{"id":5231,"date":"2023-01-28T13:43:32","date_gmt":"2023-01-28T16:43:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=5231"},"modified":"2025-06-16T14:53:45","modified_gmt":"2025-06-16T17:53:45","slug":"pulverizacao-de-agrotoxicos-e-debatida-no-forum-social-mundial-de-porto-alegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=5231","title":{"rendered":"Pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos \u00e9 debatida no F\u00f3rum Social Mundial de Porto Alegre"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: left;\"><em>Fam\u00edlias assentadas, organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais debatem problem\u00e1ticas da pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos no F\u00f3rum Social Mundial de Porto Alegre e constroem alian\u00e7a para garantir a produ\u00e7\u00e3o de alimentos sem veneno<\/em><\/h2>\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-241174 alignleft\" src=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Importancia-da-solidariedade-internacionalista-e-da-articulacao-entre-paises-da-America-Latina-para-combater-o-avanco-dos-agrotoxicos-e-enfatizada-nos-debates.-Foto-Maiara-Rauberjpeg-1024x682.jpeg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Importancia-da-solidariedade-internacionalista-e-da-articulacao-entre-paises-da-America-Latina-para-combater-o-avanco-dos-agrotoxicos-e-enfatizada-nos-debates.-Foto-Maiara-Rauberjpeg-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Importancia-da-solidariedade-internacionalista-e-da-articulacao-entre-paises-da-America-Latina-para-combater-o-avanco-dos-agrotoxicos-e-enfatizada-nos-debates.-Foto-Maiara-Rauberjpeg-300x200.jpeg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Importancia-da-solidariedade-internacionalista-e-da-articulacao-entre-paises-da-America-Latina-para-combater-o-avanco-dos-agrotoxicos-e-enfatizada-nos-debates.-Foto-Maiara-Rauberjpeg-768x512.jpeg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Importancia-da-solidariedade-internacionalista-e-da-articulacao-entre-paises-da-America-Latina-para-combater-o-avanco-dos-agrotoxicos-e-enfatizada-nos-debates.-Foto-Maiara-Rauberjpeg-1536x1023.jpeg 1536w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Importancia-da-solidariedade-internacionalista-e-da-articulacao-entre-paises-da-America-Latina-para-combater-o-avanco-dos-agrotoxicos-e-enfatizada-nos-debates.-Foto-Maiara-Rauberjpeg.jpeg 1600w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"682\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><em><em>Import\u00e2ncia da solidariedade internacionalista e da articula\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina para combater o avan\u00e7o dos agrot\u00f3xicos \u00e9 enfatizada nos debates. Foto: Maiara Rauber<\/p>\n<p><\/em><\/em><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Nos dias 23 e 24 de janeiro, as fam\u00edlias Sem Terra participaram do F\u00f3rum Social Mundial de Porto Alegre e debateram sobre as problem\u00e1ticas da pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos na mesa \u2018Povos contra agrot\u00f3xicos na Rep\u00fablica Sojeira\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Tamb\u00e9m estiveram presentes representantes do Movimento Ci\u00eancia Cidad\u00e3, em colabora\u00e7\u00e3o com Multisectorial Paren de Fumigarnos (AR), Red Nacional de Accion Ecologista (Renace \u2013 AR), Instituto de Salud Socioambiental da Universidad de Rosario (AR), Fam\u00edlias do PA Santa Rita de C\u00e1ssia II e Integra\u00e7\u00e3o Ga\u00facha, Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (RENAP), Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Terra (MST RS), Rede Irer\u00ea de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Ci\u00eancia, Instituto Ga\u00facho de Estudos Ambientais (InG\u00e1), Terra de Direitos, Amigos da Terra Brasil, Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Agroecologia (ABA), F\u00f3rum Ga\u00facho de Combate aos Impactos dos Agrot\u00f3xicos, Campanha Permanente Contra os Agrot\u00f3xicos e Pela Vida, Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Prote\u00e7\u00e3o ao Ambiente Natural (AGAPAN), Comiss\u00f5es de Produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica (CPORG), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Cooperativa Central dos Assentamentos do RS (COCEARGS), Instituto Preservar, Jornal Brasil de Fato RS, Rede Soberania e GT-Sa\u00fade\/Abrasco.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A mesa, dividida entre dois encontros, contou com troca de relatos e experi\u00eancias entre companheiros de luta do Brasil e da Argentina. A partilha foi de viv\u00eancias forjadas pelas desigualdades do capitalismo, que avan\u00e7a com um modelo de produ\u00e7\u00e3o de alimentos prim\u00e1rio exportador (o agroneg\u00f3cio) de alto impacto negativo nos biomas, respons\u00e1vel por danos irrevers\u00edveis nos territ\u00f3rios al\u00e9m de in\u00fameras viola\u00e7\u00f5es de direitos destes e dos povos. Modelo assinalado ainda por uma rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia econ\u00f4mica do Sul Global em rela\u00e7\u00e3o ao Norte, que incide no cotidiano de pequenos produtores rurais por meio da viol\u00eancia, destrui\u00e7\u00e3o da sociobiodiversidade, polui\u00e7\u00e3o, envenenamento, falta de incentivo via pol\u00edticas p\u00fablicas, desestrutura\u00e7\u00e3o de suas formas de produ\u00e7\u00e3o e de vida e persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Mas para al\u00e9m do descaso do estado e do desamparo presente nos relatos, o otimismo da vontade foi o horizonte das pautas discutidas. De forma propositiva, tamb\u00e9m foram elencadas estrat\u00e9gias para barrar a deriva de agrot\u00f3xicos, a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de veneno e as viol\u00eancias contra pequenos produtores rurais, propondo o direito \u00e0 terra, trabalho, comida e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis. Na conflu\u00eancia de saberes e realidades, os movimentos e coletivos presentes se fortaleceram, dando in\u00edcio a uma alian\u00e7a latinoamericana para dar um basta \u00e0s viola\u00e7\u00f5es dos corpos, territ\u00f3rios e da natureza imposta por uma minoria muito rica que comanda o agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: left;\">Visita a assentamentos conta com troca de experi\u00eancias entre Argentina e Brasil e proposi\u00e7\u00e3o de reivindica\u00e7\u00f5es coletivas para barrar as viol\u00eancias dos agrot\u00f3xicos nos pa\u00edses<\/h5>\n<p style=\"text-align: left;\">No primeiro dia da atividade \u2018Povos contra agrot\u00f3xicos na Rep\u00fablica Sojeira\u2019\u2019, foi realizado um roteiro de reconhecimento dos espa\u00e7os atingidos pela pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea nos \u00faltimos anos. Inicialmente os participantes reuniram-se no Viveiro Bourscheid, no Assentamento Santa Rita de C\u00e1ssia II, em Nova Santa Rita, na regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre (RS). O viveiro \u00e9 o \u00fanico com certificado org\u00e2nico no Rio Grande do Sul. Espa\u00e7o que resiste \u00e0s derivas e as amea\u00e7as latentes advindas dos agrot\u00f3xicos pulverizados nas proximidades, apontando que outros caminhos para a produ\u00e7\u00e3o de ervas, temperos, hortali\u00e7as e medicinas da natureza, assim como o sonho de uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, s\u00e3o uma realidade n\u00e3o apenas poss\u00edvel, mas que j\u00e1 vem sendo constru\u00eddo na pr\u00e1tica. Realidade que tamb\u00e9m se traduz na segunda visita do dia, realizada em outra propriedade de assentados da regi\u00e3o, muito reconhecida pela produ\u00e7\u00e3o de morangos org\u00e2nicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Nos locais os visitantes tiveram uma contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica sobre o processo de produ\u00e7\u00e3o de alimentos org\u00e2nicos e agroecol\u00f3gicos, assim como das lutas cotidianas travadas pelos assentados. Houve a identifica\u00e7\u00e3o dos problemas enfrentados, das estrat\u00e9gias adotadas e das implica\u00e7\u00f5es das pulveriza\u00e7\u00f5es de agrot\u00f3xicos na vida das fam\u00edlias afetadas. Tamb\u00e9m foram apresentadas as articula\u00e7\u00f5es com comunidades urbanas e la\u00e7os estabelecidos com a sociedade local e regional.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-241175\" src=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/O-assentado-e-produtor-de-mudas-Adir-Bourscheid-um-dos-primeiros-a-relatar-a-deriva-da-pulverizacao-de-agrotoxicos-na-regiao-de-Santa-Rita.-Foto-Maiara-Rauber-1024x682.jpeg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/O-assentado-e-produtor-de-mudas-Adir-Bourscheid-um-dos-primeiros-a-relatar-a-deriva-da-pulverizacao-de-agrotoxicos-na-regiao-de-Santa-Rita.-Foto-Maiara-Rauber-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/O-assentado-e-produtor-de-mudas-Adir-Bourscheid-um-dos-primeiros-a-relatar-a-deriva-da-pulverizacao-de-agrotoxicos-na-regiao-de-Santa-Rita.-Foto-Maiara-Rauber-300x200.jpeg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/O-assentado-e-produtor-de-mudas-Adir-Bourscheid-um-dos-primeiros-a-relatar-a-deriva-da-pulverizacao-de-agrotoxicos-na-regiao-de-Santa-Rita.-Foto-Maiara-Rauber-768x512.jpeg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/O-assentado-e-produtor-de-mudas-Adir-Bourscheid-um-dos-primeiros-a-relatar-a-deriva-da-pulverizacao-de-agrotoxicos-na-regiao-de-Santa-Rita.-Foto-Maiara-Rauber-1536x1023.jpeg 1536w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/O-assentado-e-produtor-de-mudas-Adir-Bourscheid-um-dos-primeiros-a-relatar-a-deriva-da-pulverizacao-de-agrotoxicos-na-regiao-de-Santa-Rita.-Foto-Maiara-Rauber.jpeg 1600w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"682\" \/><em>O assentado e produtor de mudas Adir Bourscheid, um dos primeiros a relatar a deriva da pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos na regi\u00e3o de Santa Rita. Foto: Maiara Rauber<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">As fam\u00edlias dos assentamentos de Reforma Agr\u00e1ria Itapu\u00ed, Santa Rita de C\u00e1ssia II e Integra\u00e7\u00e3o Ga\u00facha relembram os momentos que enfrentaram em 2020 e 2021, nas quais foram atingidos pela deriva de agrot\u00f3xicos pulverizados por avi\u00f5es agr\u00edcolas utilizados por grandes produtores de arroz convencional do munic\u00edpio de Nova Santa Rita. Os herbicidas afetaram a sa\u00fade de agricultores, moradores, culturas org\u00e2nicas, animais e agroecossistemas locais, como consequ\u00eancia de voos rasantes de avi\u00f5es com agrot\u00f3xicos sobre e nas proximidades das \u00e1reas dos assentamentos, onde se concentram tamb\u00e9m algumas das \u00e1reas de maior produ\u00e7\u00e3o de arroz agroecol\u00f3gico da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Entre os diversos sentimentos presentes, esteve a tristeza pelas viola\u00e7\u00f5es nos territ\u00f3rios, com impactos traduzidos em estiagens prolongadas, como a de 2020, no envenenamento das \u00e1guas, e nas amea\u00e7as constantes das pulveriza\u00e7\u00f5es. Foram evidenciados casos de c\u00e2ncer devido ao contato com o veneno, doen\u00e7as de pele, alergias, bolhas na pele, adoecimento e enfermidades tantas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A partilha de relatos sobre a realidade da vida no campo, com enfoque na produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, contou com falas como a da companheira argentina Flavia Zenotigh, da organiza\u00e7\u00e3o Mujeres Rurales Campo Hardy y Zona. Ela abordou os impactos do modelo do agroneg\u00f3cio e dos agrot\u00f3xicos na vida das mulheres argentinas do campo, que muitas vezes passam por situa\u00e7\u00f5es como abortos espont\u00e2neos pelo contato com o veneno, ou nascimento de crian\u00e7as com doen\u00e7as e deforma\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m de um cotidiano evidenciado pela perda de suas crian\u00e7as, revelou ainda que o c\u00e2ncer alcan\u00e7a \u00edndices elevados em seu territ\u00f3rio, afetando drasticamente as companheiras. Contexto situado dentro da coniv\u00eancia do estado Argentino, que como exp\u00f4s sua fala, adota pol\u00edticas que d\u00e3o as costas aos pequenos agricultores. \u201cE a justi\u00e7a n\u00e3o nos escuta\u201d, acrescentou. Caso semelhante ao do Brasil, e at\u00e9 mesmo de Santa Rita, com fiscaliza\u00e7\u00e3o que em uma das den\u00fancias feitas demorou 15 dias para ser realizada.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-241177\" src=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Flavia-Zenotigh-da-organizacao-Mujeres-Rurales-Campo-Hardy-y-Zona-abordou-os-impactos-do-modelo-do-agronegocio-e-dos-agrotoxicos-na-vida-das-mulheres-argentinas-do-campo-na-Argentina.-Foto-Maiara-Rauber-1024x793.jpeg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Flavia-Zenotigh-da-organizacao-Mujeres-Rurales-Campo-Hardy-y-Zona-abordou-os-impactos-do-modelo-do-agronegocio-e-dos-agrotoxicos-na-vida-das-mulheres-argentinas-do-campo-na-Argentina.-Foto-Maiara-Rauber-1024x793.jpeg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Flavia-Zenotigh-da-organizacao-Mujeres-Rurales-Campo-Hardy-y-Zona-abordou-os-impactos-do-modelo-do-agronegocio-e-dos-agrotoxicos-na-vida-das-mulheres-argentinas-do-campo-na-Argentina.-Foto-Maiara-Rauber-300x232.jpeg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Flavia-Zenotigh-da-organizacao-Mujeres-Rurales-Campo-Hardy-y-Zona-abordou-os-impactos-do-modelo-do-agronegocio-e-dos-agrotoxicos-na-vida-das-mulheres-argentinas-do-campo-na-Argentina.-Foto-Maiara-Rauber-768x595.jpeg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Flavia-Zenotigh-da-organizacao-Mujeres-Rurales-Campo-Hardy-y-Zona-abordou-os-impactos-do-modelo-do-agronegocio-e-dos-agrotoxicos-na-vida-das-mulheres-argentinas-do-campo-na-Argentina.-Foto-Maiara-Rauber-1536x1189.jpeg 1536w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Flavia-Zenotigh-da-organizacao-Mujeres-Rurales-Campo-Hardy-y-Zona-abordou-os-impactos-do-modelo-do-agronegocio-e-dos-agrotoxicos-na-vida-das-mulheres-argentinas-do-campo-na-Argentina.-Foto-Maiara-Rauber.jpeg 1600w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"793\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Flavia Zenotigh, da organiza\u00e7\u00e3o Mujeres Rurales Campo Hardy y Zona, abordou os impactos do modelo do agroneg\u00f3cio e dos agrot\u00f3xicos na vida das mulheres argentinas do campo na Argentina. Foto: Maiara Rauber<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left;\">O assentado e produtor de mudas Adir Bourscheid, um dos primeiros a relatar a deriva da pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos na regi\u00e3o de Santa Rita, comentou: &#8220;Em 2015 fomos atingidos pela primeira vez e ningu\u00e9m dizia que era veneno, era falado que era falta de \u00e1gua. Tinha veneno por cima de tudo, eu denunciei. Chegamos aqui e constru\u00edmos o que constru\u00edmos para persistir na terra, persistir em ir contra o veneno. \u00c9 dif\u00edcil fazer uma muda org\u00e2nica, mas n\u00e3o vamos parar, porque primeiro de tudo vem a sa\u00fade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Os impactos das derivas tamb\u00e9m se d\u00e3o na vida econ\u00f4mica dos produtores, com perdas que podem comprometer a subsist\u00eancia das fam\u00edlias, a ida a feiras e o abastecimento com alimentos em regi\u00f5es inteiras. Adir resgatou ainda a conex\u00e3o pol\u00edtica com a pauta, mencionando a import\u00e2ncia do Movimento Sem Terra e das pol\u00edticas do governo de Lula para que pudessem tocar o projeto do viveiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A quest\u00e3o, que como o pr\u00f3prio assentado e produtor org\u00e2nico de morangos, Ol\u00edmpio Vodzik, ressaltou,\u00a0<strong>vai para al\u00e9m da terra<\/strong>. Olympio, al\u00e9m de contar a hist\u00f3ria de sua propriedade e a import\u00e2ncia da produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, que garante inclusive a potabilidade das \u00e1guas e o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico dos locais, destacou a import\u00e2ncia dessa forma de produ\u00e7\u00e3o na fertilidade do solo, na diversidade da vida. E o quanto desde que se assentou no local, numa rela\u00e7\u00e3o afetuosa com o espa\u00e7o e sem uso de venenos, foi poss\u00edvel perceber melhorias neste.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-241178\" src=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/A-questao-que-como-o-proprio-assentado-e-produtor-organico-de-morangos-Olimpio-Vodzik-ressaltou-vai-para-alem-da-terra.-Foto-Maiara-Rauber-1024x674.jpeg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/A-questao-que-como-o-proprio-assentado-e-produtor-organico-de-morangos-Olimpio-Vodzik-ressaltou-vai-para-alem-da-terra.-Foto-Maiara-Rauber-1024x674.jpeg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/A-questao-que-como-o-proprio-assentado-e-produtor-organico-de-morangos-Olimpio-Vodzik-ressaltou-vai-para-alem-da-terra.-Foto-Maiara-Rauber-300x197.jpeg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/A-questao-que-como-o-proprio-assentado-e-produtor-organico-de-morangos-Olimpio-Vodzik-ressaltou-vai-para-alem-da-terra.-Foto-Maiara-Rauber-768x505.jpeg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/A-questao-que-como-o-proprio-assentado-e-produtor-organico-de-morangos-Olimpio-Vodzik-ressaltou-vai-para-alem-da-terra.-Foto-Maiara-Rauber-1536x1011.jpeg 1536w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/A-questao-que-como-o-proprio-assentado-e-produtor-organico-de-morangos-Olimpio-Vodzik-ressaltou-vai-para-alem-da-terra.-Foto-Maiara-Rauber.jpeg 1600w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"674\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>A quest\u00e3o, que como o pr\u00f3prio assentado e produtor org\u00e2nico de morangos, Ol\u00edmpio Vodzik, ressaltou, vai para al\u00e9m da terra. Foto: Maiara Rauber<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left;\">A viol\u00eancia permeia os relatos da resist\u00eancia contra a pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos no Brasil e na Argentina. Mas para al\u00e9m dela, a indigna\u00e7\u00e3o, na coletividade e constru\u00e7\u00e3o das lutas, se torna mobiliza\u00e7\u00e3o para seguir. O assentado do MST, Jo\u00e3o Vitor de Almeida,\u00a0 insistiu na coopera\u00e7\u00e3o, articula\u00e7\u00e3o das lutas, e press\u00e3o dos de baixo ao poder p\u00fablico e \u00e0 justi\u00e7a para garantir o direito \u00e0 terra, produ\u00e7\u00e3o, trabalho e vida digna. \u201cA \u00faltima vez que n\u00f3s ficamos muito sufocados era cinco horas da manh\u00e3 e o avi\u00e3o estava passando. E \u00e0s cinco da manh\u00e3 \u00e9 hora que ningu\u00e9m fiscaliza. E se as fam\u00edlias n\u00e3o reclamam, elas n\u00e3o se movimentam. O agroneg\u00f3cio vai corrompendo e vai criando mecanismos que tornam tudo poss\u00edvel novamente. Ent\u00e3o a lei \u00e9 importante, mas mais importante \u00e9 a consci\u00eancia e a mobiliza\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias, de que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel conviver com agroecologia e agroneg\u00f3cio\u201d, relatou. Evidenciando a import\u00e2ncia das alian\u00e7as de luta, Jo\u00e3o complementou: \u201c Temos que juntar todas nossas for\u00e7as poss\u00edveis para que a gente possa produzir alimentos saud\u00e1veis, cuidar do ambiente, da terra e do nosso trabalho. E \u00e9 isso que temos feito nos \u00faltimos anos, enfrentando todas as dificuldades poss\u00edveis. E o que estamos propondo, diante de todas as dificuldades que enfrentamos \u00e9 que n\u00f3s precisamos ampliar essa rela\u00e7\u00e3o para um processo de luta maior a partir das comunidades locais. Porque uma \u00e1rvore n\u00e3o se planta de cima para baixo, e n\u00f3s temos que produzir a luta de baixo para cima\u201d.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: left;\">Encontro na Assembleia Legislativa apresenta reinvindica\u00e7\u00f5es das lutas e proposi\u00e7\u00f5es para frear o agroneg\u00f3cio<\/h5>\n<p style=\"text-align: left;\">No segundo dia (24) do F\u00f3rum Social Mundial de Porto Alegre, o debate da tem\u00e1tica, desta vez aberto ao p\u00fablico, teve sequ\u00eancia na Assembleia Legislativa do RS. L\u00e1, trouxe reflex\u00f5es a n\u00edvel de Am\u00e9rica Latina, de Brasil, mas tamb\u00e9m abordou informa\u00e7\u00f5es mais espec\u00edficas dos casos ocorridos em Nova Santa Rita e Eldorado do Sul, assim como em Santa F\u00e9 (AR).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Carlos Manessi, da Multisectorial Paren de Fumigarnos (AR), explanou sobre a realidade Argentina. \u201cAs condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o as mesmas, temos agora na Argentina\u00a0 o presidente Alberto \u00c1ngel Fern\u00e1ndez ,respaldado pelo CEO da Syngenta, principal promotora desse modelo que temos agora em presid\u00eancia. Falo para que tenham ampla ideia. Manessi acrescentou ainda que em Santa F\u00e9 h\u00e1 20 milh\u00f5es de hectares cultivados com soja: \u201cNa nossa prov\u00edncia, local da qual venho, temos tr\u00eas milh\u00f5es e meio de hectares, 70% do nosso territ\u00f3rio est\u00e1 coberto com soja. Isso corresponde a 70% das terras cultivadas. \u00c9 muit\u00edssimo. \u00c9 monocultura, monocultivo demais. Demais\u201d, situou.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Em sua fala, abordou os casos de inunda\u00e7\u00f5es, secas, contamina\u00e7\u00e3o de rios e desmontes decorrentes do modelo do agroneg\u00f3cio, diretamente relacionado ao uso de agrot\u00f3xicos e transg\u00eanicos. \u201cSanta F\u00e9 perdeu 50% da colheita. Uma lagoa com 20km de peixes mortos pela seca em grande lagoa que temos. S\u00e3o impactos tremendos que estamos sofrendo\u201d, contou, estabelecendo um paralelo com os impactos na sa\u00fade coletiva.\u00a0 \u201cOs impactos na sa\u00fade s\u00e3o muito grandes e n\u00e3o podemos seguir permitindo que nossos vizinhos sofram o que sofrem agora. Ent\u00e3o a nossa ideia na Pare de Fumigarnos e esse coletivos de organiza\u00e7\u00f5es \u00e9, para come\u00e7ar, garantir mil metros livres de fumiga\u00e7\u00e3o\u2026 N\u00e3o podemos permitir mais isso tudo. Voc\u00eas no Brasil, n\u00f3s na Argentina, e paraguaios, uruguaios e bolivianos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Manessi tamb\u00e9m refletiu sobre a import\u00e2ncia desse interc\u00e2mbio de informa\u00e7\u00f5es entre organiza\u00e7\u00f5es e movimentos de luta, inclusive como a\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica para frear a emerg\u00eancia clim\u00e1tica: \u201cSomos parte do ambiente, a cadeia do sistema agroindustrial \u00e9 respons\u00e1vel por quase de metade dos gases de efeito estufa de efeito global. A mudan\u00e7a clim\u00e1tica que presenciamos e sofremos est\u00e1 fortemente influenciada por esse modelo de produ\u00e7\u00e3o agroindustrial. Esse sistema de produ\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria com toda cadeia de valor produz mais de 50% por cento dos gases de efeito estufa que nos leva \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Somando nessa fala, Gabriel Adrian, do Instituto de Sa\u00fade Socioambiental da Universidade Nacional de Ros\u00e1rio (AR), elucidou que as articula\u00e7\u00f5es de luta reconhecem a necessidade de transformar o modelo do agroneg\u00f3cio, que gera doen\u00e7as, mortes e consequ\u00eancias socioambientais nefastas. \u201cNesse s\u00e9culo enfrentamos alguns desafios na sa\u00fade coletiva que tem a ver com aquecimento global, com surgimento de futuras pandemias. O modelo agroindustrial gera condi\u00e7\u00f5es para que possam emergir novos microrganismos com potencial pand\u00eamico, com a forma que s\u00e3o criados industrialmente os animais\u201d, explicou, contextualizando que hoje vivemos em ambientes repletos de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas como nunca ocorreu em outro momento da hist\u00f3ria. \u201cFrente a todas essas amea\u00e7as, o que os companheiros querem reivindicar n\u00e3o se trata de nada mais que uma forma de produzir, um modo de vida.\u00a0 Entendemos que os modos de vida agroecol\u00f3gicos s\u00e3o reivindicados porque s\u00e3o os modos de vida que nos permitem enfrentar todas essas amea\u00e7as e desafios\u201d, sintetizou.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Adrian defendeu ainda que os sistemas agroecol\u00f3gicos s\u00e3o resilientes,\u00a0 capazes de captar a sociobiodiversidade: \u201cFrente a possibilidade de sofrimento de pandemias, os sistemas agroecol\u00f3gicos s\u00e3o os sistemas que defendem a imunidade coletiva, de toda sociedade. Contra a carga t\u00f3xica que h\u00e1 no ambiente, na \u00e1gua, no solo, no ar, os sistema agroecol\u00f3gicos s\u00e3o os que nos permitem recuperar os territ\u00f3rios para vivermos de modo saud\u00e1vel\u201d, demarcou. Em sua exposi\u00e7\u00e3o, reconheceu a import\u00e2ncia da trajet\u00f3ria constru\u00edda nas lutas, mas questionou quais compromissos\u00a0 devem ser assumidos desde o setor da sa\u00fade para estar \u00e0 altura hist\u00f3rica do momento em que estamos vivendo. \u201cPor mais que tenhamos ideias e linhas de trabalho, \u00e9 necess\u00e1rio recuperar desde as viv\u00eancias que t\u00eam as comunidades e povos. \u00c9 preciso transformar o sistema de sa\u00fade atual em um sistema capaz de produzir sa\u00fade\u201d, comentou.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Adalberto Martins, da dire\u00e7\u00e3o nacional do MST, apresentou em dados a problem\u00e1tica do agroneg\u00f3cio em nosso pa\u00eds, relacionando ao caso argentino. Evidenciou que o Brasil \u00e9 o maior consumidor de veneno,\u00a0 assinalando\u00a0 que grande propor\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos consumidos aqui s\u00e3o proibidos em seus pa\u00edses de origem.\u00a0 \u201cNo Brasil, nas nossas lavouras tempor\u00e1rias que deveriam ser produ\u00e7\u00e3o de alimentos, est\u00e3o destinados em tr\u00eas cultivos: soja, milho e cana. Falamos de cerca de 40 milh\u00f5es de hectares de soja, outros 22 milh\u00f5es de milho, nove milh\u00f5es de cana..\u00a0 Isso implica para n\u00f3s uma imensa concentra\u00e7\u00e3o de riqueza, uma imensa concentra\u00e7\u00e3o de terra, uma imensa concentra\u00e7\u00e3o de insumos, e nesse caso os agrot\u00f3xicos saltam aos olhos no caso brasileiro. N\u00f3s somos o maior consumidor de veneno do mundo\u201d, anunciou.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-241173\" src=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Adalberto-Martins-da-direcao-nacional-do-MST-apresentou-em-dados-a-problematica-do-agronegocio-em-nosso-pais-relacionando-ao-caso-argentino.-Foto-Maiara-Rauber-1024x609.jpeg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Adalberto-Martins-da-direcao-nacional-do-MST-apresentou-em-dados-a-problematica-do-agronegocio-em-nosso-pais-relacionando-ao-caso-argentino.-Foto-Maiara-Rauber-1024x609.jpeg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Adalberto-Martins-da-direcao-nacional-do-MST-apresentou-em-dados-a-problematica-do-agronegocio-em-nosso-pais-relacionando-ao-caso-argentino.-Foto-Maiara-Rauber-300x178.jpeg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Adalberto-Martins-da-direcao-nacional-do-MST-apresentou-em-dados-a-problematica-do-agronegocio-em-nosso-pais-relacionando-ao-caso-argentino.-Foto-Maiara-Rauber-768x456.jpeg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Adalberto-Martins-da-direcao-nacional-do-MST-apresentou-em-dados-a-problematica-do-agronegocio-em-nosso-pais-relacionando-ao-caso-argentino.-Foto-Maiara-Rauber-1536x913.jpeg 1536w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Adalberto-Martins-da-direcao-nacional-do-MST-apresentou-em-dados-a-problematica-do-agronegocio-em-nosso-pais-relacionando-ao-caso-argentino.-Foto-Maiara-Rauber.jpeg 1600w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"609\" \/><\/figure>\n<\/figcaption><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Adalberto Martins, da dire\u00e7\u00e3o nacional do MST, apresentou em dados a problem\u00e1tica do agroneg\u00f3cio em nosso pa\u00eds, relacionando ao caso argentino. Foto: Maiara Rauber<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left;\">A advogada e ouvidora da Defensoria P\u00fablica do Estado do Rio Grande do Sul, Marina Dermmam destacou em sua fala o descaso do poder p\u00fablico em rela\u00e7\u00e3o a fiscaliza\u00e7\u00e3o de crimes vinculados \u00e0 agrot\u00f3xicos, mencionando a relev\u00e2ncia do trabalho jur\u00eddico realizado para ajudar as fam\u00edlias atingidas por pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos em Nova Santa Rita. \u201cOs agrot\u00f3xicos podem violar uma s\u00e9rie de direitos humanos, em especial os direitos que chamamos de DHESCAs (Direitos Humanos Econ\u00f4micos, Sociais e Culturais). A gente tem uma s\u00e9rie de legisla\u00e7\u00f5es muito protetivas aqui no Brasil, especialmente que surgiram na d\u00e9cada de 80 e 90: o nosso plano nacional de meio ambiente, a pol\u00edtica nacional de meio ambiente, leis de crimes ambientais, de fato s\u00e3o muito protetivas, mesmo no que teve em desregulamenta\u00e7\u00e3o no \u00faltimo momento que vivemos. Mas \u00e9 um grande desafio quando vamos no sistema de justi\u00e7a procurar responsabilidade\u201d, mencionou. Marina manifestou ainda a import\u00e2ncia dos pol\u00edgonos de exclus\u00e3o, locais em que a pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos deve ser proibida.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: left;\">Acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia: acordo comercial sem participa\u00e7\u00e3o dos afetados intensifica projeto neocolonial de superexplora\u00e7\u00e3o dos povos e territ\u00f3rios no Sul Global<\/h5>\n<p style=\"text-align: left;\">Para al\u00e9m das lutas cotidianas nas bases dos territ\u00f3rios, abordadas nos encontros do \u201cPovos contra agrot\u00f3xicos na Rep\u00fablica Sojeira\u201d, foi dimensionada como estas se travam dentro da geopol\u00edtica global. Na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre centro e periferia do sistema capitalista, pa\u00edses embobrecidos por esta economia hegem\u00f4nica, como os da Am\u00e9rica Latina, s\u00e3o grifados pela violenta situa\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia escancarada no modelo prim\u00e1rio agroexportador do agroneg\u00f3cio. Modelo que privilegia o desenvolvimento dos pa\u00edses colonizadores, como os membros da Uni\u00e3o Europeia, a partir do subdesenvolvimento e superexplora\u00e7\u00e3o do Sul Global.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Na pr\u00e1tica, um acordo que intensifica o racismo ambiental, o ecoc\u00eddio, a mercantiliza\u00e7\u00e3o da natureza e o genoc\u00eddio dos povos ind\u00edgenas, quilombolas,\u00a0 ribeirinhos, tradicionais, campesinos e das periferias, que s\u00e3o os mais afetados pela emerg\u00eancia clim\u00e1tica. Emerg\u00eancia essa causada pelo capitalismo e diretamente fomentada pelo agroneg\u00f3cio, ainda mais tendo em vista que o maior motivo de emiss\u00f5es de gases poluentes da atmosfera no Brasil \u00e9 a altera\u00e7\u00e3o de uso de solos, via desmatamento para a amplia\u00e7\u00e3o da fronteira agr\u00edcola.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Exemplos que escancaram essa realidade s\u00e3o acordos como a Alca, barrado pelas lutas anos atr\u00e1s. Caso que a assentada do MST e atingida pela pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos, Graciela Almeida, trouxe a mem\u00f3ria evidenciando a necessidade de uma rearticula\u00e7\u00e3o para tamb\u00e9m vetar o Acordo Mercosul- Uni\u00e3o Europeia, agora em abertura de di\u00e1logo no governo Lula.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-241176\" src=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Graciela-Almeida-trouxe-a-memoria-evidenciando-a-necessidade-de-uma-rearticulacao-para-tambem-vetar-o-Acordo-Mercosul-Uniao-Europeia-agora-em-abertura-de-dialogo-no-governo-Lula.-Foto-Maiara-Rauber-1024x682.jpeg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Graciela-Almeida-trouxe-a-memoria-evidenciando-a-necessidade-de-uma-rearticulacao-para-tambem-vetar-o-Acordo-Mercosul-Uniao-Europeia-agora-em-abertura-de-dialogo-no-governo-Lula.-Foto-Maiara-Rauber-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Graciela-Almeida-trouxe-a-memoria-evidenciando-a-necessidade-de-uma-rearticulacao-para-tambem-vetar-o-Acordo-Mercosul-Uniao-Europeia-agora-em-abertura-de-dialogo-no-governo-Lula.-Foto-Maiara-Rauber-300x200.jpeg 300w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Graciela-Almeida-trouxe-a-memoria-evidenciando-a-necessidade-de-uma-rearticulacao-para-tambem-vetar-o-Acordo-Mercosul-Uniao-Europeia-agora-em-abertura-de-dialogo-no-governo-Lula.-Foto-Maiara-Rauber-768x512.jpeg 768w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Graciela-Almeida-trouxe-a-memoria-evidenciando-a-necessidade-de-uma-rearticulacao-para-tambem-vetar-o-Acordo-Mercosul-Uniao-Europeia-agora-em-abertura-de-dialogo-no-governo-Lula.-Foto-Maiara-Rauber-1536x1023.jpeg 1536w, https:\/\/mst.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Graciela-Almeida-trouxe-a-memoria-evidenciando-a-necessidade-de-uma-rearticulacao-para-tambem-vetar-o-Acordo-Mercosul-Uniao-Europeia-agora-em-abertura-de-dialogo-no-governo-Lula.-Foto-Maiara-Rauber.jpeg 1600w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"682\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Graciela Almeida, trouxe a mem\u00f3ria evidenciando a necessidade de uma rearticula\u00e7\u00e3o para tamb\u00e9m vetar o Acordo Mercosul- Uni\u00e3o Europeia, agora em abertura de di\u00e1logo no governo Lula. Foto: Maiara Rauber<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left;\">Logo, na luta contra a explora\u00e7\u00e3o dos corpos, territ\u00f3rios e da natureza na Am\u00e9rica Latina, este acordo \u00e9 mais um ponto a ser considerado. Ele se relaciona diretamente com o avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio, que traz o uso de agrot\u00f3xicos que poluem \u00e1guas, solos, afetam a sa\u00fade e integram um modelo de produ\u00e7\u00e3o desigual. Graciela abordou essa situa\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia econ\u00f4mica prolongada pelo Acordo, assim como o uso de agrot\u00f3xicos como armas qu\u00edmicas a qual est\u00e3o submetidas as comunidades.\u00a0<strong>\u201c<\/strong>O Acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia a maioria das pessoas\u00a0 desconhece. Quem conhece um pouco, e um pouco porque nem sequer foi traduzido nas l\u00ednguas dos pa\u00edses que supostamente est\u00e3o envolvidos, sabe muito bem que \u00e9 uma nova explora\u00e7\u00e3o dos nossos territ\u00f3rios.\u00a0 \u00c9 um aprofundamento da explora\u00e7\u00e3o do sistema capitalista nos nossos territ\u00f3rios e nos nossos corpos. E isso significa que a fronteira da soja, a rep\u00fablica unida da soja como falava a Syngenta, vai querer se expandir muito al\u00e9m. E isso vai acontecer com todas as monoculturas se n\u00f3s n\u00e3o paramos, n\u00e3o conversamos e dizemos para esse novo governo que n\u00e3o queremos mais explora\u00e7\u00e3o nos nossos territ\u00f3rios\u201d, situou Graciela quanto a necessidade de incid\u00eancia das lutas neste Acordo.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: left;\">Encontros fortalecem as alian\u00e7as entre movimentos e organiza\u00e7\u00f5es que assumem o compromisso no processo de conscientiza\u00e7\u00e3o da sociedade da Am\u00e9rica Latina<\/h5>\n<p style=\"text-align: left;\">Leonardo Melgarejo, do Movimento Ci\u00eancia Cidad\u00e3, explicou a import\u00e2ncia dessa atividade multi-institucional que envolveu ativistas que lutam contra o agrot\u00f3xicos na Am\u00e9rica Latina, e contou com uma comitiva de quatro institui\u00e7\u00f5es da Argentina. \u201cN\u00f3s discutimos um fato b\u00e1sico, temos doen\u00e7as que s\u00e3o as mesmas, que afetam as fam\u00edlias de todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, que s\u00e3o causadas por agrot\u00f3xicos que s\u00e3o os mesmos comercializados com institui\u00e7\u00f5es que s\u00e3o as mesmas. Precisamos estabelecer uma forma de defesa conjunta para atuarmos de uma mesma maneira e n\u00e3o isoladamente, para atuarmos conjuntamente contra este problema que se associa aos avan\u00e7os das lavouras transg\u00eanicas, das lavouras geneticamente modificadas tolerantes agrot\u00f3xicos que est\u00e3o inundando os nossos territ\u00f3rios\u201d, declarou.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Foi conclu\u00eddo no final do debate a import\u00e2ncia de superar processos de aliena\u00e7\u00e3o da sociedade de todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, pois segundo Melgarejo a \u00e1gua que habita, que d\u00e1 vida aos territ\u00f3rios da Am\u00e9rica Latina est\u00e1 sendo contaminada de maneira irrevers\u00edvel sendo que essa \u00e1gua faz parte dos organismos, das crian\u00e7as, idosos, e tamb\u00e9m nos rios, lagos e aqu\u00edferos. \u201cUma maneira de tirar esse veneno dos espa\u00e7os \u00e9 evitando que ele chegue l\u00e1. Para isso temos que estabelecer mecanismos de comunica\u00e7\u00e3o que ajudem a sociedade a tomar consci\u00eancia do problema que est\u00e1 em andamento e esses mecanismos exigem que n\u00f3s pautamos a\u00e7\u00f5es em comum em conjunto nos v\u00e1rios espa\u00e7os ao mesmo tempo\u201d, refor\u00e7ou o integrante do MCC.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Um dos exemplos citados por Melgarejo \u00e9 o documento produzido pelas fam\u00edlias assentadas de Nova Santa Rita, o qual conta a sua hist\u00f3ria e as estrat\u00e9gias que vem desenvolvendo para estabelecer essas alian\u00e7as com as popula\u00e7\u00f5es urbanas. Para fortalecer o documento est\u00e3o captando assinaturas de ades\u00e3o para levar adiante a sociedade do que acontece aqui no Rio Grande do Sul e que por extens\u00e3o \u00e9 o que acontece em todo o conjunto da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Por fim, Melgarejo encarou o encontro positivamente, ao destacar a rela\u00e7\u00e3o estabelecida com companheiros de lugares diferentes da Am\u00e9rica Latina. E novas etapas dessa luta conjunta j\u00e1 est\u00e3o previstas. Segundo Leonardo, em junho deste ano haver\u00e1 um momento na Universidade de Ros\u00e1rio, na Argentina, durante o Congresso de Sa\u00fade Coletiva e Sa\u00fade Ambiental. Outro encontro ser\u00e1 realizado em novembro na cidade do Rio de Janeiro, no Congresso Brasileiro de Agroecologia (ABA).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u201cNesse meio tempo n\u00f3s temos um compromisso de apoiar as institui\u00e7\u00f5es que trabalham nessa linha e ajudar a proteger esses ativistas que est\u00e3o envolvidos com essas a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o, pois eles s\u00e3o perseguidos, discriminados e amea\u00e7ados. Devemos construir gradativamente esse processo de conscientiza\u00e7\u00e3o da sociedade da Am\u00e9rica Latina, e tomar medidas em conjunto para superar essa crise\u201d, finalizou Leonardo Melgarejo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3J9QbNg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Acesse o documento na integra.<\/a><\/em><\/p>\n<p>Texto por Maiara Rauber e Carolina Colorio Reck<\/p>\n<p><strong>Confira alguns dos registros das atividades na nossa galeria de fotos:\u00a0<\/strong><\/p>\n<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-5231 gallery-columns-3 gallery-size-large'><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?attachment_id=5240'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"507\" height=\"678\" src=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/1.png?wsr\" class=\"attachment-large size-large\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/1.png 507w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/1-224x300.png 224w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/1-374x500.png 374w\" sizes=\"(max-width: 507px) 100vw, 507px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?attachment_id=5241'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"504\" height=\"671\" src=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/2.png?wsr\" class=\"attachment-large size-large\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/2.png 504w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/2-225x300.png 225w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/2-376x500.png 376w\" sizes=\"(max-width: 504px) 100vw, 504px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?attachment_id=5242'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"501\" height=\"671\" src=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/3.png?wsr\" class=\"attachment-large size-large\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/3.png 501w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/3-224x300.png 224w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/3-373x500.png 373w\" sizes=\"(max-width: 501px) 100vw, 501px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure><figure class='gallery-item'>\n\t\t\t<div class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?attachment_id=5243'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"508\" height=\"668\" src=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/4.png?wsr\" class=\"attachment-large size-large\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/4.png 508w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/4-228x300.png 228w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/4-380x500.png 380w\" sizes=\"(max-width: 508px) 100vw, 508px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/div><\/figure>\n\t\t<\/div>\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cr\u00e9ditos: Carolina C.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o foi poss\u00edvel estar presente? Confira a transmiss\u00e3o ao vivo\u00a0 da atividade na Assembleia Legislativa, que conta com apresenta\u00e7\u00e3o da Carta dos atingidos pela deriva de agrot\u00f3xicos e debate internacionalista, da sociedade civil, movimentos e organiza\u00e7\u00f5es sobre a pauta<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=8z9xCfWk-cE\">Transmiss\u00e3o ao vivo<\/a><\/p>\n<p><iframe title=\"Live: Povos Contra os Agrot\u00f3xicos na Rep\u00fablica Sojeira - 24\/01 - 9h\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8z9xCfWk-cE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>__________________________________________________________<\/p>\n<p><em><strong>Saiba mais sobre a luta contra o Acordo Mercosul- Uni\u00e3o Europeia na mat\u00e9ria <a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2022\/11\/07\/delegacao-brasileira-faz-jornada-na-europa-para-denunciar-os-impactos-do-acordo-mercosul-uniao-europeia\/\">&#8220;Delega\u00e7\u00e3o brasileira faz Jornada na Europa para denunciar os impactos do Acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia&#8221;<\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2022\/11\/09\/posicionamento-da-frente-brasileira-contra-acordo-mercosul-ue-e-apresentado-no-parlamento-europeu\/\">E aqui voc\u00ea confere\u00a0 o posicionamento da Frente Brasileira Contra o Acordo Mercosul-UE, que foi apresentada ano passado no Parlamento Europeu\u00a0<\/a><\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fam\u00edlias assentadas, organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais debatem problem\u00e1ticas da pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos no F\u00f3rum Social Mundial de Porto Alegre e constroem alian\u00e7a para garantir a produ\u00e7\u00e3o de alimentos sem veneno Import\u00e2ncia da solidariedade internacionalista e da articula\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina para combater o avan\u00e7o dos agrot\u00f3xicos \u00e9 enfatizada nos debates. Foto: Maiara Rauber Nos dias 23 e 24 de janeiro, as fam\u00edlias Sem Terra participaram do F\u00f3rum Social Mundial de Porto Alegre e debateram sobre as problem\u00e1ticas da pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos na mesa \u2018Povos contra agrot\u00f3xicos na Rep\u00fablica Sojeira\u2019. Tamb\u00e9m estiveram presentes representantes do Movimento Ci\u00eancia Cidad\u00e3, em colabora\u00e7\u00e3o com Multisectorial Paren de Fumigarnos (AR), Red Nacional de Accion Ecologista (Renace \u2013 AR), Instituto de Salud Socioambiental da Universidad de Rosario (AR), Fam\u00edlias do PA Santa Rita de C\u00e1ssia II e Integra\u00e7\u00e3o Ga\u00facha, Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (RENAP), Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Terra (MST RS), Rede Irer\u00ea de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Ci\u00eancia, Instituto Ga\u00facho de Estudos Ambientais (InG\u00e1), Terra de Direitos, Amigos da Terra Brasil, Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Agroecologia (ABA), F\u00f3rum Ga\u00facho de Combate aos Impactos dos Agrot\u00f3xicos, Campanha Permanente Contra os Agrot\u00f3xicos e Pela Vida, Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Prote\u00e7\u00e3o ao Ambiente Natural (AGAPAN), Comiss\u00f5es de Produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica (CPORG), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Cooperativa Central dos Assentamentos do RS (COCEARGS), Instituto Preservar, Jornal Brasil de Fato RS, Rede Soberania e GT-Sa\u00fade\/Abrasco. A mesa, dividida entre dois encontros, contou com troca de relatos e experi\u00eancias entre companheiros de luta do Brasil e da Argentina. A partilha foi de viv\u00eancias forjadas pelas desigualdades do capitalismo, que avan\u00e7a com um modelo de produ\u00e7\u00e3o de alimentos prim\u00e1rio exportador (o agroneg\u00f3cio) de alto impacto negativo nos biomas, respons\u00e1vel por danos irrevers\u00edveis nos territ\u00f3rios al\u00e9m de in\u00fameras viola\u00e7\u00f5es de direitos destes e dos povos. Modelo assinalado ainda por uma rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia econ\u00f4mica do Sul Global em rela\u00e7\u00e3o ao Norte, que incide no cotidiano de pequenos produtores rurais por meio da viol\u00eancia, destrui\u00e7\u00e3o da sociobiodiversidade, polui\u00e7\u00e3o, envenenamento, falta de incentivo via pol\u00edticas p\u00fablicas, desestrutura\u00e7\u00e3o de suas formas de produ\u00e7\u00e3o e de vida e persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Mas para al\u00e9m do descaso do estado e do desamparo presente nos relatos, o otimismo da vontade foi o horizonte das pautas discutidas. De forma propositiva, tamb\u00e9m foram elencadas estrat\u00e9gias para barrar a deriva de agrot\u00f3xicos, a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de veneno e as viol\u00eancias contra pequenos produtores rurais, propondo o direito \u00e0 terra, trabalho, comida e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis. Na conflu\u00eancia de saberes e realidades, os movimentos e coletivos presentes se fortaleceram, dando in\u00edcio a uma alian\u00e7a latinoamericana para dar um basta \u00e0s viola\u00e7\u00f5es dos corpos, territ\u00f3rios e da natureza imposta por uma minoria muito rica que comanda o agroneg\u00f3cio. Visita a assentamentos conta com troca de experi\u00eancias entre Argentina e Brasil e proposi\u00e7\u00e3o de reivindica\u00e7\u00f5es coletivas para barrar as viol\u00eancias dos agrot\u00f3xicos nos pa\u00edses No primeiro dia da atividade \u2018Povos contra agrot\u00f3xicos na Rep\u00fablica Sojeira\u2019\u2019, foi realizado um roteiro de reconhecimento dos espa\u00e7os atingidos pela pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea nos \u00faltimos anos. Inicialmente os participantes reuniram-se no Viveiro Bourscheid, no Assentamento Santa Rita de C\u00e1ssia II, em Nova Santa Rita, na regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre (RS). O viveiro \u00e9 o \u00fanico com certificado org\u00e2nico no Rio Grande do Sul. Espa\u00e7o que resiste \u00e0s derivas e as amea\u00e7as latentes advindas dos agrot\u00f3xicos pulverizados nas proximidades, apontando que outros caminhos para a produ\u00e7\u00e3o de ervas, temperos, hortali\u00e7as e medicinas da natureza, assim como o sonho de uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, s\u00e3o uma realidade n\u00e3o apenas poss\u00edvel, mas que j\u00e1 vem sendo constru\u00eddo na pr\u00e1tica. Realidade que tamb\u00e9m se traduz na segunda visita do dia, realizada em outra propriedade de assentados da regi\u00e3o, muito reconhecida pela produ\u00e7\u00e3o de morangos org\u00e2nicos. Nos locais os visitantes tiveram uma contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica sobre o processo de produ\u00e7\u00e3o de alimentos org\u00e2nicos e agroecol\u00f3gicos, assim como das lutas cotidianas travadas pelos assentados. Houve a identifica\u00e7\u00e3o dos problemas enfrentados, das estrat\u00e9gias adotadas e das implica\u00e7\u00f5es das pulveriza\u00e7\u00f5es de agrot\u00f3xicos na vida das fam\u00edlias afetadas. Tamb\u00e9m foram apresentadas as articula\u00e7\u00f5es com comunidades urbanas e la\u00e7os estabelecidos com a sociedade local e regional. O assentado e produtor de mudas Adir Bourscheid, um dos primeiros a relatar a deriva da pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos na regi\u00e3o de Santa Rita. Foto: Maiara Rauber As fam\u00edlias dos assentamentos de Reforma Agr\u00e1ria Itapu\u00ed, Santa Rita de C\u00e1ssia II e Integra\u00e7\u00e3o Ga\u00facha relembram os momentos que enfrentaram em 2020 e 2021, nas quais foram atingidos pela deriva de agrot\u00f3xicos pulverizados por avi\u00f5es agr\u00edcolas utilizados por grandes produtores de arroz convencional do munic\u00edpio de Nova Santa Rita. Os herbicidas afetaram a sa\u00fade de agricultores, moradores, culturas org\u00e2nicas, animais e agroecossistemas locais, como consequ\u00eancia de voos rasantes de avi\u00f5es com agrot\u00f3xicos sobre e nas proximidades das \u00e1reas dos assentamentos, onde se concentram tamb\u00e9m algumas das \u00e1reas de maior produ\u00e7\u00e3o de arroz agroecol\u00f3gico da Am\u00e9rica Latina. Entre os diversos sentimentos presentes, esteve a tristeza pelas viola\u00e7\u00f5es nos territ\u00f3rios, com impactos traduzidos em estiagens prolongadas, como a de 2020, no envenenamento das \u00e1guas, e nas amea\u00e7as constantes das pulveriza\u00e7\u00f5es. Foram evidenciados casos de c\u00e2ncer devido ao contato com o veneno, doen\u00e7as de pele, alergias, bolhas na pele, adoecimento e enfermidades tantas. A partilha de relatos sobre a realidade da vida no campo, com enfoque na produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, contou com falas como a da companheira argentina Flavia Zenotigh, da organiza\u00e7\u00e3o Mujeres Rurales Campo Hardy y Zona. Ela abordou os impactos do modelo do agroneg\u00f3cio e dos agrot\u00f3xicos na vida das mulheres argentinas do campo, que muitas vezes passam por situa\u00e7\u00f5es como abortos espont\u00e2neos pelo contato com o veneno, ou nascimento de crian\u00e7as com doen\u00e7as e deforma\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m de um cotidiano evidenciado pela perda de suas crian\u00e7as, revelou ainda que o c\u00e2ncer alcan\u00e7a \u00edndices elevados em seu territ\u00f3rio, afetando drasticamente as companheiras. Contexto situado dentro da coniv\u00eancia do estado Argentino, que como exp\u00f4s sua fala, adota pol\u00edticas que d\u00e3o as costas aos pequenos agricultores. \u201cE a justi\u00e7a n\u00e3o nos escuta\u201d, acrescentou. Caso semelhante ao do Brasil, e at\u00e9 mesmo de Santa Rita, com fiscaliza\u00e7\u00e3o que<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":5235,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1831,600,498,6,1833,602,7,1837,5],"tags":[],"class_list":["post-5231","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acordos-comerciais","category-antirracismo","category-defensoras-e-defensores-dos-territorios","category-justica-climatica-e-energetica","category-integracao-regional-dos-povos","category-justica-ambiental-nas-cidades","category-justica-economica","category-retomadas-e-direito-a-cidade","category-soberania-alimentar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5231","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5231"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5231\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9570,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5231\/revisions\/9570"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5235"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5231"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5231"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5231"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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