{"id":5412,"date":"2023-03-23T21:27:55","date_gmt":"2023-03-24T00:27:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=5412"},"modified":"2025-06-16T14:50:03","modified_gmt":"2025-06-16T17:50:03","slug":"seminario-direitos-humanos-e-empresas-evidenciou-a-relevancia-do-pl-572-22-na-defesa-dos-direitos-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=5412","title":{"rendered":"Semin\u00e1rio \u201cDireitos Humanos e Empresas\u201d evidenciou a relev\u00e2ncia do PL 572\/22 na defesa dos direitos humanos"},"content":{"rendered":"<p><b>Realizado em Bras\u00edlia, evento abordou projeto de lei que prop\u00f5e pol\u00edticas p\u00fablicas para coibir a viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos por empresas, trazendo ainda a import\u00e2ncia de sua implementa\u00e7\u00e3o e os desafios na atual conjuntura pol\u00edtica\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dos dias 14 a 16 de mar\u00e7o <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, uma s\u00e9rie de atividades compuseram o \u201cSemin\u00e1rio Direitos Humanos e Empresas: O Brasil na frente\u201d. Os encontros aconteceram<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> no pr\u00e9dio da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG), em Bras\u00edlia (DF), com atividade especial de encerramento na C\u00e2mara de Deputados. Organizado pela Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT), pela entidade ambientalista Amigas da Terra Brasil (ATBr), Funda\u00e7\u00e3o Friedrich Ebert (FES \u2013 Brasil), Centro de Direitos Humanos e Empresas (Homa),\u00a0 Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e a Oxfam Brasil, o semin\u00e1rio al\u00e7ou vozes que demandam <\/span><b>direitos para os povos e regras para as empresas<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A atividade contou com mesas, troca de experi\u00eancias de luta, articula\u00e7\u00f5es e reuni\u00e3o com parlamentares. O\u00a0 foco foi debater a import\u00e2ncia de regulamentar a atua\u00e7\u00e3o de empresas nacionais e estrangeiras no Brasil <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> responsabilizando-as pelas viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e evitando crimes, como no rompimento das barragens de rejeito de minera\u00e7\u00e3o nas cidades de <\/span><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2017\/10\/27\/crime-sem-fim-a-lama-da-bhp-billiton-vale-s-a-nao-para-de-escorrer\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Mariana <\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">(2015) e de <\/span><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2020\/02\/03\/o-que-aprendemos-com-brumadinho\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Brumadinho<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> (2019), em Minas Gerais, em que as empresas Vale, Samarco e a BHP Billiton seguem lucrando, enquanto uma casa sequer foi constru\u00edda para as popula\u00e7\u00f5es afetadas. Para fazer com que as empresas respondam por crimes como esses, as diversas organiza\u00e7\u00f5es sociais defendem a aprova\u00e7\u00e3o do PL 572\/22 \u2013 Lei Marco Sobre Direitos Humanos e Empresas, projeto de lei de autoria coletiva que tramita atualmente na C\u00e2mara dos Deputados.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pioneiro na forma com que se prop\u00f5e, o PL 572\/22 nasce<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> da base para romper com a assimetria de poder imposta por grandes empresas. Al\u00e9m disso, traz tr\u00eas pontos fundamentais: a primazia dos direitos humanos, que passam a valer mais que os acordos de livre com\u00e9rcio e o interesse privado. Se aprovado, ser\u00e1 a primeira lei do mundo a garantir obriga\u00e7\u00f5es diretas para as empresas. E traz a centralidade do sofrimento da v\u00edtima, que assegura o poder popular das comunidades atingidas, desde a preven\u00e7\u00e3o at\u00e9 a repara\u00e7\u00e3o em termos de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A assimetria de poder entre pessoas e empresas, sobretudo transnacionais, \u00e9 evidente. E os impactos socioambientais da impunidade corporativa s\u00e3o alarmantes.\u00a0 Aqui no Brasil, temos o caso do afundamento de cinco bairros de Macei\u00f3 (Alagoas), devido \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de sal-gema da Braskem, que atingiu\u00a0 cerca de 60 mil pessoas e colocou milhares em situa\u00e7\u00e3o de deslocamento obrigat\u00f3rio. Os v\u00ednculos com os territ\u00f3rios s\u00e3o dilacerados pela gan\u00e2ncia das empresas, que muitas vezes imp\u00f5em a morte como imperativo na vida. Passados 5 anos, as fam\u00edlias ainda cobram repara\u00e7\u00e3o da mineradora.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa rela\u00e7\u00e3o se torna ainda mais desigual quando essa assimetria \u00e9 pautada entre sul e norte global, periferia e centro do sistema capitalista. Enquanto grandes empresas e transnacionais seguem aumentando os lucros, a base desse ac\u00famulo de capital, que se concentra nos Estados Unidos ou em pa\u00edses da Europa, se sustenta na<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos, dos povos e da natureza. O que tem lastro na precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es trabalhistas, flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o ambiental, desmontes de pol\u00edticas p\u00fablicas de seguridade, aumento da viol\u00eancia contra a mulher, exterm\u00ednio das popula\u00e7\u00f5es negras, ind\u00edgenas e das comunidades tradicionais e perif\u00e9ricas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os corpos, seja dos povos, seja dos rios ou das florestas, s\u00e3o transformados em mercadorias descart\u00e1veis em nome do lucro. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Recentemente, tr\u00eas vin\u00edcolas da Serra Ga\u00facha, Salton, Aurora e Garibaldi, foram expostas por trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o. Supostamente comprometidas com o ESG (Environmental, Social, and Governance &#8211; Ambiental, Social e Governan\u00e7a), alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), definidos em 2015, elas assumem em discurso que n\u00e3o compactuam com a viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos. Dizem-se, ainda, sustent\u00e1veis. Na pr\u00e1tica, o fomento ao racismo em uma de suas formas mais nefastas, com jogadas de marketing enquanto se isentam da responsabilidade a deslocando para empresas terceirizadas.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_5415\" aria-describedby=\"caption-attachment-5415\" style=\"width: 964px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5415 size-full\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/SEMINARIO-MATERIA.png\" alt=\"\" width=\"964\" height=\"672\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/SEMINARIO-MATERIA.png 964w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/SEMINARIO-MATERIA-300x209.png 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/SEMINARIO-MATERIA-768x535.png 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/SEMINARIO-MATERIA-500x349.png 500w\" sizes=\"(max-width: 964px) 100vw, 964px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5415\" class=\"wp-caption-text\">Abertura do Semin\u00e1rio Direitos Humanos e Empresas: Brasil Na Frente contou com debate sobre import\u00e2ncia da aprova\u00e7\u00e3o do PL 572\/22 | Foto: Ruy Conde<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 preciso frear o poder das corpora\u00e7\u00f5es e pautar o debate a partir dos direitos humanos e da vida, trazendo o protagonismo de pessoas trabalhadoras, atingidas pelas viola\u00e7\u00f5es de direitos e de minorias sociais. \u00c9\u00a0 com essa premissa que o \u201cSemin\u00e1rio Direitos Humanos e Empresas, o Brasil na Frente\u201d apresentou ferramentas, ac\u00famulos e como avan\u00e7ar na luta pela garantia dos direitos humanos. Os debates foram intensos, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">sobretudo em um cen\u00e1rio de disputa nacional e internacional, que muito pauta o voluntarismo e a responsabilidade social corporativa como solu\u00e7\u00f5es, com pr\u00e1ticas que n\u00e3o s\u00e3o efetivas para preven\u00e7\u00e3o e tampouco para a repara\u00e7\u00e3o de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Let\u00edcia Paranhos, da Amigos da Terra Brasil e coordenadora internacional do Programa de Justi\u00e7a Econ\u00f4mica e Resist\u00eancia ao Neoliberalismo da Federa\u00e7\u00e3o Amigos da Terra Internacional, membra da Campanha Global para Reivindicar a Soberania dos Povos, Desmontar o Poder Corporativo e Por Fim \u00e0 Impunidade, faz\u00a0 uma s\u00edntese sobre o Semin\u00e1rio:\u00a0\u00a0<\/b><\/p>\n<p><iframe title=\"Let\u00edcia Paranhos explica o que foi o Semin\u00e1rio e import\u00e2ncia do PL 572\/22\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9-Whwt7H1uQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h2><b>Primeiro dia do Semin\u00e1rio debate a necessidade do PL 572\/22 na defesa dos direitos humanos e os desafios da atual conjuntura pol\u00edtica\u00a0<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Intitulada \u201c<\/span><b>Direitos Humanos e Empresas: os desafios na nova etapa do Brasil<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, a abertura do Semin\u00e1rio, que ocorreu no dia 14 de Mar\u00e7o, contou com apresenta\u00e7\u00e3o da problem\u00e1tica e da vis\u00e3o das novas autoridades nacionais a respeito. Estiveram presentes Silvio Almeida (Ministro dos Direitos Humanos e Cidadania), Gonzalo Berr\u00f3n (FES Brasil), Leandro Scalabrin (MAB), Dulce Pereira (CNDH\/UFOP) e Deborah Duprat (PFDC).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Gonzalo Berr\u00f3n (FES Brasil) deu um panorama sobre a conjuntura pol\u00edtica ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. Situando a relev\u00e2ncia de di\u00e1logo com o governo sobre o tema e a import\u00e2ncia do PL 572\/22, exp\u00f4s a necessidade do compromisso via Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e Cidadania e da constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas a partir dos povos em luta.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_5413\" aria-describedby=\"caption-attachment-5413\" style=\"width: 1020px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-5413 size-full\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/SILVIO-MATERIA.png\" alt=\"\" width=\"1020\" height=\"655\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/SILVIO-MATERIA.png 1020w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/SILVIO-MATERIA-300x193.png 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/SILVIO-MATERIA-768x493.png 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/SILVIO-MATERIA-500x321.png 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/SILVIO-MATERIA-800x514.png 800w\" sizes=\"(max-width: 1020px) 100vw, 1020px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5413\" class=\"wp-caption-text\">Silvio Almeida no Semin\u00e1rio Direitos Humanos e Empresas: Brasil na Frente | Foto: Ruy Conde<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cDo ponto de vista do governo, do Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e Cidadania, esse tema j\u00e1 foi escolhido como tema priorit\u00e1rio\u201d, assumiu o ministro Silvio Almeida. Ele relatou que, dentro do minist\u00e9rio, est\u00e3o sendo mapeadas iniciativas que levam em conta as experi\u00eancias internacionais e nacionais, dando base a uma atua\u00e7\u00e3o mais acertada para assegurar direitos humanos. Revelou, ainda, que ser\u00e1 criado um grupo de trabalho com diversos minist\u00e9rios para estabelecer a inclus\u00e3o do tema na Pol\u00edtica Nacional de Direitos Humanos.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u201cQueremos construir um grupo de trabalho que vai reunir outros minist\u00e9rios, como da Fazenda, Gest\u00e3o, Planejamento e Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio, para que possamos estabelecer uma conversa a fim de que a pol\u00edtica de direitos humanos e empresas fa\u00e7a parte da pol\u00edtica nacional de direitos humanos. Esta\u00a0 \u00e9 parte da pol\u00edtica do governo e mais ainda, essa \u00e9 uma <\/span><b>pol\u00edtica do estado<\/b> <b>brasileiro<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, evidenciou Almeida.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O ministro considerou que \u00e9 preciso levar em conta as crises do capitalismo e os processos de financeiriza\u00e7\u00e3o, com rela\u00e7\u00f5es de trabalho pautadas pelo mundo dos aplicativos, o que traz novos desafios para a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que atendam aos povos e responsabilizem as transnacionais. Pontuou, ainda, a rela\u00e7\u00e3o entre degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente e viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos.\u201cN\u00e3o existe possibilidade de se pensar em qualquer atividade que degrade o meio ambiente e destrua as condi\u00e7\u00f5es do ser humano e da natureza se reproduzirem, sem pensar em viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos.\u00a0 S\u00e3o fatores a levarmos em considera\u00e7\u00e3o quando pensamos em atividade empresarial\u201d, destacou.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Almeida concluiu sua fala notabilizando que existe profunda diverg\u00eancia entre pa\u00edses da Europa, os Estados Unidos e pa\u00edses do Sul Global quanto a tratados internacionais a respeito, e que \u00e9 preciso pautar a partir do Brasil uma resposta. \u201cEssa discuss\u00e3o hoje sobre estabelecer um tratado internacional com regras mais claras, evidentes, est\u00e1 sendo colocado pelo Equador e pela \u00c1frica do Sul. O Brasil, dado seu tamanho e import\u00e2ncia, n\u00e3o pode ficar de fora dessa discuss\u00e3o&#8221;, defendeu. Para ele, a participa\u00e7\u00e3o e a incid\u00eancia da Am\u00e9rica Latina no debate \u00e9 crucial. \u201cA humanidade \u00e9 produzida a partir de uma s\u00e9rie de processos na qual a economia \u00e9 fundamental. Ent\u00e3o a discuss\u00e3o sobre uma regula\u00e7\u00e3o internacional\u00a0 interfere de forma brutal na maneira em que vamos fazer a\u00a0 nossa pol\u00edtica em \u00e2mbito nacional. Temos que ficar muito atentos a isso\u201d, sintetizou.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><iframe title=\"Silvio Almeida na abertura do Semin\u00e1rio Direitos Humanos e Empresas - Parte II\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Gs8hogit12w?list=PLVXsmiBfg65ZhWwlKzycOVKDQqU9a-fjn\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Leandro Scalabrin, ad<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">vogado do Coletivo de Direitos Humanos do Movimento das Atingidas e dos Atingidos por Barragens <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">(MAB), deu sequ\u00eancia\u00a0 evidenciando que as viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos pelas empresas no Brasil s\u00e3o estruturais. Apontou que perpassam a economia, a pol\u00edtica e as subjetividades, conformando uma racionalidade espec\u00edfica e violenta.\u00a0 \u201cEstando enraizadas na atividade econ\u00f4mica empresarial, as viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos\u00a0 perpassam a pol\u00edtica. O grande n\u00famero de empres\u00e1rios no Congresso revela esse controle sobre a pol\u00edtica. Portanto, precisamos combater de forma estrutural essa viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos por empresas, por meio de um marco regulat\u00f3rio forte\u201d, argumentou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Trouxe a realidade dos atingidos, mencionando que no caso das barragens isso ocorre de forma significativa. \u201cOs projetos de investimento de empresas no setor energ\u00e9tico possuem um marco normativo fort\u00edssimo. Anualmente, h\u00e1 aprimora\u00e7\u00f5es desse marco regulat\u00f3rio que garantem os investimentos das empresas no setor el\u00e9trico brasileiro por trinta anos\u201d, explanou. Contextualizou ainda com o\u00a0 trabalho realizado pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH &#8211; atual CNDH), que constatou um padr\u00e3o de viola\u00e7\u00e3o de Direitos Humanos nos empreendimentos do setor el\u00e9trico tanto no processo de planejamento quanto de constru\u00e7\u00e3o e de opera\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 esse padr\u00e3o que permite o lucro da empresa, ao n\u00e3o internalizar os custos sociais,\u00a0 ambientais,\u00a0 trabalhistas e os custos como os direitos dos atingidos. A viola\u00e7\u00e3o de direitos por empresas no Brasil \u00e9 estrutural, assim como a impunidade delas.Queremos, no m\u00ednimo, um marco normativo. Porque para as empresas tem, mas para os atingidos n\u00e3o tem\u201d, exp\u00f4s, defendendo a aprova\u00e7\u00e3o do PL 572\/22 para regulamentar a atua\u00e7\u00e3o das empresas do setor el\u00e9trico.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dulce Pereira, professora da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), membra do Grupo de Trabalho de Prote\u00e7\u00e3o do Direito de Pessoas e Corpora\u00e7\u00f5es no Conselho Nacional Direitos Humanos (CNDH) e do Movimento Negro Unificado, apresentou casos em que cientistas com an\u00e1lises rigorosas foram desconsiderados ou silenciados em suas pesquisas. Denunciou que existe uma ci\u00eancia hegem\u00f4nica que corrobora com as viola\u00e7\u00f5es em prol do lucro das empresas. Essa naturaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia j\u00e1 inicia na Academia, em que na pr\u00e1tica muitos alunos, sobretudo jovens, passam a considerar normal e aceit\u00e1vel o processo de espolia\u00e7\u00e3o com a minera\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia, por exemplo. Um dos resultados pr\u00e1tico dessa l\u00f3gica \u00e9 o exterm\u00ednio dos povos origin\u00e1rios, que vemos hoje no pa\u00eds.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><iframe title=\"Dulce Pereira (CNDH) no Semin\u00e1rio Direitos Humanos e Empresas\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/b8KDpZd7BPg?list=PLVXsmiBfg65ZhWwlKzycOVKDQqU9a-fjn\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A ci\u00eancia que n\u00e3o leva em conta os direitos humanos, dos povos e da natureza \u00e9 um pilar para a reprodu\u00e7\u00e3o das viola\u00e7\u00f5es. Dentro dessa premissa, est\u00e1 a incid\u00eancia do mundo privado em universidades p\u00fablicas, a mercantiliza\u00e7\u00e3o do conhecimento e as patentes, al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de pesquisas pagas por corpora\u00e7\u00f5es, falsas informa\u00e7\u00f5es e a persegui\u00e7\u00e3o de pessoas defensoras de direitos. Pontos que tamb\u00e9m exp\u00f5em os impactos da atua\u00e7\u00e3o de grandes empresas na naturaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, assim como no ocultamento de dados cient\u00edficos reais sobre a qualidade dos solos, das \u00e1guas e sobre a sa\u00fade humana e ecossist\u00eamica. O que dificulta, inclusive, a produ\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas assertivas. \u201cO fato \u00e9 que a rela\u00e7\u00e3o das empresas com o sistema de justi\u00e7a e com a ci\u00eancia \u00e9 norteada, desenhada por esse processo de desumaniza\u00e7\u00e3o\u201d, comentou Dulce.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na expans\u00e3o de seu poder econ\u00f4mico, social e pol\u00edtico, as grandes corpora\u00e7\u00f5es travam uma guerra em condi\u00e7\u00e3o desigual contra os povos, utilizando de uma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">arquitetura de impunidade<\/span><\/i> <span style=\"font-weight: 400;\">para sa\u00edrem ilesas: negam seu envolvimento, evitam a responsabilidade com acordos em tribunais de arbitragem internacional, manipulam pesquisas cient\u00edficas, disseminam falsas informa\u00e7\u00f5es, criminalizam e perseguem defensores dos direitos humanos e enfraquecem comunidades. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEssa hegemonia \u00e9 mantida pelo ecoc\u00eddio porque mata, e interessa para eles matar o territ\u00f3rio. Ela se mant\u00e9m pelo epistemic\u00eddio<\/span><b>,<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> matando o conhecimento das pessoas. E ela se mant\u00e9m tamb\u00e9m pelo etnoc\u00eddio, pela elimina\u00e7\u00e3o de pescadores, caboclos, negros, ind\u00edgenas\u201d, explicou Dulce quanto \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da hegemonia corporativa, que utiliza do exterm\u00ednio para condicionar os territ\u00f3rios e os seus povos a um modo \u00fanico, o da mercadoria.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A devasta\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios para a extra\u00e7\u00e3o de recursos, como se fossem intermin\u00e1veis quando na verdade o planeta \u00e9 finito, nos traz a outro ponto do debate, que \u00e9 o aniquilamento das pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de vida na terra. Sem florestas, \u00e1gua pot\u00e1vel e solo f\u00e9rtil, n\u00e3o h\u00e1 vida poss\u00edvel. Quanto a isso, Dulce rememorou as falsas solu\u00e7\u00f5es, como delimitar uma \u00e1rea espec\u00edfica de impacto, quando a natureza n\u00e3o se estabelece nas mesmas premissas das fronteiras geogr\u00e1ficas criadas pelo colonialismo: \u201cSe as part\u00edculas que est\u00e3o no Deserto do Saara chegam na Amaz\u00f4nia e interferem na poliniza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, como \u00e9 que voc\u00ea vai dizer que dez metros ou cem metros, que \u00e9 o que chamam buffer, \u00e9 \u00e1rea que vai ser ser definida como \u00e1rea de atingidos?\u201d, questionou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A advogada e vice-procuradora-geral da rep\u00fablica (2009 a 2013), Deborah Duprat, celebrou o momento com alegria. \u201cA gente volta, de alguma maneira, a um regime de direitos que foi suprimido na gest\u00e3o Bolsonaro. Temos que pensar que ele acabou com todas as capacidades institucionais de promover pol\u00edticas p\u00fablicas de Direitos Humanos\u201d, ponderou. Das viola\u00e7\u00f5es ocorridas nos \u00faltimos anos, ela <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">relembrou do golpe na Constitui\u00e7\u00e3o em 2016 e 2017: \u201cFalo da Emenda do Teto de Gastos e muito particularmente sobre a Reforma Trabalhista, endossada pelo Supremo Tribunal Federal, principalmente naquilo que ela tem de mais perverso, que \u00e9 a fragilidade da luta coletiva e dos sindicatos, a precariza\u00e7\u00e3o do mundo do trabalho, a terceiriza\u00e7\u00e3o. Que permite que atos recentes, como o de escravid\u00e3o, retornem \u00e0 pr\u00e1tica econ\u00f4mica\u201d. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><iframe title=\"Deborah Duprat na abertura do Semin\u00e1rio Direitos Humanos e Empresas\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OkcND6DSg68?list=PLVXsmiBfg65ZhWwlKzycOVKDQqU9a-fjn\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em sua fala, mencionou ainda como a incid\u00eancia do neoliberalismo, que reduz tudo \u00e0 individualiza\u00e7\u00e3o exacerbada e \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o da coletividade, influenciou na permissividade das viola\u00e7\u00f5es de direitos. Frente \u00e0 dificuldade de regulamentar setores econ\u00f4micos nessa nova realidade, como o caso dos aplicativos, ela considera o momento apropriado para regular empresas e direitos humanos, e para isso defende a luta pela aprova\u00e7\u00e3o do PL 572\/22 como marco regulat\u00f3rio. Um projeto que, como ela mencionou, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">traz a centralidade da vida e do direito humano, um princ\u00edpio constitucional que orienta tamb\u00e9m a ordem econ\u00f4mica. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda\u00a0 lembrou que o Brasil assinou a Conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), o que obriga as empresas, antes do in\u00edcio de qualquer atividade, a consultar livremente, previamente e de maneira informada, aos povos ind\u00edgenas, povos e comunidades quilombolas e comunidades tradicionais. \u201cTemos um legado de atividades que v\u00e3o deixando uma legi\u00e3o de atingidos sem a devida repara\u00e7\u00e3o. E h\u00e1 um norte no PL 572 que me parece important\u00edssimo, que \u00e9 o direito \u00e0 verdade. A repara\u00e7\u00e3o \u00e9 um imperativo para que a v\u00edtima e seus familiares saibam o que realmente aconteceu. E para a empresa tem um car\u00e1ter pedag\u00f3gico da n\u00e3o repeti\u00e7\u00e3o, de saber enfrentar a verdade para n\u00e3o repeti-la. A centralidade dos atingidos\u201d. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Sobre o PL 572\/22, resumiu que \u201cavan\u00e7a em todas as linhas: na preven\u00e7\u00e3o, na promo\u00e7\u00e3o e na repara\u00e7\u00e3o de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos\u201d.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-5416 size-full\" src=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-2.png\" alt=\"\" width=\"1014\" height=\"669\" data-wp-editing=\"1\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-2.png 1014w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-2-300x198.png 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-2-768x507.png 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-2-500x330.png 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/MATERIA-2-800x528.png 800w\" sizes=\"(max-width: 1014px) 100vw, 1014px\" \/><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O segundo momento que marcou a data, contou com a mesa \u201c<\/span><b>A necessidade da Lei Marco de Direitos Humanos e Empresas como norma clara e eficaz para a defesa dos direitos humanos no Brasil\u201d<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Nela foram apresentadas e debatidas as novas e velhas realidades das viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos por empresas no Brasil, apontando desde a perspectiva da sociedade para os diversos setores econ\u00f4micos e sociais que a tem\u00e1tica perpassa. Jandyra Uehara (CUT), Cl\u00e1udia \u00c1vila (MTST RS), Gabriel Bezerra (CONTAR) e Mariana Vidal (CPT NE) compuseram palestras a respeito, contextualizando o tema a partir de viola\u00e7\u00f5es que ocorreram em seus territ\u00f3rios. Tamb\u00e9m foram propostas ferramentas e mecanismos para assegurar justi\u00e7a para os povos em luta.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante o primeiro dia do Semin\u00e1rio, ao encerrar a sua fala, a professora Dulce parafraseou uma entrevistada de uma de suas pesquisas quanto aos impactos da minera\u00e7\u00e3o. As palavras da atingida exclamam: \u201cO amor foi tirado da nossa vida. Sem rio, sem plantas para benzer e banhar, sem peixes. Filhos e maridos deprimidos e problem\u00e1ticos. Amigos divididos. Sem dinheiro para a sobreviv\u00eancia. Sem alegria. Portanto, sem direito\u201d. As viola\u00e7\u00f5es de direitos cometidas por empresas e transnacionais despeda\u00e7am o cotidiano, os la\u00e7os comunit\u00e1rios e, muitas vezes, a possibilidade de celebrar a vida. Mas \u00e9 poss\u00edvel romper com as assimetrias de poder e construir outro horizonte, assegurando n\u00e3o s\u00f3 direitos, mas mem\u00f3rias pautadas na alegria. Ferramentas jur\u00eddicas como o PL 572\/22 s\u00e3o um passo importante nessa jornada. A mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o popular em torno do tema, e indo al\u00e9m dele, podem ditar os rumos do futuro. Um futuro em que o amor \u00e9 devolvido \u00e0 vida, e a vida flui livre pelos rios, matas, rezas e alegrias coletivas. Os povos precisam ter os seus direitos assegurados, e as empresas precisam, urgentemente, serem responsabilizadas por seus crimes.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=RhMyhqjvDjk&amp;list=PLVXsmiBfg65ZhWwlKzycOVKDQqU9a-fjn\">Clique aqui e assista a cobertura em v\u00eddeos desse momento!<\/a><\/p>\n<p><b><i>Nos dias 15 e 16, os debates do &#8220;Semin\u00e1rio <\/i><\/b><b>Direitos Humanos e Empresas: O Brasil na Frente<\/b><b><i>&#8221; seguiram em proposi\u00e7\u00e3o de como construir articula\u00e7\u00f5es para promover a centralidade da vida, responsabilizando as empresas por suas viola\u00e7\u00f5es. Acompanhe as nossas redes sociais e confira os nossos conte\u00fados especiais sobre o Semin\u00e1rio, onde vamos adentrar o tema da impunidade corporativa, das falsas solu\u00e7\u00f5es, a relev\u00e2ncia da aprova\u00e7\u00e3o do PL 572\/22 e como os povos v\u00eam atuando para desmantelar o poder corporativo e por fim a impunidade.<\/i><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Realizado em Bras\u00edlia, evento abordou projeto de lei que prop\u00f5e pol\u00edticas p\u00fablicas para coibir a viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos por empresas, trazendo ainda a import\u00e2ncia de sua implementa\u00e7\u00e3o e os desafios na atual conjuntura pol\u00edtica\u00a0 Dos dias 14 a 16 de mar\u00e7o , uma s\u00e9rie de atividades compuseram o \u201cSemin\u00e1rio Direitos Humanos e Empresas: O Brasil na frente\u201d. Os encontros aconteceram no pr\u00e9dio da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG), em Bras\u00edlia (DF), com atividade especial de encerramento na C\u00e2mara de Deputados. Organizado pela Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT), pela entidade ambientalista Amigas da Terra Brasil (ATBr), Funda\u00e7\u00e3o Friedrich Ebert (FES \u2013 Brasil), Centro de Direitos Humanos e Empresas (Homa),\u00a0 Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e a Oxfam Brasil, o semin\u00e1rio al\u00e7ou vozes que demandam direitos para os povos e regras para as empresas.\u00a0 A atividade contou com mesas, troca de experi\u00eancias de luta, articula\u00e7\u00f5es e reuni\u00e3o com parlamentares. O\u00a0 foco foi debater a import\u00e2ncia de regulamentar a atua\u00e7\u00e3o de empresas nacionais e estrangeiras no Brasil , responsabilizando-as pelas viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e evitando crimes, como no rompimento das barragens de rejeito de minera\u00e7\u00e3o nas cidades de Mariana (2015) e de Brumadinho (2019), em Minas Gerais, em que as empresas Vale, Samarco e a BHP Billiton seguem lucrando, enquanto uma casa sequer foi constru\u00edda para as popula\u00e7\u00f5es afetadas. Para fazer com que as empresas respondam por crimes como esses, as diversas organiza\u00e7\u00f5es sociais defendem a aprova\u00e7\u00e3o do PL 572\/22 \u2013 Lei Marco Sobre Direitos Humanos e Empresas, projeto de lei de autoria coletiva que tramita atualmente na C\u00e2mara dos Deputados. Pioneiro na forma com que se prop\u00f5e, o PL 572\/22 nasce da base para romper com a assimetria de poder imposta por grandes empresas. Al\u00e9m disso, traz tr\u00eas pontos fundamentais: a primazia dos direitos humanos, que passam a valer mais que os acordos de livre com\u00e9rcio e o interesse privado. Se aprovado, ser\u00e1 a primeira lei do mundo a garantir obriga\u00e7\u00f5es diretas para as empresas. E traz a centralidade do sofrimento da v\u00edtima, que assegura o poder popular das comunidades atingidas, desde a preven\u00e7\u00e3o at\u00e9 a repara\u00e7\u00e3o em termos de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos.\u00a0 A assimetria de poder entre pessoas e empresas, sobretudo transnacionais, \u00e9 evidente. E os impactos socioambientais da impunidade corporativa s\u00e3o alarmantes.\u00a0 Aqui no Brasil, temos o caso do afundamento de cinco bairros de Macei\u00f3 (Alagoas), devido \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de sal-gema da Braskem, que atingiu\u00a0 cerca de 60 mil pessoas e colocou milhares em situa\u00e7\u00e3o de deslocamento obrigat\u00f3rio. Os v\u00ednculos com os territ\u00f3rios s\u00e3o dilacerados pela gan\u00e2ncia das empresas, que muitas vezes imp\u00f5em a morte como imperativo na vida. Passados 5 anos, as fam\u00edlias ainda cobram repara\u00e7\u00e3o da mineradora.\u00a0 Essa rela\u00e7\u00e3o se torna ainda mais desigual quando essa assimetria \u00e9 pautada entre sul e norte global, periferia e centro do sistema capitalista. Enquanto grandes empresas e transnacionais seguem aumentando os lucros, a base desse ac\u00famulo de capital, que se concentra nos Estados Unidos ou em pa\u00edses da Europa, se sustenta na viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos, dos povos e da natureza. O que tem lastro na precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es trabalhistas, flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o ambiental, desmontes de pol\u00edticas p\u00fablicas de seguridade, aumento da viol\u00eancia contra a mulher, exterm\u00ednio das popula\u00e7\u00f5es negras, ind\u00edgenas e das comunidades tradicionais e perif\u00e9ricas.\u00a0 Os corpos, seja dos povos, seja dos rios ou das florestas, s\u00e3o transformados em mercadorias descart\u00e1veis em nome do lucro. Recentemente, tr\u00eas vin\u00edcolas da Serra Ga\u00facha, Salton, Aurora e Garibaldi, foram expostas por trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o. Supostamente comprometidas com o ESG (Environmental, Social, and Governance &#8211; Ambiental, Social e Governan\u00e7a), alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), definidos em 2015, elas assumem em discurso que n\u00e3o compactuam com a viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos. Dizem-se, ainda, sustent\u00e1veis. Na pr\u00e1tica, o fomento ao racismo em uma de suas formas mais nefastas, com jogadas de marketing enquanto se isentam da responsabilidade a deslocando para empresas terceirizadas.\u00a0 \u00c9 preciso frear o poder das corpora\u00e7\u00f5es e pautar o debate a partir dos direitos humanos e da vida, trazendo o protagonismo de pessoas trabalhadoras, atingidas pelas viola\u00e7\u00f5es de direitos e de minorias sociais. \u00c9\u00a0 com essa premissa que o \u201cSemin\u00e1rio Direitos Humanos e Empresas, o Brasil na Frente\u201d apresentou ferramentas, ac\u00famulos e como avan\u00e7ar na luta pela garantia dos direitos humanos. Os debates foram intensos, sobretudo em um cen\u00e1rio de disputa nacional e internacional, que muito pauta o voluntarismo e a responsabilidade social corporativa como solu\u00e7\u00f5es, com pr\u00e1ticas que n\u00e3o s\u00e3o efetivas para preven\u00e7\u00e3o e tampouco para a repara\u00e7\u00e3o de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos.\u00a0 Let\u00edcia Paranhos, da Amigos da Terra Brasil e coordenadora internacional do Programa de Justi\u00e7a Econ\u00f4mica e Resist\u00eancia ao Neoliberalismo da Federa\u00e7\u00e3o Amigos da Terra Internacional, membra da Campanha Global para Reivindicar a Soberania dos Povos, Desmontar o Poder Corporativo e Por Fim \u00e0 Impunidade, faz\u00a0 uma s\u00edntese sobre o Semin\u00e1rio:\u00a0\u00a0 Primeiro dia do Semin\u00e1rio debate a necessidade do PL 572\/22 na defesa dos direitos humanos e os desafios da atual conjuntura pol\u00edtica\u00a0 Intitulada \u201cDireitos Humanos e Empresas: os desafios na nova etapa do Brasil\u201d, a abertura do Semin\u00e1rio, que ocorreu no dia 14 de Mar\u00e7o, contou com apresenta\u00e7\u00e3o da problem\u00e1tica e da vis\u00e3o das novas autoridades nacionais a respeito. Estiveram presentes Silvio Almeida (Ministro dos Direitos Humanos e Cidadania), Gonzalo Berr\u00f3n (FES Brasil), Leandro Scalabrin (MAB), Dulce Pereira (CNDH\/UFOP) e Deborah Duprat (PFDC). Gonzalo Berr\u00f3n (FES Brasil) deu um panorama sobre a conjuntura pol\u00edtica ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. Situando a relev\u00e2ncia de di\u00e1logo com o governo sobre o tema e a import\u00e2ncia do PL 572\/22, exp\u00f4s a necessidade do compromisso via Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e Cidadania e da constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas a partir dos povos em luta.\u00a0 \u201cDo ponto de vista do governo, do Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e Cidadania, esse tema j\u00e1 foi escolhido como tema priorit\u00e1rio\u201d, assumiu o ministro Silvio Almeida. Ele relatou que, dentro do minist\u00e9rio, est\u00e3o sendo mapeadas iniciativas que levam em conta as experi\u00eancias internacionais e nacionais,<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":5414,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7,1834],"tags":[],"class_list":["post-5412","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-justica-economica","category-pl572-22"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5412","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5412"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5412\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9554,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5412\/revisions\/9554"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5414"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5412"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5412"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5412"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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