{"id":4233,"date":"2022-04-20T16:14:41","date_gmt":"2022-04-20T19:14:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=4233"},"modified":"2025-06-16T15:24:13","modified_gmt":"2025-06-16T18:24:13","slug":"retomada-guarani-e-fruto-das-raizes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=4233","title":{"rendered":"Retomada Guarani da Ponta do Arado em Porto Alegre (RS) constr\u00f3i sua casa de reza e fortalece sua cultura e tradi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>Apesar dos constantes reveses, a constru\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o de conex\u00e3o com a espiritualidade traz os Mby\u00e1 Guarani para dentro de sua cultura e tradi\u00e7\u00e3o. Pelo fim da injusti\u00e7a contra aqueles que chegaram primeiro na Ponta do Arado Velho!<\/em><br \/><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:left\"><p style=\"text-align:justify\"> Entre idas e vindas, a \u00e1rea da fazenda do Arado Velho \u00e9 territ\u00f3rio Mby\u00e1 Guarani. Apesar do modelo econ\u00f4mico neoliberal que prioriza as privatiza\u00e7\u00f5es estar tomando o espa\u00e7o, a resist\u00eancia se mant\u00e9m forte.&nbsp; No m\u00eas de junho de 2022, fecham quatro anos de Retomada Guarani em meio \u00e0s terras ocupadas. Em 2018, o local contava com tr\u00eas fam\u00edlias e hoje existe uma parentela, composta por sete fam\u00edlias. A situa\u00e7\u00e3o judicial que se coloca atualmente \u00e9 a mesma de antes do in\u00edcio da pandemia da COVID-19. Os ju\u00edzes desembargadores da Justi\u00e7a Federal s\u00e3o os respons\u00e1veis por tomar a decis\u00e3o final sobre a situa\u00e7\u00e3o dos Mby\u00e1 Guaran\u00ed. O questionamento que fica \u00e9: at\u00e9 quando os Mby\u00e1 ficar\u00e3o nas areias da Ponta do Arado Velho esperando o processo de demarca\u00e7\u00e3o territorial? <\/p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"429\" src=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-04-18-at-19.48.01-3-768x429_pix.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4349\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-04-18-at-19.48.01-3-768x429_pix.png 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-04-18-at-19.48.01-3-768x429_pix-300x168.png 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-04-18-at-19.48.01-3-768x429_pix-500x279.png 500w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption> Crian\u00e7as guaranis brincam na orla do Gua\u00edba, nas areias da retomada. Foto: Carmem Guardiola <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Hoje, as fam\u00edlias que residem no territ\u00f3rio vivem um cotidiano colorido pela ancestralidade, por um presente vivido em sua pot\u00eancia m\u00e1xima da manuten\u00e7\u00e3o de um modo de viver que lhes confere autonomia cultural. Por estes e outros motivos, o apoio de aliados \u00e0 causa do povo Guarani no decorrer dos \u00faltimos anos tem possibilitado uma maior sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a e apoio por parte do povo atingido. Ap\u00f3s momentos de risco de morte e recorrentes amea\u00e7as voltadas para a desestabiliza\u00e7\u00e3o emocional dos ind\u00edgenas, se tornou essencial o trabalho em prol de sua seguran\u00e7a. Para tanto, a comunidade amiga e a organiza\u00e7\u00e3o Amigos da Terra Brasil v\u00eam atuando continuamente na instala\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de sistemas fotovoltaicos com pain\u00e9is solares, voltados para a gera\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia. O que proporciona aos Guarani uma maior seguran\u00e7a, l\u00e2mpadas quando estas se fazem necess\u00e1rias e comunica\u00e7\u00e3o com aliados. Entre outros projetos, foi instalado um sistema de capta\u00e7\u00e3o e tratamento de \u00e1gua do Gua\u00edba. Esta infraestrutura de ra\u00edzes fortes que auxilia os ind\u00edgenas diante das tentativas permanentes de desterritorializa\u00e7\u00e3o e o conv\u00edvio com familiares, vai trazendo aos poucos o sentimento de aldeia, o <em>teko\u00e1<\/em>, espa\u00e7o para ser um Mby\u00e1. Neste \u201cterrit\u00f3rio\u201d n\u00e3o podem faltar os encontros com <em>Nhanderu Mirim, <\/em>os deuses menores, n<em>a Opy\u2019i, <\/em>a casa de liga\u00e7\u00e3o com os deuses, casa de concentra\u00e7\u00e3o, casa de \u201creza\u201d, espa\u00e7o de contato com a espiritualidade. Na <em>Opy\u2019i, <\/em>al\u00e9m dos encontros com<em> Nhanderu Mirim, <\/em>o conhecimento dos ancestrais se faz na celebra\u00e7\u00e3o de eventos que fortalecem o modo de ser <em>Mby\u00e1.<\/em><\/p><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Desde o in\u00edcio das invas\u00f5es neste territ\u00f3rio orquestradas&nbsp; pelos colonizadores, o local se tornou palco de hist\u00f3rias de tristeza, perdas de parentes, doen\u00e7as, perda de autonomia, escravid\u00e3o, perda de territ\u00f3rios, desestrutura\u00e7\u00e3o emocional e sobretudo, de tentativas de apagamento da heran\u00e7a cultural dos Guarani. As lutas desiguais os levaram \u00e0 busca por terras e por autonomia por meio das leis dos n\u00e3o ind\u00edgenas. Na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, esses povos conseguiram garantir, por meio de instrumentos jur\u00eddicos ocidentais, alguns direitos b\u00e1sicos. Entre eles, o direito a viverem conforme seus costumes e tradi\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m direito \u00e0 sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o diferenciados.<br \/><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-18-at-19.48.01-4-1024x570.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4235\"\/><figcaption> Guarani reunidos em frente \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da <em>Opy\u2019i. <\/em>Foto: Carmem Guardiola <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\"> Apesar dos recentes avan\u00e7os, a situa\u00e7\u00e3o dos Guarani na Ponta do Arado j\u00e1 vem complicada desde que a ideia de <a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2021\/07\/22\/porto-alegre-projeto-de-bairro-planejado-na-fazenda-do-arado-velho-avanca-em-meio-a-pandemia\/\"><strong>constru\u00e7\u00e3o de um bairro planejado<\/strong><\/a> na Fazenda do Arado Velho come\u00e7ou. Mesmo os \u00f3rg\u00e3os tendo identificado <a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2020\/12\/02\/audiencia-publica-da-camara-de-porto-alegre-volta-a-discutir-projeto-ajuizado-da-fazenda-arado-velho\/\"><strong>inconsist\u00eancias t\u00e9cnicas no Estudo de Impacto Ambiental (EIA-RIMA)<\/strong><\/a><strong> <\/strong>apresentado pela Arado Empreendimentos Imobili\u00e1rios Ltda, propriet\u00e1ria da fazenda e respons\u00e1vel pelo empreendimento, o prefeito Sebasti\u00e3o Melo moveu montanhas para tirar o bairro do papel. Essa constru\u00e7\u00e3o acarretaria a entrada de condom\u00ednios de luxo na \u00e1rea. Isso mobilizou a implanta\u00e7\u00e3o de um sistema de capta\u00e7\u00e3o e tratamento de \u00e1gua, o <a href=\"https:\/\/prefeitura.poa.br\/dmae\/noticias\/comeca-primeira-obra-do-novo-sistema-ponta-do-arado\"><strong>Sistema de Abastecimento de \u00c1gua<\/strong><\/a> (SAA) Ponta do Arado, uma adutora subaqu\u00e1tica de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua bruta supostamente pensado para melhorar o abastecimento para Bel\u00e9m Novo e arredores. O conjunto de sete obras, sendo de grande relev\u00e2ncia tamb\u00e9m a Esta\u00e7\u00e3o de Tratamento de \u00c1gua (ETA) Ponta do Arado, tem previs\u00e3o de serem conclu\u00eddas em 2024. No pouco tempo de atua\u00e7\u00e3o dessas obras, o desgaste e os estragos feitos no cotidiano dos Guarani&nbsp; j\u00e1 s\u00e3o vis\u00edveis. <a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2021\/06\/18\/apos-3-anos-retomada-mbya-guarani-de-porto-alegre-tem-acesso-a-agua-potavel\/\"><strong>Em 2021<\/strong><\/a>, tr\u00eas anos ap\u00f3s o in\u00edcio da retomada das terras ancestrais pelos Mby\u00e1 Guarani da Ponta do Arado, ocorrida em 15 de junho de 2018, os ind\u00edgenas tiveram finalmente acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e adquiriram <a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/tag\/ponta-do-arado\/\"><strong>autonomia energ\u00e9tica<\/strong><\/a>.&nbsp;<br \/><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-19-at-11.05.59-1-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4236\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-19-at-11.05.59-1-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-19-at-11.05.59-1-300x169.jpeg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-19-at-11.05.59-1-768x432.jpeg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-19-at-11.05.59-1-500x281.jpeg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-19-at-11.05.59-1-800x450.jpeg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-19-at-11.05.59-1.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption> B\u00f3ias colocadas pela prefeitura no trecho de travessia Guarani sem nenhuma explica\u00e7\u00e3o. Foto:&nbsp; Carmem Guardiola <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Hoje em dia, os Mby\u00e1 continuam desassistidos pela prefeitura. Segundo a cientista social Carmem Guardiola, pesquisadora do LAE\/UFRGS (Laborat\u00f3rio de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul), que acompanha a situa\u00e7\u00e3o dos Guarani desde a retomada em 2018, \u201cO que acontece ali na \u00e1rea \u00e9 uma arrog\u00e2ncia racista por parte da administra\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio de Porto Alegre. Ela n\u00e3o se comunica com os Guarani da Retomada que navegam pelas \u00e1guas, e este fato \u00e9 conhecido por todos na regi\u00e3o. A administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o entrou em contato com as comunidades, tanto com os Mbya quanto com os pescadores que ali mantinham uma rotina de navega\u00e7\u00e3o. O processo de trabalho para a constru\u00e7\u00e3o da obra do DMAE, nas \u00e1guas, n\u00e3o foi esclarecido. B\u00f3ias s\u00e3o colocadas em diversos lugares, variando de localiza\u00e7\u00e3o e os Mbya n\u00e3o sabem o que elas sinalizam.. Foram colocadas pequenas placas na praia dizendo que \u00e9 proibido o acesso devido ao perigo\u201d. Ela explica que aquelas boias v\u00e3o trocando de lugar e a terra tamb\u00e9m. Assim, n\u00e3o se tem conhecimento do que acontece ali, e Guardiola observa que \u201cn\u00e3o tem ningu\u00e9m da prefeitura disposto a explicar o processo\u201d.&nbsp;<br \/><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"570\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-19-at-19.46.42-1-1024x570.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4237\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-19-at-19.46.42-1-1024x570.jpeg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-19-at-19.46.42-1-300x167.jpeg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-19-at-19.46.42-1-768x427.jpeg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-19-at-19.46.42-1-500x278.jpeg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-19-at-19.46.42-1-800x445.jpeg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-04-19-at-19.46.42-1.jpeg 1071w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption> Draga trabalhando na beira&nbsp; da prainha de Copacabana. Foto: Carmem Guardiola <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"text-align:left\"><p style=\"text-align:justify\">Em conversas realizadas na Ponta do Arado (investiga\u00e7\u00f5es entre os moradores), a cientista social descobriu que \u201ca draga faz um buraco enorme para coloca\u00e7\u00e3o de canos que v\u00e3o levar a \u00e1gua at\u00e9 a esta\u00e7\u00e3o de tratamento. Essa areia que eles deslocam \u00e9 jogada para um lugar, depois colocam o cano e cobrem de areia. Mas ela fica muito na superf\u00edcie, fiquei sabendo que deu preju\u00edzo para alguns pescadores ali, porque bateram seus motores nessa areia.\u201d Em meio ao caos, os Guarani arranjaram um jeito. Eles n\u00e3o est\u00e3o deixando de fazer a travessia, fazem a passagem indo por onde eles acham que podem ir, ou seja, onde n\u00e3o tem boias. Eles atracam em um outro lugar ao lado da prainha de Copacabana onde podem atracar. Fica a reflex\u00e3o, pois o descaso \u00e9 ainda mais vis\u00edvel dado que hoje, \u00e9 de conhecimento geral que os Guarani \u201cmoram ali na Ponta do Arado e transitam bastante, inclusive agora tem adolescentes Mby\u00e1 indo e voltando da escola todos os dias.\u201d<\/p><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:left\"><p style=\"text-align:justify\">Hoje, a retomada dos Guarani se d\u00e1 pelas m\u00e3os do cacique Mby\u00e1 Guarani Tim\u00f3teo Karai Mirim, personagem central na atual retomada. Esta semana, Tim\u00f3teo ergue sua <em>Opy\u2019i<\/em>, casa de reza, que deve chamar o <em>koku\u00e9, <\/em>a ro\u00e7a,<em> <\/em>planta\u00e7\u00e3o de sementes e alimentos sagrados. Na Retomada do Arado Velho a comunidade ergue a <em>Opy\u2019i, <\/em>com ela deve vir o<em> koku\u00e9, <\/em>mas tamb\u00e9m educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade diferenciadas. <br \/><\/p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Confira a entrevista com o cacique Tim\u00f3teo Kara\u00ed Mirim:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Confira a entrevista com o cacique Guarani Tim\u00f3teo Karai Mirim da retomada Ponta do Arado\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WJd0oNvA5Zo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar dos constantes reveses, a constru\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o de conex\u00e3o com a espiritualidade traz os Mby\u00e1 Guarani para dentro de sua cultura e tradi\u00e7\u00e3o. Pelo fim da injusti\u00e7a contra aqueles que chegaram primeiro na Ponta do Arado Velho! Entre idas e vindas, a \u00e1rea da fazenda do Arado Velho \u00e9 territ\u00f3rio Mby\u00e1 Guarani. Apesar do modelo econ\u00f4mico neoliberal que prioriza as privatiza\u00e7\u00f5es estar tomando o espa\u00e7o, a resist\u00eancia se mant\u00e9m forte.&nbsp; No m\u00eas de junho de 2022, fecham quatro anos de Retomada Guarani em meio \u00e0s terras ocupadas. Em 2018, o local contava com tr\u00eas fam\u00edlias e hoje existe uma parentela, composta por sete fam\u00edlias. A situa\u00e7\u00e3o judicial que se coloca atualmente \u00e9 a mesma de antes do in\u00edcio da pandemia da COVID-19. Os ju\u00edzes desembargadores da Justi\u00e7a Federal s\u00e3o os respons\u00e1veis por tomar a decis\u00e3o final sobre a situa\u00e7\u00e3o dos Mby\u00e1 Guaran\u00ed. O questionamento que fica \u00e9: at\u00e9 quando os Mby\u00e1 ficar\u00e3o nas areias da Ponta do Arado Velho esperando o processo de demarca\u00e7\u00e3o territorial? Hoje, as fam\u00edlias que residem no territ\u00f3rio vivem um cotidiano colorido pela ancestralidade, por um presente vivido em sua pot\u00eancia m\u00e1xima da manuten\u00e7\u00e3o de um modo de viver que lhes confere autonomia cultural. Por estes e outros motivos, o apoio de aliados \u00e0 causa do povo Guarani no decorrer dos \u00faltimos anos tem possibilitado uma maior sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a e apoio por parte do povo atingido. Ap\u00f3s momentos de risco de morte e recorrentes amea\u00e7as voltadas para a desestabiliza\u00e7\u00e3o emocional dos ind\u00edgenas, se tornou essencial o trabalho em prol de sua seguran\u00e7a. Para tanto, a comunidade amiga e a organiza\u00e7\u00e3o Amigos da Terra Brasil v\u00eam atuando continuamente na instala\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de sistemas fotovoltaicos com pain\u00e9is solares, voltados para a gera\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia. O que proporciona aos Guarani uma maior seguran\u00e7a, l\u00e2mpadas quando estas se fazem necess\u00e1rias e comunica\u00e7\u00e3o com aliados. Entre outros projetos, foi instalado um sistema de capta\u00e7\u00e3o e tratamento de \u00e1gua do Gua\u00edba. Esta infraestrutura de ra\u00edzes fortes que auxilia os ind\u00edgenas diante das tentativas permanentes de desterritorializa\u00e7\u00e3o e o conv\u00edvio com familiares, vai trazendo aos poucos o sentimento de aldeia, o teko\u00e1, espa\u00e7o para ser um Mby\u00e1. Neste \u201cterrit\u00f3rio\u201d n\u00e3o podem faltar os encontros com Nhanderu Mirim, os deuses menores, na Opy\u2019i, a casa de liga\u00e7\u00e3o com os deuses, casa de concentra\u00e7\u00e3o, casa de \u201creza\u201d, espa\u00e7o de contato com a espiritualidade. Na Opy\u2019i, al\u00e9m dos encontros com Nhanderu Mirim, o conhecimento dos ancestrais se faz na celebra\u00e7\u00e3o de eventos que fortalecem o modo de ser Mby\u00e1. Desde o in\u00edcio das invas\u00f5es neste territ\u00f3rio orquestradas&nbsp; pelos colonizadores, o local se tornou palco de hist\u00f3rias de tristeza, perdas de parentes, doen\u00e7as, perda de autonomia, escravid\u00e3o, perda de territ\u00f3rios, desestrutura\u00e7\u00e3o emocional e sobretudo, de tentativas de apagamento da heran\u00e7a cultural dos Guarani. As lutas desiguais os levaram \u00e0 busca por terras e por autonomia por meio das leis dos n\u00e3o ind\u00edgenas. Na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, esses povos conseguiram garantir, por meio de instrumentos jur\u00eddicos ocidentais, alguns direitos b\u00e1sicos. Entre eles, o direito a viverem conforme seus costumes e tradi\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m direito \u00e0 sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o diferenciados. Apesar dos recentes avan\u00e7os, a situa\u00e7\u00e3o dos Guarani na Ponta do Arado j\u00e1 vem complicada desde que a ideia de constru\u00e7\u00e3o de um bairro planejado na Fazenda do Arado Velho come\u00e7ou. Mesmo os \u00f3rg\u00e3os tendo identificado inconsist\u00eancias t\u00e9cnicas no Estudo de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) apresentado pela Arado Empreendimentos Imobili\u00e1rios Ltda, propriet\u00e1ria da fazenda e respons\u00e1vel pelo empreendimento, o prefeito Sebasti\u00e3o Melo moveu montanhas para tirar o bairro do papel. Essa constru\u00e7\u00e3o acarretaria a entrada de condom\u00ednios de luxo na \u00e1rea. Isso mobilizou a implanta\u00e7\u00e3o de um sistema de capta\u00e7\u00e3o e tratamento de \u00e1gua, o Sistema de Abastecimento de \u00c1gua (SAA) Ponta do Arado, uma adutora subaqu\u00e1tica de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua bruta supostamente pensado para melhorar o abastecimento para Bel\u00e9m Novo e arredores. O conjunto de sete obras, sendo de grande relev\u00e2ncia tamb\u00e9m a Esta\u00e7\u00e3o de Tratamento de \u00c1gua (ETA) Ponta do Arado, tem previs\u00e3o de serem conclu\u00eddas em 2024. No pouco tempo de atua\u00e7\u00e3o dessas obras, o desgaste e os estragos feitos no cotidiano dos Guarani&nbsp; j\u00e1 s\u00e3o vis\u00edveis. Em 2021, tr\u00eas anos ap\u00f3s o in\u00edcio da retomada das terras ancestrais pelos Mby\u00e1 Guarani da Ponta do Arado, ocorrida em 15 de junho de 2018, os ind\u00edgenas tiveram finalmente acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e adquiriram autonomia energ\u00e9tica.&nbsp; Hoje em dia, os Mby\u00e1 continuam desassistidos pela prefeitura. Segundo a cientista social Carmem Guardiola, pesquisadora do LAE\/UFRGS (Laborat\u00f3rio de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul), que acompanha a situa\u00e7\u00e3o dos Guarani desde a retomada em 2018, \u201cO que acontece ali na \u00e1rea \u00e9 uma arrog\u00e2ncia racista por parte da administra\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio de Porto Alegre. Ela n\u00e3o se comunica com os Guarani da Retomada que navegam pelas \u00e1guas, e este fato \u00e9 conhecido por todos na regi\u00e3o. A administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o entrou em contato com as comunidades, tanto com os Mbya quanto com os pescadores que ali mantinham uma rotina de navega\u00e7\u00e3o. O processo de trabalho para a constru\u00e7\u00e3o da obra do DMAE, nas \u00e1guas, n\u00e3o foi esclarecido. B\u00f3ias s\u00e3o colocadas em diversos lugares, variando de localiza\u00e7\u00e3o e os Mbya n\u00e3o sabem o que elas sinalizam.. Foram colocadas pequenas placas na praia dizendo que \u00e9 proibido o acesso devido ao perigo\u201d. Ela explica que aquelas boias v\u00e3o trocando de lugar e a terra tamb\u00e9m. Assim, n\u00e3o se tem conhecimento do que acontece ali, e Guardiola observa que \u201cn\u00e3o tem ningu\u00e9m da prefeitura disposto a explicar o processo\u201d.&nbsp; Em conversas realizadas na Ponta do Arado (investiga\u00e7\u00f5es entre os moradores), a cientista social descobriu que \u201ca draga faz um buraco enorme para coloca\u00e7\u00e3o de canos que v\u00e3o levar a \u00e1gua at\u00e9 a esta\u00e7\u00e3o de tratamento. Essa areia que eles deslocam \u00e9 jogada para um lugar, depois colocam o cano e cobrem de areia. Mas ela fica muito na superf\u00edcie, fiquei sabendo que deu preju\u00edzo para alguns pescadores ali, porque bateram seus motores nessa areia.\u201d Em meio ao caos, os Guarani arranjaram um<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":4235,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[602,1837,5,1835],"tags":[],"class_list":["post-4233","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-justica-ambiental-nas-cidades","category-retomadas-e-direito-a-cidade","category-soberania-alimentar","category-saeb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4233","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4233"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4233\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9652,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4233\/revisions\/9652"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4235"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4233"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4233"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4233"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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