{"id":3982,"date":"2022-02-08T20:14:00","date_gmt":"2022-02-08T23:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=3982"},"modified":"2025-06-17T09:54:05","modified_gmt":"2025-06-17T12:54:05","slug":"por-moise-por-durval-pelas-vidas-negras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=3982","title":{"rendered":"POR MO\u00cfSE, POR DURVAL, PELAS VIDAS NEGRAS"},"content":{"rendered":"\n<p> <em>Ato do dia 5 de Fevereiro marca a luta contra o racismo e pelo fim dos assassinatos a pessoas negras<\/em> <br \/><\/p>\n\n\n\n<p>\tNo dia 24 de janeiro de 2022, o congol\u00eas <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/brasil\/2022\/02\/4982937-assassinos-de-moise-karbamgabe-responderao-por-duplo-homicidio.html\">Mo\u00efse Kabagambe<\/a>, de 24 anos, foi brutalmente espancado at\u00e9 a morte por tr\u00eas homens no quiosque Tropic\u00e1lia, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Os assassinos respondem por homic\u00eddio doloso duplamente qualificado, pois houve inten\u00e7\u00e3o de matar e a v\u00edtima foi impossibilitada de se defender. O jovem sofreu pauladas, golpes de taco de beisebol,&nbsp; foi amarrado e sufocado. Ap\u00f3s grande repercuss\u00e3o do caso, no dia 5 de fevereiro, as cidades de Porto Alegre, Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e mais 30 outras pelo pa\u00eds se somaram em atos contra o racismo e por justi\u00e7a \u00e0 Mo\u00efse e a Durval.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Orla Rio, concession\u00e1ria respons\u00e1vel pela opera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de mais de 300 quiosques localizados nas praias do Rio de Janeiro, decidiu conceder \u00e0 fam\u00edlia de Mo\u00efse , o quiosque no qual ele trabalhava, para que pudessem tocar seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio. Contudo, hoje, dia 8 de fevereiro, <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/noticia\/2022\/02\/08\/dono-de-quiosque-prometido-a-familia-de-moise-diz-que-pretende-continuar-no-local.ghtml\">o atual dono do empreendimento, Celso Carnaval<\/a>, de 81 anos, diz que pretende continuar como operador do local: \u201cVou devolver o que?\u201d. O referido quiosque \u00e9 alvo de processo judicial desde Junho de 2021 que envolve a concession\u00e1ria e Carnaval, no qual a concession\u00e1ria pede reintegra\u00e7\u00e3o de posse por diversas irregularidades, incluindo a entrega da opera\u00e7\u00e3o do estabelecimento a um estranho sem consentimento da Orla Rio.&nbsp;<br \/><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/F7N-G1RFUsRe-Zs6yacf9b0oYLVQDdZkSO1JfAMMmUd4xsdPUeJY_pLtVMRebiMXHAcpfEk_P8-m7fa5Zb8dGmxEf66Jw2LBnbzly0bFStiaWL6S5UA3TCi5ubNmuDzjt8wM6lTc\" alt=\"\"\/><figcaption> Registro do Ato realizado em Porto Alegre. Foto: Heitor Jardim <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\tOs crimes de racismo neste breve in\u00edcio de 2022 n\u00e3o param por a\u00ed. Na \u00faltima quarta-feira, dia 2 de fevereiro, o trabalhador brasileiro <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/noticia\/2022\/02\/07\/viuva-de-durval-quer-justica-pelo-marido-e-pela-filha-ela-tambem-e-negra-o-pai-se-foi-amanha-pode-ser-ela.ghtml\">Durval Te\u00f3filo Filho<\/a>, de 38 anos, foi morto ao ser baleado pelo Sargento da Marinha Aur\u00e9lio Alves Bezerra, quando tentava entrar em seu edif\u00edcio, em S\u00e3o Gon\u00e7alo, regi\u00e3o Metropolitana do Rio. O assassinato se deu, segundo Bezerra &#8211; indiciado inicialmente doloso (sem inte\u00e7\u00e3o de matar) e apenas depois de o povo muito reclamar, por homic\u00eddio ent\u00e3o culposo (quando h\u00e1 inte\u00e7\u00e3o de matar) &#8211; porque ele teria \u201cconfundido\u201d Durval com um bandido. Tanto Durval quanto Mo\u00efse foram acometidos pelo mesmo mal: RACISMO. \u201cNossa origem \u00e9 essa. Somos descendentes de africanos que foram sequestrados e a impunidade, a normalidade em uma sociedade que j\u00e1 tem quase 400 anos de viol\u00eancia colonial, racista e mais o per\u00edodo p\u00f3s aboli\u00e7\u00e3o, com o aumento da viol\u00eancia e do racismo \u00e9 o caldo de cultura que banaliza os corpos e territ\u00f3rios negros\u201d, declara o membro da Frente \tQuilombola do Rio Grande do Sul (FQRS), Onir de Ara\u00fajo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\t Os atos de s\u00e1bado (5\/02), realizados em diversas capitais, foram de extrema import\u00e2ncia para denunciar e informar a popula\u00e7\u00e3o. \u201cHouve grande participa\u00e7\u00e3o da comunidade de imigrantes, que exp\u00f4s todas dificuldades que eles sofrem ao ingressarem no Brasil: a falta de emprego, dificuldade de conseguir documenta\u00e7\u00e3o, precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, viol\u00eancia, xenofobia, racismo\u201d, explica a nutricionista e Pastoral Afro da Par\u00f3quia M\u00e3e do Perp\u00e9tuo Socorro, Concei\u00e7\u00e3o Vidal. O evento contou com a participa\u00e7\u00e3o da comunidade congolesa, da associa\u00e7\u00e3o de senegaleses, haitianos e angolanos, junto a&nbsp; entidades e organiza\u00e7\u00f5es do movimento negro e dos quilombolas, como relatou De Ara\u00fajo. \u201c\u00c9 a barb\u00e1rie de volta,&nbsp; as pessoas perderam a no\u00e7\u00e3o de humanidade e veem um ser humano como uma barata, onde se possa eliminar! \u00c9 ultrajante!\u201d, diz a engenheira civil e co-fundadora do Cat\u00e1logo Afro (grupo de pretas e pretas com gradua\u00e7\u00e3o do Ensino Superior), Eliane dos Santos. Este in\u00edcio de ano marcado pelo sangue de pessoas negras inocentes \u00e9 apenas a ponta de um iceberg que j\u00e1 vem se formando h\u00e1 muito tempo. \u201cOs recentes acontecimentos nos fazem pensar como o processo de escraviza\u00e7\u00e3o no Brasil, que durou 300 anos, ainda est\u00e1 presente na sociedade brasileira\u201d, destaca Vidal. Eliane dos Santos conta que, h\u00e1 30 anos atr\u00e1s, seu irm\u00e3o estava indo para o col\u00e9gio, num bairro de classe m\u00e9dia alta onde eles moravam, com a pasta embaixo do bra\u00e7o, e a pol\u00edcia o parou para revist\u00e1-lo, o agrediu e bateu nele. \u201cMeu irm\u00e3o foi preso, por desacato, pq tentou se defender das agress\u00f5es! Uma tristeza na nossa fam\u00edlia! Uma dor profunda que ficou em n\u00f3s\u2026\u201d.&nbsp;<br \/><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/VIOhwoRSiLKWTEpxHJi4AiWVB-VmxbQtjlTJ4FJiwkR1vBId4MM3GTb2cpVyDQ6ryrZP69aKgVeaGny0zrDwXHQU5U0rcGjRuyNsCDM0zoBeSu1HiaFC3LVDxBDlP83cXnK2clHE\" alt=\"\"\/><figcaption> Registro do Ato realizado em Porto Alegre. Foto: Heitor Jardim <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\tO racismo estrutural \u00e9 aquele que \u00e9 considerado subliminar, o qual reside nas mentes das pessoas \u201celas olham pessoas pretas e veem perigo, \u00f3dio, desprezo!\u201d, sublinha a co-fundadora do Cat\u00e1logo Afro. \u00c9 ele que sustenta&nbsp; crimes como os que acometeram Durval e Mo\u00efse. De acordo com o <a href=\"https:\/\/educa.ibge.gov.br\/jovens\/conheca-o-brasil\/populacao\/18319-cor-ou-raca.html\">censo do IBGE, a popula\u00e7\u00e3o negra equivale a 56% do contingente brasileiro<\/a>, mas, mesmo sendo maioria , a discrimina\u00e7\u00e3o que mata est\u00e1 presente no cotidiano dessas pessoas que at\u00e9 hoje \u201crecebem o menor sal\u00e1rio, tem dificuldade em acessar o sistema de sa\u00fade e de educa\u00e7\u00e3o\u201d, segundo Concei\u00e7\u00e3o Vidal. Onir Ara\u00fajo, da FQRS, explica que s\u00e3o feitas hoje v\u00e1rias den\u00fancias envolvendo rela\u00e7\u00f5es de trabalho completamente fora de qualquer padr\u00e3o humano aceit\u00e1vel. Ele tamb\u00e9m destaca que existe uma persegui\u00e7\u00e3o permanente a imigrantes que trabalham como ambulantes. \u201cH\u00e1&nbsp; aus\u00eancia de uma pol\u00edtica p\u00fablica de acolhimento desses povos, em especial de imigrantes de origem africana, do Haiti e de pa\u00edses dessa esfera de objetos da explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, social e imperialista\u201d. Ele conta ainda que a FQRS solicitou uma audi\u00eancia p\u00fablica em Porto Alegre para falar sobre as v\u00e1rias viola\u00e7\u00f5es de direitos que os imigrantes est\u00e3o sofrendo, sobre como os entes de justi\u00e7a est\u00e3o monitorando, acompanhando e garantindo a efetiva\u00e7\u00e3o desses direitos, e tamb\u00e9m sobre a viol\u00eancia e letalidade das for\u00e7as de seguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra em geral. O objetivo de a\u00e7\u00f5es como estas s\u00e3o em prol de um futuro mais justo e igualit\u00e1rio: \u201ctemos que pensar nas nossas crian\u00e7as que est\u00e3o vindo, elas t\u00eam que ter um futuro melhor que o nosso,&nbsp; muito melhor!\u201d, diz Dos Santos.&nbsp;<br \/><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/4faUovUSgf9GYXqarXqlx1s29CjqCEKOhvaPN_v_nfcYrjrb6TIllIWWAgtyw3c2xk8610UPq9_QQQv-H4XjD-1TyrMGtjCOcnU-zaqoJWzuESOq0tg1y7ROOzoRIUgn0ThAeTfv\" alt=\"\"\/><figcaption> \u00a0Registro do Ato realizado em Porto Alegre. Foto: Heitor Jardim <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p> Entre tanta viol\u00eancia e racismo escancarado, o medo faz parte do cotidiano das pessoas negras: \u201c\u00c9 inconceb\u00edvel que as coisas mais banais como ir ao supermercado, levar um filho ao col\u00e9gio, se divertir no final de semana na frente de casa e ir ao trabalho sejam um risco de vida cotidiano\u201d, diz Onir de Ara\u00fajo. \u00c9 por esse motivo que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um importante elemento na luta por um futuro melhor, no combate ao racismo e na valoriza\u00e7\u00e3o das vidas negras: \u201cPenso que temos que come\u00e7ar na educa\u00e7\u00e3o, nas escolas. Desde pequenas, as crian\u00e7as t\u00eam que ver o outro como igual. Precisamos continuar com a cotas nas universidades para termos uma margem maior de equipara\u00e7\u00e3o formando pessoas pretas instru\u00eddas, pois assim teremos mais mentes que pensem formas de combater esse racismo t\u00e3o cruel que assola nossa sociedade!\u201d, opina Eliane dos Santos.<\/p>\n\n\n\n<p> J\u00e1 basta de tanto racismo e viol\u00eancia. A Amigos da Terra Brasil repudia veementemente os atentados racistas cometidos contra Durval, Mo\u00efse e contra tantos outros que j\u00e1 precisaram morrer para que algu\u00e9m os ouvisse. CHEGA!\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>#VidasNegrasImportam<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ato do dia 5 de Fevereiro marca a luta contra o racismo e pelo fim dos assassinatos a pessoas negras No dia 24 de janeiro de 2022, o congol\u00eas Mo\u00efse Kabagambe, de 24 anos, foi brutalmente espancado at\u00e9 a morte por tr\u00eas homens no quiosque Tropic\u00e1lia, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. 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O assassinato se deu, segundo Bezerra &#8211; indiciado inicialmente doloso (sem inte\u00e7\u00e3o de matar) e apenas depois de o povo muito reclamar, por homic\u00eddio ent\u00e3o culposo (quando h\u00e1 inte\u00e7\u00e3o de matar) &#8211; porque ele teria \u201cconfundido\u201d Durval com um bandido. Tanto Durval quanto Mo\u00efse foram acometidos pelo mesmo mal: RACISMO. \u201cNossa origem \u00e9 essa. Somos descendentes de africanos que foram sequestrados e a impunidade, a normalidade em uma sociedade que j\u00e1 tem quase 400 anos de viol\u00eancia colonial, racista e mais o per\u00edodo p\u00f3s aboli\u00e7\u00e3o, com o aumento da viol\u00eancia e do racismo \u00e9 o caldo de cultura que banaliza os corpos e territ\u00f3rios negros\u201d, declara o membro da Frente Quilombola do Rio Grande do Sul (FQRS), Onir de Ara\u00fajo.&nbsp; Os atos de s\u00e1bado (5\/02), realizados em diversas capitais, foram de extrema import\u00e2ncia para denunciar e informar a popula\u00e7\u00e3o. \u201cHouve grande participa\u00e7\u00e3o da comunidade de imigrantes, que exp\u00f4s todas dificuldades que eles sofrem ao ingressarem no Brasil: a falta de emprego, dificuldade de conseguir documenta\u00e7\u00e3o, precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, viol\u00eancia, xenofobia, racismo\u201d, explica a nutricionista e Pastoral Afro da Par\u00f3quia M\u00e3e do Perp\u00e9tuo Socorro, Concei\u00e7\u00e3o Vidal. 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Eliane dos Santos conta que, h\u00e1 30 anos atr\u00e1s, seu irm\u00e3o estava indo para o col\u00e9gio, num bairro de classe m\u00e9dia alta onde eles moravam, com a pasta embaixo do bra\u00e7o, e a pol\u00edcia o parou para revist\u00e1-lo, o agrediu e bateu nele. \u201cMeu irm\u00e3o foi preso, por desacato, pq tentou se defender das agress\u00f5es! Uma tristeza na nossa fam\u00edlia! Uma dor profunda que ficou em n\u00f3s\u2026\u201d.&nbsp; O racismo estrutural \u00e9 aquele que \u00e9 considerado subliminar, o qual reside nas mentes das pessoas \u201celas olham pessoas pretas e veem perigo, \u00f3dio, desprezo!\u201d, sublinha a co-fundadora do Cat\u00e1logo Afro. \u00c9 ele que sustenta&nbsp; crimes como os que acometeram Durval e Mo\u00efse. De acordo com o censo do IBGE, a popula\u00e7\u00e3o negra equivale a 56% do contingente brasileiro, mas, mesmo sendo maioria , a discrimina\u00e7\u00e3o que mata est\u00e1 presente no cotidiano dessas pessoas que at\u00e9 hoje \u201crecebem o menor sal\u00e1rio, tem dificuldade em acessar o sistema de sa\u00fade e de educa\u00e7\u00e3o\u201d, segundo Concei\u00e7\u00e3o Vidal. Onir Ara\u00fajo, da FQRS, explica que s\u00e3o feitas hoje v\u00e1rias den\u00fancias envolvendo rela\u00e7\u00f5es de trabalho completamente fora de qualquer padr\u00e3o humano aceit\u00e1vel. Ele tamb\u00e9m destaca que existe uma persegui\u00e7\u00e3o permanente a imigrantes que trabalham como ambulantes. \u201cH\u00e1&nbsp; aus\u00eancia de uma pol\u00edtica p\u00fablica de acolhimento desses povos, em especial de imigrantes de origem africana, do Haiti e de pa\u00edses dessa esfera de objetos da explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, social e imperialista\u201d. Ele conta ainda que a FQRS solicitou uma audi\u00eancia p\u00fablica em Porto Alegre para falar sobre as v\u00e1rias viola\u00e7\u00f5es de direitos que os imigrantes est\u00e3o sofrendo, sobre como os entes de justi\u00e7a est\u00e3o monitorando, acompanhando e garantindo a efetiva\u00e7\u00e3o desses direitos, e tamb\u00e9m sobre a viol\u00eancia e letalidade das for\u00e7as de seguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra em geral. 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