{"id":4249,"date":"2022-04-26T13:21:00","date_gmt":"2022-04-26T16:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=4249"},"modified":"2025-06-16T15:24:03","modified_gmt":"2025-06-16T18:24:03","slug":"quem-fez-a-sua-roupa-a-luta-contra-o-poder-das-corporacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=4249","title":{"rendered":"Quem fez a sua roupa? A luta contra o poder das corpora\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align:justify\">A fragmenta\u00e7\u00e3o das cadeias produtivas em diversos neg\u00f3cios espalhados  pelo mundo construiu grandes cadeias globais de valor. N\u00f3s,  consumidores finais, n\u00e3o temos consci\u00eancia de todo o caminho que \u00e9  percorrido de uma roupa at\u00e9 a loja onde as compramos. At\u00e9 mesmo os  Estados n\u00e3o conseguem ter o controle sobre a totalidade da produ\u00e7\u00e3o,  ficando limitados a regular partes da cadeia que est\u00e3o em seus  territ\u00f3rios. A totalidade desse processo est\u00e1 na m\u00e3o de grandes  corpora\u00e7\u00f5es transnacionais, as quais concentram riquezas maiores que muitos desses pa\u00edses, juntando poderes pol\u00edtico, econ\u00f4mico, cultural.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Na ponta das cadeias globais est\u00e3o as maiores viola\u00e7\u00f5es aos direitos  humanos, \u00e9 precisamente no processo de extra\u00e7\u00e3o de recursos, e no  processo produtivo em si, quando a mat\u00e9ria bruta ganha valor agregado  com o trabalho, que s\u00e3o ocultadas as maiores barb\u00e1ries. Isso porque  nossa economia, estando sob o controle das empresas transnacionais, \u00e9  centrada na obten\u00e7\u00e3o de lucro. Esse af\u00e3 \u00e9 sustentado na externaliza\u00e7\u00e3o  dos danos socioambientais aos povos, como alguns denominam de espolia\u00e7\u00e3o, e na superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Assim, trabalho  precarizado e subalternizado, em condi\u00e7\u00f5es inadequadas, \u00e9 a l\u00f3gica  estrutural. As grandes marcas, por sua vez, n\u00e3o querem sua imagem diretamente associada a essa viol\u00eancia, por isso atuam por suas terceirizadas, criando obst\u00e1culos para sua responsabiliza\u00e7\u00e3o direta.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Essa \u00e9 a realidade da ind\u00fastria t\u00eaxtil. Recordemos, que em 24 de\nabril de 2013, desabava o edif\u00edcio de oito andares Rana Plaza, na cidade\n de Daca, capital de Bangladesh. O pr\u00e9dio abrigava uma parte da cadeia\nde produ\u00e7\u00e3o t\u00eaxtil de grandes empresas transnacionais fragmentadas em\ndiversas f\u00e1bricas de prec\u00e1rias instala\u00e7\u00f5es. No desastre morreram 1.134\npessoas, das quais 80% eram mulheres que trabalhavam na costura.\nRestaram, ainda, 2.500 pessoas feridas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Em termos de responsabiliza\u00e7\u00e3o, o propriet\u00e1rio do pr\u00e9dio foi responsabilizado penalmente. Algumas das v\u00edtimas foram indenizadas por\ncorpora\u00e7\u00f5es da ind\u00fastria t\u00eaxtil, com valores por volta de 200 d\u00f3lares\npor fam\u00edlia, contudo era obriga\u00e7\u00e3o dos parentes conseguir provas de DNA.\n Uma das respostas constru\u00eddas ao caso, pela comunidade internacional,\nfoi o Acordo sobre Seguran\u00e7a de F\u00e1brica e Predial em Bangladesh. Das 29\nmarcas identificadas com produtos das f\u00e1bricas do edif\u00edcio, apenas 9\nparticiparam das negocia\u00e7\u00f5es e da assinatura do acordo, e somente 7\ncontribu\u00edram para o Fundo Fiduci\u00e1rio do Doador Rana Plaza apoiado pela\nOrganiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Como o desastre de Bangladesh, v\u00e1rios setores da ind\u00fastria operam\ndessa forma cotidianamente, evidenciando que n\u00e3o foi um caso eventual,\nmas \u00e9 estruturante do sistema. As grandes corpora\u00e7\u00f5es t\u00eam ditado a\nl\u00f3gica econ\u00f4mica centradas na maximiza\u00e7\u00e3o de seus lucros, por meio do\nestabelecimento de condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de trabalho, da promo\u00e7\u00e3o da\ninformalidade dos trabalhadores e das trabalhadoras, da exig\u00eancia de\nextensas jornadas de trabalho, entre outros. S\u00e3o elas que acumulam todo o\n lucro gerado ao longo da extra\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de bens e\nservi\u00e7os, acumulando o dom\u00ednio, cada vez mais intenso, dos territ\u00f3rios e\n o controle da vida. Contam ainda com a constitui\u00e7\u00e3o de um minucioso\nsistema de prote\u00e7\u00e3o de seus direitos por meio da captura corporativa,\ndos tratados de livre-com\u00e9rcio e das comiss\u00f5es de arbitragem\ninternacional, compondo a arquitetura da impunidade corporativa global.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Contra o sil\u00eancio que o tempo poderia dar a essa hist\u00f3ria, a Marcha\nMundial de Mulheres (MMM) escolheu o dia 24 de abril como dia de a\u00e7\u00e3o\nglobal pela solidariedade contra o poder das corpora\u00e7\u00f5es sobre o\ntrabalho das mulheres, seus corpos e suas vidas. Sendo um dia de luta\npara desnaturalizar a impunidade, ao colocar rosto e nome nos agentes do\n mercado que causam viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos, ao evidenciar a\ngravidade do controle do poder por parte das empresas transnacionais e\nem promover a defesa da natureza, da vida digna, do trabalho justo e\nlivre de superexplora\u00e7\u00e3o. As a\u00e7\u00f5es pensadas escracham a hipocrisia da\nresponsabilidade social corporativa, ao passo que constroem exemplos\nconcretos de alternativas ao neoliberalismo, ao organizar processos de\nconstru\u00e7\u00e3o de soberanias centrados no direcionamento de uma economia\npara a vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">No dia 24 de abril deste ano, est\u00e1 inclu\u00edda tamb\u00e9m a den\u00fancia da\nguerra e de quem se beneficia com ela. O custo de vida no Brasil\naumentou exponencialmente nos \u00faltimos anos, levando centenas de mulheres\n a perderem seus trabalhos e se encontrarem sem condi\u00e7\u00f5es de moradia\ndigna, sobrecarregadas pelas tarefas de cuidado. A solu\u00e7\u00e3o neoliberal\npara a crise \u00e9 o aumento do autoritarismo e o avan\u00e7o fascista, expresso\nna guerra \u201ccontra o narcotr\u00e1fico\u201d e na viol\u00eancia da flexibiliza\u00e7\u00e3o da\nlegisla\u00e7\u00e3o protetiva ambiental para extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios e expans\u00e3o da\nfronteira agr\u00edcola. Por tr\u00e1s dessas pol\u00edticas est\u00e3o empresas\ntransnacionais se beneficiando das pol\u00edticas de \u201causteridade\u201d e\ndestrui\u00e7\u00e3o ambiental. Assim, neste <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/04\/19\/contra-as-guerras-por-paz-e-feminismo-24-de-abril-e-dia-de-solidariedade-internacional\">24 de abril de 2022<\/a>\n as a\u00e7\u00f5es s\u00e3o para recordar que existem alternativas \u00e0 guerra e que tais\n crises sistem\u00e1ticas podem ser superadas por meio da solidariedade de\nclasse, com promo\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a para todos. \u00c9 poss\u00edvel construir um\nmundo no qual todas as mulheres e territ\u00f3rios sejam livres, sem destruir\n o planeta.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Por onde vamos com esperan\u00e7a: solidariedade feminista em a\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">No m\u00eas de mar\u00e7o um importante passo para a responsabiliza\u00e7\u00e3o das empresas foi dado no Brasil com o <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/prop_mostrarintegra?codteor=2148124&amp;filename=PL+572\/2022\">PL 572\/2022<\/a>,\n que prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de um marco nacional de empresas e direitos\nhumanos. Cl\u00e1udia \u00c1vila, coordenadora nacional do Movimento dos\nTrabalhadores Sem Teto (MTST), avalia que o PL \u00e9 uma ferramenta\nimportante para efetivar a aplica\u00e7\u00e3o dos mecanismos de responsabiliza\u00e7\u00e3o\n c\u00edvel criminal e administrativa de prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos n\u00e3o s\u00f3\n no \u00e2mbito da repara\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m, e principalmente, para preven\u00e7\u00e3o\ndas viola\u00e7\u00f5es de direito. Em sua justificativa, o projeto reconhece a\nassimetria e os impactos da atua\u00e7\u00e3o de empresas na vida das mulheres,\nbem como prev\u00ea mecanismos que podem representar mudan\u00e7as estruturais no\nacesso \u00e0 justi\u00e7a para atingidas.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">A urg\u00eancia de um PL \u00e9 para evitar casos como da <a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2019\/10\/10\/1657\/\">concess\u00e3o do Aeroporto Salgado Filho \u00e0 Fraport<\/a>,\n em Porto Alegre (RS), no qual para amplia\u00e7\u00e3o da pista do aeroporto\nremoveu, sem nenhuma escuta, nenhuma participa\u00e7\u00e3o ou chance de escolha\nda comunidade cerca de 2.000 fam\u00edlias da Vila Nazar\u00e9 para local\ndistante, em moradias n\u00e3o condizentes com a realidade das fam\u00edlias com\ntodo um modo de vida rururbano que h\u00e1 mais de 50 anos constru\u00edram n\u00e3o\napenas moradias, mas cidade naquela regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Destaca-se a previs\u00e3o, no PL, da cria\u00e7\u00e3o de um Fundo Emergencial para\n as v\u00edtimas, que possa assegurar a recomposi\u00e7\u00e3o da renda das fam\u00edlias;\nprevis\u00e3o de custos para assessorias t\u00e9cnicas; garantias de acesso \u00e0 \u00e1gua\n pot\u00e1vel, que permitiriam a continuidade de condi\u00e7\u00f5es de vida digna at\u00e9 a\n conclus\u00e3o da repara\u00e7\u00e3o integral. Outra previs\u00e3o fundamental \u00e9 a\ninvers\u00e3o do \u00f4nus da prova, j\u00e1 que as empresas disp\u00f5em de melhores\ncondi\u00e7\u00f5es de acesso \u00e0 prova. Se pensarmos essas medidas aplicadas ao\ncaso, por exemplo, de Rana Plaza, os familiares das trabalhadoras mortas\n n\u00e3o teriam ficado desamparados durante meses posto que contariam com o\nFundo. Ademais, a sobrecarga de provar a perda se inverteria \u00e0 empresa,\nfacilitando o acesso \u00e0s indeniza\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">A constru\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7as tamb\u00e9m nasce das resist\u00eancias concretas  nos territ\u00f3rios, assim a luta contra o poder corporativo \u00e9 tamb\u00e9m  momento de constru\u00e7\u00e3o de alternativas desde os povos. Inspirados nisso \u00e9  que se organiza, desde 2020, a <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/05\/10\/feminismo-popular-acoes-de-solidariedade-contribuem-no-acesso-a-alimentacao-saudavel\">Alian\u00e7a Feminismo Popular no RS<\/a>,  composta pela MMM, MTST e Amigos da Terra Brasil (ATBr), com apoio do  Movimento de Pequenos Agricultores (MPA). Uma das propostas \u00e9 a  constru\u00e7\u00e3o de hortas agroecol\u00f3gicas&nbsp; na ocupa\u00e7\u00e3o do Morro da Cruz, na capital ga\u00facha, no apoio \u00e0 soberania alimentar da comunidade. A  militante da MMM e moradora da comunidade, Any Moraes, considera as  atividades realizadas neste dia 24 de abril no local, marcado pela A\u00e7\u00e3o  de Solidariedade Feminista, como \u201cum momento de nos encontrarmos na  horta comunit\u00e1ria do Morro da Cruz num espa\u00e7o que foi constru\u00eddo por  meio dessas a\u00e7\u00f5es de solidariedade durante o per\u00edodo da pandemia, quando  agravou ainda mais a situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar, principalmente  das mulheres. \u00c9 um espa\u00e7o que tem sido importante para constru\u00e7\u00e3o de  reflex\u00f5es, e a atividade desse domingo foi o momento da nossa  resist\u00eancia, a nossa luta no enfrentamento \u00e0s transnacionais e a esses  governos de extrema direita que aprofundam cada vez mais o  autoritarismo, e avan\u00e7am com a explora\u00e7\u00e3o das nossas vidas, dos nossos  corpos e dos nossos territ\u00f3rios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Investir na constru\u00e7\u00e3o de soberania alimentar nas ocupa\u00e7\u00f5es \u00e9 uma\nforma de tecer alternativas concretas para a vida pr\u00e1tica das mulheres.\nAo longo do dia 24 de abril de 2022, as mulheres da Alian\u00e7a destacaram a\n import\u00e2ncia do direito \u00e0 moradia e da alimenta\u00e7\u00e3o como bens comuns,&nbsp;\nafirmando a urg\u00eancia de avan\u00e7armos na produ\u00e7\u00e3o de alimentos com\nqualidade e soberania. Let\u00edcia Paranhos, militante da Amigos da Terra\nBrasil e membra da Alian\u00e7a, esteve presente na atividade do Morro da\nCruz. Para ela, foi uma felicidade encontrar o avan\u00e7o na continuidade da\n organiza\u00e7\u00e3o pela soberania alimentar na comunidade com o\nestabelecimento de uma cozinha comunit\u00e1ria, num momento em que no Brasil\n h\u00e1 tanta fome. Frente ao descaso do governo para com essa agenda, \u00e9 de\nsuma import\u00e2ncia conseguir conversar e organizar, sendo esse um dos\nprop\u00f3sitos da Alian\u00e7a Feminismo Popular, o de construir possibilidades\ndentro dos pr\u00f3prios territ\u00f3rios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Feminismo Popular<\/h4>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">H\u00e1 muitos feminismos hoje, inclusive o corporativo. Diversas das\nmarcas envolvidas no desastre em Rana Plaza vendem camisetas de slogans\nfeministas; financiam projetos para \u201cempoderamento\u201d das mulheres;\npromovem pol\u00edticas de equidade de g\u00eanero em seus c\u00f3digos de conduta;\nalgumas at\u00e9 incorporam debates LGBTQIA+. Todas essas iniciativas fazem\ncrer que as solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o individuais, na tomada de autoconsci\u00eancia do\nindiv\u00edduo, n\u00e3o necessitando de mudan\u00e7as profundas nas estruturas e\npr\u00e1ticas de poder.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">O dia 24 de abril \u00e9 tamb\u00e9m uma cr\u00edtica a esse movimento. Pensar que\nas roupas amplamente vendidas pelas grandes marcas possuem trabalho de\nalguma mulher do Sul global incorporado. \u00c9 precisamente essa\ntrabalhadora sem direitos e mal paga que conferiu a costura da pe\u00e7a que\nvoc\u00ea veste, trabalho alienado e invisibilizado (que produz a sua\nroupa).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Assim, lutar por um verdadeiro reconhecimento da mulher \u00e9 pensar um  projeto pol\u00edtico coletivo que rompa a estrutura do poder corporativo  global, que possa trazer dignidade a essa trabalhadora, de tal forma que  ela se reconhe\u00e7a no produto do seu trabalho e receba as condi\u00e7\u00f5es para  uma exist\u00eancia plena do esfor\u00e7o do seu trabalho, contando com toda uma  rede de prote\u00e7\u00e3o social gratuita. Let\u00edcia, da Amigos da Terra Brasil,  considera que aprofundar os la\u00e7os de um trabalho coletivo, organizado,  para a continuidade das vidas no mundo, \u00e9 redefinir o direcionamento dos  lucros extraordin\u00e1rios para serem distribu\u00eddos entre os despossu\u00eddos,  at\u00e9 que todos e todas possam viver com dignidade. Esse \u00e9 o feminismo que  queremos, popular, por ser feito pelo povo, para o povo e com o povo e,  portanto, um projeto de liberta\u00e7\u00e3o de todas as mulheres, porque como  indiv\u00edduos somos apenas corpos e territ\u00f3rios expostos a brutas  estruturas, mas como coletividade somos sujeitas centrais da  transforma\u00e7\u00e3o da sociedade.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Resistimos para viver, marchamos para transformar!<\/p>\n\n\n\n<p><em>* Este \u00e9 um artigo de opini\u00e3o publicado no site do jornal Brasil em Fato em 25 de Abril (<strong><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/04\/25\/quem-fez-a-sua-roupa-a-luta-contra-o-poder-das-corporacoes\" target=\"_blank\">link aqui<\/a><\/strong><\/em>)<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Confira mais fotos:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-24-at-20.47.011-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4257\"\/><figcaption>Foto: Isabelle Rieger \/ Amigos da Terra Brasil<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"485\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-24-at-20.30.17-1-1024x485.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4272\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-24-at-20.30.17-1-1024x485.jpeg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-24-at-20.30.17-1-300x142.jpeg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-24-at-20.30.17-1-768x364.jpeg 768w, 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loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-24-at-20.46.581-1024x683.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4263\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-24-at-20.46.581-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-24-at-20.46.581-300x200.jpeg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-24-at-20.46.581-768x512.jpeg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-24-at-20.46.581-500x333.jpeg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-24-at-20.46.581-800x533.jpeg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-24-at-20.46.581.jpeg 1440w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption> Foto: Isabelle Rieger \/ Amigos da Terra Brasil <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-24-at-20.46.58-1024x683.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4262\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-24-at-20.46.58-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-24-at-20.46.58-300x200.jpeg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-24-at-20.46.58-768x512.jpeg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-24-at-20.46.58-500x333.jpeg 500w, 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<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-24-at-20.47.001-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4259\"\/><figcaption> Foto: Isabelle Rieger \/ Amigos da Terra Brasil <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-24-at-20.47.00-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4258\"\/><figcaption> Foto: Isabelle Rieger \/ Amigos da Terra Brasil <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-24-at-20.47.02-1-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4255\"\/><figcaption> Foto: Isabelle Rieger \/ Amigos da Terra Brasil <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fragmenta\u00e7\u00e3o das cadeias produtivas em diversos neg\u00f3cios espalhados pelo mundo construiu grandes cadeias globais de valor. N\u00f3s, consumidores finais, n\u00e3o temos consci\u00eancia de todo o caminho que \u00e9 percorrido de uma roupa at\u00e9 a loja onde as compramos. At\u00e9 mesmo os Estados n\u00e3o conseguem ter o controle sobre a totalidade da produ\u00e7\u00e3o, ficando limitados a regular partes da cadeia que est\u00e3o em seus territ\u00f3rios. A totalidade desse processo est\u00e1 na m\u00e3o de grandes corpora\u00e7\u00f5es transnacionais, as quais concentram riquezas maiores que muitos desses pa\u00edses, juntando poderes pol\u00edtico, econ\u00f4mico, cultural.&nbsp; Na ponta das cadeias globais est\u00e3o as maiores viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos, \u00e9 precisamente no processo de extra\u00e7\u00e3o de recursos, e no processo produtivo em si, quando a mat\u00e9ria bruta ganha valor agregado com o trabalho, que s\u00e3o ocultadas as maiores barb\u00e1ries. Isso porque nossa economia, estando sob o controle das empresas transnacionais, \u00e9 centrada na obten\u00e7\u00e3o de lucro. Esse af\u00e3 \u00e9 sustentado na externaliza\u00e7\u00e3o dos danos socioambientais aos povos, como alguns denominam de espolia\u00e7\u00e3o, e na superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Assim, trabalho precarizado e subalternizado, em condi\u00e7\u00f5es inadequadas, \u00e9 a l\u00f3gica estrutural. As grandes marcas, por sua vez, n\u00e3o querem sua imagem diretamente associada a essa viol\u00eancia, por isso atuam por suas terceirizadas, criando obst\u00e1culos para sua responsabiliza\u00e7\u00e3o direta. Essa \u00e9 a realidade da ind\u00fastria t\u00eaxtil. Recordemos, que em 24 de abril de 2013, desabava o edif\u00edcio de oito andares Rana Plaza, na cidade de Daca, capital de Bangladesh. O pr\u00e9dio abrigava uma parte da cadeia de produ\u00e7\u00e3o t\u00eaxtil de grandes empresas transnacionais fragmentadas em diversas f\u00e1bricas de prec\u00e1rias instala\u00e7\u00f5es. No desastre morreram 1.134 pessoas, das quais 80% eram mulheres que trabalhavam na costura. Restaram, ainda, 2.500 pessoas feridas.&nbsp; Em termos de responsabiliza\u00e7\u00e3o, o propriet\u00e1rio do pr\u00e9dio foi responsabilizado penalmente. Algumas das v\u00edtimas foram indenizadas por corpora\u00e7\u00f5es da ind\u00fastria t\u00eaxtil, com valores por volta de 200 d\u00f3lares por fam\u00edlia, contudo era obriga\u00e7\u00e3o dos parentes conseguir provas de DNA. Uma das respostas constru\u00eddas ao caso, pela comunidade internacional, foi o Acordo sobre Seguran\u00e7a de F\u00e1brica e Predial em Bangladesh. Das 29 marcas identificadas com produtos das f\u00e1bricas do edif\u00edcio, apenas 9 participaram das negocia\u00e7\u00f5es e da assinatura do acordo, e somente 7 contribu\u00edram para o Fundo Fiduci\u00e1rio do Doador Rana Plaza apoiado pela Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT).&nbsp; Como o desastre de Bangladesh, v\u00e1rios setores da ind\u00fastria operam dessa forma cotidianamente, evidenciando que n\u00e3o foi um caso eventual, mas \u00e9 estruturante do sistema. As grandes corpora\u00e7\u00f5es t\u00eam ditado a l\u00f3gica econ\u00f4mica centradas na maximiza\u00e7\u00e3o de seus lucros, por meio do estabelecimento de condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de trabalho, da promo\u00e7\u00e3o da informalidade dos trabalhadores e das trabalhadoras, da exig\u00eancia de extensas jornadas de trabalho, entre outros. S\u00e3o elas que acumulam todo o lucro gerado ao longo da extra\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os, acumulando o dom\u00ednio, cada vez mais intenso, dos territ\u00f3rios e o controle da vida. Contam ainda com a constitui\u00e7\u00e3o de um minucioso sistema de prote\u00e7\u00e3o de seus direitos por meio da captura corporativa, dos tratados de livre-com\u00e9rcio e das comiss\u00f5es de arbitragem internacional, compondo a arquitetura da impunidade corporativa global.&nbsp; Contra o sil\u00eancio que o tempo poderia dar a essa hist\u00f3ria, a Marcha Mundial de Mulheres (MMM) escolheu o dia 24 de abril como dia de a\u00e7\u00e3o global pela solidariedade contra o poder das corpora\u00e7\u00f5es sobre o trabalho das mulheres, seus corpos e suas vidas. Sendo um dia de luta para desnaturalizar a impunidade, ao colocar rosto e nome nos agentes do mercado que causam viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos, ao evidenciar a gravidade do controle do poder por parte das empresas transnacionais e em promover a defesa da natureza, da vida digna, do trabalho justo e livre de superexplora\u00e7\u00e3o. As a\u00e7\u00f5es pensadas escracham a hipocrisia da responsabilidade social corporativa, ao passo que constroem exemplos concretos de alternativas ao neoliberalismo, ao organizar processos de constru\u00e7\u00e3o de soberanias centrados no direcionamento de uma economia para a vida.&nbsp; No dia 24 de abril deste ano, est\u00e1 inclu\u00edda tamb\u00e9m a den\u00fancia da guerra e de quem se beneficia com ela. O custo de vida no Brasil aumentou exponencialmente nos \u00faltimos anos, levando centenas de mulheres a perderem seus trabalhos e se encontrarem sem condi\u00e7\u00f5es de moradia digna, sobrecarregadas pelas tarefas de cuidado. A solu\u00e7\u00e3o neoliberal para a crise \u00e9 o aumento do autoritarismo e o avan\u00e7o fascista, expresso na guerra \u201ccontra o narcotr\u00e1fico\u201d e na viol\u00eancia da flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o protetiva ambiental para extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios e expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola. Por tr\u00e1s dessas pol\u00edticas est\u00e3o empresas transnacionais se beneficiando das pol\u00edticas de \u201causteridade\u201d e destrui\u00e7\u00e3o ambiental. Assim, neste 24 de abril de 2022 as a\u00e7\u00f5es s\u00e3o para recordar que existem alternativas \u00e0 guerra e que tais crises sistem\u00e1ticas podem ser superadas por meio da solidariedade de classe, com promo\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a para todos. \u00c9 poss\u00edvel construir um mundo no qual todas as mulheres e territ\u00f3rios sejam livres, sem destruir o planeta. Por onde vamos com esperan\u00e7a: solidariedade feminista em a\u00e7\u00e3o No m\u00eas de mar\u00e7o um importante passo para a responsabiliza\u00e7\u00e3o das empresas foi dado no Brasil com o PL 572\/2022, que prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de um marco nacional de empresas e direitos humanos. Cl\u00e1udia \u00c1vila, coordenadora nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), avalia que o PL \u00e9 uma ferramenta importante para efetivar a aplica\u00e7\u00e3o dos mecanismos de responsabiliza\u00e7\u00e3o c\u00edvel criminal e administrativa de prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos n\u00e3o s\u00f3 no \u00e2mbito da repara\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m, e principalmente, para preven\u00e7\u00e3o das viola\u00e7\u00f5es de direito. Em sua justificativa, o projeto reconhece a assimetria e os impactos da atua\u00e7\u00e3o de empresas na vida das mulheres, bem como prev\u00ea mecanismos que podem representar mudan\u00e7as estruturais no acesso \u00e0 justi\u00e7a para atingidas. A urg\u00eancia de um PL \u00e9 para evitar casos como da concess\u00e3o do Aeroporto Salgado Filho \u00e0 Fraport, em Porto Alegre (RS), no qual para amplia\u00e7\u00e3o da pista do aeroporto removeu, sem nenhuma escuta, nenhuma participa\u00e7\u00e3o ou chance de escolha da comunidade cerca de 2.000 fam\u00edlias da Vila Nazar\u00e9 para local distante, em moradias n\u00e3o condizentes com a realidade<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":4270,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[603,1832,492,7,1834,1844],"tags":[],"class_list":["post-4249","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-brasil-de-fato","category-economia-popular-e-feminista","category-justica-de-genero-e-desmantelamento-do-patriarcado","category-justica-economica","category-pl572-22","category-sustentibilidade-da-vida"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4249","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4249"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4249\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9651,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4249\/revisions\/9651"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4270"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4249"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4249"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4249"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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