{"id":3472,"date":"2021-07-19T22:41:13","date_gmt":"2021-07-20T01:41:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=3472"},"modified":"2025-06-17T10:12:10","modified_gmt":"2025-06-17T13:12:10","slug":"artigo-brasil-de-fato-as-ameacas-do-mercado-imobiliario-ao-direito-a-terra-dos-povos-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=3472","title":{"rendered":"Artigo Brasil de Fato: As amea\u00e7as do mercado imobili\u00e1rio ao direito \u00e0 terra dos povos ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/3c7dfac0891cbae18a77fdb4764b8e82.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption><strong><em>Reza dos Guarani durante audi\u00eancia  entre os ind\u00edgenas do Jaragu\u00e1 e a construtora Tenda no F\u00f3rum da 14\u00aa Vara  Federal, na Avenida Paulista &#8211; Cesar Itiber\u00ea\/Fotos P\u00fablicas<\/em><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos empres\u00e1rios do agroneg\u00f3cio e da minera\u00e7\u00e3o, os do mercado imobili\u00e1rio certamente t\u00eam interesse no avan\u00e7o do <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/07\/05\/o-stf-precisa-acabar-com-o-uso-do-marco-temporal-para-saqueio-aos-povos-indigenas\">Projeto de Lei (PL) 490\/2007<\/a>, que inviabiliza e imp\u00f5e retrocessos para a demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o objetivo de gerar lucro para poucos, existem v\u00e1rios casos de\navan\u00e7o sobre territ\u00f3rios ind\u00edgenas com a anu\u00eancia ou, diretamente, com o\n compromisso do poder p\u00fablico em trabalhar em defesa de interesses\nprivados contra os direitos de povos ind\u00edgenas, muitas vezes por meio&nbsp;\nda pr\u00f3pria tentativa de modifica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o local.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o requerimento de urg\u00eancia recentemente aprovado, o <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/07\/15\/entenda-como-a-boiada-vai-passar-se-o-pl-da-grilagem-for-aprovado-no-congresso\">PL da Grilagem<\/a> (Projeto de Lei 2.633\/2020) tamb\u00e9m promete beneficiar a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria com terras ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>O PL, entre outras coisas, visa regularizar a invas\u00e3o privada de terras p\u00fablicas em geral, e inclusive <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/07\/15\/entenda-como-a-boiada-vai-passar-se-o-pl-da-grilagem-for-aprovado-no-congresso\">facilitar a invas\u00e3o <\/a>em \u00e1reas de comunidades tradicionais, ind\u00edgenas e quilombolas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) emitiu uma <a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/2021\/07\/para-cndh-pl-grilagem-estimular-violencia-campo-premiar-crimes\/\">nota p\u00fablica contra o avan\u00e7o da legaliza\u00e7\u00e3o da grilagem no Brasil<\/a> no in\u00edcio deste m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nela, o CNDH afirma que o \u201cCongresso n\u00e3o deve premiar quem viola\ndireitos de agricultores familiares, povos ind\u00edgenas, quilombolas e\ncomunidades tradicionais, aumentando a desigualdade, estimulando a\nviol\u00eancia no campo, a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e o trabalho em condi\u00e7\u00f5es\nan\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mulheres ind\u00edgenas contra a especula\u00e7\u00e3o em Alter do Ch\u00e3o (PA)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No final do ano passado, a <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/11\/19\/mulheres-indigenas-resgatam-memorias-sobre-alter-do-chao-em-campanha-por-preservacao\">Associa\u00e7\u00e3o de Mulheres Ind\u00edgenas de Alter do Ch\u00e3o (PA) iniciou uma campanha<\/a> contra o avan\u00e7o de grandes empreendimentos sobre o territ\u00f3rio ind\u00edgena do povo Borari, que est\u00e1 \u00e0 espera de demarca\u00e7\u00e3o da \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Elas denunciam que devido ao avan\u00e7o de projetos tur\u00edsticos e de\nminera\u00e7\u00e3o v\u00eam perdendo terras e que os habitantes tradicionais v\u00eam sendo\n empurrados para as regi\u00f5es perif\u00e9ricas do territ\u00f3rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, foi apresentado o <a href=\"https:\/\/midianinja.org\/news\/especulacao-imobiliaria-queima-alter-do-chao\/\">Projeto de Lei 1621\/2017<\/a>\n na C\u00e2mara de Santar\u00e9m (PA) que pretendia modificar a Lei de Uso,\nOcupa\u00e7\u00e3o e Parcelamento do Solo das Zonas Urbana e Rural, e autorizar,\npor exemplo, a constru\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios de at\u00e9 19 metros de altura.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0 resist\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es tradicionais, os Minist\u00e9rios P\u00fablicos Estadual e Federal <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/11\/07\/paraiso-ameacado-vereadores-avaliam-permitir-construcao-de-predios-em-alter-do-chao\">recomendaram a suspens\u00e3o do PL<\/a>,\n tanto para que fossem realizados estudos t\u00e9cnicos, como para garantir a\n realiza\u00e7\u00e3o de consulta pr\u00e9via, livre e informada \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que seria\natingida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Comunidade Mbya Guarani da Ponta do Arado em Porto Alegre (RS)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/e5867ccdf14108246ae82f558ada78ce.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption> <strong><em>Retomada Guarani Mbya no Arado Velho \/ Foto: Douglas Freitas \/ Amigos da Terra Brasil<\/em><\/strong> <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p> A Prefeitura de Porto Alegre tamb\u00e9m tenta alterar a legisla\u00e7\u00e3o\nmunicipal para permitir um projeto imobili\u00e1rio, da empresa Arado\nEmpreendimentos Imobili\u00e1rios Ltda., que possui potenciais impactos\nambientais e sobre ind\u00edgenas que vivem na Ponta do Arado, no bairro\nBel\u00e9m Novo, no Extremo Sul da capital ga\u00facha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A gest\u00e3o de Sebasti\u00e3o Melo (MDB-RS) est\u00e1 formulando o terceiro PL dos\n \u00faltimos 6 anos, que visa ajustar as leis para permitir a implementa\u00e7\u00e3o\nde um projeto que prev\u00ea a constru\u00e7\u00e3o de mais de 2,3 mil lotes de m\u00e9dia e\n alta renda, e que coloca em risco a preserva\u00e7\u00e3o de banhados e\necossistemas importantes que ajudam a evitar alagamentos na regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2018, a Ponta do Arado, que fica \u00e0s margens do Rio Gua\u00edba e\ndentro de uma \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, \u00e9 ocupada por ind\u00edgenas\nMby\u00e1-Guarani.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos antropol\u00f3gicos que ainda n\u00e3o foram finalizados indicam\nresqu\u00edcios hist\u00f3ricos de habita\u00e7\u00e3o ind\u00edgena no local. Al\u00e9m disso, a \u00e1rea\n de mata e na beira do rio garante as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a\nsobreviv\u00eancia dos Guarani, que j\u00e1 est\u00e3o presentes no Extremo Sul de\nPorto Alegre, no bairro Lami, e na divisa da regi\u00e3o com a cidade de\nViam\u00e3o, nas localidades do Cantagalo e de Itapu\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa e a prefeitura omitem a presen\u00e7a dos Guarani na Ponta do\nArado. Eles n\u00e3o constam no projeto da empresa, sequer s\u00e3o citados nas\naudi\u00eancias p\u00fablicas e demais debates sobre o destino da \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Tampouco s\u00e3o levados em considera\u00e7\u00e3o em algum planejamento do poder\np\u00fablico que preveja alternativas, como a manuten\u00e7\u00e3o da comunidade\nind\u00edgena junto \u00e0 \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Arado Empreendimentos contratou uma empresa de seguran\u00e7a privada e\nmontou um posto pr\u00f3ximo \u00e0 aldeia. A comunidade foi alvo de um ataque a\ntiros, comprovado em investiga\u00e7\u00e3o policial posterior.<\/p>\n\n\n\n<p>A Arado ainda instalou uma cerca com sensor de movimento para\nmonitorar os ind\u00edgenas, concretou po\u00e7o artesiano e n\u00e3o permitiu outros\nacessos para buscar \u00e1gua pot\u00e1vel, proibiu que buscassem lenha e isolou a\n aldeia a tal ponto que apenas podia ser acessada de barco pelo Gua\u00edba.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de cercamento gerou um \u201cconfinamento desumano\u201d segundo o\nTribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o&nbsp;que, em janeiro de 2020, <a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2020\/01\/21\/justica-determina-retirada-da-cerca-junto-ao-acampamento-guarani-na-ponta-do-arado\/\">determinou a retirada<\/a> da cerca e exigiu que a empresa respeitasse o direito de ir e vir dos ind\u00edgenas, al\u00e9m do acesso \u00e0 \u00e1gua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa ainda entrou com pedido de reintegra\u00e7\u00e3o de posse na Justi\u00e7a\n Estadual, que foi atendido, mas posteriormente suspenso. Enquanto isso,\n os Mbya Guarani aguardam a demarca\u00e7\u00e3o da terra, atualmente em fase de\nestudo pela Funai (Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio).<\/p>\n\n\n\n<p>Na luta por acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, uma parceria do Instituto\nEconsci\u00eancia, Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi), Laborat\u00f3rio de\nEtnoarqueologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul LAE\/UFRGS,\nda Amigos da Terra Brasil e com os\/as ind\u00edgenas da Retomada constru\u00edram\num projeto para autonomia da comunidade da Ponta do Arado.<a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2021\/06\/18\/apos-3-anos-retomada-mbya-guarani-de-porto-alegre-tem-acesso-a-agua-potavel\/\"> O grupo implementou um sistema de tratamento da \u00e1gua do Gua\u00edba para torn\u00e1-la pot\u00e1vel.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A defesa do Cintur\u00e3o Verde Guarani em S\u00e3o Paulo (SP)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/d28f81508c63db5261a5c09be3088731.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption><strong><em> Terra Ind\u00edgena do Jaragu\u00e1 \/ Foto: Elineudo Meira \/ @fotografia.75 <\/em><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Os ind\u00edgenas da Terra Ind\u00edgena Jaragu\u00e1, na Zona Norte da capital  paulista, t\u00eam motivos de sobra para n\u00e3o acreditar na ideia divulgada  pela m\u00eddia de que o novo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, seria  \u201cmais aberto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>De fam\u00edlia ruralista, e integrante da Sociedade Rural Brasileira\n(SRB) por mais de 20 anos, Leite e sua fam\u00edlia t\u00eam uma disputa judicial\ncontra a comunidade por uma parte da Terra Ind\u00edgena Jaragu\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>As comunidades ind\u00edgenas que vivem ali j\u00e1 sofreram recentemente uma tentativa de <a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/2020\/01\/construtora-avanca-sobre-area-tradicional-guarani-mbya-na-ti-jaragua-e-derruba-4-mil-arvores\/\">avan\u00e7o da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria<\/a> sobre suas terras.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, a Construtora Tenda S.A. derrubou mais 500 \u00e1rvores da Mata\nAtl\u00e2ntica, a escassos metros da aldeia Tekoa Ytu, a \u00fanica das seis\naldeias da regi\u00e3o que ainda n\u00e3o teve finalizado o processo de\ndemarca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A comunidade resistiu, ocupou o espa\u00e7o e conseguiu fazer com que a <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/sp\/sao-paulo\/noticia\/2020\/04\/09\/juiza-proibe-construtora-de-fazer-obras-em-terreno-proximo-a-comunidade-indigena-na-zona-norte-de-sp.ghtml\">Justi\u00e7a suspendesse<\/a>\n as obras de constru\u00e7\u00e3o das 11 torres. Os ind\u00edgenas querem que na \u00e1rea\nseja constru\u00eddo um parque ecol\u00f3gico e um Memorial da Cultura Guarani.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, os ind\u00edgenas do Jaragu\u00e1 v\u00eam lutando junto \u00e0s comunidades\nGuarani Tenond\u00e9 Por\u00e3, no extremo sul de S\u00e3o Paulo, para que seja\naprovado o <a href=\"http:\/\/cinturaoverdeguarani.info\/projeto-de-lei\/\">projeto de Lei do Cintur\u00e3o Verde Guarani<\/a>, que visa manter as \u00e1reas de Mata Atl\u00e2ntica em p\u00e9, recuperar \u00e1reas degradadas e nascentes de \u00e1gua. O projeto<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/04\/27\/indigenas-pressionam-gestao-covas-pela-criacao-de-cinturao-verde-guarani-em-sp\"> j\u00e1 foi aprovado em primeiro turno<\/a>, mas est\u00e1 parado na C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso deter os processos de especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria sobre terras\nind\u00edgenas em todo o pa\u00eds, inclusive nas \u00e1reas urbanas. Eles s\u00e3o\nrejeitados pelas comunidades e movimentos ind\u00edgenas, e negativos tamb\u00e9m\ndo ponto de vista da justi\u00e7a ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>As mudan\u00e7as em debate em Bras\u00edlia que dizem respeito \u00e0s terras\nind\u00edgenas visam tamb\u00e9m promover fortemente o crescimento de projetos\ndesse tipo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por esses motivos, continuamos na luta contra o PL da Grilagem, a\nfarsa do Marco Temporal e em defesa da Demarca\u00e7\u00e3o J\u00e1 das Terras\nInd\u00edgenas!<\/p>\n\n\n\n<p><br \/> <em>* Este \u00e9 um artigo de opini\u00e3o publicado no site do jornal Brasil em Fato em 19 de Julho (<strong><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"link aqui (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/07\/19\/as-ameacas-do-mercado-imobiliario-ao-direito-a-terra-dos-povos-indigenas\" target=\"_blank\">link aqui<\/a><\/strong><\/em>) e no Brasil de Fato no RS em 20 de Julho (<strong><em><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"neste link (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2021\/07\/20\/demarcacao-ja-nao-a-especulacao-imobiliaria-em-terras-indigenas\" target=\"_blank\">neste link<\/a><\/em><\/strong>) <em>. A vis\u00e3o do autor n\u00e3o necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m dos empres\u00e1rios do agroneg\u00f3cio e da minera\u00e7\u00e3o, os do mercado imobili\u00e1rio certamente t\u00eam interesse no avan\u00e7o do Projeto de Lei (PL) 490\/2007, que inviabiliza e imp\u00f5e retrocessos para a demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas. Com o objetivo de gerar lucro para poucos, existem v\u00e1rios casos de avan\u00e7o sobre territ\u00f3rios ind\u00edgenas com a anu\u00eancia ou, diretamente, com o compromisso do poder p\u00fablico em trabalhar em defesa de interesses privados contra os direitos de povos ind\u00edgenas, muitas vezes por meio&nbsp; da pr\u00f3pria tentativa de modifica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o local.&nbsp; Com o requerimento de urg\u00eancia recentemente aprovado, o PL da Grilagem (Projeto de Lei 2.633\/2020) tamb\u00e9m promete beneficiar a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria com terras ind\u00edgenas. O PL, entre outras coisas, visa regularizar a invas\u00e3o privada de terras p\u00fablicas em geral, e inclusive facilitar a invas\u00e3o em \u00e1reas de comunidades tradicionais, ind\u00edgenas e quilombolas.&nbsp; O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) emitiu uma nota p\u00fablica contra o avan\u00e7o da legaliza\u00e7\u00e3o da grilagem no Brasil no in\u00edcio deste m\u00eas. Nela, o CNDH afirma que o \u201cCongresso n\u00e3o deve premiar quem viola direitos de agricultores familiares, povos ind\u00edgenas, quilombolas e comunidades tradicionais, aumentando a desigualdade, estimulando a viol\u00eancia no campo, a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e o trabalho em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o\u201d.&nbsp; Mulheres ind\u00edgenas contra a especula\u00e7\u00e3o em Alter do Ch\u00e3o (PA) No final do ano passado, a Associa\u00e7\u00e3o de Mulheres Ind\u00edgenas de Alter do Ch\u00e3o (PA) iniciou uma campanha contra o avan\u00e7o de grandes empreendimentos sobre o territ\u00f3rio ind\u00edgena do povo Borari, que est\u00e1 \u00e0 espera de demarca\u00e7\u00e3o da \u00e1rea. Elas denunciam que devido ao avan\u00e7o de projetos tur\u00edsticos e de minera\u00e7\u00e3o v\u00eam perdendo terras e que os habitantes tradicionais v\u00eam sendo empurrados para as regi\u00f5es perif\u00e9ricas do territ\u00f3rio.&nbsp; Em 2017, foi apresentado o Projeto de Lei 1621\/2017 na C\u00e2mara de Santar\u00e9m (PA) que pretendia modificar a Lei de Uso, Ocupa\u00e7\u00e3o e Parcelamento do Solo das Zonas Urbana e Rural, e autorizar, por exemplo, a constru\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios de at\u00e9 19 metros de altura. Devido \u00e0 resist\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es tradicionais, os Minist\u00e9rios P\u00fablicos Estadual e Federal recomendaram a suspens\u00e3o do PL, tanto para que fossem realizados estudos t\u00e9cnicos, como para garantir a realiza\u00e7\u00e3o de consulta pr\u00e9via, livre e informada \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que seria atingida.&nbsp; Comunidade Mbya Guarani da Ponta do Arado em Porto Alegre (RS) A Prefeitura de Porto Alegre tamb\u00e9m tenta alterar a legisla\u00e7\u00e3o municipal para permitir um projeto imobili\u00e1rio, da empresa Arado Empreendimentos Imobili\u00e1rios Ltda., que possui potenciais impactos ambientais e sobre ind\u00edgenas que vivem na Ponta do Arado, no bairro Bel\u00e9m Novo, no Extremo Sul da capital ga\u00facha.&nbsp; A gest\u00e3o de Sebasti\u00e3o Melo (MDB-RS) est\u00e1 formulando o terceiro PL dos \u00faltimos 6 anos, que visa ajustar as leis para permitir a implementa\u00e7\u00e3o de um projeto que prev\u00ea a constru\u00e7\u00e3o de mais de 2,3 mil lotes de m\u00e9dia e alta renda, e que coloca em risco a preserva\u00e7\u00e3o de banhados e ecossistemas importantes que ajudam a evitar alagamentos na regi\u00e3o.&nbsp; Desde 2018, a Ponta do Arado, que fica \u00e0s margens do Rio Gua\u00edba e dentro de uma \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, \u00e9 ocupada por ind\u00edgenas Mby\u00e1-Guarani. Estudos antropol\u00f3gicos que ainda n\u00e3o foram finalizados indicam resqu\u00edcios hist\u00f3ricos de habita\u00e7\u00e3o ind\u00edgena no local. Al\u00e9m disso, a \u00e1rea de mata e na beira do rio garante as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a sobreviv\u00eancia dos Guarani, que j\u00e1 est\u00e3o presentes no Extremo Sul de Porto Alegre, no bairro Lami, e na divisa da regi\u00e3o com a cidade de Viam\u00e3o, nas localidades do Cantagalo e de Itapu\u00e3. A empresa e a prefeitura omitem a presen\u00e7a dos Guarani na Ponta do Arado. Eles n\u00e3o constam no projeto da empresa, sequer s\u00e3o citados nas audi\u00eancias p\u00fablicas e demais debates sobre o destino da \u00e1rea. Tampouco s\u00e3o levados em considera\u00e7\u00e3o em algum planejamento do poder p\u00fablico que preveja alternativas, como a manuten\u00e7\u00e3o da comunidade ind\u00edgena junto \u00e0 \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o.&nbsp; A Arado Empreendimentos contratou uma empresa de seguran\u00e7a privada e montou um posto pr\u00f3ximo \u00e0 aldeia. A comunidade foi alvo de um ataque a tiros, comprovado em investiga\u00e7\u00e3o policial posterior. A Arado ainda instalou uma cerca com sensor de movimento para monitorar os ind\u00edgenas, concretou po\u00e7o artesiano e n\u00e3o permitiu outros acessos para buscar \u00e1gua pot\u00e1vel, proibiu que buscassem lenha e isolou a aldeia a tal ponto que apenas podia ser acessada de barco pelo Gua\u00edba. A situa\u00e7\u00e3o de cercamento gerou um \u201cconfinamento desumano\u201d segundo o Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o&nbsp;que, em janeiro de 2020, determinou a retirada da cerca e exigiu que a empresa respeitasse o direito de ir e vir dos ind\u00edgenas, al\u00e9m do acesso \u00e0 \u00e1gua.&nbsp; A empresa ainda entrou com pedido de reintegra\u00e7\u00e3o de posse na Justi\u00e7a Estadual, que foi atendido, mas posteriormente suspenso. Enquanto isso, os Mbya Guarani aguardam a demarca\u00e7\u00e3o da terra, atualmente em fase de estudo pela Funai (Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio). Na luta por acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, uma parceria do Instituto Econsci\u00eancia, Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi), Laborat\u00f3rio de Etnoarqueologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul LAE\/UFRGS, da Amigos da Terra Brasil e com os\/as ind\u00edgenas da Retomada constru\u00edram um projeto para autonomia da comunidade da Ponta do Arado. O grupo implementou um sistema de tratamento da \u00e1gua do Gua\u00edba para torn\u00e1-la pot\u00e1vel. A defesa do Cintur\u00e3o Verde Guarani em S\u00e3o Paulo (SP) Os ind\u00edgenas da Terra Ind\u00edgena Jaragu\u00e1, na Zona Norte da capital paulista, t\u00eam motivos de sobra para n\u00e3o acreditar na ideia divulgada pela m\u00eddia de que o novo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, seria \u201cmais aberto\u201d. De fam\u00edlia ruralista, e integrante da Sociedade Rural Brasileira (SRB) por mais de 20 anos, Leite e sua fam\u00edlia t\u00eam uma disputa judicial contra a comunidade por uma parte da Terra Ind\u00edgena Jaragu\u00e1. As comunidades ind\u00edgenas que vivem ali j\u00e1 sofreram recentemente uma tentativa de avan\u00e7o da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria sobre suas terras. Em 2020, a Construtora Tenda S.A. derrubou mais 500 \u00e1rvores da Mata Atl\u00e2ntica, a escassos metros da aldeia Tekoa Ytu, a \u00fanica das seis aldeias da regi\u00e3o que ainda n\u00e3o teve finalizado o processo de demarca\u00e7\u00e3o. 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