{"id":5079,"date":"2022-11-16T22:52:16","date_gmt":"2022-11-17T01:52:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=5079"},"modified":"2025-06-16T14:59:00","modified_gmt":"2025-06-16T17:59:00","slug":"cop-27-carta-do-grupo-carta-de-belem-e-de-movimentos-sociais-critica-feira-do-clima-e-cobra-cumprimento-dos-compromissos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=5079","title":{"rendered":"COP 27: carta do Grupo Carta de Bel\u00e9m e de movimentos sociais critica \u201cfeira do clima\u201d e cobra cumprimento dos compromissos"},"content":{"rendered":"<div class=\"entry-content\">\n<p>A primeira semana de negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, em Sharm El-Sheikh, no Egito, encerrou sem dar ind\u00edcios de cumprir com a expectativa sobre a \u201cCOP da implementa\u00e7\u00e3o\u201d como vinha sendo chamada essa Confer\u00eancia. Em vista disso, o Grupo Carta de Bel\u00e9m (do qual a Amigos da Terra faz parte), articulado com organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e movimentos sociais, abre a segunda semana da COP 27 com o lan\u00e7amento da carta \u201c<strong><em>Juntos para a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica: com quem e para qu\u00ea?<\/em><\/strong>\u201c, em que cr\u00edtica o que chama de \u201cfeira do clima\u201d: a transforma\u00e7\u00e3o em um balc\u00e3o de neg\u00f3cios do espa\u00e7o que traria solu\u00e7\u00f5es para o clima. A problem\u00e1tica \u00e9 s\u00e9ria, os resultados das confer\u00eancias podem decidir a possibilidade de garantir condi\u00e7\u00f5es de vida humana a longo prazo na terra, ou estender a possibilidade de lucro sob o argumento da descarboniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A carta foi constru\u00edda e \u00e9 assinada por uma s\u00e9rie de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e movimentos sociais brasileiros que somam a cr\u00edtica da preponder\u00e2ncia do setor privado como ator chave na implementa\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, pintando de verde a economia mundial, mas sem aprofundar a\u00e7\u00f5es para uma transi\u00e7\u00e3o justa transformadora. O grupo aponta que a a\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria \u00e9 o cumprimento dos compromissos j\u00e1 adotados pelos pa\u00edses desenvolvidos, principais causadores do aquecimento global pelo acumulado das emiss\u00f5es de carbono historicamente e que a quest\u00e3o clim\u00e1tica n\u00e3o pode ser usada como meio para endividamento dos pa\u00edses em desenvolvimento, maiores impactados pelo problema e que carecem de recursos para implementar condi\u00e7\u00f5es para que suas popula\u00e7\u00f5es possam resistir \u00e0s secas mais rigorosas, \u00e0s chuvas torrenciais e \u00e0s ondas de calor extremo.<\/p>\n<p>A carta destaca ainda que a a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica n\u00e3o pode jogar a conta sobre povos origin\u00e1rios, comunidades quilombolas e povos tradicionais do mundo para resolver o problema causado pelas grandes corpora\u00e7\u00f5es, enquanto estas seguem lucrando no mesmo modelo desenvolvimentista que nos trouxe at\u00e9 aqui, propondo como sa\u00edda a compensa\u00e7\u00e3o de suas emiss\u00f5es, sem a\u00e7\u00e3o real para mudar a situa\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio produzir uma a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica que seja capaz de reparar os efeitos atualizados da colonialidade, e oferecer solu\u00e7\u00f5es de reconstru\u00e7\u00e3o contra os efeitos clim\u00e1ticos extremos, sem transferir para povos ind\u00edgenas e quilombolas, comunidades tradicionais e rurais, o peso de combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, enquanto corpora\u00e7\u00f5es globais, inclusive produtoras de combust\u00edveis f\u00f3sseis, se desresponsabilizam pela polui\u00e7\u00e3o que as suas atividades econ\u00f4micas provocaram, historicamente, ao contabilizar carbono florestal nos seus balan\u00e7os de sustentabilidade.<\/p>\n<h4>Leia a carta na \u00edntegra abaixo, ou acesse aqui em <a href=\"https:\/\/www.cartadebelem.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Juntos-pela-Acao-Climatica-COP27-vf-1.pdf\">portugu\u00eas<\/a>.<br \/>\nLea en<a href=\"https:\/\/www.cartadebelem.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Juntos-por-la-accio\u0301n-clima\u0301ticavf-1.pdf\"> espa\u00f1ol<\/a>.<br \/>\nRead in <a href=\"https:\/\/www.cartadebelem.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Together-for-climate-action-vf-1.pdf\">english<\/a>.<\/h4>\n<h2 class=\"has-text-align-center\"><em><strong>Juntos para a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica: com quem e para qu\u00ea?<\/strong><\/em><\/h2>\n<p class=\"has-text-align-left\"><em><br \/>\nO lema da COP 27, em Sharm el Sheik, no Egito, \u00e9 \u201cjuntos para implementa\u00e7\u00e3o\u201d (#together for implementation). Como primeira COP focada na \u201cimplementa\u00e7\u00e3o\u201d, assistimos a uma cacofonia de vozes e propostas que competem para vender oportunidades de neg\u00f3cios, tecnologia, financiamento (e endividamento) para alcan\u00e7ar a descarboniza\u00e7\u00e3o, a neutralidade clim\u00e1tica e um lugar no futuro net-zero (emiss\u00f5es l\u00edquidas zero).<\/em><br \/>\n<em><br \/>\nDiante desta grande \u201cfeira do clima\u201d e considerando aquilo que o termo \u201ca\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas\u201d vem apontando na pr\u00e1tica, n\u00f3s, organiza\u00e7\u00f5es e movimentos da sociedade civil brasileira, entendemos que \u00e9 fundamental perguntar: juntos com quem e para qu\u00ea?<br \/>\n<\/em><br \/>\n<em>O centro das nossas preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9 em particular a ofensiva dos mercados para participar de a\u00e7\u00f5es de mitiga\u00e7\u00e3o vinculadas \u00e0 terra, \u00e0s florestas e a promo\u00e7\u00e3o de pretensas Solu\u00e7\u00f5es baseadas na Natureza (NbS), uma vez que a\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas neste setor v\u00eam se configurando como uma grande oportunidade de investimentos \u2013 e portanto, de lucros e de especula\u00e7\u00e3o, inclusive financeira \u2013 o que n\u00e3o pode ser igualado \u00e0 verdadeira sustentabilidade e a transi\u00e7\u00e3o justa que o mundo precisa.<br \/>\n<\/em><br \/>\n<em>Reafirmamos aqui nossa posi\u00e7\u00e3o de que as florestas devem permanecer fora dos mecanismos de mercado. As florestas s\u00e3o o espa\u00e7o de enorme biodiversidade e de muitos povos ind\u00edgenas, comunidades tradicionais, quilombolas, agricultores familiares que buscam conviv\u00eancia digna e sustent\u00e1vel com seus ecossistemas, devem ser objetos de pol\u00edticas p\u00fablicas e sistemas de governan\u00e7a, transparente e democr\u00e1tica. Tem sido uma posi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de negocia\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro \u2013 tanto como de v\u00e1rios segmentos da sociedade civil do pa\u00eds reiterada ao longo dos anos \u2013 manter as florestas fora dos mercados de carbono. Temos enfrentado e resistido \u00e0s in\u00fameras formula\u00e7\u00f5es que ao longo das negocia\u00e7\u00f5es do clima v\u00eam tentando subordinar florestas, terras, territ\u00f3rios e popula\u00e7\u00f5es do Sul global \u00e0s l\u00f3gicas e aos mecanismos vinculados aos mercados e \u00e0 especula\u00e7\u00e3o financeira \u2013 mesmo que em nome do clima.<br \/>\n<\/em><br \/>\n<em>Ao inv\u00e9s disso, defendemos que o financiamento clim\u00e1tico internacional para florestas e para combater o desmatamento sejam subordinados a pol\u00edticas p\u00fablicas estruturantes e fontes de financiamento no marco do or\u00e7amento p\u00fablico, da institucionalidade, da governan\u00e7a p\u00fablica brasileira e da soberania \u2013 seguindo o estabelecido no Art. 5 do Acordo de Paris e o Marco de Vars\u00f3via para REDD (Redu\u00e7\u00e3o de Emiss\u00f5es por Desmatamento e Degrada\u00e7\u00e3o Florestal), que prev\u00ea pagamentos por resultados efetivos para a conserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de florestas. Defendemos ainda que as doa\u00e7\u00f5es internacionais relacionadas a estes resultados devem ser desvinculadas do teto de gastos do or\u00e7amento.<br \/>\n<\/em><br \/>\n<em>Esta COP \u00e9 a primeira ap\u00f3s a conclus\u00e3o do Livro de Regras do Acordo de Paris, finalizado em Glasgow, em novembro de 2021, no qual ficou sacramentada a centralidade do Art. 6, que trata da transfer\u00eancia internacional de resultados de mitiga\u00e7\u00e3o e para a operacionaliza\u00e7\u00e3o de mercados de carbono na execu\u00e7\u00e3o dos objetivos do Acordo \u2013 ou de como, afinal, os resultados de mitiga\u00e7\u00e3o ser\u00e3o creditados e computados na planilha global da conta clim\u00e1tica. O item 6.4 do Artigo trata especificamente do mercado de carbono no \u00e2mbito da UNFCCC, sob a formato do \u201cmecanismo de desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d. As atuais negocia\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas sobre o Art. 6.4 avan\u00e7am rapidamente, haja visto o interesse de certos atores de operacionalizar este acesso aos atores do setor privado e financeiro \u2013 em detrimento da responsabilidade dos Estados dos pa\u00edses desenvolvidos \u2013 e vem sendo promovido como principal via para financiamento e aposta para a mitiga\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<\/em><br \/>\n<em>Representamos vozes da sociedade civil brasileira que discordam da vis\u00e3o que aposta na centralidade dos mercados de carbono e naturaliza a narrativa de que o setor privado seria o parceiro chave e com papel preponderante no financiamento, na implementa\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e na transi\u00e7\u00e3o de modelo econ\u00f4mico para uma economia \u00b4mais verde\u00b4. Ao inv\u00e9s disso, defendemos que os pa\u00edses desenvolvidos e maiores respons\u00e1veis hist\u00f3ricos pelas emiss\u00f5es causadoras do aquecimento global precisam cumprir com os compromissos assumidos relativos \u00e0s metas de financiamento e devem disponibilizar os recursos de pagamento por resultados, assim como levar a s\u00e9rio a agenda de perdas e danos.<\/em><br \/>\n<em><br \/>\nA a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica n\u00e3o pode servir ao aprofundamento das injusti\u00e7as ou \u00e0 promo\u00e7\u00e3o do racismo ambiental e da d\u00edvida clim\u00e1tica. \u00c9 necess\u00e1rio produzir uma a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica que seja capaz de reparar os efeitos atualizados da colonialidade, e oferecer solu\u00e7\u00f5es de reconstru\u00e7\u00e3o contra os efeitos clim\u00e1ticos extremos, sem transferir para povos ind\u00edgenas e quilombolas, comunidades tradicionais e rurais, o peso de combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, enquanto corpora\u00e7\u00f5es globais, inclusive produtoras de combust\u00edveis f\u00f3sseis, se desresponsabilizam pela polui\u00e7\u00e3o que as suas atividades econ\u00f4micas provocaram, historicamente, ao contabilizar carbono florestal nos seus balan\u00e7os de sustentabilidade.<\/em><\/p>\n<p class=\"has-text-align-left\"><em><strong>Assinam:<\/strong><br \/>\nArticula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (APIB)<br \/>\nCoordena\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira (COIAB)<br \/>\nCoordena\u00e7\u00e3o Nacional de Articula\u00e7\u00e3o das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ)<br \/>\nConfedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG)<br \/>\nCentral \u00danica dos Trabalhadores (CUT)<br \/>\nCoaliz\u00e3o Negra por Direitos<\/em><br \/>\n<em>Conselho Nacional das Popula\u00e7\u00f5es Extrativistas (CNS)<br \/>\nF\u00f3rum Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e Justi\u00e7a Socioambiental (FMCJS)<br \/>\nF\u00f3rum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais (FBOMS)<br \/>\nGrupo Carta de Bel\u00e9m (GCB)<\/em><br \/>\n<em>Marcha Mundial de Mulheres (MMM)<br \/>\nMemorial Chico Mendes<\/em><br \/>\nM<em>ovimento de Mulheres Camponesas (MMC)<br \/>\nMovimento dos Sem Terra (MST)<br \/>\nMovimento dos Pequenos Agricultores (MPA)<br \/>\nFASE<br \/>\nINESC<br \/>\nInstituto de Refer\u00eancia Negra Peregum<br \/>\nTerra de Direitos<br \/>\nUneafro Brasil<\/em><\/p>\n<p><strong>Acesse os outros textos do Grupo Carta de Bel\u00e9m sobre a COP 27, Confer\u00eancia da ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas) sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, que acontece de 6 a 18 de Novembro em Sharm El Sheikh, no Egito :<\/strong> <em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<h1 class=\"entry-title\"><a href=\"https:\/\/www.cartadebelem.org.br\/grupo-carta-de-belem-chega-ao-egito-para-a-cop-27-saiba-porque-voce-precisa-prestar-atencao-nas-negociacoes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><small><strong>Grupo Carta de Bel\u00e9m chega ao Egito para a COP 27: saiba porque voc\u00ea precisa prestar aten\u00e7\u00e3o nas negocia\u00e7\u00f5es<\/strong><\/small><\/a><\/h1>\n<h1 class=\"entry-title\"><a href=\"https:\/\/www.cartadebelem.org.br\/primeira-semana-da-cop-27-encerra-sem-avancos-pressao-deve-aumentar-sobre-os-paises-do-norte-na-segunda-semana\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><small>Primeira semana da COP 27 encerra sem avan\u00e7os: press\u00e3o deve aumentar sobre os pa\u00edses do norte na segunda semana<\/small><\/strong><\/a><\/h1>\n<div class=\"entry-meta\"><\/div>\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong><em><br \/>\n* Texto retirado do site do <a href=\"https:\/\/www.cartadebelem.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">GCB<\/a><br \/>\n<\/em><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira semana de negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, em Sharm El-Sheikh, no Egito, encerrou sem dar ind\u00edcios de cumprir com a expectativa sobre a \u201cCOP da implementa\u00e7\u00e3o\u201d como vinha sendo chamada essa Confer\u00eancia. Em vista disso, o Grupo Carta de Bel\u00e9m (do qual a Amigos da Terra faz parte), articulado com organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e movimentos sociais, abre a segunda semana da COP 27 com o lan\u00e7amento da carta \u201cJuntos para a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica: com quem e para qu\u00ea?\u201c, em que cr\u00edtica o que chama de \u201cfeira do clima\u201d: a transforma\u00e7\u00e3o em um balc\u00e3o de neg\u00f3cios do espa\u00e7o que traria solu\u00e7\u00f5es para o clima. A problem\u00e1tica \u00e9 s\u00e9ria, os resultados das confer\u00eancias podem decidir a possibilidade de garantir condi\u00e7\u00f5es de vida humana a longo prazo na terra, ou estender a possibilidade de lucro sob o argumento da descarboniza\u00e7\u00e3o. A carta foi constru\u00edda e \u00e9 assinada por uma s\u00e9rie de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e movimentos sociais brasileiros que somam a cr\u00edtica da preponder\u00e2ncia do setor privado como ator chave na implementa\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, pintando de verde a economia mundial, mas sem aprofundar a\u00e7\u00f5es para uma transi\u00e7\u00e3o justa transformadora. O grupo aponta que a a\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria \u00e9 o cumprimento dos compromissos j\u00e1 adotados pelos pa\u00edses desenvolvidos, principais causadores do aquecimento global pelo acumulado das emiss\u00f5es de carbono historicamente e que a quest\u00e3o clim\u00e1tica n\u00e3o pode ser usada como meio para endividamento dos pa\u00edses em desenvolvimento, maiores impactados pelo problema e que carecem de recursos para implementar condi\u00e7\u00f5es para que suas popula\u00e7\u00f5es possam resistir \u00e0s secas mais rigorosas, \u00e0s chuvas torrenciais e \u00e0s ondas de calor extremo. A carta destaca ainda que a a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica n\u00e3o pode jogar a conta sobre povos origin\u00e1rios, comunidades quilombolas e povos tradicionais do mundo para resolver o problema causado pelas grandes corpora\u00e7\u00f5es, enquanto estas seguem lucrando no mesmo modelo desenvolvimentista que nos trouxe at\u00e9 aqui, propondo como sa\u00edda a compensa\u00e7\u00e3o de suas emiss\u00f5es, sem a\u00e7\u00e3o real para mudar a situa\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio produzir uma a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica que seja capaz de reparar os efeitos atualizados da colonialidade, e oferecer solu\u00e7\u00f5es de reconstru\u00e7\u00e3o contra os efeitos clim\u00e1ticos extremos, sem transferir para povos ind\u00edgenas e quilombolas, comunidades tradicionais e rurais, o peso de combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, enquanto corpora\u00e7\u00f5es globais, inclusive produtoras de combust\u00edveis f\u00f3sseis, se desresponsabilizam pela polui\u00e7\u00e3o que as suas atividades econ\u00f4micas provocaram, historicamente, ao contabilizar carbono florestal nos seus balan\u00e7os de sustentabilidade. Leia a carta na \u00edntegra abaixo, ou acesse aqui em portugu\u00eas. Lea en espa\u00f1ol. Read in english. Juntos para a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica: com quem e para qu\u00ea? O lema da COP 27, em Sharm el Sheik, no Egito, \u00e9 \u201cjuntos para implementa\u00e7\u00e3o\u201d (#together for implementation). Como primeira COP focada na \u201cimplementa\u00e7\u00e3o\u201d, assistimos a uma cacofonia de vozes e propostas que competem para vender oportunidades de neg\u00f3cios, tecnologia, financiamento (e endividamento) para alcan\u00e7ar a descarboniza\u00e7\u00e3o, a neutralidade clim\u00e1tica e um lugar no futuro net-zero (emiss\u00f5es l\u00edquidas zero). Diante desta grande \u201cfeira do clima\u201d e considerando aquilo que o termo \u201ca\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas\u201d vem apontando na pr\u00e1tica, n\u00f3s, organiza\u00e7\u00f5es e movimentos da sociedade civil brasileira, entendemos que \u00e9 fundamental perguntar: juntos com quem e para qu\u00ea? O centro das nossas preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9 em particular a ofensiva dos mercados para participar de a\u00e7\u00f5es de mitiga\u00e7\u00e3o vinculadas \u00e0 terra, \u00e0s florestas e a promo\u00e7\u00e3o de pretensas Solu\u00e7\u00f5es baseadas na Natureza (NbS), uma vez que a\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas neste setor v\u00eam se configurando como uma grande oportunidade de investimentos \u2013 e portanto, de lucros e de especula\u00e7\u00e3o, inclusive financeira \u2013 o que n\u00e3o pode ser igualado \u00e0 verdadeira sustentabilidade e a transi\u00e7\u00e3o justa que o mundo precisa. Reafirmamos aqui nossa posi\u00e7\u00e3o de que as florestas devem permanecer fora dos mecanismos de mercado. As florestas s\u00e3o o espa\u00e7o de enorme biodiversidade e de muitos povos ind\u00edgenas, comunidades tradicionais, quilombolas, agricultores familiares que buscam conviv\u00eancia digna e sustent\u00e1vel com seus ecossistemas, devem ser objetos de pol\u00edticas p\u00fablicas e sistemas de governan\u00e7a, transparente e democr\u00e1tica. Tem sido uma posi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de negocia\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro \u2013 tanto como de v\u00e1rios segmentos da sociedade civil do pa\u00eds reiterada ao longo dos anos \u2013 manter as florestas fora dos mercados de carbono. Temos enfrentado e resistido \u00e0s in\u00fameras formula\u00e7\u00f5es que ao longo das negocia\u00e7\u00f5es do clima v\u00eam tentando subordinar florestas, terras, territ\u00f3rios e popula\u00e7\u00f5es do Sul global \u00e0s l\u00f3gicas e aos mecanismos vinculados aos mercados e \u00e0 especula\u00e7\u00e3o financeira \u2013 mesmo que em nome do clima. Ao inv\u00e9s disso, defendemos que o financiamento clim\u00e1tico internacional para florestas e para combater o desmatamento sejam subordinados a pol\u00edticas p\u00fablicas estruturantes e fontes de financiamento no marco do or\u00e7amento p\u00fablico, da institucionalidade, da governan\u00e7a p\u00fablica brasileira e da soberania \u2013 seguindo o estabelecido no Art. 5 do Acordo de Paris e o Marco de Vars\u00f3via para REDD (Redu\u00e7\u00e3o de Emiss\u00f5es por Desmatamento e Degrada\u00e7\u00e3o Florestal), que prev\u00ea pagamentos por resultados efetivos para a conserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de florestas. Defendemos ainda que as doa\u00e7\u00f5es internacionais relacionadas a estes resultados devem ser desvinculadas do teto de gastos do or\u00e7amento. Esta COP \u00e9 a primeira ap\u00f3s a conclus\u00e3o do Livro de Regras do Acordo de Paris, finalizado em Glasgow, em novembro de 2021, no qual ficou sacramentada a centralidade do Art. 6, que trata da transfer\u00eancia internacional de resultados de mitiga\u00e7\u00e3o e para a operacionaliza\u00e7\u00e3o de mercados de carbono na execu\u00e7\u00e3o dos objetivos do Acordo \u2013 ou de como, afinal, os resultados de mitiga\u00e7\u00e3o ser\u00e3o creditados e computados na planilha global da conta clim\u00e1tica. O item 6.4 do Artigo trata especificamente do mercado de carbono no \u00e2mbito da UNFCCC, sob a formato do \u201cmecanismo de desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d. As atuais negocia\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas sobre o Art. 6.4 avan\u00e7am rapidamente, haja visto o interesse de certos atores de operacionalizar este acesso aos atores do setor privado e financeiro \u2013 em detrimento da responsabilidade dos Estados dos pa\u00edses desenvolvidos \u2013 e vem sendo promovido como principal via para financiamento e aposta para a mitiga\u00e7\u00e3o. Representamos vozes da sociedade civil brasileira que discordam da vis\u00e3o que aposta na<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":5081,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,1833,7,1835],"tags":[],"class_list":["post-5079","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-justica-climatica-e-energetica","category-integracao-regional-dos-povos","category-justica-economica","category-saeb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5079","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5079"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5079\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9589,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5079\/revisions\/9589"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5081"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5079"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5079"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5079"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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