{"id":3441,"date":"2021-07-22T17:00:05","date_gmt":"2021-07-22T20:00:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/?p=3441"},"modified":"2025-06-17T10:11:45","modified_gmt":"2025-06-17T13:11:45","slug":"projeto-arado-velho-violencia-contra-indigenas-e-ameacas-a-ambientalistas-para-garantir-projeto-imobiliario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/?p=3441","title":{"rendered":"Arado Velho: Viol\u00eancia contra ind\u00edgenas e amea\u00e7as a ambientalistas para garantir projeto imobili\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\r\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ZiOIkj_rqhA\"><strong>Desde 2018, a Ponta do Arado, parte da fazenda \u00e0s margens do Rio Gua\u00edba e dentro da \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, \u00e9 ocupada por ind\u00edgenas Mbya-Guarani<\/strong><\/a><strong>.<\/strong> Estudo antropol\u00f3gico entregue \u00e0 Justi\u00e7a Federal indica resqu\u00edcios hist\u00f3ricos de habita\u00e7\u00e3o ind\u00edgena no local. Al\u00e9m disso, a \u00e1rea de mata e na beira do rio garante as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a sobreviv\u00eancia dos Guarani, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=LGk0chl4cLc\"><strong>que j\u00e1 est\u00e3o presentes no Extremo Sul de Porto Alegre<\/strong><\/a>, no bairro Lami, e pr\u00f3ximo \u00e0 regi\u00e3o, mas j\u00e1 pertencendo \u00e0 cidade de Viam\u00e3o, nas localidades do Cantagalo e de Itapu\u00e3.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: left;\">\r\n\r\n<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Oficialmente, tanto a empreendedora quanto a prefeitura omitem a presen\u00e7a dos Guarani na Ponta do Arado. Eles n\u00e3o constam no projeto da empresa, sequer s\u00e3o citados nas audi\u00eancias p\u00fablicas e demais debates sobre o destino da fazenda. Tampouco s\u00e3o levados em considera\u00e7\u00e3o em algum planejamento do poder p\u00fablico que previsse alternativas, como a manuten\u00e7\u00e3o da comunidade ind\u00edgena junto \u00e0 \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o na fazenda. Os Guarani est\u00e3o invis\u00edveis para a empresa, para a prefeitura e at\u00e9 mesmo para alguns moradores locais, que os acusam de se aproveitarem da sua condi\u00e7\u00e3o de ind\u00edgena para \u201cinvadir\u201d a \u00e1rea.\u00a0<\/p>\r\n<p>\r\n\r\n<\/p>\r\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/BOlDhp2pcaVWHdCq9LnQvJrobzmz3cfSMyS88FHUhWbhshtbIuJ-4V4IOvMZ9-qNtsC7Mv547WgmTYhcZIR0mO1WokNlJFIjc-83in98bbJkAuMokjirU0opid8aDLqPyBnNObY\" alt=\"\" \/><\/figure>\r\n<p>\r\n\r\n<\/p>\r\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/VbImN-uNahfhExTD1J3u-vqI5MgsQIp3VViOjiEb9CmXXSDKs2yCjkNwSVrUfoGWzvKbKt4IgF95-W9Mdm_pGYI2GLxP06fBofpm7xjai_zCVoXEaZyz-lI8SQdDjjK2xbV5iTA\" alt=\"\" \/>\r\n<figcaption><em>Foto acima mostra trilha que d\u00e1 acesso \u00e0 prainha da Ponta do Arado Velho (nesta imagem). Fotos: Felipe Farias<\/em><\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n<p>\r\n\r\n<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;\">A cientista social Carmen Guardiola, pesquisadora do LAE\/UFRGS (Laborat\u00f3rio de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul), acompanha a situa\u00e7\u00e3o dos Guarani desde a retomada em 2018. Ela avalia que essa invisibiliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 sustentada no preconceito quanto ao modo de ser Guarani e, especialmente, na disputa pelo territ\u00f3rio. \u201cO \u2018modo de ser\u2019 Mbya Guarani \u00e9 de territorializar por itiner\u00e2ncia, n\u00e3o permanecendo por muito tempo em um determinado local, local este de seu territ\u00f3rio ancestral. Com o avan\u00e7o da urbaniza\u00e7\u00e3o sem planejamento, que reduz as matas e a \u00e1rea verde, fica muito dif\u00edcil para os Guarani encontrar territ\u00f3rios livres da propriedade privada ou do Estado,\u00a0 ambos interditados a eles. Est\u00e3o na Ponta do Arado porque \u00e9 territ\u00f3rio ancestral, regi\u00e3o de mata e rio, com os elementos ambientais pr\u00f3prios ao seu modo de ser\u201d, explica.\u00a0<\/p>\r\n<p>\r\n\r\n<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Ambientalistas e demais apoiadores denunciam ser intencional o fato de a Arado Empreendimentos omitir a presen\u00e7a dos Guarani na \u00e1rea, pois ao estarem invis\u00edveis frente \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica eles ficariam mais fragilizados e cederiam a press\u00f5es para n\u00e3o buscar seus direitos previstos na Constitui\u00e7\u00e3o Federal. A press\u00e3o \u00e9 provocada, na maior parte, pela pr\u00f3pria empresa, que tenta <a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2021\/06\/18\/apos-3-anos-retomada-mbya-guarani-de-porto-alegre-tem-acesso-a-agua-potavel\/\"><strong>expulsar os ind\u00edgenas para avan\u00e7ar com o projeto do bairro planejado<\/strong><\/a>, empregando para isso at\u00e9 agress\u00f5es e viol\u00eancia. A Arado Empreendimentos contratou uma empresa de seguran\u00e7a privada e montou um posto a 10 metros da retomada. Esses seguran\u00e7as faziam amea\u00e7as verbais, provocando terror e infligindo viol\u00eancia psicol\u00f3gica aos Guarani. Tamb\u00e9m foram alvo de ataque com arma de fogo, comprovado em investiga\u00e7\u00e3o policial posterior, e amea\u00e7ados por pessoas que andaram entre as barracas dizendo que da pr\u00f3xima vez \u201ciriam matar todo mundo\u201d. A Arado ainda instalou uma cerca com sensor de movimento para monitorar os ind\u00edgenas, deixando-os confinados em um espa\u00e7o de 20x100m; concretou po\u00e7o artesiano e n\u00e3o permitiu outros acessos para buscar \u00e1gua pot\u00e1vel, proibiu que buscassem lenha e isolou a aldeia a tal ponto que apenas podia ser acessada de barco pelo Gua\u00edba, entre outras a\u00e7\u00f5es. A empresa tamb\u00e9m identificou apoiadores da retomada que acessaram o local para ajudar os Guarani e os arrolou em a\u00e7\u00e3o judicial, na tentativa de criminaliz\u00e1-los. Essa situa\u00e7\u00e3o de cercamento gerou um \u201cconfinamento desumano\u201d segundo a pr\u00f3pria Justi\u00e7a, que em Janeiro de 2020, <a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2020\/01\/21\/justica-determina-retirada-da-cerca-junto-ao-acampamento-guarani-na-ponta-do-arado\/\"><strong>numa decis\u00e3o do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o) determinou a retirada da cerca junto ao acampamento Guarani na Ponta do Arado e exigiu que a empresa respeitasse o direito de ir e vir dos ind\u00edgenas e o acesso \u00e0 \u00e1gua.<\/strong><\/a><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\r\n<p>\r\n\r\n<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra frente de ataque da Arado Empreendimentos \u00e9 a jur\u00eddica. Assim que os Guarani ocuparam a \u00e1rea em 2018, a empresa ingressou com pedido de interdito proibit\u00f3rio e de reintegra\u00e7\u00e3o de posse na Justi\u00e7a Estadual, obtendo uma liminar favor\u00e1vel. No entanto, a decis\u00e3o foi suspensa, e o debate jur\u00eddico transferido para a Justi\u00e7a Federal, pois a quest\u00e3o dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas \u00e9 de \u00e2mbito federal. Atualmente, o processo de demarca\u00e7\u00e3o encontra-se na fase de estudo e de an\u00e1lise pela FUNAI (Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio) para\u00a0 reconhecimento da \u00e1rea da Ponta do Arado como terra ind\u00edgena. Mas enquanto este parecer n\u00e3o sai, a perman\u00eancia dos Guarani no local depende dos julgamentos de duas a\u00e7\u00f5es, uma pela 9\u00aa Vara Federal sobre o direito dos ind\u00edgenas de ficar ali at\u00e9 a decis\u00e3o da FUNAI, e outra pelo TRF4 em rela\u00e7\u00e3o ao pedido de liminar da empresa para que saiam imediatamente. H\u00e1 ainda um terceiro elemento, que pode determinar esta disputa: <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2021\/07\/06\/pelo-fim-da-farsa-do-marco-temporal-demarcacao-ja\"><strong>o julgamento do Marco Temporal pelo STF (Supremo Tribunal Federal). <\/strong><\/a>Caso o Supremo ceda aos interesses do agroneg\u00f3cio e do setor ruralista, validando a tese do Marco Temporal, a demarca\u00e7\u00e3o da Ponta do Arado como \u00e1rea ind\u00edgena estar\u00e1 inviabilizada.<\/p>\r\n<p>\r\n\r\n<\/p>\r\n<p>Em meio \u00e0 agress\u00e3o e viol\u00eancia e \u00e0 indefini\u00e7\u00e3o do seu futuro pelo judici\u00e1rio, os Mbya Guarani resistem na Ponta do Arado. \u201cSe o projeto de urbaniza\u00e7\u00e3o for concretizado da forma como est\u00e1 sendo apresentado, significa a destrui\u00e7\u00e3o de seu mundo e de sua sobreviv\u00eancia&#8221;, enfatiza Carmen.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;\">\r\n\r\n<\/p>\r\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Acesse a mat\u00e9ria principal e a continua\u00e7\u00e3o dessa hist\u00f3ria:<\/em><\/strong><\/h4>\r\n<p style=\"text-align: justify;\"><\/p>\r\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong>\/\/ <a style=\"color: #008000;\" href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2021\/07\/22\/porto-alegre-projeto-de-bairro-planejado-na-fazenda-do-arado-velho-avanca-em-meio-a-pandemia\/\">Porto Alegre: Projeto de bairro planejado na Fazenda do Arado Velho avan\u00e7a em meio \u00e0 pandemia<\/a><br \/><\/strong><\/span><\/p>\r\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong>\/\/ <\/strong><strong><a style=\"color: #008000;\" href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2021\/07\/22\/projeto-habitacional-de-media-e-alta-renda-traz-impactos-ambientais-sociais-e-historicos\/\">Projeto habitacional de m\u00e9dia e alta renda traz impactos ambientais, sociais e hist\u00f3ricos<\/a><\/strong><\/span><\/p>\r\n<p><span style=\"color: #008000;\">\r\n\r\n<\/span><\/p>\r\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong>\/\/<\/strong> <\/span><strong><a href=\"http:\/\/www.amigosdaterrabrasil.org.br\/2021\/07\/22\/projeto-arado-velho-muito-dinheiro-para-os-empresarios-progresso-e-desenvolvimento-apenas-para-alguns\/\"><span style=\"color: #008000;\">Muito dinheiro para os empres\u00e1rios. &#8220;Progresso e desenvolvimento&#8221; apenas para alguns<\/span><\/a><\/strong><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 2018, a Ponta do Arado, parte da fazenda \u00e0s margens do Rio Gua\u00edba e dentro da \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, \u00e9 ocupada por ind\u00edgenas Mbya-Guarani. Estudo antropol\u00f3gico entregue \u00e0 Justi\u00e7a Federal indica resqu\u00edcios hist\u00f3ricos de habita\u00e7\u00e3o ind\u00edgena no local. Al\u00e9m disso, a \u00e1rea de mata e na beira do rio garante as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a sobreviv\u00eancia dos Guarani, que j\u00e1 est\u00e3o presentes no Extremo Sul de Porto Alegre, no bairro Lami, e pr\u00f3ximo \u00e0 regi\u00e3o, mas j\u00e1 pertencendo \u00e0 cidade de Viam\u00e3o, nas localidades do Cantagalo e de Itapu\u00e3. Oficialmente, tanto a empreendedora quanto a prefeitura omitem a presen\u00e7a dos Guarani na Ponta do Arado. Eles n\u00e3o constam no projeto da empresa, sequer s\u00e3o citados nas audi\u00eancias p\u00fablicas e demais debates sobre o destino da fazenda. Tampouco s\u00e3o levados em considera\u00e7\u00e3o em algum planejamento do poder p\u00fablico que previsse alternativas, como a manuten\u00e7\u00e3o da comunidade ind\u00edgena junto \u00e0 \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o na fazenda. Os Guarani est\u00e3o invis\u00edveis para a empresa, para a prefeitura e at\u00e9 mesmo para alguns moradores locais, que os acusam de se aproveitarem da sua condi\u00e7\u00e3o de ind\u00edgena para \u201cinvadir\u201d a \u00e1rea.\u00a0 A cientista social Carmen Guardiola, pesquisadora do LAE\/UFRGS (Laborat\u00f3rio de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul), acompanha a situa\u00e7\u00e3o dos Guarani desde a retomada em 2018. Ela avalia que essa invisibiliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 sustentada no preconceito quanto ao modo de ser Guarani e, especialmente, na disputa pelo territ\u00f3rio. \u201cO \u2018modo de ser\u2019 Mbya Guarani \u00e9 de territorializar por itiner\u00e2ncia, n\u00e3o permanecendo por muito tempo em um determinado local, local este de seu territ\u00f3rio ancestral. Com o avan\u00e7o da urbaniza\u00e7\u00e3o sem planejamento, que reduz as matas e a \u00e1rea verde, fica muito dif\u00edcil para os Guarani encontrar territ\u00f3rios livres da propriedade privada ou do Estado,\u00a0 ambos interditados a eles. Est\u00e3o na Ponta do Arado porque \u00e9 territ\u00f3rio ancestral, regi\u00e3o de mata e rio, com os elementos ambientais pr\u00f3prios ao seu modo de ser\u201d, explica.\u00a0 Ambientalistas e demais apoiadores denunciam ser intencional o fato de a Arado Empreendimentos omitir a presen\u00e7a dos Guarani na \u00e1rea, pois ao estarem invis\u00edveis frente \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica eles ficariam mais fragilizados e cederiam a press\u00f5es para n\u00e3o buscar seus direitos previstos na Constitui\u00e7\u00e3o Federal. A press\u00e3o \u00e9 provocada, na maior parte, pela pr\u00f3pria empresa, que tenta expulsar os ind\u00edgenas para avan\u00e7ar com o projeto do bairro planejado, empregando para isso at\u00e9 agress\u00f5es e viol\u00eancia. A Arado Empreendimentos contratou uma empresa de seguran\u00e7a privada e montou um posto a 10 metros da retomada. Esses seguran\u00e7as faziam amea\u00e7as verbais, provocando terror e infligindo viol\u00eancia psicol\u00f3gica aos Guarani. Tamb\u00e9m foram alvo de ataque com arma de fogo, comprovado em investiga\u00e7\u00e3o policial posterior, e amea\u00e7ados por pessoas que andaram entre as barracas dizendo que da pr\u00f3xima vez \u201ciriam matar todo mundo\u201d. A Arado ainda instalou uma cerca com sensor de movimento para monitorar os ind\u00edgenas, deixando-os confinados em um espa\u00e7o de 20x100m; concretou po\u00e7o artesiano e n\u00e3o permitiu outros acessos para buscar \u00e1gua pot\u00e1vel, proibiu que buscassem lenha e isolou a aldeia a tal ponto que apenas podia ser acessada de barco pelo Gua\u00edba, entre outras a\u00e7\u00f5es. A empresa tamb\u00e9m identificou apoiadores da retomada que acessaram o local para ajudar os Guarani e os arrolou em a\u00e7\u00e3o judicial, na tentativa de criminaliz\u00e1-los. Essa situa\u00e7\u00e3o de cercamento gerou um \u201cconfinamento desumano\u201d segundo a pr\u00f3pria Justi\u00e7a, que em Janeiro de 2020, numa decis\u00e3o do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o) determinou a retirada da cerca junto ao acampamento Guarani na Ponta do Arado e exigiu que a empresa respeitasse o direito de ir e vir dos ind\u00edgenas e o acesso \u00e0 \u00e1gua.\u00a0 Outra frente de ataque da Arado Empreendimentos \u00e9 a jur\u00eddica. Assim que os Guarani ocuparam a \u00e1rea em 2018, a empresa ingressou com pedido de interdito proibit\u00f3rio e de reintegra\u00e7\u00e3o de posse na Justi\u00e7a Estadual, obtendo uma liminar favor\u00e1vel. No entanto, a decis\u00e3o foi suspensa, e o debate jur\u00eddico transferido para a Justi\u00e7a Federal, pois a quest\u00e3o dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas \u00e9 de \u00e2mbito federal. Atualmente, o processo de demarca\u00e7\u00e3o encontra-se na fase de estudo e de an\u00e1lise pela FUNAI (Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio) para\u00a0 reconhecimento da \u00e1rea da Ponta do Arado como terra ind\u00edgena. Mas enquanto este parecer n\u00e3o sai, a perman\u00eancia dos Guarani no local depende dos julgamentos de duas a\u00e7\u00f5es, uma pela 9\u00aa Vara Federal sobre o direito dos ind\u00edgenas de ficar ali at\u00e9 a decis\u00e3o da FUNAI, e outra pelo TRF4 em rela\u00e7\u00e3o ao pedido de liminar da empresa para que saiam imediatamente. H\u00e1 ainda um terceiro elemento, que pode determinar esta disputa: o julgamento do Marco Temporal pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Caso o Supremo ceda aos interesses do agroneg\u00f3cio e do setor ruralista, validando a tese do Marco Temporal, a demarca\u00e7\u00e3o da Ponta do Arado como \u00e1rea ind\u00edgena estar\u00e1 inviabilizada. Em meio \u00e0 agress\u00e3o e viol\u00eancia e \u00e0 indefini\u00e7\u00e3o do seu futuro pelo judici\u00e1rio, os Mbya Guarani resistem na Ponta do Arado. \u201cSe o projeto de urbaniza\u00e7\u00e3o for concretizado da forma como est\u00e1 sendo apresentado, significa a destrui\u00e7\u00e3o de seu mundo e de sua sobreviv\u00eancia&#8221;, enfatiza Carmen.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Acesse a mat\u00e9ria principal e a continua\u00e7\u00e3o dessa hist\u00f3ria: \/\/ Porto Alegre: Projeto de bairro planejado na Fazenda do Arado Velho avan\u00e7a em meio \u00e0 pandemia \/\/ Projeto habitacional de m\u00e9dia e alta renda traz impactos ambientais, sociais e hist\u00f3ricos \/\/ Muito dinheiro para os empres\u00e1rios. &#8220;Progresso e desenvolvimento&#8221; apenas para alguns<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":8513,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[600,1839,602,1837],"tags":[],"class_list":["post-3441","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-antirracismo","category-especulacao-imobiliaria","category-justica-ambiental-nas-cidades","category-retomadas-e-direito-a-cidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3441","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3441"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3441\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8514,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3441\/revisions\/8514"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8513"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3441"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3441"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/amigasdaterrabrasil.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3441"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}<!-- This website is optimized by Airlift. Learn more: https://airlift.net. Template:. Learn more: https://airlift.net. Template: 69bb2d84190636b963fc75d5. Config Timestamp: 2026-03-18 22:56:03 UTC, Cached Timestamp: 2026-04-04 12:39:35 UTC -->