{"id":4581,"date":"2022-07-25T18:56:15","date_gmt":"2022-07-25T21:56:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=4581"},"modified":"2025-06-16T15:18:28","modified_gmt":"2025-06-16T18:18:28","slug":"dia-da-mulher-negra-latino-americana-e-caribenha-a-centralidade-das-mulheres-negras-na-resistencia-marca-luta-anticolonialista-e-constroi-novos-horizontes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=4581","title":{"rendered":"Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha: a centralidade das mulheres negras na resist\u00eancia marca luta anticolonialista e constr\u00f3i novos horizontes"},"content":{"rendered":"\n<p><p style=\"text-align:justify\">Reconhecido em muitos pa\u00edses como o <strong>Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha<\/strong>, o 25 de julho \u00e9 um momento de organiza\u00e7\u00e3o, de reflex\u00e3o sobre a vida das mulheres negras, e tamb\u00e9m um marco no calend\u00e1rio pol\u00edtico antirrasista.&nbsp; \u00c9 <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2016\/07\/25\/tereza-de-benguela-uma-rainha-que-desafiou-a-escravidao\">Dia Nacional de Tereza de Benguela<\/a>, s\u00edmbolo da luta das mulheres negras. Tereza, mulher negra respons\u00e1vel por comandar a maior comunidade de liberta\u00e7\u00e3o de pessoas negras e ind\u00edgenas da capitania de Mato Grosso. L\u00edder do Quilombo do Quariter\u00ea que desafiou o sistema escravocrata portugu\u00eas e a coroa por mais de vinte anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align:justify\">No Brasil, a&nbsp; data foi institu\u00edda como <strong>Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra<\/strong>, em 2014, durante o governo de Dilma Rousseff (PT). Data que tamb\u00e9m reverbera um momento anterior, de contexto mais amplo geopoliticamente. Anos antes, em 1992, mais de 400 mulheres negras se reuniram em Santo Domingo, na Rep\u00fablica Dominicana, para pautar suas demandas pol\u00edticas. Construindo pontes entre as suas necessidades, lutas, realidades e vit\u00f3rias, elas se organizaram no 1\u00ba Encontro de Mulheres Afrolatinoamericanas e Afro Caribenhas, onde foi criada a Rede de Mulheres Afrolatinamericanas&nbsp; e Afro Caribenhas. Momento em que foi definido o 25 de julho como Dia da Mulher Afrolatinamericana e Caribenha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Vit\u00f3ria do Quilombo Vidal Martins \u00e9 marcada pela presen\u00e7a de mulheres<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align:justify\">E nessa data t\u00e3o importante, \u00e9 preciso exaltar as vit\u00f3rias dos territ\u00f3rios, que s\u00e3o fruto dos sonhos, da articula\u00e7\u00e3o e das lutas das mulheres negras e quilombolas. Aqui no Sul do pa\u00eds, a data de hoje \u00e9 marcada por mais uma&nbsp; realiza\u00e7\u00e3o concreta. A Comunidade Quilombola Vidal Martins e Associa\u00e7\u00e3o dos Remanescentes do Quilombo Vidal Martins (ARQViMa) deu mais um passo na luta pelo reconhecimento dos seus direitos frente \u00e0 d\u00edvida hist\u00f3rica com o seu povo: no dia 21 deste m\u00eas, foi publicado no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o (DOU), a decis\u00e3o assinada pelo presidente do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (INCRA), em reconhecimento do seu territ\u00f3rio ancestral, rumo a titula\u00e7\u00e3o do primeiro territ\u00f3rio quilombola na ilha de Florian\u00f3polis, em Santa Catarina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align:justify\">Mais uma vez, frente a esse processo, celebramos a luta de mulheres como Dona Juc\u00e9lia e as irm\u00e3s Helena e Shirlen. Com forte participa\u00e7\u00e3o nesse triunfo, elas inspiram com sua trajet\u00f3ria de compromisso na luta por equidade racial, moradia digna, educa\u00e7\u00e3o, preserva\u00e7\u00e3o ambiental, uso sustent\u00e1vel do territ\u00f3rio e pelo bem viver da comunidade e de seus descendentes quilombolas.<\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align:justify\">O significado dessa vit\u00f3ria reverbera para as demais comunidades quilombolas do estado de Santa Catarina e do Brasil. Que este seja apenas mais um dos dias na constru\u00e7\u00e3o de um futuro em que se exaltem cada vez mais as vit\u00f3rias para as comunidades negras. Vit\u00f3rias essas que s\u00e3o reflexo e fazem eco na luta das mulheres de toda Am\u00e9rica Latina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Quilombo-Vidal-2-724x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4603\"\/><figcaption> Luta traz reconhecimento para Quilombo Vidal, com uma vit\u00f3ria importante rumo \u00e0 titula\u00e7\u00e3o do primeiro territ\u00f3rio quilombola na ilha de Florian\u00f3polis, em Santa Catarina <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A realidade brasileira evidencia a import\u00e2ncia da luta protagonizada por mulheres negras e a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas pensadas a partir das margens<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align:justify\">Das in\u00fameras crises do atual momento, seja econ\u00f4mica, pol\u00edtica, social e ecol\u00f3gica,&nbsp; as mulheres negras e ind\u00edgenas s\u00e3o a linha de frente. \u00c9 indiscut\u00edvel o impacto do aparato repressor do estado em suas vidas e comunidades, especialmente com a <a href=\"https:\/\/www.brasildefatorj.com.br\/2020\/03\/12\/06-a-militarizacao-e-a-vida-das-mulheres\">militariza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua que se d\u00e1 em pa\u00edses como o Brasil<\/a>. Informa\u00e7\u00f5es da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad), do IBGE, que foram reunidas em 2021 pelo Departamento Intersindical de Estat\u00edsticas e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), apontam ainda que o <a href=\"https:\/\/www.dieese.org.br\/outraspublicacoes\/2021\/graficosPopulacaoNegra2021.pdf\">desemprego e precariza\u00e7\u00e3o do trabalho tamb\u00e9m atingem de forma desproporcional a popula\u00e7\u00e3o negra, sobretudo as mulheres negras<\/a>.&nbsp;<br \/><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/midia-ninja-fome.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"680\" height=\"453\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/midia-ninja-fome.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4569\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/midia-ninja-fome.jpeg 680w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/midia-ninja-fome-300x200.jpeg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/midia-ninja-fome-500x333.jpeg 500w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><\/a><figcaption>Segundo a Rede Penssan, 10,7% dos lares chefiados por mulheres negras se encaixam no quadro da fome \/ Cr\u00e9ditos da foto: Midia NINJA<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p> <p style=\"text-align:justify\">Com menor rendimento e menor prote\u00e7\u00e3o social, a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 a mais exposta ao desemprego no pa\u00eds. A aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas, somada \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/03\/08\/a-crise-tem-rosto-de-mulher-precarizacao-e-desmonte-de-politicas-afetam-mais-elas\">instabilidade econ\u00f4mica, amplia a vulnerabilidade social dessas mulheres<\/a>,&nbsp; as colocando em risco de maior viol\u00eancia dom\u00e9stica. E os \u00edndices nos \u00faltimos anos tornam ainda mais alarmante a situa\u00e7\u00e3o do feminic\u00eddio.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align:justify\">Sem prote\u00e7\u00e3o social e sendo maioria nos trabalhos informais, as mulheres negras brasileiras lidam ainda com o aumento das tarifas de g\u00e1s, energia e \u00e1gua, que deveriam ser bens comuns. Neste cen\u00e1rio, e com o pre\u00e7o elevado dos alimentos e a restri\u00e7\u00e3o de seu acesso, que volta a apresentar o Brasil <a href=\"https:\/\/www.oxfam.org.br\/noticias\/fome-avanca-no-brasil-em-2022-e-atinge-331-milhoes-de-pessoas\/\">no quadro da fome<\/a>, as condi\u00e7\u00f5es de vida v\u00e3o se enrijecendo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align:justify\">Os<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/07\/27\/a-profundidade-da-crise-na-vida-das-mulheres-negras\"> impactos negativos da pandemia na vida das mulheres negras<\/a> seguem em curso. Nesse contexto pand\u00eamico, ficou escancarada a crise do cuidado, que traz \u00e0 tona as desigualdades de g\u00eanero, mas recai de forma mais incisiva sobre as peles negras. Tamb\u00e9m ficou evidente&nbsp; a <a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2022\/07\/21\/por-uma-economia-centrada-na-vida-agendas-feministas-para-o-debate-eleitoral\/\">necessidade de uma economia centrada na vida<\/a>. A linha de frente no combate \u00e0 pandemia foi composta por mulheres na sa\u00fade, professoras exaustas com a realidade do ensino a dist\u00e2ncia e m\u00e3es com dificuldades profundas em trabalhar e cuidar dos filhos quando as escolas estavam fechadas.&nbsp; Al\u00e9m de enfrentar feridas de uma l\u00f3gica colonial como a falta de exist\u00eancia ou de acesso \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas, o desemprego e a precariza\u00e7\u00e3o, as mulheres negras continuam sobrecarregadas pelo trabalho invisibilizado da reprodu\u00e7\u00e3o social e do cuidado.&nbsp; O que remonta tempos da escravid\u00e3o: desde l\u00e1 grande parte do trabalho de cuidado \u00e9 realizado por mulheres negras, historicamente vinculadas aos trabalhos dom\u00e9sticos. E aqui, vale ainda destacar que a afirma\u00e7\u00e3o de direitos trabalhistas para essa categoria \u00e9 muito recente, assim como o reconhecimento da precariedade do trabalho dom\u00e9stico.&nbsp;<br \/><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/image_processing20200201-29235-3q3m15.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4590\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/image_processing20200201-29235-3q3m15.jpg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/image_processing20200201-29235-3q3m15-300x200.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/image_processing20200201-29235-3q3m15-768x512.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/image_processing20200201-29235-3q3m15-500x333.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption> Sobretudo, \u00e9 preciso defender a vida.   Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/EBC <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align:justify\">Casos como o da \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/show\/0xyzsMcSzudBIen2Ki2dqV\">Mulher da casa abandonada<\/a>\u201d, reportagem&nbsp; em destaque nas not\u00edcias do \u00faltimo m\u00eas, alarmam ainda quanto a realidade da escravid\u00e3o contempor\u00e2nea. Mais uma <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/08\/22\/cade-os-cinco-que-eu-comprei-pandemia-acentua-retomada-da-escravidao-no-pais\">situa\u00e7\u00e3o aprofundada pela pandemia<\/a> e por decis\u00f5es pol\u00edticas como as reformas trabalhistas implementadas p\u00f3s golpe de 2016, que tirou do poder a presidenta Dilma Rousseff.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\u00c9 imprescind\u00edvel eleger mulheres negras articuladas com as lutas, com as comunidades, periferias e movimentos sociais<strong> <\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align:justify\">Enquanto as mulheres s\u00e3o 52,5% do eleitorado, apenas 15% das vagas do parlamento brasileiro s\u00e3o ocupadas por mulheres, sendo 2,36% dessas vagas ocupadas por mulheres autodeclaradas negras. Esta realidade denuncia a l\u00f3gica patriarcal e colonial ainda presente no nosso pa\u00eds, assim como a falta de representatividade das mulheres negras nas institui\u00e7\u00f5es brasileiras. Falta essa que repercute na aus\u00eancia de\u00a0 pol\u00edticas p\u00fablicas e de medidas de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align:justify\">Neste ano a Col\u00f4mbia elegeu a sua primeira vice presidenta negra, Francia M\u00e1rquez, com uma campanha antirracista centrada na defesa do meio ambiente.&nbsp; E n\u00f3s, da Amigos da Terra Brasil (ATBr), acreditamos que \u00e9 poss\u00edvel viver o sonho de um Brasil com protagonismo de mulheres negras e ind\u00edgenas, que constroem a pol\u00edtica de forma realmente democr\u00e1tica, com participa\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align:justify\">Nesse momento chave da pol\u00edtica institucional, marcado por mais um ano de elei\u00e7\u00f5es, destacamos a relev\u00e2ncia de ampliar a representatividade, elegendo candidaturas comprometidas com a causa antirracista, anticolonialista, antimperalista, anticapitalista, contra o patriarcado e&nbsp; que pautem um horizonte comum.&nbsp; \u00c9 imprescind\u00edvel eleger mulheres negras articuladas com as lutas, com as comunidades, periferias e movimentos sociais.&nbsp; Fortalecer essas candidaturas e mandatas coletivas, com mulheres negras e ind\u00edgenas liderando debates a partir da conex\u00e3o com as lutas por soberania alimentar, agroecologia, amplia\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os comunit\u00e1rios, contra agrot\u00f3xicos e mercantiliza\u00e7\u00e3o das vidas, pela preserva\u00e7\u00e3o dos biomas, contra a megaminera\u00e7\u00e3o e os projetos de avan\u00e7o do capital, contra a financeiriza\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios, contra a militariza\u00e7\u00e3o, pela democratiza\u00e7\u00e3o dos processos e constru\u00e7\u00f5es populares, por uma economia com a vida no centro, com soberania territorial. Candidaturas que repensam a produ\u00e7\u00e3o e o consumo e, de fato,&nbsp; protagonizam as hist\u00f3rias contadas pelas margens.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align:justify\">Sabendo da d\u00edvida hist\u00f3rica com os povos origin\u00e1rios, quilombolas, ribeirinhos e com as mulheres negras e ind\u00edgenas dos territ\u00f3rios, que fazem frente aos projetos de destrui\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso revogar medidas como a PEC 95 e tantos outros retrocessos, como as reformas previdenci\u00e1ria e do trabalho, que afetam diretamente essas popula\u00e7\u00f5es. \u00c9 necess\u00e1rio fomentar as iniciativas populares, que pautam outras formas organizacionais. Ir al\u00e9m, defendendo e ampliando pol\u00edticas p\u00fablicas antirracistas, de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e fim da desigualdade. De acesso ao cuidado coletivo, como creches e escolas p\u00fablicas. Por acesso universal e gratuito a sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e cuidado de qualidade. Por demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas. Pela preserva\u00e7\u00e3o dos quilombos e suas formas de vida. Por redu\u00e7\u00e3o na jornada de trabalho, fim da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e do desemprego.<\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align:justify\">Sobretudo, \u00e9 preciso defender a vida. A vida das mulheres negras e de seus filhos e filhas, contra as guerras travadas nas periferias das cidades, como ocorre no Rio de Janeiro. Contra as guerras no campo e nas florestas. N\u00e3o podemos mais escolher ignorar o racismo que sustenta a nossa sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align:justify\">Uma transforma\u00e7\u00e3o radical emerge com a defesa da vida e dos direitos das mulheres negras, latino-americanas e caribenhas. Que n\u00e3o tenham mais que ser fortes. Que seu destino possa ser o que se sonhar ser. <\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reconhecido em muitos pa\u00edses como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, o 25 de julho \u00e9 um momento de organiza\u00e7\u00e3o, de reflex\u00e3o sobre a vida das mulheres negras, e tamb\u00e9m um marco no calend\u00e1rio pol\u00edtico antirrasista.&nbsp; \u00c9 Dia Nacional de Tereza de Benguela, s\u00edmbolo da luta das mulheres negras. Tereza, mulher negra respons\u00e1vel por comandar a maior comunidade de liberta\u00e7\u00e3o de pessoas negras e ind\u00edgenas da capitania de Mato Grosso. L\u00edder do Quilombo do Quariter\u00ea que desafiou o sistema escravocrata portugu\u00eas e a coroa por mais de vinte anos.&nbsp; No Brasil, a&nbsp; data foi institu\u00edda como Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, em 2014, durante o governo de Dilma Rousseff (PT). Data que tamb\u00e9m reverbera um momento anterior, de contexto mais amplo geopoliticamente. Anos antes, em 1992, mais de 400 mulheres negras se reuniram em Santo Domingo, na Rep\u00fablica Dominicana, para pautar suas demandas pol\u00edticas. Construindo pontes entre as suas necessidades, lutas, realidades e vit\u00f3rias, elas se organizaram no 1\u00ba Encontro de Mulheres Afrolatinoamericanas e Afro Caribenhas, onde foi criada a Rede de Mulheres Afrolatinamericanas&nbsp; e Afro Caribenhas. Momento em que foi definido o 25 de julho como Dia da Mulher Afrolatinamericana e Caribenha.&nbsp; Vit\u00f3ria do Quilombo Vidal Martins \u00e9 marcada pela presen\u00e7a de mulheres E nessa data t\u00e3o importante, \u00e9 preciso exaltar as vit\u00f3rias dos territ\u00f3rios, que s\u00e3o fruto dos sonhos, da articula\u00e7\u00e3o e das lutas das mulheres negras e quilombolas. Aqui no Sul do pa\u00eds, a data de hoje \u00e9 marcada por mais uma&nbsp; realiza\u00e7\u00e3o concreta. A Comunidade Quilombola Vidal Martins e Associa\u00e7\u00e3o dos Remanescentes do Quilombo Vidal Martins (ARQViMa) deu mais um passo na luta pelo reconhecimento dos seus direitos frente \u00e0 d\u00edvida hist\u00f3rica com o seu povo: no dia 21 deste m\u00eas, foi publicado no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o (DOU), a decis\u00e3o assinada pelo presidente do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (INCRA), em reconhecimento do seu territ\u00f3rio ancestral, rumo a titula\u00e7\u00e3o do primeiro territ\u00f3rio quilombola na ilha de Florian\u00f3polis, em Santa Catarina.&nbsp; Mais uma vez, frente a esse processo, celebramos a luta de mulheres como Dona Juc\u00e9lia e as irm\u00e3s Helena e Shirlen. Com forte participa\u00e7\u00e3o nesse triunfo, elas inspiram com sua trajet\u00f3ria de compromisso na luta por equidade racial, moradia digna, educa\u00e7\u00e3o, preserva\u00e7\u00e3o ambiental, uso sustent\u00e1vel do territ\u00f3rio e pelo bem viver da comunidade e de seus descendentes quilombolas. O significado dessa vit\u00f3ria reverbera para as demais comunidades quilombolas do estado de Santa Catarina e do Brasil. Que este seja apenas mais um dos dias na constru\u00e7\u00e3o de um futuro em que se exaltem cada vez mais as vit\u00f3rias para as comunidades negras. Vit\u00f3rias essas que s\u00e3o reflexo e fazem eco na luta das mulheres de toda Am\u00e9rica Latina.&nbsp; A realidade brasileira evidencia a import\u00e2ncia da luta protagonizada por mulheres negras e a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas pensadas a partir das margens Das in\u00fameras crises do atual momento, seja econ\u00f4mica, pol\u00edtica, social e ecol\u00f3gica,&nbsp; as mulheres negras e ind\u00edgenas s\u00e3o a linha de frente. \u00c9 indiscut\u00edvel o impacto do aparato repressor do estado em suas vidas e comunidades, especialmente com a militariza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua que se d\u00e1 em pa\u00edses como o Brasil. 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Sem prote\u00e7\u00e3o social e sendo maioria nos trabalhos informais, as mulheres negras brasileiras lidam ainda com o aumento das tarifas de g\u00e1s, energia e \u00e1gua, que deveriam ser bens comuns. Neste cen\u00e1rio, e com o pre\u00e7o elevado dos alimentos e a restri\u00e7\u00e3o de seu acesso, que volta a apresentar o Brasil no quadro da fome, as condi\u00e7\u00f5es de vida v\u00e3o se enrijecendo.\u00a0 Os impactos negativos da pandemia na vida das mulheres negras seguem em curso. Nesse contexto pand\u00eamico, ficou escancarada a crise do cuidado, que traz \u00e0 tona as desigualdades de g\u00eanero, mas recai de forma mais incisiva sobre as peles negras. Tamb\u00e9m ficou evidente&nbsp; a necessidade de uma economia centrada na vida. A linha de frente no combate \u00e0 pandemia foi composta por mulheres na sa\u00fade, professoras exaustas com a realidade do ensino a dist\u00e2ncia e m\u00e3es com dificuldades profundas em trabalhar e cuidar dos filhos quando as escolas estavam fechadas.&nbsp; Al\u00e9m de enfrentar feridas de uma l\u00f3gica colonial como a falta de exist\u00eancia ou de acesso \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas, o desemprego e a precariza\u00e7\u00e3o, as mulheres negras continuam sobrecarregadas pelo trabalho invisibilizado da reprodu\u00e7\u00e3o social e do cuidado.&nbsp; O que remonta tempos da escravid\u00e3o: desde l\u00e1 grande parte do trabalho de cuidado \u00e9 realizado por mulheres negras, historicamente vinculadas aos trabalhos dom\u00e9sticos. E aqui, vale ainda destacar que a afirma\u00e7\u00e3o de direitos trabalhistas para essa categoria \u00e9 muito recente, assim como o reconhecimento da precariedade do trabalho dom\u00e9stico.&nbsp; Casos como o da \u201cMulher da casa abandonada\u201d, reportagem&nbsp; em destaque nas not\u00edcias do \u00faltimo m\u00eas, alarmam ainda quanto a realidade da escravid\u00e3o contempor\u00e2nea. Mais uma situa\u00e7\u00e3o aprofundada pela pandemia e por decis\u00f5es pol\u00edticas como as reformas trabalhistas implementadas p\u00f3s golpe de 2016, que tirou do poder a presidenta Dilma Rousseff.&nbsp; \u00c9 imprescind\u00edvel eleger mulheres negras articuladas com as lutas, com as comunidades, periferias e movimentos sociais Enquanto as mulheres s\u00e3o 52,5% do eleitorado, apenas 15% das vagas do parlamento brasileiro s\u00e3o ocupadas por mulheres, sendo 2,36% dessas vagas ocupadas por mulheres autodeclaradas negras. Esta realidade denuncia a l\u00f3gica patriarcal e colonial ainda presente no nosso pa\u00eds, assim como a falta de representatividade das mulheres negras nas institui\u00e7\u00f5es brasileiras. Falta essa que repercute na aus\u00eancia de\u00a0 pol\u00edticas p\u00fablicas e de medidas de repara\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":4570,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[600,1841,1840],"tags":[],"class_list":["post-4581","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-antirracismo","category-direitos-humanos-e-dos-povos","category-si"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4581"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4581\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9622,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4581\/revisions\/9622"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4570"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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