{"id":4865,"date":"2022-09-21T16:28:52","date_gmt":"2022-09-21T19:28:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=4865"},"modified":"2025-06-16T15:14:21","modified_gmt":"2025-06-16T18:14:21","slug":"em-carta-rede-alerta-contra-os-desertos-verdes-denuncia-os-impactos-da-expansao-das-monoculturas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=4865","title":{"rendered":"Em carta, Rede Alerta contra os Desertos Verdes denuncia os impactos da expans\u00e3o das monoculturas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Nesse dia 21 de setembro, dia em que \u00e9 comemorado o dia da \u00e1rvore, marcamos Dia Internacional de Luta contra as Monoculturas de \u00c1rvores. Por isso, a Rede Alerta contra os Desertos Verdes, articula\u00e7\u00e3o da qual a Amigos da Terra Brasil integra, denuncia a expans\u00e3o das monoculturas, sua cadeia log\u00edstica-industrial e os in\u00fameros impactos ambientais e sociais, que resultam em perda de biodiversidade e de qualidade de vida, no campo e na cidade.<\/p>\n<p>Enquanto a empresas e a governan\u00e7a p\u00fablica embarcar na fal\u00e1cia do \u201cmanejo florestal sustent\u00e1vel\u201d e do \u201ccarbono neutro\u201d, as empresas de celulose e siderurgia intensificam sua propaganda verde e comemoram seus lucros, ao mesmo tempo em que armam seus latif\u00fandios. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel glorificar a import\u00e2ncia das \u00e1rvores, ao passo que se expandem as monoculturas de eucalipto.<\/p>\n<p>Em trecho da carta, a articula\u00e7\u00e3o exige que o Estado cumpra seu papel de garantidor da soberania dos povos sobre seus territ\u00f3rios, com medidas urgentes para assegurar integridade f\u00edsica das comunidades ind\u00edgenas, quilombolas e campesinas. &#8220;Que se defenda a vida do povo e n\u00e3o os interesses das empresas&#8221;, aponta o documento.<\/p>\n<p>Leia a \u00edntegra da carta abaixo ou acesse <a href=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Carta-Encontro-Nacional-Rede-Alerta-Setembro-2022.pdf\">aqui o pdf com o arquivo<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carta do Encontro Nacional da Rede Alerta contra os Desertos Verdes<\/strong><br \/>\n<strong>Alerta! Alerta! 21 de setembro de 2022. Alerta! Alerta!<\/strong><\/p>\n<p>No dia da \u00e1rvore, sob a farsa do \u201cmanejo florestal sustent\u00e1vel\u201d e do \u201ccarbono neutro\u201d, as empresas de\u00a0 celulose e siderurgia intensificam sua propaganda verde, enquanto comemoram seus lucros e armam seus latif\u00fandios. Enquanto glorificam a \u00e1rvore, expandem suas monoculturas de eucalipto. Com apoio do<br \/>\nEstado, o agro \u00e9 cada vez mais t\u00f3xico. Monocultura=Monofuturo.<\/p>\n<p>N\u00f3s, integrantes da Rede Alerta contra os Desertos Verdes, composta por comunidades ind\u00edgenas, quilombolas, quebradeiras de coco baba\u00e7u e camponesas, ativistas, pesquisadores, advogados populares, sindicatos, organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais, nos reunimos entre os dias 16 a 19 de setembro de 2022 na Escola Popular de Agroecologia e Agrofloresta Eg\u00eddio Brunetto, no munic\u00edpio de Prado, Extremo Sul da Bahia. Neste encontro percorremos territ\u00f3rios e trocamos experi\u00eancias acerca dos impactos da monocultura (principalmente de eucalipto) e da ind\u00fastria de celulose em nossas vidas, assim como de nossas lutas de resist\u00eancia e constru\u00e7\u00e3o de outras realidades.<\/p>\n<p>Denunciamos, mais uma vez, que a expans\u00e3o das monoculturas e sua cadeia log\u00edstica e industrial produzem in\u00fameros impactos ambientais e sociais, que resultam em perda de biodiversidade e de qualidade de vida, no campo e na cidade.<\/p>\n<p>Um de seus efeitos mais perversos \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o das possibilidades de sucess\u00e3o geracional de fam\u00edlias quilombolas, ind\u00edgenas, e camponesas em seus territ\u00f3rios, com a diminui\u00e7\u00e3o abrupta das condi\u00e7\u00f5es de agricultura e extrativismo e, por consequ\u00eancia, de sua seguran\u00e7a alimentar, marginalizando, criminalizando e expulsando comunidades de seus territ\u00f3rios ancestrais.<\/p>\n<p>Como medidas agudas de expuls\u00e3o das fam\u00edlias que reivindicam seus territ\u00f3rios em \u00e1reas sobrepostas pelos monocultivos de eucalipto e pelo agroneg\u00f3cio s\u00e3o feitas diversas amea\u00e7as, que s\u00e3o concretizadas em atentados \u00e0s vidas das comunidades, a exemplo do caso recente do assassinato do ind\u00edgena Patax\u00f3 Sar\u00e3 (\u201craiz\u201d na l\u00edngua nativa Patax\u00f3) de 14 anos, na Terra Ind\u00edgena Comexatib\u00e1 (Prado\/BA), do inc\u00eandio criminoso no Ponto de Mem\u00f3ria Mesa de Santa B\u00e1rbara da Comunidade Quilombola do Linharinho (Concei\u00e7\u00e3o da Barra\/ES), e da pris\u00e3o pol\u00edtica do Professor, Poeta e Produtor Cultural Fl\u00e1vio Prates ap\u00f3s a\u00e7\u00e3o de despejo ocorrida na \u00e1rea do Acampamento Nova Trancoso (Trancoso\/BA).<\/p>\n<p>A pulveriza\u00e7\u00e3o, inclusive a\u00e9rea e por drones, de agrot\u00f3xicos nos monocultivos geram a contamina\u00e7\u00e3o do solo, dos cursos de \u00e1gua, da flora e fauna, das planta\u00e7\u00f5es e dos moradores do entorno. Esta situa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 agravada pela libera\u00e7\u00e3o de eucaliptos transg\u00eanicos tolerantes ao herbicida Glifosato. Al\u00e9m disto, os grandes maci\u00e7os de monocultivos s\u00e3o respons\u00e1veis por secar nascentes, c\u00f3rregos, lagoas e po\u00e7os, e empobrecer e degradar a fertilidade dos solos, culminando em sua eros\u00e3o, pois substitui a diversidade dos biomas por uma \u00fanica planta replicada em s\u00e9rie.<\/p>\n<p>Os efeitos ambientais locais dos monocultivos tornam as comunidades atingidas mais vulner\u00e1veis aos desdobramentos da emerg\u00eancia clim\u00e1tica, principalmente a crescente ocorr\u00eancia de longos per\u00edodos de estiagem e o aumento da temperatura da superf\u00edcie terrestre.<\/p>\n<p>O transporte de toras de eucalipto por caminh\u00f5es desde as planta\u00e7\u00f5es at\u00e9 as f\u00e1bricas de celulose degrada as estradas, produz ru\u00eddo dia e noite, afeta a qualidade do ar pela gera\u00e7\u00e3o de poeira e emiss\u00e3o de gases de efeito estufa, aumenta os n\u00edveis de atropelamento de fauna silvestre, e aumenta dramaticamente o risco de acidente nas estradas, j\u00e1 tendo ocorrido in\u00fameros acidentes inclusive com casos de morte de pessoas, em diferentes locais do Brasil.<\/p>\n<p>Os impactos socioambientais das f\u00e1bricas de celulose tamb\u00e9m s\u00e3o significativos tendo em vista as grandes quantidades de \u00e1gua utilizadas e grandes quantidades de efluentes industriais despejados nos rios, que podem conter elementos extremamente t\u00f3xicos como as dioxinas e furanos,\u00a0 produzidos em fun\u00e7\u00e3o do branqueamento do papel com Cloro. Estas\u00a0 industrias produzem altos n\u00edveis de ru\u00eddos, e emiss\u00e3o atmosf\u00e9rica de materiais particulados, fuligem, serragem e compostos de enxofre (que causam forte odor caracter\u00edstico), esta polui\u00e7\u00e3o pode causar in\u00fameros problemas respirat\u00f3rios como tosse, irrita\u00e7\u00e3o das vias a\u00e9reas, dificuldade de respira\u00e7\u00e3o, asma, al\u00e9m de ard\u00eancia nos olhos, vertigem, dor de cabe\u00e7a, n\u00e1usea, falta de apetite, dist\u00farbios emocionais como irrita\u00e7\u00e3o e depress\u00e3o, e pode levar \u00e0 problemas cardiovasculares. Al\u00e9m do permanente risco de acidentes que trabalhadores e popula\u00e7\u00f5es residentes do entorno das f\u00e1bricas est\u00e3o expostos.<\/p>\n<p>Atreladas \u00e0s a\u00e7\u00f5es capitalistas empresariais, est\u00e3o diferentes esferas do Estado. Esta alian\u00e7a do setor dos monocultivos de \u00e1rvores com o Estado brasileiro tem ra\u00edzes na ditadura militar e segue at\u00e9 os dias de hoje, atrav\u00e9s de benef\u00edcios fiscais e de financiamentos p\u00fablicos; da prote\u00e7\u00e3o do aparato policial\/militar; da n\u00e3o execu\u00e7\u00e3o dos processos de reconhecimento e titula\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios quilombolas e dos processos de demarca\u00e7\u00e3o e titula\u00e7\u00e3o coletiva das terras ind\u00edgenas (o governo Bolsonaro cumpriu sua promessa e foi o primeiro a zerar demarca\u00e7\u00f5es em terras ind\u00edgenas); da aprova\u00e7\u00e3o na CTNBio de variedades transg\u00eanicas de eucalipto sem o estudo dos poss\u00edveis impactos na sa\u00fade humana e ambiental, tal como a falta de informa\u00e7\u00f5es as popula\u00e7\u00f5es potencialmente atingidas; do desmonte da legisla\u00e7\u00e3o e dos \u00f3rg\u00e3os de licenciamento e fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental; e da aus\u00eancia de efetiva\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de perman\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es camponesas, quilombolas e ind\u00edgenas no campo.<\/p>\n<p>Frente ao exposto conclamamos toda a sociedade civil organizada e exigimos, principalmente do Estado brasileiro, as seguintes medidas com extrema urg\u00eancia:<br \/>\n&#8211; A titula\u00e7\u00e3o coletiva dos territ\u00f3rios quilombolas e ind\u00edgenas, com efetiva garantia da soberania destes<br \/>\npovos sobre seus territ\u00f3rios;<br \/>\n&#8211; A implanta\u00e7\u00e3o de novas terras para uma reforma agr\u00e1ria com princ\u00edpios agroecol\u00f3gicos;<br \/>\n&#8211; O atendimento integral das reivindica\u00e7\u00f5es expressas na I Carta das Comunidades Quilombolas do<br \/>\nExtremo Sul da Bahia, de dezembro de 2021;<br \/>\n&#8211; A n\u00e3o libera\u00e7\u00e3o de novas \u00e1rvores transg\u00eanicas, e o n\u00e3o plantio das \u00e1rvores transg\u00eanicas j\u00e1 liberadas<br \/>\npela CTNBio;<br \/>\n&#8211; Que a CTNBio se atenha a observa\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da precau\u00e7\u00e3o e da avalia\u00e7\u00e3o criteriosa e cient\u00edfica na<br \/>\nlibera\u00e7\u00e3o de transg\u00eanicos, escandalosamente n\u00e3o observados em suas libera\u00e7\u00f5es, e rotineiramente<br \/>\ndocumentados, como no caso do eucalipto transg\u00eanico H421;<br \/>\n&#8211; A n\u00e3o aprova\u00e7\u00e3o do Projeto de Lei 1.366\/22 que est\u00e1 tramitando na C\u00e2mara dos Deputados e visa<br \/>\nretirar a silvicultura da lista de atividades \u201cpotencialmente poluidoras e utilizadoras de recursos<br \/>\nambientais\u201d, retirando a necessidade de licenciamento ambiental;<br \/>\n&#8211; Maior tributa\u00e7\u00e3o, regula\u00e7\u00e3o, e rigor nos processos de licenciamento ambiental e fiscaliza\u00e7\u00e3o dos<br \/>\nmonocultivos e das ind\u00fastrias de celulose;<br \/>\n&#8211; A proibi\u00e7\u00e3o da pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos;<br \/>\n&#8211; A garantia da seguran\u00e7a e integridade f\u00edsica das comunidades ind\u00edgenas, quilombolas e campesinas. Que se defenda a vida do povo e n\u00e3o os interesses das empresas.<\/p>\n<p>Ressaltamos ainda que em fun\u00e7\u00e3o das diversas viola\u00e7\u00f5es de direitos relatados reconhecemos como legitimas e necess\u00e1rias as retomadas dos territ\u00f3rios dos povos e comunidades tradicionais invadidos, saqueados e degradados pelas empresas do setor da celulose e demais monocultivos do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>21 de setembro de 2022<br \/>\nDia Internacional de Luta contra as Monoculturas de \u00c1rvores<br \/>\nRede Alerta contra os Desertos Verdes<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesse dia 21 de setembro, dia em que \u00e9 comemorado o dia da \u00e1rvore, marcamos Dia Internacional de Luta contra as Monoculturas de \u00c1rvores. Por isso, a Rede Alerta contra os Desertos Verdes, articula\u00e7\u00e3o da qual a Amigos da Terra Brasil integra, denuncia a expans\u00e3o das monoculturas, sua cadeia log\u00edstica-industrial e os in\u00fameros impactos ambientais e sociais, que resultam em perda de biodiversidade e de qualidade de vida, no campo e na cidade. Enquanto a empresas e a governan\u00e7a p\u00fablica embarcar na fal\u00e1cia do \u201cmanejo florestal sustent\u00e1vel\u201d e do \u201ccarbono neutro\u201d, as empresas de celulose e siderurgia intensificam sua propaganda verde e comemoram seus lucros, ao mesmo tempo em que armam seus latif\u00fandios. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel glorificar a import\u00e2ncia das \u00e1rvores, ao passo que se expandem as monoculturas de eucalipto. Em trecho da carta, a articula\u00e7\u00e3o exige que o Estado cumpra seu papel de garantidor da soberania dos povos sobre seus territ\u00f3rios, com medidas urgentes para assegurar integridade f\u00edsica das comunidades ind\u00edgenas, quilombolas e campesinas. &#8220;Que se defenda a vida do povo e n\u00e3o os interesses das empresas&#8221;, aponta o documento. Leia a \u00edntegra da carta abaixo ou acesse aqui o pdf com o arquivo. Carta do Encontro Nacional da Rede Alerta contra os Desertos Verdes Alerta! Alerta! 21 de setembro de 2022. Alerta! Alerta! No dia da \u00e1rvore, sob a farsa do \u201cmanejo florestal sustent\u00e1vel\u201d e do \u201ccarbono neutro\u201d, as empresas de\u00a0 celulose e siderurgia intensificam sua propaganda verde, enquanto comemoram seus lucros e armam seus latif\u00fandios. Enquanto glorificam a \u00e1rvore, expandem suas monoculturas de eucalipto. Com apoio do Estado, o agro \u00e9 cada vez mais t\u00f3xico. Monocultura=Monofuturo. N\u00f3s, integrantes da Rede Alerta contra os Desertos Verdes, composta por comunidades ind\u00edgenas, quilombolas, quebradeiras de coco baba\u00e7u e camponesas, ativistas, pesquisadores, advogados populares, sindicatos, organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais, nos reunimos entre os dias 16 a 19 de setembro de 2022 na Escola Popular de Agroecologia e Agrofloresta Eg\u00eddio Brunetto, no munic\u00edpio de Prado, Extremo Sul da Bahia. Neste encontro percorremos territ\u00f3rios e trocamos experi\u00eancias acerca dos impactos da monocultura (principalmente de eucalipto) e da ind\u00fastria de celulose em nossas vidas, assim como de nossas lutas de resist\u00eancia e constru\u00e7\u00e3o de outras realidades. Denunciamos, mais uma vez, que a expans\u00e3o das monoculturas e sua cadeia log\u00edstica e industrial produzem in\u00fameros impactos ambientais e sociais, que resultam em perda de biodiversidade e de qualidade de vida, no campo e na cidade. Um de seus efeitos mais perversos \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o das possibilidades de sucess\u00e3o geracional de fam\u00edlias quilombolas, ind\u00edgenas, e camponesas em seus territ\u00f3rios, com a diminui\u00e7\u00e3o abrupta das condi\u00e7\u00f5es de agricultura e extrativismo e, por consequ\u00eancia, de sua seguran\u00e7a alimentar, marginalizando, criminalizando e expulsando comunidades de seus territ\u00f3rios ancestrais. Como medidas agudas de expuls\u00e3o das fam\u00edlias que reivindicam seus territ\u00f3rios em \u00e1reas sobrepostas pelos monocultivos de eucalipto e pelo agroneg\u00f3cio s\u00e3o feitas diversas amea\u00e7as, que s\u00e3o concretizadas em atentados \u00e0s vidas das comunidades, a exemplo do caso recente do assassinato do ind\u00edgena Patax\u00f3 Sar\u00e3 (\u201craiz\u201d na l\u00edngua nativa Patax\u00f3) de 14 anos, na Terra Ind\u00edgena Comexatib\u00e1 (Prado\/BA), do inc\u00eandio criminoso no Ponto de Mem\u00f3ria Mesa de Santa B\u00e1rbara da Comunidade Quilombola do Linharinho (Concei\u00e7\u00e3o da Barra\/ES), e da pris\u00e3o pol\u00edtica do Professor, Poeta e Produtor Cultural Fl\u00e1vio Prates ap\u00f3s a\u00e7\u00e3o de despejo ocorrida na \u00e1rea do Acampamento Nova Trancoso (Trancoso\/BA). 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O transporte de toras de eucalipto por caminh\u00f5es desde as planta\u00e7\u00f5es at\u00e9 as f\u00e1bricas de celulose degrada as estradas, produz ru\u00eddo dia e noite, afeta a qualidade do ar pela gera\u00e7\u00e3o de poeira e emiss\u00e3o de gases de efeito estufa, aumenta os n\u00edveis de atropelamento de fauna silvestre, e aumenta dramaticamente o risco de acidente nas estradas, j\u00e1 tendo ocorrido in\u00fameros acidentes inclusive com casos de morte de pessoas, em diferentes locais do Brasil. Os impactos socioambientais das f\u00e1bricas de celulose tamb\u00e9m s\u00e3o significativos tendo em vista as grandes quantidades de \u00e1gua utilizadas e grandes quantidades de efluentes industriais despejados nos rios, que podem conter elementos extremamente t\u00f3xicos como as dioxinas e furanos,\u00a0 produzidos em fun\u00e7\u00e3o do branqueamento do papel com Cloro. Estas\u00a0 industrias produzem altos n\u00edveis de ru\u00eddos, e emiss\u00e3o atmosf\u00e9rica de materiais particulados, fuligem, serragem e compostos de enxofre (que causam forte odor caracter\u00edstico), esta polui\u00e7\u00e3o pode causar in\u00fameros problemas respirat\u00f3rios como tosse, irrita\u00e7\u00e3o das vias a\u00e9reas, dificuldade de respira\u00e7\u00e3o, asma, al\u00e9m de ard\u00eancia nos olhos, vertigem, dor de cabe\u00e7a, n\u00e1usea, falta de apetite, dist\u00farbios emocionais como irrita\u00e7\u00e3o e depress\u00e3o, e pode levar \u00e0 problemas cardiovasculares. Al\u00e9m do permanente risco de acidentes que trabalhadores e popula\u00e7\u00f5es residentes do entorno das f\u00e1bricas est\u00e3o expostos. Atreladas \u00e0s a\u00e7\u00f5es capitalistas empresariais, est\u00e3o diferentes esferas do Estado. Esta alian\u00e7a do setor dos monocultivos de \u00e1rvores com o Estado brasileiro tem ra\u00edzes na ditadura militar e segue at\u00e9 os dias de hoje, atrav\u00e9s de benef\u00edcios fiscais e de financiamentos p\u00fablicos; da prote\u00e7\u00e3o do aparato policial\/militar; da n\u00e3o execu\u00e7\u00e3o dos processos de reconhecimento e titula\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios quilombolas e dos processos de demarca\u00e7\u00e3o e titula\u00e7\u00e3o coletiva das terras ind\u00edgenas (o governo Bolsonaro cumpriu sua promessa e foi o primeiro a zerar demarca\u00e7\u00f5es em terras ind\u00edgenas); da aprova\u00e7\u00e3o na CTNBio de variedades transg\u00eanicas de eucalipto sem o estudo dos poss\u00edveis impactos na sa\u00fade humana e ambiental, tal como a falta de informa\u00e7\u00f5es as popula\u00e7\u00f5es potencialmente atingidas; do desmonte da legisla\u00e7\u00e3o e dos \u00f3rg\u00e3os de licenciamento e<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":4867,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,1835],"tags":[],"class_list":["post-4865","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-florestas-e-biodiversidade","category-saeb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4865","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4865"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4865\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9603,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4865\/revisions\/9603"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4867"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4865"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4865"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4865"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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