{"id":4883,"date":"2022-10-03T19:00:19","date_gmt":"2022-10-03T22:00:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=4883"},"modified":"2025-06-16T15:13:44","modified_gmt":"2025-06-16T18:13:44","slug":"dia-nacional-da-agroecologia-alimentacao-popular-e-cidada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=4883","title":{"rendered":"Dia de luta pela Soberania Alimentar: Alimenta\u00e7\u00e3o popular e cidad\u00e3"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><i>Hortas comunit\u00e1rias e as cozinhas solid\u00e1rias s\u00e3o mais uma forma de lutar para minimizar o problema hist\u00f3rico da fome e reivindicar o direito \u00e0 soberania alimentar<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, <span class=\"ILfuVd\" lang=\"pt\"><span class=\"hgKElc\">16 de outubro, \u00e9 marcado por movimentos populares<\/span><\/span><span class=\"ILfuVd\" lang=\"pt\"><span class=\"hgKElc\"> como o Dia Internacional de A\u00e7\u00e3o Mundial pela Soberania Alimentar contra as Empresas Transnacionais. A data \u00e9 marcada pela luta hist\u00f3rica contra a fome, no pa\u00eds em que 33 milh\u00f5es de pessoas passam fome e cerca de<span class=\"_aacl _aaco _aacu _aacx _aad7 _aade\"> 125 milh\u00f5es de brasileiros vivem sob algum n\u00edvel de inseguran\u00e7a alimentar. Esse que \u00e9 tamb\u00e9m o pa\u00eds da supre sa<\/span>fras e de um Produto Interno Bruto (PIB) baseado no agroneg\u00f3cio, \u00e9 incongruente que o Brasil seja\u00a0 um dos grandes exportadores de alimentos do mundo, mas n\u00e3o alimente sua pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 outro motivo, sen\u00e3o escolhas pol\u00edticas. Pol\u00edticas estas que se traduzem em falta de apoio em termos de pol\u00edticas p\u00fablicas para a agricultura familiar, com o enfraquecimento do Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar (PNAE), criados com o objetivo<\/span><\/span><span class=\"ILfuVd\" lang=\"pt\"><span class=\"hgKElc\"> apoiar o desenvolvimento da agricultura familiar nas redes locais e contribuir para o combate da pobreza no campo e nas cidades, al\u00e9m do esvaziamente dos estoques p\u00fablicos de alimentos, pol\u00edtica essa fundamental para garantir a renda para quem produzir, al\u00e9m de regular o abastecimento interno, comercializando os estoques na entressafra para atenuar as oscila\u00e7\u00f5es de pre\u00e7o, como vemos acontecer a cada vez que se vai ao mercado. O contexto de fome que vemos se aprofundar n\u00e3o surgiu do nada, \u00e9 um projeto de amplia\u00e7\u00e3o das desigualdades em curso.<br \/>\n<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frente a isso, muitas articula\u00e7\u00f5es tem assumido a lacuna deixada pelo Estado e lutado como \u00e9 poss\u00edvel para atenuar o contexto de fome que vivemos. As a\u00e7\u00f5es das Cozinhas Solid\u00e1rias s\u00e3o um exemplo com a a\u00e7\u00e3o de militantes e volunt\u00e1rios e com o apoio da sociedade civil que doa alimentos e suporte finaceiro, j\u00e1 somam 31 cozinhas, em 14 estados do Brasil servindo de segunda a sexta mais de 150 almo\u00e7os para popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social. Em Porto Alegre, a Cozinha Solid\u00e1ria da Azenha, localizada no n\u00famero 608 da Avenida que leva seu nome, Azenha, possui uma sede alugada, ap\u00f3s ter recebido um despejo durante a pandemia, per\u00edodo de maior vulnerabilidade da popula\u00e7\u00e3o. Situa\u00e7\u00e3o que demonstra a falta de compromisso do atual governo com o contexto dif\u00edcil que enfrenta seu povo, sem que hajam pol\u00edticas p\u00fablicas para atender o aumento da desigualdade social, do desemprego e da fome.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4945\" aria-describedby=\"caption-attachment-4945\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4945 size-full\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/IMG_9729.JPG-768x512-1.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/IMG_9729.JPG-768x512-1.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/IMG_9729.JPG-768x512-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/IMG_9729.JPG-768x512-1-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4945\" class=\"wp-caption-text\">Militantes do MTST e volunt\u00e1rios comp\u00f5em a equipe respons\u00e1vel pela manuten\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o da Cozinha. Foto: Isabelle Rieger\/ATBr<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m dessas iniciativas, na regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre crescem iniciativas das denominadas <a href=\"http:\/\/www2.portoalegre.rs.gov.br\/fomezero\/default.php?reg=5&amp;p_secao=10\">hortas comunit\u00e1rias<\/a>. Espa\u00e7os coletivos de produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica urbana que possibilitam a subsist\u00eancia e a populariza\u00e7\u00e3o de conhecimentos sobre alimenta\u00e7\u00e3o, com uma reconex\u00e3o com esses saberes, distanciados do cotidiano de quem vive na cidade pela escala industrial de produ\u00e7\u00e3o alimentar. Esse tipo de projeto gera o cultivo de hortifrutigranjeiros, educa\u00e7\u00e3o\u00a0 ambiental, promove a reflex\u00e3o sobre o desperd\u00edcio, sobre a import\u00e2ncia do aproveitamento integral dos alimentos e gera renda para quem precisa. A iniciativa dialoga com o conceito de <a href=\"https:\/\/polis.org.br\/direito-a-cidade\/o-que-e-direito-a-cidade\/\">direito \u00e0 cidade<\/a>, o qual defende a preserva\u00e7\u00e3o da cidade como um bem p\u00fablico, de livre acesso, utiliza\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o pelos cidad\u00e3os, isso em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 mercantiliza\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios urbanos e de sua natureza e popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No\u00a0 Brasil, com o aumento no uso de agrot\u00f3xicos ap\u00f3s a <a href=\"https:\/\/oeco.org.br\/noticias\/camara-aprova-projeto-que-facilita-liberacao-de-agrotoxicos-no-brasil\/\">libera\u00e7\u00e3o em massa<\/a> destes produtos, a comida limpa se tornou uma forma de resist\u00eancia, principalmente dentro das cidades, tomando forma por meio das hortas comunit\u00e1rias. Tal forma de resistir\u00a0 vai muito al\u00e9m do tema da subsist\u00eancia e soberania alimentar, seu \u201ccarro chefe\u201d, pois a iniciativa tamb\u00e9m promove a ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos urbanos pelo cidad\u00e3o, o qual defende assim seu direito \u00e0 cidade. \u201cPrimeiro essa quest\u00e3o de morar na periferia e as pessoas acharem que tem que ser um espa\u00e7o feio. Logo que eu vim morar aqui, muitas pessoas tem esse estigma de ser um espa\u00e7o que n\u00e3o pode ser bonito, que n\u00e3o pode ser aproveitado, que a gente tem que sair daqui pra poder ocupar esses espa\u00e7os p\u00fablicos de conviv\u00eancia de uma forma bacana\u201d, explica a residente do Morro da Cruz, rosto da horta comunit\u00e1ria e militante feminista pela Marcha Mundial de Mulheres e pela Alian\u00e7a Feminismo Popular, Any Moraes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4895\" aria-describedby=\"caption-attachment-4895\" style=\"width: 900px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-4895\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/IMG_51401-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4895\" class=\"wp-caption-text\">Any Moraes, militante feminista pela Marcha Mundial de Mulheres e Alian\u00e7a Feminismo Popular, na horta comunit\u00e1ria do Morro da Cruz, em Porto Alegre. Foto: Isabelle Rieger \/ Amigos da Terra Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">As hortas surgem como uma forma de manifesta\u00e7\u00e3o da urg\u00eancia da <a href=\"http:\/\/biblioteca.pacs.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Mulheres_e_SoberaniaAlimentar.pdf\">soberania alimentar<\/a> para o pa\u00eds. O conceito trata do direito de que a popula\u00e7\u00e3o produza, cultive e adquira seu pr\u00f3prio alimento, de forma saud\u00e1vel, com sua cultura e h\u00e1bitos alimentares, com sistemas locais e com respeito ao meio ambiente. Os movimentos sociais defendem que uma na\u00e7\u00e3o soberana s\u00f3 \u00e9 dona de seu pr\u00f3prio destino, quando tem alimenta\u00e7\u00e3o suficiente para todo o seu povo comer hoje e possui reservas estocadas para anos de baixa produ\u00e7\u00e3o. Ou seja, tratar da fome, do modelo de produ\u00e7\u00e3o que respeite o meio ambiente caminha lado a lado. Trata-se tamb\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres, em que o machismo e o autoritarismo masculino n\u00e3o prevale\u00e7am e n\u00e3o reforcem a divis\u00e3o sexual do trabalho, que tanto oprime historicamente mulheres do campo e da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frente \u00e0 fome, a autonomia na alimenta\u00e7\u00e3o e a possibilidade de autoger\u00eancia se tornaram ainda mais importantes em uma sociedade marcada pela avalanche da inani\u00e7\u00e3o. A fome \u00e9 muito mais do que a falta de alimento, \u00e9 um estado de esp\u00edrito. Quem n\u00e3o se alimenta n\u00e3o t\u00eam energia e portanto, n\u00e3o tem sa\u00edda para a sua condi\u00e7\u00e3o, pois dificilmente consegue correr atr\u00e1s de alguma fonte de renda. Por essa raz\u00e3o, a Alian\u00e7a Feminismo Popular (AFP), articula\u00e7\u00e3o em que integram a Amigos da Terra Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e a Marcha Mundial de Mulheres, desenvolveu o projeto de uma horta comunit\u00e1ria no Morro da Cruz. \u201cQueremos que o m\u00e1ximo de gente participe, porque para al\u00e9m do abastecimento de alimento para quem participa, tamb\u00e9m \u00e9 pra ser um espa\u00e7o desse debate da quest\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, da possibilidade das pessoas plantarem nas suas pr\u00f3prias casas, da compostagem, que a gente t\u00e1 iniciando esse processo aqui tamb\u00e9m n\u00e9, de fazer esse di\u00e1logo com a popula\u00e7\u00e3o que mora aqui e tamb\u00e9m da possibilidade de n\u00e3o gerarmos tanto lixo, e o lixo org\u00e2nico ser destinado para um espa\u00e7o e poder produzir o pr\u00f3prio composto pra gente poder ampliar a horta.\u201d O projeto que teve in\u00edcio com a distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas para a comunidade, mediante a uma inscri\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, hoje abarca tamb\u00e9m a horta comunit\u00e1ria, respons\u00e1vel por trazer maior soberania para cerca de 20 fam\u00edlias atualmente.<\/p>\n<figure id=\"attachment_4885\" aria-describedby=\"caption-attachment-4885\" style=\"width: 900px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-4885 size-full\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/04082021_CF_2.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/04082021_CF_2.jpg 900w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/04082021_CF_2-300x200.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/04082021_CF_2-768x512.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/04082021_CF_2-500x333.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/04082021_CF_2-800x533.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4885\" class=\"wp-caption-text\">Na foto de agosto de 2021, durante mutir\u00e3o na horta, as crian\u00e7as participaram de oficina de identifica\u00e7\u00e3o de plantas e plantio. Foto: Carol Ferraz \/ Amigos da Terra Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 A iniciativa \u00e9 mais uma entre a jun\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e habilidades que os movimentos\u00a0 sociais e as organiza\u00e7\u00f5es populares t\u00eam feito para garantir aquilo que o governo n\u00e3o disponibiliza, independente de ser ou n\u00e3o um direito de todos. \u201cA gente pensou em alternativas que pudessem sanar essa inseguran\u00e7a alimentar de alguma forma, mas tamb\u00e9m pensando que isso fosse feito n\u00e3o de uma forma assistencialista s\u00f3 distribuindo as cestas, mas de a gente poder pensar modos de gera\u00e7\u00e3o de renda dentro da pr\u00f3pria comunidade e a produ\u00e7\u00e3o desses alimentos\u201d, explica Any. Al\u00e9m da horta e da distribui\u00e7\u00e3o de cestas, o projeto engloba oficinas em prol do aprendizado de produtos a partir dos pr\u00f3prios insumos colhidos na horta, de forma a proporcionar para as mulheres que\u00a0 participam, um conhecimento que lhes possa gerar algum tipo de renda. \u201cA partir da horta, a gente fez oficinas de sab\u00e3o ecol\u00f3gico com as mulheres, oficina de sal temperado, tudo pensando em alternativas que pudessem gerar renda para essas fam\u00edlias tamb\u00e9m. Coisas que elas pudessem fazer nas suas resid\u00eancias.\u201d\u00a0 Os feedbacks de resultados do projeto s\u00e3o vis\u00edveis principalmente na voz das crian\u00e7as do Morro da Cruz. Any conta que muitas delas participam dos mutir\u00f5es e apresentam interesse em aprender, participar do cuidado com a horta e levar mudinhas para suas casas. Al\u00e9m disso, as mulheres criaram uma rela\u00e7\u00e3o com o espa\u00e7o: \u201cTeve uma vez que mesmo com chuva a mulherada veio, trouxeram mudas de casa! Ent\u00e3o tamb\u00e9m tem essa troca entre as mulheres que participam e o interesse tamb\u00e9m de estar nesse espa\u00e7o. Porque para elas tamb\u00e9m \u00e9 algo relacionado \u00e0 sa\u00fade mental. Muitas delas j\u00e1 relataram isso, de ser um momento terap\u00eautico, um momento de elas pensarem em outras coisas e ser um momento delas aqui, ent\u00e3o isso tem sido bem bacana.\u201d<\/p>\n<p><strong>Veja mais fotos da Horta Comunit\u00e1ria do Morro da Cruz, em Porto Alegre (RS):<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_4892\" aria-describedby=\"caption-attachment-4892\" style=\"width: 900px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4892 size-full\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/05072021_CF_01.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"506\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/05072021_CF_01.jpg 900w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/05072021_CF_01-300x169.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/05072021_CF_01-768x432.jpg 768w, 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src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/IMG_5166-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4901\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Isabelle Rieger \/ Amigos da Terra Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hortas comunit\u00e1rias e as cozinhas solid\u00e1rias s\u00e3o mais uma forma de lutar para minimizar o problema hist\u00f3rico da fome e reivindicar o direito \u00e0 soberania alimentar Hoje, 16 de outubro, \u00e9 marcado por movimentos populares como o Dia Internacional de A\u00e7\u00e3o Mundial pela Soberania Alimentar contra as Empresas Transnacionais. A data \u00e9 marcada pela luta hist\u00f3rica contra a fome, no pa\u00eds em que 33 milh\u00f5es de pessoas passam fome e cerca de 125 milh\u00f5es de brasileiros vivem sob algum n\u00edvel de inseguran\u00e7a alimentar. Esse que \u00e9 tamb\u00e9m o pa\u00eds da supre safras e de um Produto Interno Bruto (PIB) baseado no agroneg\u00f3cio, \u00e9 incongruente que o Brasil seja\u00a0 um dos grandes exportadores de alimentos do mundo, mas n\u00e3o alimente sua pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 outro motivo, sen\u00e3o escolhas pol\u00edticas. Pol\u00edticas estas que se traduzem em falta de apoio em termos de pol\u00edticas p\u00fablicas para a agricultura familiar, com o enfraquecimento do Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar (PNAE), criados com o objetivo apoiar o desenvolvimento da agricultura familiar nas redes locais e contribuir para o combate da pobreza no campo e nas cidades, al\u00e9m do esvaziamente dos estoques p\u00fablicos de alimentos, pol\u00edtica essa fundamental para garantir a renda para quem produzir, al\u00e9m de regular o abastecimento interno, comercializando os estoques na entressafra para atenuar as oscila\u00e7\u00f5es de pre\u00e7o, como vemos acontecer a cada vez que se vai ao mercado. O contexto de fome que vemos se aprofundar n\u00e3o surgiu do nada, \u00e9 um projeto de amplia\u00e7\u00e3o das desigualdades em curso. Frente a isso, muitas articula\u00e7\u00f5es tem assumido a lacuna deixada pelo Estado e lutado como \u00e9 poss\u00edvel para atenuar o contexto de fome que vivemos. As a\u00e7\u00f5es das Cozinhas Solid\u00e1rias s\u00e3o um exemplo com a a\u00e7\u00e3o de militantes e volunt\u00e1rios e com o apoio da sociedade civil que doa alimentos e suporte finaceiro, j\u00e1 somam 31 cozinhas, em 14 estados do Brasil servindo de segunda a sexta mais de 150 almo\u00e7os para popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social. Em Porto Alegre, a Cozinha Solid\u00e1ria da Azenha, localizada no n\u00famero 608 da Avenida que leva seu nome, Azenha, possui uma sede alugada, ap\u00f3s ter recebido um despejo durante a pandemia, per\u00edodo de maior vulnerabilidade da popula\u00e7\u00e3o. Situa\u00e7\u00e3o que demonstra a falta de compromisso do atual governo com o contexto dif\u00edcil que enfrenta seu povo, sem que hajam pol\u00edticas p\u00fablicas para atender o aumento da desigualdade social, do desemprego e da fome. Al\u00e9m dessas iniciativas, na regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre crescem iniciativas das denominadas hortas comunit\u00e1rias. Espa\u00e7os coletivos de produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica urbana que possibilitam a subsist\u00eancia e a populariza\u00e7\u00e3o de conhecimentos sobre alimenta\u00e7\u00e3o, com uma reconex\u00e3o com esses saberes, distanciados do cotidiano de quem vive na cidade pela escala industrial de produ\u00e7\u00e3o alimentar. Esse tipo de projeto gera o cultivo de hortifrutigranjeiros, educa\u00e7\u00e3o\u00a0 ambiental, promove a reflex\u00e3o sobre o desperd\u00edcio, sobre a import\u00e2ncia do aproveitamento integral dos alimentos e gera renda para quem precisa. A iniciativa dialoga com o conceito de direito \u00e0 cidade, o qual defende a preserva\u00e7\u00e3o da cidade como um bem p\u00fablico, de livre acesso, utiliza\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o pelos cidad\u00e3os, isso em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 mercantiliza\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios urbanos e de sua natureza e popula\u00e7\u00e3o. No\u00a0 Brasil, com o aumento no uso de agrot\u00f3xicos ap\u00f3s a libera\u00e7\u00e3o em massa destes produtos, a comida limpa se tornou uma forma de resist\u00eancia, principalmente dentro das cidades, tomando forma por meio das hortas comunit\u00e1rias. Tal forma de resistir\u00a0 vai muito al\u00e9m do tema da subsist\u00eancia e soberania alimentar, seu \u201ccarro chefe\u201d, pois a iniciativa tamb\u00e9m promove a ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos urbanos pelo cidad\u00e3o, o qual defende assim seu direito \u00e0 cidade. \u201cPrimeiro essa quest\u00e3o de morar na periferia e as pessoas acharem que tem que ser um espa\u00e7o feio. Logo que eu vim morar aqui, muitas pessoas tem esse estigma de ser um espa\u00e7o que n\u00e3o pode ser bonito, que n\u00e3o pode ser aproveitado, que a gente tem que sair daqui pra poder ocupar esses espa\u00e7os p\u00fablicos de conviv\u00eancia de uma forma bacana\u201d, explica a residente do Morro da Cruz, rosto da horta comunit\u00e1ria e militante feminista pela Marcha Mundial de Mulheres e pela Alian\u00e7a Feminismo Popular, Any Moraes. As hortas surgem como uma forma de manifesta\u00e7\u00e3o da urg\u00eancia da soberania alimentar para o pa\u00eds. O conceito trata do direito de que a popula\u00e7\u00e3o produza, cultive e adquira seu pr\u00f3prio alimento, de forma saud\u00e1vel, com sua cultura e h\u00e1bitos alimentares, com sistemas locais e com respeito ao meio ambiente. Os movimentos sociais defendem que uma na\u00e7\u00e3o soberana s\u00f3 \u00e9 dona de seu pr\u00f3prio destino, quando tem alimenta\u00e7\u00e3o suficiente para todo o seu povo comer hoje e possui reservas estocadas para anos de baixa produ\u00e7\u00e3o. Ou seja, tratar da fome, do modelo de produ\u00e7\u00e3o que respeite o meio ambiente caminha lado a lado. Trata-se tamb\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres, em que o machismo e o autoritarismo masculino n\u00e3o prevale\u00e7am e n\u00e3o reforcem a divis\u00e3o sexual do trabalho, que tanto oprime historicamente mulheres do campo e da cidade. Frente \u00e0 fome, a autonomia na alimenta\u00e7\u00e3o e a possibilidade de autoger\u00eancia se tornaram ainda mais importantes em uma sociedade marcada pela avalanche da inani\u00e7\u00e3o. A fome \u00e9 muito mais do que a falta de alimento, \u00e9 um estado de esp\u00edrito. Quem n\u00e3o se alimenta n\u00e3o t\u00eam energia e portanto, n\u00e3o tem sa\u00edda para a sua condi\u00e7\u00e3o, pois dificilmente consegue correr atr\u00e1s de alguma fonte de renda. Por essa raz\u00e3o, a Alian\u00e7a Feminismo Popular (AFP), articula\u00e7\u00e3o em que integram a Amigos da Terra Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e a Marcha Mundial de Mulheres, desenvolveu o projeto de uma horta comunit\u00e1ria no Morro da Cruz. \u201cQueremos que o m\u00e1ximo de gente participe, porque para al\u00e9m do abastecimento de alimento para quem participa, tamb\u00e9m \u00e9 pra ser um espa\u00e7o desse debate da quest\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, da possibilidade das pessoas plantarem nas suas pr\u00f3prias casas, da compostagem, que a gente t\u00e1 iniciando esse processo aqui tamb\u00e9m n\u00e9, de fazer esse di\u00e1logo com<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":4884,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,1835],"tags":[],"class_list":["post-4883","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-soberania-alimentar","category-saeb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4883","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4883"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4883\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9600,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4883\/revisions\/9600"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4884"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4883"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4883"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4883"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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