{"id":4163,"date":"2022-04-01T10:55:13","date_gmt":"2022-04-01T13:55:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=4163"},"modified":"2025-06-16T15:25:25","modified_gmt":"2025-06-16T18:25:25","slug":"a-pulverizacao-de-agrotoxicos-entra-novamente-em-embate-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=4163","title":{"rendered":"Deriva em assentamentos no RS: a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos entra novamente em debate"},"content":{"rendered":"\n<p><em>II Semin\u00e1rio \u201cPol\u00edgonos de Exclus\u00e3o de Pulveriza\u00e7\u00e3o A\u00e9rea\u201c apresenta manifesto contra a impunidade ao agroneg\u00f3cio e refor\u00e7a a luta para garantir a produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis, sem veneno, e proteger a biodiversidade e a popula\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o de Nova Santa Rita e Eldorado do Sul, na regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre (RS).<\/em><br \/><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-03-31-at-14.51.18-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4164\"\/><figcaption> O Semin\u00e1rio contou com a presen\u00e7a de movimentos sociais, produtores agroecol\u00f3gicos atingidos e diversas entidades do \u00e1rea socioambiental. Foto: Graciela Stornini de Almeida<br \/><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Na segunda-feira (28\/03), aconteceu em Porto Alegre, na sede da AABB (Associa\u00e7\u00e3o Atl\u00e9tica Banco do Brasil), ap\u00f3s longos dois anos de pandemia que restringiram os eventos ao universo online, o II Semin\u00e1rio \u201cPol\u00edgonos de Exclus\u00e3o de Pulveriza\u00e7\u00e3o A\u00e9rea&#8221;. Movimentos sociais, produtores agroecol\u00f3gicos atingidos&nbsp; pela pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos ocorrida nas cidades de Nova Santa Rita e Eldorado do Sul e um coletivo de entidades reafirmaram a necessidade da execu\u00e7\u00e3o de medidas concretas para eliminar a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos no Rio Grande do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2022\/03\/03\/queremos-justica-deriva-de-pulverizacao-aerea-com-agrotoxico-em-plantio-organico-em-assentamento-em-nova-santa-rita-rs-completa-1-ano\/\">Tudo come\u00e7ou em 2020<\/a>, quando pequenos agricultores agroecol\u00f3gicos dos assentamentos Itapu\u00ed, Santa Rita de C\u00e1ssia II, Irga e Integra\u00e7\u00e3o Ga\u00facha foram atingidos pela deriva de agrot\u00f3xicos pulverizados por avi\u00f5es agr\u00edcolas nas lavouras de arroz convencional na regi\u00e3o de Nova Santa Rita e Eldorado do Sul. Os venenos&nbsp; afetaram n\u00e3o s\u00f3 os alimentos, mas tamb\u00e9m os animais, a sa\u00fade dos agricultores que se encontravam no campo naquele momento e a popula\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o p\u00f4de consumir os produtos agroecol\u00f3gicos comercializados nas feiras. A deriva e atentados contra os assentados colocaram em pauta a defici\u00eancia na fiscaliza\u00e7\u00e3o do uso de agrot\u00f3xicos no Brasil, assim como o descaso com o trabalhador do campo, com o meio ambiente e com o pr\u00f3prio cidad\u00e3o consumidor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o primeiro ataque em 2020 muitas conquistas foram obtidas pelas comunidades afetadas, as quais&nbsp; derivam de 4 fatores fundamentais: o primeiro \u00e9 a coragem das fam\u00edlias de fazer a den\u00fancia. Al\u00e9m de perderem parte da produ\u00e7\u00e3o, foram&nbsp; praticamente proibidas de venderem seus produtos como agroecol\u00f3gicos devido \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o por conta da pulveriza\u00e7\u00e3o com veneno, ent\u00e3o tinham muito medo de se expor. O segundo aspecto \u00e9 o de que essas fam\u00edlias s\u00e3o certificadas, elas t\u00eam o selo que \u00e9 protegido pela Lei Nacional, ent\u00e3o a partir do momento que se tem esse selo de produtor org\u00e2nico e se \u00e9 reconhecido assim, \u00e9 necess\u00e1rio que o Estado proteja essas fam\u00edlias, que existam pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o. \u201cSe n\u00e3o fosse certificado, n\u00e3o se poderia ter acionado o Minist\u00e9rio da Agricultura, respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, n\u00e3o se teria encaminhado as amostras de alimentos para an\u00e1lise, as quais comprovaram a presen\u00e7a dos agrot\u00f3xicos\u201d, argumentou \u00c1lvaro Delatorre, do setor de produ\u00e7\u00e3o do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro aspecto \u00e9 que essas fam\u00edlias fazem parte de movimentos sociais, est\u00e3o vinculadas ao MST, que tem uma trajet\u00f3ria muito importante pela agroecologia e pelos direitos sociais. Se elas n\u00e3o fossem membros do movimento, provavelmente teriam ainda mais medo de falar. O quarto ponto \u00e9 a capacidade que a sociedade teve de perceber que essa n\u00e3o era uma luta s\u00f3 das fam\u00edlias e do movimento, mas uma luta de todos. Enquanto as terras brasileiras recebem uma enxurrada de pulveriza\u00e7\u00e3o de qu\u00edmicos em suas planta\u00e7\u00f5es, o continente europeu, por exemplo, proibiu esta atividade j\u00e1 h\u00e1 cerca de 13 anos, em 2009.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com a proibi\u00e7\u00e3o colocada em&nbsp; pr\u00e1tica pela Justi\u00e7a Federal, o despejo ilegal de agrot\u00f3xicos aconteceu mais de uma vez s\u00f3 na regi\u00e3o pr\u00f3xima ao Assentamento Santa Rita de C\u00e1ssia II, isso sem contar no resto do pa\u00eds. A impunidade&nbsp; atinge diretamente a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica dos pequenos agricultores e, consequentemente, afeta o sustento econ\u00f4mico das fam\u00edlias, al\u00e9m de provocar danos ao solo, ao meio ambiente, animais, \u00e0 sa\u00fade dos moradores e \u00e0 \u00e1gua, assim poluindo as nascentes, como no caso do Delta do Jacu\u00ed.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em novembro de 2021, a <a href=\"https:\/\/www.extraclasse.org.br\/ambiente\/2021\/11\/justica-proibe-pulverizacao-aerea-de-agrotoxicos-em-terras-vizinhas-a-plantio-organicos-do-mst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"9\u00aa Vara Federal  (abre numa nova aba)\">9\u00aa Vara Federal <\/a>de Porto Alegre deferiu a liminar com a proibi\u00e7\u00e3o da pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea pr\u00f3xima ao assentamento Santa Rita de C\u00e1ssia II e pediu indeniza\u00e7\u00e3o para as fam\u00edlias de camponeses assentados do MST. Contudo, ignorando a decis\u00e3o judicial, mais um atentado foi cometido pelo agroneg\u00f3cio na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o de 2021, poucos dias ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da liminar, avi\u00f5es zumbiram como abelhas, sobrevoaram e pousaram sobre os locais anteriormente atingidos. \u201cDe novembro a dezembro de 2021 foi o tempo no qual realmente se fizeram coletas e amostras dos materiais, mesmo com toda a dificuldade de documentar o uso dos agrot\u00f3xicos, mas isso foi essencial para comprovar tudo o que aconteceu\u201d, sublinhou o membro do Conselho Diretor da Amigos da Terra Brasil, Fernando Costa. A advogada popular da RENAP (Rede Nacional de Advogados Populares) e do setor de direitos humanos do MST, Alice Resadori, explicou:&nbsp; \u201cA partir da mobiliza\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias e da comunidade, a gente entrou com uma a\u00e7\u00e3o cautelar que tinha dois objetivos: o primeiro, que parasse de ter a deriva nos assentamentos, e o segundo era produzir provas, identificar onde tinha deriva, quais subst\u00e2ncias ocasionaram os estragos nos alimentos\u201d. Ela relata que hoje est\u00e1 efetivamente proibida a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea e terrestre de qualquer tipo de agrot\u00f3xico pelos fazendeiros da regi\u00e3o.&nbsp;<br \/><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-03-31-at-08.26.19-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4166\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-03-31-at-08.26.19-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-03-31-at-08.26.19-300x169.jpeg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-03-31-at-08.26.19-768x432.jpeg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-03-31-at-08.26.19-500x281.jpeg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-03-31-at-08.26.19-800x450.jpeg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/WhatsApp-Image-2022-03-31-at-08.26.19.jpeg 1599w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption> Foi ouvido o relato de produtoras e produtores agroecol\u00f3gicos do assentamento sobre a luta para por fim na deriva e coletar provas da pulveriza\u00e7\u00e3o e seus impactos em suas produ\u00e7\u00f5es e fam\u00edlias. Foto: Graciela Stornini de Almeida <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c9 por esses e outros motivos que a Amigos da Terra Brasil promoveu, em parceria com demais&nbsp; entidades e os assentados afetados, este&nbsp; semin\u00e1rio para discutir os pol\u00edgonos recomendados pelo of\u00edcio do Minist\u00e9rio P\u00fablico de Canoas. \u201cA Amigos da Terra tem tentado fazer este processo de levar informa\u00e7\u00e3o a todas as redes para poder semear e principalmente, colher a solidariedade, que a gente tem conseguido historicamente\u201d, disse Fernando Costa. O MP de Canoas recomenda estabelecer poligonais de exclus\u00e3o para pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos em toda a extens\u00e3o que possa afetar os mananciais de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua para abastecimento e demais recursos h\u00eddricos da regi\u00e3o. Tamb\u00e9m foi declarado que a abrang\u00eancia das poligonais de exclus\u00e3o dever\u00e1 incluir os Assentamentos Itapu\u00ed e Santa Rita de C\u00e1ssia II, bem como todos os demais assentamentos que permeiam a Zona de Amortecimento do Parque do Delta do Jacu\u00ed, al\u00e9m de toda a zona urbana do munic\u00edpio de Nova Santa Rita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O assentado de Nova Santa Rita de C\u00e1ssia II, Greisson William da Rosa, destacou que \u201co pol\u00edgono ainda n\u00e3o \u00e9 o ideal, a gente sabe que o melhor seria uma agricultura totalmente org\u00e2nica e independente, que n\u00e3o dependa de insumos de outros pa\u00edses como a R\u00fassia, por exemplo\u201d. Mesmo n\u00e3o sendo o ideal, o pol\u00edgono de exclus\u00e3o significa um avan\u00e7o frente \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual dos ataques de pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea do agroneg\u00f3cio &#8211; e tanto as fam\u00edlias quanto as organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas sabem que apenas com press\u00e3o conseguir\u00e3o tirar a recomenda\u00e7\u00e3o do MP do papel.&nbsp;<br \/><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/unnamed-3-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4167\"\/><figcaption> As a\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas do setor de direitos humanos do MST e dos advogados populares no caso foi importante para a consolida\u00e7\u00e3o contra a pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos.&nbsp; Foto: Leonardo Melgarejo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Por isso, durante a atividade foi lan\u00e7ado um manifesto em prol da responsabilidade de entidades p\u00fablicas e privadas em cumprir com suas obriga\u00e7\u00f5es e reparar os enormes danos provocados pela pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos, assim como diminuir e eliminar aos poucos o uso deles. At\u00e9 hoje (31\/03), cerca de 69 organiza\u00e7\u00f5es j\u00e1 assinaram a carta, que espera mais ades\u00f5es nos pr\u00f3ximos tempos. No <a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/opiniao\/2022\/03\/o-estado-deve-proteger-a-vida-controlando-ou-eliminando-as-pulverizacoes-com-agrotoxicos\/\">documento<\/a>, as organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas exigem, por parte dos governos e \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis, \u201cmedidas concretas para eliminar n\u00e3o s\u00f3 a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos, por meio do estabelecimento de poligonais de exclus\u00e3o de pulveriza\u00e7\u00e3o pela FEPAM (Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental), como tamb\u00e9m a fiscaliza\u00e7\u00e3o e a elimina\u00e7\u00e3o progressiva do com\u00e9rcio e o uso destes venenos que afetam a sa\u00fade, a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e o meio ambiente\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O manifesto se torna ainda mais importante no momento em que, como relatou o advogado popular da RENAP e do setor de direitos humanos do MST,&nbsp; Emiliano Maldonado, \u201cExiste uma licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o que pro\u00edbe a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea na fazenda onde se originaram os problemas e que prejudicou v\u00e1rios agricultores, independente do vento ou de sei l\u00e1 o que mais v\u00e3o inventar pra excluir a&nbsp; culpa, j\u00e1 h\u00e1 uma ilegalidade porque sequer se poderia estar levantando voo para pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea naquele local.\u201d Ele reitera que \u00e9 poss\u00edvel produzir em grande escala, alimentar o povo de forma barata e sem veneno.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, infelizmente, o sentido em que vivemos no pa\u00eds vai no sentido inverso. As corpora\u00e7\u00f5es que controlam o mercado de agrot\u00f3xicos s\u00e3o sediadas no norte global, onde a legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 cumprida e a regula\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos \u00e9 inclusive muito r\u00edgida. Exatamente por este motivo, elas buscam se popularizar onde h\u00e1 menos regula\u00e7\u00e3o, como no Brasil. Por fim, vale destacar a fala de Irma Ostroski, membro de uma das fam\u00edlias atingidas pela deriva e assentada: \u201cA gente ficava torcendo pra n\u00e3o chover, porque depois que chovia, as coisas morriam, se retorciam. O nosso problema \u00e9 maior do que s\u00f3 o veneno que cai quando o avi\u00e3o passa, \u00e9 o que cai, mas aquele que fica ali incomodando tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O agroneg\u00f3cio n\u00e3o luta pela vida, mas sim pela morte, e esta \u00e9 a principal diferen\u00e7a entre eles e os movimentos sociais, que \u00e9 a luta pela vida por parte daqueles que defendem a justi\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Amigos da Terra Brasil apoia e assina o manifesto, assim como se coloca como parceira dos assentados em prol da justi\u00e7a contra a pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos! Assine voc\u00ea tamb\u00e9m e fa\u00e7a parte desta luta!&nbsp;<br \/><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/unnamed-4-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4168\"\/><figcaption> Sem medo de lutar, sem medo de plantar: agricultoras e agricultores fortalecem suas lutas e pr\u00e1ticas por um modelo de produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gico e justo para o campo e para a cidade.&nbsp; Foto: Leonardo Melgarejo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/unnamed-6-1-1024x682.jpg\" alt=\"\" data-id=\"4170\" data-link=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?attachment_id=4170\" class=\"wp-image-4170\"\/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/unnamed-5-1024x682.jpg\" alt=\"\" data-id=\"4171\" data-link=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?attachment_id=4171\" class=\"wp-image-4171\"\/><\/figure><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><em>Plateia assiste II Semin\u00e1rio Contra Pulveriza\u00e7\u00e3o A\u00e9rea.&nbsp; Foto: Leonardo Melgarejo<br \/><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>II Semin\u00e1rio \u201cPol\u00edgonos de Exclus\u00e3o de Pulveriza\u00e7\u00e3o A\u00e9rea\u201c apresenta manifesto contra a impunidade ao agroneg\u00f3cio e refor\u00e7a a luta para garantir a produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis, sem veneno, e proteger a biodiversidade e a popula\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o de Nova Santa Rita e Eldorado do Sul, na regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre (RS). Na segunda-feira (28\/03), aconteceu em Porto Alegre, na sede da AABB (Associa\u00e7\u00e3o Atl\u00e9tica Banco do Brasil), ap\u00f3s longos dois anos de pandemia que restringiram os eventos ao universo online, o II Semin\u00e1rio \u201cPol\u00edgonos de Exclus\u00e3o de Pulveriza\u00e7\u00e3o A\u00e9rea&#8221;. Movimentos sociais, produtores agroecol\u00f3gicos atingidos&nbsp; pela pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos ocorrida nas cidades de Nova Santa Rita e Eldorado do Sul e um coletivo de entidades reafirmaram a necessidade da execu\u00e7\u00e3o de medidas concretas para eliminar a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos no Rio Grande do Sul. Tudo come\u00e7ou em 2020, quando pequenos agricultores agroecol\u00f3gicos dos assentamentos Itapu\u00ed, Santa Rita de C\u00e1ssia II, Irga e Integra\u00e7\u00e3o Ga\u00facha foram atingidos pela deriva de agrot\u00f3xicos pulverizados por avi\u00f5es agr\u00edcolas nas lavouras de arroz convencional na regi\u00e3o de Nova Santa Rita e Eldorado do Sul. Os venenos&nbsp; afetaram n\u00e3o s\u00f3 os alimentos, mas tamb\u00e9m os animais, a sa\u00fade dos agricultores que se encontravam no campo naquele momento e a popula\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o p\u00f4de consumir os produtos agroecol\u00f3gicos comercializados nas feiras. A deriva e atentados contra os assentados colocaram em pauta a defici\u00eancia na fiscaliza\u00e7\u00e3o do uso de agrot\u00f3xicos no Brasil, assim como o descaso com o trabalhador do campo, com o meio ambiente e com o pr\u00f3prio cidad\u00e3o consumidor.&nbsp; Desde o primeiro ataque em 2020 muitas conquistas foram obtidas pelas comunidades afetadas, as quais&nbsp; derivam de 4 fatores fundamentais: o primeiro \u00e9 a coragem das fam\u00edlias de fazer a den\u00fancia. Al\u00e9m de perderem parte da produ\u00e7\u00e3o, foram&nbsp; praticamente proibidas de venderem seus produtos como agroecol\u00f3gicos devido \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o por conta da pulveriza\u00e7\u00e3o com veneno, ent\u00e3o tinham muito medo de se expor. O segundo aspecto \u00e9 o de que essas fam\u00edlias s\u00e3o certificadas, elas t\u00eam o selo que \u00e9 protegido pela Lei Nacional, ent\u00e3o a partir do momento que se tem esse selo de produtor org\u00e2nico e se \u00e9 reconhecido assim, \u00e9 necess\u00e1rio que o Estado proteja essas fam\u00edlias, que existam pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o. \u201cSe n\u00e3o fosse certificado, n\u00e3o se poderia ter acionado o Minist\u00e9rio da Agricultura, respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, n\u00e3o se teria encaminhado as amostras de alimentos para an\u00e1lise, as quais comprovaram a presen\u00e7a dos agrot\u00f3xicos\u201d, argumentou \u00c1lvaro Delatorre, do setor de produ\u00e7\u00e3o do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).&nbsp; O terceiro aspecto \u00e9 que essas fam\u00edlias fazem parte de movimentos sociais, est\u00e3o vinculadas ao MST, que tem uma trajet\u00f3ria muito importante pela agroecologia e pelos direitos sociais. Se elas n\u00e3o fossem membros do movimento, provavelmente teriam ainda mais medo de falar. O quarto ponto \u00e9 a capacidade que a sociedade teve de perceber que essa n\u00e3o era uma luta s\u00f3 das fam\u00edlias e do movimento, mas uma luta de todos. Enquanto as terras brasileiras recebem uma enxurrada de pulveriza\u00e7\u00e3o de qu\u00edmicos em suas planta\u00e7\u00f5es, o continente europeu, por exemplo, proibiu esta atividade j\u00e1 h\u00e1 cerca de 13 anos, em 2009.&nbsp; Mesmo com a proibi\u00e7\u00e3o colocada em&nbsp; pr\u00e1tica pela Justi\u00e7a Federal, o despejo ilegal de agrot\u00f3xicos aconteceu mais de uma vez s\u00f3 na regi\u00e3o pr\u00f3xima ao Assentamento Santa Rita de C\u00e1ssia II, isso sem contar no resto do pa\u00eds. A impunidade&nbsp; atinge diretamente a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica dos pequenos agricultores e, consequentemente, afeta o sustento econ\u00f4mico das fam\u00edlias, al\u00e9m de provocar danos ao solo, ao meio ambiente, animais, \u00e0 sa\u00fade dos moradores e \u00e0 \u00e1gua, assim poluindo as nascentes, como no caso do Delta do Jacu\u00ed.&nbsp; Em novembro de 2021, a 9\u00aa Vara Federal de Porto Alegre deferiu a liminar com a proibi\u00e7\u00e3o da pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea pr\u00f3xima ao assentamento Santa Rita de C\u00e1ssia II e pediu indeniza\u00e7\u00e3o para as fam\u00edlias de camponeses assentados do MST. Contudo, ignorando a decis\u00e3o judicial, mais um atentado foi cometido pelo agroneg\u00f3cio na regi\u00e3o. Em mar\u00e7o de 2021, poucos dias ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da liminar, avi\u00f5es zumbiram como abelhas, sobrevoaram e pousaram sobre os locais anteriormente atingidos. \u201cDe novembro a dezembro de 2021 foi o tempo no qual realmente se fizeram coletas e amostras dos materiais, mesmo com toda a dificuldade de documentar o uso dos agrot\u00f3xicos, mas isso foi essencial para comprovar tudo o que aconteceu\u201d, sublinhou o membro do Conselho Diretor da Amigos da Terra Brasil, Fernando Costa. A advogada popular da RENAP (Rede Nacional de Advogados Populares) e do setor de direitos humanos do MST, Alice Resadori, explicou:&nbsp; \u201cA partir da mobiliza\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias e da comunidade, a gente entrou com uma a\u00e7\u00e3o cautelar que tinha dois objetivos: o primeiro, que parasse de ter a deriva nos assentamentos, e o segundo era produzir provas, identificar onde tinha deriva, quais subst\u00e2ncias ocasionaram os estragos nos alimentos\u201d. Ela relata que hoje est\u00e1 efetivamente proibida a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea e terrestre de qualquer tipo de agrot\u00f3xico pelos fazendeiros da regi\u00e3o.&nbsp; \u00c9 por esses e outros motivos que a Amigos da Terra Brasil promoveu, em parceria com demais&nbsp; entidades e os assentados afetados, este&nbsp; semin\u00e1rio para discutir os pol\u00edgonos recomendados pelo of\u00edcio do Minist\u00e9rio P\u00fablico de Canoas. \u201cA Amigos da Terra tem tentado fazer este processo de levar informa\u00e7\u00e3o a todas as redes para poder semear e principalmente, colher a solidariedade, que a gente tem conseguido historicamente\u201d, disse Fernando Costa. O MP de Canoas recomenda estabelecer poligonais de exclus\u00e3o para pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos em toda a extens\u00e3o que possa afetar os mananciais de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua para abastecimento e demais recursos h\u00eddricos da regi\u00e3o. Tamb\u00e9m foi declarado que a abrang\u00eancia das poligonais de exclus\u00e3o dever\u00e1 incluir os Assentamentos Itapu\u00ed e Santa Rita de C\u00e1ssia II, bem como todos os demais assentamentos que permeiam a Zona de Amortecimento do Parque do Delta do Jacu\u00ed, al\u00e9m de toda a zona urbana do munic\u00edpio de Nova Santa Rita.&nbsp; O assentado de Nova Santa Rita de C\u00e1ssia II, Greisson William da Rosa, destacou que \u201co pol\u00edgono ainda n\u00e3o \u00e9 o ideal, a<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":4164,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,1835],"tags":[],"class_list":["post-4163","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-soberania-alimentar","category-saeb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4163","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4163"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4163\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9658,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4163\/revisions\/9658"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4164"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4163"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4163"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4163"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. 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