{"id":6034,"date":"2023-08-30T12:59:24","date_gmt":"2023-08-30T15:59:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=6034"},"modified":"2025-06-12T13:54:14","modified_gmt":"2025-06-12T16:54:14","slug":"qual-a-origem-da-guerra-do-dende-no-para-e-por-que-os-indigenas-tembe-querem-expulsar-a-brasil-biofuels-bbf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=6034","title":{"rendered":"Qual a origem da &#8216;Guerra do Dend\u00ea&#8217; no Par\u00e1 e por que os ind\u00edgenas Temb\u00e9 querem expulsar a Brasil BioFuels (BBF)"},"content":{"rendered":"<p>Site do jornal Brasil de Fato traz, neste 30 de agosto, duas mat\u00e9rias sobre o <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/08\/30\/qual-a-origem-da-guerra-do-dende-no-para-e-por-que-os-indigenas-tembe-querem-expulsar-a-brasil-biofuels-bbf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em><strong>conflito entre o povo ind\u00edgena Temb\u00e9, no Par\u00e1, e a empresa Brasil BioFuels (BBF)<\/strong><\/em><\/a>,\u00a0 propriet\u00e1ria de\u00a0 monocultivos de dend\u00ea na regi\u00e3o. Ind\u00edgenas denunciam que os plantios da empresa\u00a0 ocasionaram envenenamento de colheitas da comunidade e de nascentes de \u00e1gua, adoeceu animais e gerou pragas de insetos. <em><strong><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/08\/30\/validacao-do-marco-temporal-deve-agravar-guerra-do-dende-no-para\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Situa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 agravada se a tese do Marco Temporal for aprovada<\/a><\/strong>,<\/em> como denuncia o jornal.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do m\u00eas, a Amigas da Terra Brasil acompanhou a den\u00fancia deste conflito feita pelo Povo Temb\u00e9 durante o Di\u00e1logos Amaz\u00f4nicos e a C\u00fapula da Amaz\u00f4nia, no Par\u00e1. Apoiamos dando <a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2023\/08\/09\/nota-de-solidariedade-ao-povo-indigena-tembe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em><strong>divulga\u00e7\u00e3o ao ataque sofrido por tr\u00eas lideren\u00e7as do povo<\/strong><\/em><\/a> , que haviam sido baleadas em 7 de agosto, durante as atividades organizadas pelos movimentos e organiza\u00e7\u00f5es sociais e o governo brasileiro.\u00a0 Tamb\u00e9m entrevistamos <a href=\"https:\/\/youtu.be\/S2AajYOINd0?si=H8lvKUaSnYCOIdtO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em><strong>Jesus Gon\u00e7alves, da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH)<\/strong><\/em><\/a>, que falou sobre a situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e as constantes amea\u00e7as que ocorrem ao Povo Temb\u00e9.<\/p>\n<p><strong>Divulgamos, abaixo, as mat\u00e9rias publicadas pelo jornal Brasil de Fato e o material produzido pela Amigas da Terra Brasil:<\/strong><\/p>\n<header>\n<h1 class=\"title\"><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/08\/30\/qual-a-origem-da-guerra-do-dende-no-para-e-por-que-os-indigenas-tembe-querem-expulsar-a-brasil-biofuels-bbf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Qual a origem da &#8216;Guerra do Dend\u00ea&#8217; no Par\u00e1 e por que os ind\u00edgenas Temb\u00e9 querem expulsar a Brasil BioFuels (BBF)<\/strong><\/a><\/h1>\n<p class=\"description\"><em><strong>Ind\u00edgenas denunciam que monocultivo de dend\u00ea envenenou colheitas e nascentes, adoeceu animais e gerou pragas de insetos<\/strong><\/em><\/p>\n<div class=\"details-bar\">\n<div class=\"author-time\">\n<div class=\"author\">Murilo Pajolla<\/div>\n<div class=\"place-and-time\">\n<div class=\"place\">Brasil de Fato | Tom\u00e9-A\u00e7u (PA) |<\/div>\n<p><time class=\"date\" datetime=\"2023-08-30T06:09:27 -03\">30 de Agosto de 2023 \u00e0s 06:09<\/time><\/div>\n<div class=\"place translated-links\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure>\n<div class=\"img-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/70f47680f1d61dd23e5793f1d79d1ef1.jpeg\" alt=\"\" \/><\/div><figcaption>Picha\u00e7\u00e3o pede &#8216;Fora BBF&#8217; em base da empresa pr\u00f3xima a terras ind\u00edgenas e quilombolas &#8211; Murilo Pajolla\/Brasil de Fato<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/header>\n<div class=\"content\">\n<div class=\"text-content\">\n<p>Em uma \u00e1rea repleta de dendezais, o l\u00edder ind\u00edgena Urutaw Temb\u00e9 aponta para uma nascente de igarap\u00e9 mal-cheirosa. Na superf\u00edcie da \u00e1gua sem peixes, flutuam por\u00e7\u00f5es de mat\u00e9ria org\u00e2nica decomposta, entre largos tubos de concreto abandonados. \u201cAqui era um lugar onde meus pais, meus av\u00f3s e meus tios ca\u00e7avam e pescavam h\u00e1 uns anos atr\u00e1s. Nunca imaginavam que ia chegar a uma contamina\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande. \u00c9 horr\u00edvel\u201d, suspira a lideran\u00e7a ind\u00edgena.<\/p>\n<p>O igarap\u00e9, conhecido como Bra\u00e7o Grande, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais sin\u00f4nimo de \u00e1gua pot\u00e1vel e alimento para os ind\u00edgenas Temb\u00e9. Eles afirmam que o motivo da contamina\u00e7\u00e3o foi o descarte da tiborna, um res\u00edduo qu\u00edmico da produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo de palma, descrito como um caldo de cheiro insuport\u00e1vel. A respons\u00e1vel pelo descarte seria uma gigante do agroneg\u00f3cio \u201csustent\u00e1vel\u201d que afirma ter nascido para \u201cmudar a matriz energ\u00e9tica na regi\u00e3o Norte\u201d em \u201c100% de harmonia com a floresta amaz\u00f4nica\u201d: a Brasil BioFuels (BBF).<\/p>\n<p><iframe title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ve79Sgsb1Jo?si=6DjP8XGoQ935HRaW\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>O despejo da tiborna \u00e9 apenas um dos graves impactos socioambientais documentados em agosto deste ano pelo Brasil de Fato no munic\u00edpio de Tom\u00e9-A\u00e7u (PA) e que est\u00e3o na origem da chamada \u201cGuerra do Dend\u00ea\u201d. Em tr\u00eas anos, o conflito resultou em pelo cinco mortes de ind\u00edgenas e quilombolas, que tentam resistir \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o das suas condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de vida na floresta: \u00e1gua para beber e terra para plantar.<\/p>\n<p>\u201cEles falam que a atividade deles \u00e9 sustent\u00e1vel, mas \u00e9 um sustent\u00e1vel manchado de sangue\u201d, denuncia\u00a0Urutaw Temb\u00e9.<\/p>\n<p>Com um ex\u00e9rcito de seguran\u00e7as privados e fortemente armados, a BBF \u00e9 acusada de reagir com viol\u00eancia desproporcional a protestos de moradores, al\u00e9m de restringir a circula\u00e7\u00e3o de pessoas e de atirar, bater e at\u00e9 torturar lideran\u00e7as. A trucul\u00eancia \u00e9 vista como uma forma de garantir que a revolta que explode entre as popula\u00e7\u00f5es tradicionais n\u00e3o afete o crescimento da opera\u00e7\u00e3o. Desde 2021, a BBF afirma ter dobrado a capacidade de produ\u00e7\u00e3o de biodiesel e aumentado em 10% a \u00e1rea plantada no Norte brasileiro, chegando a 75 mil hectares, mais do que o tamanho da cidade do Rio de Janeiro. O faturamento previsto \u00e9 de R$1,5 bilh\u00e3o para 2023.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/4422a457bdc28091b5f6403028bbc843.jpeg\" \/><br \/>\n<em>Nascente do igarap\u00e9 Bra\u00e7o Grande com ind\u00edcios de contamina\u00e7\u00e3o pela tiborna, subproduto do beneficiamento do dend\u00ea \/ Murilo Pajolla\/Brasil de Fato<\/em><\/p>\n<p>Enquanto isso, ind\u00edgenas Temb\u00e9 relataram \u00e0 reportagem uma vida devastada por uso abusivo de agrot\u00f3xicos, prolifera\u00e7\u00e3o de insetos e desaparecimento da ca\u00e7a, pesca e \u00e1gua pot\u00e1vel. E dizem que o cultivo de dend\u00ea est\u00e1 em \u00e1reas previamente griladas de onde seus antepassados foram expulsos por pistoleiros &#8211; e at\u00e9 mesmo dentro de terras ind\u00edgenas demarcadas. Tudo, segundo os ind\u00edgenas, sem qualquer procedimento de consulta pr\u00e9via, na contram\u00e3o de leis brasileiras e tratados internacionais.<\/p>\n<p>Parte das alega\u00e7\u00f5es feitas pelos Temb\u00e9 j\u00e1 foram reconhecidas no \u00e2mbito de processos judiciais pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), que j\u00e1 pediu\u00a0a pris\u00e3o do dono da BBF por tortura, acusa\u00e7\u00e3o negada pela empresa.<\/p>\n<p>A BBF afirma que sua seguran\u00e7a privada atua em defesa da integridade dos seus funcion\u00e1rios, maquin\u00e1rio e instala\u00e7\u00f5es, contra &#8220;invasores&#8221; &#8220;criminosos&#8221;. Sustenta ainda que faz o &#8220;cultivo sustent\u00e1vel da palma no estado, exercendo a posse pac\u00edfica, justa e ininterrupta das \u00e1reas privadas da companhia&#8221;. Confira o posicionamento da empresa na \u00edntegra no final do texto.<\/p>\n<h2><strong>Tiborna comprometeu igarap\u00e9s e adoeceu ca\u00e7a\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p>Urutaw Temb\u00e9 se lembra do terror que sentiu ao ver pela primeira vez o impacto do despejo da tiborna, o subproduto do beneficiamento do dend\u00ea.<\/p>\n<p>\u201cTodas as esp\u00e9cies de peixes e cobra de dentro do rio vinham boiando na \u00e1gua. Tinha muita mosca, muito urubu, e um fedor que n\u00e3o dava nem para chegar perto. Essas moscas ferravam a paca, a cotia\u2026 Os animais da floresta que a gente ca\u00e7a. Quando a gente olhava, os animais tavam com a pele, o couro caindo, se desprendendo do corpo\u201d, relata.<\/p>\n<p>Segundo Urutaw, a subst\u00e2ncia venenosa se espalhou aos poucos e comprometeu todos os igarap\u00e9s ao redor do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cA gente n\u00e3o se arrisca a beber \u00e1gua, nem a tomar banho. Quem entrava na \u00e1gua sa\u00eda com coceira. Por isso come\u00e7amos a reivindicar para a empresa cavar po\u00e7o artesiano\u201d, diz.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o dos po\u00e7os \u00a0foi feita \u201cpela metade\u201d, diz o l\u00edder Temb\u00e9. \u201cAlgumas partes a BBF atendeu, mas outras n\u00e3o. Ela cavava o po\u00e7o, mas n\u00e3o colocava a estrutura ou n\u00e3o colocava a caixa d\u2019\u00e1gua, n\u00e3o colocava bomba.. Algumas aldeias ela atendeu, mas o restante n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 a nossa revolta. De eles virem estragar nossa \u00e1gua e n\u00e3o dar estrutura para que n\u00f3s pud\u00e9ssemos viver\u201d, explica Urutaw Tamb\u00e9.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2 class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Dend\u00ea avan\u00e7ou sobre terra demarcada, diz lideran\u00e7a Temb\u00e9<\/strong><\/h2>\n<p>Na aldeia Yriwar, comandada por Urutaw Temb\u00e9, o l\u00edder ind\u00edgena janta com a fam\u00edlia. Na mesa que alimenta cerca de 10 pessoas est\u00e3o a\u00e7a\u00ed, farinha, e carne de tatu assada na brasa. \u201cConfesso que n\u00e3o sou o melhor ca\u00e7ador, mas de vez em quando trago alguma coisa\u201d, comenta Urutaw em tom de brincadeira.<\/p>\n<p>Por estar dentro dos limites da Terra Ind\u00edgena Tur\u00e9-Mariquita, a menor do Brasil com 146 hectares, a aldeia Yriwar ainda abriga matas nativas que proporcionam a carne de ca\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas nem o territ\u00f3rio regularizado e protegido por lei escapou do dend\u00ea. Ao olhar para a placa do governo federal que sinaliza os limites da Tur\u00e9-Mariquita, \u00e9 poss\u00edvel ver os dendezais.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/b0196bb93a04a7aad3e4a994da659069.jpeg\" \/><br \/>\n<em>Nordeste tem grande fluxo de caminh\u00f5es da BBF carregados de dend\u00ea \/ Murilo Pajolla\/Brasil de Fato<\/em><\/p>\n<p>\u201cAqui \u00e9 a placa onde \u00e9 o territ\u00f3rio j\u00e1 homologado, territ\u00f3rio ind\u00edgena\u201d, aponta Urutaw. \u201cE ali o Dend\u00ea encostou [nos limites da demarca\u00e7\u00e3o], n\u00e3o respeitou limite de amortecimento. Hoje n\u00f3s podemos dizer: o dend\u00ea est\u00e1 plantado dentro do territ\u00f3rio ind\u00edgena\u201d.<\/p>\n<p>Pouco maior do que um campo de futebol, a Terra Ind\u00edgena Tur\u00e9-Mariquita abriga cerca de 50 pessoas. \u201cPouca terra para muito \u00edndio\u201d, diz Urutaw, subvertendo o lema ruralista. Por isso, a luta dos Temb\u00e9 \u00e9 por espa\u00e7o. Eles pedem \u00e0 Funai a amplia\u00e7\u00e3o da terra ind\u00edgena para as \u00e1reas ao redor, que est\u00e3o em disputa com fazendeiros e com a pr\u00f3pria BBF.<\/p>\n<h2 class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Agrot\u00f3xicos inviabilizaram produ\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>A aldeia Pit\u00e0w\u00e0 est\u00e1 fora de terras ind\u00edgenas demarcadas e \u00e9 lar de 15 fam\u00edlias Temb\u00e9. Na mesa do almo\u00e7o, Deusalina Temb\u00e9 senta com sua filha e seus netos ao redor de um pote de farinha e de uma panela com caldeirada de peixe tambaqui. \u201cToda a nossa comida \u00e9 comprada na cidade, nada vem daqui\u201d, lamenta a idosa.<\/p>\n<p>\u201cHoje a gente j\u00e1 n\u00e3o come mais um peixe ou uma ca\u00e7a do mato, s\u00f3 se a gente comprar. Tudo isso foi a destrui\u00e7\u00e3o dessa empresa, dessa maldita empresa ao nosso redor\u201d, diz Deusalina aos prantos.<\/p>\n<p>Os agrot\u00f3xicos jogados sobre os dendezais, que ficam a 30 metros das casas e da escola da aldeia, transformaram a comunidade em uma terra inf\u00e9rtil e infestada de insetos.<\/p>\n<p>\u201cMeu pai me criou na ro\u00e7a, trabalhando. E hoje em dia n\u00f3s n\u00e3o podemos mais trabalhar. N\u00f3s j\u00e1 ficamos at\u00e9 desanimados de plantar. Porque n\u00f3s plantamos uma mandioca e ela apodrece. Tudo apodrece por causa desse veneno que jogam\u201d, relata Deusalina Temb\u00e9.<\/p>\n<p>\u201cEles estavam jogando o veneno por baixo, e a gente come\u00e7ou a reclamar, porque estava destruindo os nossos igarap\u00e9s. A\u00ed eles j\u00e1 come\u00e7aram a vir de avi\u00e3o, por cima. Onde [o agrot\u00f3xico] pegava nas nossas plantas, todas morriam. A gente vivia s\u00f3 dentro de casa por causa daquele veneno com as crian\u00e7as.<\/p>\n<h2 class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Infesta\u00e7\u00e3o de insetos<\/strong><\/h2>\n<p>A infesta\u00e7\u00e3o de borboletas, baratas, cobras, aranhas e escorpi\u00f5es est\u00e1 entre os impactos ambientais mais graves, por\u00e9m silenciosos, relatados pelos Temb\u00e9 que moram em \u00e1reas pr\u00f3ximas de cultivos da BBF. Segundo os ind\u00edgenas, as &#8220;nuvens&#8221; de insetos est\u00e3o relacionadas \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos nos dendezais.<\/p>\n<p>\u201cTeve o tempo em que a gente j\u00e1 n\u00e3o podia comer mais caju, porque era muita borboleta em cima dele. E hoje a gente n\u00e3o consegue mais dormir sem mosquiteiro porque os embu\u00e1s [tamb\u00e9m conhecido como piolho de cobra] caem em cima da gente e d\u00e1 muita coceira\u201d, conta Deusalina.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/8bc1d82ca03ec8f004158e39d6832417.jpeg\" width=\"223\" height=\"297\" \/><br \/>\n<em>Caju encoberto por borboletas: &#8220;comer frutas ficou imposs\u00edvel&#8221;, diz Deusalina Temb\u00e9 \/ Acervo pessoal<\/em><\/p>\n<p>\u201cCobra, muita cobra. J\u00e1 escapei de ser mordida por uma dentro da minha casa. \u201cEsses insetos v\u00eam todos do meio do dend\u00ea. Todo do meio do dend\u00ea esses insetos para perto da casa da gente. E a\u00ed traz mais revolta para a gente. Mais revolta, porque antigamente n\u00e3o era assim\u201d, completa a matriarca Temb\u00e9.<\/p>\n<h2 class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>O vislumbre de uma terra sem BBF<\/strong><\/h2>\n<p>Com 30 moradores, a aldeia I\u2019ixing \u00e9 uma \u00e1rea de retomada do povo Temb\u00e9 pr\u00f3xima ao distrito de Quatro Bocas, no munic\u00edpio de Tom\u00e9-A\u00e7u. Localizada entre uma fazenda e um dendezal, a comunidade foi fundada em julho de 2012, mas o pedido de regulariza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio vem desde 1996, como forma de compensa\u00e7\u00e3o por um mineroduto da Par\u00e1 Pigmentos que cruzou o territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cNo passado aqui morou o meu tio L\u00facio\u201d, conta Miriam Temb\u00e9, l\u00edder da comunidade. \u201cFoi onde ele teve seus primeiros filhos. Ele teve que sair por conta da chegada de fazendeiros. Primeiro aqui foi ocupado por fazendeiros. E depois eles passaram a terra para a empresa Biopalma, depois Biovale [ex-subsidi\u00e1ria da Vale] e agora BBF\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos, em meio \u00e0 press\u00e3o do movimento ind\u00edgena, a BBF deixou de manejar as palmeiras de dend\u00ea na comunidade I\u2019ixing, para al\u00edvio dos moradores. Um ano depois, a infesta\u00e7\u00e3o de insetos que inviabilizava a coleta de frutas e o cultivo de alimentos come\u00e7ou a cessar.<\/p>\n<p>\u201cPor incr\u00edvel que pare\u00e7a a gente j\u00e1 consegue ver o mam\u00e3o crescendo, madurando. Mas at\u00e9 o ano passado os insetos n\u00e3o deixavam. E a gente n\u00e3o conseguia ter uma manga, um mam\u00e3o, uma banana sequer. Voc\u00ea falava e as moscas iam entrando na boca, caindo no alimento, na \u00e1gua\u201d, relata Miriam.<\/p>\n<p>Para os Temb\u00e9, a comunidade de Miriam \u00e9 o vislumbre de como pode ser um futuro sem o monocultivo de dend\u00ea e com uma vida verdadeiramente sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cA BBF prega uma propaganda l\u00e1 fora que produz de forma sustent\u00e1vel. N\u00e3o \u00e9. Porque o sustent\u00e1vel n\u00e3o destr\u00f3i a floresta, n\u00e3o polui os rios, n\u00e3o destr\u00f3i a fauna e a flora. Da forma que ela faz, ela destr\u00f3i tudo isso, impactando as nossas vidas. A vida da popula\u00e7\u00e3o que precisa da floresta para sobreviver\u201d, diz Miriam Temb\u00e9.<\/p>\n<h2 class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Sociedade civil e Funai se solidarizam com os Temb\u00e9\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p>A presidenta da Funai, Joenia Wapichana, ouviu as reivindica\u00e7\u00f5es das lideran\u00e7as Temb\u00e9\u00a0no in\u00edcio de agosto em Bel\u00e9m (PA). Em nota, o \u00f3rg\u00e3o indigenista manifestou apoio aos ind\u00edgenas e disse que busca a regulariza\u00e7\u00e3o do componente ind\u00edgena do processo de licenciamento ambiental.<\/p>\n<p>&#8220;(&#8230;) Apesar de a\u00a0empresa\u00a0ter realizado diversas a\u00e7\u00f5es pontuais de apoio em prol da comunidade ind\u00edgena, n\u00e3o houve avalia\u00e7\u00e3o adequada dos impactos sin\u00e9rgicos e cumulativos, tampouco uma atua\u00e7\u00e3o eficaz para dirimir os problemas ambientais&#8221;, declarou\u00a0a Funai por meio de nota.<\/p>\n<p>Os Temb\u00e9 receberam declara\u00e7\u00f5es de solidariedade da Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (Apib) da Coordena\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia (Coiab) e de in\u00fameras lideran\u00e7as dos povos origin\u00e1rios.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade dos ind\u00edgenas e quilombolas da regi\u00e3o \u00e9 acompanhada e vista com preocupa\u00e7\u00e3o por diversas entidades de direitos humanos, como Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SPDH), Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da OAB Par\u00e1, Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT), Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi) e\u00a0Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ju\u00edzes para a Democracia (ABJD).<\/p>\n<h2 class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>BBF rebate impactos ambientais\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p>O\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>\u00a0pediu respostas \u00e0 BBF sobre cada uma das alega\u00e7\u00f5es feitas pelos ind\u00edgenas na reportagem.<\/p>\n<p>Sobre o despejo da tiborna na nascente do Igarap\u00e9 Bra\u00e7o Grande, a empresa disse que &#8220;a acusa\u00e7\u00e3o n\u00e3o procede&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O Grupo BBF enfatiza que suas opera\u00e7\u00f5es n\u00e3o causam preju\u00edzo ambiental, pelo contr\u00e1rio, recuperam \u00e1reas degradadas pelo desmatamento. Em suas \u00e1reas de cultivo de palma, a empresa utiliza o processo de fertirriga\u00e7\u00e3o, m\u00e9todo 100% natural e org\u00e2nico. Por meio da \u00e1gua do cozimento dos frutos de dend\u00ea \u2013 conhecida como tiborna \u2013 que \u00e9 rica em vitaminas e nutrientes, \u00e9 realizada a fertirriga\u00e7\u00e3o somente das \u00e1reas privadas de plantio de palma, como uma alternativa sustent\u00e1vel para os tratos culturais necess\u00e1rios do palmar&#8221;, diz a nota.<\/p>\n<p>A respeito da utiliza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos, a BBF repetiu que &#8220;a acusa\u00e7\u00e3o n\u00e3o procede&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O Grupo BBF esclarece que utiliza apenas produtos permitidos por lei em suas \u00e1reas de cultivo de palma e que realiza monitoramento cont\u00ednuo, nunca foram detectados valores de subst\u00e2ncia qu\u00edmica em concentra\u00e7\u00f5es que n\u00e3o sejam seguros \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, respeitando os indicadores definidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) para o cultivo da palma de \u00f3leo. Para corroborar com a n\u00e3o proced\u00eancia desta falsa acusa\u00e7\u00e3o, em mar\u00e7o deste ano, o inqu\u00e9rito da Pol\u00edcia Federal (n\u00famero 1035068-94.2022.4.01.3900) concluiu que n\u00e3o existe contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xico ou qualquer outro tipo de polui\u00e7\u00e3o ambiental causada pela empresa ao longo da reserva ind\u00edgena Tur\u00e9 Mariquita e que existe, apenas e em grande quantidade, a presen\u00e7a de contamina\u00e7\u00e3o por coliforme fecais de humanos e animais que residem no local. No inqu\u00e9rito, foram colhidas amostras de \u00e1gua em 11 pontos distintos em localidades indicadas pelos pr\u00f3prios ind\u00edgenas Temb\u00e9 e que foram periciados pela Pol\u00edcia Federal e pelo Instituto de Criminal\u00edstica Evandro Chagas, refer\u00eancia na \u00e1rea no Brasil e no mundo&#8221;, escreveu a BBF.<\/p>\n<p>Quanto a alega\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ter conclu\u00eddo a instala\u00e7\u00e3o de po\u00e7os artesianos acordada com os ind\u00edgenas, a empresa reafirmou que &#8220;acusa\u00e7\u00e3o n\u00e3o procede&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O Grupo BBF refor\u00e7a que investe de forma cont\u00ednua no desenvolvimento socioecon\u00f4mico das comunidades onde atua. Entre os destaques das benfeitorias em infraestrutura e servi\u00e7os realizados pela empresa no \u00faltimo ano, est\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o de nove pontes, a manuten\u00e7\u00e3o de mais de 650 quil\u00f4metros de estradas vicinais, constru\u00e7\u00e3o de po\u00e7os artesianos e estruturas de caixas d\u2019\u00e1gua para as comunidades, cursos profissionalizantes, palestras de preserva\u00e7\u00e3o ambiental em escolas p\u00fablicas, assist\u00eancia t\u00e9cnica de fitossanidade aos agricultores da regi\u00e3o, entre outros&#8221;, afirma o comunicado.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao dend\u00ea plantado no interior na divisa da terra ind\u00edgena Tur\u00e9-Mariquita, a BBF reiterou: &#8220;a acusa\u00e7\u00e3o n\u00e3o procede&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O Grupo BBF (Brasil BioFuels) refor\u00e7a que n\u00e3o existe sobreposi\u00e7\u00e3o de terras, conforme relatado por representantes do INCRA e ITERPA em reuni\u00e3o realizada com a Comiss\u00e3o Agr\u00e1ria, que contou com a presen\u00e7a do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual, representantes do Judici\u00e1rio e outros participantes. A companhia realiza suas atividades agr\u00edcolas respeitando os limites territoriais e apenas em suas \u00e1reas de posse. Vale ressaltar que o cultivo sustent\u00e1vel da palma de \u00f3leo realizada pela empresa respeita o Zoneamento Agroambiental da Palma de \u00d3leo (decreto 7.172 do Governo Federal de 7 de maio de 2010), uma das legisla\u00e7\u00f5es mais severas do mundo, cujo objetivo \u00e9 recuperar \u00e1reas da Amaz\u00f4nia degradadas at\u00e9 dezembro de 2007, com as diretrizes de prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente, conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e utiliza\u00e7\u00e3o racional dos recursos naturais, al\u00e9m do respeito \u00e0 fun\u00e7\u00e3o social da propriedade. Como hist\u00f3rico, o Grupo BBF adquiriu em novembro de 2020 a opera\u00e7\u00e3o da antiga empresa Biopalma (subsidi\u00e1ria da Vale) no Par\u00e1, dando continuidade ao cultivo sustent\u00e1vel da palma no estado, exercendo a posse pac\u00edfica, justa e ininterrupta das \u00e1reas privadas da companhia&#8221;, disse a BBF.<\/p>\n<p class=\"editor\"><em>Edi\u00e7\u00e3o: Rodrigo Chagas<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1 class=\"title\"><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/08\/30\/validacao-do-marco-temporal-deve-agravar-guerra-do-dende-no-para\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Valida\u00e7\u00e3o do marco temporal deve agravar &#8216;Guerra do Dend\u00ea&#8217; no Par\u00e1<\/strong><\/a><\/h1>\n<header>\n<p class=\"description\"><em><strong>Se aprovada, tese permitiria avan\u00e7o do agro e afetaria 99% da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena de Tom\u00e9-A\u00e7u<\/strong><\/em><\/p>\n<div class=\"details-bar\">\n<div class=\"author-time\">\n<div class=\"author\">Murilo Pajolla<\/div>\n<div class=\"place-and-time\">\n<div class=\"place\">Brasil de Fato | Tom\u00e9-A\u00e7u (PA) |<\/div>\n<p><time class=\"date\" datetime=\"2023-08-30T06:07:02 -03\">30 de Agosto de 2023 \u00e0s 06:07<\/time><\/div>\n<div class=\"place translated-links\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure>\n<div class=\"img-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/9a16d5e22b95fa14f75fc91b2ba1e5ec.jpeg\" alt=\"\" \/><\/div><figcaption><em>Miriam Temb\u00e9: &#8220;marco temporal seria um desastre para n\u00f3s&#8221; &#8211; Murilo Pajolla\/Brasil de Fato<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/header>\n<div class=\"content\">\n<div class=\"text-content\">\n<p>A eventual valida\u00e7\u00e3o do marco temporal das terras ind\u00edgenas, tese ruralista que volta a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (30), afetar\u00e1 99% da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena de Tom\u00e9-A\u00e7u, nordeste do Par\u00e1.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas anos a regi\u00e3o \u00e9 palco da chamada \u201c<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/08\/23\/exclusivo-sobrevivente-da-guerra-do-dende-relata-truculencia-de-segurancas-da-brasil-biofuels-bbf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Guerra do Dend\u00ea<\/a>\u201d, um conflito entre for\u00e7as desproporcionais que resultou em pelo menos cinco mortes de ind\u00edgenas e quilombolas nos \u00faltimos tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>O percentual de ind\u00edgenas atingidos \u00e9 uma estimativa da Associa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena do Vale do Acar\u00e1, presidida por Miriam Temb\u00e9. Segundo ela, a mudan\u00e7a no crit\u00e9rio de demarca\u00e7\u00e3o poderia anular os direitos territoriais de cerca de 1300 Temb\u00e9 em quatro territ\u00f3rios de ocupa\u00e7\u00e3o tradicional que foram retomados recentemente.<\/p>\n<p>\u201cSe o marco temporal for aprovado, para n\u00f3s seria um desastre imenso. Estamos cercados por fazendas e grandes empresas, e nossos parentes est\u00e3o morrendo. N\u00f3s j\u00e1 comprovamos que temos a necessidade e o direito de estar no nosso territ\u00f3rio\u201d, diz Miriam Temb\u00e9.<\/p>\n<p>O primeiro e \u00fanico advogado Temb\u00e9, Jorde Temb\u00e9, que presta\u00a0jur\u00eddico aos ind\u00edgenas, tamb\u00e9m manifestou preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Algumas \u00e1reas requeridas pelas comunidades s\u00e3o de amplia\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio j\u00e1 demarcada e outras s\u00e3o de reconhecimento de um territ\u00f3rio. Se houver a aplica\u00e7\u00e3o do marco temporal, as comunidades que buscam esse reconhecimento e que foram v\u00edtimas de tentativa de genoc\u00eddio, acabam sendo privadas novamente dos seus direitos fundamentais&#8221;, explicou Jorde Temb\u00e9.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo com eventual\u00a0aplica\u00e7\u00e3o do marco temporal, n\u00f3s entendemos que em 1988 as comunidades j\u00e1 exerciam a posse tradicional ao territ\u00f3rio requerido que est\u00e1 em discuss\u00e3o com a empresa de \u00f3leo de palma da regi\u00e3o&#8221;, acrescentou o advogado.<\/p>\n<h2 class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Marco temporal poder\u00e1 ser arma jur\u00eddica de gigante do agro<\/strong><\/h2>\n<p>Na \u201cGuerra do Dend\u00ea\u201d, a empresa produtora de biocombust\u00edvel Brasil BioFuels (BBF) \u00e9 acusada por ind\u00edgenas e quilombolas de impactar territ\u00f3rios tradicionais ao envenenar planta\u00e7\u00f5es e nascentes, adoecer animais e gerar pragas de insetos. O dend\u00ea \u00e9 o fruto de uma palmeira usado na fabrica\u00e7\u00e3o do biodiesel.<\/p>\n<p>Revoltadas, as popula\u00e7\u00f5es afetadas organizam protestos contra a empresa, que vem respondendo de forma cada vez\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/08\/18\/forca-nacional-e-autorizada-a-atuar-em-conflito-que-vitimou-indigenas-tembe-no-para\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mais violenta<\/a>. As manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o reprimidas com tiros, e a circula\u00e7\u00e3o dos moradores \u00e9 restringida por seguran\u00e7as fortemente armados.<\/p>\n<p>O marco temporal das terras ind\u00edgenas prev\u00ea que os povos s\u00f3 podem reivindicar territ\u00f3rios que estavam ocupando em 1988, quando foi promulgada a Constitui\u00e7\u00e3o Federal. O crit\u00e9rio arbitr\u00e1rio desconsidera o hist\u00f3rico de expuls\u00f5es violentas que tiraram as terras dos Temb\u00e9 e os confinaram em pequenos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>O advogado Alberto Pimentel, da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), avalia que a BBF e outras for\u00e7as econ\u00f4micas poderiam usar o marco temporal para reivindicar na Justi\u00e7a \u00e1reas de retomada ind\u00edgena. Por ainda n\u00e3o estarem regularizadas, as terras est\u00e3o vulner\u00e1veis ao avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio, mineradoras e madeireiros.<\/p>\n<p>\u201cNo caso dos Temb\u00e9 de Tom\u00e9-A\u00e7\u00fa uma poss\u00edvel vota\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel do STF ao marco temporal implicaria em s\u00e9rias viola\u00e7\u00f5es sobre seus direitos. Poderia dificultar a luta leg\u00edtima que este povo tem para amplia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de seu territ\u00f3rio atualmente reivindicada\u201d, afirmou Pimentel, em nome da SDDH.<\/p>\n<p>A BBF nega todos os impactos ambientais alegados pelos Temb\u00e9 e afirma que sua seguran\u00e7a privada atua em defesa da integridade dos seus funcion\u00e1rios, maquin\u00e1rio e instala\u00e7\u00f5es contra &#8220;invasores&#8221; &#8220;criminosos&#8221;. Sustenta ainda que faz o &#8220;cultivo sustent\u00e1vel da palma no estado, exercendo a posse pac\u00edfica, justa e ininterrupta das \u00e1reas privadas da companhia&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Exigir comprova\u00e7\u00e3o de conflitos \u00e9 \u201cpiada de mal gosto\u201d, diz l\u00edder Temb\u00e9\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p>O crit\u00e9rio do marco temporal abre uma exce\u00e7\u00e3o para ind\u00edgenas que conseguirem comprovar a exist\u00eancia de disputa judicial ou conflito material em 1988. Nesses casos, as popula\u00e7\u00f5es poderiam pleitear a posse da terra. Para Miriam Temb\u00e9, a necessidade de comprova\u00e7\u00e3o de conflito \u00e9 \u201cuma piada de mal gosto\u201d.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 algo totalmente desrespeitoso com as popula\u00e7\u00f5es que viviam nesse territ\u00f3rio. Muitos foram mortos, outros tiveram que fugir para n\u00e3o serem mortos. N\u00e3o havia Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o, Minist\u00e9rio P\u00fablico, nem a Funai existia. N\u00e3o havia meios de comunica\u00e7\u00e3o, nem como chegar at\u00e9 as autoridades, era um lugar totalmente isolado. E a\u00ed eles pedem para a gente comprovar?\u201d, questiona a l\u00edder Temb\u00e9.<\/p>\n<p>Um exemplo est\u00e1 na comunidade I\u2019ixing, liderada por Miriam. A pequena aldeia est\u00e1 localizada entre uma grande fazenda de gado e um dendezal que foi manejado pela BBF at\u00e9 2022. Ap\u00f3s os ind\u00edgenas retomarem a \u00e1rea, a BBF deixou de utilizar as \u00e1reas de plantio, dando aos 30 moradores do local um al\u00edvio nos impactos ambientais.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 o ano passado n\u00e3o consegu\u00edamos colher uma manga, um mam\u00e3o, uma banana sequer, por causa das nuvens de insetos provocadas pelos agrot\u00f3xicos. Voc\u00ea falava e as moscas iam entrando na boca, caindo no alimento e na \u00e1gua\u201d, relata Miriam.<\/p>\n<p>Segundo Miriam, a aldeia I\u2019ixing foi onde seu tio L\u00facio Temb\u00e9 teve os primeiros filhos. Ainda com a mata preservada e livre do agroneg\u00f3cio, a \u00e1rea era usada pelos ind\u00edgenas como fonte de pesca, ca\u00e7a e \u00e1gua limpa para plantar, beber e cozinhar. Tudo mudou a partir da d\u00e9cada de 1960, quando os antepassados da l\u00edder ind\u00edgena foram expulsos por pistoleiros.<\/p>\n<p>\u201cIsso se deu por conta de madeireiros invadindo o territ\u00f3rio. Os madeireiros chegavam, nos expulsavam, faziam todo o desmatamento e passavam para fazendeiros. Esse fazendeiros iam comprando as terras na base da grilagem, e muitas dessas terras passaram hoje para as m\u00e3os da BBF\u201d, relata Miriam.<\/p>\n<p>O advogado Jorde Temb\u00e9 diz que a\u00a0exig\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o de posse tradicional se mostra muito desleal para os Temb\u00e9.<\/p>\n<p>&#8220;Porque, desde a demarca\u00e7\u00e3o das terras, muitos dos direitos das comunidades tem sido preteridos, pois durante um longo per\u00edodo elas n\u00e3o foram devidamente acompanhadas pelo Estado, por isso n\u00e3o deram in\u00edcio a sua luta por direitos nesse per\u00edodo&#8221;, afirmou Jorde.<\/p>\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o: Rodrigo Dur\u00e3o Coelho<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1 class=\"entry-title\"><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2023\/08\/09\/nota-de-solidariedade-ao-povo-indigena-tembe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Nota de solidariedade da Amigas da Terra Brasil ao povo ind\u00edgena Temb\u00e9<\/strong><\/a><\/h1>\n<p><strong>No v\u00eddeo, Jesus Gon\u00e7alves, da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), fala sobre a situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e as constantes amea\u00e7as que ocorrem ao Povo Temb\u00e9:<\/strong><\/p>\n<p><iframe title=\"Povo Temb\u00e9 pede socorro!\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/S2AajYOINd0?feature=oembed\" width=\"740\" height=\"555\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Site do jornal Brasil de Fato traz, neste 30 de agosto, duas mat\u00e9rias sobre o conflito entre o povo ind\u00edgena Temb\u00e9, no Par\u00e1, e a empresa Brasil BioFuels (BBF),\u00a0 propriet\u00e1ria de\u00a0 monocultivos de dend\u00ea na regi\u00e3o. Ind\u00edgenas denunciam que os plantios da empresa\u00a0 ocasionaram envenenamento de colheitas da comunidade e de nascentes de \u00e1gua, adoeceu animais e gerou pragas de insetos. Situa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 agravada se a tese do Marco Temporal for aprovada, como denuncia o jornal. No in\u00edcio do m\u00eas, a Amigas da Terra Brasil acompanhou a den\u00fancia deste conflito feita pelo Povo Temb\u00e9 durante o Di\u00e1logos Amaz\u00f4nicos e a C\u00fapula da Amaz\u00f4nia, no Par\u00e1. Apoiamos dando divulga\u00e7\u00e3o ao ataque sofrido por tr\u00eas lideren\u00e7as do povo , que haviam sido baleadas em 7 de agosto, durante as atividades organizadas pelos movimentos e organiza\u00e7\u00f5es sociais e o governo brasileiro.\u00a0 Tamb\u00e9m entrevistamos Jesus Gon\u00e7alves, da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), que falou sobre a situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e as constantes amea\u00e7as que ocorrem ao Povo Temb\u00e9. Divulgamos, abaixo, as mat\u00e9rias publicadas pelo jornal Brasil de Fato e o material produzido pela Amigas da Terra Brasil: Qual a origem da &#8216;Guerra do Dend\u00ea&#8217; no Par\u00e1 e por que os ind\u00edgenas Temb\u00e9 querem expulsar a Brasil BioFuels (BBF) Ind\u00edgenas denunciam que monocultivo de dend\u00ea envenenou colheitas e nascentes, adoeceu animais e gerou pragas de insetos Murilo Pajolla Brasil de Fato | Tom\u00e9-A\u00e7u (PA) | 30 de Agosto de 2023 \u00e0s 06:09 Picha\u00e7\u00e3o pede &#8216;Fora BBF&#8217; em base da empresa pr\u00f3xima a terras ind\u00edgenas e quilombolas &#8211; Murilo Pajolla\/Brasil de Fato Em uma \u00e1rea repleta de dendezais, o l\u00edder ind\u00edgena Urutaw Temb\u00e9 aponta para uma nascente de igarap\u00e9 mal-cheirosa. Na superf\u00edcie da \u00e1gua sem peixes, flutuam por\u00e7\u00f5es de mat\u00e9ria org\u00e2nica decomposta, entre largos tubos de concreto abandonados. \u201cAqui era um lugar onde meus pais, meus av\u00f3s e meus tios ca\u00e7avam e pescavam h\u00e1 uns anos atr\u00e1s. Nunca imaginavam que ia chegar a uma contamina\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande. \u00c9 horr\u00edvel\u201d, suspira a lideran\u00e7a ind\u00edgena. O igarap\u00e9, conhecido como Bra\u00e7o Grande, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais sin\u00f4nimo de \u00e1gua pot\u00e1vel e alimento para os ind\u00edgenas Temb\u00e9. Eles afirmam que o motivo da contamina\u00e7\u00e3o foi o descarte da tiborna, um res\u00edduo qu\u00edmico da produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo de palma, descrito como um caldo de cheiro insuport\u00e1vel. A respons\u00e1vel pelo descarte seria uma gigante do agroneg\u00f3cio \u201csustent\u00e1vel\u201d que afirma ter nascido para \u201cmudar a matriz energ\u00e9tica na regi\u00e3o Norte\u201d em \u201c100% de harmonia com a floresta amaz\u00f4nica\u201d: a Brasil BioFuels (BBF). O despejo da tiborna \u00e9 apenas um dos graves impactos socioambientais documentados em agosto deste ano pelo Brasil de Fato no munic\u00edpio de Tom\u00e9-A\u00e7u (PA) e que est\u00e3o na origem da chamada \u201cGuerra do Dend\u00ea\u201d. Em tr\u00eas anos, o conflito resultou em pelo cinco mortes de ind\u00edgenas e quilombolas, que tentam resistir \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o das suas condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de vida na floresta: \u00e1gua para beber e terra para plantar. \u201cEles falam que a atividade deles \u00e9 sustent\u00e1vel, mas \u00e9 um sustent\u00e1vel manchado de sangue\u201d, denuncia\u00a0Urutaw Temb\u00e9. Com um ex\u00e9rcito de seguran\u00e7as privados e fortemente armados, a BBF \u00e9 acusada de reagir com viol\u00eancia desproporcional a protestos de moradores, al\u00e9m de restringir a circula\u00e7\u00e3o de pessoas e de atirar, bater e at\u00e9 torturar lideran\u00e7as. A trucul\u00eancia \u00e9 vista como uma forma de garantir que a revolta que explode entre as popula\u00e7\u00f5es tradicionais n\u00e3o afete o crescimento da opera\u00e7\u00e3o. Desde 2021, a BBF afirma ter dobrado a capacidade de produ\u00e7\u00e3o de biodiesel e aumentado em 10% a \u00e1rea plantada no Norte brasileiro, chegando a 75 mil hectares, mais do que o tamanho da cidade do Rio de Janeiro. O faturamento previsto \u00e9 de R$1,5 bilh\u00e3o para 2023. Nascente do igarap\u00e9 Bra\u00e7o Grande com ind\u00edcios de contamina\u00e7\u00e3o pela tiborna, subproduto do beneficiamento do dend\u00ea \/ Murilo Pajolla\/Brasil de Fato Enquanto isso, ind\u00edgenas Temb\u00e9 relataram \u00e0 reportagem uma vida devastada por uso abusivo de agrot\u00f3xicos, prolifera\u00e7\u00e3o de insetos e desaparecimento da ca\u00e7a, pesca e \u00e1gua pot\u00e1vel. E dizem que o cultivo de dend\u00ea est\u00e1 em \u00e1reas previamente griladas de onde seus antepassados foram expulsos por pistoleiros &#8211; e at\u00e9 mesmo dentro de terras ind\u00edgenas demarcadas. Tudo, segundo os ind\u00edgenas, sem qualquer procedimento de consulta pr\u00e9via, na contram\u00e3o de leis brasileiras e tratados internacionais. Parte das alega\u00e7\u00f5es feitas pelos Temb\u00e9 j\u00e1 foram reconhecidas no \u00e2mbito de processos judiciais pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), que j\u00e1 pediu\u00a0a pris\u00e3o do dono da BBF por tortura, acusa\u00e7\u00e3o negada pela empresa. A BBF afirma que sua seguran\u00e7a privada atua em defesa da integridade dos seus funcion\u00e1rios, maquin\u00e1rio e instala\u00e7\u00f5es, contra &#8220;invasores&#8221; &#8220;criminosos&#8221;. Sustenta ainda que faz o &#8220;cultivo sustent\u00e1vel da palma no estado, exercendo a posse pac\u00edfica, justa e ininterrupta das \u00e1reas privadas da companhia&#8221;. Confira o posicionamento da empresa na \u00edntegra no final do texto. Tiborna comprometeu igarap\u00e9s e adoeceu ca\u00e7a\u00a0 Urutaw Temb\u00e9 se lembra do terror que sentiu ao ver pela primeira vez o impacto do despejo da tiborna, o subproduto do beneficiamento do dend\u00ea. \u201cTodas as esp\u00e9cies de peixes e cobra de dentro do rio vinham boiando na \u00e1gua. Tinha muita mosca, muito urubu, e um fedor que n\u00e3o dava nem para chegar perto. Essas moscas ferravam a paca, a cotia\u2026 Os animais da floresta que a gente ca\u00e7a. Quando a gente olhava, os animais tavam com a pele, o couro caindo, se desprendendo do corpo\u201d, relata. Segundo Urutaw, a subst\u00e2ncia venenosa se espalhou aos poucos e comprometeu todos os igarap\u00e9s ao redor do territ\u00f3rio. \u201cA gente n\u00e3o se arrisca a beber \u00e1gua, nem a tomar banho. Quem entrava na \u00e1gua sa\u00eda com coceira. Por isso come\u00e7amos a reivindicar para a empresa cavar po\u00e7o artesiano\u201d, diz. A constru\u00e7\u00e3o dos po\u00e7os \u00a0foi feita \u201cpela metade\u201d, diz o l\u00edder Temb\u00e9. \u201cAlgumas partes a BBF atendeu, mas outras n\u00e3o. Ela cavava o po\u00e7o, mas n\u00e3o colocava a estrutura ou n\u00e3o colocava a caixa d\u2019\u00e1gua, n\u00e3o colocava bomba.. Algumas aldeias ela atendeu, mas o restante n\u00e3o\u201d. \u201cEssa \u00e9 a nossa revolta. De eles virem estragar nossa \u00e1gua e n\u00e3o dar estrutura para que n\u00f3s pud\u00e9ssemos viver\u201d, explica<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":6033,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1839,8,602,5,1835],"tags":[],"class_list":["post-6034","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especulacao-imobiliaria","category-florestas-e-biodiversidade","category-justica-ambiental-nas-cidades","category-soberania-alimentar","category-saeb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6034","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6034"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6034\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9511,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6034\/revisions\/9511"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6033"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6034"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6034"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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