{"id":3939,"date":"2022-01-18T15:24:10","date_gmt":"2022-01-18T18:24:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=3939"},"modified":"2025-06-17T09:55:08","modified_gmt":"2025-06-17T12:55:08","slug":"prefeitura-de-porto-alegre-rs-inicia-obra-que-pode-acabar-com-a-prainha-de-copacabana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=3939","title":{"rendered":"Prefeitura de Porto Alegre (RS) inicia obra que pode acabar com a Prainha de Copacabana"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Local\u00a0 est\u00e1\u00a0 amea\u00e7ado\u00a0 por uma obra do DMAE sem consulta popular. Impactos seriam amenizados se tivesse mais investimento<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\nA Prainha de Copacabana (Avenida do Lami, pr\u00f3ximo ao n\u00ba 23), em Bel\u00e9m Novo, extremo sul de Porto Alegre (RS), sofre com as consequ\u00eancias da constru\u00e7\u00e3o do novo Sistema de Abastecimento de \u00c1gua (SAA) Ponta do Arado. O Coletivo Preserva Bel\u00e9m Novo j\u00e1 denunciou que o DMAE (Departamento Municipal de \u00c1gua e Esgotos), \u00f3rg\u00e3o da prefeitura da Capital, n\u00e3o realizou estudos pr\u00e9vios nem divulgou relat\u00f3rios acerca dos poss\u00edveis impactos ambientais que&nbsp; a constru\u00e7\u00e3o poderia provocar. O fechamento da prainha atinge diretamente a popula\u00e7\u00e3o local, como o caso dos cerca de 40 pescadores da regi\u00e3o que obt\u00e9m do Rio Gua\u00edba, nas margens da Praia de Copacabana, seu principal meio de subsist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do trecho da prainha que abarca o porto, onde os pescadores atracam seus barcos, a pracinha infantil, a \u00fanica da regi\u00e3o com brinquedos adequados, ao lado direito da praia de quem vem da Avenida do Lami, a qual, segundo moradores locais \u00e9 muito usada pelas crian\u00e7as da \u00e1rea, tamb\u00e9m ir\u00e1 sumir. Isso porque, al\u00e9m da falta de estudos pr\u00f3prios para a constru\u00e7\u00e3o do SAA, sequer foi feita uma consulta p\u00fablica pr\u00e9via para compreender qual seria o melhor lugar para o posicionamento da estrutura. Nos \u00faltimos anos, a popula\u00e7\u00e3o\u00a0 tem crescido consideravelmente na Zona Sul do munic\u00edpio, muito devido \u00e0 \u00a0 expans\u00e3o\u00a0 de novos empreendimentos, loteamentos e condom\u00ednios na regi\u00e3o (apenas o projeto de loteamento privado da Fazenda do Arado Velho tem previs\u00e3o de aumentar em 70% os habitantes do bairro), pressionando, desta forma,\u00a0 por um sistema de abastecimento de \u00e1gua maior e mais eficiente. \u201c\u00c9 uma obra extremamente necess\u00e1ria para o bairro Bel\u00e9m Novo e para diversos bairros por conta da melhoria no abastecimento de \u00e1gua, mas a forma como ela est\u00e1 sendo feita viola os direitos dos cidad\u00e3os\u201d, explica a coordenadora do Conselho Local de Sa\u00fade, delegada da Regi\u00e3o de Planejamento 8 e moradora de Bel\u00e9m Novo, Michele Rihan Rodrigues. O procedimento junto ao Minist\u00e9rio P\u00fablico, a ser direcionado pela Promotoria da Habita\u00e7\u00e3o e Defesa da Ordem Urban\u00edstica, \u00e9 o de n\u00famero 01629.002.243\/2021.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1156-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3941\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1156-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1156-300x200.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1156-768x512.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1156-500x333.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1156-800x533.jpg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1156.jpg 2000w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Moradores do entorno relatam incomodos com o barulho das obras no leito do rio pra passar a tubula\u00e7\u00e3o. Foto: Carol Ferraz\/ Amigos da Terra Brasil<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O projeto de amplia\u00e7\u00e3o do sistema de abastecimento de \u00e1gua come\u00e7ou a ser manifestado em 2013, contudo, apenas em 2020, ap\u00f3s anos de sofrimento e preju\u00edzos sofridos pela comunidade perif\u00e9rica, privadas de um servi\u00e7o b\u00e1sico \u00e0 vida , a obra come\u00e7ou. Poderia ser uma boa not\u00edcia, se n\u00e3o fosse o fato de que a popula\u00e7\u00e3o foi surpreendida por um cercamento da regi\u00e3o, sem aviso pr\u00e9vio. \u201c\u00c9 um processo entre a Prefeitura e a comunidade totalmente desrespeitoso, j\u00e1 que a Prefeitura teve tempo de sobra&nbsp; para poder vir aqui dialogar com a popula\u00e7\u00e3o, desde que est\u00e1 prevista essa obra, que come\u00e7ou a ser vista em 2013, e s\u00f3 o fez quando iniciou as obras\u201d, explica Rodrigues, e acrescenta que o tal \u201cdi\u00e1logo\u201d sequer foi de fato considerado. Nos encontros realizados em 2021, com a participa\u00e7\u00e3o de uma pequena parcela da popula\u00e7\u00e3o local, o DMAE apenas informou que, nos pr\u00f3ximos tempos, os moradores conviveriam com inc\u00f4modos. \u201cHoje, a popula\u00e7\u00e3o acorda com barulhos na noite porque as obras acontecem dia e noite, com uma draga dentro do Gua\u00edba abrindo o leito do rio pra passar a tubula\u00e7\u00e3o. Isso causa transtornos \u00e0 sa\u00fade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se trata da vida dos cidad\u00e3os locais, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais grave. Segundo o pescador Rosemar Soares da Costa, morador da regi\u00e3o de Copacabana h\u00e1 15 anos: \u201cA \u00e1gua daqui agora queima as pernas, queima os p\u00ealos das pernas, cai tudo, s\u00f3 de entrar na \u00e1gua. Eu j\u00e1 nem entro porque sou diab\u00e9tico\u201d. Ele explica que com o produto colocado na \u00e1gua do rio, nunca mais foi poss\u00edvel encontrar peixes na \u00e1rea.\u00a0 Dessa forma, o pescador, h\u00e1 10 anos regulamentado, precisa andar mais de 2 km para encontrar os peixes, presentes na \u00e1gua corrente e limpa do Rio Jacu\u00ed, pois a bacia de Copacabana est\u00e1 tomada pela polui\u00e7\u00e3o do DMAE. \u201cCome\u00e7aram em outubro de 2020 a fazer essas obras. Eu sei porque eles avisaram de uma reuni\u00e3o e eu participei. Naquela \u00e9poca eu cantei a pedra, perguntei: v\u00e3o fazer teste da \u00e1gua, v\u00e3o analisar a \u00e1gua, como vai ser? Eles disseram: t\u00e1 tudo certo, tudo como deve. At\u00e9 hoje n\u00e3o recebemos nenhum documento que prove\u201d, destaca Michele Rihan Rodrigues. Ela diz ainda que os poucos que participaram da conversa foram tratados inclusive como ignorantes. A problem\u00e1tica da sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o motivou a coordenadora do Conselho Local de Sa\u00fade a denunciar a quest\u00e3o da balneabilidade deficiente para a Promotoria de Direitos Humanos, a qual foi redirecionada para a Promotoria do Meio Ambiente, sob n\u00famero 01304.001.124\/2021. No processo, Michele sublinha a \u201caus\u00eancia de exames e\/ou de acessibilidade aos resultados dos exames que demonstrem as condi\u00e7\u00f5es de banho nos balne\u00e1rios\u201d. Mesmo com moradores constatando os problemas, o processo foi arquivado. \u201cN\u00e3o adianta eles perguntarem pra mim o que eu acho da obra. A assistente social vinha perguntar, mas chega l\u00e1 e fala o que ela pensa, n\u00e3o o que ela me perguntou aqui\u201d, diz o pescador.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1186-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3950\"\/><figcaption>Pescadores da regi\u00e3o relatam precisar se deslocar  precisa andar mais de 2 km para encontrar os peixes devido aos qu\u00edmicos utilizados na \u00e1rea. Foto: Carol Ferraz \/ Amigos da Terra Brasil<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma \u00e1rea que a popula\u00e7\u00e3o infelizmente vai perder. Tem um aviso de que, a partir de segunda-feira, dia 17 de janeiro, o DMAE vai remover a pracinha infantil sem aviso pr\u00e9vio \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, sem dialogar antecipadamente sobre todas essas obras e os impactos que&nbsp; isso tem na vida da popula\u00e7\u00e3o\u201d, relata Rodrigues. A \u00e1rea de lazer ser\u00e1 simplesmente desmontada, e a condu\u00e7\u00e3o do processo vem sendo inclusive agressiva: \u201cChegaram aqui com as crian\u00e7as no balan\u00e7o, mandaram as crian\u00e7as sa\u00edrem porque eles iam desmanchar a pracinha. Aquilo me doeu\u201d, contou o pescador&nbsp; Rosemar Soares. Portanto, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel constatar que a situa\u00e7\u00e3o da Prainha de Copacabana vai de mal a pior, um total descaso com a popula\u00e7\u00e3o e, tamb\u00e9m, movida pela gan\u00e2ncia. Segundo uma moradora local que participou de uma das apresenta\u00e7\u00f5es feitas pelo DMAE e conversou com um engenheiro, \u201ccom R$ 20 milh\u00f5es a mais, seriam feitas duas adutoras e n\u00e3o seria necess\u00e1rio acabar com a praia. V\u00e3o fazer todos os canos novos puxando de uma adutora que j\u00e1 tem, em m\u00e9dia 40 anos, sendo que a vida \u00fatil desse tipo de cano \u00e9 de no m\u00e1ximo 50\u201d. Dessa forma, o DMAE est\u00e1 economizando R$ 20 milh\u00f5es&nbsp; e acabando com a Praia de Copacabana.<\/p>\n\n\n\n<p>Fernando Costa, do Conselho Diretor da Amigos da Terra\u00a0 Brasil, sublinha que, \u201cmais uma vez, estamos vendo a Prefeitura atuar de forma autorit\u00e1ria, e n\u00e3o participativa, usando de uma\u00a0 obra de infraestrutura importante para cidade como palco para uma \u201chigieniza\u00e7\u00e3o\u201d. Ali, a cultura popular est\u00e1 sendo exclu\u00edda e desrespeitada\u201d. Ele explica que a Praia de Copacabana tem uma caracter\u00edstica cultural que se relaciona com a cultura dos pescadores, com os moradores locais. Isso porque, ali n\u00e3o s\u00e3o comuns pessoas que iriam veranear ou frequentariam o lugar esporadicamente. Costa relata que, \u201capesar de tudo, a cidade se reinventa e cria espa\u00e7os de cultura, e esses s\u00e3o os espa\u00e7os preferidos da prefeitura para serem &#8221;higienizados\u201d, &#8221;limpos\u201d e exclu\u00eddos do mapa cultural da cidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra do SSA na Praia de Copacabana j\u00e1 foi usada como \u201cmoeda de troca\u201d para a aceita\u00e7\u00e3o do Condom\u00ednio do Arado Velho, e a situa\u00e7\u00e3o vem piorando. O conglomerado imobili\u00e1rio tem um acordo com a prefeitura que garante esse empreendimento. Dessa forma, tem sido feito um esfor\u00e7o nos \u00faltimos tempos para garantir a altera\u00e7\u00e3o de leis, de regulamenta\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para o empreendimento, movidas na C\u00e2mara de Vereadores em prol do lucro. \u201cComo n\u00e3o poderia faltar, aparece aqui novamente a velha t\u00e1tica de dividir para conquistar. Se coloca a situa\u00e7\u00e3o da Lomba do Pinheiro ou da falta de infraestrutura de abastecimento de \u00e1gua da cidade como se elas fossem de responsabilidade dos moradores de Bel\u00e9m Novo. Como se devessem abrir m\u00e3o do seu espa\u00e7o cultural para garantir que a popula\u00e7\u00e3o da Lomba do Pinheiro tivesse \u00e1gua\u201d, coloca Fernando Costa. Ele destaca que esta t\u00e1tica \u00e9 bem comum tanto na iniciativa privada, para especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, quanto na prefeitura, pelo prefeito Sebasti\u00e3o Melo, o qual usa desses artif\u00edcios imorais para garantir o seu governo com o desgoverno.<\/p>\n\n\n\n<p>A Amigos da Terra se posiciona terminantemente contra essa atitude da Prefeitura e se coloca a favor do di\u00e1logo, da discuss\u00e3o de uma solu\u00e7\u00e3o na qual os moradores sejam ouvidos. \u00c9 imperativo que a popula\u00e7\u00e3o seja escutada e que n\u00e3o haja fatos consumados. A Prefeitura n\u00e3o pode assumir essa postura autorit\u00e1ria que vem construindo nesse pouco tempo de governo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Veja mais fotos:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1168-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3945\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1168-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1168-300x200.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1168-768x512.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1168-500x333.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1168-800x533.jpg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1168.jpg 2000w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption> Foto: Carol Ferraz \/ Amigos da Terra Brasil <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1147-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3940\"\/><figcaption> Foto: Carol Ferraz \/ Amigos da Terra Brasil <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1163-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3943\" srcset=\"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1163-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1163-300x200.jpg 300w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1163-768x512.jpg 768w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1163-500x333.jpg 500w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1163-800x533.jpg 800w, https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/webIMG_1163.jpg 2000w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Foto: Carol Ferraz \/ Amigos da Terra Brasil<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Local\u00a0 est\u00e1\u00a0 amea\u00e7ado\u00a0 por uma obra do DMAE sem consulta popular. Impactos seriam amenizados se tivesse mais investimento A Prainha de Copacabana (Avenida do Lami, pr\u00f3ximo ao n\u00ba 23), em Bel\u00e9m Novo, extremo sul de Porto Alegre (RS), sofre com as consequ\u00eancias da constru\u00e7\u00e3o do novo Sistema de Abastecimento de \u00c1gua (SAA) Ponta do Arado. O Coletivo Preserva Bel\u00e9m Novo j\u00e1 denunciou que o DMAE (Departamento Municipal de \u00c1gua e Esgotos), \u00f3rg\u00e3o da prefeitura da Capital, n\u00e3o realizou estudos pr\u00e9vios nem divulgou relat\u00f3rios acerca dos poss\u00edveis impactos ambientais que&nbsp; a constru\u00e7\u00e3o poderia provocar. O fechamento da prainha atinge diretamente a popula\u00e7\u00e3o local, como o caso dos cerca de 40 pescadores da regi\u00e3o que obt\u00e9m do Rio Gua\u00edba, nas margens da Praia de Copacabana, seu principal meio de subsist\u00eancia. Al\u00e9m do trecho da prainha que abarca o porto, onde os pescadores atracam seus barcos, a pracinha infantil, a \u00fanica da regi\u00e3o com brinquedos adequados, ao lado direito da praia de quem vem da Avenida do Lami, a qual, segundo moradores locais \u00e9 muito usada pelas crian\u00e7as da \u00e1rea, tamb\u00e9m ir\u00e1 sumir. Isso porque, al\u00e9m da falta de estudos pr\u00f3prios para a constru\u00e7\u00e3o do SAA, sequer foi feita uma consulta p\u00fablica pr\u00e9via para compreender qual seria o melhor lugar para o posicionamento da estrutura. Nos \u00faltimos anos, a popula\u00e7\u00e3o\u00a0 tem crescido consideravelmente na Zona Sul do munic\u00edpio, muito devido \u00e0 \u00a0 expans\u00e3o\u00a0 de novos empreendimentos, loteamentos e condom\u00ednios na regi\u00e3o (apenas o projeto de loteamento privado da Fazenda do Arado Velho tem previs\u00e3o de aumentar em 70% os habitantes do bairro), pressionando, desta forma,\u00a0 por um sistema de abastecimento de \u00e1gua maior e mais eficiente. \u201c\u00c9 uma obra extremamente necess\u00e1ria para o bairro Bel\u00e9m Novo e para diversos bairros por conta da melhoria no abastecimento de \u00e1gua, mas a forma como ela est\u00e1 sendo feita viola os direitos dos cidad\u00e3os\u201d, explica a coordenadora do Conselho Local de Sa\u00fade, delegada da Regi\u00e3o de Planejamento 8 e moradora de Bel\u00e9m Novo, Michele Rihan Rodrigues. O procedimento junto ao Minist\u00e9rio P\u00fablico, a ser direcionado pela Promotoria da Habita\u00e7\u00e3o e Defesa da Ordem Urban\u00edstica, \u00e9 o de n\u00famero 01629.002.243\/2021. O projeto de amplia\u00e7\u00e3o do sistema de abastecimento de \u00e1gua come\u00e7ou a ser manifestado em 2013, contudo, apenas em 2020, ap\u00f3s anos de sofrimento e preju\u00edzos sofridos pela comunidade perif\u00e9rica, privadas de um servi\u00e7o b\u00e1sico \u00e0 vida , a obra come\u00e7ou. 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Isso causa transtornos \u00e0 sa\u00fade\u201d. Quando se trata da vida dos cidad\u00e3os locais, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais grave. Segundo o pescador Rosemar Soares da Costa, morador da regi\u00e3o de Copacabana h\u00e1 15 anos: \u201cA \u00e1gua daqui agora queima as pernas, queima os p\u00ealos das pernas, cai tudo, s\u00f3 de entrar na \u00e1gua. Eu j\u00e1 nem entro porque sou diab\u00e9tico\u201d. Ele explica que com o produto colocado na \u00e1gua do rio, nunca mais foi poss\u00edvel encontrar peixes na \u00e1rea.\u00a0 Dessa forma, o pescador, h\u00e1 10 anos regulamentado, precisa andar mais de 2 km para encontrar os peixes, presentes na \u00e1gua corrente e limpa do Rio Jacu\u00ed, pois a bacia de Copacabana est\u00e1 tomada pela polui\u00e7\u00e3o do DMAE. \u201cCome\u00e7aram em outubro de 2020 a fazer essas obras. Eu sei porque eles avisaram de uma reuni\u00e3o e eu participei. Naquela \u00e9poca eu cantei a pedra, perguntei: v\u00e3o fazer teste da \u00e1gua, v\u00e3o analisar a \u00e1gua, como vai ser? Eles disseram: t\u00e1 tudo certo, tudo como deve. At\u00e9 hoje n\u00e3o recebemos nenhum documento que prove\u201d, destaca Michele Rihan Rodrigues. Ela diz ainda que os poucos que participaram da conversa foram tratados inclusive como ignorantes. A problem\u00e1tica da sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o motivou a coordenadora do Conselho Local de Sa\u00fade a denunciar a quest\u00e3o da balneabilidade deficiente para a Promotoria de Direitos Humanos, a qual foi redirecionada para a Promotoria do Meio Ambiente, sob n\u00famero 01304.001.124\/2021. No processo, Michele sublinha a \u201caus\u00eancia de exames e\/ou de acessibilidade aos resultados dos exames que demonstrem as condi\u00e7\u00f5es de banho nos balne\u00e1rios\u201d. Mesmo com moradores constatando os problemas, o processo foi arquivado. \u201cN\u00e3o adianta eles perguntarem pra mim o que eu acho da obra. A assistente social vinha perguntar, mas chega l\u00e1 e fala o que ela pensa, n\u00e3o o que ela me perguntou aqui\u201d, diz o pescador. \u201c\u00c9 uma \u00e1rea que a popula\u00e7\u00e3o infelizmente vai perder. Tem um aviso de que, a partir de segunda-feira, dia 17 de janeiro, o DMAE vai remover a pracinha infantil sem aviso pr\u00e9vio \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, sem dialogar antecipadamente sobre todas essas obras e os impactos que&nbsp; isso tem na vida da popula\u00e7\u00e3o\u201d, relata Rodrigues. A \u00e1rea de lazer ser\u00e1 simplesmente desmontada, e a condu\u00e7\u00e3o do processo vem sendo inclusive agressiva: \u201cChegaram aqui com as crian\u00e7as no balan\u00e7o, mandaram as crian\u00e7as sa\u00edrem porque eles iam desmanchar a pracinha. Aquilo me doeu\u201d, contou o pescador&nbsp; Rosemar Soares. Portanto, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel constatar que a situa\u00e7\u00e3o da Prainha de Copacabana vai de mal a pior, um total descaso com a popula\u00e7\u00e3o e, tamb\u00e9m, movida pela gan\u00e2ncia. Segundo uma moradora local que participou de uma das apresenta\u00e7\u00f5es feitas pelo DMAE e conversou com um engenheiro, \u201ccom R$ 20 milh\u00f5es a mais, seriam feitas duas adutoras e n\u00e3o seria necess\u00e1rio acabar com a praia. 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