{"id":5644,"date":"2023-06-13T18:21:56","date_gmt":"2023-06-13T21:21:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=5644"},"modified":"2025-06-12T14:00:35","modified_gmt":"2025-06-12T17:00:35","slug":"nao-basta-nos-unirmos-devemos-caminhar-juntos-pensar-a-integracao-e-a-soberania-dos-povos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=5644","title":{"rendered":"&#8216;N\u00e3o basta nos unirmos, devemos caminhar juntos&#8217;: pensar a integra\u00e7\u00e3o e a soberania dos povos"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As \u00faltimas semanas t\u00eam sido intensas na rela\u00e7\u00e3o entre o governo e o Congresso Nacional. A direita se mostrou muito bem organizada na C\u00e2mara dos Deputados e disparou uma ofensiva contra o governo na aprova\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as na estrutura\u00e7\u00e3o dos minist\u00e9rios, especialmente no esvaziamento das compet\u00eancias dos minist\u00e9rios do Meio Ambiente e dos Povos Ind\u00edgenas. O clima do Congresso esquentou a press\u00e3o sobre o governo federal, exigindo maior concess\u00e3o de espa\u00e7o pol\u00edtico para a direita conservadora. A bancada progressista enfrentou in\u00fameros desafios para barrar retrocessos, sofrendo derrotas na vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ataque tamb\u00e9m ocorreu contra os movimentos e organiza\u00e7\u00f5es populares. Isso se deu por meio da aprova\u00e7\u00e3o de duas Comiss\u00f5es Parlamentares de Inqu\u00e9rito: a do MST e a das ONGs, por meio das quais a direita pretende desgastar a imagem da luta social. N\u00e3o podemos deixar de mencionar ainda a aprova\u00e7\u00e3o do PL 490\/2007, que trata da tese do marco temporal para demarca\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas&nbsp;na C\u00e2mara Federal. O projeto promove uma verdadeira destrui\u00e7\u00e3o dos direitos constitucionais dos povos ind\u00edgenas aos seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>A&nbsp;direita e&nbsp;as elites brasileiras&nbsp;n\u00e3o querem perder suas margens de lucro e pretendem desgastar a imagem do governo, inviabilizando que as propostas de campanha de Lula sejam implementadas. Isso nos coloca em um movimento mais amplo de resist\u00eancia ao neoliberalismo em nossa regi\u00e3o. Desse modo, a derrota das for\u00e7as conservadoras est\u00e1 intimamente articulada \u00e0s lutas anti-imperialistas. Em um contexto de intensa disputa da hegemonia global, as pot\u00eancias imperialistas buscam refor\u00e7ar o dom\u00ednio sob a regi\u00e3o latino-americana e caribenha, impedindo que uma nova onda progressista se fortale\u00e7a. Assim, a elite brasileira n\u00e3o pretende abrir m\u00e3o de seus privil\u00e9gios e distribuir o m\u00ednimo de direitos, por isso est\u00e1 alinhada com os interesses das empresas transnacionais e das pot\u00eancias colonialistas, \u00e9 comprometida com um projeto pol\u00edtico de continuidade da extra\u00e7\u00e3o de valor da nossa regi\u00e3o para os pa\u00edses do capitalismo central.<\/p>\n<p>Obviamente que as lideran\u00e7as pol\u00edticas da regi\u00e3o est\u00e3o atentas \u00e0s movimenta\u00e7\u00f5es do cen\u00e1rio internacional. Por isso, Lula convocou, na \u00faltima semana, o &#8220;retiro&#8221;&nbsp;de presidentes da regi\u00e3o, em Bras\u00edlia. No centro da discuss\u00e3o, estiveram propostas de coopera\u00e7\u00e3o e de integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul. Em Carta Final, &nbsp;os chefes anunciaram promover uma coopera\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 supera\u00e7\u00e3o das vulnerabilidades e manter um calend\u00e1rio de encontros. Na oportunidade, Pepe Mujica, lideran\u00e7a uruguaia, enviou uma carta a Lula sugerindo que os erros do passado n\u00e3o se repitam e que sejam constru\u00eddos projetos de integra\u00e7\u00e3o com os povos, conclamando que os l\u00edderes n\u00e3o apenas estejam unidos, mas caminhem juntos.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Jornadas Continentais: um lugar para repensar a integra\u00e7\u00e3o regional<\/strong><\/p>\n<p>Nos anos 90, os povos organizados da Am\u00e9rica Latina resistiram ao Acordo de Livre Com\u00e9rcio das Am\u00e9ricas (ALCA), que determinava o aprofundamento da subordina\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses da regi\u00e3o ao imperialismo norte-americano. Essa articula\u00e7\u00e3o venceu a iniciativa de aprofundamento da depend\u00eancia, deixando um legado de organiza\u00e7\u00e3o popular e de integra\u00e7\u00e3o de mobiliza\u00e7\u00f5es que alimentou as lutas populares.<\/p>\n<p>Em 2015, inspirados nessa luta, se funda a &#8220;Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo&#8221;&nbsp;em Havana, em Cuba. A Jornada Continental \u00e9 composta por diversos movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, que t\u00eam constru\u00eddo lutas locais, regionais e globais como frentes ao avan\u00e7o do neoliberalismo, dos ataques \u00e0 democracia e da retirada dos direitos dos povos da Am\u00e9rica Latina e do Caribe.<\/p>\n<p>Reunidos&nbsp;em Bras\u00edlia&nbsp;na semana passada, movimentos e organiza\u00e7\u00f5es fizeram um balan\u00e7o das jornadas. Para Nalu Farias, da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), o avan\u00e7o da direita&nbsp;na desestabiliza\u00e7\u00e3o da democracia&nbsp;trouxe muitas reflex\u00f5es e aprendizados \u00e0 esquerda, num cen\u00e1rio mais dif\u00edcil &#8220;porque est\u00e1vamos num contexto mundial de agudiza\u00e7\u00e3o do contexto capital x vida, em que cada vez mais esta gan\u00e2ncia, esta for\u00e7a extrativista, neocolonial, se impunha com mais for\u00e7a, com muita persegui\u00e7\u00e3o aos movimentos e lideran\u00e7as&#8221;, aprofundando, opinou ela, uma racionalidade conservadora.<\/p>\n<p>Juma Xipaia, secret\u00e1ria de Articula\u00e7\u00e3o e Promo\u00e7\u00e3o dos Direitos dos Povos Ind\u00edgenas, tamb\u00e9m esteve presente na reuni\u00e3o. Ao abordar sobre os ataques aos direitos ind\u00edgenas, afirmou: &#8220;n\u00f3s jamais vamos recuar, abaixar a cabe\u00e7a. Jamais iremos negociar os nossos direitos, tampouco os territ\u00f3rios&#8221;. A lideran\u00e7a convidou a refletir sobre a integra\u00e7\u00e3o latino-americana e do Caribe na percep\u00e7\u00e3o de como &#8220;tudo est\u00e1 conectado&#8221;, explicando que as barreiras, fronteiras e delimita\u00e7\u00f5es territoriais s\u00e3o uma cria\u00e7\u00e3o que podemos transcender.<\/p>\n<p>Na mesma esteira da ancestralidade,&nbsp;Juan Almendares, da Amigos da Terra Honduras, refletindo sobre o bloqueio pol\u00edtico e econ\u00f4mico da Venezuela, Nicar\u00e1gua, Cuba e Honduras, aponta um caminho de luta que envolve ci\u00eancia, poesia, t\u00e9cnica e \u00e9tica, sobretudo uma \u00e9tica de consci\u00eancia anticapitalista e anti-imperialista. Para ele, em nossa regi\u00e3o, as respostas aos nossos problemas podem ser encontradas em nosso passado ancestral.<\/p>\n<p>Um dos temas de \u00eanfase da articula\u00e7\u00e3o foi o enfrentamento ao poder corporativo. As organiza\u00e7\u00f5es integrantes da Jornada est\u00e3o envolvidas na constru\u00e7\u00e3o de marcos normativos vinculantes para responsabiliza\u00e7\u00e3o das empresas transnacionais pela viola\u00e7\u00e3o aos direitos humanos, como o Tratado Vinculante sobre Empresas Transnacionais e Direitos Humanos junto ao Conselho de Direitos Humanos da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), e o PL n\u00ba. 572\/2022, que cria a lei marco brasileira sobre direitos humanos e empresas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/17e28f9e13ca84c7663172a1b6193839.jpeg\"><br \/>\n<em>Em Bras\u00edlia, Jornada Continental entregou, ao Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Brasil, as demandas dos povos por um instrumento que possa acabar com a impunidade corporativa \/ Edgardo Mattioli\/Radio Mundo Real<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aproveitando a presen\u00e7a em Bras\u00edlia, a Jornada mobilizou os parlamentares brasileiros para aderir a este movimento global. No \u00e2mbito internacional, existe a Rede Interparlamentar Global (GIN, sigla em ingl\u00eas), na qual se engajam parlamentares comprometidos com a perspectiva de responsabiliza\u00e7\u00e3o das corpora\u00e7\u00f5es. Na semana passada, 10 parlamentares brasileiros ingressaram na rede. Sobre a rede, Reginete Bispo, deputada federal pelo Rio Grande do Sul (RS), mencionou: &#8220;o capitalismo transnacional tem como base a supremacia. O centro do ataque somos mulheres negras e povos origin\u00e1rios. Vamos nos articular e construir a integra\u00e7\u00e3o regional para defender os povos ind\u00edgenas, quilombolas e as mulheres da periferia&#8221;.<\/p>\n<p>A Jornada Continental, em sua proposta pol\u00edtica, entende que a integra\u00e7\u00e3o e a coopera\u00e7\u00e3o regional devem ser pensadas a partir das necessidades dos povos para viver com dignidade, como o acesso \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, trabalho e infraestrutura. Em suas declara\u00e7\u00f5es, defende a import\u00e2ncia de investimentos p\u00fablicos em projetos alternativos de desenvolvimento, de bases mais solid\u00e1rias e cooperativas, que atendam \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o das formas de produ\u00e7\u00e3o da vida integradas a um respeito aos bens comuns, como as formas de viver dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Na Declara\u00e7\u00e3o final do encontro da Jornada, os movimentos destacam a import\u00e2ncia da reuni\u00e3o da c\u00fapula do poder da regi\u00e3o em Bras\u00edlia. Segundo a carta, vivemos um momento em que a retomada institucional de um projeto de integra\u00e7\u00e3o regional, de organiza\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia \u00e0 ofensiva conservadora, est\u00e1 no centro da agenda pol\u00edtica. No entanto, o envolvimento das bases, dos povos, no processo ser\u00e1 decisivo para os rumos, tal como as palavras de Pepe Mujica: &#8220;n\u00e3o h\u00e1 c\u00fapulas sem montanhas nas quais se apoiar, e essas montanhas s\u00e3o os povos&#8221;.<\/p>\n<p>Por muito tempo, as montanhas foram o habitar das for\u00e7as de resist\u00eancia \u00e0s ditaduras e aos autorit\u00e1rios, atuaram como espa\u00e7os da gesta\u00e7\u00e3o de projetos de liberta\u00e7\u00e3o regional. Este movimento promoveu uma jun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica entre povos e montanhas. Assim, na esteira de Mujica, se queremos que nos pr\u00f3ximos anos as C\u00fapulas atuais estejam no poder, que n\u00e3o tenhamos que enfrentar novos movimentos fascistas na regi\u00e3o, precisamos trabalhar na constru\u00e7\u00e3o s\u00f3lida das montanhas, tendo uma base popular que sustentar\u00e1 as transforma\u00e7\u00f5es urgentes e necess\u00e1rias que precisamos.<\/p>\n<p>*<em><strong>Conte\u00fado publicado na \u00edntegra no Jornal Brasil de Fato, em<\/strong><\/em> <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/06\/07\/nao-basta-nos-unirmos-devemos-caminhar-juntos-pensar-a-integracao-e-a-soberania-dos-povos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em><strong>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/06\/07\/nao-basta-nos-unirmos-devemos-caminhar-juntos-pensar-a-integracao-e-a-soberania-dos-povos<\/strong><\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; As \u00faltimas semanas t\u00eam sido intensas na rela\u00e7\u00e3o entre o governo e o Congresso Nacional. 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N\u00e3o podemos deixar de mencionar ainda a aprova\u00e7\u00e3o do PL 490\/2007, que trata da tese do marco temporal para demarca\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas&nbsp;na C\u00e2mara Federal. O projeto promove uma verdadeira destrui\u00e7\u00e3o dos direitos constitucionais dos povos ind\u00edgenas aos seus territ\u00f3rios. A&nbsp;direita e&nbsp;as elites brasileiras&nbsp;n\u00e3o querem perder suas margens de lucro e pretendem desgastar a imagem do governo, inviabilizando que as propostas de campanha de Lula sejam implementadas. Isso nos coloca em um movimento mais amplo de resist\u00eancia ao neoliberalismo em nossa regi\u00e3o. Desse modo, a derrota das for\u00e7as conservadoras est\u00e1 intimamente articulada \u00e0s lutas anti-imperialistas. Em um contexto de intensa disputa da hegemonia global, as pot\u00eancias imperialistas buscam refor\u00e7ar o dom\u00ednio sob a regi\u00e3o latino-americana e caribenha, impedindo que uma nova onda progressista se fortale\u00e7a. Assim, a elite brasileira n\u00e3o pretende abrir m\u00e3o de seus privil\u00e9gios e distribuir o m\u00ednimo de direitos, por isso est\u00e1 alinhada com os interesses das empresas transnacionais e das pot\u00eancias colonialistas, \u00e9 comprometida com um projeto pol\u00edtico de continuidade da extra\u00e7\u00e3o de valor da nossa regi\u00e3o para os pa\u00edses do capitalismo central. Obviamente que as lideran\u00e7as pol\u00edticas da regi\u00e3o est\u00e3o atentas \u00e0s movimenta\u00e7\u00f5es do cen\u00e1rio internacional. Por isso, Lula convocou, na \u00faltima semana, o &#8220;retiro&#8221;&nbsp;de presidentes da regi\u00e3o, em Bras\u00edlia. 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Essa articula\u00e7\u00e3o venceu a iniciativa de aprofundamento da depend\u00eancia, deixando um legado de organiza\u00e7\u00e3o popular e de integra\u00e7\u00e3o de mobiliza\u00e7\u00f5es que alimentou as lutas populares. Em 2015, inspirados nessa luta, se funda a &#8220;Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo&#8221;&nbsp;em Havana, em Cuba. A Jornada Continental \u00e9 composta por diversos movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, que t\u00eam constru\u00eddo lutas locais, regionais e globais como frentes ao avan\u00e7o do neoliberalismo, dos ataques \u00e0 democracia e da retirada dos direitos dos povos da Am\u00e9rica Latina e do Caribe. Reunidos&nbsp;em Bras\u00edlia&nbsp;na semana passada, movimentos e organiza\u00e7\u00f5es fizeram um balan\u00e7o das jornadas. Para Nalu Farias, da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), o avan\u00e7o da direita&nbsp;na desestabiliza\u00e7\u00e3o da democracia&nbsp;trouxe muitas reflex\u00f5es e aprendizados \u00e0 esquerda, num cen\u00e1rio mais dif\u00edcil &#8220;porque est\u00e1vamos num contexto mundial de agudiza\u00e7\u00e3o do contexto capital x vida, em que cada vez mais esta gan\u00e2ncia, esta for\u00e7a extrativista, neocolonial, se impunha com mais for\u00e7a, com muita persegui\u00e7\u00e3o aos movimentos e lideran\u00e7as&#8221;, aprofundando, opinou ela, uma racionalidade conservadora. Juma Xipaia, secret\u00e1ria de Articula\u00e7\u00e3o e Promo\u00e7\u00e3o dos Direitos dos Povos Ind\u00edgenas, tamb\u00e9m esteve presente na reuni\u00e3o. Ao abordar sobre os ataques aos direitos ind\u00edgenas, afirmou: &#8220;n\u00f3s jamais vamos recuar, abaixar a cabe\u00e7a. Jamais iremos negociar os nossos direitos, tampouco os territ\u00f3rios&#8221;. 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As organiza\u00e7\u00f5es integrantes da Jornada est\u00e3o envolvidas na constru\u00e7\u00e3o de marcos normativos vinculantes para responsabiliza\u00e7\u00e3o das empresas transnacionais pela viola\u00e7\u00e3o aos direitos humanos, como o Tratado Vinculante sobre Empresas Transnacionais e Direitos Humanos junto ao Conselho de Direitos Humanos da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), e o PL n\u00ba. 572\/2022, que cria a lei marco brasileira sobre direitos humanos e empresas. &nbsp; Em Bras\u00edlia, Jornada Continental entregou, ao Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Brasil, as demandas dos povos por um instrumento que possa acabar com a impunidade corporativa \/ Edgardo Mattioli\/Radio Mundo Real &nbsp; Aproveitando a presen\u00e7a em Bras\u00edlia, a Jornada mobilizou os parlamentares brasileiros para aderir a este movimento global. No \u00e2mbito internacional, existe a Rede Interparlamentar Global (GIN, sigla em ingl\u00eas), na qual se engajam parlamentares comprometidos com a perspectiva de responsabiliza\u00e7\u00e3o das corpora\u00e7\u00f5es. Na semana passada, 10 parlamentares brasileiros ingressaram na rede. Sobre a rede, Reginete Bispo, deputada federal pelo Rio Grande do Sul (RS), mencionou: &#8220;o capitalismo transnacional tem como base a supremacia. O centro do ataque somos mulheres negras e povos origin\u00e1rios. Vamos nos articular e construir a integra\u00e7\u00e3o regional para defender os povos ind\u00edgenas, quilombolas e as mulheres da periferia&#8221;. 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