{"id":4926,"date":"2022-10-13T20:14:34","date_gmt":"2022-10-13T23:14:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=4926"},"modified":"2022-10-13T20:14:34","modified_gmt":"2022-10-13T23:14:34","slug":"a-flor-vermelha-resiste-brasil-ainda-ha-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=4926","title":{"rendered":"A flor vermelha resiste: Brasil ainda h\u00e1 esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">A esquerda ainda est\u00e1 digerindo os resultados eleitorais do \u00faltimo dia 2 de outubro, em meio \u00e0 corrida para a vit\u00f3ria no segundo turno. Por mais que as chances de uma vit\u00f3ria do campo democr\u00e1tico no primeiro turno fossem apertadas, ver o Bolsonarismo com for\u00e7a, especialmente no Senado, causou um amargor. A elei\u00e7\u00e3o de figuras como o vice de Bolsonaro, general Mour\u00e3o, e de seus ex ministros &#8211; o ex juiz S\u00e9rgio Moro, a conservadora Damares Alves, o doutor antivacina Eduardo Pazuello, a defensora do agroneg\u00f3cio Tereza Cristina e o astronauta Marcos Pontes, todos para o Senado, e do antiambiental Ricardo Salles para a C\u00e2mara Federal &#8211; depois do fracasso da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, de in\u00fameros esc\u00e2ndalos envolvendo sua gest\u00e3o, mostrou o efeito perverso da desinforma\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dentre os 51 milh\u00f5es de eleitores que apertaram 22, encontramos um grande segmento fascista. Reconhecer que muitos brasileiros e brasileiras t\u00eam uma identidade com essas ideias \u00e9 assustador. Ainda cabe destacar que uma parcela expressiva desses eleitores, ao que indica a diferen\u00e7a dos resultados das pesquisas e das urnas, migraram seus votos da direita de Ciro Gomes e Simone Tebet para a extrema direita de Bolsonaro. Isso representa uma perda de espa\u00e7o da direita tradicional no Congresso nos estados, expressa no fracasso hist\u00f3rico do PSDB nas elei\u00e7\u00f5es, notadamente nos resultados eleitorais de S\u00e3o Paulo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nessas elei\u00e7\u00f5es, a m\u00e1quina p\u00fablica foi fortemente operada para apoiar Bolsonaro e seus aliados. Ao longo da campanha choveram den\u00fancias sobre seu uso indevido, inclusive no aumento do Aux\u00edlio Brasil e nos subs\u00eddios aos combust\u00edveis, justamente nas v\u00e9speras da elei\u00e7\u00e3o. De igual modo, o or\u00e7amento secreto se tornou uma arma para a reelei\u00e7\u00e3o de parlamentares. A retomada de obras p\u00fablicas, o fornecimento de atendimento de sa\u00fade, churrascos, doa\u00e7\u00e3o de gasolina, in\u00fameras pr\u00e1ticas de assistencialismo e de compra de votos foram o destino das emendas parlamentares secretas que, na pr\u00e1tica, refor\u00e7aram pol\u00edticas coronelistas e intimidadoras do eleitorado nas vota\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O campo da justi\u00e7a ambiental saiu perdendo com a elei\u00e7\u00e3o de Ricardo Salles e de Tereza Cristina, e com o PL e sua agenda antidireitos humanos e em defesa do boi, da bala e da b\u00edblia, tornando-se a maior bancada do Congresso Nacional. Muitas das agendas de desregulamenta\u00e7\u00e3o ambiental que avan\u00e7aram na C\u00e2mara dos Deputados, sob a dire\u00e7\u00e3o de Arthur Lira, vinham sendo paralisadas no Senado. Resta saber o quanto Salles e Cristina saber\u00e3o operar na articula\u00e7\u00e3o de ambas as casas sem os poderes da caneta de ministros, sobretudo diante dos resultados presidenciais do segundo turno.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O certo \u00e9 que h\u00e1 uma estrat\u00e9gia eleitoral de ganho de for\u00e7a no Senado pelo Bolsonarismo. A casa \u00e9 estrat\u00e9gica para os embates futuros com o Supremo Tribunal Federal (STF), seja para manter uma improv\u00e1vel continuidade do autoritarismo de Bolsonaro, ou mesmo em sua esperada derrota, para pressionar a Corte diante dos esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o que est\u00e3o por vir. Figuras como a do general Mour\u00e3o, atual vice-presidente, eleito Senador pelo Rio Grande do Sul ao derrotar Ol\u00edvio Dutra (PT\/RS), ser\u00e3o atores decisivos nessa estrat\u00e9gia.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O desafio da frente de resist\u00eancia ambiental parece que ser\u00e1 deslocado para a C\u00e2mara Federal, com a elei\u00e7\u00e3o de figuras hist\u00f3ricas na agenda, como Marina Silva, que protagonizou, enquanto ministra de Lula, uma forte campanha contra o desmatamento da Amaz\u00f4nia e, sobretudo, com a amplia\u00e7\u00e3o da \u201cbancada do cocar\u201d com a elei\u00e7\u00e3o de Sonia Guajajara e C\u00e9lia Xakriab\u00e1, j\u00e1 que no \u00faltimo mandato Jo\u00eania Wapichana era a \u00fanica lideran\u00e7a ind\u00edgena na casa. Elas, juntamente com outros parlamentares eleitos do campo progressista, apresentaram em suas campanhas uma agenda ambiental de frear poss\u00edveis retrocessos que venham pelo Senado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora o cen\u00e1rio seja complexo e com desalentos, ainda houveram vit\u00f3rias hist\u00f3ricas que devem ser celebradas na composi\u00e7\u00e3o das casas. O PT ampliou suas cadeiras para 68 eleitos e eleitas, tornando-se a segunda maior bancada; o PSOL assumir\u00e1 14 cadeiras (maior bancada de sua hist\u00f3ria), compondo 138 cadeiras do campo da esquerda. Al\u00e9m das lideran\u00e7as ind\u00edgenas que se destacam, ser\u00e1 a primeira vez que a comunidade trans ter\u00e1 representantes na Casa, com a elei\u00e7\u00e3o de Erika Hilton (SP) e Duda Salabert (MG).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m \u00e9 preciso comemorar a vit\u00f3ria do poder popular com a vota\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de Guilherme Boulos: com 1 milh\u00e3o de votos em S\u00e3o Paulo, assume o posto de deputado mais votado em um dos maiores col\u00e9gios eleitorais do pa\u00eds, estado no qual o bolsonarismo teve vit\u00f3ria. Essa vota\u00e7\u00e3o foi fundamental para derrotar outras figuras da extrema direita que n\u00e3o se elegeram, como Jana\u00edna Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff.<\/span><\/p>\n<p><b>Segundo turno acirrado<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Doze estados brasileiros ainda viver\u00e3o os desafios do segundo turno para\u00a0 governador, ao menos em 4 deles ainda h\u00e1 boas chances para governos progressistas. Dos 15 j\u00e1 eleitos, 6 governadores declaram apoio a Lula e 8 a Bolsonaro. Algumas surpresas tamb\u00e9m marcaram a elei\u00e7\u00e3o de governadores, como a vota\u00e7\u00e3o abaixo do esperado de Marcelo Freixo (PSB\/RJ) e Fernando Haddad (PT\/SP), a quase ida ao segundo turno de Edegar Preto (PT\/RS) e a chegada de D\u00e9cio Lima (PT\/SC) ao segundo turno.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em uma an\u00e1lise mais detalhada dos votos, tendo em vista as posi\u00e7\u00f5es nos munic\u00edpios, \u00e9 poss\u00edvel perceber uma maior capilaridade da esquerda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 2018, o que justificaria os 6 milh\u00f5es de votos de diferen\u00e7a entre Lula e Bolsonaro, ainda que o montante de alguns estados tenha prevalecido o candidato do PL (RS, SP, RJ, ES, DF, GO, MS, PR, SC, MT, AC, RO e RR). Se compararmos esse mapa ao da fome, encontramos uma grande similaridade, evidenciando como as quest\u00f5es de classe, ou melhor, de identidade de classe, est\u00e3o escancaradas nessas elei\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As alian\u00e7as firmadas ao longo da semana passada apontam o apoio de todos os demais candidatos \u00e0 presid\u00eancia \u00e0 Lula, inclusive de v\u00e1rios setores tradicionais da economia neoliberal. Est\u00e1 conclu\u00edda uma ampla alian\u00e7a em defesa da democracia contra o fascismo, resta saber se ela sair\u00e1 vitoriosa no pr\u00f3ximo dia 30 de outubro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Imediatamente no dia seguinte \u00e0s elei\u00e7\u00f5es, uma batalha cultural-ideol\u00f3gica est\u00e1 sendo travada nas redes sociais, a velocidade da propaga\u00e7\u00e3o de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">fake news <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00e9 recorde, incitando ao racismo e \u00e0 viol\u00eancia pol\u00edtica, ao medo e \u00e0 disc\u00f3rdia nas comunidades, sobretudo no meio rural. Com seus parlamentares e governadores eleitos, a m\u00e1quina bolsonarista entra em campo com toda a for\u00e7a, alimentando o antipetismo e o velho \u201cvoto de cabresto\u201d. De outro lado, a esquerda engrossa a organiza\u00e7\u00e3o nos comit\u00eas populares e marcha pelas ruas das cidades, disputando di\u00e1logo com as massas, exigindo tamb\u00e9m o passe livre, para que a mobilidade e a seguran\u00e7a sejam garantidas como\u00a0 direitos de cada eleitor e de cada eleitora, e trabalhando para que o 30 de outubro seja de paz e de celebra\u00e7\u00e3o da democracia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nossa luta \u00e9 contra o \u00f3dio e a intoler\u00e2ncia, nossa caminhada \u00e9 para poder voltar a sonhar. Que nossa for\u00e7a social, nossa organiza\u00e7\u00e3o, a legitimidade de nossas bandeiras, possam construir um Brasil que volte a sorrir. Se com todas as nossas in\u00fameras e infinitas diferen\u00e7as podemos construir um frente t\u00e1tica ampla pela democracia, nunca antes vista na hist\u00f3ria eleitoral desse pa\u00eds, temos condi\u00e7\u00f5es estruturais para ampliar essa diferen\u00e7a de 6 milh\u00f5es e iniciar o processo de derrota do bolsonarismo e seu legado nefasto no Brasil. Uma flor vermelha nasce das sombras com ra\u00edzes fortes e profundas, enunciando que ainda h\u00e1 esperan\u00e7a.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A esquerda ainda est\u00e1 digerindo os resultados eleitorais do \u00faltimo dia 2 de outubro, em meio \u00e0 corrida para a vit\u00f3ria no segundo turno. Por mais que as chances de uma vit\u00f3ria do campo democr\u00e1tico no primeiro turno fossem apertadas, ver o Bolsonarismo com for\u00e7a, especialmente no Senado, causou um amargor. A elei\u00e7\u00e3o de figuras como o vice de Bolsonaro, general Mour\u00e3o, e de seus ex ministros &#8211; o ex juiz S\u00e9rgio Moro, a conservadora Damares Alves, o doutor antivacina Eduardo Pazuello, a defensora do agroneg\u00f3cio Tereza Cristina e o astronauta Marcos Pontes, todos para o Senado, e do antiambiental Ricardo Salles para a C\u00e2mara Federal &#8211; depois do fracasso da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, de in\u00fameros esc\u00e2ndalos envolvendo sua gest\u00e3o, mostrou o efeito perverso da desinforma\u00e7\u00e3o. Dentre os 51 milh\u00f5es de eleitores que apertaram 22, encontramos um grande segmento fascista. Reconhecer que muitos brasileiros e brasileiras t\u00eam uma identidade com essas ideias \u00e9 assustador. Ainda cabe destacar que uma parcela expressiva desses eleitores, ao que indica a diferen\u00e7a dos resultados das pesquisas e das urnas, migraram seus votos da direita de Ciro Gomes e Simone Tebet para a extrema direita de Bolsonaro. Isso representa uma perda de espa\u00e7o da direita tradicional no Congresso nos estados, expressa no fracasso hist\u00f3rico do PSDB nas elei\u00e7\u00f5es, notadamente nos resultados eleitorais de S\u00e3o Paulo.\u00a0 Nessas elei\u00e7\u00f5es, a m\u00e1quina p\u00fablica foi fortemente operada para apoiar Bolsonaro e seus aliados. Ao longo da campanha choveram den\u00fancias sobre seu uso indevido, inclusive no aumento do Aux\u00edlio Brasil e nos subs\u00eddios aos combust\u00edveis, justamente nas v\u00e9speras da elei\u00e7\u00e3o. De igual modo, o or\u00e7amento secreto se tornou uma arma para a reelei\u00e7\u00e3o de parlamentares. A retomada de obras p\u00fablicas, o fornecimento de atendimento de sa\u00fade, churrascos, doa\u00e7\u00e3o de gasolina, in\u00fameras pr\u00e1ticas de assistencialismo e de compra de votos foram o destino das emendas parlamentares secretas que, na pr\u00e1tica, refor\u00e7aram pol\u00edticas coronelistas e intimidadoras do eleitorado nas vota\u00e7\u00f5es. O campo da justi\u00e7a ambiental saiu perdendo com a elei\u00e7\u00e3o de Ricardo Salles e de Tereza Cristina, e com o PL e sua agenda antidireitos humanos e em defesa do boi, da bala e da b\u00edblia, tornando-se a maior bancada do Congresso Nacional. Muitas das agendas de desregulamenta\u00e7\u00e3o ambiental que avan\u00e7aram na C\u00e2mara dos Deputados, sob a dire\u00e7\u00e3o de Arthur Lira, vinham sendo paralisadas no Senado. Resta saber o quanto Salles e Cristina saber\u00e3o operar na articula\u00e7\u00e3o de ambas as casas sem os poderes da caneta de ministros, sobretudo diante dos resultados presidenciais do segundo turno. O certo \u00e9 que h\u00e1 uma estrat\u00e9gia eleitoral de ganho de for\u00e7a no Senado pelo Bolsonarismo. A casa \u00e9 estrat\u00e9gica para os embates futuros com o Supremo Tribunal Federal (STF), seja para manter uma improv\u00e1vel continuidade do autoritarismo de Bolsonaro, ou mesmo em sua esperada derrota, para pressionar a Corte diante dos esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o que est\u00e3o por vir. 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Elas, juntamente com outros parlamentares eleitos do campo progressista, apresentaram em suas campanhas uma agenda ambiental de frear poss\u00edveis retrocessos que venham pelo Senado.\u00a0 Embora o cen\u00e1rio seja complexo e com desalentos, ainda houveram vit\u00f3rias hist\u00f3ricas que devem ser celebradas na composi\u00e7\u00e3o das casas. O PT ampliou suas cadeiras para 68 eleitos e eleitas, tornando-se a segunda maior bancada; o PSOL assumir\u00e1 14 cadeiras (maior bancada de sua hist\u00f3ria), compondo 138 cadeiras do campo da esquerda. Al\u00e9m das lideran\u00e7as ind\u00edgenas que se destacam, ser\u00e1 a primeira vez que a comunidade trans ter\u00e1 representantes na Casa, com a elei\u00e7\u00e3o de Erika Hilton (SP) e Duda Salabert (MG).\u00a0 Tamb\u00e9m \u00e9 preciso comemorar a vit\u00f3ria do poder popular com a vota\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de Guilherme Boulos: com 1 milh\u00e3o de votos em S\u00e3o Paulo, assume o posto de deputado mais votado em um dos maiores col\u00e9gios eleitorais do pa\u00eds, estado no qual o bolsonarismo teve vit\u00f3ria. Essa vota\u00e7\u00e3o foi fundamental para derrotar outras figuras da extrema direita que n\u00e3o se elegeram, como Jana\u00edna Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. Segundo turno acirrado \u00a0Doze estados brasileiros ainda viver\u00e3o os desafios do segundo turno para\u00a0 governador, ao menos em 4 deles ainda h\u00e1 boas chances para governos progressistas. Dos 15 j\u00e1 eleitos, 6 governadores declaram apoio a Lula e 8 a Bolsonaro. Algumas surpresas tamb\u00e9m marcaram a elei\u00e7\u00e3o de governadores, como a vota\u00e7\u00e3o abaixo do esperado de Marcelo Freixo (PSB\/RJ) e Fernando Haddad (PT\/SP), a quase ida ao segundo turno de Edegar Preto (PT\/RS) e a chegada de D\u00e9cio Lima (PT\/SC) ao segundo turno.\u00a0 Em uma an\u00e1lise mais detalhada dos votos, tendo em vista as posi\u00e7\u00f5es nos munic\u00edpios, \u00e9 poss\u00edvel perceber uma maior capilaridade da esquerda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 2018, o que justificaria os 6 milh\u00f5es de votos de diferen\u00e7a entre Lula e Bolsonaro, ainda que o montante de alguns estados tenha prevalecido o candidato do PL (RS, SP, RJ, ES, DF, GO, MS, PR, SC, MT, AC, RO e RR). Se compararmos esse mapa ao da fome, encontramos uma grande similaridade, evidenciando como as quest\u00f5es de classe, ou melhor, de identidade de classe, est\u00e3o escancaradas nessas elei\u00e7\u00f5es. As alian\u00e7as firmadas ao longo da semana passada apontam o apoio de todos os demais candidatos \u00e0 presid\u00eancia \u00e0 Lula, inclusive de v\u00e1rios setores tradicionais da economia neoliberal. 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