{"id":5053,"date":"2022-11-09T17:04:57","date_gmt":"2022-11-09T20:04:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=5053"},"modified":"2025-06-16T14:59:22","modified_gmt":"2025-06-16T17:59:22","slug":"posicionamento-da-frente-brasileira-contra-acordo-mercosul-ue-e-apresentado-no-parlamento-europeu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=5053","title":{"rendered":"Posicionamento da Frente Brasileira Contra Acordo Mercosul-UE \u00e9 apresentado no Parlamento Europeu"},"content":{"rendered":"<p>Nessa 3\u00aa feira (8\/11), a delega\u00e7\u00e3o brasileira que est\u00e1 em jornada na Europa para denunciar os impactos socioambientais do Acordo Comercial Mercosul-UE (Uni\u00e3o Europeia) para o pa\u00eds participaram de um debate p\u00fablico no Parlamento Europeu, em Bruxelas (B\u00e9lgica). Os representantes da <span class=\"_aacl _aaco _aacu _aacx _aad7 _aade\">Amigos da Terra Brasil (ATBr), da APIB (Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil), RENAP (Rede Nacional de Advogados Populares) e do MST (Movimento Sem Terra) manifestaram-se na atividade, junto com a pesquisadora Larissa Bombardi.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-5055 size-full\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Fala_no_parlamento.jpeg\" alt=\"\" width=\"1600\" height=\"861\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Fala_no_parlamento.jpeg 1600w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Fala_no_parlamento-300x161.jpeg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Fala_no_parlamento-1024x551.jpeg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Fala_no_parlamento-768x413.jpeg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Fala_no_parlamento-500x269.jpeg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Fala_no_parlamento-800x430.jpeg 800w\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><em><strong>Delega\u00e7\u00e3o brasileira, junto com a pesquisadora Larissa Bombardi, criticam acordo a parlamentares europeus. Cr\u00e9dito: Julie Zalcman\/ AT Europa<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Mais fotos da atividade no Parlamento Europeu <\/strong><\/em><a href=\"https:\/\/multimedia.europarl.europa.eu\/en\/photoset\/p_20221108_EP-139590A_AHA_068\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em><strong>AQUI<\/strong><\/em><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A integrante da ATBr, Luana Hanauer, <span class=\"_aacl _aaco _aacu _aacx _aad7 _aade\">exp\u00f4s o posicionamento da organiza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 membro da Frente Brasileira Contra os Acordos Mercosul-Uni\u00e3o Europeia e Mercosul-EFTA (European Free Trade Association, \u00e1rea de livre com\u00e9rcio formada pela Su\u00ed\u00e7a, Noruega, Isl\u00e2ndia e Liechtenstein).<\/span><\/p>\n<p>As quest\u00f5es colocadas por Hanauer durante o debate no Parlamento Europeu s\u00e3o defendidas pela Frente, que desde 2019 articula mais de 200 organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil brasileira.<\/p>\n<p><em><strong>Confira, abaixo, a exposi\u00e7\u00e3o feita por Luana Hanauer, da Amigos da Terra Brasil, na atividade dessa 3\u00aa feira na B\u00e9lgica, durante a Jornada na Europa:\u00a0<\/strong> <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li aria-level=\"1\">\n<h4><b>SOMOS CONTRA A SEPARA\u00c7\u00c3O DO TRATADO COMERCIAL DO ACORDO!<br \/>\n<\/b><\/h4>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Com base no conhecimento de outros acordos assinados com o bloco europeu ao redor do mundo, o pilar comercial tem a primazia e os elementos ditos de prote\u00e7\u00e3o aos direitos humanos e ambientais ficam em segundo plano. Consideramos que a abertura comercial, nos termos deste acordo, trar\u00e1 impactos socioecon\u00f4micos, trabalhistas, fundi\u00e1rios, territoriais, ambientais e clim\u00e1ticos significativos para o Brasil, e os demais pa\u00edses do Mercosul, tendo como maiores benefici\u00e1rios as empresas transnacionais interessadas na importa\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias primas baratas, na privatiza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e na amplia\u00e7\u00e3o de mercado para seus produtos industrializados.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 em jogo nos cap\u00edtulos dos acordos comerciais com a Europa \u00e9 perpetuar e aprofundar a agenda de viola\u00e7\u00f5es e retrocessos dos direitos. O acordo acentua a reprimariza\u00e7\u00e3o da economia brasileira e atualiza os dispositivos coloniais que mant\u00eam a depend\u00eancia do pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa, al\u00e9m de incentivar a viol\u00eancia racista contra povos ind\u00edgenas, comunidades negras, camponesas e tradicionais. Isto porque o dano ambiental associado \u00e0 expans\u00e3o do desmatamento e do agroneg\u00f3cio recai desproporcionalmente sobre os povos negro e ind\u00edgena (e, em particular, sobre as mulheres).<\/p>\n<p>A separa\u00e7\u00e3o do tratado comercial do Acordo visa acelerar o processo e restringir o debate nos parlamentos e na sociedade de ambos os blocos. Somos contra a separa\u00e7\u00e3o do tratado comercial do Acordo pois somos a favor de que este Acordo, assim como as demais pol\u00edticas p\u00fablicas que afetam a popula\u00e7\u00e3o do Brasil, seja com debate p\u00fablico, acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e respeito ao direito de consulta livre, pr\u00e9via, informada e de boa f\u00e9, garantindo o controle social e a participa\u00e7\u00e3o dos povos, os maiores impactados pelo Acordo!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li aria-level=\"1\">\n<h4><b>PROTOCOLOS AMBIENTAIS N\u00c3O MUDAM O CAR\u00c1TER NEOCOLONIAL DO ACORDO!<br \/>\n<\/b><\/h4>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Do ponto de vista ambiental e clim\u00e1tico, o acordo contribui para a devasta\u00e7\u00e3o do conjunto dos biomas brasileiros. O fim das al\u00edquotas de exporta\u00e7\u00e3o para variadas commodities agr\u00edcolas e minerais, como o min\u00e9rio de ferro, e a amplia\u00e7\u00e3o de cotas para carne, etanol e a\u00e7\u00facar, por exemplo, v\u00e3o gerar expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e dos corredores log\u00edsticos da pecu\u00e1ria, do complexo soja e cana-de-a\u00e7\u00facar. Nesse sentido, refor\u00e7a os principais vetores de desmatamento e queimadas que v\u00eam impactando os territ\u00f3rios, o meio ambiente e o clima.<\/p>\n<p>Segundo os dados divulgados pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), de janeiro at\u00e9 o dia 21 de outubro de 2022 o acumulado de alertas de desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal foi de 9.277 km\u00b2. Essa \u00e9 a pior marca da s\u00e9rie hist\u00f3rica. E isso se repete nos demais biomas\/ecossistemas do Brasil.<\/p>\n<p>Notamos a preocupa\u00e7\u00e3o da sociedade europeia com as quest\u00f5es ambientais e clim\u00e1ticas com rela\u00e7\u00e3o ao Acordo. As express\u00f5es \u201cprover desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d, \u201cconciliar aumento da produ\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, \u201cassumir compromissos ambientais\u201d ou \u201cresponsabilidade social corporativa\u201d t\u00eam sido frequentes. Por\u00e9m, diante das experi\u00eancias vividas no sul global, isso n\u00e3o \u00e9 suficiente para alcan\u00e7ar justi\u00e7a ambiental e clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>O crescente desmatamento e degrada\u00e7\u00e3o socioambiental est\u00e3o relacionados \u00e0 viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos e direitos territoriais. Desde 2015, vem aumentando exponencialmente a extens\u00e3o da terra em conflito, segundo a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra. A CPT \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o de luta que em todos os anos publica o relat\u00f3rio Conflitos no Campo Brasil onde constam todas as ocorr\u00eancias registradas.<\/p>\n<p>Em 2022, no primeiro semestre, a Comissa\u0303o Pastoral da Terra (CPT) registrou 759 ocorre\u0302ncias de conflitos no campo no Brasil, envolvendo um total de 113.654 fami\u0301lias.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia contra a ocupa\u00e7\u00e3o e a posse atrav\u00e9s da Contaminac\u0327a\u0303o por Agroto\u0301xico, que obteve o maior percentual de aumento de fam\u00edlias atingidas em rela\u00e7\u00e3o aos primeiros semestres de 2021 e 2022, com um \u00edndice de 161,34%, totalizando 5.637 fam\u00edlias contaminadas por agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>Destaca-se o qu\u00e3o grave \u00e9 o aumento dos conflitos por contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos, pois, al\u00e9m de atentar diretamente contra a sa\u00fade dos povos e comunidades do campo, ocasiona tamb\u00e9m a contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas e dos alimentos saud\u00e1veis que abastecem as mesas da sociedade brasileira, como \u00e9 o caso do Assentamento Santa Rita de C\u00e1ssia, de Nova Santa Rita, na regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre (RS), que vem sofrendo preju\u00edzos constantes em suas produ\u00e7\u00f5es agroecol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>O acordo intensificar\u00e1 a crise clim\u00e1tica provocada pela agricultura de grande escala atrav\u00e9s do aumento significativo das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa, no qual ter\u00e1 um aumento de 8,7 milh\u00f5es de toneladas por ano nas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GRAIN, 2019).<\/p>\n<p>Quando se trata de buscar justi\u00e7a ambiental e clim\u00e1tica, os tratados de livre com\u00e9rcio devem ser confrontados. N\u00e3o ser\u00e1 atrav\u00e9s do tratado comercial que ser\u00e1 poss\u00edvel obter garantias s\u00f3lidas em quest\u00f5es ambientais. Compromissos em rela\u00e7\u00e3o a acordos multilaterais, incluindo a Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica e o Acordo de Paris sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, n\u00e3o s\u00e3o suficientes pois essas disposi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o aplic\u00e1veis do ponto de vista vinculante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li aria-level=\"1\">\n<h4><b>DEFENDEMOS A REABERTURA DAS DISCUSS\u00d5ES DO ACORDO!<br \/>\n<\/b><\/h4>\n<p><b><br \/>\n<\/b>No mundo em que vivemos, n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel separar as discuss\u00f5es da pol\u00edtica internacional dos interesses dom\u00e9sticos e do seu impacto na vida cotidiana da popula\u00e7\u00e3o, povos ind\u00edgenas, comunidades tradicionais e camponesas nos seus distintos territ\u00f3rios e territorialidades. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio democratizar a pol\u00edtica externa e mobilizar o maior n\u00famero poss\u00edvel de atores e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil para debat\u00ea-la. \u00c9 necess\u00e1rio rediscutir as pautas de com\u00e9rcio necess\u00e1rias ao nosso povo e nosso tempo hist\u00f3rico, com mais igualdade e menos assimetria.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li aria-level=\"1\">\n<h4><b>POR UM ACORDO COM PARTICIPA\u00c7\u00c3O DOS POVOS!\u00a0<\/b><\/h4>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Defendemos a participa\u00e7\u00e3o dos povos para denunciar o desenho de inser\u00e7\u00e3o internacional neocolonial proposta para os pa\u00edses do Mercosul e apresentar propostas alternativas de integra\u00e7\u00e3o entre os povos, onde as rela\u00e7\u00f5es comerciais respeitem os direitos humanos e o meio ambiente e sejam constru\u00eddas para atender \u00e0s necessidades dos povos e n\u00e3o do capital transnacional.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 com participa\u00e7\u00e3o social e controle das pol\u00edticas p\u00fablicas, inclusive a pol\u00edtica externa e comercial, que poderemos possibilitar um Acordo menos injusto e garantia dos direitos dos povos e socioambientais.<\/p>\n<p>Para que haja justi\u00e7a social, econ\u00f4mica, ambiental, racial e de g\u00eanero \u00e9 importante e necess\u00e1rio lutar contra o poder corporativo das empresas transnacionais. Ser\u00e1 atrav\u00e9s da converg\u00eancia dos movimentos sociais que vamos resistir ao poder corporativo e continuar na luta anticapitalista, antipatriarcal, antirracista, anticolonialista, antifascista e internacionalista pela garantia do direito e soberania do povo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong><span class=\"_aacl _aaco _aacu _aacx _aad7 _aade\">A jornada foi organizada pela Amigos da Terra Europa e a Rede S2B (Seattle to Brussels) e conta com o apoio da Frente Brasileira Contra os Acordos Mercosul UE\/EFTA. A delega\u00e7\u00e3o visitar\u00e1 a Holanda, B\u00e9lgica, Alemanha, Fran\u00e7a e \u00c1ustria de 7 a 18 de Novembro. Mais informa\u00e7\u00f5es no site da Amigos da Terra Brasil em <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3UibXAX\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/bit.ly\/3UibXAX<\/a><\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nessa 3\u00aa feira (8\/11), a delega\u00e7\u00e3o brasileira que est\u00e1 em jornada na Europa para denunciar os impactos socioambientais do Acordo Comercial Mercosul-UE (Uni\u00e3o Europeia) para o pa\u00eds participaram de um debate p\u00fablico no Parlamento Europeu, em Bruxelas (B\u00e9lgica). Os representantes da Amigos da Terra Brasil (ATBr), da APIB (Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil), RENAP (Rede Nacional de Advogados Populares) e do MST (Movimento Sem Terra) manifestaram-se na atividade, junto com a pesquisadora Larissa Bombardi. &nbsp; Delega\u00e7\u00e3o brasileira, junto com a pesquisadora Larissa Bombardi, criticam acordo a parlamentares europeus. Cr\u00e9dito: Julie Zalcman\/ AT Europa Mais fotos da atividade no Parlamento Europeu AQUI &nbsp; A integrante da ATBr, Luana Hanauer, exp\u00f4s o posicionamento da organiza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 membro da Frente Brasileira Contra os Acordos Mercosul-Uni\u00e3o Europeia e Mercosul-EFTA (European Free Trade Association, \u00e1rea de livre com\u00e9rcio formada pela Su\u00ed\u00e7a, Noruega, Isl\u00e2ndia e Liechtenstein). As quest\u00f5es colocadas por Hanauer durante o debate no Parlamento Europeu s\u00e3o defendidas pela Frente, que desde 2019 articula mais de 200 organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil brasileira. Confira, abaixo, a exposi\u00e7\u00e3o feita por Luana Hanauer, da Amigos da Terra Brasil, na atividade dessa 3\u00aa feira na B\u00e9lgica, durante a Jornada na Europa:\u00a0 &nbsp; SOMOS CONTRA A SEPARA\u00c7\u00c3O DO TRATADO COMERCIAL DO ACORDO! Com base no conhecimento de outros acordos assinados com o bloco europeu ao redor do mundo, o pilar comercial tem a primazia e os elementos ditos de prote\u00e7\u00e3o aos direitos humanos e ambientais ficam em segundo plano. Consideramos que a abertura comercial, nos termos deste acordo, trar\u00e1 impactos socioecon\u00f4micos, trabalhistas, fundi\u00e1rios, territoriais, ambientais e clim\u00e1ticos significativos para o Brasil, e os demais pa\u00edses do Mercosul, tendo como maiores benefici\u00e1rios as empresas transnacionais interessadas na importa\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias primas baratas, na privatiza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e na amplia\u00e7\u00e3o de mercado para seus produtos industrializados. O que est\u00e1 em jogo nos cap\u00edtulos dos acordos comerciais com a Europa \u00e9 perpetuar e aprofundar a agenda de viola\u00e7\u00f5es e retrocessos dos direitos. O acordo acentua a reprimariza\u00e7\u00e3o da economia brasileira e atualiza os dispositivos coloniais que mant\u00eam a depend\u00eancia do pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa, al\u00e9m de incentivar a viol\u00eancia racista contra povos ind\u00edgenas, comunidades negras, camponesas e tradicionais. Isto porque o dano ambiental associado \u00e0 expans\u00e3o do desmatamento e do agroneg\u00f3cio recai desproporcionalmente sobre os povos negro e ind\u00edgena (e, em particular, sobre as mulheres). A separa\u00e7\u00e3o do tratado comercial do Acordo visa acelerar o processo e restringir o debate nos parlamentos e na sociedade de ambos os blocos. Somos contra a separa\u00e7\u00e3o do tratado comercial do Acordo pois somos a favor de que este Acordo, assim como as demais pol\u00edticas p\u00fablicas que afetam a popula\u00e7\u00e3o do Brasil, seja com debate p\u00fablico, acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e respeito ao direito de consulta livre, pr\u00e9via, informada e de boa f\u00e9, garantindo o controle social e a participa\u00e7\u00e3o dos povos, os maiores impactados pelo Acordo! &nbsp; PROTOCOLOS AMBIENTAIS N\u00c3O MUDAM O CAR\u00c1TER NEOCOLONIAL DO ACORDO! Do ponto de vista ambiental e clim\u00e1tico, o acordo contribui para a devasta\u00e7\u00e3o do conjunto dos biomas brasileiros. O fim das al\u00edquotas de exporta\u00e7\u00e3o para variadas commodities agr\u00edcolas e minerais, como o min\u00e9rio de ferro, e a amplia\u00e7\u00e3o de cotas para carne, etanol e a\u00e7\u00facar, por exemplo, v\u00e3o gerar expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e dos corredores log\u00edsticos da pecu\u00e1ria, do complexo soja e cana-de-a\u00e7\u00facar. Nesse sentido, refor\u00e7a os principais vetores de desmatamento e queimadas que v\u00eam impactando os territ\u00f3rios, o meio ambiente e o clima. Segundo os dados divulgados pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), de janeiro at\u00e9 o dia 21 de outubro de 2022 o acumulado de alertas de desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal foi de 9.277 km\u00b2. Essa \u00e9 a pior marca da s\u00e9rie hist\u00f3rica. E isso se repete nos demais biomas\/ecossistemas do Brasil. Notamos a preocupa\u00e7\u00e3o da sociedade europeia com as quest\u00f5es ambientais e clim\u00e1ticas com rela\u00e7\u00e3o ao Acordo. As express\u00f5es \u201cprover desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d, \u201cconciliar aumento da produ\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, \u201cassumir compromissos ambientais\u201d ou \u201cresponsabilidade social corporativa\u201d t\u00eam sido frequentes. Por\u00e9m, diante das experi\u00eancias vividas no sul global, isso n\u00e3o \u00e9 suficiente para alcan\u00e7ar justi\u00e7a ambiental e clim\u00e1tica. O crescente desmatamento e degrada\u00e7\u00e3o socioambiental est\u00e3o relacionados \u00e0 viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos e direitos territoriais. Desde 2015, vem aumentando exponencialmente a extens\u00e3o da terra em conflito, segundo a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra. A CPT \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o de luta que em todos os anos publica o relat\u00f3rio Conflitos no Campo Brasil onde constam todas as ocorr\u00eancias registradas. Em 2022, no primeiro semestre, a Comissa\u0303o Pastoral da Terra (CPT) registrou 759 ocorre\u0302ncias de conflitos no campo no Brasil, envolvendo um total de 113.654 fami\u0301lias. A viol\u00eancia contra a ocupa\u00e7\u00e3o e a posse atrav\u00e9s da Contaminac\u0327a\u0303o por Agroto\u0301xico, que obteve o maior percentual de aumento de fam\u00edlias atingidas em rela\u00e7\u00e3o aos primeiros semestres de 2021 e 2022, com um \u00edndice de 161,34%, totalizando 5.637 fam\u00edlias contaminadas por agrot\u00f3xicos. Destaca-se o qu\u00e3o grave \u00e9 o aumento dos conflitos por contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos, pois, al\u00e9m de atentar diretamente contra a sa\u00fade dos povos e comunidades do campo, ocasiona tamb\u00e9m a contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas e dos alimentos saud\u00e1veis que abastecem as mesas da sociedade brasileira, como \u00e9 o caso do Assentamento Santa Rita de C\u00e1ssia, de Nova Santa Rita, na regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre (RS), que vem sofrendo preju\u00edzos constantes em suas produ\u00e7\u00f5es agroecol\u00f3gicas. O acordo intensificar\u00e1 a crise clim\u00e1tica provocada pela agricultura de grande escala atrav\u00e9s do aumento significativo das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa, no qual ter\u00e1 um aumento de 8,7 milh\u00f5es de toneladas por ano nas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GRAIN, 2019). Quando se trata de buscar justi\u00e7a ambiental e clim\u00e1tica, os tratados de livre com\u00e9rcio devem ser confrontados. N\u00e3o ser\u00e1 atrav\u00e9s do tratado comercial que ser\u00e1 poss\u00edvel obter garantias s\u00f3lidas em quest\u00f5es ambientais. Compromissos em rela\u00e7\u00e3o a acordos multilaterais, incluindo a Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica e o Acordo de Paris sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, n\u00e3o s\u00e3o suficientes pois essas disposi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o aplic\u00e1veis do ponto de vista vinculante. &nbsp; DEFENDEMOS A REABERTURA DAS DISCUSS\u00d5ES DO ACORDO! No mundo em que<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":5054,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1831,498,1833,7,5],"tags":[],"class_list":["post-5053","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acordos-comerciais","category-defensoras-e-defensores-dos-territorios","category-integracao-regional-dos-povos","category-justica-economica","category-soberania-alimentar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5053","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5053"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5053\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9591,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5053\/revisions\/9591"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5054"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5053"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5053"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5053"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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