar. Foram discutidos aspectos como ferramentas de luta, ferramentas legais, com marcos como a assessoria jur\u00eddica aos afetados, al\u00e9m da <\/span><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2022\/03\/03\/queremos-justica-deriva-de-pulverizacao-aerea-com-agrotoxico-em-plantio-organico-em-assentamento-em-nova-santa-rita-rs-completa-1-ano\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">lei que restringe as pulveriza\u00e7\u00f5es a\u00e9reas <\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">na regi\u00e3o metropolitana, mais especificamente na zona de amortecimento do Parque do Delta do Jacu\u00ed.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fernando ressaltou que para avan\u00e7ar na luta contra o veneno \u00e9 preciso de ferramentas e se instrumentalizar, at\u00e9 mesmo para que seja poss\u00edvel reunir provas e realizar den\u00fancias de forma concisa. A recente garantia de esta\u00e7\u00f5es climatol\u00f3gicas em cidades que sofrem com a deriva de agrot\u00f3xicos foi um dos passos fundamentais nessa dire\u00e7\u00e3o. \u201cConseguimos, a partir das conversas e di\u00e1logo, garantir para fam\u00edlias de Nova Santa Rita, do assentamento Santa Rita de C\u00e1ssia, assim como de Tapes e Eldorado, cada um ter uma esta\u00e7\u00e3o climatol\u00f3gica para poderem eles mesmos terem seus dados das medi\u00e7\u00f5es de vento, velocidade, temperatura. Aqui em Santa Rita h\u00e1 uma no parque mesmo, iniciativa muito importante da prefeitura. Mas \u00e9 importante que as fam\u00edlias tenham as suas pr\u00f3prias\u00a0 informa\u00e7\u00f5es, os seus dados, para bater com os dados do Estado\u201d, analisou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A instala\u00e7\u00e3o das esta\u00e7\u00f5es citadas est\u00e1 prevista para janeiro de 2024, junto a um conjunto de iniciativas e a\u00e7\u00f5es para fortalecer a luta das fam\u00edlias afetadas pela deriva. Entre elas, formas para monitorar e documentar viola\u00e7\u00f5es de direitos. \u201cA gente sabe que ter uma vida, que viver do lado do agroneg\u00f3cio n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel produzindo agroecologia. A gente precisa de fato mudar essa realidade. Por isso, tamb\u00e9m, que a ideia da poligonal, de uma \u00e1rea livre de agrot\u00f3xicos aqui na regi\u00e3o, importa muito\u201d, frisou Fernando.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_6456\" aria-describedby=\"caption-attachment-6456\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6456 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/3-1-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"295\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/3-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/3-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/3-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/3-1-500x281.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/3-1-800x450.jpg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/3-1.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6456\" class=\"wp-caption-text\">Confraterniza\u00e7\u00e3o em Nova Santa Rita (RS), em dezembro de 2023 | CNDH<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Emerson Jos\u00e9 Giacomelli, militante do MST, assentado do Assentamento Capela e Secret\u00e1rio de Agricultura de Nova Santa Rita, destacou a Lei da Deriva e a import\u00e2ncia de ferramentas de luta constru\u00eddas coletivamente.\u00a0 Mencionou, tamb\u00e9m, as pol\u00edticas p\u00fablicas do munic\u00edpio voltadas para a agroecologia, para produtores de mel\u00e3o, pequenos produtores e quanto ao meio ambiente e educa\u00e7\u00e3o, afirmando que uma diversidade de programas chegam nas propriedades. Citou, ainda, conv\u00eanio com laborat\u00f3rio de S\u00e3o Paulo, respons\u00e1vel pela an\u00e1lise de amostras para detectar agrot\u00f3xicos, que j\u00e1 vem sendo utilizado e ser\u00e1 posto \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos assentados. \u201cCome\u00e7aremos o ano na Secretaria da Agricultura com or\u00e7amento de mais de 11 milh\u00f5es. Poucos munic\u00edpios t\u00eam investimento e prioridade t\u00e3o fortes para a agricultura familiar como Santa Rita. Mas n\u00e3o podemos nos acomodar, mesmo com novos projetos e parcerias\u201d, destacou, se comprometendo a buscar parceria com o Governo Federal para ampliar o atendimento aos atingidos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c1lvaro Dellatorre, da <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Cooperativa Central dos Assentamentos do Rio Grande do Sul (Coceargs), definiu a confraterniza\u00e7\u00e3o e o momento trazendo o conceito de agroecologia. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAch\u00e1vamos que a t\u00e9cnica pela t\u00e9cnica resolvia as quest\u00f5es, mas chegamos no conceito de agroecologia. O que acontece aqui nessa roda de conversa \u00e9 exatamente essa dimens\u00e3o, porque percebemos que atr\u00e1s da t\u00e9cnica h\u00e1 sociologia, antropologia, outras dimens\u00f5es da vida que explicam a agroecologia, que permitem que entidades e pessoas que n\u00e3o est\u00e3o produzindo somem nesse processo. Isso \u00e9 o que vemos aqui\u201d.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A agroecologia, presente no trabalho do MST e de atingidos pela pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos de Nova Santa Rita, \u00e9 um exemplo de realiza\u00e7\u00e3o do direito humano \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. Este direito deve tratar da alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel considerando quantidades adequadas, qualidade dos alimentos, serem livres de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas e adversas, serem ambientalmente sustent\u00e1veis, acess\u00edveis e dispon\u00edveis para todos.\u00a0 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">A Promotora de Justi\u00e7a aposentada do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio Grande do Sul (MP RS) e\u00a0 especialista em Direito Humano \u00e0 Alimenta\u00e7\u00e3o Adequada, Miriam Balestro, incidiu na conversa destacando que <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">o direito humano \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada tem que ser cada vez mais mobilizado e utilizado como instrumento de luta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO que ocorre hoje no Congresso Nacional \u00e9 que o agroneg\u00f3cio, por suas curvas, est\u00e1 atacando o direito humano \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada previsto no artigo 6\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Eles querem trocar a palavra por seguran\u00e7a alimentar. Seguran\u00e7a alimentar n\u00e3o \u00e9 o direito, \u00e9 a pol\u00edtica. \u00c9 como dizermos que direito a rem\u00e9dio de hospital \u00e9 direito \u00e0 sa\u00fade, n\u00e3o \u00e9. A constru\u00e7\u00e3o internacional fala de direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o\u201d, denunciou. De acordo com Miriam, o Brasil tem a melhor legisla\u00e7\u00e3o do mundo quanto a direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, o problema \u00e9 que ela \u00e9 pouco utilizada.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O agro \u00e9 morte, o agro \u00e9 emerg\u00eancia clim\u00e1tica<\/b><\/p>\n<figure id=\"attachment_6459\" aria-describedby=\"caption-attachment-6459\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6459 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/fernando-3-1024x461.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/fernando-3-1024x461.jpg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/fernando-3-300x135.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/fernando-3-768x346.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/fernando-3-500x225.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/fernando-3-800x360.jpg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/fernando-3.jpg 1160w\" sizes=\"(max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6459\" class=\"wp-caption-text\">Confraterniza\u00e7\u00e3o em Nova Santa Rita (RS), em dezembro de 2023 | CNDH<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para al\u00e9m do agroneg\u00f3cio e da viol\u00eancia do uso de agrot\u00f3xicos, assentadas e produtoras rurais enfrentam ainda quest\u00f5es da emerg\u00eancia clim\u00e1tica.\u00a0 Esta, intensificada justamente pela sanha de poder de corpora\u00e7\u00f5es e empresas, especialmente do setor miner\u00e1rio e do agroneg\u00f3cio, este segundo que imp\u00f5e <\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2023\/12\/19\/pampa-um-bioma-ameacado-pelo-agronegocio\"><span style=\"font-weight: 400;\">o avan\u00e7o da fronteira agr\u00edcola. A consequ\u00eancia \u00e9 o desmatamento e perda de biomas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, para al\u00e9m do exterm\u00ednio de povos tradicionais e uma s\u00e9rie de viola\u00e7\u00f5es de direitos. No Brasil, sexto maior emissor de di\u00f3xido de carbono (CO2), g\u00e1s poluente que mais tem impacto no aquecimento global, o principal fator de emiss\u00e3o est\u00e1 conectado ao desmatamento, que prov\u00e9m da altera\u00e7\u00e3o de uso de solo liderada pelo agroneg\u00f3cio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA quest\u00e3o ambiental \u00e9 uma quest\u00e3o de direito humano. O que acontece com o problema da deriva, das enchentes, cat\u00e1strofes ambientais, \u00e9 problema de direito humano. Estamos vivendo um novo momento hist\u00f3rico. N\u00e3o existe pensar um mundo diferente se a gente n\u00e3o incorporar a dimens\u00e3o ambiental no que faz. E o componente carbonero \u00e9 um componente fundamental da nossa estrat\u00e9gia, a luta s\u00f3 come\u00e7ou\u201d, contextualizou Dellatorre.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Marina Dermmam, presidenta do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), relatou como este vem trabalhando dentro da tem\u00e1tica:\u00a0 \u201cO CNDH come\u00e7ou atividades hoje cedo nos assentamentos para verificar como a emerg\u00eancia clim\u00e1tica t\u00eam atravessado a realiza\u00e7\u00e3o dos direitos humanos de voc\u00eas. A maioria aqui foi v\u00edtima, tamb\u00e9m, das \u00faltimas enchentes. Perderam novamente suas produ\u00e7\u00f5es. N\u00e3o bastasse o agroneg\u00f3cio e o veneno, agora vem as quest\u00f5es clim\u00e1ticas. Junto com o Conselho viemos com equipe de relatores aqui para monitorar as viola\u00e7\u00f5es e conhecer a realidade\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2023\/12\/19\/missao-do-conselho-nacional-de-direitos-humanos-visita-assentamentos-inundados\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Leia tamb\u00e9m a reportagem do Jornal Brasil de Fato:\u00a0 Miss\u00e3o do Conselho Nacional de Direitos Humanos visita assentamentos inundados &#8211; Objetivo do conselho \u00e9 elaborar um diagn\u00f3stico sobre os impactos das emerg\u00eancias clim\u00e1ticas no direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><\/a><\/p>\n<p><b>F\u00e9 na luta<\/b><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Embora a ofensiva do capital e do agroneg\u00f3cio sigam amea\u00e7ando a vida, \u00e9 na organiza\u00e7\u00e3o da luta coletiva que se faz caminho para garantir uma alimenta\u00e7\u00e3o que considere a pot\u00eancia da sociobiodiversidade, saud\u00e1vel para os povos e para os ecossistemas<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO agroneg\u00f3cio \u00e9 um setor t\u00f3xico, que vive do empobrecimento das pessoas. \u00c9 muito triste ver pessoas que lutaram pela terra, que buscam os seus direitos, que est\u00e3o em luta para garantir um ambiente saud\u00e1vel, sendo atacadas permanentemente pelo agroneg\u00f3cio\u201d, exp\u00f4s Fernando Campos. Apesar de abordar a realidade brutal no campo, Fernando destacou que ao mesmo tempo h\u00e1 muita esperan\u00e7a, e que encontros como este emanam for\u00e7a pois refor\u00e7am que n\u00e3o h\u00e1 como defender o indefens\u00e1vel, ou naturalizar o envenenamento massivo. Como retratou: \u201cEstamos do lado certo da hist\u00f3ria. N\u00e3o \u00e9 mais admiss\u00edvel o uso do agrot\u00f3xico. O agroneg\u00f3cio \u00e9 um setor criminoso, formado por pessoas sem escr\u00fapulos, sem \u00e9tica, que realmente fazem de tudo pelo lucro. A gente lida com quest\u00f5es \u00e9ticas, ambientais, de cuidado. Eles n\u00e3o\u201d\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m das iniciativas previstas para 2024, que d\u00e3o ch\u00e3o para que a luta travada pelos atingidos pela deriva seja mais justa, a sociedade vem se organizando. O pr\u00f3prio PL do Veneno vem sendo acusado. \u201cTodo mundo que tem consci\u00eancia do mal dos agrot\u00f3xicos deve se unir, somar e fazer a sua parte para que a gente possa derrotar esse projeto de morte, que tem matado no meio urbano e no meio rural. Com uma situa\u00e7\u00e3o muito cr\u00edtica de contamina\u00e7\u00e3o real de qu\u00edmicos\u201d, mencionou Fernando.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar das dificuldades e do tamanho do inimigo, encoberto em dinheiro marcado \u00e0 sangue, h\u00e1 uma boa perspectiva de avan\u00e7os das lutas dos povos. H\u00e1 um vasto somat\u00f3rio de esfor\u00e7os, de organiza\u00e7\u00f5es que est\u00e3o juntas pelo fim <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">da contamina\u00e7\u00e3o, para<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> enfrentar o terror. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Meio a pol\u00edticas de morte emergem pot\u00eancias de vida, que v\u00eam dos esfor\u00e7os coletivos, do trabalho \u00e1rduo no campo e do suor cotidiano de quem produz para alimentar gentes, para correrem livres os rios e os ventos, para crescerem as matas em toda sua diversidade. E neste cuidado com a terra, com os biomas, uns com os outros, que a luta dos assentados contra os agrot\u00f3xicos se apresenta tamb\u00e9m como uma luta pela possibilidade de mundos socialmente justos e ecologicamente equilibrados.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meio a invas\u00e3o da fronteira agr\u00edcola e a mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida, que dilacera o bioma Pampa e traz uma s\u00e9rie de viola\u00e7\u00f5es de direitos, povos e territ\u00f3rios resistem. Organizado por produtores agroecol\u00f3gicos e assentados do Movimento Sem Terra (MST RS) atingidos pela pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos, com a solidariedade de parceiros urbanos, encontro em Nova Santa Rita (RS) pauta estrat\u00e9gias e alian\u00e7as da luta por agroecologia, direitos humanos e soberania alimentar O domingo do dia 17 de dezembro foi marcado por confraterniza\u00e7\u00e3o entre fam\u00edlias ga\u00fachas atingidas pela deriva de agrot\u00f3xicos de Nova Santa Rita, Eldorado do Sul e Tapes, e apoiadores. Com o intuito de revisitar o hist\u00f3rico de luta das pessoas atingidas pelo crime de deriva (pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos), a atividade contou com roda de conversa, relatos diversos e levantamento tanto de viola\u00e7\u00f5es de direitos como das vit\u00f3rias dos atingidos. Tamb\u00e9m foram debatidos os caminhos tra\u00e7ados pela resist\u00eancia ao modelo do agroneg\u00f3cio (de coexist\u00eancia imposs\u00edvel) al\u00e9m de estrat\u00e9gias e t\u00e1ticas contra a pulveriza\u00e7\u00e3o de veneno, que incide violentamente no cotidiano de ind\u00edgenas, quilombolas, comunidades perif\u00e9ricas, pessoas assentadas, pequenas produtoras de alimentos e se estende para al\u00e9m do rural, afetando todos ecossistemas e quem vive no meio urbano. Seja no corpo, na \u00e1gua, no ar ou nos alimentos contaminados por agrot\u00f3xicos, venenos, pesticidas, fungicidas e defensivos. Nomes tantos que descrevem verdadeiras armas qu\u00edmicas. Nomes que impactam, mas que importam menos do que o seu efeito na realidade: matam uma morte lenta, silenciosa e perversa, que conta com a impunidade corporativa e com a captura do estado, que \u00e9 conivente com este modelo de aniquila\u00e7\u00e3o.\u00a0 Para al\u00e9m das articula\u00e7\u00f5es da luta, o momento foi importante por ser uma confraterniza\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias que sofrem tantas viol\u00eancias por parte do agroneg\u00f3cio. Um modelo que avan\u00e7a nas vidas carregando uma forma de a\u00e7\u00e3o criminosa, que gera impactos para al\u00e9m do envenenamento. \u201cO agroneg\u00f3cio faz todo o contr\u00e1rio do que a reforma agr\u00e1ria faz, e n\u00e3o deixa acontecer o trabalho na terra. Tira e expulsa as pessoas do campo\u201d, salientou Graciela de Almeida, assentada do MST RS,\u00a0 que produz sem agrot\u00f3xicos e de forma agroecol\u00f3gica\u00b9. A assentada contou que por anos as fam\u00edlias da regi\u00e3o v\u00eam sendo afetadas por verdadeiras chuvas de veneno, utilizado pelo agroneg\u00f3cio. Destacou, ainda, a import\u00e2ncia de parceiros urbanos e de organiza\u00e7\u00f5es socioambientais, que tamb\u00e9m tornam poss\u00edvel que o trabalho de quem vive o rural, assim como as suas lutas, sejam exemplo em outros lugares.\u00a0 \u201cPrecisamos continuar nessa luta. Resistir para existir, como o povo da Palestina. N\u00e3o posso deixar de dizer que viva o povo da Palestina\u201d, comentou em solidariedade, trazendo a conex\u00e3o das lutas para al\u00e9m de fronteiras impostas pelo capital. Graciela defendeu que \u00e9 preciso disputar espa\u00e7os e incidir na esfera internacional, como foi realizado em novembro de 2022, quando uma delega\u00e7\u00e3o brasileira e a Frente Contra o Acordo Mercosul Uni\u00e3o Europeia levaram den\u00fancias a cinco pa\u00edses do continente Europeu. \u201cFomos\u00a0 para denunciar precisamente a quest\u00e3o dos agrot\u00f3xicos no Brasil e como isso impacta nas comunidades, barrando um desenvolvimento realmente sustent\u00e1vel\u201d, explicou. Na ocasi\u00e3o, a delega\u00e7\u00e3o brasileira, composta por representantes da Amigos da Terra Brasil, da APIB (Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil), da RENAP (Rede Nacional de Advogados Populares) e do MST realizou uma Jornada pela Europa. Al\u00e9m de den\u00fancias, foram feitas reivindica\u00e7\u00f5es em debates que ocorreram com parlamentares, jornalistas, acad\u00eamicos e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil. O foco foi apresentar os impactos do Acordo Mercosul &#8211; Uni\u00e3o Europeia sob os povos ind\u00edgenas, comunidades camponesas e produtoras agroecol\u00f3gicas, ecossistemas e popula\u00e7\u00f5es atingidas pela minera\u00e7\u00e3o e pelos agrot\u00f3xicos no Brasil. Colonial e violento, o acordo comercial daria lastro ao avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio, ampliando a libera\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos (proibidos em seus pa\u00edses de origem) na Am\u00e9rica Latina. Aprofundaria, ainda, a rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia econ\u00f4mica do sul global em rela\u00e7\u00e3o ao norte, intensificando a superexplora\u00e7\u00e3o da natureza, dos povos e dos territ\u00f3rios na periferia do sistema, onde estamos situados.\u00a0 Acesse todos os depoimentos da Campanha Parem o Acordo UE-Mercosul na nossa playlist no Youtube: embedar link Confira o Posicionamento da Frente Brasileira Contra Acordo Mercosul-UE, que foi apresentado no Parlamento Europeu \u00b9 A produ\u00e7\u00e3o de alimentos de forma agroecol\u00f3gica vai al\u00e9m de um m\u00e9todo de produ\u00e7\u00e3o de alimentos, e se conecta ao todo. \u00c9 muito mais do que produzir sem veneno, embora englobe este quesito. \u00c9 uma forma de produ\u00e7\u00e3o alimentar, mas \u00e9 uma forma de ser e agir no mundo, que constr\u00f3i outros horizontes de mundos, com base em valores \u00e9ticos centrados na vida, e n\u00e3o na l\u00f3gica de lucro, dos neg\u00f3cios, do mercado ou da mercantiliza\u00e7\u00e3o de tudo. \u00c9 uma luta permanente, e uma constru\u00e7\u00e3o permanente que est\u00e1 enraizada na luta pela terra, na consci\u00eancia e luta de classes, na luta contra o patriarcado, anticolonialista, anti-imperialista, anticapitalista e contra qualquer forma de explora\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o. Saiba mais aqui\u00a0 &nbsp; A luta por alimentos, pessoas e ambientes saud\u00e1veis pulsa da semeadura \u00e0 colheita nos assentamentos do MST, que resistem ao envenenamento da vida A regi\u00e3o de Santa Rita \u00e9 reconhecida pelos assentamentos da reforma agr\u00e1ria que produzem alimentos sem veneno, onde se concentram algumas das \u00e1reas de maior produ\u00e7\u00e3o de arroz agroecol\u00f3gico da Am\u00e9rica Latina. Tamb\u00e9m \u00e9 marcada por um conflito que compromete as formas de vida e de produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de in\u00fameras fam\u00edlias da agricultura agroecol\u00f3gica &#8211; a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos em fazendas das proximidades.\u00a0 O veneno, aliado ao monocultivo e a uma forma \u00fanica de compreender a rela\u00e7\u00e3o com a terra &#8211; a da mercantiliza\u00e7\u00e3o, contamina solos, \u00e1guas, ar, gentes, e bichos, e causa impactos irrevers\u00edveis na sa\u00fade ecossist\u00eamica. Quem trabalha na terra de uma forma justa e harm\u00f4nica, garantindo alimentos saud\u00e1veis de verdade, que abastecem diversas cidades, acaba sofrendo na pele os efeitos das pulveriza\u00e7\u00f5es. Queimaduras, feridas, alergias, enjoos, mal s\u00fabito, c\u00e2ncer, depress\u00e3o e sufocamento s\u00e3o alguns dos sintomas da exposi\u00e7\u00e3o aos agrot\u00f3xicos. Sintomas, tamb\u00e9m, de um sistema nefasto que entende que mais importante que alimentar o pa\u00eds, \u00e9 produzir commodities para o capital estrangeiro. O lucro do agroneg\u00f3cio significa\u00a0 contamina\u00e7\u00e3o. \u00c9 o empobrecimento<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":6458,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,1835],"tags":[],"class_list":["post-6447","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-soberania-alimentar","category-saeb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6447","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6447"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6447\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9457,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6447\/revisions\/9457"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6458"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6447"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6447"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6447"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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