{"id":5314,"date":"2023-02-27T16:32:48","date_gmt":"2023-02-27T19:32:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=5314"},"modified":"2025-06-16T14:52:30","modified_gmt":"2025-06-16T17:52:30","slug":"honduras-ao-menos-oito-pessoas-defensoras-socioambientais-assassinadas-em-um-mes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=5314","title":{"rendered":"HONDURAS: Ao menos oito pessoas defensoras socioambientais assassinadas em um m\u00eas"},"content":{"rendered":"<h1><span style=\"font-weight: 400;\">Entrevista com Elsy Banegas, lutadora social e coordenadora da Coordena\u00e7\u00e3o de Organiza\u00e7\u00f5es Populares do Agu\u00e1n (COPA)\u00a0<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma semana depois do in\u00edcio do ano, Jairo Bonilla e Al\u00ed Dom\u00ednguez foram assassinados enquanto trabalhavam em Concepci\u00f3n, departamento de Col\u00f3n, a poucos quil\u00f4metros de sua comunidade, Guapinol. Ambos eram defensores dos rios Guapinol e San Pedro, e do Parque Nacional Monta\u00f1a de Botaderos, tamb\u00e9m chamado Carlos Escaleras, onde nascem 34 fontes de \u00e1gua.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dez dias depois e na mesma regi\u00e3o, Omar Cruz, presidente da cooperativa camponesa Los Laureles e membro da Plataforma Agr\u00e1ria do Vale do Agu\u00e1n, e seu sogro Andy Mart\u00ednez tiveram o mesmo destino.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As comunidades ancestrais de Gar\u00edfuna tamb\u00e9m foram alvo de persegui\u00e7\u00e3o e assassinatos no primeiro m\u00eas do ano. Ap\u00f3s os primeiros 15 dias de janeiro, tr\u00eas jovens origin\u00e1rias de Traves\u00eda, Janahira Aranda, Ana Castillo e Cristy Espinosa, foram assassinadas em sua comunidade, perto de Puerto Cort\u00e9s, no departamento de mesmo nome. O m\u00eas terminou da mesma forma, com o assassinato do l\u00edder socioambiental Ricardo Arna\u00fal Montero, gar\u00edfuna integrante do Comit\u00ea de Defesa da Terra Triunfo de la Cruz, mesma comunidade onde quatro defensores gar\u00edfunas desapareceram h\u00e1 mais de dois anos, localizada na Departamento de Atlantis.<\/span><\/p>\n<p><b>O paradoxo: defender a vida significa encontrar a morte<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os interesses pelas terras e fontes de \u00e1gua de Honduras s\u00e3o multiplos e todos impactam da maneira mais crua as comunidades que vivem na terra e da terra. O extrativismo com seus projetos de miner\u00e1rios e agroindustriais, a interfer\u00eancia hist\u00f3rica dos Estados Unidos, o turismo de elite que almeja as costas do Mar Caribe, a trama da impunidade e os amigos que o ex-presidente Juan Orlando Hern\u00e1ndez deixou antes de sua extradi\u00e7\u00e3o a processos por tr\u00e1fico de drogas, se unem no mesmo pa\u00eds e empregam sua viol\u00eancia de diversas formas: persegui\u00e7\u00f5es, amea\u00e7as, ass\u00e9dio, criminaliza\u00e7\u00e3o e assassinatos a sangue-frio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A dirigente Elsy Banegas, membro do Sindicato dos Trabalhadores do Instituto Nacional Agr\u00e1rio (SITRAINA) e coordenadora geral da Coordena\u00e7\u00e3o de Organiza\u00e7\u00f5es Populares Agu\u00e1n (COPA), falou com a R\u00e1dio Mundo Real. A COPA \u00e9 integrada por organiza\u00e7\u00f5es camponesas, sindicais e de mulheres da regi\u00e3o de Agu\u00e1n, \u00e1rea que quase perdeu a conta de suas mortas e mortos por defender o direito \u00e0 terra, \u00e0 natureza e aos direitos humanos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Banegas vive na pr\u00f3pria pele a l\u00f3gica que a oligarquia hondurenha instalou em sua regi\u00e3o para apropriar-se de suas terras. Seu filho, Fernando Alem\u00e1n Banega, foi assassinado em outubro de 2016. N\u00e3o \u00e9 por falta de organiza\u00e7\u00e3o e luta que essas \u00e1reas s\u00e3o cercadas por pistoleiros, paramilitares e agentes de seguran\u00e7a de empresas mineradoras ou agroindustriais. \u00c9 gra\u00e7as a uma estrutura de viol\u00eancia e impunidade cravada na hist\u00f3ria do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A coordenadora da COPA contou que o Vale do Agu\u00e1n foi inclu\u00eddo em um processo de reforma agr\u00e1ria \u201cque garantisse \u00e0s fam\u00edlias camponesas um modo de vida que permitisse justi\u00e7a social no campo, com regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria\u201d. Mas, segundo a dirigente, ao longo dos anos os diversos interesses empresariais t\u00eam impedido e os governos t\u00eam procurado \u201csempre favorecer a oligarquia nacional\u201d. Desde 2014, a COPA est\u00e1 sujeita a uma medida cautelar da Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pela viol\u00eancia incessante, mas isso n\u00e3o impediu os assassinatos. Quanto a isso Banegas \u00e9 assertiva, porque \u00e9 uma realidade cotidiana para ela e sua organiza\u00e7\u00e3o: as mineradoras e as agroind\u00fastrias n\u00e3o param de pressionar os governos e amea\u00e7ar o campesinato. \u201cTemos visto vontade pol\u00edtica porque se assinam acordos (&#8230;), mas a realidade \u00e9 outra\u201d.<\/span><\/p>\n<p><b>Uma hist\u00f3ria de impunidade<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Os defensores dos dois rios est\u00e3o presos e os respons\u00e1veis \u200b\u200bpelos saques e altos \u00edndices de corrup\u00e7\u00e3o do pa\u00eds andam livres.&#8221; Com esta frase, Banegas sintetiza uma hist\u00f3ria de impunidade. Mas a hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de injusti\u00e7as e corrup\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m de lutas e resist\u00eancias para mudar essa realidade e das mem\u00f3rias que essas lutas guardam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Parque Nacional Botadero recebeu a denomina\u00e7\u00e3o de Carlos Escaleras em 2014, com base em uma decis\u00e3o da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que responsabilizou o Estado hondurenho pelo assassinato, em 1997, de Escaleras, ativista que lutou contra o instala\u00e7\u00e3o de uma planta de extra\u00e7\u00e3o de \u00f3leo de palma dentro do parque, pr\u00f3ximo ao Rio Guapinol. \u00c9 precisamente l\u00e1 que hoje se projeta a instala\u00e7\u00e3o de uma planta de pelotiza\u00e7\u00e3o de ferro do megaprojeto de minera\u00e7\u00e3o Inversiones Los Pinares, ao qual resiste a comunidade de Guapinol. Los Pinares \u00e9 propriedade de Lenir P\u00e9rez, um grande benefici\u00e1rio do narco-estado que Hern\u00e1ndez deixou ancorado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A empresa faz parte do conglomerado de capital EMCO, que tamb\u00e9m abriga a ECOTEK, a maior usina de processamento de \u00f3xido de ferro da Am\u00e9rica Central que, segundo den\u00fancia da comunidade organizada de Guapinol, opera sem licen\u00e7a ambiental dentro de \u00e1rea protegida do Parque Nacional Serra Botadero.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Estamos defendendo a \u00e1gua e com ela a vida\u201d, disse Banegas com convic\u00e7\u00e3o, e detalhou quais s\u00e3o as ferramentas dos poderes hondurenhos para faz\u00ea-los desistir. \u201cCome\u00e7a com um processo de difama\u00e7\u00e3o, depois tentam comprar dirigentes, quando n\u00e3o te compram (\u2026) criminalizam-te, uma criminaliza\u00e7\u00e3o que \u00e9 reflexo do desvio da aplica\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, com mentiras, inven\u00e7\u00f5es, com processos encomendados por empresas mineradoras ou agroindustriais, e se n\u00e3o te matam\u201d.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como resultado dos primeiros assassinatos do ano, v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es nacionais como o Conselho C\u00edvico de Organiza\u00e7\u00f5es Populares e Ind\u00edgenas de Honduras (COPINH), a Coaliz\u00e3o Contra a Impunidade de Honduras, o Comit\u00ea Municipal em Defesa dos Bens Comuns e P\u00fablicos, entre muitas outras, e entidades globais como a Anistia Internacional e a Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos, emitiram declara\u00e7\u00f5es de solidariedade e exigiram investiga\u00e7\u00f5es independentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sobre essas peti\u00e7\u00f5es e reivindica\u00e7\u00f5es, Banegas informou que ainda n\u00e3o t\u00eam nenhuma resposta concreta, embora j\u00e1 tenham apresentado todas as den\u00fancias nos locais correspondentes e frisou que v\u00e3o continuar insistindo em sua reivindica\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Entre o dito e o feito<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A imparcialidade da pol\u00edcia e da justi\u00e7a n\u00e3o \u00e9 garantida em Honduras e h\u00e1 v\u00e1rios motivos para desconfian\u00e7a. Logo ap\u00f3s os assassinatos de Ali e Jairo, a pol\u00edcia informou que as mortes foram decorrentes de roubo e descartou que o crime tivesse liga\u00e7\u00e3o com quest\u00f5es ambientais. Isso gerou forte rejei\u00e7\u00e3o da comunidade organizada de Guapinol.<\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-5316 size-full\" src=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/HONDURAS-RMR.png\" alt=\"\" width=\"486\" height=\"466\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/HONDURAS-RMR.png 486w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/HONDURAS-RMR-300x288.png 300w\" sizes=\"(max-width: 486px) 100vw, 486px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2 de fevereiro, a mesma comunidade emitiu um comunicado no qual afirmava: \u201cn\u00e3o h\u00e1 confian\u00e7a nem no Minist\u00e9rio P\u00fablico nem na Pol\u00edcia de Tocoa para realizar uma investiga\u00e7\u00e3o independente neste caso. Eles j\u00e1 demonstraram sua parcialidade e s\u00e3o respons\u00e1veis \u200b\u200bpor usar provas ilegais para criminalizar os defensores da \u00e1rea, incluindo Ali, e despejar violentamente o acampamento Agua y Vida em Guapinol. Em 19 de janeiro, a fam\u00edlia de Al\u00ed Dom\u00ednguez solicitou a transfer\u00eancia do caso para a Promotoria de Crimes Contra a Vida com o apoio da ATIC [Ag\u00eancia T\u00e9cnica de Investiga\u00e7\u00e3o Criminal], mas a Procuradoria Geral da Rep\u00fablica n\u00e3o respondeu\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ali Dom\u00ednguez foi um dos 32 ativistas processados \u200b\u200bpor defender o rio em 2018, quando Los Pinares tentava instalar sua mina de \u00f3xido de ferro. D\u00e1 para entender que n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia, e a desconfian\u00e7a aumenta, que o promotor que os mandou para a cadeia naquela \u00e9poca seja o mesmo que hoje tem as causas dos assassinatos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O mesmo acontece com a Pol\u00edcia. Banegas conta que em 9 de janeiro, enquanto os seguran\u00e7as privados da empresa DINANT disparavam g\u00e1s e balas de borracha contra as fam\u00edlias da cooperativa El Chile, a Pol\u00edcia assistia e at\u00e9 ria. Uma informa\u00e7\u00e3o importante: a empresa DINANT ligada ao agroneg\u00f3cio e alimentos ultraprocessados \u200b\u200bpertence \u00e0 fam\u00edlia de empres\u00e1rios Facuss\u00e9, a mesma contra a qual Escaleras lutou nos anos 1990.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tanto a Procuradoria Geral da Rep\u00fablica quanto o Minist\u00e9rio P\u00fablico foram nomeados pelo governo de Juan Orlando Hern\u00e1ndez e seus mandatos constitucionais ainda est\u00e3o em vigor. Sob a prote\u00e7\u00e3o da constitui\u00e7\u00e3o, ambos os poderes agem com total impunidade. Atualmente, Honduras est\u00e1 em processo eleitoral para a forma\u00e7\u00e3o de uma nova Corte Suprema de Justi\u00e7a e ainda n\u00e3o definiu a nomea\u00e7\u00e3o do novo Conselho Fiscal, o que d\u00e1 esperan\u00e7a de um sistema judicial melhor.<\/span><\/p>\n<p><b>Ontem e hoje o Agu\u00e1n resiste, n\u00e3o haver\u00e1 exce\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cNeste quadro em que temos um novo governo, ainda h\u00e1 esperan\u00e7a de que neste segundo ano possam realmente ser procuradas alternativas, que s\u00f3 se t\u00eam manifestado numa vontade pol\u00edtica de resolver os diferentes problemas. Ao longo deste ano vimos, sentimos e sofremos a viol\u00eancia dessas empresas\u201d.<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-5317 size-full\" src=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/HONDURAS-RMR-2.png\" alt=\"\" width=\"487\" height=\"609\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/HONDURAS-RMR-2.png 487w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/HONDURAS-RMR-2-240x300.png 240w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/HONDURAS-RMR-2-400x500.png 400w\" sizes=\"(max-width: 487px) 100vw, 487px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Secretaria de Direitos Humanos do governo nacional estava presente no territ\u00f3rio quando os assassinatos de janeiro se tornaram p\u00fablicos. No dia 23 de janeiro, aquela Secretaria concedeu uma coletiva de imprensa no local.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Banegas mencionou que em fevereiro de 2022 foi assinado um acordo entre o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento e Inclus\u00e3o Social, o Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a, o Instituto Nacional Agr\u00e1rio e 29 cooperativas agr\u00edcolas, \u201cpara a solu\u00e7\u00e3o do Conflito Agr\u00e1rio relacionado com a Recupera\u00e7\u00e3o das Terras do Reforma Agr\u00e1ria em Bajo Agu\u00e1n\u201d. Em julho do mesmo ano, a Plataforma Agr\u00e1ria, com base nesse acordo, fez uma nova peti\u00e7\u00e3o para acabar com a viol\u00eancia, ter acesso \u00e0s suas terras e \u00e0 justi\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As comunidades Agu\u00e1n trabalham em estreita colabora\u00e7\u00e3o com a <a href=\"https:\/\/twitter.com\/ofraneh\">Organiza\u00e7\u00e3o Fraternal Negra Hondurenha (OFRANEH)<\/a> e as comunidades Gar\u00edfuna que sofrem a mesma situa\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia, v\u00e1rios quil\u00f4metros ao norte.<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-5318 size-full\" src=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/HONDURAS-RMR-3.png\" alt=\"\" width=\"433\" height=\"618\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/HONDURAS-RMR-3.png 433w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/HONDURAS-RMR-3-210x300.png 210w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/HONDURAS-RMR-3-350x500.png 350w\" sizes=\"(max-width: 433px) 100vw, 433px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEstamos exigindo justi\u00e7a e esclarecimentos, que se cancelem os megaprojetos como \u00e9 o caso de Los Pinares, e que se entreguem as terras da reforma agr\u00e1ria aos campesinos que foram espoliados ilegalmente, as quais elas pertencem\u201d, disse Banegas. \u201cN\u00f3s temos uma luta pac\u00edfica, baseada em direitos leg\u00edtimos (&#8230;), e somos v\u00edtimas da grande viol\u00eancia que nos est\u00e3o impondo\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rmr.fm\/entrevistas\/honduras-al-menos-ocho-defensores-as-socio-ambientales-asesinados-as-en-un-mes\/\"><strong>Conte\u00fado traduzido da p\u00e1gina da R\u00e1dio Mundo Real,\u00a0 publicado no dia 24 de fevereiro de 2023, no endere\u00e7o\/link: https:\/\/rmr.fm\/entrevistas\/honduras-al-menos-ocho-defensores-as-socio-ambientales-asesinados-as-en-un-mes\/<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Elsy Banegas, lutadora social e coordenadora da Coordena\u00e7\u00e3o de Organiza\u00e7\u00f5es Populares do Agu\u00e1n (COPA)\u00a0 Uma semana depois do in\u00edcio do ano, Jairo Bonilla e Al\u00ed Dom\u00ednguez foram assassinados enquanto trabalhavam em Concepci\u00f3n, departamento de Col\u00f3n, a poucos quil\u00f4metros de sua comunidade, Guapinol. Ambos eram defensores dos rios Guapinol e San Pedro, e do Parque Nacional Monta\u00f1a de Botaderos, tamb\u00e9m chamado Carlos Escaleras, onde nascem 34 fontes de \u00e1gua. Dez dias depois e na mesma regi\u00e3o, Omar Cruz, presidente da cooperativa camponesa Los Laureles e membro da Plataforma Agr\u00e1ria do Vale do Agu\u00e1n, e seu sogro Andy Mart\u00ednez tiveram o mesmo destino. As comunidades ancestrais de Gar\u00edfuna tamb\u00e9m foram alvo de persegui\u00e7\u00e3o e assassinatos no primeiro m\u00eas do ano. Ap\u00f3s os primeiros 15 dias de janeiro, tr\u00eas jovens origin\u00e1rias de Traves\u00eda, Janahira Aranda, Ana Castillo e Cristy Espinosa, foram assassinadas em sua comunidade, perto de Puerto Cort\u00e9s, no departamento de mesmo nome. O m\u00eas terminou da mesma forma, com o assassinato do l\u00edder socioambiental Ricardo Arna\u00fal Montero, gar\u00edfuna integrante do Comit\u00ea de Defesa da Terra Triunfo de la Cruz, mesma comunidade onde quatro defensores gar\u00edfunas desapareceram h\u00e1 mais de dois anos, localizada na Departamento de Atlantis. O paradoxo: defender a vida significa encontrar a morte Os interesses pelas terras e fontes de \u00e1gua de Honduras s\u00e3o multiplos e todos impactam da maneira mais crua as comunidades que vivem na terra e da terra. O extrativismo com seus projetos de miner\u00e1rios e agroindustriais, a interfer\u00eancia hist\u00f3rica dos Estados Unidos, o turismo de elite que almeja as costas do Mar Caribe, a trama da impunidade e os amigos que o ex-presidente Juan Orlando Hern\u00e1ndez deixou antes de sua extradi\u00e7\u00e3o a processos por tr\u00e1fico de drogas, se unem no mesmo pa\u00eds e empregam sua viol\u00eancia de diversas formas: persegui\u00e7\u00f5es, amea\u00e7as, ass\u00e9dio, criminaliza\u00e7\u00e3o e assassinatos a sangue-frio. A dirigente Elsy Banegas, membro do Sindicato dos Trabalhadores do Instituto Nacional Agr\u00e1rio (SITRAINA) e coordenadora geral da Coordena\u00e7\u00e3o de Organiza\u00e7\u00f5es Populares Agu\u00e1n (COPA), falou com a R\u00e1dio Mundo Real. A COPA \u00e9 integrada por organiza\u00e7\u00f5es camponesas, sindicais e de mulheres da regi\u00e3o de Agu\u00e1n, \u00e1rea que quase perdeu a conta de suas mortas e mortos por defender o direito \u00e0 terra, \u00e0 natureza e aos direitos humanos. Banegas vive na pr\u00f3pria pele a l\u00f3gica que a oligarquia hondurenha instalou em sua regi\u00e3o para apropriar-se de suas terras. Seu filho, Fernando Alem\u00e1n Banega, foi assassinado em outubro de 2016. N\u00e3o \u00e9 por falta de organiza\u00e7\u00e3o e luta que essas \u00e1reas s\u00e3o cercadas por pistoleiros, paramilitares e agentes de seguran\u00e7a de empresas mineradoras ou agroindustriais. \u00c9 gra\u00e7as a uma estrutura de viol\u00eancia e impunidade cravada na hist\u00f3ria do pa\u00eds. A coordenadora da COPA contou que o Vale do Agu\u00e1n foi inclu\u00eddo em um processo de reforma agr\u00e1ria \u201cque garantisse \u00e0s fam\u00edlias camponesas um modo de vida que permitisse justi\u00e7a social no campo, com regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria\u201d. Mas, segundo a dirigente, ao longo dos anos os diversos interesses empresariais t\u00eam impedido e os governos t\u00eam procurado \u201csempre favorecer a oligarquia nacional\u201d. Desde 2014, a COPA est\u00e1 sujeita a uma medida cautelar da Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pela viol\u00eancia incessante, mas isso n\u00e3o impediu os assassinatos. Quanto a isso Banegas \u00e9 assertiva, porque \u00e9 uma realidade cotidiana para ela e sua organiza\u00e7\u00e3o: as mineradoras e as agroind\u00fastrias n\u00e3o param de pressionar os governos e amea\u00e7ar o campesinato. \u201cTemos visto vontade pol\u00edtica porque se assinam acordos (&#8230;), mas a realidade \u00e9 outra\u201d. Uma hist\u00f3ria de impunidade &#8220;Os defensores dos dois rios est\u00e3o presos e os respons\u00e1veis \u200b\u200bpelos saques e altos \u00edndices de corrup\u00e7\u00e3o do pa\u00eds andam livres.&#8221; Com esta frase, Banegas sintetiza uma hist\u00f3ria de impunidade. Mas a hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de injusti\u00e7as e corrup\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m de lutas e resist\u00eancias para mudar essa realidade e das mem\u00f3rias que essas lutas guardam. O Parque Nacional Botadero recebeu a denomina\u00e7\u00e3o de Carlos Escaleras em 2014, com base em uma decis\u00e3o da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que responsabilizou o Estado hondurenho pelo assassinato, em 1997, de Escaleras, ativista que lutou contra o instala\u00e7\u00e3o de uma planta de extra\u00e7\u00e3o de \u00f3leo de palma dentro do parque, pr\u00f3ximo ao Rio Guapinol. \u00c9 precisamente l\u00e1 que hoje se projeta a instala\u00e7\u00e3o de uma planta de pelotiza\u00e7\u00e3o de ferro do megaprojeto de minera\u00e7\u00e3o Inversiones Los Pinares, ao qual resiste a comunidade de Guapinol. Los Pinares \u00e9 propriedade de Lenir P\u00e9rez, um grande benefici\u00e1rio do narco-estado que Hern\u00e1ndez deixou ancorado. A empresa faz parte do conglomerado de capital EMCO, que tamb\u00e9m abriga a ECOTEK, a maior usina de processamento de \u00f3xido de ferro da Am\u00e9rica Central que, segundo den\u00fancia da comunidade organizada de Guapinol, opera sem licen\u00e7a ambiental dentro de \u00e1rea protegida do Parque Nacional Serra Botadero. Estamos defendendo a \u00e1gua e com ela a vida\u201d, disse Banegas com convic\u00e7\u00e3o, e detalhou quais s\u00e3o as ferramentas dos poderes hondurenhos para faz\u00ea-los desistir. \u201cCome\u00e7a com um processo de difama\u00e7\u00e3o, depois tentam comprar dirigentes, quando n\u00e3o te compram (\u2026) criminalizam-te, uma criminaliza\u00e7\u00e3o que \u00e9 reflexo do desvio da aplica\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, com mentiras, inven\u00e7\u00f5es, com processos encomendados por empresas mineradoras ou agroindustriais, e se n\u00e3o te matam\u201d. Como resultado dos primeiros assassinatos do ano, v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es nacionais como o Conselho C\u00edvico de Organiza\u00e7\u00f5es Populares e Ind\u00edgenas de Honduras (COPINH), a Coaliz\u00e3o Contra a Impunidade de Honduras, o Comit\u00ea Municipal em Defesa dos Bens Comuns e P\u00fablicos, entre muitas outras, e entidades globais como a Anistia Internacional e a Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos, emitiram declara\u00e7\u00f5es de solidariedade e exigiram investiga\u00e7\u00f5es independentes. Sobre essas peti\u00e7\u00f5es e reivindica\u00e7\u00f5es, Banegas informou que ainda n\u00e3o t\u00eam nenhuma resposta concreta, embora j\u00e1 tenham apresentado todas as den\u00fancias nos locais correspondentes e frisou que v\u00e3o continuar insistindo em sua reivindica\u00e7\u00e3o.\u00a0 Entre o dito e o feito A imparcialidade da pol\u00edcia e da justi\u00e7a n\u00e3o \u00e9 garantida em Honduras e h\u00e1 v\u00e1rios motivos para desconfian\u00e7a. Logo ap\u00f3s os assassinatos de Ali e Jairo, a pol\u00edcia informou que as mortes foram decorrentes de roubo e descartou que o crime tivesse liga\u00e7\u00e3o com<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":5320,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[498,1841,1840],"tags":[],"class_list":["post-5314","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-defensoras-e-defensores-dos-territorios","category-direitos-humanos-e-dos-povos","category-si"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5314","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5314"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5314\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9566,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5314\/revisions\/9566"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5320"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5314"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5314"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5314"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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