{"id":5747,"date":"2023-07-19T18:48:26","date_gmt":"2023-07-19T21:48:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=5747"},"modified":"2025-06-12T13:57:45","modified_gmt":"2025-06-12T16:57:45","slug":"ambientalistas-voltam-a-alertar-para-perigos-do-acordo-ue-mercosul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=5747","title":{"rendered":"Ambientalistas voltam a alertar para perigos do acordo UE-Mercosul"},"content":{"rendered":"<p><em>Associa\u00e7\u00f5es ambientalistas alertam para o eventual impacto do acordo UE-Mercosul no ambiente, direitos humanos, trabalhadores, pequenos agricultores e no bem-estar animal.<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_5748\" aria-describedby=\"caption-attachment-5748\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5748 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Ambientalistas-voltam-a-alertar-para-perigos-do-acordo-UE-Mercosul-1024x682.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"350\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5748\" class=\"wp-caption-text\">Na segunda-feira, ativistas montaram na Pra\u00e7a do Luxemburgo, em Bruxelas, uma &#8220;torre Jenga da gan\u00e2ncia UE-Mercosul&#8221;, apelando ao fim do acordo comercial UE-Mercosul | Foto: Johanna de Tessieres, Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n<p><em><br \/>\nO acordo comercial entre a Uni\u00e3o Europeia (UE) e o bloco Mercosul, que re\u00fane Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, foi um dos t\u00f3picos de debate na C\u00fapula da UE com os pa\u00edses da Comunidade de Estados da Am\u00e9rica Latina e Caribe (CELAC). Este pacto continua a ser criticado por associa\u00e7\u00f5es ambientalistas, que convergiram em Bruxelas para alertar para o impacto do acordo no meio-ambiente, direitos humanos, trabalhadores, pequenos agricultores e no bem-estar animal.<\/p>\n<p>A C\u00fapula UE-CELAC decorreu esta segunda e ter\u00e7a-feira em Bruxelas, ap\u00f3s oito anos sem reuni\u00f5es de alto n\u00edvel entre os blocos, com a participa\u00e7\u00e3o de mais de 50 l\u00edderes, entre os quais o Presidente brasileiro, Lula da Silva, e o primeiro-ministro portugu\u00eas, Ant\u00f3nio Costa.<\/p>\n<p><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">No final da C\u00fapula, a coliga\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/stopeumercosur.org\/\">Stop EU-Mercosur<\/a>, que re\u00fane mais de 450 organiza\u00e7\u00f5es da Europa e da Am\u00e9rica Latina, lan\u00e7ou um comunicado\u00a0 que critica o an\u00fancio dos l\u00edderes da UE e do Mercosul de que pretendem concluir o tratado at\u00e9 ao fim deste ano.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_5749\" aria-describedby=\"caption-attachment-5749\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-5749 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/2-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/2-300x200.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/2-768x512.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/2-500x333.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/2-800x533.jpg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/2.jpg 2000w\" sizes=\"(max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5749\" class=\"wp-caption-text\">Na segunda-feira, ativistas montaram na Pra\u00e7a do Luxemburgo, em Bruxelas, uma &#8220;torre Jenga da gan\u00e2ncia UE-Mercosul&#8221;, apelando ao fim do acordo comercial UE-Mercosul | Foto: Johanna de Tessieres, Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMais conversa\u00e7\u00f5es secretas apenas conduzir\u00e3o a um resultado que coloca as florestas, o clima e os direitos humanos sob uma press\u00e3o insuport\u00e1vel\u201d, alertou Lis Cunha, da Greenpeace Alemanha, citada num comunicado da coliga\u00e7\u00e3o Stop EU-Mercosur.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEm vez de avan\u00e7ar com um acordo concebido para a explora\u00e7\u00e3o empresarial, a UE e os pa\u00edses do Mercosul devem come\u00e7ar de novo e repensar a sua rela\u00e7\u00e3o de uma forma que coloque o planeta, as pessoas e os animais acima da destrui\u00e7\u00e3o do nosso planeta para obter lucros a curto prazo\u201d, sublinha a ativista.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Na segunda-feira, ativistas de 50 organiza\u00e7\u00f5es tinham montado na Pra\u00e7a do Luxemburgo, em Bruxelas, uma &#8220;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/foeeurope\/status\/1680920295920508928\">torre Jenga da gan\u00e2ncia UE-Mercosul&#8221;<\/a>, recriando uma vers\u00e3o gigante do jogo. Os grupos ambientalistas apelam aos decisores pol\u00edticos de ambos os lados do Atl\u00e2ntico para &#8220;pararem o acordo comercial UE-Mercosul e reabrirem as negocia\u00e7\u00f5es pelas pessoas, animais e o planeta&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><b>Desmatamento\u00a0 e sustentabilidade<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O acordo de livre com\u00e9rcio entre a UE e o Mercosul, alvo de negocia\u00e7\u00f5es ao longo de 20 anos, atingiu um compromisso pol\u00edtico em 2019, mas a ratifica\u00e7\u00e3o continua por concluir devido a quest\u00f5es ambientais levantadas pela UE durante o per\u00edodo em que Jair Bolsonaro presidiu ao Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No ano seguinte ao compromisso alcan\u00e7ado, o Presidente franc\u00eas, Emmanuel Macron, rejeitou o acordo, depois de um estudo revelar o risco de um aumento de desmatamento com a entrada em vigor. Dentro da UE, tamb\u00e9m a \u00c1ustria apresenta reservas em rela\u00e7\u00e3o ao acordo da UE-Mercosul por raz\u00f5es comerciais e ambientais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Comiss\u00e3o Europeia prop\u00f4s um adendo sobre desmatamento e sustentabilidade e aguarda neste momento uma resposta do Mercosul ao documento complementar proposto pelo bloco comunit\u00e1rio. Apesar das cr\u00edticas, a atual presid\u00eancia espanhola da UE espera que esta C\u00fapula seja um ponto de partida para desenvolvimentos na conclus\u00e3o do acordo UE-Mercosul.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 1rem;\">Na segunda-feira, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/07\/17\/mundo\/noticia\/ue-america-latina-prometem-enfrentar-juntas-tempos-incerteza-2057188\">o Presidente brasileiro, Lula da Silva, defendeu um acordo UE-Mercosul &#8220;baseado na confian\u00e7a m\u00fatua&#8221;<\/a> e n\u00e3o &#8220;em amea\u00e7as&#8221;, argumentando que as exig\u00eancias ambientais europeias s\u00e3o &#8220;desculpa para o protecionismo&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Lula da Silva afirmou esperar que a UE e o Mercosul finalizem este ano o acordo comercial, para &#8220;abrir horizontes&#8221; aos blocos regionais, pedindo &#8220;um sinal&#8221; do compromisso. &#8220;Queremos um acordo que preserve a capacidade das partes e que responda a desafios presentes e futuros.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para algumas organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas, pelo contr\u00e1rio, o adendo proposto pela UE n\u00e3o \u00e9 sequer suficiente para sanar as amea\u00e7as ambientais que identificam no tratado. Alberto Villarreal, da Amigos de la Tierra Am\u00e9rica Latina y Caribe (ATALC), defende que \u201cnenhum protocolo ambiental suplementar <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/06\/07\/azul\/entrevista\/devese-cobrar-brasil-reducao-desflorestacao-combate-impunidade-2052467\">ser\u00e1 alguma vez capaz de eliminar as amea\u00e7as \u00e0s pessoas<\/a>, aos territ\u00f3rios e ao planeta que est\u00e3o embutidas neste acordo de com\u00e9rcio livre neocolonial e perversamente orientado para o lucro empresarial&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Citado no comunicado da coliga\u00e7\u00e3o Stop EU-Mercosur, o ativista apela a &#8220;acordos socio-ambientais multilaterais vinculativos&#8221;, que <\/span><span style=\"font-size: 1rem;\">permitam reduzir as emiss\u00f5es de gases com <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/azul\/conceito\/efeito-de-estufa\">efeito de estufa<\/a>, &#8220;e n\u00e3o de falsa<\/span><span style=\"font-size: 1rem;\"> solu\u00e7\u00f5es baseadas no mercado\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Questionado sobre o acordo comercial que falhou em 2019, o primeiro-ministro portugu\u00eas, Ant\u00f3nio Costa, recordou que o quadro pol\u00edtico do Brasil era diferente na altura e que o ent\u00e3o Presidente Jair Bolsonaro &#8220;n\u00e3o tinha nenhum compromisso com as<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/azul\/conceito\/alteracoes-climaticas\"> altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas,<\/a> cuja exist\u00eancia negava&#8221;. &#8220;Hoje o Presidente do Brasil \u00e9 o campe\u00e3o da defesa da <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/azul\/conceito\/amazonia\">Amaz\u00f3nia<\/a>, \u00e9 o campe\u00e3o da luta contra o desmatamento, o campe\u00e3o da luta contra as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas&#8221;, acrescentou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ant\u00f3nio Costa reconheceu que &#8220;h\u00e1 avan\u00e7os entre os pa\u00edses do Mercosul&#8221; e que, em princ\u00edpio, j\u00e1 est\u00e1 preparada a resposta que vai ser apresentada \u00e0 Uni\u00e3o Europeia.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_5750\" aria-describedby=\"caption-attachment-5750\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-5750 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/lula-e-macron-1024x682.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"350\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5750\" class=\"wp-caption-text\">Emmanuel Macron e Lula da Silva | Foto: REUTERS<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>Ritmo alarmante de destrui\u00e7\u00e3o da natureza<\/b><br \/>\n<span style=\"font-size: 1rem;\"><br \/>\nEm <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/06\/07\/azul\/entrevista\/devese-cobrar-brasil-reducao-desflorestacao-combate-impunidade-2052467\">entrevista ao Azul, no in\u00edcio de Junho,<\/a> a diretora da Human Rights Watch no Brasil, Laura Canineu, alertou que &#8220;\u00e9 importante que a UE se mantenha vigilante, para que Lula possa realmente cumprir o que prometeu, em rela\u00e7\u00e3o aos povos ind\u00edgenas e a ser um l\u00edder na maior crise que a humanidade est\u00e1 vivendo, que \u00e9 a crise clim\u00e1tica&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Entendemos que a Uni\u00e3o Europeia, por exemplo, n\u00e3o pode ratificar o acordo Mercosul-UE se o Brasil n\u00e3o mostrar progresso efetivo na redu\u00e7\u00e3o do desmatamento e no combate \u00e0 impunidade por atos de viol\u00eancia e criminalidade contra os defensores da floresta&#8221;, acrescentou ainda Laura Canineu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com o comunicado da coliga\u00e7\u00e3o Stop EU-Mercosur, v\u00e1rias an\u00e1lises t\u00eam mostrado que &#8220;a redu\u00e7\u00e3o dos direitos aduaneiros e dos controles de produtos como as pe\u00e7as de autom\u00f3veis, os pesticidas provenientes da UE e a carne bovina e aves de capoeira provenientes de pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul aumentar\u00e3o o ritmo j\u00e1 alarmante de destrui\u00e7\u00e3o da natureza&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Morgan Ody, da coordena\u00e7\u00e3o europeia da organiza\u00e7\u00e3o La Via Campesina, alerta que \u201cos acordos de com\u00e9rcio livre tornam imposs\u00edvel aos agricultores de m\u00e9dia e pequena escala viverem da agricultura, e \u00e9 por isso que os camponeses s\u00e3o contra eles&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Os agricultores de ambos os lados n\u00e3o querem produzir para exportar e competir&#8221;, defende a ativista francesa, citada no comunicado subscrito por 450 organiza\u00e7\u00f5es. &#8220;Queremos produzir para alimentar as comunidades locais, dando prioridade ao com\u00e9rcio local, nacional e regional acima do com\u00e9rcio internacional.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Morgan Ody apela, assim, aos membros do Parlamento Europeu e aos governos &#8220;de ambos os continentes&#8221; para que se unam como &#8220;aliados da soberania alimentar e aumentem a press\u00e3o para anular o acordo UE-Mercosul\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em Novembro do ano passado, mais de <a href=\"https:\/\/s2bnetwork.org\/209-civil-society-organisations-say-eu-trade-deals-must-not-undermine-democratic-rights209\/\">200 organiza\u00e7\u00f5es<\/a> de todo o mundo (incluindo 16 associa\u00e7\u00f5es portuguesas) apelaram aos decisores pol\u00edticos para que defendam &#8220;o controle democr\u00e1tico dos acordos comerciais&#8221; e se oponham \u00e0s tentativas de aprovar o acordo comercial sem a ratifica\u00e7\u00e3o pelos parlamentos de todos os Estados-membros. As ONG afirmam, baseadas numa an\u00e1lise jur\u00eddica, que esta manobra constitui uma viola\u00e7\u00e3o do mandato de negocia\u00e7\u00e3o que os Estados-membros da UE conferiram \u00e0 Comiss\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No seu todo, a regi\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e Caribe \u00e9 respons\u00e1vel por mais de 50% da <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/azul\/conceito\/biodiversidade\">biodiversidade<\/a> do planeta, representando tamb\u00e9m 14% da produ\u00e7\u00e3o mundial de alimentos e 45% do com\u00e9rcio agro-alimentar internacional l\u00edquido. \u00c9 ainda uma pot\u00eancia para <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/azul\/conceito\/energias-renovaveis\">energias renov\u00e1veis<\/a>, com as fontes alternativas a serem respons\u00e1veis por cerca de 60% do cabaz energ\u00e9tico da regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/07\/18\/azul\/noticia\/ambientalistas-voltam-alertar-perigos-acordo-uemercosul-2057258\">Texto\u00a0 <span class=\"byline__name\">originalmente publicado na P\u00fablico, em: https:\/\/www.publico.pt\/2023\/07\/18\/azul\/noticia\/ambientalistas-voltam-alertar-perigos-acordo-uemercosul-2057258\u00a0 \u00a0| <\/span><\/a>Escrito por <a title=\"Mais artigos de Aline Flor\" href=\"https:\/\/www.publico.pt\/autor\/aline-flor\" rel=\"author\"><span class=\"byline__name\">Aline Flor<\/span><\/a>\u00a0e <a title=\"Mais artigos de Lusa\" href=\"https:\/\/www.publico.pt\/autor\/lusa\" rel=\"author\"><span class=\"byline__name\">Lusa<\/span><\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Associa\u00e7\u00f5es ambientalistas alertam para o eventual impacto do acordo UE-Mercosul no ambiente, direitos humanos, trabalhadores, pequenos agricultores e no bem-estar animal. O acordo comercial entre a Uni\u00e3o Europeia (UE) e o bloco Mercosul, que re\u00fane Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, foi um dos t\u00f3picos de debate na C\u00fapula da UE com os pa\u00edses da Comunidade de Estados da Am\u00e9rica Latina e Caribe (CELAC). Este pacto continua a ser criticado por associa\u00e7\u00f5es ambientalistas, que convergiram em Bruxelas para alertar para o impacto do acordo no meio-ambiente, direitos humanos, trabalhadores, pequenos agricultores e no bem-estar animal. A C\u00fapula UE-CELAC decorreu esta segunda e ter\u00e7a-feira em Bruxelas, ap\u00f3s oito anos sem reuni\u00f5es de alto n\u00edvel entre os blocos, com a participa\u00e7\u00e3o de mais de 50 l\u00edderes, entre os quais o Presidente brasileiro, Lula da Silva, e o primeiro-ministro portugu\u00eas, Ant\u00f3nio Costa. No final da C\u00fapula, a coliga\u00e7\u00e3o Stop EU-Mercosur, que re\u00fane mais de 450 organiza\u00e7\u00f5es da Europa e da Am\u00e9rica Latina, lan\u00e7ou um comunicado\u00a0 que critica o an\u00fancio dos l\u00edderes da UE e do Mercosul de que pretendem concluir o tratado at\u00e9 ao fim deste ano. \u201cMais conversa\u00e7\u00f5es secretas apenas conduzir\u00e3o a um resultado que coloca as florestas, o clima e os direitos humanos sob uma press\u00e3o insuport\u00e1vel\u201d, alertou Lis Cunha, da Greenpeace Alemanha, citada num comunicado da coliga\u00e7\u00e3o Stop EU-Mercosur. \u201cEm vez de avan\u00e7ar com um acordo concebido para a explora\u00e7\u00e3o empresarial, a UE e os pa\u00edses do Mercosul devem come\u00e7ar de novo e repensar a sua rela\u00e7\u00e3o de uma forma que coloque o planeta, as pessoas e os animais acima da destrui\u00e7\u00e3o do nosso planeta para obter lucros a curto prazo\u201d, sublinha a ativista. Na segunda-feira, ativistas de 50 organiza\u00e7\u00f5es tinham montado na Pra\u00e7a do Luxemburgo, em Bruxelas, uma &#8220;torre Jenga da gan\u00e2ncia UE-Mercosul&#8221;, recriando uma vers\u00e3o gigante do jogo. Os grupos ambientalistas apelam aos decisores pol\u00edticos de ambos os lados do Atl\u00e2ntico para &#8220;pararem o acordo comercial UE-Mercosul e reabrirem as negocia\u00e7\u00f5es pelas pessoas, animais e o planeta&#8221;. Desmatamento\u00a0 e sustentabilidade O acordo de livre com\u00e9rcio entre a UE e o Mercosul, alvo de negocia\u00e7\u00f5es ao longo de 20 anos, atingiu um compromisso pol\u00edtico em 2019, mas a ratifica\u00e7\u00e3o continua por concluir devido a quest\u00f5es ambientais levantadas pela UE durante o per\u00edodo em que Jair Bolsonaro presidiu ao Brasil. No ano seguinte ao compromisso alcan\u00e7ado, o Presidente franc\u00eas, Emmanuel Macron, rejeitou o acordo, depois de um estudo revelar o risco de um aumento de desmatamento com a entrada em vigor. Dentro da UE, tamb\u00e9m a \u00c1ustria apresenta reservas em rela\u00e7\u00e3o ao acordo da UE-Mercosul por raz\u00f5es comerciais e ambientais. A Comiss\u00e3o Europeia prop\u00f4s um adendo sobre desmatamento e sustentabilidade e aguarda neste momento uma resposta do Mercosul ao documento complementar proposto pelo bloco comunit\u00e1rio. Apesar das cr\u00edticas, a atual presid\u00eancia espanhola da UE espera que esta C\u00fapula seja um ponto de partida para desenvolvimentos na conclus\u00e3o do acordo UE-Mercosul. Na segunda-feira, o Presidente brasileiro, Lula da Silva, defendeu um acordo UE-Mercosul &#8220;baseado na confian\u00e7a m\u00fatua&#8221; e n\u00e3o &#8220;em amea\u00e7as&#8221;, argumentando que as exig\u00eancias ambientais europeias s\u00e3o &#8220;desculpa para o protecionismo&#8221;. Lula da Silva afirmou esperar que a UE e o Mercosul finalizem este ano o acordo comercial, para &#8220;abrir horizontes&#8221; aos blocos regionais, pedindo &#8220;um sinal&#8221; do compromisso. &#8220;Queremos um acordo que preserve a capacidade das partes e que responda a desafios presentes e futuros.&#8221; Para algumas organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas, pelo contr\u00e1rio, o adendo proposto pela UE n\u00e3o \u00e9 sequer suficiente para sanar as amea\u00e7as ambientais que identificam no tratado. Alberto Villarreal, da Amigos de la Tierra Am\u00e9rica Latina y Caribe (ATALC), defende que \u201cnenhum protocolo ambiental suplementar ser\u00e1 alguma vez capaz de eliminar as amea\u00e7as \u00e0s pessoas, aos territ\u00f3rios e ao planeta que est\u00e3o embutidas neste acordo de com\u00e9rcio livre neocolonial e perversamente orientado para o lucro empresarial&#8221;. Citado no comunicado da coliga\u00e7\u00e3o Stop EU-Mercosur, o ativista apela a &#8220;acordos socio-ambientais multilaterais vinculativos&#8221;, que permitam reduzir as emiss\u00f5es de gases com efeito de estufa, &#8220;e n\u00e3o de falsa solu\u00e7\u00f5es baseadas no mercado\u201d. Questionado sobre o acordo comercial que falhou em 2019, o primeiro-ministro portugu\u00eas, Ant\u00f3nio Costa, recordou que o quadro pol\u00edtico do Brasil era diferente na altura e que o ent\u00e3o Presidente Jair Bolsonaro &#8220;n\u00e3o tinha nenhum compromisso com as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, cuja exist\u00eancia negava&#8221;. &#8220;Hoje o Presidente do Brasil \u00e9 o campe\u00e3o da defesa da Amaz\u00f3nia, \u00e9 o campe\u00e3o da luta contra o desmatamento, o campe\u00e3o da luta contra as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas&#8221;, acrescentou. Ant\u00f3nio Costa reconheceu que &#8220;h\u00e1 avan\u00e7os entre os pa\u00edses do Mercosul&#8221; e que, em princ\u00edpio, j\u00e1 est\u00e1 preparada a resposta que vai ser apresentada \u00e0 Uni\u00e3o Europeia. Ritmo alarmante de destrui\u00e7\u00e3o da natureza Em entrevista ao Azul, no in\u00edcio de Junho, a diretora da Human Rights Watch no Brasil, Laura Canineu, alertou que &#8220;\u00e9 importante que a UE se mantenha vigilante, para que Lula possa realmente cumprir o que prometeu, em rela\u00e7\u00e3o aos povos ind\u00edgenas e a ser um l\u00edder na maior crise que a humanidade est\u00e1 vivendo, que \u00e9 a crise clim\u00e1tica&#8221;. &#8220;Entendemos que a Uni\u00e3o Europeia, por exemplo, n\u00e3o pode ratificar o acordo Mercosul-UE se o Brasil n\u00e3o mostrar progresso efetivo na redu\u00e7\u00e3o do desmatamento e no combate \u00e0 impunidade por atos de viol\u00eancia e criminalidade contra os defensores da floresta&#8221;, acrescentou ainda Laura Canineu. De acordo com o comunicado da coliga\u00e7\u00e3o Stop EU-Mercosur, v\u00e1rias an\u00e1lises t\u00eam mostrado que &#8220;a redu\u00e7\u00e3o dos direitos aduaneiros e dos controles de produtos como as pe\u00e7as de autom\u00f3veis, os pesticidas provenientes da UE e a carne bovina e aves de capoeira provenientes de pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul aumentar\u00e3o o ritmo j\u00e1 alarmante de destrui\u00e7\u00e3o da natureza&#8221;. Morgan Ody, da coordena\u00e7\u00e3o europeia da organiza\u00e7\u00e3o La Via Campesina, alerta que \u201cos acordos de com\u00e9rcio livre tornam imposs\u00edvel aos agricultores de m\u00e9dia e pequena escala viverem da agricultura, e \u00e9 por isso que os camponeses s\u00e3o contra eles&#8221;. &#8220;Os agricultores de ambos os lados n\u00e3o querem produzir para exportar e competir&#8221;, defende a ativista francesa, citada no comunicado subscrito por 450 organiza\u00e7\u00f5es. &#8220;Queremos produzir para alimentar as comunidades locais,<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":5748,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1831,7,5,1835],"tags":[],"class_list":["post-5747","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acordos-comerciais","category-justica-economica","category-soberania-alimentar","category-saeb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5747","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5747"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5747\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9524,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5747\/revisions\/9524"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5748"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5747"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5747"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5747"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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