{"id":3821,"date":"2021-12-02T09:41:13","date_gmt":"2021-12-02T12:41:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=3821"},"modified":"2025-06-17T09:59:34","modified_gmt":"2025-06-17T12:59:34","slug":"lancamento-da-carta-aberta-de-alerta-sobre-perigos-que-o-novo-codigo-de-mineracao-traz-para-a-sociedade-civil-nao-a-megamineracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=3821","title":{"rendered":"Lan\u00e7amento da Carta Aberta de Alerta sobre Perigos que o Novo C\u00f3digo de Minera\u00e7\u00e3o traz para a sociedade civil. N\u00e3o \u00e0 megaminera\u00e7\u00e3o!"},"content":{"rendered":"\n<p>Nesta ter\u00e7a-feira, 30\/11, foi lan\u00e7ada a Carta Aberta de Alerta sobre Perigos do Novo C\u00f3digo de Minera\u00e7\u00e3o no estado do Rio Grande do Sul. O processo de minera\u00e7\u00e3o desenfreado por empresas transnacionais causa crimes, como os que ocorreram com Brumadinho e Mariana (MG). Em Minas Gerais, fam\u00edlias est\u00e3o h\u00e1 mais de dez anos sem receber aux\u00edlio ou compensa\u00e7\u00e3o pelos danos que sofreram. Comunidades inteiras foram obrigadas a sair de suas cidades. Sendo assim, \u00e9 fundamental que ocorra a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil para combater as tentativas de explora\u00e7\u00e3o da terra, que gera impactos negativos na vida, na sa\u00fade e na dignidade das pessoas que vivem no entorno. A Amigos da Terra Brasil entrevistou Luna Dalla Rosa Carvalho, que faz parte do Comit\u00ea de Combate \u00e0 Megaminera\u00e7\u00e3o e escreveu a Carta Aberta, junto com um grupo de mulheres da sociedade civil. Confira as suas falas sobre como este combate e o alerta \u00e9 importante para a vida das mulheres, como os processos criminosos que ocorreram no estado mineiro s\u00e3o aprendizados para organiza\u00e7\u00e3o enquanto grupos e coletivos combatentes \u00e0 megaminera\u00e7\u00e3o e como se organizou essa Carta Aberta.\u00a0<br \/><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amigos da Terra Brasil<\/strong>: Como foi a caminhada para realizar esta carta? Como foi a constru\u00e7\u00e3o conjunta com o grupo de mulheres?<br \/><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luna Dalla Rosa Carvalho<\/strong>: Essa carta surgiu de uma articula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 se gestando entre mulheres envolvidas no enfrentamento \u00e0 megaminerac\u00e3o aqui no RS, especialmente no bioma Pampa, que \u00e9 onde est\u00e1 a maior parte dos projetos de megaminerac\u00e3o previstos, mas tamb\u00e9m agrega mulheres de outros estados. S\u00e3o pecuaristas familiares, agricultoras, pesquisadoras, professoras, ativistas que est\u00e3o juntando suas for\u00e7as e suas habilidades para entender como a megaminerac\u00e3o afeta a vida das mulheres e se posicionar frente a esse processo. Estamos articuladas conjuntamente ao Comit\u00ea de Combate \u00e0 Megaminerac\u00e3o do RS e a outras entidades e coletivos que v\u00eam fazendo esse enfrentamento em diversas localidades. Tamb\u00e9m contamos com o apoio de v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas, grupos de pesquisa, movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ATBR<\/strong>: Como a publica\u00e7\u00e3o da Carta Aberta contra a Megaminera\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para a vida das mulheres? O que muda?&nbsp;<br \/><\/p>\n\n\n\n<p><strong>LDRS<\/strong>: O avan\u00e7o da mega minera\u00e7\u00e3o afeta negativamente a vida de todos, mas especialmente a vida das mulheres. Sejam elas mulheres ind\u00edgenas, quilombolas, agricultoras e pecuaristas familiares, pescadoras, sejam as mulheres da cidade. Porque s\u00e3o as mulheres que lidam mais diretamente com os efeitos que a megaminera\u00e7\u00e3o t\u00eam na sa\u00fade das pessoas, no ambiente, nos modos de vida, e isso se d\u00e1 tanto pra quem \u00e9 diretamente afetado como as comunidades afetadas pelos empreendimentos miner\u00e1rios, como para as esposas dos trabalhadores da minera\u00e7\u00e3o, para as mulheres das regi\u00f5es miner\u00e1rias e de garimpo, quando a prostitui\u00e7\u00e3o dessas regi\u00f5es come\u00e7a a crescer, quando as \u00e1guas come\u00e7am a ficar contaminadas, quando a viol\u00eancia aumenta, quando a alimenta\u00e7\u00e3o passa a piorar, pois j\u00e1 n\u00e3o se pode cultivar os alimentos que nutriam os corpos de uma forma saud\u00e1vel. Temos muitos relatos de mulheres de outras regi\u00f5es do Brasil e de outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina que mostram isso. Aqui, no Rio Grande do Sul, estamos nos organizando contra o avan\u00e7o de megaprojetos de minera\u00e7\u00e3o a c\u00e9u aberto por entender que n\u00e3o queremos que se repita o que j\u00e1 acontece nas regi\u00f5es miner\u00e1rias. \u00c9 um movimento que conta cada vez mais com a participa\u00e7\u00e3o de mulheres, que se v\u00eaem amea\u00e7adas por esses projetos que afetam a vida de forma t\u00e3o dr\u00e1stica.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ATBR<\/strong>: O que Mariana e Brumadinho (MG) t\u00eam a nos ensinar sobre a responsabilidade de nos organizarmos enquanto sociedade civil para que barrarmos esse processo venenoso?<br \/><\/p>\n\n\n\n<p><strong>LDRS<\/strong>: Acho que Mariana e Brumadinho ensinaram que n\u00e3o podemos deixar passar sem a devida avalia\u00e7\u00e3o, discuss\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o da sociedade esses projetos que envolvem s\u00e9rios riscos \u00e0 vida e \u00e0 sa\u00fade humana e dos ecossistemas. N\u00e3o queremos perder nossos rios como a popula\u00e7\u00e3o da bacia do Rio Doce ou do Rio Parauapebas perdeu. N\u00e3o queremos perder nossos entes queridos, n\u00e3o queremos que os trabalhadores da minera\u00e7\u00e3o morram nesse tipo de incidente. Aqueles incidentes serviram para mostrar que se a gente deixar passar depois pode ser tarde, mesmo que haja engenheiros e t\u00e9cnicos dizendo que as estruturas s\u00e3o seguras e que \u00e9 poss\u00edvel restaurar os ambientes degradados. Tem um coisa que eu acho bem complicada nos processos de licenciamento ambiental desses megaempreendimentos, que \u00e9 a imposi\u00e7\u00e3o de um saber t\u00e9cnico, como se o conhecimento das popula\u00e7\u00f5es que vivem nos lugares afetados n\u00e3o valesse ou como se um cidad\u00e3o que n\u00e3o tem uma forma\u00e7\u00e3o em engenharia, geologia e biologia n\u00e3o pudesse falar, contestar ou questionar um empreendimento. Cada vez mais vemos que a ci\u00eancia e a engenharia podem errar, que n\u00e3o conhecemos todos os processos naturais, que n\u00e3o sabemos qual \u00e9 a real dimens\u00e3o da interfer\u00eancia humana nos ecossistemas. Estamos vivendo uma crise ambiental grav\u00edssima e existem pessoas, que est\u00e3o inclusive em \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos importantes como a FEPAM (Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental) aqui no estado, que insistem em se fechar numa postura tecnicista, negando ou minimizando os reais riscos envolvidos nesses empreendimentos. Eu acredito que se s\u00e3o empreendimentos com alto impacto, \u00e9 necess\u00e1ria muita avalia\u00e7\u00e3o, escuta e at\u00e9 mesmo respeito caso a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o queira o empreendimento na sua regi\u00e3o, afinal devemos ter o direito de decidir quando se trata da nossa vida que est\u00e1 em jogo. Cada vez mais parece que querem passar por cima da participa\u00e7\u00e3o popular, da legisla\u00e7\u00e3o ambiental para implementar esses projetos, num claro desrespeito \u00e0 nossa soberania e aos nossos direitos. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio a sociedade se organizar e estar sempre atenta para poder se posicionar antes que seja tarde demais.<br \/><\/p>\n\n\n\n<p>Confira abaixo a Carta Aberta!<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-file\"><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Carta-aberta_alerta-perigos-novo-c\u00f3digo-minera\u00e7\u00e3o.pdf\">Carta aberta: Alerta sobre os perigos do Novo C\u00f3digo da Minera\u00e7\u00e3o <\/a><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Carta-aberta_alerta-perigos-novo-c\u00f3digo-minera\u00e7\u00e3o.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download>Baixar<\/a><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta ter\u00e7a-feira, 30\/11, foi lan\u00e7ada a Carta Aberta de Alerta sobre Perigos do Novo C\u00f3digo de Minera\u00e7\u00e3o no estado do Rio Grande do Sul. O processo de minera\u00e7\u00e3o desenfreado por empresas transnacionais causa crimes, como os que ocorreram com Brumadinho e Mariana (MG). Em Minas Gerais, fam\u00edlias est\u00e3o h\u00e1 mais de dez anos sem receber aux\u00edlio ou compensa\u00e7\u00e3o pelos danos que sofreram. Comunidades inteiras foram obrigadas a sair de suas cidades. Sendo assim, \u00e9 fundamental que ocorra a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil para combater as tentativas de explora\u00e7\u00e3o da terra, que gera impactos negativos na vida, na sa\u00fade e na dignidade das pessoas que vivem no entorno. A Amigos da Terra Brasil entrevistou Luna Dalla Rosa Carvalho, que faz parte do Comit\u00ea de Combate \u00e0 Megaminera\u00e7\u00e3o e escreveu a Carta Aberta, junto com um grupo de mulheres da sociedade civil. Confira as suas falas sobre como este combate e o alerta \u00e9 importante para a vida das mulheres, como os processos criminosos que ocorreram no estado mineiro s\u00e3o aprendizados para organiza\u00e7\u00e3o enquanto grupos e coletivos combatentes \u00e0 megaminera\u00e7\u00e3o e como se organizou essa Carta Aberta.\u00a0 Amigos da Terra Brasil: Como foi a caminhada para realizar esta carta? Como foi a constru\u00e7\u00e3o conjunta com o grupo de mulheres? Luna Dalla Rosa Carvalho: Essa carta surgiu de uma articula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 se gestando entre mulheres envolvidas no enfrentamento \u00e0 megaminerac\u00e3o aqui no RS, especialmente no bioma Pampa, que \u00e9 onde est\u00e1 a maior parte dos projetos de megaminerac\u00e3o previstos, mas tamb\u00e9m agrega mulheres de outros estados. S\u00e3o pecuaristas familiares, agricultoras, pesquisadoras, professoras, ativistas que est\u00e3o juntando suas for\u00e7as e suas habilidades para entender como a megaminerac\u00e3o afeta a vida das mulheres e se posicionar frente a esse processo. Estamos articuladas conjuntamente ao Comit\u00ea de Combate \u00e0 Megaminerac\u00e3o do RS e a outras entidades e coletivos que v\u00eam fazendo esse enfrentamento em diversas localidades. Tamb\u00e9m contamos com o apoio de v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas, grupos de pesquisa, movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil. ATBR: Como a publica\u00e7\u00e3o da Carta Aberta contra a Megaminera\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para a vida das mulheres? O que muda?&nbsp; LDRS: O avan\u00e7o da mega minera\u00e7\u00e3o afeta negativamente a vida de todos, mas especialmente a vida das mulheres. Sejam elas mulheres ind\u00edgenas, quilombolas, agricultoras e pecuaristas familiares, pescadoras, sejam as mulheres da cidade. Porque s\u00e3o as mulheres que lidam mais diretamente com os efeitos que a megaminera\u00e7\u00e3o t\u00eam na sa\u00fade das pessoas, no ambiente, nos modos de vida, e isso se d\u00e1 tanto pra quem \u00e9 diretamente afetado como as comunidades afetadas pelos empreendimentos miner\u00e1rios, como para as esposas dos trabalhadores da minera\u00e7\u00e3o, para as mulheres das regi\u00f5es miner\u00e1rias e de garimpo, quando a prostitui\u00e7\u00e3o dessas regi\u00f5es come\u00e7a a crescer, quando as \u00e1guas come\u00e7am a ficar contaminadas, quando a viol\u00eancia aumenta, quando a alimenta\u00e7\u00e3o passa a piorar, pois j\u00e1 n\u00e3o se pode cultivar os alimentos que nutriam os corpos de uma forma saud\u00e1vel. Temos muitos relatos de mulheres de outras regi\u00f5es do Brasil e de outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina que mostram isso. Aqui, no Rio Grande do Sul, estamos nos organizando contra o avan\u00e7o de megaprojetos de minera\u00e7\u00e3o a c\u00e9u aberto por entender que n\u00e3o queremos que se repita o que j\u00e1 acontece nas regi\u00f5es miner\u00e1rias. \u00c9 um movimento que conta cada vez mais com a participa\u00e7\u00e3o de mulheres, que se v\u00eaem amea\u00e7adas por esses projetos que afetam a vida de forma t\u00e3o dr\u00e1stica.\u00a0 ATBR: O que Mariana e Brumadinho (MG) t\u00eam a nos ensinar sobre a responsabilidade de nos organizarmos enquanto sociedade civil para que barrarmos esse processo venenoso? LDRS: Acho que Mariana e Brumadinho ensinaram que n\u00e3o podemos deixar passar sem a devida avalia\u00e7\u00e3o, discuss\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o da sociedade esses projetos que envolvem s\u00e9rios riscos \u00e0 vida e \u00e0 sa\u00fade humana e dos ecossistemas. N\u00e3o queremos perder nossos rios como a popula\u00e7\u00e3o da bacia do Rio Doce ou do Rio Parauapebas perdeu. N\u00e3o queremos perder nossos entes queridos, n\u00e3o queremos que os trabalhadores da minera\u00e7\u00e3o morram nesse tipo de incidente. Aqueles incidentes serviram para mostrar que se a gente deixar passar depois pode ser tarde, mesmo que haja engenheiros e t\u00e9cnicos dizendo que as estruturas s\u00e3o seguras e que \u00e9 poss\u00edvel restaurar os ambientes degradados. Tem um coisa que eu acho bem complicada nos processos de licenciamento ambiental desses megaempreendimentos, que \u00e9 a imposi\u00e7\u00e3o de um saber t\u00e9cnico, como se o conhecimento das popula\u00e7\u00f5es que vivem nos lugares afetados n\u00e3o valesse ou como se um cidad\u00e3o que n\u00e3o tem uma forma\u00e7\u00e3o em engenharia, geologia e biologia n\u00e3o pudesse falar, contestar ou questionar um empreendimento. Cada vez mais vemos que a ci\u00eancia e a engenharia podem errar, que n\u00e3o conhecemos todos os processos naturais, que n\u00e3o sabemos qual \u00e9 a real dimens\u00e3o da interfer\u00eancia humana nos ecossistemas. Estamos vivendo uma crise ambiental grav\u00edssima e existem pessoas, que est\u00e3o inclusive em \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos importantes como a FEPAM (Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental) aqui no estado, que insistem em se fechar numa postura tecnicista, negando ou minimizando os reais riscos envolvidos nesses empreendimentos. Eu acredito que se s\u00e3o empreendimentos com alto impacto, \u00e9 necess\u00e1ria muita avalia\u00e7\u00e3o, escuta e at\u00e9 mesmo respeito caso a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o queira o empreendimento na sua regi\u00e3o, afinal devemos ter o direito de decidir quando se trata da nossa vida que est\u00e1 em jogo. Cada vez mais parece que querem passar por cima da participa\u00e7\u00e3o popular, da legisla\u00e7\u00e3o ambiental para implementar esses projetos, num claro desrespeito \u00e0 nossa soberania e aos nossos direitos. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio a sociedade se organizar e estar sempre atenta para poder se posicionar antes que seja tarde demais. 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