{"id":5168,"date":"2022-12-19T09:43:03","date_gmt":"2022-12-19T12:43:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=5168"},"modified":"2025-06-16T14:56:56","modified_gmt":"2025-06-16T17:56:56","slug":"o-que-ha-por-tras-do-termo-natureza-positiva-na-cupula-de-biodiversidade-cop15","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=5168","title":{"rendered":"O que h\u00e1 por tr\u00e1s do termo natureza positiva na C\u00fapula de Biodiversidade, COP15?"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Necessitamos um Marco Mundial da Biodiversidade com pol\u00edticas ambientais rigorosas, que assegurem que o mundo volte a viver dentro dos limites planet\u00e1rios.\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<figure id=\"attachment_5169\" aria-describedby=\"caption-attachment-5169\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5169 size-large\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/el-salto-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/el-salto-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/el-salto-300x200.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/el-salto-768x512.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/el-salto-500x333.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/el-salto-800x533.jpg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/el-salto.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5169\" class=\"wp-caption-text\">Imagem de David F. Sabadell<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A biodiversidade est\u00e1 em crise em todo o planeta. O n\u00famero de esp\u00e9cies, e de indiv\u00edduos dentro das pr\u00f3prias esp\u00e9cies, diminuiu de forma retumbante nas \u00faltimas d\u00e9cadas, e a comunidade cient\u00edfica adverte que nos pr\u00f3ximos anos podemos perder um milh\u00e3o a mais de esp\u00e9cies. Para quem est\u00e1 seguindo o tema de perto \u00e9 mais evidente que essa crise da biodiversidade \u00e9, na verdade, uma faceta a mais da crise sist\u00eamica, causada pelo modelo econ\u00f4mico atual e pelo mantra do crescimento infinito.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Conv\u00eanio sobre a Diversidade Biol\u00f3gica (CBD nas siglas em ingl\u00eas) iniciou um processo para estabelecer um novo Marco Mundial da Biodiversidade durante a Confer\u00eancia das Partes das Na\u00e7\u00f5es Unidas no ano de 2018, um encontro em que muitas das na\u00e7\u00f5es participantes se comprometeram a respaldar um marco para a \u201cmudan\u00e7a transformadora\u201d elaborado pela comunidade cient\u00edfica. A\u00ed ent\u00e3o, se abrigava a esperan\u00e7a de que essa decis\u00e3o fosse uma oportunidade real para mudar o modelo econ\u00f4mico e proteger a biodiversidade. Frente a essa premissa, escrevi para um bom n\u00famero de amigas, amigos e ativistas ecologistas de todo o mundo para lhes dizer: \u201cvoc\u00ea tem que participar desse processo, vai ser transformador\u201d. Enquanto o Conv\u00eanio sobre a Diversidade Biol\u00f3gica fingia escutar as necessidades da sociedade civil e dos povos ind\u00edgenas na primeira ronda de consultas, quando veio a luz o primeiro rascunho, tomei um duro golpe: as medidas que poderiam transformar verdadeiramente o sistema econ\u00f4mico que minava a biodiversidade &#8211; tais como normas\/pol\u00edticas r\u00edgidas e coordenadas para minimizar o dano ambiental &#8211; n\u00e3o tinham nenhuma possibilidade de \u00eaxito.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b><i>O plano das grandes empresas \u00e9 seguir devastando a biodiversidade a curto prazo, com a promessa de que compensar\u00e3o esses danos a longo prazo<\/i><\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por sua vez, nos demos conta rapidamente de que a participa\u00e7\u00e3o das grandes empresas nas discuss\u00f5es estava obstruindo qualquer avan\u00e7o, tal como acaba de demonstrar um novo estudo da Amigos da Terra Internacional. Inclusive empresas criminosas como BP, respons\u00e1vel pelo derramamento de petroleiro de Deepwater Horizon em 2010, ou a Vale, que envenenou centenas de quil\u00f4metros de rios com rejeitos t\u00f3xicos de suas minas diante do rompimento de duas represas de rejeitos no Brasil. Grandes contaminantes como estas empresas criam coaliz\u00f5es que se apresentam como \u2018verdes\u201c ou \u201csustent\u00e1veis\u201d. Por\u00e9m, nas salas de negocia\u00e7\u00e3o, com as portas fechadas,\u00a0 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">advogam por medidas volunt\u00e1rias e de maquiagem verde que simulam uma regula\u00e7\u00e3o verdadeira. Est\u00e1 evidente que entendem que qualquer medida eficaz frente a perda de biodiversidade os prejudica e constitui um obst\u00e1culo para suas gan\u00e2ncias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante anos temos visto como os estados participantes e os altos funcion\u00e1rios da ONU recebem de bra\u00e7os abertos essas coaliz\u00f5es empresariais e suas propostas. Isso faz com que os resultados deste conv\u00eanio- chave sobre a biodiversidade &#8211; e as pol\u00edticas que v\u00e3o reger a pr\u00f3xima d\u00e9cada &#8211; estejam repletos de propostas de lavagem verde. Os conceitos de \u201cNatureza positiva\u201d e \u201csolu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza\u201d s\u00e3o algumas dessas medidas, que colocam em perigo as verdadeiras solu\u00e7\u00f5es da crise urgente da biodiversidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O conceito de \u201cNatureza positiva\u201d ou \u201cpositivo para a natureza\u201d pode soar bem, mas sua defini\u00e7\u00e3o \u00e9 muito confusa. O termo natureza pode ser uma refer\u00eancia a pol\u00edticas que nada tem a ver com a biodiversidade e &#8220;positivo&#8221; \u00e9, inclusive, mais amb\u00edguo\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda que possa parecer que implique em algo bom, na realidade gera um resultado duvidoso, se seguem destruindo ecossistemas e os processos de restaura\u00e7\u00e3o s\u00e3o question\u00e1veis.\u00a0 O plano das grandes empresas \u00e9 seguir devastando a biodiversidade a curto prazo, com a promessa de que compensar\u00e3o esses planos a longo prazo. O que esperam aqueles que prop\u00f5em o conceito de \u201cNatureza positiva\u201d \u00e9 que no ano de 2030, o resultado possa ser ligeiramente positivo. Por\u00e9m, quando dimensiono a perda de biodiversidade que vi ao longo da minha vida, fica evidente que n\u00e3o podemos permitir mais perdas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b><i>Muitos dos projetos baseados na natureza n\u00e3o s\u00e3o mais que planta\u00e7\u00f5es de monocultivos de \u00e1rvores, que n\u00e3o aportam nenhuma biodiversidade.\u00a0<\/i><\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tanto o conceito de \u201cnatureza positiva\u201d quanto o de \u201csolu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza\u201d, o SBN, se baseiam em compensar, sejam as emiss\u00f5es atuais de CO2 ou os ecossistemas que querem destruir, o que sup\u00f5e que um tipo de ecossistema possa ser compensado com outros, sem levar em conta a sua capacidade de absor\u00e7\u00e3o de CO2, a complexidade de organismos que existe em cada ecossistema, o car\u00e1ter \u00fanico de cada esp\u00e9cie ou o territ\u00f3rio sagrado para os povos ind\u00edgenas. Tal compensa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d para as empresas que querem manter seus benef\u00edcios e seguir minando a biodiversidade com a desculpa de que sua destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel porque se compensar\u00e1 em outro lugar. O conceito n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 totalmente err\u00f4neo, como n\u00e3o \u00e9 realista. Na realidade, compensar dessa forma requer grandes extens\u00f5es de terras para capturar carbono, que excedem a superf\u00edcie de terras dispon\u00edveis a n\u00edvel mundial.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Permitir a compensa\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es d\u00e1 para as empresas um passe livre para seguir arrasando o meio ambiente apesar da emerg\u00eancia clim\u00e1tica e da perda exacerbada de biodiversidade. Muitos dos projetos baseados na natureza n\u00e3o s\u00e3o mais que planta\u00e7\u00f5es de monocultivos de \u00e1rvores, que n\u00e3o aportam nenhuma biodiversidade. Reservar terras para compensar emiss\u00f5es de carbono tamb\u00e9m compete com a demanda de terras de cultivo do agroneg\u00f3cio.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m, alguns poucos projetos pontuais de solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza que incluem pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas e a participa\u00e7\u00e3o de Povos Ind\u00edgenas e comunidades locais s\u00e3o apresentados em folhetos atrativos, em todas as cores, e afirmam falsamente que as solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza representam uma mudan\u00e7a de significado para o clima e a biodiversidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao mesmo tempo, ambos conceitos empresariais representam uma grande carga para os Povos Ind\u00edgenas e para as comunidades locais. Muitos projetos de compensa\u00e7\u00e3o acontecem em suas terras e frequentemente os expulsam de seus territ\u00f3rios. As empresas tendem a afirmar que o uso da terra feito pelas comunidades nativas prejudica a biodiversidade, ainda que seja demonstrado o contr\u00e1rio. Cerca de 80% do remanescente de biodiversidade terrestre se preservou gra\u00e7as aos povos ind\u00edgenas e comunidades locais, apesar das viola\u00e7\u00f5es de seus direitos e o assassinato de defensores e defensoras ambientais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora a destrui\u00e7\u00e3o de ecossistemas fa\u00e7a parte de uma crise mundial que temos que resolver, n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o t\u00e9cnica, como tamb\u00e9m de justi\u00e7a. Necessitamos um Marco Mundial da Biodiversidade com pol\u00edticas ambientais rigorosas que garanta que o mundo volte a viver dentro de limites planet\u00e1rios. As empresas t\u00eam que ser submetidas a uma regulamenta\u00e7\u00e3o rigorosa, ao inv\u00e9s de ser permitido que criem as suas pr\u00f3prias medidas para evitarem as responsabilidades.\u00a0 Mas, antes de qualquer coisa, \u00e9 preciso prote\u00e7\u00e3o aos direitos dos povos ind\u00edgenas e comunidades locais, que s\u00e3o os verdadeiros guardi\u00f5es que protegem a biodiversidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b><i>*Artigo de opini\u00e3o de Nele Marien, Coordenadora do Programa Bosques e Biodiversidade da Amigos da Terra Internacional. Publicado originalmente no site El Salto, no dia 14 de dezembro, em: <\/i><\/b><a href=\"https:\/\/www.elsaltodiario.com\/opinion\/cumbre-de-biodiversidad-cop15\"><b><i>www.elsaltodiario.com\/opinion\/cumbre-de-biodiversidad-cop15<\/i><\/b><\/a><b><i>\u00a0<\/i><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Necessitamos um Marco Mundial da Biodiversidade com pol\u00edticas ambientais rigorosas, que assegurem que o mundo volte a viver dentro dos limites planet\u00e1rios.\u00a0 A biodiversidade est\u00e1 em crise em todo o planeta. O n\u00famero de esp\u00e9cies, e de indiv\u00edduos dentro das pr\u00f3prias esp\u00e9cies, diminuiu de forma retumbante nas \u00faltimas d\u00e9cadas, e a comunidade cient\u00edfica adverte que nos pr\u00f3ximos anos podemos perder um milh\u00e3o a mais de esp\u00e9cies. Para quem est\u00e1 seguindo o tema de perto \u00e9 mais evidente que essa crise da biodiversidade \u00e9, na verdade, uma faceta a mais da crise sist\u00eamica, causada pelo modelo econ\u00f4mico atual e pelo mantra do crescimento infinito.\u00a0 O Conv\u00eanio sobre a Diversidade Biol\u00f3gica (CBD nas siglas em ingl\u00eas) iniciou um processo para estabelecer um novo Marco Mundial da Biodiversidade durante a Confer\u00eancia das Partes das Na\u00e7\u00f5es Unidas no ano de 2018, um encontro em que muitas das na\u00e7\u00f5es participantes se comprometeram a respaldar um marco para a \u201cmudan\u00e7a transformadora\u201d elaborado pela comunidade cient\u00edfica. A\u00ed ent\u00e3o, se abrigava a esperan\u00e7a de que essa decis\u00e3o fosse uma oportunidade real para mudar o modelo econ\u00f4mico e proteger a biodiversidade. Frente a essa premissa, escrevi para um bom n\u00famero de amigas, amigos e ativistas ecologistas de todo o mundo para lhes dizer: \u201cvoc\u00ea tem que participar desse processo, vai ser transformador\u201d. 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Isso faz com que os resultados deste conv\u00eanio- chave sobre a biodiversidade &#8211; e as pol\u00edticas que v\u00e3o reger a pr\u00f3xima d\u00e9cada &#8211; estejam repletos de propostas de lavagem verde. Os conceitos de \u201cNatureza positiva\u201d e \u201csolu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza\u201d s\u00e3o algumas dessas medidas, que colocam em perigo as verdadeiras solu\u00e7\u00f5es da crise urgente da biodiversidade.\u00a0 O conceito de \u201cNatureza positiva\u201d ou \u201cpositivo para a natureza\u201d pode soar bem, mas sua defini\u00e7\u00e3o \u00e9 muito confusa. 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Por\u00e9m, quando dimensiono a perda de biodiversidade que vi ao longo da minha vida, fica evidente que n\u00e3o podemos permitir mais perdas.\u00a0 Muitos dos projetos baseados na natureza n\u00e3o s\u00e3o mais que planta\u00e7\u00f5es de monocultivos de \u00e1rvores, que n\u00e3o aportam nenhuma biodiversidade.\u00a0 Tanto o conceito de \u201cnatureza positiva\u201d quanto o de \u201csolu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza\u201d, o SBN, se baseiam em compensar, sejam as emiss\u00f5es atuais de CO2 ou os ecossistemas que querem destruir, o que sup\u00f5e que um tipo de ecossistema possa ser compensado com outros, sem levar em conta a sua capacidade de absor\u00e7\u00e3o de CO2, a complexidade de organismos que existe em cada ecossistema, o car\u00e1ter \u00fanico de cada esp\u00e9cie ou o territ\u00f3rio sagrado para os povos ind\u00edgenas. Tal compensa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d para as empresas que querem manter seus benef\u00edcios e seguir minando a biodiversidade com a desculpa de que sua destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel porque se compensar\u00e1 em outro lugar. O conceito n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 totalmente err\u00f4neo, como n\u00e3o \u00e9 realista. Na realidade, compensar dessa forma requer grandes extens\u00f5es de terras para capturar carbono, que excedem a superf\u00edcie de terras dispon\u00edveis a n\u00edvel mundial.\u00a0 Permitir a compensa\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es d\u00e1 para as empresas um passe livre para seguir arrasando o meio ambiente apesar da emerg\u00eancia clim\u00e1tica e da perda exacerbada de biodiversidade. Muitos dos projetos baseados na natureza n\u00e3o s\u00e3o mais que planta\u00e7\u00f5es de monocultivos de \u00e1rvores, que n\u00e3o aportam nenhuma biodiversidade. Reservar terras para compensar emiss\u00f5es de carbono tamb\u00e9m compete com a demanda de terras de cultivo do agroneg\u00f3cio.\u00a0\u00a0 Por\u00e9m, alguns poucos projetos pontuais de solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza que incluem pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas e a participa\u00e7\u00e3o de Povos Ind\u00edgenas e comunidades locais s\u00e3o apresentados em folhetos atrativos, em todas as cores, e afirmam falsamente que as solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza representam uma mudan\u00e7a de significado para o clima e a biodiversidade.\u00a0 Ao mesmo tempo, ambos conceitos empresariais representam uma grande carga para os Povos Ind\u00edgenas e para as comunidades locais. Muitos projetos de compensa\u00e7\u00e3o acontecem em suas terras e frequentemente os expulsam de seus territ\u00f3rios. As empresas tendem a afirmar que o uso da terra feito pelas comunidades nativas prejudica a biodiversidade, ainda que seja demonstrado o contr\u00e1rio. 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